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Israel abre fogo perto de centro de ajuda em Gaza, e hospital fala em 32 mortos

  • Por Folhapress
  • 20 Jul 2025
  • 12:23h

Foto: Internet divulgação

Tiros de soldados israelenses mataram pelo menos 32 pessoas que se dirigiam a um posto de distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza na madrugada deste sábado (19), segundo o Ministério da Saúde do território palestino, controlado pelo Hamas, e o Hospital Nasser, em Khan Younis.
 

Casos do tipo viraram rotina desde que a FHG (Fundação Humanitária de Gaza), sistema de distribuição de ajuda apoiado por Israel e Estados Unidos, começou a operar, em maio.
 

Na última terça-feira (15), o escritório de direitos humanos da ONU em Genebra informou ter registrado pelo menos 875 assassinatos nas últimas seis semanas nos arredores dos pontos de ajuda em Gaza -a maioria deles perto de locais de distribuição da FHG.
 

Israel diz ter feito tiros de advertência contra suspeitos que se aproximaram de suas tropas após elas não atenderem a chamados para parar, a cerca de um quilômetro de um posto que não estava ativo naquele momento.
 

Um morador de Gaza, Mohammed al-Khalidi, contesta a versão. Ele disse à agência de notícias Reuters que estava no grupo que se aproximava do local e não ouviu nenhum aviso antes do início dos disparos. "Pensamos que eles tinham vindo para nos organizar para que pudéssemos obter ajuda, mas de repente vi os jipes vindo de um lado e os tanques do outro e eles começaram a atirar em nós", afirmou.
 

Outra testemunha contou à agência de notícias AFP que, antes do amanhecer, seguia com cinco parentes a um desses centros no sul de Khan Younis para buscar comida quando soldados israelenses começaram a atirar. "Meus familiares e eu não conseguimos nada", disse Abdul Aziz Abed, 37. "Todos os dias vamos lá e só recebemos balas."
 

Já a FHG afirmou que não houve incidentes ou mortes no local no sábado e que tem alertado repetidamente as pessoas para não se deslocarem aos seus pontos de distribuição à noite. O Exército disse estar revisando o incidente.
 

A fundação, que utiliza empresas privadas de segurança e logística dos EUA para levar suprimentos a Gaza, começou a distribuir alimentos para os palestinos no fim de maio, quando já enfrentava críticas a respeito de seus procedimentos. Às vésperas do início da operação, o próprio chefe da fundação naquele momento, Jake Wood, abandonou o cargo sob a justificativa de que a organização não conseguiria aderir aos "princípios humanitários de humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência".
 

O caos na entrega de alimentos foi previsto pela ONU e por outras entidades que atuam no território palestino e que se recusaram a colaborar com o órgão devido ao seu modo de funcionamento, considerado pouco transparente.
 

Antes da operação, autoridades israelenses disseram que iriam verificar se as famílias atendidas tinham envolvimento com o Hamas antes de distribuir a comida -Tel Aviv afirma que o sistema anterior, liderado pelas Nações Unidas, permitiu que membros do grupo terrorista saqueassem carregamentos de ajuda humanitária destinados a civis, o que a facção nega.
 

Devido às restrições impostas por Israel no território palestino, a imprensa internacional não consegue verificar as informações de forma independente.
 

Resoluções da Assembleia-Geral da ONU determinam que a ajuda deve se guiar apenas pela necessidade das pessoas afetadas, sem qualquer distinção religiosa, política ou ideológica, e deve ser supervisionada por uma parte neutra.
 

De acordo com projeção da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC), iniciativa apoiada pela ONU, 100% da população em Gaza está em risco de insegurança alimentar, e 470 mil estão em "níveis catastróficos" de fome. No primeiro semestre deste ano, o território foi submetido a 11 semanas de bloqueio total por Israel.
 

"Alertamos que centenas de pessoas, cujos corpos estão completamente emagrecidos, estão agora em perigo iminente de morte", disse Sohaib Al-Hums, médico e diretor do hospital de campanha do Kuwait na área de Al Mawasi, em Khan Yunis. Ele afirmou que suas equipes atendem casos de "exaustão extrema" e "desnutrição grave" devido à privação prolongada de alimentos.
 

Além das mortes perto dos centros de distribuição, pelo menos mais 18 pessoas foram mortas em outros ataques israelenses em Gaza neste sábado, disseram autoridades de saúde do território. O Exército afirmou ter atingido depósitos de armas e postos de tiro de militantes em alguns locais do enclave.
 

A guerra começou após um ataque terrorista liderado pelo Hamas no sul de Israel que matou 1.200 pessoas e fez 251 reféns em outubro de 2023. A guerra de retaliação já matou cerca de 58 mil palestinos, segundo autoridades de Gaza, controlada pelo Hamas, deslocou quase toda a população e mergulhou o território em uma crise humanitária sem precedentes, deixando grande parte da região em ruínas.

Síria e Israel entram em acordo de cessar-fogo após conflitos étnicos

  • Por Folhapress
  • 20 Jul 2025
  • 10:22h

Foto: IDF / Telegram / Divulgação

Acordo de cessar-fogo entre Síria e Israel foi confirmado na manhã deste sábado (19), após confrontos entre diferentes grupos étnicos deixarem mais de 700 mortos no sul da Síria. O acordo tenta evitar uma guerra regional e conter o colapso humanitário na região.
 

Síria e Israel chegaram a acordo com apoio dos EUA, Turquia e Jordânia. A trégua foi confirmada pelo presidente interino sírio Ahmed al-Sharaa e pelo enviado dos EUA Tom Barrack.
 

Os confrontos ocorrem entre grupos étnicos sírios, mas militares de Israel e Síria intervieram. Israel chegou a bombardear Damasco e alvos no sul da Síria. Segundo a Reuters e AFP, a justificativa foi proteger os drusos, minoria étnica presente também em território israelense. Já o governo da Síria enviou tropas para o sul do país em tentativa de encerrar os conflitos.
 

Diplomata americano convocou todos os grupos armados na região a deporem armas. Em publicação na rede social X, Barrack defendeu "uma nova identidade síria unida".
 

