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Mais de 5 mil manifestantes contra a guerra já foram detidos na Rússia; país proíbe atos

  • Bahia Notícias
  • 28 Fev 2022
  • 08:03h

Foto: Reprodução / Youtube

Uma grande quantidade de manifestantes contrários à invasão militar da Ucrânia pela Rússia voltaram às ruas em várias cidades russas, hoje (28), para protestar contra a ação coordenada pelo presidente russo Vladimir Putin. No país, as manifestações são proibidas. 

De acordo com a organização não-governamental OVD-Info, as forças policiais russas voltaram a reprimir os atos, “detendo cidadãos de forma arbitrária”. De acordo com a entidade, já passa de 5.000 o número de pessoas detidas em toda a Rússia, desde quinta-feira (24), por protestar contra a guerra.

Conforme divulgou a Agência Brasil, até às 14 horas deste domingo (27), a  OVD-Info ainda não tinha concluído seu balanço das prisões efetuadas neste domingo, mas já contabilizava cerca de 900 detenções. A ONG vem divulgando, diariamente, em seu site, relações com os nomes dos manifestantes detidos por protestar contra a invasão da Ucrânia.

Na última quinta-feira (25), quando Putin declarou guerra à Ucrânia e as forças militares russas iniciaram o ataque ao país vizinho, o Ministério de Assuntos Internos da Rússia divulgou um comunicado informando que havia recebido informações sobre a realização de “eventos públicos não autorizados” em várias partes do país.

“O Ministério de Assuntos Internos da Rússia declara que quaisquer ações provocativas, agressões contra policiais, descumprimento de seus requisitos legais serão imediatamente suprimidas. As pessoas que cometerem tais crimes serão detidas e processadas”, disse o ministério, pedindo que os cidadãos russos se abstivessem de participar dos protestos. “Não sucumba a pedidos de ações ilegais, avise seus parentes e amigos menores de idade contra a participação em eventos não autorizados e não comprometa sua segurança".

Brasileiros enfrentam frio e horas a pé para fugir da Ucrânia

  • por Flávia Mantovani | Folhapress
  • 27 Fev 2022
  • 12:33h

Foto: Umit Bektas / Reuters

"Estamos há 15 quilômetros caminhando, faltam mais 15 para chegar até a fronteira", diz a brasileira Vitória Magalhães, que se reveza com o marido e um amigo para levar no colo o filho de três anos, Benjamin, e as bagagens.
 

Casada com Juninho Reis, jogador de futebol do time ucraniano Zorya Luhansk, ela postou nas redes sociais neste sábado (26) vídeos de sua tentativa de fuga do país em guerra. "Ainda faltam quatro horas de caminhada. A gente achava que eram 30 km, mas são mais. Não tem onde parar, não tem abrigo, não tem ajuda. O frio está bem intenso, se parar é pior, a gente não tem coberta. Vamos continuar."
 

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, na quinta-feira (24), Juninho e outros jogadores publicaram um vídeo que viralizou, pedindo ajuda para sair da cidade de Zaporizhzhya, onde moravam.
 

A última notícia que eles publicaram, no sábado à tarde no Brasil (noite na Ucrânia), foi de um café onde pararam para descansar, que fecharia às 22h. "Não temos para onde ir ainda, faltam três horas de caminhada, o frio está intenso, meu filho chora de frio, não sabemos o que fazer. Eu imploro por ajuda", escreveu Vitória.

Em outro vídeo postado nas redes sociais, o atacante Lucas Rangel, do Vorskla Poltava, também pediu ajuda neste sábado, na fronteira com a Polônia. "Paramos para comer alguma coisa. É a nossa primeira refeição do dia e aqui já são 17h15, depois de uma longa caminhada. Estamos com uma dificuldade muito grande para passar para o outro lado", disse Rangel. "Hoje de manhã fez menos 11ºC e não temos onde nos abrigar."
 

Surpreendidos pelos ataques russos por terra, mar e ar a várias regiões da Ucrânia e pelo confronto armado inclusive nas ruas da capital, Kiev, dezenas de milhares de civis deixaram suas casas às pressas e se deslocaram em direção às fronteiras, buscando segurança em outros países -especialmente a Polônia e a Romênia, membros tanto da União Europeia e da Otan, a aliança militar Ocidental.
 

Segundo a ONU e a Comissão Europeia, entre 100 mil e 120 mil pessoas se deslocaram na Ucrânia somente no primeiro dia da guerra, e ao menos 50 mil fugiram do país. Dependendo de como evoluir o conflito, estima-se que o êxodo possa chegar a 5 milhões.
 

Com o espaço aéreo fechado, a saída por terra é a única possibilidade. Mas no cenário de guerra, encontrar transporte é um desafio: faltam veículos, combustível, o toque de recolher dificulta o acesso aos trens e ônibus. Há relatos de que empresas de transporte privilegiam os ucranianos e se recusam a levar estrangeiros, e há quem precise percorrer longos trechos a pé.
 

Ao chegar à fronteira, começa outro périplo. Vídeos mostram filas quilométricas de carros e milhares de pessoas aglomeradas em frente a portões. Uma tabela compartilhada em grupos de ajuda a refugiados aponta uma espera de até 75 horas em alguns checkpoints da Polônia.
 

