O momento de oração promovido, no último sábado (13), por familiares do prefeito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão, pelo restabelecimento da saúde do gestor e dos paciente com Coronavírus, acabou se tornando algo de uma polêmica. O motivo foi a afirmação feita pela pastora Noelma Lucena Rodrigues, que conduzia a oração, foram feitas “obras de macumbaria” contra o gestor. A fala marcada pela intolerância religiosa repercutiu negativamente entre praticantes de religiões de matrizes africanas e também entre uma parcela da sociedade conquistense. O vídeo publicado pelo Blog do Sena foi amplamente divulgados nas redes sociais com críticas à fala da pastora. A Rede Beneficente, Cultural, Educacional e Religiosa Caminhos do Búzios, entidade representativa do Povo de Santos de Vitória da Conquista e região divulgou uma nota de repúdio à afirmação. “Independentemente de fazer parte politicamente da situação ou posição, todos o cidadãos conquistenses estão tendo um sentimento de humanidade e sem sombra de dúvidas, estão unidos em oração pela plena recuperação do Senhor Herzem”, diz um trecho da nota. A entidade também declarou que vai tomar as providências legais para que a pastora responda criminalmente pelas alegações.
Confira a nota na íntegra:
Este é um momento de grande sofrimento e consternação de toda a nossa cidade, em razão da gravidade do estado de saúde por conta de sequelas da COVID-19 que passa o reeleito Edil do Município, o Senhor Hérzem Gusmão, internado no Hospital Sírio Libanês em São Paulo para tratamento há cerca de três meses. Independente de fazer parte politicamente da situação ou oposição, todos os cidadãos conquistenses estão tendo um sentimento de humanidade e sem sombra de dúvidas, estão unidos em orações pela plena recuperação do Senhor Hérzem. Este sentimento não poderia ser diferente para o os religiosos de Matriz Africana de toda cidade e região, que através de suas celebrações e rituais sagrados, também estão rezando diariamente pelo restabelecimento da saúde do senhor prefeito. No entanto, apesar do momento tão delicado que estamos vivendo, com tantas perdas, tantas famílias enlutadas, tantas pessoas que assim como o prefeito da nossa cidade estão lutando pela vida, lutando contra essa famigerada e grave doença, ainda somos surpreendidos mais uma vez, com a prática de crime de racismo religioso, desta vez cometido por uma dita pastora, NOELMA LUCENA RODRIGUES MATEUS, DA IGREJA EVANGÉLICA TABERNÁCULO DO ESPÍRITO SANTO¨, que em meio a uma oração feita na porta da prefeitura da cidade, juntamente com seus fiéis e amigos, além de familiares do prefeito, afirma que a doença que acomete o edil é resultado de macumbas e práticas demoníacas promovidas pelos religiosos de matriz africana, infringindo fragorosamente a constituição brasileira em vigor¨, que garante a liberdade de culto e a proteção dos espaços religiosos, como reproduzimos abaixo: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; Desta forma, a Rede Beneficente, Cultural, Educacional e Religiosa Caminhos dos Búzios, entidade representativa do Povo de Santo de Vitória da Conquista e Região, vem através desta nota repudiar a atitude da referida Pastora e informar que, com base na constituição brasileira, tomaremos todas as providencias legais cabíveis para que essa senhora possa responder por mais um crime de racismo religioso praticado na cidade. Vitória da Conquista, 14/03/2021
Por meio da Portaria nº 113, de 12 de março de 2021, o presidente do Poder Legislativo de Brumado, vereador José Carlos Marques Pessoa, transferiu a sessão ordinária que seria realizada nesta segunda-feira (15) para a sexta-feira (19), às 09h. Diante do agravamento da situação da Covid-19 no município de Brumado, a Câmara de Vereadores vem adotando e reforçando as ações visando o combate à proliferação do vírus e a preservação da vida. Então, nesse contexto, uma das ações foi restringir a entrada da população que poderá acompanhar os trabalhos por meio da Rádio Câmara 103.3 ou da página do facebook do Sudoeste Acontece.
