Mais de 700 moradores de duas cidades de MG são retirados da região por risco em barragens

  • Terra
  • 08 Fev 2019
  • 11:36h

Foto: Globocop

 Cerca de 500 moradores do município de Barão de Cocais, a 80 km de Belo Horizonte, foram retirados de suas casas na manhã desta sexta-feira, 8, depois que soou uma sirene que monitora a barragem da Vale. A informação é da Prefeitura da cidade e surge duas semanas após o rompimento da barragem 1 da mina Córrego do Feijão de Brumadinho, que deixou mais de 150 mortos e cerca de 180 desaparecidos.O Corpo de Bombeiros afirmou que também foram acionadas sirenes na cidade de Itatiaiuçu e moradores do distrito de Pinheiros foram deslocados em razão do risco de rompimento da barragem que pertence à mineradora ArcelorMittal. O coordenador adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais coronel Flávio Godinho, afirmou hoje, 8, que as minas em Barão de Cocais e Itatiaiçu foram paralisadas. "As operações nas duas minas estão temporariamente suspensas e só retomarão as atividades após as empresas Vale e ArcelorMittal apresentarem os laudos comprovando a estabilidade das barragens". As informações foram repassadas pelo governo de Minas. Em nota no Facebook, a Prefeitura de Barão de Cocais informou que diante de observações e monitoramentos realizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), Defesa Civildo Estado e do município, e pela empresa Vale, foi acionado o Nível 2 de risco na barragem Sul Superior da Mina do Gongo Soco. A informação até esse instante é de um desnível na estrutura. "Por esse motivo, seguindo as recomendações repassadas pelos entes responsáveis e pela mineradora, os moradores da comunidade do Socorro e adjacências estão sendo evacuados neste momento por ônibus da Vale e demais veículos de apoio." A Prefeitura de Barão de Cocais ressalta que o procedimento está sendo realizado por precaução. Conforme a administração municipal, os moradores estão sendo encaminhados ao ginásio poliesportivo da cidade. De acordo com um comunicado da Vale, a retirada de pessoas foi determinada depois que a ANM foi informada pela mineradora que ela estaria dando início ao nível 1 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM). A nota ressalta ainda que a decisão é preventiva e foi tomada após a empresa de consultoria Walm negar a Declaração de Condição de Estabilidade à estrutura. Os deslocamentos começaram durante a madrugada e abrangem comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras, todas em Barão de Cocais. A Vale informou que está intensificando as inspeções na barragem Sul Superior como medida de segurança e implantado equipamentos com capacidade de detectar movimentações milimétricas na estrutura. Moradores de bairro de Itatiaiuçu são retirados de região após tocar sirene.Cerca de 200 pessoas do bairro de Pinheiros, em Itatiaiuçu, a 80 quilômetros de Belo Horizonte (MG), foram retiradas de suas casas por volta das 4h desta sexta-feira, e levadas para um hotel, após soar a sirene que monitora a barragem de rejeitos de Serra Azul da empresa ArcelorMittal no município. Segundo o sargento Leandro Faria, do 2º Pelotão de Bombeiros de Itaúna, que fica a 32 quilômetros de Itatiaiuçu, o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 2h, por medida de precaução após riscos estruturais da mina. A mina de Serra Azul produz 1.2 milhões de toneladas de concentrado e minério granulado. A barragem de rejeitos, que é do tipo à montante - mesmo modo de construção das que romperam em Mariana e Brumadinho -, está desativada desde outubro de 2012. De acordo com o Corpo de Bombeiros, se houver o rompimento da barragem, os rejeitos podem atingir a BR-381, que liga Belo Horizonte a São Paulo e o Rio Manso. Em nota, a ArcelorMittal informou que a medida foi de precaução, visto que a comunidade se situa a 5 km de distância da barragem. A empresa concluiu que não se pode correr absolutamente "nenhum risco, e que, apesar do transtorno para a comunidade, esta é a decisão correta". Segundo o presidente da empresa no Brasil, Benjamin Baptista, ainda não há previsão de retorno das famílias retiradas do local. "Pedimos desculpas à comunidade local pelo transtorno. Procuraremos retornar as pessoas para suas casas o tão logo possível, embora à esta altura não seja possível dizer quando será", disse em nota. Segundo a empresa, os membros da comunidade permanecerão acomodados no novo local enquanto testes adicionais estão em andamento e até que a segurança da barragem de rejeitos possa ser 100% garantida.


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