Com isso, a embaixada do Brasil na Ucrânia orientou os brasileiros que estiverem próximos à fronteira a procurarem abrigos temporários enquanto a situação nos postos de passagem se estabiliza.
 

"Há inúmeros relatos de enormes aglomerações, atrasos que chegam a durar dias, comportamento agressivo, falta de hospedagem e necessidades básicas", diz o comunicado, que também diz que os diplomatas estão "fazendo o possível para contatar as autoridades ucranianas", mas que o conflito dificulta a operação.
 

Governo brasileiro diz que enviará aviões O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse neste sábado que a embaixada já embarcou cerca de 40 brasileiros de trem para a cidade de Chernivtsi, próxima à fronteira com a Romênia. Segundo ele, o governo providenciará meios de transporte, como aviões comerciais ou da FAB, para o retorno ao Brasil.
 

Com tropas russas atacando Kiev, a cidade decretou toque de recolher até as 8h de segunda-feira. Os brasileiros que estão na capital são orientados pelo Itamaraty a se manterem abrigados em estações de metrô ou bunkers no subsolo e a não saírem às ruas em nenhuma hipótese. Eles receberam comunicados como este: "IMPORTANTE! As autoridades de Kiev alertam para ataques aéreos e pedem para as pessoas se abrigarem e atentarem para as sirenes".
 

Desde a sexta-feira, a embaixada tem informado sobre a saída de alguns trens até cidades próximas à fronteira, mas deixa claro que a avaliação de riscos cabe a cada um, já que a situação de segurança é instável.
 

Hospedados em um hotel na capital com suas famílias, um grupo de jogadores brasileiros da primeira divisão ucraniana partiu neste sábado (26) em um comboio de carros, identificados com bandeiras do Brasil, para embarcar em um trem para a Romênia.
 

Parte do deslocamento foi gravado e postado ao vivo por Maria Souza, mulher do zagueiro Marlon, jogador do Shakhtar Donetsk. Chorando, ela descreveu a situação como muito assustadora.
 

"Vai dar tudo certo. Agora estamos com três crianças e vou ter que desligar. Orem bastante pela gente. Nos vemos no Brasil, se Deus quiser", disse.
 

Aparentemente o grupo embarcou, pois o meio-campista Marcos Antônio, também do Shakhtar, publicou foto dentro de um trem ao lado de outros jogadores.
 

Grupo de jogadores brasileiros em trem que liga Kiev à fronteira com a Romênia Reprodução/Facebook **** A embaixada do Brasil na Romênia anunciou que levaria um ônibus até a fronteira para levar os brasileiros vindos da Ucrânia para Bucareste.
 

Na Polônia, o governo anunciou pontos de acolhimento para os refugiados, com estrutura para que os refugiados possam dormir, comer e receber assistência médica -um acolhimento que contrasta com o que foi dispensado a fluxos migratórios anteriores, formados por refugiados do Oriente Médio e do Afeganistão. "Quem estiver fugindo de bombas, das armas russas, pode contar com o apoio do governo polonês", declarou Mariusz Kaminski, ministro do Interior.
 

Segundo a descrição do jornal The New York Times, policiais poloneses distribuíam frutas, donuts e sanduíches aos ucranianos recém-chegados.
 

Brasileiros na Europa oferecem carona e hospedagem a refugiados No lado polonês da fronteira, centenas de voluntários levam doações e oferecem carona aos refugiados. Entre eles, a empresária brasileira Clara Magalhães, 31, que foi de carro da Alemanha, onde mora, até a cidade de Medyka.
 

Ela criou a Frente BrazUcra, grupo no Telegram para ajudar brasileiros e outros latino-americanos que querem deixar a Ucrânia com informações, ofertas de hospedagem gratuita e outros auxílios.
 

O ritmo das postagens é frenético. São mensagens como estas: "Fronteira com a Romênia, alguém? Tem brasileiros no trem com crianças, estão a caminho"; "Precisamos de ajuda. Meus sogros estão em Lviv e não falam nem inglês nem ucraniano"; "A mãe da minha namorada está morrendo de frio. Preciso de ajuda, por favor"; "Cinco pessoas vão descer do trem e não sabem como vão chegar à fronteira. Estão com um bebê".
 

Um documento compartilhado traz listas de trens que saem de Kiev, checkpoints na fronteira e pontos de ataques recentes, além de rotas seguras e aquelas a serem evitadas. O grupo criou uma vaquinha online para ajudar nos gastos.
 

A psicanalista Mary de Jesus, que mora na Polônia, é responsável por conectar refugiados que precisam de ajuda com as que têm algo para oferecer no país. Ela diz que uma das dificuldades é que as informações sobre a fronteira mudam o tempo todo.
 

"Tem hora que só deixam entrar pessoas a pé se tiverem alguém esperando-as do outro lado para dar carona, por exemplo. Por isso, temos uns cinco ou seis voluntários dirigindo até cada um dos pontos de entrada", relata.
 

