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A importância de uma recomendação universal em saúde pública – o uso do fio dental – foi recentemente posta em cheque quando o governo dos Estados Unidos removeu a orientação de suas diretrizes alimentares. A justificativa é de que a efetividade do hábito nunca foi devidamente comprovada pela ciência. Se até o fio dental, até então apontado como item obrigatório de saúde bucal, passou por esse questionamento, que outras práticas de higiene podem não ter benefícios para a saúde comprovados ou até ser prejudiciais? O G1 ouviu especialistas e consultou a literatura científica para avaliar a eficácia de alguns hábitos de limpeza:
Sabonete antimicrobiano
Os sabonetes antimicrobianos ou antissépticos prometem eliminar grande parte das bactérias da superfície da pele. Isso, porém, não significa uma redução do risco de doenças, segundo uma revisão de estudos publicada na revista “Emerging Infectious Diseases”, dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (EUA).Segundo a pesquisa, profissionais da saúde que usaram sabonetes antimicrobianos por um longo período de tempo tiveram até um aumento no número de micro-organismos nas mãos, efeito relacionado ao declínio da saúde da pele decorrente do uso do produto. Lavar as mãos continua sendo essencial para reduzir os riscos de infecções, porém um sabonete comum já é suficiente para isso, de acordo com os especialistas. Segundo o médico Marcos Antonio Cyrillo, integrante do Comitê de Resistência Antimicrobiana da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), outro problema importante relacionado a esse produto é o risco de estimular a resistência bacteriana. “O uso indiscriminado e contínuo pode tornar as bactérias mais resistentes a antibióticos”, diz o especialista. Segundo a publicação do CDC, casos de resistência bacteriana em decorrência do uso de antimicrobianos já foram reportados na Inglaterra e no Japão. “A população geral não tem indicação de uso de sabonetes antimicrobianos. Esses produtos devem ser utilizados só sob prescrição de um profissional médico. Caso contrário, o uso não trará benefícios”, observa Cyrillo.
Álcool em gel
Especialistas recomendam o uso do álcool em gel em momentos em que a pessoa não pode lavar as mãos com água e sabão. O produto não tem potencial de desenvolver resistência bacteriana e outras vantagens incluem boa atividade microbicida e praticidade. Segundo a revisão publicada pelo CDC, o uso do produto evita danos provocados pelo sabão e pela fricção do excesso de lavagens. Para a dermatologista Natalia Cymrot, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), pode ser uma boa ideia para pessoas que têm o hábito de lavar as mãos muitas vezes por dia substituir algumas das lavagens pelo uso do álcool em gel para evitar irritações e descamações por conta do excesso de lavagens.
Bucha
O uso da bucha pode parecer uma boa ideia para garantir uma limpeza maior durante o banho, mas não é recomendado pela SBD. “Na verdade, ela retira a camada de hidratação que a pele produz. Para peles mais secas, isso pode ser muito ruim. A bucha é útil em caso de crianças em regiões muito sujas e que são mais difíceis de limpar. No dia a dia, o recomendado é tomar banho apenas com sabonete em pouquíssima quantidade, fazendo pouca espuma”, diz Natalia. O número de banhos também deve ser limitado, segundo a especialista: no máximo dois por dia e, de preferência, usar apenas água no segundo banho. “Uma coisa que vemos bastante é irritação e descamação por excesso de lavagens, o que chamamos de dermatite de contato irritativa.”
Produtos de higiene feminina
O sabonete íntimo feminino tem como principal característica o pH mais ácido, que se aproxima do pH da mucosa vaginal, por isso ele é recomendado por ginecologistas como o produto mais adequado para a higiene da região. “Os sabonetes em pedra têm pH mais básico, que pode levar a abrasão, alergias e diminuir a flora fisiológica de lactobacilos que são responsáveis pela defesa contra outros micro-organismos. Os sabonetes íntimos agridem menos e colaboram para o equilíbrio da região”, diz a ginecologista Maria Elisa Noriler. Não há um consenso, porém, sobre se o uso do sabonete íntimo é realmente primordial para a manutenção da saúde genital. Alguns órgãos de saúde, como o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), recomendam apenas o uso de sabão comum sem fragrância. Há outro produto que vem se popularizando que não é bem visto por profissionais da saúde: o desodorante íntimo. “Tem que ter muito cuidado. Muitas pacientes podem desenvolver processo alérgico, em alguns casos com vermelhidão, inchaço e prurido intenso”, diz Maria Elisa. “Se for usar algum produto desse, mesmo que identificado no rótulo como antialérgico, é preferível aplicá-lo na região da virilha e não na mucosa.”
Hábitos de higiene são importantes
A discussão de que o excesso de limpeza pode, em algumas situações, ser prejudicial para a saúde teve origem principalmente na “hipótese da higiene”, proposta pelo pesquisador britânico David Stracan no fim da década de 1980. A teoria sugere que a exposição a micro-organismos e a infecções pode proteger contra alergias e que, portanto, o excesso de limpeza poderia estar ocasionando um aumento incomum das alergias. Mas, apesar de práticas excessivas realmente serem prejudiciais, manter a higiene continua sendo uma recomendação importante para evitar infecções. Lavar as mãos antes e após ir ao banheiro, antes de preparar alimentos ou de se alimentar, depois de tossir ou espirrar são práticas altamente recomendadas.
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Cientistas da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, estão realizando um estudo para provar uma tese: para eles, os microrganismos do intestino de cães podem ter efeitos positivos sobre os corpos de seus donos. Para provar a proposição, os pesquisadores estão recrutando voluntários para participar da pesquisa. O foco será no efeito que os cachorros têm para a saúde de pessoas com mais de 50 anos. Os participantes irão receber em suas casas a companhia de um animal durante o período de três meses. Os Cientistas têm como modelo o sistema digestivo humano, que habita mais de 500 tipos de bactérias boas e ruins; e vão explorar se viver ao lado de um cachorro, e receber beijos, incentiva o crescimento de microrganismos bons no intestino humano capazes de melhorar a saúde física e mental de adultos mais velhos.