A Bahia registrou neste domingo (14) um novo recorde de pacientes internados em leitos de UTI Covid, desde o início da pandemia. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), são 1.137 pessoas nesta situação, 26 delas crianças ou adolescentes. Com isso, a ocupação de leitos de UTI adultos atingiu 89%. Nas últimas 24h, 80 óbitos foram registrados por causa da doença - são 13.239 mortes desde o início da pandemia no estado. O boletim epidemiológico deste domingo também contabilizou mais registrados 2.916 casos de Covid-19, sendo que 743.064 já foram confirmados até o momento. Dentre os óbitos, 56,02% ocorreram no sexo masculino e 43,98% no sexo feminino. Em relação ao quesito raça e cor, 54,95% corresponderam a parda, seguidos por branca com 20,96%, preta com 14,95%, amarela com 0,51%, indígena com 0,14% e não há informação em 8,48% dos óbitos. O percentual de casos com comorbidade foi de 69,35%, com maior percentual de doenças cardíacas e crônicas (74,21%). Os números de pacientes à espera de leitos mostram que o sistema de saúde baiano continua sob pressão. Às 15h deste domingo, 495 solicitações de internação em UTI Adulto Covid-19 constavam no sistema da Central Estadual de Regulação. Outros 255 pedidos eram para internação em leitos clínicos adultos. Este número é dinâmico, uma vez que transferências e novas solicitações são feitas ao longo do dia.
Ex-presidente planejava morar em Lauro de Freitas | Foto: Reprodução
O ex-presidente Lula (PT) adiou os planos de passar sua aposentadoria na Bahia após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que o tornou novamente elegível. Ele pretendia se instalar em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, o petista está focado nas eleições de 2022 e deve se mudar com a esposa Janja do atual apartamento em São Bernardo do Campo para um novo imóvel em São Paulo. A permanência no estado é tida como estratégica para as pretensões de Lula e do PT no pleito do ano que vem.
Aporte autorizado pela pasta será dividido entre Salvador, Jequié e Ilhéus | Foto: Reprodução
O Ministério da Saúde repassará à Bahia R$ 3.792.000, montante destinado ao financiamento de 79 novos leitos de UTI para tratamento de Covid-19 no estado. O valor, que será dividido entre Salvador, Jequié e Ilhéus, corresponde a 90 dias de custeio, com possibilidade de renovação posterior. À beira do colapso em seu sistema de saúde, a capital receberá R$ 1.440.000 pela abertura de 30 leitos extras — serão R$ 960.000 para o Hospital Sagrada Família e R$ 480.000 para o Hospital Municipal. Entre os municípios do interior, Ilhéus ficará com R$ 960.000 para bancar 20 leitos de UTI no Hospital Regional da Costa do Cacau. A portaria que libera um total de R$ 188,2 milhões em aportes para 21 estados foi assinada na sexta-feira (12) pelo ministro Eduardo Pazuello, após governadores cobrarem, em carta, apoio do governo federal para evitar “colapso total” dos sistemas de saúde. Ao todo, foram autorizados o financiamento de 3.965 novos leitos de UTI. Nem todos os gestores que assinaram a carta, entretanto, receberão leitos —ficaram de fora os estados do Acre, Amapá, Distrito Federal e Pará. No fim de fevereiro, a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), já havia determinado que o Ministério da Saúde voltasse a custear leitos de UTI para pacientes com Covid-19 nos estados da Bahia, Maranhão e São Paulo. A decisão atendeu a ações ajuizadas pelos respectivos estados, os quais argumentaram que a pasta deixou, progressivamente, de pagar pela manutenção de milhares de leitos pelo país.
Segundo O Globo, ministro deixa o cargo alegando problemas de saúde | Foto: Reprodução
O ministro da Saúde Eduardo Pazuello deve o deixar o comando da pasta. Segundo o jornal O Globo, Pazuello comunicou ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que está com problemas de saúde e pediu mais tempo para se reabilitar. A saída coincide com a pressão de aliados do governo que pedem a saída dele da pasta. Segundo o colunista Guilherme Amado, da revista Época, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP) se reuniu com Bolsonaro neste sábado (13) e teria pedido a demissão do ministro. Um dos nomes cotados para assumir a vaga é o deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ). Luizinho é médico e já foi secretário estadual de Saúde do RJ e preside a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, que trata de projetos relacionados a saúde. Outro nome que também está no páreo é o da cardiologista e intensivista Ludhmila Hajjar, do Hospital Vila Nova Star e Hospital das Clínicas, em São Paulo. De acordo com a revista Veja, a médica está sendo defendida por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e parlamentares do Democratas e do Partido Progressista.