O Itamaraty respondeu à Folha que "presta toda a assistência cabível" aos cidadãos na Ucrânia e que cerca de 250 brasileiros se cadastraram até agora no formulário de registro da embaixada.
 

Segundo a nota, as embaixadas em Kiev e em Bucareste coordenam a operação de retirada dos brasileiros via Romênia e têm contato direto com o chefe da estação central de trens de Kiev, com autoridades locais em Chernivtsi e autoridades migratórias romenas. O ministério não informou se auxilia na saída pela Polônia.

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Embaixada do Brasil em Kiev mobiliza trem para retirada de brasileiros

  • Bahia Notícias
  • 26 Fev 2022
  • 12:29h

Foto: Redes Sociais / Embaixada Brasileira em Kiev

A Embaixada do Brasil na Ucrânia anunciou, na tarde desta sexta-feira (25), que foi disponibilizado um trem para que os brasileiros que permaneceram em Kiev pudessem deixar o país através da fronteira com a Romênia.

 

Esta é a primeira opção viabilizada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) para a retirada de compatriotas do território ucraniano, que está sendo atacado por tropas russas desde a madrugada desta quinta-feira (24).

 

"Caso considerem que a situação de segurança em suas localidades o permita, cidadãos brasileiros e latino-americanos registrados junto à Embaixada poderão dirigir-se à estação. Não é necessário comprar bilhetes. A chefia da estação está avisada do assunto, e buscará atender os cidadãos brasileiros e latino-americanos. Sugere-se que os interessados cheguem com antecedência", informou o serviço consular brasileiro, em uma publicação no Facebook. 

 

Segundo a representação em Kiev, não era possível garantir a partida ou lugares suficientes, devido a instabilidade na segurança e na disponibilidade de transporte. A prioridade de embarque foi para mulheres, crianças e idosos. 

 

"Os cidadãos que decidirem escolher essa viagem o farão por conta e risco próprio. A embaixada terá condições mínimas de prestar ajuda durante o trajeto até a fronteira com a Romênia, embora esteja sendo negociada a possibilidade de que o Conselho Regional de Chernivtsi ofereça transporte até a fronteira", alertou a embaixada", alertou um trecho do comunicado que anunciou o trem. 

 

Os passageiros do trem que partiu de Kiev foram orientados a levarem apenas o essencial. A estimativa do Itamaraty é de que 500 pessoas façam parte da comunidade brasileira na Ucrânia. 

 

As autoridades romenas foram infrormadas sobre os nomes e números de documento de todos aqueles que embarcaram no trem, para que os trâmites de ingresso no país fossem acelerados. As informações são da Agência Brasil.

'Quem interferir levará a consequências nunca antes experimentadas', diz Putin

  • Bahia Notícias
  • 24 Fev 2022
  • 14:48h

Foto: Reprodução / TV Globo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez um pronunciamento ao anunciar o início da operação no leste da Ucrânia na noite desta quarta-feira (23) (leia mais aqui). O gestor disse que "todas as decisões já foram tomadas e que os russos precisam se preparar para mudanças nos próximos dias".

 

O presidente também alertou para que nenhum outro país interfira na ação russa na região separatista da Ucrânia. “Quem tentar interferir, ou ainda mais, criar ameaças para o nosso país e nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata e levará a consequências como nunca antes experimentado na história”, disse.

 

Há relatos de explosões em várias cidades. Equipes da TV CNN as ouviram ao longe na capital Kiev e em Kharkiv, importante centro no leste do país. Sirenes antiaéreas começaram a soar na capital às 7h06 locais (2h06 em Brasília). Segundo disse por telefone um morador de Rostov-do-Don à Folha, Mariupol está sob fogo também.

China diz que EUA 'colocam lenha na fogueira' da crise entre Rússia e Ucrânia

  • por Folhapress
  • 23 Fev 2022
  • 16:29h

Foto: Agência de Imprensa do Kremlin / Agência Anadolu

Protagonista de uma aliança cada vez mais estreita com os russos, a China criticou nesta quarta-feira (23) os Estados Unidos pelo que descreveu como um comportamento de "jogar lenha na fogueira" da crise acesa no Leste Europeu, em torno das fronteiras ucranianas.
 

O comentário, feito por uma porta-voz da chancelaria chinesa, vem um dia após o governo de Joe Biden anunciar novas sanções contra Moscou devido ao reconhecimento de duas autoproclamadas repúblicas separatistas russas do leste da Ucrânia. Há mais de um mês, Washington alardeia que uma invasão do país seria iminente.
 

"Os Estados Unidos não deixaram de vender armas para a Ucrânia, aumentando a tensão e criando pânico", disse Hua Chunying a repórteres locais. "Alguém que joga lenha na fogueira e acusa os outros assume uma postura imoral e irresponsável."
 

Questionada sobre a possibilidade de a China impor sanções aos russos como retaliação ao avanço pelo território ucraniano, assim como o fizeram não apenas os EUA, mas também países europeus, Japão e Austrália, descartou quaisquer chances. "[Sanções] nunca foram uma forma eficaz de resolução de conflitos", declarou.
 

