Equipe econômica prepara 'cláusula de calamidade' para voltar do auxílio emergencial

  • Bahia Notícias
  • 06 Fev 2021
  • 16:36h

A cláusula já citada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como necessária para recriar o auxílio emergencial deve ser incluída na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo, informou nesta sexta-feira (5), o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal.

A PEC do Pacto Federativo está parada no Senado desde 2019 e propõe a descentralização, a desindexação e a desvinculação de gastos, com o objetivo de abrir espaço no Orçamento e dar maior autonomia para estados e município.

Na última quinta-feira (4), após receber a visita do novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Guedes afirmou que o auxílio emergencial poderá ser recriado para pelo menos metade dos beneficiários que receberam o pagamento em 2020, segundo o G1.

O auxílio emergencial — programa de transferência de renda motivado pelos efeitos econômicos da crise sanitária do coronavírus — se encerrou em 31 de dezembro. Primeiro, o programa concedeu — principalmente para trabalhadores informais e desempregados — R$ 600 mensais entre abril e agosto; depois, R$ 300 entre setembro e dezembro.

Segundo Bruno Funchal, o novo mecanismo a ser incluído na PEC do Pacto Federativo seria uma espécie de "cláusula de calamidade", conforme havia informado o blog de Ana Flor.

Essa cláusula permitiria, em momentos de emergência, a suspensão temporária da chamada "regra de ouro" — que impede o governo de aumentar a dívida pública para pagar despesas correntes — e o aumento da despesa, por meio da abertura de créditos extraordinários — os quais não se sujeitam ao teto de gastos, criado em 2016 e que limita o crescimento das despesas públicas à inflação do ano anterior.

Como contrapartida, informou o secretário, seriam acionados gatilhos a fim de conter o aumento dos gastos obrigatórios do governo. A necessidade da cláusula de calamidade se justifica porque as três PECs consideradas pelo governo como prioritárias no Senado – do Pacto Federativo, dos Fundos Públicos e a PEC Emergencial – só abrem espaço fiscal para a União a partir de 2022.

Com isso, o governo teria que se endividar mais este ano, dentro do escopo da regra de ouro, que, por sua vez, exige autorização do Congresso Nacional. Com a cláusula de calamidade, o governo ficaria desobrigado dessa regra fiscal e não precisaria mais desse aval dos parlamentares.

Porém, segundo Bruno Funchal, mesmo com a cláusula de calamidade, o governo federal ainda precisaria cumprir a meta fiscal, que prevê um déficit de até R$ 247,1 bilhões para 2021, segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Como o crédito extraordinário deverá dificultar o cumprimento da meta, o governo precisaria pedir ao Congresso a alteração do valor da meta previsto para este ano por meio do envio de um projeto de lei complementar.


Comentários

  1. J. Cícero Alves

    "O Brasil tem cerca de 13 milhões de pessoas na extrema pobreza (renda de R$ 151 por mês), e cerca de 52 milhões na pobreza (renda de R$ 436 por mês) [Fonte: IBGE – Divulgação: novembro/2020] A extinção do auxílio emergencial agravaria ainda mais os problemas socioeconômicos no Brasil, com aumento exponencial das populações em situação de extrema pobreza, fazendo acentuar sobremodo a fome, a miséria e as desigualdades sociais no país. Por essa razão, parece já haver um consenso no parlamento federal pela aprovação da prorrogação do auxílio emergencial, que deverá ser incluído no Orçamento 2021, a fim de socorrer a parcela mais vulnerável da população, que é a que mais sofre em tempos de recessão e estagnação econômica. Busca-se agora definir a receita, a forma e os critérios pelos quais o auxílio será implementado em 2021 e quem terá direito de recebê-lo. Sejam quais forem os novos critérios adotados, o importante é que haja a prorrogação do auxílio por mais algum tempo, pelo menos até o fim da primeira etapa de vacinação no país. É o mínimo que o Estado – que costuma gastar quase R$ 20 milhões com leite condensado e chicletes -, pode fazer por essa parcela da população desempregada, esfaimada e desprovida. "