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Isaquias Queiroz, triplo medalhista na canoagem pelo Brasil, perdeu um dos rins aos 10 anos. Ele subiu em uma árvore, se desequilibrou e caiu em cima de uma pedra. Mesmo com apenas um dos órgãos, o baiano se tornou um atleta de alto rendimento e vencedor de Olimpíada. Até onde perder um rim pode comprometer a saúde? O G1 conversou com a nefrologista Leda Aparecida Daud Lotaif, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Ela diz que a perda de um dos órgãos por escolha - caso de transplante - ou por trauma não compromete a vida de um indivíduo saudável e não há qualquer tipo de restrição.
“Não tem problema. A pessoa consegue viver perfeitamente com um rim só. O órgão que permanece no corpo sofre o que chamamos de uma hipertrofia. Esse rim aumenta de tamanho e, inclusive, consegue aumentar as funções para compensar o que foi retirado”, disse. Segundo Lotaif, essa compensação ocorre de forma natural. “Quanto mais cedo você perde o rim, como é o caso desse atleta que perdeu na infância, mais rápido o rim que permaneceu vai se recuperar”. Lotaif alerta que pacientes com só um dos órgão precisam, apesar de não ter consequências na rotina, fazer um trabalho de prevenção. “Se ele tiver doenças que possam acometer os rins, como diabetes e pressão alta, que são doenças sistêmicas que comprometem as funções, poderá ter uma vulnerabilidade maior”. A nefrologista recomenda que sejam feitos exames regulares de sangue, urina e imagem (ultrassom), mas diz que isso vale para todos os pacientes, incluindo aqueles com dois rins. É também importante ter um controle da pressão arterial e do índice glicêmico. Os casos mais comuns de retirada de um dos órgãos ocorrem devido a transplantes, tumores, pedras nos rins e traumas. A perda do órgão de Isaquias é decorrente de um acidente grave, com hemorragia interna após a queda. “No caso dele, ele sofreu um trauma forte. Você precisa ter um trauma importante na região lombar”. “No esporte dele, ele não tem tanta possibilidade de ter um impacto na região renal. O que a gente orienta para pessoas como ele, que são portadoras de rim único, é que evitem essas atividades que possam levar a perda do outro rim por trauma. Se ele fosse um jogador de futebol, a gente orientaria a não jogar”, completou. De acordo com a médica, é mais arriscado para um paciente de rim único ser um atleta de esportes como basquete, artes marciais e futebol, em que há risco de acidente na região lombar.Como cuidar bem dos rins
- Medir a pressão arterial
- Fazer exames de sangue e urina
- Tomar muita água
- Dieta com pouco sal - o correto é comer 1 grama no almoço e 1 grama no jantar
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Cerca de 361 mil crianças foram levadas a serviços de emergência nos Estados Unidos entre 1990 e 2010 por ferimentos ocorridos em carrinhos ou em outros equipamentos para transporte, como cangurus, segundo um estudo publicado nesta semana na revista médica "Academic Pediatrics"."São mais de 17 mil lesões por ano, o que é equivalmente a cerca de 50 crianças todos os dias, ou duas lesões por hora", disse a autora do estudo, Kristin Roberts, do Instituto de Pesquisa no Hospital Nacional Infantil em Columbus, Ohio. "Eu os uso para transportar minhas crianças em atividades cotidianas, mas queríamos ver que tipo de lesões estão ocorrendo", disse Kristin à Reuters. Para a pesquisa, os pesquisadores usaram informações sobre lesões relacionadas a carrinhos ou cangurus entre crianças de anos ou menos registrados no Sistema Eletrônico Nacional de Lesões entre 1990 e 2010. "São lesões sérias o suficiente para requerer idas ao serviço de emergência", diz a pesquisadora.
Os autores do estudo encontraram informações de 360.937 crianças tratadas em serviços de emergência por lesões provocadas por carrinhos ou cangurus durante esse período.
Cabeça e rosto estão mais vulneráveis
As emergências foram mais comuns entre meninos com menos de 1 ano de idade. A cabeça e o rosto são os locais com mais probabilidade de serem afetados. Cerca de 40% das crianças que sofreram acidentes em carrinhos tiveram ferimentos dos tecidos moles, como hematomas, seguidos por 25% de lesões traumáticas do cérebro ou concussões. Em cangurus, cerca de 48% das crianças foram diagnosticadas com lesões nos tecidos moles e 35% com lesão traumática do cérebro ou concussões. Cerca de 7% das crianças em acidentes com cangurus foram hospitalizadas, comarado cmo cerca de 2% das que tiveram acidentes em carrinhos. Os pais podem tomar algumas precauções simples para manter suas crianças seguras em carrinhos e cangurus, segundo Kristin. Elas incluem assegurar-se de que a criança está com o cinto afivelado durante cada uso. Pais também devem estar atentos a qualquer coisa que possa inclinar ou derrubar o equipamento, como pendurar nele objetos pesados como bolsas ou colocá-lo em superfícies elevadas.
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Filho de lavradores se forma em medicina no Piauí (Foto: Alessandro Gomes/arquivo pessoal)
Festa, alegria e formatura em uma das profissões mais disputadas do mercado. Quem vê Luciano Carlos hoje nem imagina o que ele passou para conseguir se formar em medicina pela Universidade Estadual do Piauí(Uespi). Filho de lavradores e natural do município de Valença do Piauí, o agora médico sempre estudou em escola pública na zona rural, mas nunca viu isso como empecilho para a realização de seu sonho.“Minha vida nunca foi fácil, mas nunca passei fome. Meus pais sempre foram muito batalhadores, nunca me deixaram faltar nada. Me ensinaram a não desistir, e depois de tudo que eu consegui, pra mim nada é impossível, quem quer consegue”, disse.