Uma potencial variante de interesse do Sars-CoV-2 foi descoberta por pesquisadores no Brasil. A cepa possui a mutação E484K, tida como de maior atenção e também encontrada nas variantes P.1 (identificada no Brasil) e B.1.351 (observada inicialmente na África do Sul).
Segundo estudo publicado no fórum de discussões Virological, a nova variante foi primeiro identificada em São Paulo, em 11 de novembro de 2020. Os pesquisadores estimam que a cepa tenha se originado em agosto em São Paulo, Bahia ou Maranhão.
Mesmo já circulando há algum tempo, os pesquisadores afirmam que a VOI N.9 (expressão que traduzida do inglês significa variante de interesse N.9) não é muito prevalente no país. Até o momento, segundo o estudo, ela foi encontrada no Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, São Paulo e Santa Catarina.
A mutação E484K na proteína S (que se liga às células humanas para ocorrer a invasão) desperta atenção por ter sido associada a uma possível fuga imunológica.
A OMS (Organização Mundial da Saúde), inclusive, já emitiu um alerta recentemente sobre o assunto. A entidade afirmou que "as mutações encontradas na variante P.1 podem reduzir a neutralização por anticorpos; no entanto, estudos adicionais são necessários para avaliar se há mudanças na transmissão, severidade ou ação de anticorpos neutralizantes como resultado dessa nova variante".
A ação da mutação já foi estudada em laboratório em relação às vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna. Encontrou-se redução nas taxas de anticorpos neutralizantes presentes no soro de indivíduos que receberam os imunizantes.
"Temos que continuar estudando e vigiando essa variante, mas ela não apresenta ainda algumas outras mutações relacionadas, por exemplo, com maior transmissibilidade", afirma Marilda Mendonça Siqueira, pesquisadora da Fiocruz do laboratório de vírus respiratório e sarampo e uma das autoras da pesquisa.
Segundo Fernando Spilki, virologista professor da Universidade Feevale (RS) e coordenador da Rede Corona-ômica, do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações), pela baixa presença da variante no país --encontrada somente em cerca de 3% das amostras analisadas desde novembro de 2020--, ela pode ser definida como uma variante de interesse e, até o momento, não variante de preocupação.
Mesmo que a VOI N.9 ainda não desperte preocupação, outras variantes presentes no país, como as citadas P.1 e B.1.351, além da B.1.1.7 (identificada no Reino Unido), trazem preocupação e, neste momento, já dominam pelo menos sete estados do país, de acordo com outro estudo da Fiocruz.
Siqueira afirma que, mesmo ainda havendo muitas melhorias a serem feitas na vigilância genômica brasileiro, o país tem conseguido acompanhar cepas que merecem atenção em espaço de tempo relativamente curto.
A preocupação, porém, é o grave momento de total descontrole da pandemia no país, o que pode levar a muitas outras variantes surgindo. A nova onda da Covid fez explodir o número de mortes em grandes cidades do país.
"Se a pandemia continuar com essa transmissibilidade, com uma parte das pessoas não preocupada com uso de máscara, com distanciamento, isso vai facilitar que o vírus se transmita mais, se multiplique mais em diferentes organismos humanos, o que pode aumentar a chance de nós termos mais variantes no nosso país", diz Siqueira.
É na multiplicação que mora o problema. Erros no processo de cópia do material genético acabam gerando as mutações ao acaso, muitas vezes inúteis, mas outras, com potencial de melhorias na capacidade de disseminação do vírus, por exemplo. Dessa forma, quanto mais um vírus circula e se multiplica, maior é chance de aparecerem mutações.
Spilki diz que o espaço dado para o vírus circulas e medidas de restrição insuficientes fizeram com que agora tenhamos que conviver com variantes nacionais mais preocupantes, como a P.1 e a P.2 (observada no Rio de Janeiro e também com a mutação E484K).
"Realmente seria necessário que tivéssemos adotado medidas muito mais eficazes para tentar conter a diversificação do vírus", afirma Spilki.
Assessoria do vereador informou que ele continua "com evoluções pequenas", porém constantes | Foto: Brumado Urgente
O vereador de Salvador, Irmão Lázaro, que está internado em um hospital de Feira de Santana, devido à infecção pela Covid-19, permanece intubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo a assessoria do parlamentar, seu quadro clínico continua “com evoluções pequenas”, porém constantes.
