Mesmo com 142 mil voluntários inscritos para doação de medula óssea, BA tem 47 pessoas na espera por transplante

  • 17 Set 2017
  • 07:06h

(Foto: Reprodução)

Mesmo com 142 mil voluntários inscritos para doação de medula óssea, o estado da Bahia possui atualmente 47 pessoas na espera por um transplante, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), véspera do "Dia Mundial do Doador de Medula Óssea". O órgão foi criado em 1993 para reunir informações de doadores e receptores. A médica do Redome, Danielli Oliveira, explica que a falta de compatibilidade entre os doadores cadatrados como voluntários e os receptores, ou mesmo a não realização de atualização cadastral por parte de quem se disponibiliza a doar podem ser fatores determinantes para que os transplantes não sejam realizados. Além disso, segundo ela, a falta de informações sobre o processo de doação pode atrapalhar. "Quando a pessoa entra para buscar um doador, ela pode achar de forma rápida ou não. Isso vai vai depender da característica genética. Tem pessoas que se cadastram para receber um transplante e conseguem encontrar um doador compatível em um mês e, em outros casos, infelizmente, as pessoas podem ter que ficar anos esperando", destaca.

 

Após a retirada de amostras de sangue do doador e do receptor, são realizados testes laboratoriais específicos, os chamados exames de histocompatibilidade, para saber se os indivíduos apresentam semelhanças genéticas. Conforme o Redome, as chances de o paciente encontrar um doador compatível são de 1 em cada 100 mil pessoas, em média. Além disso, o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 25% das famílias brasileiras – para 75% dos pacientes é necessário identificar um doador alternativo a partir dos registros de doadores voluntários, bancos públicos de sangue de cordão umbilical ou familiares parcialmente compatíveis (haploidênticos). "Além dessa falta de compatibilidade, uma segunda barreira é a não atualização do cadastro por parte da pessoa que quer doar. O cadastro das pessoas fica ativo até quando ela completa 60 anos, e a pessoa pode mudar de casa, de telefone e esquecer de atualizar os dados no Redome. Então, as vezes a gente consegue encontrar uma pessoa compatível com um paciente à espera de doação, mas não consegue localizá-lo por falta de atualização do cadastro. Hoje, nosso trabalho é no sentido de conscientizar os doadores para que estejam de fato disponíveis quando solicitado e também de informar as pessoas sobre o processo de doação, já que muitas ainda têm dúvidas", destaca.


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