O terceiro de quatro irmãos, Luciano sempre gostou de estudar, mesmo com os perigos de ir para escola à noite, e de bicicleta. Os pais o incentivaram a lutar pelos seus sonhos e foi no ensino médio que ele teve certeza do que queria para o futuro: ser médico. Dentro de casa, o estudante era apoiado pela família, mas quem via de fora, não acreditava na sua capacidade. Contra o que todos achavam, em 2009, Luciano tornou-se o primeiro estudante de escola pública da zona rural da sua cidade a ingressar no curso de Medicina na Uespi, segundo a Pró-Reitoria de Graduação. Foi nessa época que ele deixou a cidade natal e mudou-se para Teresina para fazer o curso. “A princípio foi um choque de realidade, sabendo das minhas limitações financeiras, o primeiro medo foi esse. Eu ia mudar de cidade e passar seis anos (período do curso) só gastando. Eu e minha família nos preocupamos com isso, mas graças a Deus depois da minha aprovaçã,o a situação começou a melhorar e o meu medo foi diminuindo”, contou. Durante o curso, Luciano conta que sua renda era composta por ajudas, em parte pelos pais, outra parte por uma instituição filantrópica de Teresina e, a partir do quarto semestre de curso, também por remuneração de estágios feitos por ele. “Eu tive ajuda, e acredito que se não tivesse tido, não teria conseguido me formar. Sou muito grato por todas essas pessoas. Fui acolhido, tive casa e alimento da pessoa que também é responsável pelo local onde minha família mora”, conta. Outro receio era de como as pessoas poderiam olhar para ele, e surpresa foi grande ao chegar à sala de aula. “Fui muito bem recebido por todos os professores e principalmente pelos meus amigos de turma. Durante a primeira semana, aonde eu chegava, batiam palmas. Tive uma recepção bem calorosa e foi bom, porque era um local novo pra mim”. Apesar da recepção, tinha algo que Luciano não estava preparado: a sua vida social. “Devo dizer que deixei um pouco a desejar. Talvez eu pudesse ter relaxado um pouco mais. Mas era uma coisa minha mesmo, de apenas estudar, afinal era pra isso que eu tinha saído de casa. Meus amigos sabiam como era o ambiente acadêmico e como lidar com tudo isso. Eu não. Então, principalmente no começo, me tranquei muito. Hoje eu já consigo achar um tempo pra mim”, falou. Em relação ao futuro, Luciano pretende especializar-se em otorrinolaringologia. “Vou tentar residência em Teresina e em outros estados também. Espero conseguir passar em Teresina, se não, vou para onde Deus me levar”, disse. Luciano disse acreditar que outros jovens possam conseguir assim como ele, alcançar a realização profissional. “Para aqueles jovens que estão na zona rural e sonham em se profissionalizar, digo que independente da carreira que deseje seguir, não desista, lute, mas sempre com humildade, dignidade, competência, porque ele pode sim conseguir”, completa.
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Depois que a jovem Juliana Bardella, de 22 anos, relatou nas redes sociais que desenvolveu uma trombose venosa cerebral e foi internada após usar pílula anticoncepcional, muitas usuárias começaram a manifestar dúvidas sobre o uso desse medicamento. Veja abaixo respostas aos principais questionamentos baseadas em informações do presidente da Sociedade Brasileira e Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (Sogia), José Alcione Macedo Almeida, do presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Ivanésio Merlo, e do presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, César Eduardo Fernandes.
O que é a trombose venosa?
De acordo com a SBACV, é uma doença causada pela coagulação do sangue no interior das veias em um local ou momento não adequados -- não adequado porque a coagulação é um mecanismo de defesa do organismo. As veias mais comumente atingidas são as dos membros inferiores (cerca de 90% dos casos). Os sintomas mais comuns são inchaço e dor. O angiologista Ivanésio Merlo diz que, para ocorrer trombose venosa, é preciso que ocorra uma das três situações: trauma vascular, estase venosa (má circulação) ou alteração do poder de coagulação sanguínea.
Se eu tomar pílula, é verdade que terei mais risco de ter trombose?
Sim. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mulheres que usam anticoncepcionais contendo drospirenona, gestodeno ou desogestrel (caso das pílulas) têm um risco de 4 a 6 vezes maior de desenvolver tromboembolismo venoso, em um ano, do que as mulheres que não usam contraceptivos hormonais combinados. De qualquer forma, segundo os médicos especialistas, se não há outros fatores de influência, o risco ainda assim é pequeno. “Os benefícios dos anticoncepcionais na prevenção da gravidez continuam a superar seus riscos. Além disso, os riscos de eventos como trombose envolvendo todos os contraceptivos orais combinados é conhecidamente pequeno”, informou a Anvisa. Mesmo com a pequena chance, a possibilidade de efeitos colaterais é o principal argumento dos médicos para que as mulheres não escolham a pílula por conta própria. Antes de receitar o anticoncepcional ideal, o ginecologista deverá fazer um questionário para ver se a paciente tem alguns dos fatores que podem desencadear problemas pelo uso da pílula e aumentar a probabilidade de ter uma trombose, entre outras doenças. Ainda segundo a Anvisa, “antes do início do uso de qualquer contraceptivo, deve ser realizado minucioso histórico individual da mulher, seu histórico familiar e um exame físico incluindo determinação da pressão arterial. Exames das mamas, fígado, extremidades e órgãos pélvicos, além do Papanicolau, devem ser conduzidos”. Esses procedimentos devem ser feitos uma vez por ano. O ginecologista José Alcione Macedo Almeida diz que é importante também perguntar se a paciente toma qualquer outro medicamento que possa interagir com os hormônios da pílula. “Pacientes que tomam anticoagulantes exatamente pra evitar a trombose, é lógico, a gente evita [a pílula]”, disse.
Quem deve evitar tomar a pílula?