Entre as dúvidas mais comuns estão qual é a responsabilidade das variantes do coronavírus na explosão de novos casos Foto: André Mello
Epicentro da pandemia, o Brasil vê o número de casos e mortes aumentar a cada dia em descompasso com a vacinação, que teve a previsão de doses para março reduzida. Mantido o atual ritmo, o Brasil pode chegar a 15 milhões de infectados e a 100 mil casos por dia, na média móvel, antes do fim de março, segundo projeções do cientista da USP de Ribeirão Preto Domingos Alves, do portal Covid-19 Brasil. Usando um modelo conservador, ele projeta que o país chegará a 70 mil casos diários na média móvel na semana que vem.
A devastação da Covid-19 não cessa e Alves estima que o país chegará a 300 mil mortos entre 25 e 27 de março, talvez antes. A previsão se baseia em uma taxa de 1.500 mortes por dia. Porém, Alves também avalia que devemos alcançar a marca de 2.000 mortes diárias, na média móvel, até o fim da semana que vem. E até o dia 26 , calcula, poderemos ter 3.000 óbitos por dia.
O país vacinou, até a noite de sexta-feira, apenas 4,50% de sua população, e somente 1,64 % tomaram as duas doses. Mas, na quarta, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reduziu de 30 milhões para de “de 22 a 25 milhões” as doses que devem chegar até o fim do mês. Foi a quinta diminuição no cronograma de vacinação do governo. A cobertura vacinal de 70% da população, considerada a mínima necessária para uma imunidade coletiva, não será alcançada antes do fim do ano, afirmam especialistas.
Para a volta à normalidade, três variáveis devem ser consideradas, afirma o vacinologista Herbert Guedes, professor do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes/UFRJ. São elas os números de vacinados, de casos graves de Covid-19 e de novos casos. Somente quando o de vacinados aumenta ao passo que os demais diminuem, será possível pensar em flexibilização de medidas coletivas e pessoais.
—O atual cenário é o de esgotamento do sistema de saúde e de total descontrole do coronavírus devido à falta de uma política pública nacional contra a pandemia. Nunca fizemos distanciamento corretamente e tampouco agora temos vacinação em massa, com falta de doses e de logística. É impossível neste momento saber quando a vacinação terá impacto no Brasil — afirma a sanitarista e epidemiologista Carla Domingues, que esteve à frente do Programa Nacional de Imunizações (PNI) por oito anos (2011-2019).
A seguir, especialistas analisam o cenário atual e dizem o que esperar dos próximos meses de pandemia no Brasil.
Que percentual de população vacinada deveremos ter para reduzir as internações e mortes?
É incerto. Mas Domingos Alves diz que é possível ter uma ideia, se forem tomados como referência os dados de Israel, um dos países mais avançados do mundo na vacinação e que observou uma redução de 60% em internações e mortes, quando vacinou 30% da população
E quando isso deve acontecer no Brasil?
Em cerca de um mês, o país conseguiu vacinar, no máximo, 2,41% da população com a segunda dose. Nesse ritmo, para chegarmos a 30% da população vacinada, levaremos 19 meses, diz Alves. Alguns estados poderiam conseguir em 15 meses, mas, mesmo assim, não chegariam a 30% antes de junho de 2022. Alves calcula que, para reduzir óbitos e internações com vacinas até dezembro de 2021, teríamos que vacinar por mês 3,1% da população. Isso significa dobrar a taxa atual.
Até chegarmos a uma cobertura vacinal mais ampla, o que precisamos fazer?
Especialistas são unânimes em destacar a necessidade de que, após mais de um ano de Covid-19 e de 270 mil mortes, o Brasil finalmente tenha uma política pública definida contra a pandemia, com medidas mais duras e amplas de distanciamento social. Eles avaliam que foi justamente esta falta de política pública levou o Brasil ao desastre. Carla Domingues afirma que até agora só houve lockdowns curtos e localizados após o vírus sair de controle, e não uma estratégia preventiva. Ela destaca ainda a falta de segurança nos transportes públicos, focos importantes de transmissão.
Mesmo com a vacinação em curso será preciso abrir mais leitos e contratar mais profissionais de saúde?
Sim, porque a maior parte da população continuará desprotegida e a pandemia avança sem controle, com a quase totalidade dos centros urbanos à beira do colapso sanitário, dizem os cientistas. Além disso, como a vacinação avança lentamente, as pessoas continuam a adoecer. Jovens e crianças, cuja internação por Covid-19 tem aumentado, não estão entre os grupos vacinados este ano. Domingos Alves lembra que hoje muita gente morre na fila, à espera de internação. No Brasil, as pessoas morrem por falta de assistência, pontua Guedes. Por isso, garantir leitos e médicos suficientes é fundamental.
