BUSCA POR "t"

Excesso de videoconferências afeta a saúde mental, dizem psiquiatras

  • Agência Brasil
  • 27 Dez 2020
  • 16:27h

Encontros virtuais produzem uma espécie de “fadiga do zoom” | Foto: LNB/Divulgação

No contexto da pandemia do novo coronavírus e do isolamento imposto para conter a disseminação da Covid-19, aumentou o uso das plataformas online de videoconferência como forma de manter o contato social entre as pessoas. Mas o excesso de encontros virtuais acabou produzindo uma espécie de “fadiga do zoom”, segundo identificou a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Para mostrar o impacto das videoconferências na saúde mental dos brasileiros, a ABP realizou a primeira pesquisa sobre o tema no período de 14 de agosto a 21 de novembro. A sondagem revela a elevação das queixas de pacientes sobre o excesso de trabalho por videoconferências nos últimos cinco meses, recebidas por 56,1% dos psiquiatras associados da ABP entrevistados.

“Os pacientes relataram que a “fadiga do zoom” é um fato na vida delas, que elas de fato aumentaram o trabalho via teleconferência e adoeceram, precisaram de ajuda”, disse à Agência Brasil o presidente da ABP, Antonio Geraldo da Silva.

O levantamento foi feito junto aos psiquiatras associados da ABP que atendem no Sistema Único de Saúde (SUS), no sistema privado e suplementar, e mostrou também que 63,3% deles perceberam um aumento de prescrição de psicotrópicos (remédios controlados) para tratar pessoas que tinham a queixa de excesso de trabalho por videoconferência. Os médicos associados da ABP notaram ainda a elevação de 70,1% da necessidade de prescreverem psicoterapia para seus pacientes também com essa fadiga.

Fato novo
“É uma situação nova, é um fato novo. Mas estamos percebendo que há um cansaço das pessoas em usar a videoconferência, porque ela retira de você toda privacidade, aumenta sua carga de trabalho e sua carga de descanso fica comprometida e isso é, realmente, adoecedor”, disse Silva.

De acordo com o presidente da ABP, as pessoas passaram a trabalhar em casa e os horários rotineiros foram rompidos. “Os chefes passaram a entender que as pessoas estão disponíveis 24 horas”. No teletrabalho, muitas vezes, as pessoas entram em uma videoconferência às 8h e saem somente ao meio-dia”, disse Silva. “Houve uma perda dos limites relacionais”.

Na avaliação do presidente da ABP, o cuidado com a saúde mental da população deve ser abrangente e direcionado a todos para haver uma mudança de pensamento e comportamento. Enfatizou que as preocupações com a onda de consequências à saúde mental derivadas da pandemia permanecem com tendência ascendente.

Segundo Silva, a agenda da saúde mental “é urgente e será um dos pilares para o bom enfrentamento às demais consequências trazidas pela pandemia. A saúde mental é a chave para enfrentarmos o cenário atual e seus desdobramentos”.

A ABP estima que há 50 milhões de pessoas com algum tipo de doença mental no Brasil. O país engloba o maior número de pessoas com casos de transtornos de ansiedade do mundo. São cerca de 19 milhões de casos, que correspondem a 9% da população. Além disso, o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo e o primeiro na América Latina em pessoas com quadros depressivos.

Filtro
Na avaliação do psiquiatra Jorge Jaber, da Associação de Psiquiatria do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), o excesso de informações pode provocar um certo cansaço mental. Ele recomenda que as pessoas utilizem um filtro, uma seleção das fontes, buscando instituições tradicionais para obter conhecimento ou tirar dúvidas.

Sobre prescrição de remédios, Jaber vê uma tendência comum nos pacientes psiquiátricos de conseguir mais receitas do que seria necessário. Neste momento de pandemia, ele atribui esse movimento a três fatores: o custo muitas vezes inacessível das consultas; a redução da capacidade do atendimento público aos pacientes psiquiátricos; e o receio do paciente de não ter o remédio à mão, em um momento de crise.

Efeito Bolsonaro?: Casamento é realizado com ostentação de armas em Goiânia

  • Redação
  • 27 Dez 2020
  • 14:31h

(Foto: Reprodução)

Um casamento em que noivos e padrinhos aparecem segurando armas viralizou nas redes sociais nesta semana. Carol Lacerda e Heffraym Malta se casaram no último sábado (19), em um espaço de eventos em Goiânia (GO). A noiva carregou uma arma Gauge 12, enquanto o noivo estava com uma PT 100 nas mãos. Os padrinhos também empunharam armamentos de diferentes calibres.

