Entrevista: Especialista na área de saúde pública fala sobre a realidade da UTI de Brumado
- Brumado Urgente
- 04 Ago 2016
- 10:54h

A implantação da UTI em Brumado será um dos temas principais da campanha eleitoral 2016 (Foto: Brumado Urgente Conteúdo)
Diante da proximidade das eleições municipais, um dos temas que já está sendo debatido de forma mais aprofundada e que deve ainda ter a sua discussão dinamizada é a Saúde Pública, a qual está sendo elencada como prioridade dos projetos de governo. Dentro deste escopo, a implantação da UTI vem assumindo o protagonismo nesse momento, pois é o grande anseio dos brumadenses, bem como dos milhares de habitantes dos 20 municípios pactuados com Brumado. A questão será realmente prioritária, tanto que nas convenções partidárias realizadas a abordagem sobre a UTI foi mais aprofundada. Tendo em vista a importância do tema, o Brumado Urgente resolveu ouvir o especialista da área de saúde pública, Ednaldo Souza, o qual não se omitiu a responder os questionamentos. Clique no (+) abaixo para ler a entrevista:


O especialista na área de saúde, Ednaldo Souza, fez suas abordagens sobre a questão da implantação da UTI em Brumado, confira abaixo:
Brumado Urgente: O que o você acha das recentes afirmações sobre a inauguração de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Brumado?
Ednaldo Souza: Pode-se afirmar que a inauguração é de suma importância para que os pacientes que dela necessitam possam permanecer na sua região tendo atendimento completo e integrado, com elevado grau de resolutividade. A UTI irá suprir uma carência regional, visto que sem ela, os pacientes terão que tentarem a sorte por vagas em outras cidades. Brumado tem urgência de ser dotada de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Não podemos depender de municípios como Vitória da Conquista, Guanambí, Itapetinga entre outros.
Brumado Urgente: Em sua opinião a UTI já é uma realidade ou ainda um sonho distante?
Ednaldo Souza: Acredito que não. Estamos aqui falando de uma possibilidade futura. Mantemos posição crítica quanto à forma de financiamento da entidade para evitar que o projeto não nasça morto. Sabe-se que o Governo do Estado vai equipar e participar com um percentual do custeio, mas o grande problema é que o restando do custeio da Unidade acabará ficando para o município polo (Brumado) e sozinho o município não tem como pagar.
Brumado Urgente: Então diante disso, qual a saída?
Ednaldo Souza: Um novo modelo de financiamento e gestão mais moderna e inovadora do sistema de saúde que pode ajudar a solucionar um velho problema muito conhecido pelos municípios: a dificuldade em equilibrar as finanças para custear esta assistência. Os municípios são muito onerados, por isso, defendemos a criação de consorcio público intermunicipal. Com isso, cidades de menor porte ajudam as de maior porte e as de maior porte ajudam as de menor.
Brumado Urgente: Então qual seria a melhor forma para o rateio dos custos entre os municípios?
Ednaldo Souza: Um valor único mensal a ser pago por cada cidade proporcional a quantidade de habitante de cada município. Muito se fala nas dificuldades que os municípios têm para manter hospitais municipais sozinhos. Com o modelo dos consórcios de saúde esta situação deve mudar. Os municípios continuam arcando com a manutenção das unidades, mas de forma conjunta. Mesmo com baixa na arrecadação gerada pela crise econômica, as administrações municipais têm condições de garantir o funcionamento da UTI. Eu acho que essa realidade vai fortalecer o funcionamento do consórcio. Nesse período de contingenciamento, todos, não só o poder público, acabam otimizando os seus serviços e melhora seu padrão, isso é natural. Os consórcios já nascem dentro dessa realidade de um ponto de vista de manutenção bem enxuta. Com o modelo dos consórcios de saúde, a meta do governo estadual é construir policlínicas, com até 13 especialidades e 32 serviços e equipamentos – tomografia, ressonância magnética, rastreamento de câncer de mama, entre outros exames, que deve atender aos 21 municípios que fazem parte do consorcio, custeada pelo governo estadual. Aliado a isso, é necessário o registro e credenciamento das unidades de saúde privadas para o atendimento da população via SUS. Para sanar as dificuldades de atendimentos referentes às especialidades médicas, promovendo o atendimento programado da comunidade regional.



