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio classificou a situação como 'terrível'. Ele ainda afirmou que o cessar-fogo é fruto de um esforço diplomático para conter uma escalada regional.
 

MASSACRE SECTÁRIO ENTRE BEDUÍNOS E DRUSOS
 

Conflito começou no dia 13 de julho em Sueida, no sul da Síria. Os combates envolveram tribos beduínas e grupos da minoria drusa, segundo a agência de notícias RFI.
 

Mais de 700 pessoas foram mortas em seis dias de enfrentamentos. O número foi informado pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos.
 

Grupos sunitas se uniram aos beduínos contra os drusos. Forças do governo sírio foram acusadas de apoiar os ataques, conforme testemunhas relataram à AFP.
 

Israel interveio militarmente após denunciar risco à minoria drusa. A ação incluiu bombardeios em Damasco e Sueida, segundo a agência de notícias DW.
 

Cruz Vermelha e ONU alertaram para o colapso humanitário em Sueida. Casas, lojas e carros foram incendiados, além de hospitais lotados, falta de água e medicamentos e até apagões foram registrados.
 

Mais de 80 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas. O dado é da OIM (Organização Internacional para as Migrações).
 

ONU exige investigação rápida e responsabilização pelos crimes. O pedido foi feito pelo alto comissário Volker Türk, segundo a RFI.

Trump anuncia tarifa de 35% sobre produtos do Canadá

  • Bahia Notícias
  • 11 Jul 2025
  • 16:12h

Foto: Shealah Craighead / Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de uma tarifa de 35% sobre todos os produtos importados do Canadá. O país vizinho aos EUA é o 23º a ser notificado oficialmente por Washington desde o início da semana, em uma ofensiva comercial que amplia tensões diplomáticas e econômicas com diferentes regiões do mundo. A decisão foi anunciada na noite desta quinta-feira (10), por meio de carta ao Canadá.

 

Com validade a partir de 1º de agosto, as sobretaxas integram uma nova estratégia unilateral da Casa Branca para pressionar nações a firmarem acordos comerciais bilaterais sob os termos definidos pelos EUA. “Essas tarifas são temporárias e podem ser revistas caso os países busquem um entendimento com os Estados Unidos”, disse Trump em comunicado.

 

O Brasil segue liderando a lista de tarifas mais altas, com 50% sobre os produtos exportados ao mercado americano. A nova lista divulgada inclui ainda Argélia, Brunei, Filipinas, Iraque, Líbia, Moldávia e Sri Lanka, com alíquotas que variam entre 20% e 36%.

 

Veja abaixo a lista atualizada de países que já foram notificados e as respectivas tarifas:

  • Brasil: 50%
  • Laos, Myanmar: 40%
  • Tailândia, Camboja, Indonésia: 36%
  • Canadá, Sérvia, Bangladesh: 35%
  • África do Sul, Argélia, Iraque, Líbia, Bósnia e Herzegovina: 30%
  • Sri Lanka: 30%
  • Japão, Malásia, Moldávia, Coreia do Sul, Brunei, Cazaquistão, Tunísia: entre 25% e 30%
  • Filipinas: 20% (menor tarifa até agora)

Israel afirma que ainda “não tomou decisão” sobre cessar-fogo após Hamas aceitar proposta

  • Bahia Notícias
  • 06 Jul 2025
  • 12:42h

Imagem Ilustrativa | Foto: Reprodução

Um integrante do alto escalão do governo de Israel afirmou neste sábado (5), sob condição de anonimato, que “nenhuma decisão” foi tomada até o momento em relação à proposta de cessar-fogo aceita na véspera pelo Hamas. O plano, mediado pelos Estados Unidos, com apoio de Egito e Catar, prevê uma trégua de 60 dias nos ataques à Faixa de Gaza.

 

A expectativa é que o gabinete de segurança de Israel se reúna em breve para deliberar sobre o acordo. A decisão acontece na véspera da viagem do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a Washington, onde ele deve se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda-feira (7).

 

Na sexta (4), o grupo Hamas anunciou que aceita o esboço apresentado pelos mediadores internacionais. Segundo uma fonte palestina envolvida nas negociações, o plano prevê uma trégua de dois meses, durante a qual o Hamas libertaria metade dos reféns israelenses ainda vivos, em troca da libertação de presos palestinos atualmente detidos em Israel.

 

Também nesta sexta, o Hamas disse estar pronto para “começar imediatamente” a discutir os detalhes da implementação do cessar-fogo. A Jihad Islâmica, aliada do Hamas em Gaza, declarou apoio às tratativas, mas pediu garantias quanto ao cumprimento do plano.

 

Em declaração à imprensa, o presidente Donald Trump afirmou não estar ciente da resposta formal do Hamas, mas mostrou otimismo: “Precisamos acabar com isso. É necessário que algo seja feito por Gaza”, disse.

Diddy continuará preso após juiz do caso negar fiança proposta pela defesa

  • Por Folhapress
  • 03 Jul 2025
  • 12:35h

Foto: Reprodução/TV Globo

Condenado nesta quarta-feira (2) por duas acusações de transporte para prostituição, envolvendo duas ex-namoradas, mas inocentado de três outras acusações mais graves, envolvendo tráfico sexual e extorsão, Sean Diddy Combs permanecerá preso até a definição de sua sentença.
 

O rapper americano escapou da prisão perpétua e pode ser sentenciado no máximo a 20 anos de prisão, tempo que irá considerar os quase 10 meses que o magnata da música já passou preso após ter sido detido em setembro de 2024. A informação foi anunciada pelo juiz Arun Subramanian nesta tarde.
 

Subramanian também negou o pedido de fiança feito pela defesa do artista após o anúncio de seu veredito e revelou que a sentença deve ser definida até outubro.
 

Embora não seja uma absolvição, já que a sentença ainda pode lhe impor até duas décadas preso, Diddy comemorou o veredito com euforia. Ele sorriu para sua família e advogados, fez um gesto de oração e agradeceu ao júri num sussurro logo após o anúncio feito nesta manhã.
 

Durante a tarde, ao retornar ao tribunal, sua empolgação foi reduzida pelos novos anúncios.
 

