BUSCA POR "t"
- Por Adriana Fernandes, Thaísa Oliveira e Ana Pompeu | Folhapress
- 20 Nov 2025
- 12:43h
Foto: Divulgação
As investigações que apuram a suspeita de organização criminosa na gestão do Banco Master vão analisar potenciais comissões pagas pelo banco de Daniel Vorcaro com o objetivo de expandir carteiras falsas de crédito consignado para servidores públicos.
Os créditos inventados teriam nascido na Bahia pelas mãos do empresário Augusto Lima, preso na operação Compliance Zero da Polícia Federal, de acordo com pessoas que acompanham as análises. Posteriormente, esse esquema teria sido ampliado para outros estados.
Os investigadores suspeitam que assessores de entes públicos e até mesmo governadores receberam comissões elevadas para expandir a criação de falsos créditos consignados, um esquema que teria ajudado a agigantar a atuação do Master.
Também está em investigação a participação de políticos e agentes públicos na venda de letras financeiras para fundos de pensão de estados e municípios, apurou a reportagem.
A defesa de Lima afirmou nesta terça-feira (18) que recebeu com "absoluta surpresa" a operação porque o executivo já havia se "desligado definitivamente de todas as suas funções executivas" no Master em maio de 2024.
Na decisão que fundamentou as prisões no âmbito da operação Compliance Zero, o juiz Ricardo Leite afirma que outro ponto que não pode ser desprezado e demanda mais investigação é o "limite da influência dos diretores do Banco Master em repartições públicas", conforme apontado pelo Ministério Público Federal. Ele dá "destaque para a captação de regimes próprios e fundos de pensão" que investiram "recursos de seus pensionistas em ativos altamente arriscados, evitados por investidores privados".
"Este ponto guarda ligação com o modo de agir dos dirigentes do Banco Master e o Banco Regional de Brasília, mas que não constitui objeto desta investigação, sendo apenas considerado como indício", apontou o magistrado na decisão obtida pela Folha de S.Paulo.
Institutos que pagam aposentadorias a servidores municipais e estaduais aplicaram R$ 1,87 bilhão em letras financeiras do Master, um papel sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, de acordo com o Ministério da Previdência Social.
A aquisição desses ativos, que não encontravam muito apetite por parte de investidores privados, foi considerada pelo MPF incompatível com a natureza dos fundos de pensão, que devem buscar segurança e liquidez para garantir a aposentadoria de seus beneficiários.
Ex-sócio de Vorcaro no Master, Augusto foi preso com cerca de R$ 1,6 milhão em espécie em sua residência, em São Paulo.
A sociedade do controlador do Master com Lima começou quando Vorcaro ainda dava os primeiros passos no mercado financeiro com o Banco Máxima, adquirindo uma participação minoritária em 2017. Com a ajuda do modelo de negócios que começou na Bahia com o Credcesta, um cartão de crédito consignado voltado para servidores públicos, o Máxima ganhou musculatura. Em 2019, Vorcaro adquiriu o controle do banco, que dois anos depois foi renomeado Master.
Reportagem de outubro do ano passado da revista Piauí afirma que esse tipo de operação consignada foi replicada pelo Master em outras 23 unidades da federação. Investigadores citam, além da Bahia, o Distrito Federal e o Paraná.
Os indícios apontam que Lima ainda estaria por trás de duas associações —Asteba (Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia) e a Asseba (Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia). Ambas teriam sido criadas por ele e usadas para camuflar as operações de crédito consignado inexistentes, que teriam sido adquiridas pelo BRB (Banco de Brasília).
Essas carteiras foram investigadas pela área de fiscalização do Banco Central (BC), que cobrou explicações ao Master. O banco respondeu que elas tinham origem nas duas associações de servidores da Bahia.
Os fiscais do BC identificaram que não foram encontradas nas associações movimentações financeiras compatíveis com a cessão de créditos para o Master. O MPF oficiou a Secretaria de Administração da Bahia, que enviou a quantidade de descontos consignados de servidores.
A investigação do MPF identificou que os descontos realizados nos contracheques do estado são referentes a mensalidades e serviços associativos de baixo valor e jamais poderiam ter gerado R$ 6,7 bilhões em carteiras de empréstimos consignados adquiridos pelo BRB.
Essas carteiras teriam sido infladas e estariam por trás da operação de venda frustrada do Master para o banco do Distrito Federal. Um investigador, ouvido pela reportagem sob condição de anonimato, disse que as associações teriam sido usadas para ludibriar o Banco Central. Como essas associações não oferecem crédito consignado, ele explica que elas teriam servido de justificativa para o pagamento bilionário que o BRB fez ao Master na aquisição das carteiras.
Como o BC determinou a devolução das carteiras ao Master, a solução encontrada teria sido a compra do Master pelo BRB para camuflar a fraude no balanço dos dois bancos.
