'Essas pessoas eram as coisas mais preciosas da nossa vida', diz filho de baiano desaparecido na tragédia de Brumadinho
- 25 Fev 2019
- 17:17h

Ademário Bispo, 51 anos, estava na Vale no momento da tragédia de Brumadinho e ainda não foi encontrado — Foto: Arquivo Pessoal
Três baianos continuam entre os desaparecidos na tragédia de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde um barragem de rejeitos rompeu e fez um mar de lama invadir parte da cidade. A tragédia completa um mês nesta segunda-feira (25). Mais de 170 pessoas já foram encontradas mortas. Outras cerca de 130 estão desaparecidas. As buscas seguem na região.Ismael Bispo, de 23 anos, filho de Ademário Bispo, de 51, um dos baianos desaparecidos, estava em Brumadinho e retornou há três semanas para Santo Amaro, no recôncavo da Bahia, para retornar ao trabalho. Em entrevista ao G1, o jovem falou sobre a angústia do pai ainda não ter sido encontrado e reclamou sobre a falta de suporte da Vale e informações dos resgates dos corpos. “A Vale só deu suporte quando a gente exigiu. Não vem perguntar se precisamos de algo. Mandaram psicólogos, porque solicitamos, mas o que a gente quer é informações sobre o meu pai e o Alex [primo desparecido]”, disse Ismael Bispo. Um mês após a tragédia, Ismael Bispo contou que a mãe dele se juntou ao irmão, que mora em Minas Gerais, para agilizar os detalhes burocráticos, quando os corpos aparecerem. “Precisei retornar à minha rotina aqui em Santo Amaro. Meu irmão e minha mãe que estão lá para agilizar os detalhes burocráticos quando os corpos forem encontrados. É triste, é muito triste, passam os dias e a gente só fica na saudade mesmo” “O triste é que a gente não tem resposta, não tem informação nenhuma. Ficamos na angústia e o que parece é que eles não se importam com isso. Só pensam no prejuízo financeiro”, reclamou Ismael Bispo. O jovem contou que espera que todos os corpos sejam identificados. “Para eles, pode até ter sido uma perda financeira, mas para a gente não. Essas pessoas eram as coisas mais preciosas na nossa vida”, disse, emocionado.Outros quatro baianos foram encontrados mortos na tragédia. O primeiro deles foi Ednilson dos Santos Cruz, de 23 anos, que foi localizado em 29 de janeiro. O segundo foi Tiago Coutinho do Carmo, de 34 anos, que foi encontrado em 17 de fevereiro. O terceiro foi George Conceição de Oliveira, de idade não divulgada, que foi achado em 19 de fevereiro. O último foi Cássio Cruz Silva Pereira, de 27 anos, no último sábado (23).



