E que outras medidas devem ser tomadas?
Carla Domingues diz que é preciso organizar a vacinação e fazer campanhas de imunização e de distanciamento social e uso de máscara. Ela lembra que, em vacinações passadas, o Ministério da Saúde fazia campanha nas TVs e em outras mídias, as Forças Armadas apoiavam a imunização, havia contratações para acelerar a aplicação de doses. Segundo ela, agora o ministério não forneceu apoio estrutural, não há um centavo para as campanhas. Somado a isso, há caos entre estados e municípios, carentes de uma política nacional. Cada um faz o que e como deseja para vacinar e decretar medidas de contenção.
Que dificuldades têm a imunização no Brasil?
Garantir que as pessoas recebam a segunda dose, assegurar que as doses sejam do mesmo imunizante e medir a efetividade das vacinas. Segundo Carla Domingues, o Brasil não fez pré-cadastro dos vacinados, têm ocorrido casos de pessoas que misturam vacinas diferentes e o país continua a testar pouquíssimo. Com isso, não sabe a real taxa de positividade.
Essas medidas podem ser flexibilizadas à medida que a margem de cobertura aumenta?
Só se houver também uma redução das taxas de transmissão e de mortes, destaca o vacinologista Herbert Guedes.
Que impacto a vacinação de idosos e de grupos com comorbidades poderá ter sobre o sistema de saúde?
Um enorme impacto positivo, com a redução significativa de internações e mortes por Covid-19.
O que já se sabe nesse sentido?
Em países que já imunizaram significativa parcela da população os resultados são altamente positivos. Israel, que vacinou praticamente a totalidade de sua população idosa e cerca da metade dos demais habitantes já tomou uma dose, teve uma redução de 90% dos casos graves. Na Escócia, cinco semanas após a primeira dose da vacina da AstraZeneca/Oxford, houve uma redução de 94% das internações por Covid-19.
E no Brasil?
Os dados ainda são preliminares, mas muito bons. Na capital paulista, as mortes de pessoas com mais de 90 anos tiveram uma redução de 70% após a vacinação. Em Pernambuco, o governo do estado informa que diminuíram as internações de idosos acima de 85 anos.
Qual o prazo estimado para que seja alcançada imunidade coletiva no Brasil?
Quando 70% da população estiver vacinada, o que especialistas chamam de “número mágico”. É, no entanto, apenas uma estimativa, destaca a epidemiologista Carla Domingues. O vacinologista Herbert Guedes explica que 70% significa que sete em cada dez pessoas estarão protegidas, com um impacto positivo significativo. Se o governo aplicar todas as vacinas que prevê adquirir em 2021 esses 70% só serão atingidos, no cenário mais otimista, em nove meses. Mas o atual ritmo de vacinação, muito lento, pode apontar para um calendário ainda mais distante.
Por que antes disso não haverá garantia de proteção coletiva?
Porque o vírus continuará a circular e muitas pessoas ainda poderão adoecer. As vacinas têm evitado a Covid-19 grave e a morte. Mas, lembra Domingues, não existe comprovação de que impeçam a infecção assintomática ou leve. Isso significa que vacinados podem, em tese, continuar a transmitir o coronavírus. Ninguém estará liberado este ano, diz ela.
O que pessoas imunizadas já podem fazer?
Pessoas com imunização completa, isto é, aquelas que tomaram as duas doses e já completaram duas semanas após a última inoculação, podem se encontrar com outras na mesma situação sem o uso de máscara, mesmo em ambientes fechados. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) , elas também podem se encontrar com outras pessoas de baixo risco, mesmo que estas não tenham sido vacinadas. Também não precisam se quarentenar ou se testar, caso sejam expostas ao coronavírus. Porém, elas precisam continuar a usar máscaras em locais públicos, pois não há garantia de que não possam ser contagiosas. O CDC diz ainda que até o momento a recomendação é a manutenção dos cuidados de distanciamento social e uso de máscara.
Por que nos EUA essas medidas já são possíveis?
