Com a chegada do coronavírus ao Planalto, caiu a ficha em Brasília da urgência que o caso exige

  • Por Gerson Camarotti
  • 13 Mar 2020
  • 15:26h

(Foto: Reprodução)

A imagem do presidente Jair Bolsonaro falando numa transmissão pela internet usando máscara na noite desta quinta-feira (12) foi o sinal mais sensível da mudança expressiva de comportamento do governo em menos de uma semana. Da fala do presidente na Flórida (EUA) minimizando o novo coronavírus para o pronunciamento cauteloso desta quinta, ficou evidente que finalmente caiu a ficha no governo. O primeiro caso de coronavírus confirmado entre um auxiliar direto do presidente Bolsonaro (o secretário de Comunicação Fábio Wajngarten) despertou em Brasília uma espécie de senso de realidade que até então só era visto pelos integrantes da equipe do Ministério da Saúde. Não dá para culpar, como alguns querem, o fato de integrantes da comitiva brasileira terem deixado exposto ao coronavírus o presidente dos Estados Unidos, Donald Tramp no jantar na Flórida (nesse caso, tudo foi involuntário). Mas o episódio fez cair a ficha no Palácio do Planalto e deu a emergência necessária de como o caso merece ser tratado em Brasília. Na quarta-feira (11) à tarde, a articulação política do governo ainda não conseguia manter um diálogo com o Congresso e liderar um processo político neste momento de grave crise financeira internacional. Não resolvia o impasse sobre o orçamento impositivo, como também não conseguia avançar na agenda das reformas. Sem qualquer mobilização contrária do Planalto, o Congresso chegou a derrubar um veto presidencial e ampliou o BPC (Benefício de Prestação Continuada) sem ter reserva fiscal para aumentar um gasto extra na ordem de R$ 20 bilhões. Só depois disso, houve uma reunião de emergência com a participação do ministro Paulo Guedes (Economia), dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), além de outros parlamentares e ministros. A percepção é que aconteceu uma espécie de freio de arrumação, e o diálogo parece ter sido retomado. Há consenso que o Brasil precisa se proteger diante da frágil situação fiscal do país. Ainda mais, no contexto de desaceleração do crescimento em todo o mundo. Mas é necessário que esse processo seja liderado, sem alarmismo, mas com o senso de responsabilidade que a situação exige.

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