As falas sobem um pouco o tom da diplomacia chinesa em relação ao conflito. Pequim havia emitido um comunicado discreto pedindo contenção a todos os envolvidos na confusão. Quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu na última segunda (21), a representação chinesa limitou-se a dizer que Pequim acolhe e encoraja todos os esforços para uma solução diplomática da crise.
 

Já nesta terça (22), durante entrevista coletiva, outro porta-voz da chancelaria disse que a China estava monitorando de perto a evolução da situação na Ucrânia e que a posição do país é de respeito às preocupações de segurança de qualquer nação. "A situação na Ucrânia está piorando, e a China, mais uma vez, pede a todas as partes que exerçam a moderação e resolvam as diferenças com diálogo."
 

Wang Wenbin, o porta-voz da ocasião, disse ainda que o conflito na região está diretamente relacionado ao atraso para a implementação efetiva do acordo de Minsk 2, de 2015, que apresentou uma fórmula projetada para reintegrar à Ucrânia as regiões separatistas apoiadas pela Rússia.

Presidente da Macedônia do Norte leva à escola menina com Down vítima de bullying

  • Bahia Notícias
  • 14 Fev 2022
  • 09:27h

Foto: Divulgação / Presidência da Macedônia do Norte

O presidente da Macedônia do Norte, Stevo Pendarovski, acompanhou à escola uma menina de 11 anos chamada Embla Ademi, que tem síndrome de Down e foi vítima de bullying de colegas. Pais de alunos chegaram a organizar um boicote para que a garota não estudasse mais no local. As informações são do portal G1.

"O preconceito não deve ser um obstáculo para criar uma sociedade igualitária e justa para todos. Empatia é nossa obrigação moral", disse Pendarovski em uma rede social.

Na postagem, que acompanhou fotos do líder macedônio acompanhando a garota de volta às aulas, ele disse que o comportamento dos que colocam em risco os direitos das crianças "é inaceitável".

“Não só essas crianças devem usufruir de todos os seus direitos, como devem sentir-se iguais e bem-vindas nas salas de aula e nos recreios", afirmou o presidente.

Por causa do bullying e da pressão dos outros pais da escola, Ademi chegou a ser colocada em uma sala separada dos demais alunos, deixando de frequentar as aulas regulares.

"Essa é a nossa obrigação, enquanto Estado mas também enquanto indivíduos, e a empatia é o elemento-chave desta missão comum”, reforçou o mandatário.

Em um comunicado, o gabinete da Presidência afirmou que Pendarovski também conversou com os pais de Ademi "sobre os desafios que ela e a família enfrentam diariamente".

A síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição inerente à pessoa, causada pela presença de 3 cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo.

Caso da cocaína adulterada expõe agravamento do narcotráfico na Argentina

  • por Sylvia Colombo | Folhapress
  • 13 Fev 2022
  • 11:04h

Foto: Secretaria de Segurança de Buenos Aires

Quando se ouve falar de assassinos de aluguel matando juízes e promotores no meio da rua, chefões do narcotráfico que vivem como reis cercados de seguranças e cartéis disputando rotas por meio de massacres e tiroteios que, por vezes, vitimam inocentes, em geral associa-se essas imagens à Colômbia, ao México e mesmo ao Brasil.
 

Mas um trágico exemplo deixou evidente que o narcotráfico também se misturou com força na sociedade da Argentina. Trata-se do episódio em que a venda de cocaína adulterada na periferia de Buenos Aires, no começo do mês, matou 24 pessoas e provocou ao menos uma centena de internações.
 

Estudos revelaram que a droga vendida em um "bunker" --assim são chamados os pontos de venda nos bairros mais pobres que cercam a capital-- estava contaminada com carfentanil, um tipo de opioide 10 mil vezes mais potente que a morfina usado como sedativo veterinário em animais de grande porte, como elefantes e rinocerontes.

Vendidas a preços baixos em um "bunker" em Hurlingham, cidade na região metropolitana de Buenos Aires, as doses de cocaína adulterada foram o gatilho de uma crise que levou as autoridades locais a pedir, em tom de urgência, que quem tivesse comprado a droga a descartasse imediatamente.
 

A polícia trabalha com algumas teorias na investigação do caso. Uma delas é a de que o episódio foi uma espécie de demarcação de território por meio de um envenenamento proposital --com as mortes servindo de alerta de um cartel a outro para mostrar a quem "pertence" aquela região.
 

Outra tese, defendida pelo ministro de Segurança de Buenos Aires, Sergio Berni, é a de que os responsáveis pela contaminação estariam tentando fabricar uma droga ainda mais potente, mas que "perderam a mão" durante o processo.
 

O fato de que várias das pessoas que foram hospitalizadas após consumirem cocaína com carfentanil tenham voltado a usar a mesma droga dá a dimensão do problema da dependência química nas periferias argentinas.
 

"O que ocorreu em Hurlingham oferece várias interpretações. Em primeiro lugar, não podemos ficar com a ideia de que isso está ocorrendo apenas em bairros vulneráveis. A tragédia aconteceu aí porque é o ponto fraco da cadeia, onde se fazem experimentos, onde há brigas de cartéis e onde há um grande mercado de pessoas pobres e vulneráveis que acabam sendo as primeiras vítimas", avalia Carlos Damín, diretor da seção de toxicologia da faculdade de medicina da Universidade de Buenos Aires.
 