Ao longo do processo foram avaliados imagens e vídeos relacionados às acusações contra o magnata da música -dentre eles o do espancamento de Ventura, em 2016, no corredor de um hotel, enquanto ela tentava fugir de uma orgia-, acompanhando também argumentos da defesa e da promotoria.
 

A crise envolvendo Diddy se estende desde novembro de 2023, quando Ventura acusou o músico de abuso e tráfico sexual. A ação foi retirada no dia seguinte, após as partes chegarem a um acordo milionário confidencial.

Trump diz que Israel aceitou termos para cessar-fogo de 60 dias na Faixa de Gaza

  • Bahia Notícias
  • 02 Jul 2025
  • 10:24h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (1º) que Israel concordou em finalizar os termos de um cessar-fogo de 60 dias com o Hamas na Faixa de Gaza. Horas antes, o republicano havia dito que seria "muito firme" com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, para encerrar o conflito. Os dois líderes devem se encontrar na semana que vem em Washington.
 

A proposta, segundo o americano, agora será enviada ao Hamas por negociadores do Qatar e do Egito. "Meus representantes tiveram uma longa e produtiva reunião com os israelenses hoje sobre Gaza", escreveu Trump em sua plataforma, a Truth Social. "Israel concordou com as condições para concluir o cessar-fogo de 60 dias, durante o qual trabalharemos com todas as partes para acabar com a guerra."
 

Trump também pediu ao Hamas que aceite a proposta "pelo bem do Oriente Médio". O governo israelense, por sua vez, não havia se manifestado sobre o tema.
 

O anúncio de Trump ocorreu após Netanyahu confirmar que vai viajar aos EUA para participar de reuniões com o republicano. O presidente dos EUA continua falando em acordo iminente e afirmou a jornalistas que espera conseguir alcançar um cessar-fogo em breve.
 

"Esperamos que isso aconteça. E estamos ansiosos para que aconteça em algum momento da próxima semana", disse Trump ao sair da Casa Branca para uma viagem de um dia à Flórida. "Queremos tirar os reféns de lá", completou. Há ainda 50 reféns com o Hamas, 28 dos quais mortos com certeza, segundo o governo israelense.
 

A visita de Netanyahu também incluirá conversas com o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, segundo comunicado divulgado pelo premiê.
 

"Ainda temos algumas coisas para finalizar a fim de alcançar um acordo comercial, além de outros assuntos", disse ele, referindo-se aos planos de tarifas do governo Trump. "Também terei reuniões com líderes do Congresso e do Senado e algumas reuniões de segurança."
 

O ministro de Assuntos Estratégicos de Israel, Ron Dermer, foi a Washington nesta semana para conversas preparatórias ao encontro entre o presidente americano e o premiê israelense
 

Um breve cessar-fogo de 40 dias com o Hamas foi estabelecido de janeiro a março deste ano, mas Israel retomou as ofensivas em Gaza logo após o fim do prazo.
 

A guerra no território, iniciada com o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, foi o estopim para a série de conflitos que desaguaram no ataque de Israel ao Irã no mês passado.
 

Trump se envolveu diretamente no conflito com Teerã e bombardeou três instalações nucleares do país persa: em Natanz, Isfahan e Fordow. O republicano afirmou que o ataque aniquilou o programa nuclear iraniano, mas relatórios preliminares das agências de inteligência americanas publicadas pela imprensa colocaram em xeque as falas do presidente sobre o tema.
 

Embora o Irã afirme oficialmente que a controversa iniciativa nuclear do país tenha fins pacíficos, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU) diz que Teerã enriquece urânio a 60% -nível próximo dos 90% necessários para produzir uma bomba atômica e muito acima dos 3,67% exigidos em usinas comerciais.
 

Os EUA, com a ajuda do Qatar, costuraram um frágil cessar-fogo após 12 dias de conflito. A trégua, porém, foi violada logo no primeiro dia pelos rivais. Na ocasião, Trump interveio diretamente para que os aliados em Tel Aviv não colocassem tudo a perder. E deu uma bronca em Israel.
 

"Nós basicamente temos dois países que têm lutado há tanto tempo, e tão duramente, que eles não sabem que porra estão fazendo. Você entende isso?", disse ele a jornalistas antes de embarcar para a cúpula da Otan, a aliança militar ocidental, na Holanda, no último dia 24.
 

O republicano se referia à troca mútua de acusações de rompimento da trégua. "Eu não estou feliz com o Irã, não estou feliz com Israel", disse a repórteres, embora tenha focado suas críticas ao Estado judeu.
 

"Eu preciso fazer Israel se acalmar. Assim que aceitaram o acordo, eles vieram e lançaram um monte de bombas, algo que eu nunca tinha visto, a maior carga que já vimos", disse, com o exagero habitual.
 

A intervenção deu certo. Tel Aviv cancelou um ataque grande contra Teerã e ordenou a volta de seus caças, limitando-se a bombardear uma estação de radar. Segundo o governo israelense, a decisão foi tomada após Trump ligar para o premiê Netanyahu, que prometeu parar os ataques.
 

De seu lado, o governo iraniano disse que cumpriria a trégua se Israel o fizesse. A chave virou nos dois países: Tel Aviv, por exemplo, determinou o relaxamento das restrições vigentes desde que atacou o Irã, no dia 13, abrindo seu espaço aéreo e liberando aulas e reuniões públicas.
 

Com a trégua, Israel inclusive disse que voltaria seu foco para a guerra em Gaza.

Novos ataques de Israel matam pelo menos 60 em Gaza, dizem médicos; Qatar vê chance de trégua

  • Por Folhapress
  • 29 Jun 2025
  • 10:10h

Foto: Forças de Defesa de Israel / Reuters

Novos bombardeios de Israel mataram pelo menos 60 pessoas neste sábado (28) na Faixa de Gaza, de acordo com médicos e trabalhadores de saúde ouvidos pela agência de notícias AFP. Os ataques atingiram um campo de refugiados erguido no Estádio da Palestina, na Cidade de Gaza. Prédios residenciais também foram bombardeados.
 

De acordo com os profissionais de saúde, pelo menos 20 corpos foram levados para o hospital Nasser, e outros, para o Al-Shifa. O Ministério da Saúde do território, controlado pelo grupo terrorista Hamas, contabiliza 81 mortos.
 

