Espera por perícia médica do INSS chega a 60 dias

  • 09 Jul 2016
  • 07:04h

(Foto: Reprodução)

Há dois anos, o estivador Claudino Oliveira precisou ficar afastado do trabalho após uma cirurgia no ombro e teve de recorrer a Previdência Social para ter acesso ao benefício. O problema foi o tempo que ele levou entre o agendamento e a realização da perícia que determinaria se ele teria acesso ao auxílio: 60 dias. “O tempo foi muito demorado, em alguns momentos ainda voltei para trabalhar doente”, relatou ele, que fez o procedimento na agência do INSS de Itapuã. Passado esse período, ao que parece, as coisas não mudaram, com alguns segurados demorando até três meses para realizar a perícia médica após o agendamento. Foi o caso de Marcelo Santos, que trabalha como porteiro. Tudo começou quando ele rompeu a clavícula e precisou se afastar do serviço. “Fiz o agendamento no dia 23 de março. Achei que demorou demais”, queixou-se. Morador do bairro de Pernambués, ele diz ter contado com a ajuda da mãe para conseguir para pelo momento difícil. Menos mal que, segundo ele – que realizou a perícia na agência de Brotas – o atendimento feito médico “foi tranqüilo” e teve o benefício liberado pelos próximos três meses. “Mas, se tivesse conseguido agendar antes, acredito que já estaria recebendo o benefício”, relatou.

 

DESLOCAMENTO
Além dos problemas com relação ao agendamento de perícias, outro problema relatado pelos segurados da Previdência Social gira em torno dos grandes deslocamentos que precisam fazer entre uma cidade e outra para a realização do procedimento. Desde 2011 sem trabalhar por conta de problemas pulmonares, o pescador Ademar Silva, precisou sair da cidade de Valença, no baixo sul baiano e distante 255 km de Salvador para vir realizar a perícia aqui na capital. “Normalmente fazia minhas perícias por lá mesmo. Mas, quando tentei marcar desta vez, fui informado que não havia mais vagas para este ano. Como preciso do benefício, tive que marcar aqui para Salvador. Ainda bem que da marcação, em junho, até a perícia, hoje [ontem] não demorou”, disse. O problema foi a maratona que ele precisou encarar para até a cidade, já que saiu por volta das 2h da manhã de Valença para chegar às 8h na capital, horário o qual a perícia está marcada. Quem também tem sofrido com as grandes viagens é o prestador de serviços, Eugênio Ribeiro. Morador de Barreiras, na região oeste do estado (863 km de distância de Salvador), ele precisou se afastar por conta da uma cirurgia na próstata e o médico deu a ele dois meses de licença. De acordo com ele, a questão é que, neste caso, ele poderia ter feito o procedimento na própria cidade, que conta com uma agência do INSS. “Meu gasto é muito grande com deslocamento e aqui fico na casa dos meus sobrinhos”, contou. No caso dele, a falha teria sido da gerência do escritório dele, que fica em Salvador, mas que poderia marcado a perícia para aquele município.

MUTIRÃO
De acordo com a assessoria de comunicação do INSS aqui na Bahia são, ao todo, 133 agências da Previdência Social em todo o estado. Na região que está sob a administração de Salvador – e engloba a capital, região metropolitana, além das cidades de Alagoinhas e Esplanada –, são realizadas, em média, 320 perícias por dia, nas 21 agências existentes dentro desse perímetro. Na Bahia são cerca de 1.270. Já a região de Valença – a qual está sob administração da cidade de Santo Antônio de Jesus – sofre com a quantidade de peritos médicos para realizar os procedimentos. “De fato estamos com problemas nessa questão, sendo agora agravada pelo período eleitoral. Temos três médicos de licença para período de atividade política. O número de 15 é insuficiente. A agenda da perícia médica da Agência Valença está com agendamento longo o que não é diferente das outras agências da Gerência-Executiva do Insntituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Santo Antônio de Jesus”, disse Gabriel Queiroz da Silva, Gerente Executivo na cidade que fica no Recôncavo. Ele ressalta que ainda que os problemas encontrados em alguns casos ainda são reflexo da greve que terminou no último mês de janeiro. “Quanto ao segurado comparecer na data da perícia e o médico não estar presente, depende muito da agência. Temos agência onde só existe um perito médico e este não estando, a alternativa é remarcar, e nas agências onde existem mais de um médico tenta-se encaixar nas ausências da agenda”, explicou. Para minimizar os efeitos desses problemas, a chefe do Serviço de Saúde do INSS em Salvador, Rosileide Soares, informou que a capital baiana vem sofrendo uma sobrecarga por conta das dificuldades enfrentadas por outras agências no interior. “O que estamos fazendo para minimizar a fila e o tempo de marcação na Gerência Salvador é abertura de mutirões, dois sábados ao mês, sendo abertas de 200 a 300 vagas extras, nestes dias”, disse. Ao todo, são 240 médicos peritos existentes, sendo que alguns estão afastados por questões envolvendo saúde, férias ou outros tipos de licença.


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