Fumantes, mulheres com histórico de trombose na família, pacientes com enxaqueca frequente, obesas, diabéticas, entre outros fatores. Mulheres sedentárias também podem apresentar algum efeito colateral, assim como aquelas pacientes que têm dores de cabeça com pequenos lampejos (cefaleia precedida de aura) -- quando a mulher vê “estrelinhas, raios de luz”. Os médicos apontam que aquelas que têm mais de 35 anos e são fumantes estão proibidas de usar pílula. Almeida explicou que “estatisticamente é muito pequena a taxa de pacientes muitos jovens que têm qualquer fenômeno trombótico sem nenhum antecedente”. Ele alerta, no entanto, que o cigarro é o fator que para as meninas mais jovens é o mais problemático. “Você pode pegar uma paciente de 20 anos. Ela não tem nenhuma história agravante de risco, mas ela sendo fumante já dobra o risco de ter um fenômeno de trombose”, disse Almeida.
Quais são os efeitos colaterais confirmados pelos médicos?
Os médicos alertam que nem todas as mulheres que consomem a pílula terão esses efeitos colaterais. Há, no entanto, a chance de desenvolver trombose, dor de cabeça, enxaqueca, maior retenção de líquido, ganho de peso. Sobre a diminuição da libido, o ginecologista César Eduardo Fernandes diz que é preciso analisar caso a caso, já que muitas vezes há outras questões que podem ocorrer na vida da mulher que tiram a vontade de fazer sexo.
Há algum efeito colateral positivo pelo consumo da pílula?
Sim. O remédio pode reduzir o risco de câncer de mama e de ovário. Há, no geral, uma redução da acne nas mulheres. O medicamento pode reduzir as cólicas menstruais e a tensão pré-menstrual. O ciclo menstrual fica mais regular. “Qual é a melhor pílula para se tomar? Não tem a melhor pílula, todas elas têm progesterona e/ou estrogênio. Dificilmente o médico recomenda alguma coisa que pode resolver outra doença e não haja um efeito colateral, mesmo que pequeno”, explica Merlo.
Há algum exame que comprove que a minha trombose foi causada pela pílula?
Não. Os especialistas apontam a pílula como causadora da trombose após fazer uma exclusão de outros fatores. Se a paciente fuma muitos cigarros por dia, por exemplo, é um fator que também aumenta as chances da trombose -- unido ao uso da pílula, pior ainda. De qualquer forma, quanto mais fatores de risco para a trombose a paciente tiver, maior será a chance de desenvolver a doença. O uso da pílula é apenas um deles.
Quais outros métodos contraceptivos podem ser utilizados?
Todos os métodos que apresentam os hormônios citados acima têm os mesmos riscos da pílula. Por isso, os médicos recomendam o uso da camisinha como o melhor método anticoncepcional do mercado. Há também o DIU de cobre e o diafragma, por exemplo. É importante ir ao médico e checar outros fatores de risco também desses outros contraceptivos.
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Assim como o acesso à tecnologia propiciou que as pessoas se tornassem mais sedentárias, também fez com que exercitassem menos o cérebro para algumas atividades. Para estimular os alunos, escolas em todo o País estão adotando métodos que dizem ser uma "ginástica cerebral", que incentiva a memorização, a concentração e o cálculo mental. As aulas fazem uso de jogos de tabuleiros e do soroban, instrumento japonês utilizado para o cálculo. "As crianças estão muito envolvidas no mundo virtual. Uma realidade que, muitas vezes, não as estimula a memorizar e fazer contas. Há informações de todos os lados, impedindo a concentração. Isso é muito prejudicial para o ensino", diz Adriani Magalhães, coordenadora do colégio Aprendendo a Aprender, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. A escola vai começar, a partir de agora, no segundo semestre letivo, a dar aulas de estímulo cerebral para os alunos de 5 a 10 anos.
As aulas de "ginástica cerebral" no colégio seguem o método da empresa Supercérebro, que já capacitou professores para esse tipo de atividade em 120 escolas do País. Os alunos terão uma aula por semana, como atividade extracurricular. "A aula é ao mesmo tempo muito desafiadora e leve. Os alunos são estimulados a pensar, trabalhar em conjunto, fazer cálculos mentais, mas nem percebem, porque estão brincando", afirma Adriani. O colégio Aprendendo a Aprender faz parte do grupo A Educacional, que tem outras três escolas em São Paulo - todas vão começar a usar o método neste ano. "Nós queríamos um diferencial para o nosso ensino, porque a calculadora atrofiou a cabeça dos jovens. Queremos estimulá-los a pensar, porque isso vai trazer benefícios para todas as disciplinas e todas as etapas de ensino", afirma Gustavo Lian, presidente do grupo. Ajuda no vestibular. Igor Ferreira, de 18 anos, está estudando para o vestibular e começou neste ano a fazer a "ginástica cerebral" nas escolas do Supera, empresa que também montou um método que usa jogos e o soroban. Ele tem aula uma vez por semana e disse que o principal benefício até agora foi a melhora na concentração. "O soroban é bastante complicado, por isso, exige concentração total e senti que consegui levar isso para os meus estudos. Também me ajudou a fazer contas matemáticas de cabeça, o que pode ser uma grande vantagem no vestibular, por agilizar a resolução de exercícios", afirma ele. Além das aulas no cursinho, Ferreira estuda até quatro horas por dia em casa. Ele tenta vaga em Engenharia Mecânica em universidades públicas.
