Garotas brumadenses aderem ao movimento Eu não mereço ser estuprada
- Daniel Simurro / Brumado Urgente
- 04 Abr 2014
- 17:27h

O Grupo vem ganhando cada vez mais adeptas (Foto: Leitora Brumado Urgente)
Criada pela jornalista brasiliense Nana Queiroz a campanha “Eu não mereço ser estuprada”, já conta com centenas de milhares de adesões em sua Fan Page do Facebook. A motivação para o movimento foi um estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no qual se divulga que 65,1% dos brasileiros concordam, total ou parcialmente, que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. O movimento que começou muito intenso nas grandes cidades já se espalha pelo país e já chegou a Brumado, onde um grupo de garotas se reuniu e formou um Grupo no Whatsapp, - que já conta com cerca de 30 participantes,não só de Brumado, mas como de outras cidades da Bahia -, as quais fizeram questão de aderir fortemente ao ideal lançado pelo jornalista Nana Queiroz. O Brumado Urgente falou nesta sexta-feira com uma das integrantes do grupo, a estudante Joanne Vale, que é integrante da UJS e que esteve recentemente em Belo Horizonte participando de várias manifestações, o que a motivou a reunir as amigas para participar da campanha “# Eu Não Mereço Ser Estuprada”. De início ela ressaltou que “primeiramente buscamos a solidificação de um Feminismo Consciente e posso garantir que estamos muito unidas nessa causa”. Ela ainda frisou que “o grupo é no Whatsapp e não tem líder, pois o coletivo é a essência de nosso movimento”. Então, questionadas sobre as fundamentações para a criação do grupo brumadense, as integrantes expressaram uma argumentação que foi criada por todas, no qual está relatado que “a pesquisa recentemente divulgada reflete uma sociedade machista, na qual o caráter de uma mulher é medido pelo tamanho de sua roupa, também usado como forma de justificar uma agressão. A quantidade de estupros no Brasil é absurda e é lamentável saber que tantas pessoas tenham dito que a vítima merece sofrer tal abuso, por causa do que usa. Nós, mulheres, maiores vítimas desse crime, vivemos com medo ao andar na rua e nossos corpos são censurados. “Não se vista assim”, “não seja vulgar”, “não saia sozinha à noite”, são exemplos de frases que ouvimos constantemente. O corpo é nosso, vestimos o que nós quisermos e o expomos se quisermos também”.

Integrantes buscam a criação da consciência feminista e pretendem dar continuidade ao movimento
(Composição: Daniel Simurro / Brumado Urgente)
A base do movimento local continua “mas isso não dá a ninguém o direito de nos desrespeitar. Estão querendo nos ensinar como não ser estupradas e, porque, ao invés disso, não se ensina ao homem que a mulher não existe em função do prazer dele. Acreditamos que a pesquisa e a repercussão que ela vem ganhando são pertinentes, pois assim nosso alerta e conscientização da população ganham visibilidade. Aderimos à campanha porque a causa é justa e necessária. Somos feministas e acreditamos na igualdade de direitos e tratamento e não aceitamos que tantos brasileiros continuem a pensar dessa forma. O estupro é um crime horrendo, tendo em vista que o estuprador viola o corpo da vítima sem seu consentimento, o que a afeta até o fim de sua vida”. E finaliza “nós sabemos que é impossível mudar a opinião de todos sobre o assunto, mas esperamos que nossas palavras tenham influenciado ao menos uma pequena parte dos cidadãos brumadenses. Ficamos muito felizes ao ver tantas meninas aderindo à campanha, tomando controle sobre seus corpos, isso é lindo e inspirador! No entanto, vimos também muitos comentários negativos, especialmente em relação ao fato de algumas usarem a nudez no protesto, que é uma maneira de ressaltar que independentemente do que estamos vestindo merecemos respeito. Somos mulheres, de diferentes, cores, origens e crenças. Mas nossa luta é uma só: de saia longa ou pelada, ninguém merece ser estuprada!”.

A jornalista brasiliense Nana Queiroz criadora do movimento nacional (Foto: Reprodução Facebook)



