A noiva explicou a cena, um tanto quanto inusitada, em entrevista para a Marie Claire. De acordo com Carol, boa parte das armas esta airsoft, feitas com plástico com algumas partes de metal. Esse tipo de armamento atira esferas de plástico de 6 mm e serve para o treinamento de servidores de segurança.

“Inclusive esta que eu estou portanto. Meu marido é ex-servidor penitenciário e atualmente trabalha na segurança privada, além de ser cantor. A arma que ele está portando também é airsoft por ele só ter porte funcional. Todos os padrinhos [que estão na foto] têm porte. Alguns são policiais penais e outros da Guarda Civil Metropolitana (Aparecida de Goiânia e Senador Canedo). Tudo foi pensado para não infringir qualquer lei”, começou.

Vítima da Covid-19, morre aos 91 anos o ex-delegado e vereador de Dom Basílio Aristides Cambui

  • Redação
  • 27 Dez 2020
  • 11:46h

(Foto: Whatsapp)

Faleceu na noite da última sexta-feira (25), aos 91 anos, o ex-delegado e vereador do município de Dom Basílio, Aristides Cambui. Segundo informações passadas ao site Livramento Manchete, Sr. Aristides faleceu em decorrência de complicações do novocoronavírus (Covid-19). Ele estava internado na UTI de um Hospital em Vitória da Conquista. O sepultamento ocorreu ontem à noite no cemitério São João Batista, em Dom Basílio, por conta das recomendações das leis que implicam a proteção contra a Covid-19. Aristides Cambui é oriundo de Livramento de Nossa Senhora e radicado em Dom Basílio desde o ano de 1970 e casado com a Srª. Rita Pereira Oliveira, conhecida carinhosamente por “Ritinha de Aninha”. Durante sua trajetória, Cambui atuou por quatorze anos na Delegacia de Polícia do próprio município onde morava e foi vereador de 1982 a 1988. Ele deixa esposa, filhos e netos.

Cresce o número de crianças com suspeita de Covid-19: 'ampliem cuidado com seus filhos', relata secretário de saúde

  • Informações do G1/BA
  • 27 Dez 2020
  • 10:33h

(Foto: G1)

O secretário de Saúde de Salvador, Léo Prates, revelou, neste domingo (27), um crescimento no número de crianças com suspeita de Covid-19, na capital baiana.

Segundo Léo Prates, há três dias, as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) têm recebido um aumento de entradas de crianças com suspeita da doença. O ápice, de acordo com ele, foi neste domingo.

O secretário de Saúde afirmou que neste domingo, oito crianças aguardam leitos de Covid-19 na pediatria e duas na Unidade de terapia intensiva (UTI) pediátrica.

"Peço aos papais e mamães que ampliem os cuidados com seus filhos, há 3 dias as UPAS têm recebido um número cada vez maior de crianças com suspeita de COVID, com ápice hoje: 10 crianças, sendo que 2 necessitando de UTI. Os cuidados todos já sabemos: máscara, limpeza das mãos e distanciamento", disse o secretário de Saúde de Salvador.

Casos de Covid-19 na Bahia

No final da tarde de sábado (26), a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou que o estado registrou 1.349 novos casos de Covid-19 nas últimas 24h.

Segundo a Sesab, são 482.113 casos confirmados desde que a pandemia começou. Desses, 466.189 já são considerados recuperados e 6.941 encontram-se ativos. O número total de mortes, desde o início da pandemia, é 8.983 o que representa uma letalidade de 1,86%.

Tanhaçu: Polícia intensifica investigações sobre morte de mulher degolada; corpo foi encontrado em matagal

  • Redação
  • 27 Dez 2020
  • 09:56h

(Fotocomposição: Brumado Urgente)

Uma mulher ainda não identificada, de aproximadamente 35 anos, foi encontrada morta às margens da BA-142, na Fazenda Vargem Torta, zona rural da cidade de Tanhaçu, na manhã do último sábado (26),.  De acordo com a polícia, a mulher que apresentava diversas tatuagens estava em posição fetal, semi degolado, trajando calça jeans, blusa de malha e sandálias do tipo rasteira em um local absolutamente deserto. Tudo leva a crer que ela pode ser de Vitória da Conquista. O corpo foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica de Brumado.