Os EUA têm o maior número de casos e mortes do mundo, mas desde janeiro conseguiram uma redução espetacular nas taxas de casos e mortes. A média móvel este mês caiu 75% em relação a janeiro. Além disso, vacinam maciçamente. O presidente americano, Joe Biden, declarou que todos os adultos do país deverão estar vacinados até o fim de maio. Com isso, terão milhões de doses excedentes. Em julho, estas serão suficientes para vacinar 200 milhões de pessoas.
As medidas se aplicam para pessoas totalmente vacinadas no Brasil?
Não. O Brasil vive o cenário oposto, transmissão em alta e vacinação em baixa. Domingues chama a atenção de que o atual cenário de pandemia descontrolada no Brasil, com recordes de números de óbitos e novos casos diários, impede que medidas de flexibilização individual decorrentes de benefícios da vacina possam ser tomadas. Só em dois ou três meses após a estabilização da pandemia, com redução de casos, será possível pensar em medidas de flexibilização para os vacinados.
Vacinados devem continuar a usar máscara?
Sim. Não existe ainda certeza de que não possam contrair e transmitir o coronavírus.
E poderão visitar amigos e parentes?
Sim, mas somente com uso de máscara e distanciamento, caso as demais pessoas não tenham sido imunizadas.
Quem já foi vacinado pode retomar atividades como ir ao cinema, à praia e a espetáculos?
Não. Só será possível pensar nisso depois que a chamada margem de imunidade coletiva for alcançada, em cerca de nove meses no Brasil. Isso porque as pessoas vacinadas podem não adoecer, mas poderiam transmitir o vírus. Não existe comprovação de que a vacina tenha impacto sobre a transmissão, salientam cientistas.
Como saberemos que as vacinas também estão controlando a transmissão?
Com testagem em massa, diz Guedes. O problema é que o Brasil nunca conseguiu testar sequer o mínimo necessário.
As vacinas são eficientes contra novas variantes do coronavírus?
Sim. Herbert Guedes explica que até agora os resultados alcançados mostram que as variantes conhecidas não impactaram a efetividade das vacinas.
E os estudos que sugerem que elas reduzem a produção de anticorpos?
Guedes e o virologista Amílcar Tanuri, da UFRJ, frisam que nenhum desses estudos é conclusivo e que nenhum testou as variantes de fato e sim os chamados pseudovírus, construções em laboratório para simular os efeitos do vírus real. Outros estudos são análises epidemiológicas. Apenas testes com os vírus isolados de pessoas e animais vacinados poderão oferecer respostas claras.
Existe vacina melhor para determinados grupos?
Não, todas são eficazes em reduzir o impacto da Covid-19. Deve-se tomar a primeira que estiver disponível, destacam cientistas.
Por quanto tempo dura a imunidade proporcionada pelas vacinas?
Não se sabe ainda.
As variantes são as responsáveis pela explosão de casos?
A resposta de especialistas é um sonoro não. Renato Santana, à frente de estudos com variantes na UFMG, explica que elas podem contribuir, mas não são as culpadas pelo descontrole da pandemia, resultado da falta de políticas públicas de contenção. As variantes são geradas pelo aumento da transmissão e ajudam a alimentar o ciclo vicioso da pandemia. Elas contribuem, mas não são o principal fator.
E qual é esse fator?
A falta de distanciamento social e uso de máscara, assegura Tanuri. Ele acrescenta que as variantes se tornaram uma conveniente desculpa para governantes que não promoveram medidas de contenção.
O aumento do número de internações de crianças e jovens é provocado pelas variantes?
Não há qualquer prova de que isso seja verdade, sequer existem estudos que sugiram isso. O vacinologista Herbert Guedes explica que, com a afrouxamento das medidas de distanciamento, crianças e jovens se expuseram mais e, por isso, um número maior deles foi infectado e parte adoeceu. Desde o fim do ano, o distanciamento social caiu drasticamente. Não é um problema de variantes, mas de matemática: com mais gente exposta, mais gente adoece, inclusive crianças e jovens. O maior número de crianças e jovens com Covid-19 é uma prova contundente da falta de política de distanciamento e do negacionismo de parte da sociedade, frisa Domingues.
O que fazer para proteger crianças e jovens?
Não há previsão de vacinas para crianças. Já os jovens são serão incluídos no programa de imunização por último. Sendo assim, as medidas de proteção são as conhecidas: uso de máscara e distanciamento social.
