MP-BA denunciou mais de 15 mil casos de violência contra mulheres no 1º semestre deste ano

  • Informações do G1/BA
  • 14 Jul 2021
  • 17:49h

Número corresponde a 82 denúncias diárias, um aumento de cerca de 14% em comparação com 2020, quando 26.469 denúncias foram feitas pelo órgão, uma média de 72 por dia | Foto: Reprodução

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou à Justiça, de janeiro a junho deste ano, 15.079 casos de violência contra mulheres. Esse número corresponde a 82 denúncias diárias, um aumento de cerca de 14% em comparação com 2020, quando 26.469 denúncias foram feitas, uma média de 72 por dia.

Uma das vítimas é uma enfermeira, que foi atacada a facadas pelo ex-marido no bairro de Brotas, há menos de um mês. A tentativa de feminicídio aconteceu durante a manhã, na Avenida Dom João VI. Desde então, o agressor está foragido da polícia.

O crime foi gravado pela câmera de segurança do prédio da família da vítima. Nas imagens é possível ver que o homem se aproxima da enfermeira, quando ela já tinha interfonado para a mãe abrir o portão.

A gravação mostra que a vítima ela tentou se proteger, levantado as mãos. Ela foi ferida cinco vezes, em golpes que atingiram a p

“Ele tinha a escala de trabalho, então ele sabia a hora que ela chegava aqui no prédio. Se posicionou, colocou o carro próximo aqui da residência. Quando ele viu ela chegando aqui no prédio, ele atravessou a rua, veio em direção a ela. Ela ainda perguntou: ‘O que é que você quer?’ Aí ele desferiu o primeiro golpe na mão da minha filha”, conta Raimundo Gonçalves, pai da vítima.

A enfermeira terminou o casamento por causa das violências sofridas, quando o relacionamento ia completar cinco anos. Dois dias antes da tentativa de feminicídio, o agressor procurou a família para se reaproximar da vítima.

 

Fabrício Ferreira da Silva está foragido por ter atacado a ex-companheira a facadas, em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia

Antes de ficar desacordada, a vítima chegou a gritar por socorro. Pessoas que passavam na rua tentaram ajudá-la e o zelador do prédio ouviu a situação, e levou a vítima para o hospital.

“Eu ouvi alguém pedindo socorro, mas não imaginava que era ela. Quando eu cheguei aqui, vi a sacola, e reconheci logo que era dela. Aí quando eu olhei [para o outro lado da rua], estava cheio de gente, ela estava no chão. Aí me chamaram: ‘Vá com ela, vá com ela para o HGE [Hospital Geral do Estado]’”, conta Daniel Zeferino.

Depois do ataque, os médios responsáveis por cuidar da vítima disseram à família que ela nasceu outra vez. A enfermeira passou por cinco cirurgias, e está na casa dos pais, onde se recupera dos fermentos no corpo. O estado emocional, no entanto, ainda preocupa a família.

“Ela está com o psicológico arrasado, e o físico também não está bem ainda. Não tem nem um mês que aconteceu isso. Então o físico e o emocional estão horríveis. Está complicado para a gente lidar com essa situação, porque o emocional dela está nos preocupando. Claro que nós estamos tomando os cuidados e as providências”, disse o pai da vítima.

O caso foi registrado na delegacia, que já ouviu a vítima e testemunhas. A prisão do agressor, Fabrício Ferreira da Silva, também foi pedida e ele é considerado foragido. Ainda segundo a polícia, a Justiça também concedeu medidas protetivas em favor da vítima.

Fabrício e a vítima se conheceram por meio de amigos em comum. Com o tempo de relacionamento, a família dela passou a desconfiar dele, por causa das brigas e discussões, mas nunca souberam de agressão física, antes do ataque.


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