Mãe e duas filhas morrem ao serem envenenadas por um casal; população cerca delegacia pedindo justiça

  • Brumado Urgente
  • 11 Out 2018
  • 17:38h

Delegacia de Maragogipe cercada por moradores pedindo justiça — Foto: Jony Torres

Um casal foi preso, na tarde desta quinta-feira (11), suspeito de um crime daqueles que só se veem em novela, repletos de mistério e crueldade, pois, segundo as informações da própria Polícia, os dois envenenaram uma mulher e suas duas filhas.  O crime aconteceu em Maragogipe, no recôncavo baiano e revoltou a população local, que ao tomar conhecimento das prisões, rumou até a delegacia para pedir justiça, ameaçando inclusive de ir partir para o enfrentamento às autoridades. O casal, identificados como Elisângela Almeida Oliveira e o marido Valci Boaventura Soares, foram presos em casa, por meio de um mandado de prisão temporária cumprido. A motivação deste crime bárbaro não foi revelada pela polícia, mas cogita-se que pode ter sido por vingança.Conforme a Polícia Civil, o resultado do laudo da exumação dos corpos das vítimas apontaram as elas foram envenenadas com um inseticida de uso agrícola. Mãe e filhas morreram em um intervalo de 15 dias, entre o final de julho e o início de agosto, após apresentarem mal-estar com sintomas parecidos. O cachorro de estimação das vítimas também morreu. O pai das meninas é o único sobrevivente da família.

A primeira morte registrada foi a de Greicy Kelly, 5 anos, no dia 30 de julho. A menina chegou a ser levada para um hospital na cidade de São Félix, ao lado de Maragogipe, mas não resistiu. Em seguida, no dia 6 de agosto, a irmã dela, Ruth Santos da Conceição, de 2 anos, também passou mal. No dia 13 de agosto, a mãe das meninas, Adriane Ribeiro Santana Santos, também teve um mal-estar. As duas foram levadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogipe, mas também não resistiram. O pai das crianças, identificado como Jeferson Brandão, já foi ouvido pela polícia. De acordo com o delegado Marcos Veloso, o homem estava abalado e negou envolvimento nas mortes. A Polícia Civil investigou se um líquido e um chocolate poderiam ter provocado a morte das vítimas. O material foi encontrado na casa da família e passou por testes. Os laudos detectaram a presença do inseticida agrícola nas amostras. No dia 27 de agosto, a Justiça autorizou o pedido de exumação do corpo da menina de 5 anos, que foi realizado no dia 5 de setembro pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT). A irmã dela e a mãe, também tiveram os materiais analisados. Como ela foi a primeira a morrer, o caso dela foi classificado como morte natural. Só após o óbito da irmã e da mãe foi que a polícia passou a suspeitar de envenenamento. Inicialmente, a polícia tinha divulgado apenas a exumação de Greicy Kelly. No entanto, durante a realização do procedimento, o delegado Marcos Veloso, responsável pela investigação, informou que a irmã da menina, Ruth Santos da Conceição, de 2 anos, e a mãe Adriane Ribeiro Santana Santos, também seriam exumada. O procedimento foi realizado no Cemitério de Nagé, povoado de Maragogipe, onde a família foi enterrada. Não foi preciso fazer a remoção dos corpos. Os técnicos colheram amostras no local e levaram para análise. Os laudos das exumações apontam que as três vítimas foram envenenadas. Sete pessoas, entre parentes e conhecidos das vítimas, foram ouvidas na delegacia de Maragogipe, numa acareação realizada em 21 de setembro. Os convocados prestaram depoimento juntos, ao delegado Marcos Veloso, titular da cidade. O conteúdo dos depoimentos não foi divulgado.

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