Mosquito comum não transmite zika, indica estudo da Fiocruz
- 06 Set 2016
- 15:13h

(Foto: Reprodução)
Um estudo feito por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) demonstrou que mosquitos Culex (pernilongo ou muriçoca, como são conhecidos popularmente) de quatro regiões do Rio de Janeiro não são capazes de transmitir o vírus da zika. Os ovos e larvas dos mosquitos foram coletados nos bairros de Copacabana, Jacarepaguá, Manguinhos e Triagem, de janeiro a março deste ano. Depois que os insetos se tornaram adultos, foram alimentados com sangue infectado por duas linhagens do zika encontradas na cidade do Rio de Janeiro e separados por gaiolas. Os grupos foram analisados aos 7, 14 e 21 dias após receber o vírus. As seguintes partes do corpo dos mosquitos foram analisadas: abdômen/tórax, cabeça e saliva. Para chegar ao resultado, as amostras coletadas das diferentes parte do corpo dos Culex passaram pela técnica RT-PCR, que é capaz de de detectar e quantificar o material genético do vírus, e pela análise em células Vero, recomendada para identificar se o zika está ativo e habil para causar infecção em vertebrados. Foram mais de mil amostras analisadas, referentes a 392 mosquitos.
A participação dos mosquitos "comuns" na transmissão do vírus da zika é uma das hipóteses para a rápida transmissão no Brasil e no mundo. Os resultados foram publicados nesta terça-feira (6) na revista internacional “Plos Neglected Tropical Diseases”. Após toda a pesquisa, não foram encontradas partículas infectantes do vírus na saliva dos insetos que possam ser expelidas no momento da picada. A pesquisa também comparou a evolução do zika no organismo dos mosquitos Aedes e Cules. De acordo com o entomologista Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários e coordenador do estudo, apenas dois mosquitos Culex coletados apresentaram o vírus, com um nível de infecção milhares de vezes menor do que o encontrado nos mosquitos Aedes. Em maio deste ano, os mesmos pesquisadores publicaram uma outra pesquisa que confirmou o mosquito Aedes aegypti como o principal vetor da doença, além de encontrar indivíduos da espécia naturalmente infectados. O Instituto Pasteur de Paris é parceiro da pesquisa publicada nesta terça.



