Em entrevista à reportagem, o especialista afirma que uma análise estatística do cenário argentino permite inferir que está havendo uma mudança nos hábitos de consumo, caracterizada principalmente pela diminuição da média de idade dos que consomem álcool e outras drogas.
 

Segundo o Observatório Argentino de Drogas, de 2010 a 2017, houve diminuição do consumo de crack --chamado localmente de "paco"-- e aumento do uso de cocaína, anfetamina e ecstasy. "A Argentina não é um grande produtor dessas drogas. Daqui se usam as rotas e os portos, e há estabelecimentos clandestinos para finalizar a produção de muitas delas. Mas, sim, somos um grande país consumidor", observa Damín.
 

A Argentina é o terceiro país que mais consome cocaína nas Américas, atrás apenas de Estados Unidos e Brasil, segundo levantamento do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês).
 

Para o professor, a chegada dos opioides à Argentina, evidenciada no caso de Hurlingham, é motivo de alerta. "Não éramos um país consumidor de opioides. Será um problema muito sério se passamos a ser e não existirem políticas [públicas] que acompanhem [essa tendência]", diz.
 

Gustavo Zbuczynski, da Associação de Redução de Danos da Argentina, aponta que a falha da resposta do país às drogas começa em questões orçamentárias. "Mais de 90% dos recursos para esse tema vão para armamento e combate bélico ao problema, e só 10% para prevenção e contenção de danos. O que se gasta com estratégias como a 'guerra ao narcotráfico' dos EUA e do México, que faliram, é um absurdo."
 

Já que o lugar é de trânsito e de consumo, mais do que de produção, o controle das rotas do narcotráfico tem sido a preocupação de diferentes governos. Os resultados estão aquém do esperado quando se observa, por exemplo, o caso de Rosário, principal porto de saída das drogas ilícitas.
 

As substâncias chegam à cidade a partir de origens diversas, mas, principalmente, da Bolívia e do Paraguai. Cruzam rotas pelo interior da Argentina até desembocarem nessa que sempre foi uma bela e pacata cidade portuária, construída no século 17, às margens do rio Paraná.
 

Conhecida por ser a terra natal de Ernesto Che Guevara e Lionel Messi, Rosário vive hoje um pesadelo. A cidade é palco de atuação do principal cartel de drogas da Argentina, conhecido como Los Monos. O grupo tem ramificações dentro das torcidas organizadas dos principais clubes locais de futebol, como o Rosario Central e o Newell's Old Boys.
 

Nas periferias da capital da província de Santa Fé, existem "bunkers" que vendem drogas à população local, mas a principal atividade do tráfico está relacionada ao embarque clandestino da droga por meio de vários pontos de acesso ao porto.
 

A cidade tem colecionado histórias de horror, como a de uma cerimônia de casamento entre dois fugitivos da Justiça por envolvimento com o tráfico de drogas. Durante a festa, em uma igreja famosa, assassinos de aluguel, possivelmente contratados por facções rivais, mataram três pessoas, entre elas um bebê de um ano.
 

A capital de Santa Fé vive, ainda, tiroteios diários --só neste ano foram mais de 50--, o que faz com que boa parte da população viva uma espécie de toque de recolher e deixe de sair de casa à noite. Enquanto a média nacional de homicídios da Argentina é de 5,3 para cada 100 mil habitantes, em Rosário o índice é de 16,4. No ano passado, ao menos 231 assassinatos estavam relacionados ao narcotráfico.
 

Para especialistas, há um problema de política sanitária e de segurança com relação ao tráfico de drogas na Argentina. "Temos de entender que precisamos de um sistema de saúde preparado para atender consumidores e deixar de ver de modo estigmatizado o consumo", afirma o neurologista Facundo Manes, deputado pelo partido União Cívica Radical. "Claro que se faz necessário redobrar esforços para conter o trânsito nas rotas e a venda da droga, mas isso precisa fazer parte de uma reforma integral."
 

Para a promotora Mónica Cuñarro, especializada em combate ao narcotráfico, ainda falta vontade política na Argentina para pensar em uma solução de longo prazo. Segundo ela, destruir ou fechar um ou uma centena de pontos de venda é uma solução temporária.
 

A questão traz ainda um recorte social. Nos "bunkers", estão consumidores e vendedores que formam a base da pirâmide do tráfico. Acima deles, e consequentemente menos acessíveis, estão grandes empresários, construtores e financiadores, diz Cuñarro.
 

"Se queremos atacar o narcotráfico, devemos de deixar de tratar tudo de forma midiática, eleitoreira, e enfrentar a questão de frente, seguir a rota do dinheiro. É muito fácil levar à cadeia um líder do tráfico de um bairro humilde, mas, por trás disso, sabemos que estão policiais, e até alguns juízes e promotores."