A Secretaria de Educação da Bahia (SEC-BA) divulgou o cronograma de matrícula para a rede estadual de ensino. Para quem já estava matriculado em 2020, a renovação será automática, sem que os estudantes, pais ou responsáveis tenham que ir à unidade escolar. Para os demais, a matrícula pode ser feita pelo site sacdigital.ba.gov.br ou pelo aplicativo SAC Digital, entre os dias 22 de março e 14 de abril. Os alunos que pretendem mudar de escola podem solicitar a transferência em qualquer unidade da rede estadual por meio de agendamento prévio. A SEC destaca que novos alunos devem apresentar alguns documentos para efetivação da matrícula, também em data a ser agendada com a escola: Histórico Escolar e original e cópia de identidade ou certidão de registro civil, CPF, comprovante de residência, carteira de vacina, identidade e CPF da mãe. O cronograma completo está disponível no Portal da Educação.
Até o momento, 67 municípios de 14 estados não enviaram à pasta informações sobre aplicação de doses da vacina contra o coronavírus | Foto: Fotos Públicas
O Ministério da Saúde pediu atenção aos gestores estaduais para que cobrem aos municípios mais celeridade nos registros de aplicação das doses da vacina contra a Covid-19. Até o momento, 67 municípios de 14 estados não enviaram à pasta nenhuma informação sobre vacinação na região.
O preenchimento das informações nos sistemas nacionais, além de possibilitar a análise de dados reais do país para distribuição de mais doses e auxílio aos municípios, avança o ritmo da vacinação nos grupos prioritários.
Segundo o levantamento semanal do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) e das Secretarias Estaduais de Saúde, atualmente os sistemas têm 200 mil registros de aplicações das doses diariamente – um número muito baixo.
Para que o lançamento dos dados possa ser feito com rapidez, o Ministério da Saúde disponibilizou aos gestores de saúde o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) para registro das aplicações. Estados e municípios devem enviar os registros de doses aplicadas por meio deste sistema ou da plataforma de integração – no caso daqueles que optaram por não utilizar o sistema do Ministério da Saúde -, no prazo de 48 horas.
Todo o processo foi amplamente divulgado e acordado entre União, estados e municípios. “Entretanto grande parte dos 5,5 mil municípios estão atrasados nas informações”, ressaltou o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros.
O uso da tecnologia e transparência nas ações em prol da saúde pública, auxiliam os estados no enfrentamento da pandemia de Covid-19. Por meio dessas ferramentas, o Ministério da Saúde consegue dimensionar demandas e disponibilizar recursos, medicamentos, vacinas, EPIs, ventiladores pulmonares, entre outros insumos, com assertividade, aos estados e municípios.
Por meio da plataforma Localiza SUS, a população também pode acompanhar os recursos e insumos distribuídos a cada estado.
Vacinação
O Ministério da Saúde já distribuiu mais de 20,1 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 para os estados, sendo 16,1 milhões da vacina Coronovac (Instituto Butantan) e 4 milhões do imunizante da AztraZeneca/Oxford, importadas da Índia. Deste total, estados e municípios já conseguiram aplicar 10,7 milhões de doses dos imunizantes.
Já foram destinadas doses para imunizar 11,5 milhões de pessoas dos grupos prioritário convocados até o momento, como pessoas acima de 60 anos institucionalizadas, pessoas acima de 18 anos com deficiência institucionalizadas, idosos de 75 anos ou mais, além dos povos indígenas aldeados e profissionais da saúde. Clique aqui e acesse os registros de vacinação por município.
Apostadores de todo o Brasil tem até as 19 horas de hoje (13) para tentar a sorte na Mega-Sena que promete pagar R$ 32 milhões ao acertador das seis dezenas. O sorteio do concurso 2352 da Mega-Sena está marcado para as 20h, no Espaço Loterias Caixa, em São Paulo. A aposta mínima, de 6 números, custa R$ 4,50. Quanto mais números marcar, maior o preço da aposta e maiores as chances de faturar o prêmio.
"Essa restrição é temporária, mas o benefício dela é permanente" | Foto: Reprodução
O governador Rui Costa voltou a pedir neste sábado (13) a compreensão da população para o cumprimento das medidas restritivas de funcionamento de serviços não essenciais e ao toque de recolher adotados pelo Governo do Estado. Rui ressaltou que a restrição é temporária, mas os benefícios serão permanentes.