'Não dou bola pra isso', diz Bolsonaro, sobre Brasil estar atrás na vacinação contra Covid-19

  • Renato Machado | Folhapress
  • 27 Dez 2020
  • 09:22h

(Foto: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse neste sábado (26) que não se sente pressionado pelo fato de outros países já terem começado a vacinar sua população contra o novo coronavírus, argumentando que não dá "bola pra isso".

As declarações foram dadas após um longo passeio na manhã deste sábado por Brasília, no qual ele parou em diversos momentos para falar com apoiadores. Em nenhum deles usou máscara.

"Ninguém me pressiona pra nada, eu não dou bola pra isso", disse após ser questionado por jornalistas, se havia pressão pelo fato de outros países terem começado a imunizar a população.

"É razão, razoabilidade, é responsabilidade com o povo você não pode aplicar qualquer coisa no povo", completou.

Países como Estados Unidos, Reino Unido, Chile, entre outros, começaram a aplicar vacinas contra a Covid-19 em sua população.

O presidente também voltou a afirmar que os laboratórios não se responsabilizam por efeitos colaterais das vacinas. Esse vem sendo um dos argumentos para justificar sua decisão de não assumir responsabilidade por eventuais reações adversas das imunizações.

"Tudo que eu vi até agora em vacina que poderão ser disponíveis tem uma cláusula que diz o seguinte, tá? Eles não se responsabilizam por qualquer efeito colateral", disse.

O presidente provocou aglomeração em praticamente todas suas paradas. Inicialmente, Bolsonaro parou em uma padaria e uma casa lotérica, no bairro Cruzeiro.

Depois seguiu para o Setor Militar Urbano, mas não visitou nenhuma autoridade. Parou rapidamente em uma quadra de futebol fechada, mas permaneceu poucos minutos. Em seguida, parou o comboio em uma rua, para conversar com o público.

No Sudoeste, parou em uma papelaria, onde voltou a tirar fotos com apoiadores. Saiu sem nenhum produto nas mãos.

No setor de oficinas do Sudoeste, provocou novamente aglomeração na chamada praça das Motos, quando tirou novamente fotos e cumprimentou apoiadores.

Prefeito de Vitória da Conquista é transferido para SP para tratar coronavírus

  • Redação
  • 27 Dez 2020
  • 08:29h

Herzem Gusmão foi diagnosticado com a doença no dia 7 de dezembro | Foto: Reprodução

O prefeito de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, Herzem Gusmão (MDB), foi transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no fim da tarde deste sábado (26). Gusmão está internado para tratar o coronavírus. O emedebista foi diagnosticado com Covid-19 no dia 7 de dezembro e foi internado 11 dias depois. De acordo com a assessoria do prefeito, em nota, o quadro de saúde dele é “estável com boa performance hemodinâmica, recuperando a função pulmonar após pneumonia secundária, em ventilação espontânea com necessidade de oxigênio suplementar”

Concurso da PRF é autorizado com 1.500 vagas; edital deve sair em janeiro

  • Redação
  • 26 Dez 2020
  • 11:49h

Portaria com a autorização do Ministério da Educação foi publicada no Diário Oficial da União de quinta-feira (24) | Foto: Divulgação PRF

O Ministério da Economia autorizou a abertura de 1.500 vagas para o concurso da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Segundo informações da Agência Brasil, o edital deve ser lançado em janeiro de 2021 e os agentes aprovados devem integrar a corporação já no próximo ano. O diretor-geral da PRF, Eduardo Aggio, explicou que além das 1.500 vagas imediatas, outras 500 excedentes também serão abertas, totalizando 2 mil vagas. A seleção irá contar com provas objetivas e dissertativas, análise de títulos, testes de aptidão física, avaliação psicológica, avaliação biopsicossocial, avaliação de saúde, investigação social e curso de formação. A portaria com a autorização do Ministério foi publicada no Diário Oficial da União de quinta-feira (24).

Novo secretário de Segurança Pública da Bahia testa positivo para Covid-19 e posse será virtual

  • Informações do G1/BA
  • 26 Dez 2020
  • 10:39h

Juiz federal Ricardo César Mandarino é o novo secretário da SSP-BA. — Foto: Elói Corrêa/ GOVBA

O novo secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Ricardo Mandarino, testou positivo para a Covid-19. Com isso, a cerimônia presencial de posse do cargo, que seria feita na segunda-feira (28), foi suspensa e será virtual.