O que mais chamou atenção dos investigadores é que, a partir de janeiro de 2025, as cessões de crédito passaram a envolver CPFs de diversas localidades do Brasil.
A decisão judicial que autorizou a operação desta terça afirma que, para cobrir um rombo de R$ 12 bilhões, a solução do Master "consistiu em se associar, ilicitamente, a uma Sociedade de Crédito Direto, com o objetivo de inflar seu patrimônio artificialmente, por meio da aquisição de carteiras de créditos inexistentes e revendê-las ao BRB".
A investigação tem indícios de que Lima teria colocado como laranjas nas duas associações pessoas que eram empregadas por ele em outras empresas, segundo a reportagem apurou. Lima inclusive teria procurações para atuar em nome das associações.
Investigadores afirmam que o sócio de Vorcaro inclusive teria se reunido com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, em abril de 2025 ao lado de Vorcaro para defender a venda do Master para o BRB.
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Asseba e da Asteba, em Salvador, nesta terça.
A Folha de S.Paulo ligou para a Asseba cinco vezes nesta quarta-feira (19), mas não obteve retorno.
A reportagem também ligou para a Asteba duas vezes. Na segunda, uma mulher que se identificou como Andreza disse que não poderia fornecer o contato de um advogado ou responsável. "Até o momento nós não temos informações. Não teria como te orientar referente a isso", declarou.
- Bahia Notícias
- 20 Nov 2025
- 10:40h
Foto: Reprodução / Mais Região
Uma criança de 3 anos morreu na madrugada desta quinta-feira (20) vítima de um incêndio em uma residência localizada no primeiro andar de um imóvel acima do Boteco do França, na Praça da Música, em Praia do Forte, litoral de Mata de São João. A casa pertence aos proprietários do bar.
De acordo com informações da 53ª CIPM, uma guarnição foi acionada pelo Cicom por volta de 00h05 para apoiar o Corpo de Bombeiros Militar. No local, os policiais constataram que o fogo atingiu dois quartos, sala, banheiro, área de lavagem e um depósito de bebidas que funciona na própria residência.
Populares relataram à Polícia Militar que três adultos foram expostos à intensa fumaça enquanto tentavam resgatar a criança, identificada pelas iniciais M.J.A.. As vítimas socorridas foram José Felipe Sena Almeida, o pai; Maria Luiza Santana Costa, a mãe; e Iuri de Sena Almeida, tio da criança e proprietário do estabelecimento. Eles foram atendidos inicialmente no PA de Praia do Forte e, devido à significativa inalação de fumaça, encaminhados posteriormente ao Hospital Municipal de Mata de São João.
Relatos colhidos no local apontam que a criança estava em um dos cômodos no momento do início do incêndio. Familiares teriam ouvido os pedidos de ajuda da vítima enquanto o ambiente era rapidamente tomado por chamas e fumaça. Segundo essas informações iniciais, o fogo se alastrou muito rápido, o que teria impossibilitado o resgate pelos pais.
Após o rescaldo e uma varredura inicial, o Corpo de Bombeiros não localizou nenhum corpo dentro do imóvel. No entanto, por volta das 7h, após novas buscas e uma inspeção minuciosa nos escombros, os bombeiros localizaram o corpo da criança, já carbonizado.
O corpo foi removido pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) por volta das 9h30 e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). O imóvel foi periciado e as equipes seguem adotando os procedimentos técnicos cabíveis. As circunstâncias do incêndio serão apuradas pelas autoridades competentes.
As informações são do Portal Mais Região
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 19 Nov 2025
- 16:22h
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou, com 370 votos a favor e 110 contrários, o texto-base do PL 5582/2025, de autoria do governo federal e que regulamenta o enfrentamento ao crime organizado no Brasil. Os deputados agora votam, na noite desta terça-feira (18), os destaques apresentados pelos deputados para modificar trechos do projeto.
O projeto foi chamado pelo governo Lula de “lei antifacção”. Na Câmara, entretanto, o relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), nomeou a proposta de Marco Legal de Combate ao Crime Organizado.
A proposta original foi apresentado pelo Ministério da Justiça para instituir novos instrumentos legais para investigações policiais contra facções criminosas. O relator ampliou o escopo original, incorporando pontos de outro projeto que equiparava facções criminosas a grupos terroristas, e buscou estabelecer um tratamento mais rigoroso aos faccionados do que o previsto para crimes hediondos.
A votação da proposta na sessão desta terça (18), com um plenário esvaziado devido ao feriado do Dia da Consciência Negra, só foi possível por esforço pessoal do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que insistiu na urgência do tema. Segundo disse Motta em entrevista nesta tarde, a aprovação deste projeto vai ser a resposta mais dura da história do Congresso no combate às facções criminosas.