Os novos ataques acontecem dias após o cessar-fogo entre Israel e o Irã —depois de doze dias de guerra e um ataque direto dos Estados Unidos contra o regime iraniano, os países, por pressão de Donald Trump, interromperam a troca de mísseis. Agora, mediadores dizem que há uma janela de oportunidade para uma nova trégua também em Gaza.
 

O Ministério das Relações Exteriores do Qatar, país que tem atuado como intermediário entre Tel Aviv, os Washington e o grupo terrorista Hamas, disse que, se a janela para diálogos não for utilizada, "haverá outra oportunidade desperdiçada, como tantas no passado".
 

Trump também disse ver possibilidade de um cessar-fogo em Gaza. "Acho que estamos perto disso. Acabo de conversar com as pessoas envolvidas", disse o republicano na sexta (27). "Acredito que, na próxima semana, teremos [uma trégua]", afirmou o presidente americano, sem dar mais detalhes.
 

A situação humanitária em Gaza atinge níveis cada vez mais catastróficos, de acordo com as Nações Unidas. Toda a população do território enfrenta insegurança alimentar, e entregas de ajuda se transformaram em massacres desde que Israel monopolizou o trabalho humanitário na controversa FHG (Fundação Humanitária de Gaza).
 

Tel Aviv diz que essa é a única maneira de garantir que os suprimentos não sejam roubados pelo Hamas, uma acusação negada pelo grupo terrorista. A ONU diz que a FHG não age com imparcialidade e fere os princípios do trabalho humanitário.
 

Na sexta, a ONG Médicos Sem Fronteiras acusou a FHG de manter uma "farsa de distribuição de alimentos que provoca massacres em série" e pediu que a entidade seja fechada. Segundo a MSF, o sistema de distribuição de alimentos, apoiado pelos EUA e Israel, "parece desenhado para humilhar os palestinos" em Gaza.
 

A organização denunciou que "mais de 500 pessoas morreram e quase 4.000 ficaram feridas ao tentar conseguir comida nessas distribuições" desde o aparente fim do bloqueio completo ao território, em maio.
 

Equipes médicas da MSF atendem diariamente pessoas mortas ou feridas enquanto buscavam alimentos em pontos de distribuição. Também foi registrado um aumento significativo de feridos por disparos de arma de fogo.
 

Ao mesmo tempo, uma reportagem do jornal israelense Hareetz da sexta trouxe relatos de soldados israelenses que atuam protegendo os trabalhadores da FHG. Os militares afirmam que ordens para atirar contra civis buscando comida vieram de cima. O governo Binyamin Netanyahu negou as acusações, e as Forças Armadas israelenses abriram uma investigação.
 

Neste sábado, o diretor da FHG, o líder evangélico americano Johnnie Moore, disse à emissora britânica BBC que as mortes que aconteceram durante entregas de suprimentos "não ocorreram próximas à operação" da fundação, algo que é contestado pela ONU.
 

Moore disse ainda que existe uma "campanha de desinformação" alimentada por "algumas pessoas", e que as Nações Unidas e outras organizações publicam informações que não podem verificar. Na sexta, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o sistema da FHG "não é seguro": "A busca por comida não pode se tornar uma sentença de morte".

Regime do Irã fará execuções em massa caso permaneça no poder, diz opositor

  • Por Folhapress
  • 26 Jun 2025
  • 08:29h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O cessar-fogo entre Israel e Irã, que entrou em vigor nesta terça-feira (24), representa alívio ao regime iraniano em um momento de intensa pressão. Pouco antes de anunciar o acordo, Donald Trump disse esperar que Teerã "possa seguir rumo à paz e harmonia". Depois, afirmou que não quer ver uma mudança no poder do país, pois, segundo ele, tal acontecimento levaria ao caos.
 

À Folha de S.Paulo, o opositor iraniano Arash Hamedian afirma que a população do Irã se sente traída após as declarações de Trump. A trégua anunciada pelo republicano, acrescenta ele, é boa para a teocracia, mas "muito ruim para o povo porque agora começa a repressão" de dissidentes que almejam a queda do regime, no controle do país desde a Revolução Islâmica de 1979.
 

"Se o regime permanecer no poder, haverá execuções em massa", diz Hamedian. "Eles continuarão a oprimir o povo iraniano e a aterrorizar a oposição fora do Irã enquanto estiverem no poder. O único caminho para a paz e a harmonia entre Irã, Israel, Oriente Médio e o mundo é uma mudança de regime no Irã. Qualquer outro cenário levará ao caos e à destruição."
 

Hamedian afirma que o regime já vem determinando prisões para criar medo. Em 12 dias de conflito, as autoridades iranianas prenderam cerca de 700 pessoas acusadas de espionar para Israel, de acordo com a agência de notícias Nournews, afiliada ao principal órgão de segurança do país.
 

O opositor atualmente mora na Alemanha. Ele deixou o Irã em 2009 porque, sem liberdade de expressão, diz que se sentia sufocado e em constante perigo. Agora, acompanha a crise à distância e teme pela segurança de familiares, que continuam no país. Os contatos foram perdidos, afirma, porque o regime derrubou a internet após os ataques de Israel contra instalações nucleares iranianas, no último dia 13.
 

"Há apenas dois anos houve uma revolução iraniana desencadeada por Mahsa Amini [morta enquanto estava sob custódia da polícia moral por supostamente não usar o véu islâmico da forma correta]. É por isso que eles [regime] querem controlar o sinal: para garantir que terão apoio. Quando o regime corta a internet, é como a escuridão. Eles matam, matam e matam e não há qualquer notícia", afirma.
 

Os protestos que eclodiram após a morte de Amini, em 2022, representaram a ameaça mais grave até então ao regime dos aiatolás desde a criação da República Islâmica. Milhares de manifestantes aproveitaram a mobilização para reivindicar mudanças estruturais. O Irã já passava por uma crise econômica severa, agravada pelas sanções internacionais. Agarrando-se ao poder, o regime respondeu com brutalidade. Mais de 500 pessoas foram mortas, e outras 22 mil, detidas desde o início do levante.
 