Habilidades
Além de 200 escolas próprias em todo o Brasil, o Supera também capacitou professores de outros colégios para aplicar o método em 30 mil alunos. Segundo a diretora pedagógica da escola, Solange Jacob, o método ajuda a criança a desenvolver habilidades como o cooperativismo, o pensamento estratégico, a sociabilidade, a concentração e a memorização, que futuramente deverão ajudá-la a aprender melhor. "Todos nós temos capacidade de aprender, mas com algumas ferramentas podemos aprender mais e melhor", afirma. O colégio Irene Bargieri, em Peruíbe, no litoral paulista, adotou o método do Supera no início deste ano para os estudantes do 6.º ano do ensino fundamental ao 3º do ensino médio. "O maior benefício que vimos até agora foi ver alunos que iam mal em algumas disciplinas ganhar confiança ao se destacar nos jogos e com esse método diferente de ensino", afirma Maria Cristina Quaglio, professora de Matemática do colégio e que também dá as aulas da "ginástica cerebral". Base. Para Rogério Chaparin, professor do Centro de Aperfeiçoamento do Ensino de Matemática (Caem) da USP, estimular o pensamento lógico e estratégico em crianças a partir dos 4 anos é importante para que elas tenham uma "base sólida" para aprender os conceitos matemáticos, que depois serão aplicados em outras disciplinas da área de Exatas. "As escolas precisam mudar o seu objetivo. Elas valorizam muito que o aluno aprenda o conteúdo e se preocupam pouco em desenvolver habilidades, como, por exemplo, o pensamento matemático", diz. Chaparin afirma que métodos como a "ginástica cerebral" são positivos, sobretudo para crianças, desde que elas não sejam pressionadas a apresentar resultados rápidos. "Os pais e professores precisam ter claro que esse é um processo a médio e longo prazo. Pressionar a criança pode ter efeito reverso e criar uma aversão ao ensino", acredita.

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Aproximadamente 77 milhões de recém-nascidos não são amamentados na primeira hora de vida, deixando de receber nutrientes e anticorpos e sendo privados do contato corporal com suas mães, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Este primeiro contato corpo a corpo é essencial para protegê-los de doenças e para contribuir com o sucesso da amamentação. France Bégin, assessora sênior de Nutrição do Unicef, afirma que se todos os bebês fossem alimentados apenas com leite materno desde o momento do seu nascimento até os seis meses de idade, mais de 800 mil vidas seriam salvas a cada ano. Quanto mais se atrasa o início da amamentação, maior é o risco de morte no primeiro mês de vida. Atrasar o aleitamento materno entre duas e 23 horas após o nascimento aumenta em 40% o risco de morte nos primeiros 28 dias de vida. Atrasá-la por 24 horas ou mais aumenta esse risco em 80%. De acordo com o manual de aleitamento materno do Comitê Português para o Unicef, o leite materno previne infecções gastrointestinais, respiratórias e urinárias, além de ter efeito protetor sobre as alergias.
No que diz respeito às vantagens para a mãe, amamentar ajuda o útero a voltar ao seu tamanho normal e reduz as probabilidades de câncer de mama. A recomendação da OMS é de que o aleitamento materno seja exclusivo até o sexto mês e se estenda até os 2 anos ou mais, aí já com a introdução de outros alimentos, como frutas, legumes, verduras e carnes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a amamentação comece ainda na primeira meia hora após o parto. No entanto, apenas metade de todos os recém-nascidos no mundo colhe os benefícios da amamentação imediata. De acordo com o Unicef, apesar dos esforços, os avanços na amamentação na primeira hora de vida têm sido lentos. Na África Subsaariana, por exemplo, onde as taxas de mortalidade de menores de cinco anos são as mais altas do mundo, o aleitamento materno precoce cresceu apenas 10 pontos percentuais desde o ano 2000. Na Ásia Meridional, onde as taxas de iniciação precoce de aleitamento materno triplicaram, passando de 16% em 2000 para 45% em 2015, o aumento está longe de ser suficiente: 21 milhões de recém-nascidos ainda têm de esperar tempo demais para serem amamentados. A análise do Unicef mostra que as mulheres não estão recebendo a ajuda de que necessitam para iniciar o aleitamento materno imediatamente após o nascimento, mesmo quando um médico, enfermeiro ou parteira assiste o parto. No Oriente Médio, no Norte da África e na Ásia Meridional, por exemplo, as mulheres que têm filho com o auxílio de uma parteira qualificada estão menos propensas a iniciar o aleitamento materno na primeira hora após o parto se comparadas àquelas que dão à luz com o apoio de parteiras não qualificadas ou familiares. Outro motivo que dificulta a amamentação precoce é o hábito de alimentar os bebês com outros líquidos ou alimentos. Em muitos países, é costume alimentar o bebê com fórmula infantil, leite de vaca ou água com açúcar nos três primeiros dias de vida. Quase metade de todos os recém-nascidos é alimentada com esses líquidos. Quando os bebês recebem alternativas menos nutritivas do que o leite materno, eles mamam com menos frequência, fazendo com que seja mais difícil para as mães o início e a continuidade do aleitamento. No mundo todo, apenas 43% dos bebês com menos de seis meses de idade são amamentados exclusivamente. Bebês que não são amamentados têm 14 vezes mais probabilidade de morrer do que aqueles que são alimentados apenas com leite materno, de acordo com o Unicef. No entanto, qualquer quantidade de leite materno reduz o risco de morte. Bebês que não recebem nenhum leite materno têm sete vezes mais chance de morrer de infecções do que aqueles que receberam pelo menos alguma quantidade de leite materno nos seis primeiros meses de vida.
Semana Mundial da Amamentação
A Semana Mundial da Amamentação é comemorada este ano entre 1º e 7 de agosto. A data é celebrada desde 1992 por iniciativa da Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba, a sigla em inglês), órgão consultivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Com o tema “Amamentação: uma chave para o desenvolvimento sustentável” e com o slogan “Amamentação: faz bem para o seu filho, para você e para o planeta”, a cerimônia oficial alusiva à semana será realizada amanhã (6), às 11h, na Casa Brasil das Olimpíadas, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro.