"Estamos aumentando penas e criando novas tipificações de crimes. Os chefes irão direto para presídios federais, e seus despachos com advogados serão gravados, não terão visitas íntimas. Estamos tipificando o novo cangaço, o domínio de cidades, a cooptação de crianças e adolescentes. Os chefes terão penas maiores do que as da Lei Antiterrorismo”, disse o presidente, após a reunião de líderes.
Na abertura da Ordem do Dia no plenário, Hugo Motta se disse surpreso pela obstrução ao texto por parte das lideranças do PL e do PT.
“Temos obstrução total dos maiores partidos da Casa, PL e PT, por incrível que pareça, em uma pauta tão importante. Estou sem entender o porquê da obstrução, mas vamos ter de enfrentar. E temos 15 destaques apresentados”, afirmou Motta.
Depois da fala do presidente da Câmara, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o partido não iria obstruir a votação do texto.
“Teremos uma noite bastante longa, mas vamos concluir no dia de hoje a votação do marco legal de enfrentamento ao crime organizado”, afirmou o presidente da Câmara, após a retirada da obstrução.
O PT e os partidos de esquerda, entretanto, não retiraram a obstrução, e apresentaram requerimento de adiamento da votação. O requerimento, entretanto, foi rejeitado por mais de 300 votos.
Durante a discussão do requerimento, o líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou o relatório apresentado pelo deputado Derrite, e reclamou que ele se recusou a participar de uma reunião com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Segundo o líder, Derrite não quis se reunir porque promoveu nova alteração no texto, e entre as mudanças, mexeu na parte de destinação de recursos para a Polícia Federal. Na nova versão, o relator diz que os bens apreendidos em investigações feitas pela PF serão direcionados para o Fundo Nacional de Segurança Pública.
Na mesma linha do líder do PT, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que o relatório do deputado Guilherme Derrite representa uma “lambança legislativa”, que, para ela, enfraquece a atuação da Polícia Federal e dificulta o combate ao crime.
Gleisi Hoffmann afirmou que a orientação para a base aliada do governo no Congresso foi a de votar contra o texto de Derrite e a favor da versão original apresentada pelo governo.
“O que está se votando (na Câmara) é algo que, no nosso entendimento, dificulta muito o combate às facções criminosas. Espero que a gente consiga no Senado reverter essa situação, que a gente possa fazer uma discussão de maior nível em relação ao combate do crime organizado no Brasil”, disse Gleisi.
Os deputados governistas ainda sofreram uma segunda derrota durante a votação, quando por 335 votos favoráveis (e apenas 111 contrários) foi aprovado um requerimento de encerramento da discussão. Com isso a votação acabou sendo acelerada no plenário.
Uma outra derrota para os parlamentares governistas se deu quando o Psol apresentou um requerimento para que fosse votado inicialmente o texto original, apresentado pelo governo federal. Esse requerimento recebeu apenas 156 votos favoráveis, e 306 contrários, levando à sua nulidade.
Pelo texto apresentado durante a sessão, a sexta versão do relatório, foram feitas novas mudanças pontuais. Entre elas, a que impõe que os valores capturados em ações de autoridades locais serão transferidos para o Fundo de Segurança Pública do estado responsável pelo caso.
No texto, o relator manteve a sua principal aposta para o estabelecimento do novo marco legal: criar uma nova lei específica para crimes cometidos por facções, separada das normas que já tratam de organizações criminosas no país.
Na sexta versão do texto, Derrite trata sobre as condutas de “organização criminosa ultraviolenta”, “milícia privada” ou “grupo paramilitar”. Para o governo, a definição desses grupos continua sendo um dos maiores problemas do texto, porque pode gerar conflitos com tipificações que já existem hoje.
O relatório que foi aprovado no plenário reafirma a atuação de órgãos como a Receita Federal e o Banco Central em medidas de confisco de bens e altera novamente o destino do dinheiro e dos ativos apreendidos em operações contra as facções.
O texto mantém a ideia de instituir uma lei completamente nova, independente da Lei das Organizações Criminosas e da Lei Antiterrorismo. Esse novo marco, segundo o governo, repete crimes e conceitos que já existem em outras legislações.
Integrantes do governo afirmam que essa estrutura aumenta o risco de duplicidade, decisões contraditórias e dificuldade para aplicar corretamente a lei, já que condutas semelhantes passariam a existir em textos diferentes.
Pela proposta, segue valendo a definição de “organização criminosa ultraviolenta”, usada para enquadrar ataques armados, domínio territorial, sabotagem de serviços públicos, explosões, bloqueios de vias e ações típicas do “novo cangaço”. Ou seja, não houve alteração na forma como o relatório define quem deve ser punido pela nova lei.
Em relação ao papel da Receita Federal e do Banco Central, ambas continuam podendo apreender e declarar a perda de bens diretamente, sem depender de decisão judicial. A nova versão deixa claro que as medidas criadas pelo projeto - como apreensão e bloqueio judicial - não impedem que a Receita, o Banco Central e outros órgãos sigam aplicando o perdimento de bens na esfera administrativa, como já fazem hoje.