O regime, já enfraquecido, ficou ainda mais debilitado após os bombardeios sem precedentes feitos por Israel e EUA, diz Hamedian. "Só que eles ainda têm militantes armados nas ruas. Então, diante do povo desarmado, ainda parecem fortes."
 

O opositor também contesta a declaração de Trump de que a queda do regime levaria ao caos. Para Hamedian, o estabelecimento de um novo governo pautado pelo extremismo religioso é quase impossível devido à alta rejeição à teocracia atualmente no poder. Atualmente, afirma, até mesmo pessoas religiosas defendem que a religião não deve se misturar com a política. Um novo governo, portanto, tende a ser bem mais moderado.
 

Nesse sentido, o opositor defende que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve cortar todo o tipo de relacionamento com o regime, algo que representaria uma guinada em relação aos posicionamentos recentes da diplomacia brasileira. Ao longo do conflito, o presidente fez críticas mais incisivas a Israel.
 

Em reunião do G7 na semana passada, por exemplo, Lula afirmou que os ataques de Israel ao Irã ameaçam fazer do Oriente Médio um único campo de batalha, com consequências globais inestimáveis, mas sem fazer referência nenhuma à retaliação de Teerã.
 

Enquanto o regime continua no poder, Hamedian dá continuidade aos esforços para, nas palavras dele, conscientizar as pessoas sobre a realidade do Irã.

Irã recusa diálogo com os EUA enquanto Israel mantiver ofensivas, diz chanceler Abbas Araqchi

  • Bahia Notícias
  • 20 Jun 2025
  • 16:20h

Foto: Reprodução / Governo do Irã

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta sexta-feira (20) que o país não pretende negociar com os Estados Unidos enquanto prosseguirem as ofensivas israelenses. A declaração foi feita em entrevista à televisão estatal iraniana, durante sua chegada a Genebra, na Suíça.

 

De acordo com Araqchi, os Estados Unidos são “parceiros dos crimes israelenses contra o Irã”. A posição iraniana foi anunciada no contexto de uma reunião com representantes da França, Alemanha e Reino Unido, que buscam uma solução diplomática para conter o avanço das tensões em torno do programa nuclear iraniano.

 

Segundo informações divulgadas pelo jornal Al Jazeera, o chanceler declarou: “O Irã não está preparado para iniciar um diálogo enquanto Israel continuar com os ataques” e acrescentou: “Depois de nossa resistência contra Israel, acredito que os países se distanciarão dessa agressão”.

Líder do Irã rejeita ultimato dos EUA; Trump está com ataque pronto, diz jornal

  • Por Igor Gielow | Folhapress
  • 19 Jun 2025
  • 16:11h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rejeitou o ultimato feito por Donald Trump, que exigia a rendição incondicional do país ante os ataques feitos por Israel desde a última sexta-feira (13).
 

O presidente americano, por sua vez, passou esta quarta (18) fazendo suspense sobre a adesão ou não à ofensiva aérea lançada pelo seu aliado Binyamin Netanyahu. Segundo relatou o jornal The Wall Street Journal, Trump já aprovou um plano de ataque, mas não havia dado o ok final.
 

Em seu primeiro discurso desde o início dos ataques, Khamenei afirmou que a eventual entrada dos EUA no conflito "será acompanhada, sem dúvidas, de dano irreparável".
 

"Pessoas inteligentes que conhecem o Irã, a nação iraniana e sua história, nunca falarão com essa nação em linguagem ameaçadora porque a nação iraniana não irá se render", disse, segundo o que foi lido na TV. A ausência física do líder na tela chamou a atenção, mas depois a imagem dele lendo o texto foi transmitida, presumivelmente gravada.
 

Questionado sobre a fala por repórteres, Trump desejou "boa sorte" para o adversário. Ele se recusou a dizer se vai ou não atacar o Irã e afirmou que os EUA foram procurados por Teerã, embora considere que seja "bem tarde para conversar".
 

"Há uma grande diferença entre agora e há uma semana", disse na Casa Branca, em referência àquele momento, em que havia uma rodada de conversas sobre o programa nuclear iraniano marcada para o domingo (15). "Ninguém sabe o que eu vou fazer", afirmou.
 

Mais tarde, antes de uma reunião sobre o tema, disse que o Irã talvez ainda fale com os americanos, mas que ele não tinha decidido qual rumo tomar. Após o encontro, o jornal americano relatou a aprovação inicial do plano.
 

Já outra publicação, o The New York Times, informou que o Irã vai fazer em breve uma proposta oficial de retomada do diálogo sobre seu programa nuclear, cujo colapso em negociações foi a justificativa inicial de Israel para atacar —os aiatolás, que lideram um regime que prega a extinção do Estado judeu, estariam próximos de ter a bomba atômica.
 

Na terça (17), Trump havia dito que Khamenei era "um alvo fácil" e que os EUA sabiam onde ele "se escondia". O americano então o ameaçou sem sutileza, dizendo que os EUA não iriam matá-lo "por enquanto".
 

A expectativa é sobre o que Washington irá fazer. Israel já havia trocado ataques diretos com o Irã em duas rodadas no ano passado, mas os americanos agiram para desescalar a crise, até porque uma guerra que se tornasse regional não interessava a ninguém.
 

Mas o governo de Netanyahu, ante a debacle das conversas Irã-EUA, resolveu ir em frente sozinho, algo antes visto como impensável.
 

Não só mirou o programa atômico iraniano, tarefa que para ser finalizada precisa da mão americana, mas suas capacidades defensivas e lideranças militares. O próprio Khamenei virou um alvo prioritário, segundo o premiê e, de forma menos direta, segundo Trump.
 

Tudo pode ser só pressão dos EUA, de carona na ação israelense que apoiam de todo modo. Mas a perspectiva de uma guerra maior, ainda mais com Washington deslocando forças militares para o Oriente Médio, assusta outros atores.
 

Na Rússia, aliada do Irã que paradoxalmente se beneficia da falta de foco em sua própria guerra na Ucrânia e na subida do preço do petróleo que financia as forças de Vladimir Putin, a quarta foi de críticas.
 