“Eu quero, mais uma vez, pedir a compressão da população. Essa restrição é temporária. Mas o benefício dela é permanente. Nós estamos trabalhando…é melhor adiar uma festa, um jogo de futebol, um encontro de amigos para o mês que vem, para você estar vivo e para realizar esse encontro ou, infelizmente, não estar vivo para realizar nem agora e nem mês que vem. Digo isso porque, infelizmente, as novas cepas têm levado a óbito as pessoas jovens. Vi uma foto de uma jovem com um neném pequeno nos braços e seu marido do lado que veio a óbito em Camaçari. Uma outra de 24 anos em Jequié. Portanto, aquela história de que só estão morrendo pessoas idosas, isso não é verdadeiro”, contou o governador.
Rui ainda fez um alerta para os riscos das novas cepas do coronavírus, que possuem maior poder de transmissão e têm levado à óbito pessoas mais jovens.
“As novas cepas têm alcançado pessoas mais jovens. É importante que todos saibam que a humanidade, países com alto desenvolvimento tecnológico como EUA, Inglaterra, França, Rússia e China só encontraram duas fórmulas de conter o vírus: uma é a vacina, que nós estamos ajudando a comprar; a outra é o distanciamento social. Essa é uma doença coletiva, não é uma doença individual. Ela passa facilmente de uma pessoa para outra. E para evitar isso, temos que estar distante de uma pessoa para outra, para evitar essa transmissão. E o toque de recolher visa conter esses encontros, geralmente acompanhados de bebidas alcóolicas, que levam as pessoas a baixarem a guarda, a proteção, que são altamente transmissores da doença”, alertou
Instituído programa de apoio a universidades públicas para revalidação de diplomas de Medicina expedidos no exterior — Foto: Adriana Oliveira/TV Bahia
O governo da Bahia publicou neste sábado (13) um decreto que cria um programa de apoio às universidades públicas, para revalidação de diplomas de graduação em Medicina expedidos por instituições estrangeiras de ensino superior.
De acordo com o decreto, o programa foi criado para a expansão do atendimento médico em meio à pandemia da Covid-19, "com especial atenção ao fenômeno conhecido como 'terceira onda'".
Além disso, o documento afirma que o governo federal estabeleceu a meta de 2.5 médicos por mil habitantes no ano de 2020, mas que estudo realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que, na Bahia, a proporção é de 1.35 médicos por mil habitantes, sendo que há concentração de profissionais em Salvador (4.16 médicos por mil habitantes), em detrimento dos municípios do interior (0.68 médicos por mil habitantes). Nas cidades com até 50 mil habitantes, a concentração de médicos é ainda menor: 0,25 médicos por mil habitantes.
A adesão ao programa é facultativa às universidades e poderá ser feito em qualquer momento, enquanto o decreto durar.
As universidades que aderirem ao programa adotarão procedimento interno de revalidação, observada a legislação vigente. Além disso, ainda segundo o decreto, os procedimentos internos de revalidação deverão contar com programa de adaptação formativa que permita a integração teórico-prática e atenda aos seguintes parâmetros:
As instituições que se cadastrarem no programa receberão apoio da Secretaria da Saúde do EStado da Bahia (Sesab), com pagamento de bolsas.
O decreto ainda determina que as despesas necessárias à implantação do programa serão pagas com recursos da dotação orçamentária da Secretaria de Educação (SEC) e da Sesab.
Mário Vinicius tinha apenas 26 anos e tinha uma carreira muito promissora pela frente, a qual acabou sendo interrompida pela Covid-19 | Foto: Whatsapp
Como foi previsto por correntes científicas, os jovens começariam a serem vítimas do novo coronavírus, muitas vezes, da forma mais triste da doença, que é a morte. Em Brumado, infelizmente, essa previsão está se cumprindo com algumas vidas de jovens que não estão resistindo à doença. Na noite desta sexta-feira (12), mais um jovem brumadense acabou partindo devido às complicações da Covid-19 que foi o promissor engenheiro Mário Vinícius Gomes, de apenas 26 anos. Ele assim que apresentou os sintomas, fez o teste que deu positivo, tendo sido foi imediatamente internado no Centro de Atendimento Covid-19. Devido ao avanço do coronavírus, o engenheiro teve que ser transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Hospital das Clínicas de Conquista (HCC). Devido aos protocolos de biossegurança, a família informou que não haverá velório. É o pior momento desta pandemia em Brumado, onde as famílias enlutadas choram de forma copiosa pela perda dos seus entes queridos.