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Tumor encontrado no fóssil de um hominídeo que viveu quase 2 milhões de anos na África do Sul pode se tratar do caso de câncer mais antigo de que se tem notícia. Através de técnicas avançadas de raio-X, foi possível identificar câncer no pé do fóssil de um hominídeo da espécie Paranthropus, encontrado na caverna de Swartkrans, na África do Sul. A descoberta foi publicada no South African Journal of Science por uma equipe de antropólogos da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburgo, na África do Sul. Técnicas avançadas de raio-X permitiram a identificação do câncer no pé do fóssil de um hominídeo da espécie Paranthropus, encontrado na caverna de Swartkrans, na África do Sul. Antes dele, o tumor considerado mais antigo era o de um hominídeo africano da espécie Homo erectus, encontrado no fragmento da mandíbula de um fóssil que data de 1,5 milhão de anos.
Há especialistas, no entanto, que afirmam que a estrutura encontrada no rosto no dele, na verdade é resultado de uma fratura e não de um tumor. A descoberta rebate a premissa de alguns especialistas, que consideram que cânceres são exclusivos das sociedades modernas. Embora fatores como maior expectativa de vida e outras características do mundo industrializado tenham aumentaram a incidência de cânceres e tumores na atualidade. O assunto não é unanimidade entre cientistas. Para a paleontologista Janet Monge, da Universidade da Pensilvânia, Filadélfia (EUA), embora as técnicas de imagem sejam sofisticadas, os estudos apresentam uma janela muito pequena, na detecção de cânceres e tumores em fósseis. Segundo ela, são as análises microscópicas de células de tecidos moles que confirmam o diagnóstico de câncer em pessoas atualmente, e essas células são ausentes em fósseis. Monge afirma que sem essas informações adicionais não é possível tirar qualquer conclusão sobre o que causou crescimento anormal do tecido ósseo do fóssil.
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Uma novidade criada pela estudante Maria Valoto, 16 anos, pode facilitar a vida dos intolerantes à lactose. A paranaense desenvolveu um sachê que possibilita a ingestão de leite comum, sem maiores complicações, para aqueles que possuem a restrição. A ideia surgiu de pesquisadores da universidade Unopar, de Londrina, e foi desenvolvida pela jovem, com o apoio de professores do colégio em que ela estuda, o Interativa, da mesma cidade. A cápsula do sachê guarda a enzima lactase, responsável pela "quebra" da lactose e para usá-la basta colocar no leite e esperar de quatro a cinco horas para surtir efeito. Após o período, o produto deixa de ter lactose. "O que diferencia a cápsula de todos os produtos que a gente tem, hoje, é a aplicação. A maioria dos produtos (para intolerantes à lactose) é de uso oral, você ingere o medicamento e pode consumir algo que tenha lactose. As capsulas, não: são de uso direto no leite. Então, em vez de pagar mais por um leite sem lactose, você compraria as cápsulas e o leite comum. Colocaria as cápsulas no leite com lactose e o leite se torna um leite sem lactose", explica em entrevista ao G1. Segundo a estudante, o objetivo é entregar um produto barato e simples de usar. "De todos, o maior prêmio é impactar a vida das pessoas. Quando a gente começa a pesquisar mais sobre o assunto, a gente vê a dificuldade que as famílias encontram com essa questão. Então, ver que eu estou produzindo algo que vai beneficiar muita gente é uma realização pessoal muito grande. Eu me sinto extremamente feliz", celebra. Com o projeto, ela tornou-se finalista da feira de ciências do Google, com premiação final marcada para setembro, na sede da empresa, na Califórnia.
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O chá verde é bastante consumido devido à ação antioxidante e anti-inflamatórias das catequinas, composto químico presente em sua formulação. No entanto, pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) descobriram um concorrente à altura para a bebida, com pelo menos dez vezes mais catequinas: o guaraná. "Até então, o guaraná era visto apenas como estimulante devido ao seu alto teor de cafeína, principalmente pela comunidade científica internacional. No Brasil, também observamos que havia uma escassez de trabalhos enfocando outros efeitos biológicos do guaraná. A avaliação pioneira sobre a absorção e os efeitos biológicos de suas catequinas em voluntários humanos pode aumentar o interesse da comunidade científica, do mercado e da sociedade em geral pelo fruto como alimento funcional", afirmou a coordenadora da pesquisa, Lina Yonekura, à Agência Fapesp. Durante um mês, foram realizadas duas etapas de testes. Inicialmente para medir os parâmetros de referência dos efeitos do guaraná em voluntários saudáveis, mas com sobrepeso e risco cardiovascular ligeiramente elevado, os indivíduos foram submetidos a exames clínicos após 15 dias de dieta controlada. Nos 15 dias seguintes, passaram a consumir 3 g de guaraná em pó suspenso em 300 ml de água todas as manhãs, em jejum.
De acordo com a pesquisadora, as catequinas do guaraná melhoraram o sistema de defesa antioxidante enzimático natural das células, composto principalmente pelas enzimas glutationa peroxidase, catalase e superóxido dismutase. Juntas, elas transformam superóxido em peróxido e, finalmente, em água, protegendo assim as células de danos oxidativos causados pelo próprio metabolismo e por fatores externos. "Os resultados são animadores e mostram que a biodisponibilidade das catequinas do guaraná é igual ou superior às do chá verde, cacau e chocolate, sendo suficiente para promover efeitos positivos sobre a atividade antioxidante no plasma, proteger o DNA dos eritrócitos e reduzir a oxidação dos lipídeos no plasma, além de promover um aumento da atividade de enzimas antioxidantes. Com a pesquisa, esperamos que haja um maior interesse científico pelo guaraná, já que essa é uma espécie nativa da Amazônia e o Brasil é praticamente o único país a produzi-lo em escala comercial".
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Uma equipe da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, identificou as áreas do cérebro que mais se alteram durante a adolescência. Tomografias cerebrais mostraram que são áreas associadas a processos de pensamento complexo. Os pesquisadores também descobriram uma ligação entre o desenvolvimento do cérebro do adolescente e doenças como esquizofrenia. A pesquisa foi publicada na revista especializada PNAS (Proceedings of the National Academy of Science, no original em inglês). O time do departamento de psiquiatria de Cambridge escaneou os cérebros de 300 jovens entre 14 e 24 anos.Enquanto as áreas associadas com o funcionamento básico do corpo, como visão, audição e movimento, estão totalmente desenvolvidas na adolescência, as partes ligadas ao pensamento complexo e tomada de decisões ainda estão mudando.