A mudança atende a um pedido da Receita, que temia que o texto anterior limitasse sua atuação. Agora, o relatório deixa explícito que os órgãos fiscais podem continuar determinando o perdimento imediato de bens. Essa atuação ocorre ao mesmo tempo que medidas judiciais, e uma não inviabiliza a outra.
Derrite também manteve integralmente o artigo que cria uma ação civil autônoma de perdimento, instrumento que permite confiscar definitivamente o patrimônio ligado às facções, mesmo sem condenação penal. Pelo texto, a ação é imprescritível, permite alcançar bens localizados no exterior, e transfere o patrimônio ao poder público em paralelo à ação penal.
- Por Guilherme Botacini / Victor Lacombe | Folhapress
- 19 Nov 2025
- 14:18h
Foto: Reprodução / TV Globo
Em voto quase unânime, a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos aprovaram nesta terça-feira (18) a liberação dos arquivos do Departamento de Justiça sobre Jeffrey Epstein, caso que tem gerado desgaste para o presidente Donald Trump e cobranças de sua base.
Na Câmara, a medida teve placar de 427 votos a 1, com cinco abstenções. No Senado, recebeu aval de todos os parlamentares, sem exceção, após uma manobra do Partido Democrata. Agora, o texto vai para a sanção presidencial —Trump prometeu não vetar a lei se aprovada no Congresso.
A reviravolta acontece dois dias após Trump abandonar sua oposição à medida. O texto exige a divulgação de todos os materiais não confidenciais sobre Epstein e o suposto esquema de tráfico sexual e exploração de menores que o financista teria operado.
Na Câmara, o único voto contrário foi do republicano Clay Higgins, deputado trumpista da Louisiana. Em publicação no X, Higgins explicou sua posição, dizendo que a lei "revela a identidade de milhares de inocentes, entre testemunhas, familiares, etc". "Se for aprovada da forma como está, uma revelação tão ampla de uma investigação criminal, liberada para uma mídia raivosa, irá resultar em pessoas inocentes sendo prejudicadas", afirmou o parlamentar.
No Senado, o líder da oposição, o senador por Nova York Chuck Schumer, manobrou para que a lei fosse aprovada por consenso —isto é, propôs que a Casa avalizasse a medida de maneira automática a menos que algum senador levantasse objeções. Nenhum republicano o fez, e o texto foi aprovado.
Trump, cujas relações com Epstein têm sido exploradas por críticos e apoiadores, há muito tempo alimenta teorias conspiratórias sobre o abusador que cultivou muitos amigos ricos e poderosos —Epstein foi condenado por crimes sexuais na justiça estadual da Flórida em 2008. Ele foi preso por acusações semelhantes, mas mais graves, em 2019, quando morreu na prisão.
Desde que o republicano retornou ao poder, o assunto se tornou um raro ponto fraco para ele, em particular para alguns de seus apoiadores mais radicais, que têm se mostrado descontentes com declarações de Trump e atos do governo sobre o caso.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos de outubro descobriu que apenas 4 em cada 10 republicanos aprovam a forma como Trump lida com o assunto, bem abaixo dos 9 em cada 10 que aprovam seu desempenho geral.
Trump afirma que nunca teve nenhuma ligação com os supostos crimes de Epstein e tem se referido ao assunto como uma "farsa democrata", usada para desviar o foco do que seriam pontos positivos de seu governo e falhas da oposição.
A campanha parlamentar pela divulgação dos materiais sobre o financista foi liderada pelo republicano Thomas Massie, o que indicava a dificuldade do governo de resistir à medida. Massie coletou 218 assinaturas de colegas da Câmara em uma petição que forçou a votação da medida, algo que vinha sofrendo resistência do presidente da Casa, o também republicano Mike Johnson.
O fato de Trump anteriormente se opor à divulgação do material azedou as relações com uma de suas mais fortes apoiadoras no Congresso, a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que criticou repetidas vezes o Departamento de Justiça por não divulgar mais detalhes sobre Epstein. Trump rebateu, chamado Greene de traidora.
A súbita reviravolta do presidente veio no domingo (16), quando ele afirmou: "Os republicanos da Câmara deveriam votar para divulgar os arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder."
O principal democrata da Câmara, o deputado por Nova York Hakeem Jeffries, teve outra avaliação. "Donald Trump parece ter se acovardado no escândalo Epstein. Ele cedeu. É uma rendição completa e total", disse ele em uma entrevista coletiva na segunda-feira (17).
Mike Johnson havia dito a repórteres que ele e Trump estavam preocupados em proteger as vítimas de Epstein de exposição pública indesejada. "Não tenho certeza se a liberação faz isso, e isso é parte do problema", disse o republicano na segunda-feira —argumento que repetiu no plenário antes de votar a favor da lei. Os apoiadores da medida dizem que as preocupações de Johnson são infundadas.