De acordo com a Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia, Mandarino está bem, sem sintomas e em isolamento domiciliar. Ele foi nomeado depois que o então secretário Maurício Teles Barbosa foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), durante uma nova etapa da Operação Faroeste, no dia 14 de dezembro.

Barbosa foi exonerado no dia 15. Além dele, Gabriela Caldas Rosa de Macedo, que era chefe de gabinete da pasta, também foi afastada pelo STJ e exonerada do cargo nos mesmos dias que o secretário.

Também tomarão posse outros dois membros da SSP: a nova delegada-geral da Polícia Civil, Heloísa Brito, primeira mulher a assumir o cargo, e o novo subsecretário da pasta, Hélio Jorge. A nomeação do trio foi assinada no dia 23 de dezembro.

Ricardo César Mandarino é baiano, começou a carreira como delegado da Polícia Civil. O ex-magistrado, atuante na área criminal, é formado em Direito pela Universidade Católica de Salvador e já trabalhou nos estados de Sergipe e Pernambuco.

Também baiana, Heloísa Brito era diretora da academia de polícia quando aceitou o cargo de Diretora Geral da PC. A nova delegada geral tem cerca de 25 anos na instituição.

Já o novo subsecretário Hélio Jorge tem cerca de 30 anos no funcionalismo público e já foi diretor geral da Polícia Civil e também é natural da Bahia.

Vitória da Conquista: Herzem Gusmão segue internado e respira com apoio de oxigênio

  • Lula Bonfim
  • 26 Dez 2020
  • 09:39h

(Foto: Reprodução)

O prefeito reeleito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão (MDB), segue internado no Hospital Samur, na maior cidade do sudoeste baiano. O emedebista foi diagnosticado com Covid-19 no último dia 7 de dezembro, sendo hospitalizado 11 dias depois com uma lesão pulmonar. Segundo o boletim médico emitido pelo Samur na noite desta sexta-feira (25), Herzem segue com quadro de saúde estável, dependente de suplementação de oxigênio. Além disso, o prefeito tem feito fisioterapia. Enquanto Herzem se recupera da Covid-19, Vitória da Conquista tem sido administrada pela vice-prefeita Irma Lemos. Caso o emedebista não esteja recuperado até o dia 1º de janeiro, o município deve iniciar 2021 governado pela futura vice-prefeita, Sheila Lemos (DEM), filha de Irma.

Jaguaquara: Criança de 3 anos de idade morre em acidente de carro na BA-545

  • Redação
  • 26 Dez 2020
  • 08:55h

Foto: Reprodução / Blog Marcos Frahm

Uma criança de três anos morreu, após um motorista perder o controle da direção de um veículo e capotar, na manhã desta sexta-feira (25), na BA-545, em trecho do município de Jaguaquara, no Vale do Jiquiriçá. Outras cinco pessoas ficaram feridas. As informações são do portal G1. Conforme a polícia, a criança, que é do sexo feminino e morava na cidade de Itaquara, foi socorrida por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos. As outras pessoas envolvidas no acidente tiveram ferimentos, mas não correm risco de morte O corpo da criança foi levado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT). Não há detalhes sobre o sepultamento dela.

Identificada família que morreu em acidente a caminho de Vitória da Conquista

  • Redação
  • 26 Dez 2020
  • 08:21h

(Foto: Reprodução)

Cinco pessoas de uma mesma família morreram em um acidente na BR-135, em Montes Claros, no Norte de Minas, na manhã desta sexta-feira (25).

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, elas estavam em um carro de passeio que invadiu a contramão e bateu de frente com um caminhão-baú. A perícia foi acionada e as causas do acidente serão investigadas. O caminhoneiro não ficou ferido.

De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, a família saiu de Itapecerica da Serra (SP) com destino à Vitória da Conquista.

“No veículo, viajavam um casal com dois filhos (um rapaz e uma menina de 11 anos), e outro homem adulto, que também faz parte da família, mas ainda não sabemos o grau de parentesco. As vítimas ficaram desfiguradas e não foi possível identificar quem digira o carro”, explicou o cabo da PM Eduardo Mesquita.

