Doleiro brasileiro preso no Paraguai movimentou US$ 23 milhões em 6 anos, diz MP

  • 30 Dez 2018
  • 13:11h

Foto: SNI-PY/Divulgação

Investigações da operação Câmbio, Desligo, um desdobramento da Lava Jato no Rio, apontam que Bruno Farina é um doleiro e cliente do banco clandestino criado e gerenciado por Dario Messer, o "doleiro dos doleiros", que ainda continua foragido. O documento do Ministério Público destaca que Farina, em parceira com outros três doleiros, movimentou quase US$ 23 milhões entre 2011 e 2017. O sistema de gerenciamento de remessas de dinheiro movimentou ilegalmente mais de R$ 6 bilhões em 52 países. A Lava Jato descobriu a existência do esquema ao investigar as remessas da organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, condenado a quase 200 anos de prisão. O Jornal Nacional apurou que Bruno Farina também é investigado por ser laranja de Messer no Paraguai. Delatores da Lava Jato disseram que ele e um outro sócio, o doleiro Augusto Rangel, desempenhavam papel importante na compra de dólares. O esquema funcionava da seguinte forma: Bruno Farina recebia o dinheiro no Brasil de clientes que queriam mandar os valores pra fora do país e entregava para operadores de Dario Messer. As cédulas ficavam em salas e, sem sair do Brasil, eram entregues para outros doleiros que, na mesma época, precisavam resgatar dinheiro do exterior. O banco clandestino então fazia a transferência entre as contas estrangeiras administradas pelos doleiros, como uma caixa de compensação. O Ministério Público Federal afirma que eles utilizaram um sofisticado esquema de remessa de valores ao exterior e geração de recursos em espécie com o fim de escamotear a origem ilícita do dinheiro. Entre os clientes do esquema de Dario Messer estão o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e a construtora Odebrecht.


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