Há dúvidas, no entanto, sobre o alcance real da divulgação dos materiais, porque a medida permite ao Departamento de Justiça manter sob sigilo documentos sujeitos a investigações —ao mesmo tempo, Trump pediu ao departamento para investigar a relação de Epstein com importantes nomes democratas, como o ex-presidente Bill Clinton e o ex-secretário do Tesouro Larry Summers.
Na segunda, Summers disse estar "profundamente envergonhado" após as revelações de seus diálogos com Epstein e anunciou que se afastaria da vida pública. Professor de Harvard, ele continuará a dar aulas na instituição, entretanto.
Epstein se declarou culpado de uma acusação estadual de prostituição de menores na Flórida em 2008 e cumpriu 13 meses de prisão. O Departamento de Justiça dos EUA, em 2019, o acusou de tráfico sexual de menores na esfera federal em um caso muito mais amplo, jogando luz em um esquema que pode ter vitimado mais de 200 mulheres. Epstein se declarou inocente dessas acusações e morreu na prisão antes do julgamento, no que foi considerado um suicídio.
Emails divulgados na semana passada por um comitê da Câmara mostraram que o financista acreditava que Trump "sabia sobre as garotas", embora não estivesse claro o que isso significava. A Casa Branca disse que os emails divulgados não continham prova de irregularidades por parte de Trump.
- Bahia Notícias
- 19 Nov 2025
- 12:14h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
A Força-Tarefa de combate à sonegação fiscal na Bahia deflagrou na manhã desta quarta-feira (19), em Barreiras, operação contra um grupo empresarial do setor de comércio varejista, que teria sonegado mais de R$ 13 milhões em impostos ao estado.
Chamada de ‘Operação Eidolon’, a ação cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do contador responsável pelas fraudes apuradas.
O grupo é investigado pela prática de sonegação fiscal de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), por meio da omissão fraudulenta de vendas de mercadorias e da utilização indevida de créditos fiscais.
A Inspetoria Fazendária de Investigação e Pesquisa da Secretaria da Fazenda (Infip/Sefaz), o Ministério Público do Estado da Bahia e a Polícia Civil, na Bahia, identificaram a potencial utilização de notas fiscais fraudadas, cujas emissões relacionaram contribuintes sediados em outros estados e não cadastrados na Secretaria da Fazenda, com o propósito de gerar crédito indevido de ICMS.
Foram detectados ainda indícios de que os responsáveis pela assessoria e consultoria contábil da empresa contribuinte tentaram obstruir a apuração das fraudes.
- Bahia Notícias
- 19 Nov 2025
- 08:03h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank pediram à Justiça a aplicação de medidas coercitivas contra Dayane Alcantara Couto de Andrade, a Day McCarthy. A ação busca compelir o pagamento de uma indenização, que já supera R$ 500 mil, decorrente de uma condenação por racismo contra a filha do casal.
Day McCarthy foi condenada no ano passado pela Justiça Federal a oito anos e nove meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo crime de racismo praticado em 2017. As ofensas, que incluíram os termos "macaca" e "nariz de preto horrível", foram dirigidas à filha do casal, em publicações nas redes sociais. Apesar da condenação, Dayane permanece em liberdade e não quitou a dívida, que com juros e correções ultrapassa R$ 518 mil.
A nova movimentação processual requer o bloqueio de cartões de crédito e a suspensão de autorizações para dirigir nos Estados Unidos e em países europeus. Conforme O Globo, a petição argumenta com publicações da própria ré exibindo joias, viagens e bens de alto valor.
O advogado da família, Alexandre Celano, explicou a estratégia ao ser procurado. “As medidas coercitivas alternativas estão sendo tomadas pela Família Gagliasso por conta de dois fatores: a inadimplência deliberada e a liberdade que ela ainda tem. As medidas coercitivas visam cercear esta liberdade bloqueando passaportes, a carteira de habilitação brasileira e uma eventual carteira emitida pelo governo dos Estados Unidos, além da eventual carteira emitida pela União Europeia”, disse ele.
O casal move dois processos, um cível e outro criminal, relacionados ao mesmo episódio. Como a ré não foi localizada na época, o julgamento ocorreu à revelia. A condenação criminal foi decretada em 2024.
- Bahia Notícias
- 18 Nov 2025
- 18:05h
Foto: Reprodução / Banco Master
Deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (18), a Operação Compliance Zero cumpriu mandado de prisão contra Augusto Lima, empresário baiano que também é sócio do Banco Master.
Além dele, a PF também prendeu Daniel Vorcaro proprietário do Banco Master, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU). Segundo informações confirmadas pela corporação, ele tentava deixar o país em um avião particular quando foi abordado.
A ação tem o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Foto: Divulgação
A Blaack Empreendimentos segue acelerando sua trajetória de crescimento e chega agora à sua 6ª cidade de atuação: Piatã, um dos destinos mais promissores da Chapada Diamantina.
