OAB questiona Bolsonaro sobre sistema próprio de informações, admitido em vídeo

  • Redação
  • 24 Mai 2020
  • 10:42h

De acordo com o presidente da entidade, usar função pública para interesses particulares fere princípios da impessoalidade e da moralidade | foto: Reprodução

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, questionou ao presidente Jair Bolsonaro sobre o sistema próprio de informações ao qual ele se referia na reunião ministerial de 22 de abril. À TV Globo, o advogado sinalizou que usar a função pública para interesses particulares fere os princípios da impessoalidade e da moralidade. “O presidente deve sérias explicações à nação sobre esse sistema paralelo de informações que diz possuir, que aparentemente tem sido usado para vazar investigações em curso sobre sua família e amigos”, declarou Santa Cruz.De acordo com as imagens da reunião, divulgadas na última sexta-feira (22), Bolsonaro afirmou que seu sistema particular de informações funciona. Os oficiais, no entanto, promovem sua desinformação. O presidente não disse a que se referia.Segundo informações do G1, logo após a divulgação do vídeo, Bolsonaro disse em entrevista no Palácio da Alvorada que descobriu uma “armação” contra ele por meio de amigos policiais civis e militares do Rio de Janeiro. Bolsonaro afirmou que havia a possibilidade de busca e apreensão nas casas dos seus filhos e que provas seriam plantadas. Ele também não explicou o que descobriu, quando nem em quais circunstâncias essas informações foram repassadas. “Sabiam do problema do governador [Wilson Witzel, do Rio de Janeiro], que queria minha cabeça a todo custo? Que o objetivo dele é ser presidente da República, né? E para isso tinha que destruir a mim e à minha família. O tempo todo vivendo sob tensão. Possibilidade de busca e apreensão na casa de filhos meus, onde provas seriam plantadas. Levantei, graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares no Rio de Janeiro, o que estava sendo armado para cima de mim. ‘Moro, eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não me deixar ser chantageado’. Nunca tive sucesso para nada”, admitiu Bolsonaro, na ocasião. Moro respondeu à declaração no Twitter, afirmando que não cabe ao ministro da Justiça obstruir investigações da justiça estadual. Nem mesmo se envolver “supostos crimes” dos filhos do presidente.


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