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Cocaína envenenada deixa pelo menos 20 mortos em Buenos Aires

  • Bahia Notícias
  • 04 Fev 2022
  • 12:24h

Foto: Secretaria de Saúde de Buenos Aires

O consumo de cocaína adulterada provocou a morte de pelo menos 20 pessoas e deixou 74 hospitalizadas na província de Buenos Aires, na Argentina, segundo autoridades locais.

Segundo o Metrópoles, os afetados vieram dos distritos de Hurlingham, Tres de Febrero e San Martín e foram levados para 10 hospitais diferentes. Em San Martín, a polícia identificou quatro das vítimas como Hernán Castro, de 45 anos, Martín López, 36, Dino Melgarejo, 33, e Fernando Yacante, que não teve a idade divulgada.

A mídia local reportou o ataque a um carro policial vazio na frente de um hospital em Hurlingham por pessoas relacionadas a uma das vítimas.

Investigações apontam que a droga foi misturada com algum tipo de veneno ou outra substância que impulsionou as mortes. Os usuários infectados compraram a substância na mesma área ocupada. Nove prisões já foram feitas, mas os agentes aguardam o resultado da autópsia para comparar as drogas apreendidas no local com as consumidas pelas vítimas.

O ministro da segurança regional disse, em comunicado, para que todos que tivessem comprado cocaína nas últimas 24h jogassem fora por risco de envenenamento.

Pandemia fez um novo bilionário a cada 26 horas, diz Oxfam

  • Bahia Notícias
  • 18 Jan 2022
  • 13:47h

Foto: Reprodução / Agência Brasil

Enquanto a pandemia colocou na pobreza mais de 160 milhões de pessoas, um novo bilionário surgiu a cada 26 horas desde o início da crise humanitária, afirma a Oxfam Brasil, entidade que trabalha na busca de soluções para o problema da pobreza, desigualdade e injustiça.

A pesquisa apontou que os 10 homens mais ricos do mundo mais que dobraram suas fortunas, passando de US$ 700 bilhões para US$ 1,5 trilhão – a uma taxa de US$ 15 mil por segundo ou US$ 1,3 bilhão por dia – durante os dois primeiros anos da pandemia. Por outro lado, a renda de 99% da humanidade caiu e mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza, segundo a Agência Brasil. 

A diretora executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia, afirmou que, se os 10 homens mais ricos do mundo perdessem 99,99% de sua riqueza, eles continuariam mais ricos do que 99% de todas as pessoas do planeta. “Eles têm hoje seis vezes mais riqueza do que os 3,1 bilhões mais pobres do mundo”, completou.

Segundo a entidade, no Brasil, há 55 bilionários com riqueza total de US$ 176 bilhões. Desde março de 2020, quando a pandemia foi declarada, o país ganhou 10 novos bilionários. O aumento da riqueza entre eles durante a pandemia foi de 30% (US$ 39,6 bilhões), enquanto 90% da população teve uma redução de renda de 0,2% entre 2019 e 2021. Os 20 maiores bilionários do país têm mais riqueza (US$ 121 bilhões) do que 128 milhões de brasileiros (60% da população).

Para Kátia, é inadmissível que alguns poucos brasileiros tenham lucrado tanto durante a pandemia, quando a esmagadora maioria da população ficou mais pobre. “Milhões de brasileiros sofreram com a perda de emprego e renda, enfrentando uma grave crise sanitária e econômica”.

Príncipe Andrew abre mão de cargos honorários após acusação de agressão sexual

  • Bahia Notícias
  • 14 Jan 2022
  • 09:28h

Palácio de Buckingham | Foto: Pixabay

O príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth II, do Reino Unido, renunciou aos seus títulos militares e abriu mão de seus cargos honorários nesta quinta-feira (13), de acordo com um comunicado da família real britânica.

“Com a aprovação e a concordância da Coroa, as afiliações militares e patrocínios reais do duque de York [príncipe Andrew] foram devolvidos à rainha”, diz o comunicado, publicado nas redes sociais do Palácio de Buckingham.

A renúncia aos títulos ocorre no momento em que Andrew está enfrentando uma acusação de agressão sexual nos Estados Unidos. Virginia Giuffre afirma que foi abusada sexualmente pelo duque de York em 2001, quando tinha apenas 17 anos de idade. O príncipe britânico nega.

“O duque de York continuará sem assumir quaisquer funções públicas e se defenderá neste caso como um cidadão comum”, finalizou o comunicado da família real britânica.

Asteroide de 1 km de largura passará 'perto' da Terra na próxima semana, diz Nasa

  • Bahia Notícias
  • 12 Jan 2022
  • 06:53h

Foto: Pixabay

Um asteroide de aproximadamente um quilômetro de largura passará pela Terra no dia 18 de janeiro, próxima terça-feira, de acordo com o Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da Nasa, que rastreia cometas e asteroides potencialmente perigosos que têm potencial de colisão. As informações são da CNN Brasil.

O corpo que se aproxima é conhecido como 7482 (1994 PC1) e foi descoberto em 1994, segundo a Nasa. Ele está a cerca de 1.931 milhão de quilômetros de distância do nosso planeta, movendo-se a uma velocidade de 76.192 km/h. 

