Trump recebe Bolsonaro e diz que apoia esforços do Brasil para entrar na OCDE

  • 19 Mar 2019
  • 15:12h

(Foto: Brendan Smialowski / AFP)

 O presidente Jair Bolsonaro chegou de carro à Casa Branca na tarde desta quarta-feira, e foi recebido pelo presidente Donald Trump, que o esperava na entrada. Trump confirmou que Venezuela será um dos temas centrais do encontro e disse que apoiará a entrada do Brasil na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Elogiando a campanha de Bolsonaro, o americano disse que os dois países nunca estiveram tão próximos quanto agora. O filho do presidente brasileiro, Eduardo Bolsonaro, estava presente no encontro, mas o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, não participou. — O Brasil e os Estados Unidos nunca estiveram mais próximos do que estamos agora. Temos uma grande aliança com a Brasil, a maior do que jamais tivemos. O comércio que temos com o Brasil não é tao bom quanto deveria ser  — disse Trump, elogiando a campanha do presidente brasileiro. —  É um prazer para mim termos  aqui o grande presidente Bolsonaro, que está fazendo um grande trabalho. A campanha dele foi incrível. Algumas pessoas disseram que lembraram da nossa campanha quando pensaram na campanha dele. Os dois presidentes trocaram camisas de futebol. — É uma satisfação estarmos nos Estados Unidos depois de algumas dácadas de presidentes antiamericanos. O Brasil mudou a partir de 2019. E obviamente temos muito a conversar, muita coisa a oferecer um para o outro para o bem dos nossos povos — concordou Bolsonaro. No encontro, os dois chefes de Estado irão discutir ainda como trabalhar juntos em temas regionais, mas também em outros temas de fora da região, como Irã, China e Coreia do Norte. Sobre a Venezuela, Trump disse que os dois países têm opções de diferentes. — Para nós, está tudo sobre a mesa — disse o presidente americano a jornalistas, sobre a Venezuela.  — Não discutimos ainda sobre como o Brasil pode ser envolvido em um esforço militar, vamos falar sobre isso hoje (quarta-feira).  Falaremos de Venezuela, de comércio, de uma série de coisas. Os Estados Unidos querem que o Brasil deixe a lista de nações mais favorecidas da Organização Mundial de Comercial (OMC) em troca de apoio para a entrada na OCDE. A proposta foi apresentada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lightizer. Na segunda-feira, um funcionário do alto escalão do governo Trump disse que os EUA vão 'fazer tudo o que puderem' para ajudar Brasil a entrar na OCDE . O encontro será uma “oportunidade histórica para reformular as relações hemisféricas com este eixo Norte-Sul” , afirmou nesta segunda-feira um funcionário de alto escalão do governo Trump.  Em seu primeiro discurso público nos Estados Unidos, um dia antes,  Bolsonaro se comparou diversas vezes ao presidente americano e afirmou que os dois países têm população conservadora, o que pode sustentar acordos: — O povo brasileiro é muito parecido com o americano. Conservador, temente a Deus,  e portanto cristão, e não aceitava mais crescimento da esquerda — disse, reiterando que o Brasil tem um "presidente amigo dos Estados Unidos". No discurso, por dez minutos de improviso e em português, Bolsonaro lembrou que, nas últimas décadas, "era tradição no Brasil eleger um presidente de mãos dadas com a corrupção e inimigos dos EUA". — Juntos, podemos fazer muito, e essa união, até pela proximidade Brasil-Estados Unidos, pode ter certeza, alavancaremos mais ainda não só a nossa economia, bem como os valores que ao longo dos últimos anos foram deixados para trás. Na segunda-feira, o presidente brasileiro disse ainda que os dois países devem, juntos, "resolver a questão da Venezuela": — Temos alguns assuntos que estamos trabalhando em conjunto, reconhecendo obviamente a capacidade econômica, bélica, entre outros, dos Estados Unidos — afirmou. — Temos que resolver a questão da nossa Venezuela. A Venezuela não pode continuar do jeito que se encontra. Aquele povo tem que ser libertado. E contamos com apoio norte-americano para que esse objetivo seja alcançado. Juntos podemos fazer muito.


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