Esse movimento reforça nosso compromisso de que quem facilita, tá aqui gerando oportunidade para a venda de terrenos rurais com alto potencial de valorização.
Com presença consolidada em Brumado, Maracás, Ibiassucê, Guanambi e Lagoa Funda. Agora, Piatã entra para o mapa se destacando pelo turismo crescente, clima diferenciado e demanda aquecida para moradia e investimento — exatamente o cenário ideal para a Blaack entregar qualidade, acessibilidade e futuro.
- Por Bianca Andrade/Bahia Notícias
- 18 Nov 2025
- 14:30h
Foto: Instagram/Bahia Notícias
Salvador parece ter se tornado casa para Shawn Mendes. O artista, que veio ao Brasil para uma curta participação no Earthshot Prize, premiação idealizada pelo príncipe William, embarcou novamente em uma viagem pela capital baiana após a passagem por São Paulo.
Nas redes sociais, fã-clubes dedicados ao artista canadense revelaram o novo/velho destino do cantor, que desta vez está acompanhado dos amigos Connor e Anthony, com câmeras profissionais, o que dá a entender que o artista planeja algum registro oficial. O cantor foi visto no Aeroporto de São Paulo.
Do "outro lado" do país, o amigo de Shawn foi visto desembarcar em Salvador e chegou a posar para fotos com fãs que aguardavam o artista desembarcar.
Shawn passou cerca de uma semana na capital, hospedado no mesmo prédio que Ivete Sangalo vive em Salvador, no bairro da Vitória. Em entrevista ao Domingão com Huck, Ivete detalhou a estadia do astro internacional.
"Lavou prato, cuidou das crianças, varreu a casa, mas ele é sangue bom. É da mesma pegada que eu assim, dessa coisa da vida. É um rolê muito aleatório. Você sabe que ele tem um interesse enorme pelas coisas do Brasil? Óbvio, é amado em todo canto do mundo."
Durante a passagem pela capital baiana, Shawn conheceu pontos turísticos, como o Porto da Barra, a Igreja do Bonfim, o Pelourinho, a Ilha dos Frades, além de ter acompanhado um ensaio de Carlinhos Brown no Guetho Square, no Candyall.
- Por Ana Clara Pires/Bahia Notícias
- 18 Nov 2025
- 12:28h
Foto: Divulgação / Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) autorizou o repasse de R$ 5.778.658,14 para o município de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. A Portaria, publicada nesta terça-feira (18), no Diário Oficial da União (DOU), formaliza a transferência de verbas federais destinadas a ações de Recuperação de danos causados por desastres naturais, como chuvas ou inundações.
A decisão foi tomada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, que representa a União no ato, amparada pelas leis que regem a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. A transferência é classificada como Obrigatória, garantindo que o recurso já está empenhado no Orçamento Geral da União (Nota de Empenho n.º 2025NE000220) para o MIDR.
Segundo a Portaria, a utilização dos quase R$ 5,8 milhões está vinculada, exclusivamente, à execução das ações descritas no Plano de Trabalho já aprovado, impedindo que a prefeitura utilize a verba para qualquer outro fim.
O documento estabelece um prazo de execução de 365 dias (um ano), a contar da publicação da Portaria, para que o município realize todas as obras e serviços de recuperação necessários.
O recurso será liberado em três parcelas, e a continuidade dos pagamentos está condicionada ao cumprimento das regras de transparência e prestação de contas pelo ente federado.
Ao final do prazo de vigência, o município terá 30 dias para apresentar a prestação de contas final ao Ministério da Integração, detalhando o uso total da verba. O repasse visa acelerar a reconstrução e o restabelecimento da infraestrutura local após a ocorrência de eventos adversos.
- Bahia Notícias
- 18 Nov 2025
- 10:18h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
O presidente do Banco Estadual de Brasília (BRB) foi afastado do cargo pelo prazo de 60 dias, nesta terça-feira (18). A decisão faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo o Banco Master, onde o dono Daniel Vorcaro foi preso.
Paulo Henrique foi um dos alvos da ação da PF. No mês de março deste ano, o BRB anunciou a compra do Master, em uma operação que foi vetada meses após o BC. O ex-presidente foi alvo de busca e apreensão, assim como a sede da instituição financeira, localizada no Setor de Autarquias Norte (DF).
Informações preliminares apontaram que Paulo Henrique está nos Estados Unidos, onde faz curso em Harvard.
- Bahia Notícias
- 18 Nov 2025
- 08:16h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Os advogados da atriz e cantora Larissa Manoela ingressaram com um recurso de apelação na 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca. O pedido solicita que seja reconhecido o direito da artista a receber indenização por danos morais da Deck Produções Artísticas Ltda., empresa criada por seus pais, Silvana Taques e Gilberto Elias dos Santos.