Ninguém espera que o 7482 (1994 PC1) atinja a Terra, mas é o mais perto que um asteroide chegará nos próximos dois séculos, de acordo com as projeções da agência espacial. Espera-se que o sobrevoo ocorra na terça-feira, 18 de janeiro, às 18h51 no horário de Brasília.

O maior asteroide a passar pela Terra é o 3122 Florence (1981 ET3), que voou e não colidiu com nosso planeta em 1 de setembro de 2017. Estima-se que ele tenha entre quatro e 8,4 quilômetros de largura e faça outra passagem próxima à Terra em 2 de setembro de 2057.

Embora seja improvável que 7482 (1994 PC1) seja visível a olho nu, astrônomos amadores com um pequeno telescópio devem ser capazes de localizá-lo, de acordo com o site EarthSky.

Suprema Corte da Espanha decide que pagar dívida com sexo oral é legal

  • Bahia Notícias
  • 10 Jan 2022
  • 14:10h

Foto: Reprodução/Facebook/Conselho Geral do Poder Judiciário da Espanha

A Suprema Corte da Espanha analisou um caso curioso de pagamento de dívidas. Uma mulher recorreu na Justiça pelo direito de validar a quitação de uma dívida de R$ 96,3 mil em débitos por meio de sexo oral. O pedido também denunciou uma situação de coerção sexual.

Segundo argumentou a defesa da mulher, ela teria feito um acordo com seu ex-cunhado para saldar o valor em questão com a realização do ato sexual por sucessivas vezes. Conforme noticiou o portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, o tribunal de primeira instância não viu ilegalidade no pagamento, pois considerou que houve consenso entre as partes.

Após pagar a dívida por 16 meses e se recusar a continuar fazendo sexo oral no ex-cunhado, já que considerava ter saldado o débito, a mulher teve que recorrer à Suprema Corte, pois o credor passou a pedir a quitação em dinheiro.

A mulher denunciou a coerção sexual e a primeira instância local considerou que não houve agressão por parte do homem, devido ao acordo que haviam feito de forma consensual.

Após recorrer da decisão, a ação chegou até o Supremo Tribunal da Espanha, que decidiu não analisar a questão por não se tratar de matéria constitucional. Dessa forma, foi mantido o entendimento de primeira instância.

Pesquisadores investigam se mamíferos podem respirar pelo ânus

  • Bahia Notícias
  • 20 Dez 2021
  • 16:05h

Foto: Nick Fewings/Unsplash

Cientistas japoneses da Tokyo Medical and Dental University decidiram pesquisar a possibilidade de mamíferos conseguirem absorver oxigênio através do ânus. As informações são da EurekAlert, portal da Associação Americana para o avanço da Ciência.

A motivação da pesquisa seria a necessidade de desenvolvimento alternativas de respiração menos invasivas durante a pandemia do coronavírus. A forma como alguns animais marinhos respiram pelo intestino em situações de emergência despertou a curiosidade dos pesquisadores. 

A pesquisa foi publicada na revista Med e os pesquisadores argumentam que os humanos também poderiam recorrer para essa possibilidade em caso de dificuldades respiratórias.

"O reto tem uma rede de finos vasos sanguíneos logo abaixo da superfície de seu revestimento, o que significa que as drogas administradas pelo ânus são facilmente absorvidas pela corrente sanguínea", disse o autor principal do estudo, Ryo Okabe.

“Isso nos fez pensar se o oxigênio também poderia ser entregue na corrente sanguínea da mesma maneira. Usamos modelos experimentais de insuficiência respiratória em camundongos, porcos e ratos para tentar dois métodos: entregar oxigênio no reto na forma de gás e infundir um líquido rico em oxigênio pela mesma rota”, explica Ryo.

As pesquisas demonstraram que o fornecimento de oxigênio na forma gasosa e líquida foi benéfico: os níveis de oxigenação aumentaram e o comportamento se normalizou, enquanto a sobrevivência foi prolongada.

Além disso, eles descobriram que a quantidade mínima de perfluorodecalina oxigenada (PFD) que foi absorvida junto com o oxigênio não causou danos e as bactérias intestinais não foram afetadas, indicando a segurança desses métodos em modelos animais.

"A ventilação enteral mostrou-se uma grande promessa em nosso modelo experimental semelhante ao da asfixia. As próximas etapas serão testar a segurança da abordagem EVA com um entendimento mecanístico mais profundo pelo qual ela funciona; e estabelecer a eficácia em humanos em um ambiente clínico," prevê Takanori Takebe, autor correspondente do estudo.

O suporte respiratório terapêutico convencional compreende protocolos tecnológicos complexos, como ventiladores e pulmões artificiais. A atual pandemia de SARS-CoV-2 destacou a grande necessidade de desenvolvimento de alternativas menos invasivas, como o EVA, para suporte de curto prazo da função respiratória. Essas novas descobertas dos pesquisadores da TMDU podem abrir caminho para novas estratégias de ventilação no futuro.