O caminhoneiro foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. Os corpos das cinco vítimas foram levados para o Instituto Médico Legal de Montes Claros.

O acidente foi por volta das 10h e o trânsito foi liberado no início da tarde após retirada do carro e limpeza da pista.

Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, as vítimas são: Vanete Ramos da Cunha, 38 anos; Vinícius Ramos Cunha, 19 anos; Adelvaldo de Jesus Souza, 37 anos; Gilvan Brito Silva, 32 anos; Maria Eduarda Ramos Souza, 11 anos.

 

Pandemia deixa efeito cicatriz e cria 'dois brasis', com retomada desigual

  • por Eduardo Cucolo | Folhapress
  • 25 Dez 2020
  • 18:57h

Foto: Reprodução / FGV

Da mesma forma que a pandemia escancarou ainda mais as desigualdades no país, a recuperação da economia e a retomada das atividades também será desigual, principalmente por conta do que os economistas chamam de "efeito cicatriz" para alguns segmentos da população.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, as restrições impostas pela pandemia aceleraram uma transição em direção à economia digital, o que dificulta ainda mais a recolocação de pessoas com menor escolaridade e empresas com menos acesso à novas tecnologias.

Os dados mostram que pessoas com empregos formais sofreram menos que os informais e estão recuperando mais rapidamente seus postos de trabalho. A população mais jovem foi a que mais perdeu renda e horas de estudo. Famílias de regiões mais pobres que dependiam de idosos perderam sua principal fonte de renda.

"A mãe de todas as desigualdades é a desigualdade de educação, que vinha caindo há 40 anos. Isso não só foi interrompido, mas revertido pela pandemia. É uma cicatriz, que tem efeitos permanentes. O vento que soprava a favor começa a soprar contra. Isso vai deixar sequelas", afirma Marcelo Neri, diretor da FGV Social.

Segundo a instituição, o tempo de estudo dos brasileiros caiu de 4 horas por dia para 2 horas e 23 minutos. Essa queda foi maior entre os alunos de escolas públicas, entre os alunos mais pobres, mais jovens e periféricos.

Alunos de escola pública de 6 a 15 anos estudaram 2 horas e 18 minutos na pandemia, enquanto os de instituições privadas tiveram 3 horas e 6 minutos de aulas. Entre as pessoas que recebem Bolsa Família, foram 2 horas e 1 minuto.

No Pará, 42% dos estudantes do ensino médio não estudaram porque não receberam material. Em Santa Catarina, eram 2%.

Os mais jovens, muitos deles estudantes, também são os que mais perderam renda do trabalho na crise atual. Para pessoas de 15 a 19 anos, a queda desses rendimentos foi de 34%.Na faixa de 20 a 25 anos, a perda foi de 25,9%. De 25 a 29 anos, 22,7%. Em todos os casos, acima da perda média de 18,7%.

"Esses jovens, que você pode chamar de geração Covid, foram os que mais perderam renda no mercado de trabalho antes da pandemia e, durante ela, continuaram sendo o grupo que perdeu mais", afirma Neri.

"Isso gera um efeito cicatriz. Para as pessoas que param os estudos e vão para o mercado de trabalho em uma época adversa, o rendimento do trabalho deles, anos depois, e outros indicadores dessa geração, como o de violência, são afetados de forma mais permanente" diz o pesquisador.

O diretor da FGV Social inclui também entre esses vulneráveis as famílias que dependiam de idosos que morreram em decorrência da Covid-19, principalmente no Nordeste e outras regiões mais pobres, onde há o fenômeno das famílias estendidas, sustentadas boa parte por aposentados.

"Os idosos são o grupo que apresenta a maior taxa de letalidade, são as principais vítimas do ponto de vista sanitário. Em muitos casos eles eram arrimos de família. As pessoas que moravam com eles, esses órfãos da terceira idade, perdem uma fonte de renda além de perder o ente querido", afirma Neri.

Kátia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, também afirma que a crise deixará sequelas para um grupo de jovens e crianças que terá mais dificuldade em ter acesso a melhores empregos no futuro.

Ela questiona ainda o conceito de recuperação econômica quando se fala na expectativa de um crescimento maior da economia no próximo ano, pois, para muitas empresas e pessoas, não haverá recuperação.

"Fala-se da recuperação da economia, mas ela não é para todos. É para aqueles que têm mais condições. Para aqueles que podem ter perdido um pouco, mas já recuperaram o que perderam e vão ganhar ainda mais, mas não para a maioria da população brasileira", afirma Maia.