O vice-chanceler Serguei Riabkov disse que qualquer ação americana desestabilizaria todo o Oriente Médio. Há miríades de grupos pequenos que podem ameaçar interesses dos EUA na região e além, para não fala na ameaça terrorista global. Moscou e Teerã têm um pacto estratégico que não prevê ajuda mútua em caso de agressões.
 

Riabkov disse que a Rússia continua disposta a mediar o conflito, servindo de depositária do urânio enriquecido em excesso pelos iranianos, por exemplo. Em conversa com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed al-Nahyan, Putin reiterou a necessidade de uma solução negociada.
 

Já na Turquia, que também vive sua contradição por ser adversária tanto de Teerã quanto de Tel Aviv, o presidente Recep Tayyip Erdogan voltou a dizer que o Irã tem direito a se defender. Por óbvio, ele não fará nada, até porque é aliado dos EUA na Otan, e sua fala deve ser lida como endereçada à sua base conservadora islâmica.
 

No sexto dia da guerra aérea entre Israel e o Irã, uma megaexplosão causou pânico entre moradores de Teerã e acelerou o início de um êxodo da capital iraniana.
 

A grande explosão e seu cogumelo de fumaça vieram da fábrica de mísseis balísticos de Khojir, nos arredores da capital. Eram aproximadamente 5h (22h30 da terça em Brasília), e o céu ficou iluminado.
 

Mais tarde, a agência estatal iraniana Irna afirmou que um míssil atingiu a sede da polícia nacional e deixou vários feridos. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, havia anunciado anteriormente a destruição do quartel-general da força de segurança do rival.
 

Novos relatos de mortes no Irã não tinham sido divulgados. Em Israel, a noite foi marcada por mais barragens de mísseis balísticos contra centros urbanos, mas as imagens e os números divulgados pelas forças de Tel Aviv sugerem que o arsenal iraniano está acabando ou sendo poupado.
 

Desde sexta, foram cerca de 400 mísseis lançados, fora centenas de drones mais baratos e ineficazes. Na noite de terça, segundo as forças de Israel, foram apenas cerca de 15 mísseis, sem causar grandes danos.
 

O mesmo vale para o Estado judeu: segundo autoridades americanas disseram ao Wall Street Journal, Israel já está na reserva de seus mísseis de interceptação de primeira camada, de alta altitude, o chamado sistema Flecha.

Sem negociações, Israel e Irã lançam novos ataques neste domingo

  • Por Folhapress
  • 16 Jun 2025
  • 12:23h

Foto: Reprodução/Redes sociais

Israel e Irã lançaram novos ataques aéreos na tarde deste domingo (15), após fortes ataques ocorridos na madrugada.

Israel bombardeou Teerã, capital do Irã, com uma nova onda de ataques na tarde deste domingo. O Exército israelense anunciou que começou a atacar dezenas de instalações de mísseis no oeste do Irã. "A força aérea lançou uma onda de bombardeios contra dezenas de alvos de mísseis terra-terra no oeste do Irã", afirmou o Exército em um comunicado.
 

Irã anunciou que os sistemas de defesa aérea foram ativados. Segundo informações da mídia local, os sistemas foram acionados em Teerã, capital do Irã, e em Kermanshah, cidade no oeste do país.
 

O exército israelense também anunciou a chegada de mísseis disparados pelo Irã. As sirenes de alerta aérea soaram neste domingo (15) no norte, centro e em parte do sul de Israel, após o Exército o anúncio das autoridades israelenses.
 

"As sirenes soaram em várias regiões de Israel após a identificação de mísseis lançados do Irã contra o Estado de Israel", indicou um comunicado do Exército, que convocou a população a se dirigir aos abrigos.
 

Um alto oficial militar iraniano disse que o país dará uma "resposta devastadora" aos ataques de Israel. "A dimensão da resposta devastadora dos bravos combatentes do Irã certamente abrangerá todas as partes dos territórios ocupados [Israel]", disse o coronel Reza Sayyad, porta-voz das Forças Armadas.
 

"Deixem os territórios ocupados, pois eles certamente não serão mais habitáveis no futuro", afirmou ele, acrescentando que os abrigos "não garantirão segurança". A declaração foi transmitida pela televisão estatal.
 

Outros ataques já haviam ocorrido na madrugada. Jatos israelenses bombardearam Teerã e atingiram reservatórios de combustível. Já o Irã lançou mísseis balísticos contra Israel, alguns dos quais conseguiram escapar das defesas aéreas israelenses.
 

Chegou a 80 o total de mortos no Irã e a 14 as vítimas em Israel. A guerra começou na última sexta-feira (13), quando Israel atacou o país persa e seguem neste domingo, com ataques em Teerã, Jerusalém e Tel-Aviv.
 

O presidente Donald Trump pediu que Israel e Irã cheguem a um acordo para encerrar o conflito armado. "Irã e Israel devem fazer um acordo, e farão um acordo," escreveu ele nesta manhã em uma postagem na Truth Social, sua plataforma de mídia social.
 

Os ataques da madrugada de hoje deixaram 11 mortos em Israel. Agora, são 14 o total de vítimas e 390 feridos, segundo os sites de notícias The Times of Israel e The Jerusalem Post. Um dos ataques atingiu edifícios residenciais no litoral e no norte de Israel. Outro bombardeio danificou estações de abastecimento para caças israelenses.
 

No Irã, os mortos somam 80 e os feridos 320, diz o site da Al Jazeera. O revide israelense foi um ataque à sede do Ministério da Defesa iraniano em Teerã na manhã deste domingo, de acordo com a agência de notícias semioficial Tasnim. O depósito de petróleo de Shahran, a noroeste de Teerã, também foi atingido.

Tribunal autoriza Trump a mobilizar Guarda Nacional em Los Angeles

  • Por Folhapress
  • 13 Jun 2025
  • 16:13h

Foto: Divulgação/Bahia Notícias

A segunda instância da Justiça dos Estados Unidos autorizou temporariamente o governo de Donald Trump a manter a mobilização de tropas da Guarda Nacional em Los Angeles, em meio a protestos contrários a operações de fiscalização e detenções de imigrantes. A decisão do tribunal foi dada poucas horas após um juiz federal haver bloqueado a gestão federal de mobilizar as tropas na Califórnia.
 