Em abril deste ano, a Justiça já havia concedido à artista a extinção do contrato de exclusividade de caráter vitalício, firmado pela empresa em 2012, quando ela tinha 11 anos. O novo recurso tem como objetivo específico o reconhecimento de que a relação contratual também causou danos morais.
Na petição, a defesa argumenta que o contrato continha cláusulas “ilegítimas, abusivas e sem possibilidade de resilição unilateral”, submetendo Larissa Manoela a uma situação de “vulnerabilidade e dependência”. O documento sustenta que o acordo conferia aos pais “poder irrestrito sobre a continuidade do vínculo”, enquanto a artista não detinha o mesmo direito para encerrar a relação.
A defesa afirma ainda que a artista permaneceu por anos vinculada a um modelo considerado abusivo, o que a impediu de acessar plataformas como YouTube e Spotify, aceitar convites de gravadoras e firmar novas parcerias comerciais. Em paralelo, de acordo com a petição, seus pais teriam continuado a se beneficiar de sua imagem e atuação profissional.
O recurso de apelação agora aguarda análise pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
As informações são do O Globo.
- Bahia Notícias
- 17 Nov 2025
- 12:33h
Foto: Divulgação/Polícia Federal
Um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Ygor Daniel Zago, conhecido como "Hulk", foi detido pela Polícia Judiciária de Portugal, em Cascais, neste domingo (16), por crimes de associação criminosa e corrupção no Brasil.
Segundo o site português Diário de Notícias, o homem vivia em um condomínio privado, onde geria operações criminosas e lavagem de dinheiro vindos de drogas e da fraude com metanol.
O homem foi condenado a 29 anos de prisão pelo envolvimento no esquema que conectava o PCC à máfia dos Balcãs, em 2014, e aguardava decisão de recurso em liberdade.
Em 2023, Zago foi identificado como responsável pela lavagem de dinheiro da facção no esquema de fraude do metanol, que consistiu na adulteração de combustíveis através da adição de metanol à gasolina. A companheira de Zago, Fernanda, também foi detida.
Os dois suspeitos foram encaminhados ao Tribunal da Relação de Lisboa, onde aguardam extradição para o Brasil.
- Bahia Notícias
- 17 Nov 2025
- 10:32h
Foto: Bruno Peres / Agência Brasil
O Pix completa cinco anos neste domingo (16) como o principal método de pagamento do país. Lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, o meio de pagamentos digital movimentou R$ 26,4 trilhões no ano passado. Isso equivale a quase duas vezes o produto interno bruto (PIB) do Brasil em 2024.
Segundo a Agência Brasil, neste ano, de acordo com o Banco Central, foram R$ 28 trilhões em transações via Pix até outubro.
O diretor de organização do sistema financeiro e resolução do Banco Central, Renato Gomes, avaliou em uma transmissão online que a plataforma incluiu mais pessoas no sistema bancário.
"Por um lado, teve essa redução de custo de distribuição de dinheiro. Por outro lado teve, vamos dizer assim, esse aumento da fatia de clientes e do consumo dos clientes e, obviamente, como o Pix trouxe muita concorrência com o sistema de pagamentos, acabou havendo uma redução de tarifas assim", disse.
O Pix foi criado primeiramente para facilitar transações entre pessoas com transferências instantâneas. Com o tempo novas funcionalidades foram adicionadas. Como o Pix, cobrança, que faz o papel do boleto, e o Pix automático, que equivale ao débito automático.
Dados recentes mostram que 170 milhões de adultos e mais de 20 milhões de empresas usam o Pix.
Tecnologia nacional
As discussões para a criação do meio de pagamento que conquistou o país começaram oficialmente em 2016, com os requisitos fundamentais da ferramenta sendo lançados em 2018 pelo Banco Central. Em agosto de 2019, o BC comunicou que desenvolveu a base de dados e assumiu a administração do sistema de pagamentos instantâneos, que ganhou o nome Pix em fevereiro de 2020.
O Pix foi lançado, em caráter de teste, em 3 de novembro de 2020, para uma fatia entre 1% e 5% dos clientes de bancos e em horários especiais. O lançamento oficial, com funcionamento 24 horas e para todos os clientes que criarem chaves Pix, só ocorreu duas semanas mais tarde, em 16 de novembro de 2020.
Alvo de Trump
No contexto das medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos como pressão contra o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, o meio de pagamento desenvolvido por servidores públicos brasileiros se tornou alvo de uma investigação comercial.
O governo Trump iniciou a investigação apontando que o Pix poderia prejudicar empresas financeiras americanas. Em uma resposta oficial enviada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o Brasil afirmou que o Pix visa à segurança do sistema financeiro, sem discriminar empresas estrangeiras.
- Por André Borges | Folhapress
- 17 Nov 2025
- 08:30h
Imagem ilustrativa | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
As multas aplicadas contra o agronegócio por descumprimento do piso mínimo do frete dos caminhoneiros registraram uma escalada sem precedentes neste ano, levando produtores a recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) em uma tentativa de derrubar a regra.
