Bancos de leite têm estoque reduzido em maternidades
- 21 Mai 2016
- 18:01h
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(Foto: Reprodução)
O BLH-Banco de Leite Humano do Iperba-Instituto de Perinatologia da Bahia está com estoque de 52 litros de leite, quando o ideal seria o dobro para atender adequadamente aos bebês internados. Único da capital vinculado a Sesab-Secretaria de Saúde do Estado Bahia, o BLH comemorou na quinta-feira, 19, o Dia Mundial de Doação de Leite Materno. Para tanto, promoveu uma feira educativa, visando à busca e fidelização de novas doadoras. Em 2015, o Iperba coletou 514 litros de leite humano, que beneficiaram 332 bebês internados na USI-Unidade Semi Intensiva. O BLH do Iperba foi inaugurado em 2009 e realiza ordenha de mães para bebês internados na USI. Para a coleta de leite humano nas residências das doadoras, tanto o Iperba quanto a Maternidade Climério de Oliveira, vinculada à UFBA_ Universidade Federal da Bahia, contam com o apoio do 12º Grupamento de Bombeiros Militar (Salvar).
Toda mulher que amamenta pode fazer a doação de leite, basta estar saudável e não tomar nenhum tipo de medicamento que interfira na amamentação ou na qualidade do leite fornecido. Para doar é preciso apenas ligar para o Bando de Leite Humano do Iperba, através do telefone 3116-5118. De acordo com a nutricionista, Cibele Corrêa, coordenadora do BLH do Iperba, “o volume de doações sempre é insuficiente em decorrência do período de lactação ser de até quatro meses, quando as mães precisam priorizar o leite para seus bebês”. O Iperba dispõe de 23 leitos de USI-Unidade Semi Intensiva, mas nenhuma UTI. Conforme Cibele, “tem havido aumento no número de parturientes adolescentes – entre 14 e 16 anos – o que vem gerando mais bebês prematuros com problemas críticos”. A demanda levou a entidade a disponibilizar duas enfermarias exclusivas, com cinco leitos cada, para atender às mães nessa faixa etária. Em 2015, o Iperba realizou uma média de 400 partos por mês, mas a estatística não contempla a idade das parturientes. Segundo a coordenadora, “a redução no estoque implica em priorizar a alimentação das crianças em estado mais crítico”, ressaltando o quanto “a falta de leite é grave na medida em que, por não receberem alimentação adequada com o leite materno, os recém nascidos estão passíveis de infecções, principalmente os prematuros”.
Climério
Conforme Daniela Soares, nutricionista da Maternidade Climério de Oliveira, “a quantidade do estoque é sempre variável; depende do número dos internados na UTI-Unidade de Tratamento Intensivo”. A Climério dispunha, ontem, de apenas 25 litros de estoque. Segundo ela, “um litro de leite dá para alimentar até 10 bebês por dia, embora isso seja relativo por variar aspectos como idade, peso, doença ou problema de saúde que tenha e se é prematuro ou não”. O leite doado passa por processo de pasteurização para eliminar organismos patogênicos. Os bebês são alimentados a cada três horas, sob um consumo médio de 240 ml. Daniela salientou que “crianças com baixo peso precisam de menos leite, embora com teor mais calórico, o que depende da qualidade de alimentação das mães”. As carências, explicou, “decorrem de mães que apresentam quantidade insuficiente para alimentar o bebê ou sofrem de doenças que impedem o aleitamento, como HIV, HTLV e hepatite B”. Em abril foram registrados, na Climério, 20 bebês necessitados de leite. Normalmente e conforme a legislação, após quatro meses do parto as mães retornam ao trabalho.
Programa “Bombeiro Amigo do Peito” faz a coleta
As mulheres que se dispõem a proceder a doação de leite devem entrar em contato com essas duas maternidades. Elas devem preencher um cadastro e recebem um kit contendo frasco esterilizado, touca, máscara e folheto de informações. O trabalho de coleta, que teve início em Feira de Santana para abastecer o estoque da Maternidade Clériston Andrade, qualificada como Hospital da Mulher e referência estadual, é empreendido através do grupo Bombeiro Amigo do Peito. Em Salvador, de acordo com a Subtenente Joice de Jesus Gonçalves, o trabalho vem sendo feito desde 2007 com duas equipes, composta por ela e três cabos. Ela disse existir no momento 30 ou 35 doadoras e que têm recolhido cerca de 60 a 70 litros por mês. A coleta é feita a cada oito dias após a mãe ter recebido o kit. Segundo Joice, “para ampliar o número de doadoras bastava que o projeto tivesse mais divulgação”. Ela informou que a coleta é feita diariamente, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, sob um cronograma que envolve, na segunda-feira, as doadoras de bairros da Orla; na terça, de bairros do Centro; quarta, bairros da BR; quinta, Lauro de Freitas e Avenida Paralela e, na sexta, as mães do Subúrbio Ferroviário. A Subtenente mensurou o maior quantitativo de doadoras em Brotas e na Pituba. O leite coletado é transportado congelado nos vidros fornecidos previamente, em caixas térmicas nos veículos da guarnição com climatização. Ela destacou, ainda, o fato de que “as doadoras, dos 15 a mais de 40 anos, são de todas as classes sociais, desde mães em comunidades carentes quanto às de alto poder aquisitivo: recolhemos do Subúrbio ao Horto Florestal e já há várias mães se tornando doadoras pela segunda vez”. De acordo com o Ministério da Saúde, através do leite materno o bebê recebe anticorpos da mãe para proteção contra diarréia e infecções, além de diminuir o risco de alergias, colesterol alto, diabetes e obesidade. A amamentação é ainda importante para o desenvolvimento da fase da criança, para que ela tenha dentes fortes, desenvolva a fala e tenha boa respiração. O leite materno deve ser o único alimento do bebê até o sexto mês de vida. A partir dos 6 meses a criança deve receber alimentos complementares e continuar a ser amamentada até os 2 anos de idade.



