A ordem do 9º Tribunal de Apelações dos EUA não deliberou sobre o mérito da decisão da primeira instância, e portanto não significa que o tribunal concorda em definitivo com Trump. A ordem pausa a decisão da corte inferior e mantém o comando da Guarda Nacional com o presidente temporariamente.
 

O painel de três juízes da corte de segunda instância que decidiu sobre o caso é composto por dois magistrados nomeados por Trump durante seu primeiro mandato e outro juiz nomeado pelo ex-presidente democrata Joe Biden. O painel afirmou que realizará uma audiência na próxima terça-feira (17) para deliberar sobre o mérito da decisão da primeira instância.
 

Em sua rede social, Trump comemorou a decisão e agradeceu ao tribunal. "A Corte de Apelações decidiu ontem a noite que eu posso usar a Guarda Nacional para manter nossas cidades, neste caso, Los Angeles, seguras. Se eu não tivesse enviado os militares a Los Angeles, a cidade estaria queimando neste momento. Salvamos LA. Obrigado pela decisão", escreveu.
 

Mais cedo na quinta-feira, o juiz federal Charles Breyer, baseado em São Francisco, havia considerado que o destacamento da Guarda Nacional por Trump era ilegal. A decisão de 36 páginas de Breyer havia ordenado que a força militar retornasse ao controle do governador da Califórnia, Gavin Newsom, que havia processado o governo federal.
 

Foi uma curta vitória para o governador democrata, no entanto: a ordem de Breyer foi suspensa cerca de duas horas e meia depois.
 

Quando solicitado a comentar, o gabinete de imprensa de Newsom referiu-se à declaração do governador após a decisão inicial, e observou que o tribunal de apelações colocou uma pausa temporária na decisão, mas não a reverteu.
 

"Estou confiante, com base na revisão das 36 páginas. Absolutamente, ela se manterá", disse Newsom sobre a ordem pausada do juiz federal que decidia em seu favor.
 

Trump convocou a Guarda Nacional no sábado (7) em resposta aos protestos que eclodiram devido às operações de imigração em Los Angeles e, na segunda-feira (9), ordenou que os fuzileiros navais apoiassem a Guarda Nacional.
 

Um batalhão de 700 fuzileiros navais deve chegar nesta sexta-feira à cidade, marcando um uso raro de forças militares para apoiar operações policiais civis dentro do país. O governador da Califórnia e outros críticos de Trump classificam de autoritária a decisão.
 

As tropas montaram guarda em um centro de detenção federal no centro de Los Angeles, onde muitos dos protestos ocorreram em solidariedade aos imigrantes detidos. Os protestos até agora têm sido majoritariamente pacíficos, pontuados por incidentes de violência, e restritos a alguns quarteirões da cidade.
 

É este argumento, de que os protestos são majoritariamente pacíficos, a partir do qual Newsom e a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, criticam Trump pela mobilização das tropas, dizendo que o presidente inflama as tensões de propósito. A decisão do juiz Breyer, da primeira instância, usa termos semelhantes para justificar o bloqueio do uso pelo governo federal das forças militares no estado.
 

A Guarda Nacional também acompanha, desde a mobilização pelo governo federal, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em operações para deter imigrantes.

Trump vai enviar 700 fuzileiros navais a Los Angeles contra protestos

  • Por Julia Chaib | Folhapress
  • 10 Jun 2025
  • 08:25h

Foto: Shealah Craighead / Casa Branca

O governo de Donald Trump vai enviar 700 fuzileiros navais a Los Angeles para ajudar a conter os protestos pró-imigração que ocorrem na cidade desde o final de semana.
 

"A ativação dos fuzileiros navais tem como objetivo fornecer à Força-Tarefa 51 números adequados de forças para proporcionar cobertura contínua da área em apoio à agência federal líder", afirmou o Comando do Norte dos EUA num comunicado.
 

A informação havia sido antecipada pela agência Reuters. No domingo, Trump havia ordenado envio de 2.000 agentes da Guarda Nacional para o local. Esta força militar de reserva é usada em situações como desastres naturais, mas raramente em distúrbios civis.
 

O envio dos integrantes da Marinha representa uma escalada na atuação do governo federal. Em uma frente, porque se trata de militares da ativa —e não da reserva— como os demais. Em outra, mostra que Trump está disposto a dobrar a aposta mesmo depois de o governo da Califórnia apontar uma interferência federal na soberania do estado.
 

A Califórnia afirmou que está processando o governo Trump pelo envio das tropas da Guarda Nacional para Los Angeles durante os protestos.
 

"[Trump] atiçou e agiu ilegalmente para federalizar a Guarda Nacional", afirmou o governador Gavin Newsom no X. "Estamos processando-o."
 

No sábado (7), o responsável pela fronteira do governo, Tom Homan, ameaçou prender qualquer pessoa que obstruísse os esforços de aplicação da lei de migração no estado, incluindo Newsom e a prefeita de Los Angeles, Karen Bass.
 

Nesta segunda-feira (9), Trump reforçou a decisão de envio da Guarda Nacional e endossou a fala do auxiliar sobre a prisão de Newsom. "Eu faria isso se fosse o Tom. Acho ótimo. Gavin gosta de publicidade, mas acho que seria uma ótima coisa", disse o presidente americano após ser questionado se apoiaria a prisão do governador.
 

Ele ainda se referiu aos manifestantes como "insurgentes". Mais tarde, voltou um pouco atrás na declaração. "Eu não chamaria isso exatamente de insurreição", disse ele. "Mas poderia ter levado a uma insurreição."
 

É a primeira vez desde 1965 que um presidente envia essa força sem o pedido de um governador estadual, afirmou Kenneth Roth, ex-diretor da ONG Human Rights Watch, acusando Trump de "criar um espetáculo para continuar suas batidas migratórias".
 

Os protestos tiveram início na sexta-feira (6) depois de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega, na sigla em inglês) realizarem operações em vários locais da cidade como parte dos esforços do governo para prender migrantes. O governo federal quer alcançar a meta de prender pelo menos 3.000 migrantes por dia após prometer a maior operação de deportação da história durante a sua campanha.
 