Até o fim de outubro, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) já tinha emitido 41.991 multas contra empresas do agro neste ano, um aumento dez vezes superior ao volume de autuações de todo o ano de 2024, quando foram aplicados 4.287 autos de infração pela agência.
O valor total das multas também deu um salto, saindo de R$ 18,9 milhões em 2024 para mais de R$ 127 milhões até o dia 23 de outubro deste ano.
Por trás do aumento abrupto está a maior fiscalização da ANTT sobre a obrigatoriedade de as empresas seguirem a tabela de valores mínimos para o transporte rodoviário de cargas.
Sempre que o frete é contratado por um valor inferior ao piso definido pela agência, um cálculo que leva em conta apenas os custos operacionais do transporte (sem considerar o lucro), a multa recai sobre quem contratou o serviço, ainda que o caminhoneiro tenha aceitado o preço e que o valor praticado seja incompatível com as condições do mercado.
Inconformada com as autuações, a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) acionou o STF na semana passada para pedir a suspensão da lei do frete. O caso está em análise pela corte.
"O estabelecimento do piso, da forma como posta hoje, apenas impede o adequado funcionamento da economia. Piora-se a situação quando se observa a elevação do montante de multas aplicadas pela situação hoje vivenciada", diz a CNA, na ação que apresentou ao STF.
Segundo a confederação, a lei do frete "acaba por instituir instrumento de intervenção na economia" que eleva o lucro de determinada categoria em detrimento de outras.
"As multas chegam a montantes elevados, trazendo verdadeiros problemas para os embarcadores [produtores]", diz a CNA. A instituição alega que a situação atual ocasiona "iminente inviabilidade da contratação de transportadores autônomos de cargas".
A tabela de frete foi criada em 2018, quando houve uma crise generalizada no abastecimento rodoviário nacional devido à paralisação de caminhoneiros. As greves e protestos levaram o governo a construir uma resposta rápida para oferecer renda mínima aos transportadores autônomos, aqueles que atuam com o próprio caminhão.
A solução encontrada à época foi estabelecer um piso de frete obrigatório, com o objetivo de proteger os autônomos da pressão de negociação das grandes empresas e evitar novas paralisações no país.
Sete anos depois, porém, o serviço de transporte segue sob pressão, e o agronegócio afirma que a política deixou de cumprir sua promessa original. Segundo dados da CNA, os transportadores autônomos perderam espaço no mercado desde a publicação da lei, reduzindo sua participação de 53,7% para 33,4% da frota registrada.
No mesmo período, empresas transportadoras e cooperativas ampliaram a atuação, com frota mais nova e menor custo operacional, o que teria aumentado a desigualdade competitiva no setor. A CNA afirma que, em vez de fortalecer o caminhoneiro independente, a política teria contribuído para sua fragilização.
Mais objetivamente, a crítica do agro se concentra no chamado "frete de retorno", o trajeto de volta do caminhoneiro, que é feito após a entrega da carga em seu destino. No mercado, esse trecho costuma ter preço menor, pois o caminhão precisa retornar de qualquer forma. Entretanto, como a tabela não diferencia ida e volta, o contratante é obrigado a pagar o piso mínimo também no retorno.
Questionada pela Folha de S.Paulo sobre o assunto, a CNA não se manifestou.
A ANTT defendeu a regra e disse que a lei tem "o objetivo de assegurar que os valores contratados para o frete remunerado de cargas cubram, no mínimo, os custos operacionais da atividade de transporte".
"Essa política busca garantir condições sustentáveis de remuneração para todas as categorias de transportadores remunerados", declarou.
A agência disse que tem feito revisões regulares no texto, por meio de contribuições recebidas em consultas e audiências públicas, para aperfeiçoar as regras.
Em 2018, o ministro do STF Luiz Fux chegou a conceder uma liminar que suspendia a aplicação de multas pela ANTT por descumprimento da tabela de frete mínimo. Logo depois, essa decisão caiu, e as autuações voltaram a valer.
O presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, defende a lei e cobra aprimoramentos.
"Temos lutado para ter a garantia do mínimo. O agro é que não cumpre a tabela do custo mínimo, que sequer embute lucro. Queremos ter a garantia de trabalho, não a escravidão do segmento do transporte", diz Landim.
Questionado sobre a queda no número de trabalhadores autônomos, ele diz que se trata de uma consequência de diversos fatores sem relação com o frete. "Há dificuldades de renovação da categoria, por falta de estrutura mínima de segurança, o alto custo de renovação da frota, e ainda querem acabar com o frete mínimo."
Na última década, o número de pessoas autorizadas a dirigir um caminhão caiu 62,89% no país, segundo o Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). Entre os motoristas com CNH (Carteira Nacional de Habilitação) da "categoria C", eram 3.582.685 condutores habilitados em 2014, ante 1.329.455 no ano passado.
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