Tais áreas são centros nervosos com várias conexões a outras partes essenciais do cérebro. Você pode imaginar o cérebro como uma malha aérea global, formada por pequenos aeroportos pouco utilizados e grandes centros de conexão como o aeroporto de Heathrow (Londres), onde há muito tráfego. O cérebro usa um arranjo semelhante para coordenar nossos pensamentos e ações. Durante a adolescência, essa rede de grandes centros é consolidada e fortalecida. É um pouco como os grandes aeroportos se tornaram gradativamente mais movimentados ao longo dos anos. Os pesquisadores então analisaram os genes envolvidos no desenvolvimento desses "hubs" cerebrais e descobriram que são similares àqueles associados com muitas doenças mentais, incluindo esquizofrenia. A descoberta corrobora o fato de que muitas enfermidades mentais se desenvolvem durante a adolescência, afirma a pesquisadora Kirstie Whitaker. "Nós revelamos um caminho da biologia das células pelo qual pessoas no final da adolescência podem ter seus prímeiros episódios de psicose", afirmou à BBC. Muitos estudos já mostraram que, além de fatores genéticos, o estresse durante a infância e adolescência está ligado à ocorrência de doenças mentais. Os novos achados indicam que maus-tratos, abusos e negligência podem continuar a prejudicar o desenvolvimento de importantes funções cerebrais durante os cruciais anos da adolescência, contribuindo para a emergência de problemas mentais. O coordenador da pesquisa, Ed Bullmore, diz acreditar que a descoberta de um elo biológico entre o desenvolvimento cerebral do adolescente e o início de doenças mentais possa ajudar cientistas a identificar grupos de risco para essas enfermidades. "Ao entendermos mais sobre o risco de esquizofrenia, isso nos dá uma oportunidade de tentar identificar indivíduos com possibilidade de se tornar esquizofrênicos no futuro próximo, nos dois ou três anos seguintes, e talvez oferecer algum tratamento útil para prevenir o aparecimento de sintomas clínicos." O estudo também ajuda a compreender melhor as mudanças de comportamento e humor do adolescente durante o desenvolvimento cerebral normal. "As regiões que mudam mais são associadas ao pensamento complexo e tomada de decisões. Isso mostra que adolescentes estão numa jornada rumo à vida adulta, para se tornarem alguém capaz de conectar todos esses fragmentos de informação", afirma Whitaker. "É uma etapa muito importante. Você provavelmente não gostaria de ser criança por toda a vida. É uma fase poderosa e importante que devemos passar para nos tornarmos o melhor e mais capacitado adulto que possamos ser."
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Pelo menos uma hora de atividade física diária é necessária para resistir aos efeitos negativos de ficar sentado durante oito horas, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira (28) pela revista médica britânica "The Lancet". A pesquisa, que analisou dados de 16 relatórios anteriores sobre pessoas com mais de 45 anos dos EUA, Europa Ocidental e Austrália, concluiu que os cidadãos que levam uma vida sedentária contam com uma probabilidade mais alta de risco de morte. Um grupo de especialistas internacionais verificou que aqueles que se sentam durante oito ou mais horas por dia e fazem pouca atividade física têm um risco de 9,9% de morrer em um período de entre 2 e 18 anos. Já as pessoas que passam menos de quatro horas sentadas e fazem exercício durante pelo menos 60 minutos por dia, tem o risco de morrer nesse período reduzido em até 6,8%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha 150 minutos de exercício por semana, mas a publicação britânica, baseada em dados de mais de um milhão de pessoas, qualificou a recomendação de "insuficiente".
O principal autor do estudo, o professor Ulf Ekelund da Universidade inglesa de Cambridge, explicou que "não é preciso ir à academia" e que "é suficiente andar de manhã ou depois do jantar, mas é preciso fazê-lo pelo menos uma hora por cada dia". A pesquisa também afirmou que pelo menos 60 minutos de "exercício de intensidade moderada", como andar a uma velocidade de 5,6 km/h ou andar de bicicleta a 16 km/h seria suficiente para reduzir os efeitos de ficar sentado durante um longo período de tempo. "Não é fácil fazer exercício uma hora todos os dias, mas os adultos britânicos veem em média 3 horas e 6 minutos de televisão. Não é muito pedir que um pouco dessas três horas seja usada em atividade física", ressaltou Ekelund.
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Suco detox: dietas desitoxicantes estão cada vez mais populares (Foto: Rede Globo)
Jejuar por duas semanas, alimentar-se durante cinco dias exclusivamente de sucos ou tomar durante 48 horas um composto à base de limão, xarope de bordo e potássio. Estas são algumas das dietas desintoxicantes, também conhecidas como "detox", usadas por celebridades para perder peso e desintoxicar o organismo - e cada vez mais populares entre as pessoas comuns. De um lado, há quem diga que as dietas são fáceis de serem seguidas e permitem eliminar o que "seu corpo não necessita". "(Isso ocorre) graças a alimentos desintoxicantes, como abacaxi, aspargos, espinafre e aipo, ou ao jejum, para limpar e purificar o sistema digestivo", argumenta Nekane Ullán, especialista em nutrição clínica da empresa espanhola Dietox, que promove esse tipo de dieta. "Pode variar do jejum completo à ingestão exclusiva de verduras e frutas ou ao semi-jejum, à base de sucos e saladas. E, para que sejam eficazes, basta testá-las ao menos por um dia." De outro lado, alguns cientistas e especialistas questionam essas afirmações e garantem que, muitas vezes, são dietas perigosas, sem qualquer base científica, que usam o conceito de desintoxicação como um termo puramente comercial.