"Há uma perda já cristalizada para todos esses jovens e crianças que não tiveram a oportunidade ou não tiveram o direito de estudar como aqueles que estão em situação econômica e social melhor."

A Oxfam afirma que seria importante manter e criar novos programas de apoio a essa população, que poderiam ser financiados por meio da taxação de empresas e pessoas físicas que tiveram ganhos elevados neste ano.

"Por tudo o que a gente vê do governo atual e do Congresso, a prioridade não está sendo o enfrentamento das desigualdades no próximo ano. Vamos ter muitos desafios e não há indicação do que vai ser a priorização orçamentária para tratar desses temas", afirma Maia.

O pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Marcos Hecksher afirma que pessoas que têm problemas de empregabilidade durante crises costumam ter mais dificuldade de reinserção também.

Em muitos casos, esse retorno tende a ser mais instável, com maior probabilidade de en- tradas e saídas mais frequentes, além de dificuldade de alcançar melhores posições.

O pesquisador lembra que, pela primeira vez na história recente, o país chegou a ficar com menos da metade da população em idade de trabalhar exercendo alguma atividade.

"Fica o que a literatura tem chamado de efeito cicatriz. Tem alguns efeitos que ficam para o longo prazo, nas pessoas e nas empresas também. Essa cicatriz vai ficar para muita gente que foi afetada neste ano", afirma Hecksher.

Ele diz ainda que o Brasil enfrenta uma dificuldade adicional nessa recuperação por ter ficado entre os piores países em dois indicadores, o de mortes por habitante e de queda na população ocupada.

"A gente tem um duplo problema maior do que o resto do mundo, mais mortes por habitante e mais perda de emprego do que a maioria dos países. E nós já estávamos em um patamar ruim no ano passado, vindo de uma recuperação tênue da crise anterior", afirma Hecksher.

"Vai precisar de muita política pública para ajudar a recuperar esse espaço e evitar um aumento da pobreza e da desigualdade."

O economista Ricardo Paes de Barros, professor do Insper e um dos formuladores do programa Bolsa Família, afirma que o Brasil terá o desafio de reinserir cerca de 25 milhões de pessoas no mercado de trabalho e que isso não poderá ser feito apenas por meio da geração de novos postos.

Segundo ele, é necessário pensar em programas com recursos públicos, que podem ser executados por meio de entidades do terceiro setor, por exemplo, para recolocação desses trabalhadores, além de um apoio adicional de suporte àqueles que não vão conseguir uma nova ocupação imediatamente.

"Não adianta só a economia brasileira se recuperar, precisamos de programas que vão ajudar e acelerar o processo desses trabalhadores voltarem a se inserir produtivamente na economia brasileira", afirma Barros.

Ele também defende programas de apoio e assistência técnica a microempreendedores que terão de reerguer seus negócios afetados pela pandemia.

Para o economista, é necessário ainda reorganizar trabalhadores, de maneira a utilizar as capacidades que eles já possuem, mas em arranjos que sejam mais produtivos, como cooperativas certificadas por entidades públicas.

"Talvez mais importante do que dar uma nova formação para essas pessoas seja valorizar as competências que eles já têm."

CONTINUE LENDO

O vírus da indiferença em muitos natais

  • por João Batista de Castro Júnior. Professor do Curso de Direito da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista.
  • 25 Dez 2020
  • 17:54h

Foto: Reprodução I Probusbrasil

Nem por muito repetida, a história do siberiano Evgeny Stepanovich Kobytev deixa de impressionar até os dias atuais: modesto professor de pintura saído da zona rural, tem sua vida revirada quando Hitler invade a Ucrânia em 1941 e bombardeia a Geórgia. 

Kobytev então ingressa como soldado em um regimento da artilharia do Exército Vermelho para pouco tempo depois ser feito prisioneiro pelos alemães numa emboscada, sendo enclausurado no campo de concentração de Khorol, onde se estima que 90.000 civis e combatentes tenham encontrado a morte. Depois de conseguir fugir em 1943, ainda servirá em outras frentes de batalha até o final da guerra.