As manifestações continuaram durante o fim de semana, resultando em uma grande resposta policial.
 

Segundo a polícia de Los Angeles, 56 pessoas foram detidas em dois dias, e três agentes ficaram levemente feridos.
 

A polícia de Los Angeles ordenou no domingo a proibição de reuniões no centro da cidade. Uma área do distrito comercial, conhecida como Civic Center, também foi declarada zona de não reunião. Em imagens aéreas divulgadas pela televisão, era possível ver diversos veículos policiais patrulhando ruas desertas do centro e forças de segurança posicionadas nos cruzamentos.
 

Nesta segunda, ONU pediu que a situação fosse acalmada. "Não queremos ver uma maior militarização da situação e apelamos a todas as partes, nos níveis local, estadual e federal, para que trabalhem nesse sentido", disse Farhan Haq, porta-voz-adjunto do secretário-geral das Nações Unidas.

EUA dobram tarifas sobre aço e alumínio para 50%; Brasil será afetado

  • Por Diego Alejandro | Folhapress
  • 04 Jun 2025
  • 08:08h

Foto: Divulgação / The White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (3) decreto que dobra as tarifas de importação sobre aço e alumínio, elevando-as de 25% para 50%. A medida entra em vigor à 0h01 (horário de Brasília) desta quarta-feira (4) e afetará as exportações brasileiras, segundo maior fornecedor dos metais ao mercado americano.
 

Segundo a Casa Branca, a decisão foi tomada após análises que indicaram que as tarifas anteriores não foram suficientes para conter a entrada de produtos estrangeiros a preços baixos, o que compromete a competitividade das siderúrgicas e metalúrgicas dos EUA.
 

O governo alega que o aumento das tarifas, já aumentado em março para 25%, é necessário para garantir a saúde dessas empresas e atender às necessidades de defesa nacional.
 

A medida vale para todos os países exportadores desses metais para os EUA, com exceção do Reino Unido, que mantém a tarifa em 25% devido a um acordo bilateral firmado em maio.
 

O Brasil, portanto, está sujeito à nova tarifa de 50%, o que pode impactar as exportações brasileiras, especialmente de aço semiacabado, um dos principais produtos enviados aos EUA.
 

Segundo dados do governo americano, no ano passado o Canadá foi o maior fornecedor de aço, em volume, para os americanos, com 20,9% do total, seguido pelo Brasil (16%, com 3,88 milhões de toneladas, e o país com maior crescimento em relação às exportações de 2023) e o México (11,1%).
 

Quanto a valor, o Brasil ficou só atrás do México: recebeu US$ 2,66 bilhões, ante US$ 2,79 bilhões dos mexicanos e US$ 5,89 bilhões dos canadenses. Em janeiro, o Brasil foi o maior exportador do mês em volume (499 mil toneladas), ultrapassando o Canadá (495 mil toneladas).

Hamas diz estar pronto para novo ciclo de negociações para trégua em Gaza

  • Por Folhapress
  • 02 Jun 2025
  • 15:16h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O grupo extremista Hamas disse neste domingo (1º) estar "pronto para iniciar imediatamente uma rodada de negociações indiretas" e resolver "pontos de discórdia" para um acordo de cessar-fogo para Gaza. A manifestação ocorreu após os EUA e Israel classificarem a resposta do grupo à nova proposta como "inaceitável".
 

O QUE ACONTECEU
Hamas afirmou buscar um acordo que "garanta alívio para o nosso povo e o fim da catástrofe humanitária". Em comunicado, eles acrescentaram que desejam um cessar-fogo permanente e a completa retirada de tropas israelenses do território palestino.
 

Mesmo após as críticas, grupo não explicou se desistiu da sua proposta apresentada aos EUA. Antes, eles afirmaram que aceitariam a paralisação do conflito em troca do "cessar-fogo permanente". Em resposta, o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, que media o acordo, falou que a sugestão apenas "nos leva para trás" no acordo.
 

"Essa é a única maneira de fecharmos um acordo de cessar-fogo de 60 dias nos próximos dias, no qual metade dos reféns vivos e metade dos mortos retornarão para suas famílias e no qual poderemos ter negociações substanciais de boa-fé nas negociações de proximidade para tentar chegar a um cessar-fogo permanente", disse Steve Witkoff.
 

No sábado, Israel apontou que o Hamas está "apegado" em recusar os acordos. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, reforçou a manifestação do enviado norte-americano sobre o posicionamento do Hamas: "É inaceitável e atrasa o processo".
 

Após a reação dos EUA, Hamas disse que "Washington está adotando a visão israelense". "A posição dos EUA confirma mais uma vez que Washington está pressionando pelo que Tel Aviv deseja, não pelo que é justo para os palestinos", diz a nota do grupo.
 

Neste domingo, ao menos 31 palestinos foram mortos e outros 170 ficaram feridos em um ataque. A ação ocorreu enquanto a população recebia comida em Rafah, no sul de Gaza, informou o Ministério de Saúde local. Autoridades palestinas ligadas ao Hamas e testemunha atribuíram o ataque aos militares israelenses.
 

O QUE DIZ A PROPOSTA DOS EUA
Propostas prevê uma trégua de 60 dias e libertação de 28 dos 58 reféns ainda mantidos em Gaza, sendo 10 vivos e 18 corpos. Das 251 pessoas sequestradas em Israel pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, 57 permanecem detidas em Gaza, sendo que 34 foram declaradas mortas pelo Exército israelense.
 

Em troca, Israel liberaria 1.236 prisioneiros e detidos palestinos. Além disso, entregaria os restos mortais de 180 palestinos mortos e permitiria também a entrada de ajuda humanitária no enclave. O acordo foi apresentado pelo enviado dos EUA. Ele também esteve envolvido em negociações anteriores, que resultaram no último acordo de trégua.
 

Casa Branca informou na sexta-feira que Israel aceitou proposta de cessar-fogo em Gaza apresentada pelos EUA. Na ocasião, o Hamas respondeu, no entanto, que os termos do acordo não atendiam "as exigências" do grupo.