De dieta em dieta
Jesus Román, presidente da Sociedade Espanhola de Nutrição e Ciências da Alimentação e professor da Universidade Complutense de Madri, diz que são dietas "difíceis de serem seguidas", porque quem as realiza "não pratica uma única dieta, mas centenas delas". "São pessoas que não costumam comer de forma saudável e equilibrada, porque passam de uma dieta para outra, e isso é um perigo para o metabolismo", explica Roman. O que mais deixa os especialistas preocupados é a falta de evidências científicas que sustentem essa terapias de "limpeza de toxinas", como diz quem as defende. Os promotores dessas dietas rebatem dizendo que existem vários fatores que afetam o acúmulo de toxinas "no fígado, no baço e nos rins, como o ambiente, a alimentação ou a hidratação", diz Ullán. Mas o problema, afirmam cientistas, é que essas tais toxinas não existem ou, ao menos, ainda não foram comprovadas pela ciência, algo que as próprias empresas do setor reconhecem.
'Conceito inexistente'
"Não há provas científicas, porque não foram feitos estudos, e nos baseamos nas experiências próprias de nossos pacientes, que não têm como objetivo perder peso, mas sim sentirem-se mais energizados e leves", afirma Ullán. Segundo a nutricionista, as dietas detox não devem ser adotadas por pessoas com diabetes e hipertensão, crianças e grávidas e "podem ter um efeito rebote", mas o objetivo "não é compensar os excessos, mas começar a se cuidar quando se decide por uma mudança na rotina alimentar, que depois deve continuar". Os cientistas enxergam a questão de forma mais simples: dizem que estas dietas se baseiam em um conceito inexistente. "O sistema digestivo precisa de um descanso depois dos excessos, mas não existem dietas desintoxicantes. Para isso, há o fígado e os rins, que limpam as toxinas de nosso organismo", afirma Roman. Ao mesmo tempo, o especialista defende que as pessoas se sentem melhor depois de praticá-las e as recomendam, porque isso dá uma trégua ao sistema digestivo, mas que "não há qualquer fundamento científico" por trás delas. "O que nos faz sentir de fato melhor é seguir uma dieta equilibrada durante todo o ano, ou seja, uma dieta frugal, em que não se coma em excesso nem muita carne. Mas isso não tem apelo popular."
O marketing do 'detox'
Edzard Ernst, professor da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e um conhecido crítico e pesquisador da medicina alternativa, é mais incisivo. Não só defende não haver evidências científicas como também diz que as afirmações sobre as supostas toxinas são "equivocadas e perigosas" e uma questão de "puro marketing". "O conceito de detox está sendo usado como um termo comercial que vende a ideia de que as pessoas podem melhorar sua saúde com um mínimo de esforço", diz. "Minha visão não é radical, mas realista. As dietas e produtos desintoxicantes esvaziam os bolsos das pessoas e as enganam, fazendo com que acreditem que podem normalizar rapidamente uma situação irreal." Para ele, a única maneira de ser saudável é evitar certos hábitos, como beber, fumar ou comer demais. "É o jeito de se desintoxicar", argumenta.
Perigos
Adriana Alvarado, nutricionista e diretora do Centro de Nutrição Clínica da Costa Rica, define estas dietas como uma "moda" e alerta sobre seus perigos. "Dependendo do tipo de dieta e sua duração, as pessoas podem sofrer efeitos secundários, como desidratação, deficiência de nutrientes, fadiga, dores de cabeça, problemas gastrointestinais ou enjoos", diz. Essa não é a primeira vez que a comunidade científica critica o negócio das dietas desintoxicantes. Em 2009, pesquisadores da associação britânica Voice of Young Science (voz da ciência jovem, em inglês) denunciaram que a palavra detox se referia a uma enganosa estratégia de marketing. "Produziram um documento em que explicavam como o fígado e os rins são um fantástico sistema de desintoxicação e explicaram porque não é necessário gastar dinheiro com produtos caros e tratamentos desse tipo", dizem fontes da associação. A médica Harriet Ball participou do estudo, chamado The Detox Dossier (o dossiê detox, em inglês), e diz que os produtos desintoxicantes se baseiam "na ideia de que a vida moderna nos enche de toxinas invisíveis que nossos corpos não podem aguentar, a menos que compremos o mais novo remédio". "Nossa investigação nos convenceu de que existe muito pouca ou nenhuma evidência de que estes produtos funcionem, exceto para aproveitar-se do dinheiro das pessoas e desvalorizar as formas surpreendentes que nosso corpo pode desintoxicar a si mesmo."
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Praias, Resorts, restaurantes nudistas… está pouco né? Então, hora de malhar sem roupa. Isso mesmo! Em outubro, chega ao Brasil a Academy Freestyle, onde as pessoas podem e devem se exercitar completamente peladas. As mensalidades previstas para a academia, que funcionará na região do Frei Caneca, em São Paulo, são de R$ 130. Por óbvio, se você adora aquela selfie em frente ao espelho enquanto malha, lá não é o seu lugar. Os usuários não podem fazer qualquer tipo de registro fotográfico ou em vídeo. Por mais estranho que isso possa parecer, exercitar-se sem roupa não é novidade. Nos anos 60, nos Estados Unidos, quem fazia natação tinha que ficar completamente sem roupa por questão de saúde. Conforme divulgou o site Catraca Livre, outra tendência parecida acontece na Dinamarca, onde uma academia anunciou, inicialmente como piada, uma aula de “naked crossfit”. O que não esperavam é que a procura fosse ser tão grande, levando-os a realmente criar a modalidade. Particularmente, não curto nem um pouco a ideia. Primeiro porque academia é uma espaço sujo – pesquisas comprovam quantidades absurdas de bactérias por lá. Depois, porque vamos combinar, algumas posições já são constrangedoras enquanto estamos vestidos, imagine pelados! Mas, como em tudo neste mundo, pelo visto, há quem goste.