As imagens de Kobytev antes e depois dos seus 4 anos de atrocidades bélicas mostram um homem precocemente envelhecido e com o olhar fixo e distante, alheio ao mundo em seu derredor, o mesmo olhar cognominado de “mil jardas” (Thousand-yard stare) pela revista norte-americana Life no final da Segunda Guerra para um fenômeno observável desde o Primeiro Grande Conflito entre os jovens combatentes: a desconexão dissociativa para com os horrores à sua volta, como a fácies daquele soldado australiano com a mão decepada em um hospital de campanha em 1917, perto de Ypres.

Soldado australiano no "Australian Advanced Dressing Station", perto de Ypres, Bélgica, em 1917.

Esperançosamente se prevê que não tenhamos mais conflitos bélicos dessa ordem, capazes de convulsionar à exaustão toda a demografia planetária. Mas a inquietação que a pandemia provocada pelo Sars-Cov-2 suscita é se ela não estaria, de modo funcionalmente similar, naturalizando o luto enquanto se come e bebe festivamente, fingindo-se não ver os despedaçamentos emocionais bem próximos e o sofrimento dos que esmolam uma côdea de pão quando preferiam estar endurecendo as mãos nas enxós do trabalho honesto.

São invernos de ausência de solidariedade mais ampla – que não se confundem com “presentinhos natalinos” – e que nada têm de recente. Em algum momento, não localizável em ponto específico da linha de contagem humana de tempo, nos deixamos natural e insensivelmente abrigar nas hostilidades interpessoais, nas impropriedades chulas da linguagem cotidiana, na conveniente tolerância limitada a reduzidos nichos de trabalho, em que se barganham posições de relevo, ou na “gratidão” volátil da contraprestação momentânea por um favor recebido.  

Nossos olhares, a seu turno, quase imperceptivelmente se destacaram das enfermiças obviedades que preferimos não enxergar, ajudados até mesmo por muitas trincheiras da religião, que passaram, sem que se saiba também exatamente como nem quando, a ser poços contaminados pelo veneno dos interesses materialistas e dos partidarismos inconsequentes, que sabem de cor versículos bíblicos desaparelhados do amor solidário e impessoal.

Sem muito esforço se nota que explicações religiosas e místicas completamente pueris no seu punitivismo aterrorizante, além de não convencerem, terminam insuflando mais ainda a corrida pela satisfação material, seja entre os que estão nos Templos julgando-se alforriados das sanções divinas, seja entre os que estão fora e que veem no prazer do sexo e do estômago a demonstração cabal de que se trata do melhor convite que a transitoriedade biológica da vida pode nos oferecer, afinal, assim se pensa, todos os alertas de fim dos tempos de nossos avós nunca se transformaram em realidade.

“Quando isso tudo passar” – a frase mais ouvida por agora –,  teremos, em realidade, que buscar, nas últimas reservas de lucidez, a coragem necessária a fim de, mesmo sob fortes sequelas psíquicas, reconstruir as bases de uma vida irrestritamente solidária e propensa ao sacrifício dos prazeres ilimitados, o que Jesus, o Cristo, exaustivamente pregou e exemplificou sem distinguir entre mulher adúltera, mulher samaritana, mulher cananeia, publicanos, fariseus, escribas, soldados romanos e plebe, numa luminosa e extraordinária epopeia até hoje, em plena era de múltiplos e refinados saberes, não devidamente compreendida em sua totalidade.

Até que isso tudo passe, todavia, talvez tenhamos por algum tempo que carregar intimamente tanto os silenciosos ônus emocionais quanto os olhares distantes e desfocados, para depois aprendermos a semear lírios entre os escombros que friamente preferimos não ver desabar à nossa volta...

Vitória da Conquista, 25 de dezembro de 2.020

Amado Batista testa positivo para Covid-19; cantor não apresenta sintomas

  • Bahia Notícias
  • 25 Dez 2020
  • 17:41h

Foto: Divulgação / Assessoria

O cantor Amado Batista testou positivo para o novo coronavírus, na última segunda-feira (21), em Goiânia. A família do artista afirmou que ele está ‘ótimo’ e sem sintomas, conforme informações do portal G1.

“Ele está ótimo! Desde de quando sentiu a febre foi medicado e não teve mais, foi só no primeiro dia mesmo”, disseram os familiares.

Mesmo sem voltar a apresentar febre, Amado Batista foi a um hospital particular de Goiânia nesta quinta-feira (24), para fazer exames de sangue e raio-x do tórax para acompanhamento médico.