Proibido dar risada: Coreia do Norte restringe demonstrações de felicidade por 11 dias

  • Bahia Notícias
  • 20 Dez 2021
  • 11:05h

Foto: Eric Lafforgue / Hypeness

O governo da Coreia do Norte decidiu proibir que qualquer pessoa no país demonstre qualquer sinal de felicidade pelo período de 11 dias. A medida foi anunciada em meio às homenagens pelo aniversário de 10 anos de morte do ex-ditador Kim Jong-il, pai do atual ditador norte-coreano Kim Jong-un.

De acordo com a GloboNews, as restrições impostas pelo governo incluem a proibição explícita de dar risadas e de consumir bebidas alcoólicas durante o período de luto pela morte do ex-ditador.

Na última sexta-feira (17), data exata do aniversário de morte de Kim Jong-il, os norte-coreanos foram proibidos inclusive de fazer compras.

Insatisfação contra democracia é desafio do nosso tempo, diz Biden em abertura de cúpula

  • por Rafael Balago | Folhapress
  • 09 Dez 2021
  • 14:38h

Foto: Divulgação / Casa Branca

As dificuldades enfrentadas pela democracia atualmente são o desafio definidor do nosso tempo, disse Joe Biden, presidente dos EUA, ao dar início à primeira Cúpula da Democracia, evento organizado pelo governo americano que pretende buscar novas formas de garantir a participação popular na política.
 

Em sua fala, Biden citou autocratas que tentam ampliar seu poder à força e o aumento da polarização política. "Estamos muito preocupados com toda a crescente insatisfação das pessoas pelo mundo com governos democráticos. Elas sentem que [os líderes] estão falhando em atender suas necessidades. Na minha visão, este é o desafio definidor do nosso tempo", disse o democrata, na manhã desta quinta (9).
 

O líder americano estava em uma mesa, em frente a um telão que reunia videochamadas dos mais de 100 líderes estrangeiros participantes. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL), era um dos espectadores.
 

"A democracia precisa de defensores. Quis organizar esta cúpula aqui nos Estados Unidos porque sabemos que renovar nossa democracia e fortalecer nossas instituições democráticas requerem esforço constante. A democracia na América está em uma luta contínua para manter nossos ideais elevados e curar nossas divisões", disse Biden. "A democracia não acontece por acidente. Precisamos renová-la a cada geração".
 

Biden anunciou que os EUA planejam gastar US$ 224 milhões no ano que vem para estimular a transparência e o acompanhamento público das ações do governo. Sobre liberdade de imprensa, que o democrata chamou de "pedra fundamental da democracia", será criado um fundo internacional para ajudar meios de comunicação independentes. Haverá também outro fundo para ajudar jornalistas investigativos que sejam alvo de processos ao fazerem seu trabalho.
 

Novos anúncios de programas devem ser feitos ao longo do evento. A cúpula tem como eixos o combate ao autoritarismo, luta contra a corrupção e ampliação do respeito aos direitos humanos.
 

Cerca de 110 países foram convidados para o evento, que terá a maior parte das conversas feita de modo virtual. Bolívia, China, Hungria e Rússia são alguns dos governos que ficaram de fora. A China tem feito ataques ao evento e diz que os EUA não podem se considerar a instância global que determina unilateralmente quem é, ou não, democrático.
 

Biden tem reconhecido que os EUA também enfrentam desafios com a democracia em seu próprio território e dito que os americanos buscam criar um encontro de troca de experiências entre vários países, sem imposições.
 

Após a fala do presidente, teve início uma reunião virtual prevista para durar duas horas entre os líderes dos países, a portas fechadas. A primeira hora será liderada pelo presidente americano, e a segunda, por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia.
 

Depois, haverá debates abertos ao público sobre como reforçar a democracia, recuperar instituições após a pandemia e combater a corrupção. As discussões terão participação de governantes, especialistas e outros representantes da sociedade.
 

Na sexta (10), as atividades começam às 6h (8h em Brasília), com discurso de António Guterres, secretário-geral da ONU. Em seguida, haverá debates sobre proteção aos direitos humanos, combate ao autoritarismo e uso da tecnologia. Às 13h30 (15h30), Biden fará a fala de encerramento da cúpula.
 

Ao longo dos dois dias, serão exibidos, via internet, vídeos gravados com discursos dos líderes mundiais, nos quais eles devem dizer seus compromissos para reforçar a democracia. O vídeo com a fala de Bolsonaro não foi incluído na relação do material a ser exibido nesta quinta, e a programação de sexta ainda não foi divulgada.
 

No documento que formaliza os compromissos do Brasil, enviado aos organizadores da cúpula antes do evento, o governo brasileiro acusa a mídia tradicional de desinformação e pede liberdade de expressão na internet para vozes de diferentes ideologias.
 

Como na Cúpula do Clima, realizada em abril, a ideia é que os países façam um monitoramento conjunto dos avanços uns dos outros, sem que esteja claro quais seriam as punições em caso de retrocessos.
 

Apenas uma brasileira foi chamada para participar dos debates públicos oficiais do encontro. Na quarta (8), a ativista Patricia Zanella esteve em uma sessão sobre como ampliar a participação feminina na política. As apresentações da cúpula podem ser assistidas no site do evento, que oferece tradução em português.