Na campanha da pandemia é proibido aglomerar. Quem fiscaliza? O inimigo

  • Levi Vasconcelos
  • 14 Out 2020
  • 16:22h

(Foto: Reprodução)

Phillip Knightley, jornalista norte-americano premiadíssimo, que foi correspondente de guerra no Vietnã e quando voltou fez o belíssimo livro ‘A Primeira Vítima’, diz logo na abertura: toda vez que estoura uma guerra a primeira vítima é sempre a verdade.

E disputas eleitorais são guerras, um jogo de vale tudo, este ano com o tempero da pandemia. Um giro pelo interior e a conclusão é óbvia: se for penalizar quem aglomera, entre os candidatos competitivos, os que pontuam melhor nas pesquisas, não sobra um.

Missão impossível

A questão não é nem má fé. É visível a preocupação de alguns candidatos de obedecer a regra de não botar mais de 100 pessoas nos ambientes, mas é impossível segurar as aglomerações adjacentes.

Como um candidato em campanha vai enxotar gente que está ali para aplaudi-lo? É a contramão da lógica. E quem deveria fazer isso? Obviamente, se se quer fazer justiça, deveria haver uma fiscalização neutra. Muito pelo contrário, quem fiscaliza e denuncia é o adversário, e é aí que o jogo ganha um bom adubo para a judicialização da peleja.

Óbvio que a Covid ainda causa receios. Alguns lembram de Kadu Castro, 39 anos, candidato em Coaraci, que morreu vítima da Covid no comecinho da campanha. Mas dizem que é o jeito, como falou um sessentão, candidato forte nas cercanias de Salvador.

— Este ano buscar voto tem esse risco. Mas que Jeito?


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