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- Por Julia Chaib | Folhapress
- 22 Nov 2024
- 11:43h
Foto: Reprodução/Youtube
O presidente eleito Donald Trump pode fazer do perdão a acusados no âmbito da invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, uma de suas primeiras medidas à frente do governo dos Estados Unidos.
Pelo menos é com isso que contam algumas das 1.500 pessoas acusadas de crimes relacionados à tentativa de impedir que o então eleito, Joe Biden, fosse confirmado presidente da República.
Diferentemente do que ocorre no Brasil, a anistia aos condenados pelo episódio não precisa de autorização do Legislativo. O presidente americano tem, segundo a Constituição, poderes para perdoar qualquer pessoa que tenha sido acusada de um crime federal.
Durante a campanha, o presidente eleito afirmou mais de uma vez que perdoaria os condenados que "fossem inocentes". Ele não detalhou como fará isso, mas, segundo estudiosos ouvidos pela Folha, basta um ato de Trump para livrar seus apoiadores das penas impostas.
O republicano tomará posse em 20 de janeiro do ano que vem. Cerca de 1.500 pessoas foram acusadas de crimes que incluem invasão de propriedade, agressão a policiais e conspiração sediciosa. Delas, ao menos 600 foram condenadas.
Trata-se da maior investigação da história do FBI, que trata de crimes federais, ocorrida após Trump se recusar a aceitar a derrota em 2020 e insuflar apoiadores ao dizer, sem provas, que houve fraude na eleição.
Com a expectativa de perdão, desde o dia 6 de novembro, quando Trump foi declarado vencedor, advogados de acusados têm usado a vitória do republicano para pedir adiamento ou anulação de suas condenações. Outros já escreveram diretamente ao presidente eleito pedindo a clemência.
O jornal The New York Times informou que a defesa de Joseph Biggs, um dos líderes do grupo extremista de direita Proud Boys (garotos orgulhosos), que teve papel relevante na invasão ao Congresso, enviou uma carta a Trump no dia seguinte à eleição com a solicitação de perdão.
Biggs cumpre pena de 17 anos por conspiração sediciosa. Segundo o veículo, outros integrantes do grupo pretendem fazer o mesmo.
A maior das penas impostas até agora foi de 22 anos de cárcere, imposta a Enrique Tarrio, um dos líderes do grupo. Tarrio é tratado como um dos mentores da conspiração e da insurreição.
Num outro caso, a defesa de Christopher Carnell, réu de 21 anos da Carolina do Norte, pediu à Justiça o adiamento de uma audiência do caso, que estava marcada para a semana passada. A juíza do Distrito de Columbia, Beryl Howell, negou a solicitação.
O argumento do pedido foi o perdão prometido por Trump. "O Sr. Carnell, que entrou no Capitólio aos 18 anos de forma não violenta em 6 de janeiro, espera ser aliviado da acusação criminal que está enfrentando quando a nova administração assumir o cargo", escreveu o advogado de Christopher Carnell no ofício à Justiça.
Trump afirmou em março deste ano que pretendia perdoar os invasores, a quem se referiu mais de uma vez como patriotas e prisioneiros políticos. "Estou disposto a perdoar muitos deles", escreveu Trump na plataforma Truth Social, em março. "Não posso dizer por cada um, porque alguns deles, provavelmente, perderam o controle."
Depois, o republicano repetiu ter a intenção de perdoar os acusados e disse que faria isso ainda nos primeiros dias à frente do governo.
Essa possibilidade preocupa advogados e cientistas políticos, que veem no eventual perdão uma forma de Trump driblar decisões judiciais e dar um salvo-conduto a esse tipo de comportamento.
"Se isso ocorrer, representa uma violação aos princípios da democracia", avalia Vincent Hutchings, professor de ciência política da Universidade de Michigan. "Esse poder de perdão deveria ser concedido pela Justiça, não pelo presidente."
Hutchings acredita que Trump levará adiante sua promessa. "Não vejo razão para ele não cumpri-la."
A invasão ao Capitólio ocorreu no dia da diplomação de Biden, semanas depois de Trump ter insistido que as eleições de 2020 tinham sido fraudadas. Mais de 140 policiais foram agredidos no 6 de Janeiro. Ao menos cinco pessoas morreram durante a invasão ou em consequência dela. A estimativa é de que os revoltosos causaram um prejuízo equivalente a mais de R$ 13 milhões.
A ação obrigou a Câmara e o Senado a trancarem suas portas e a paralisarem a sessão que deveria confirmar a vitória de Biden. A invasão aconteceu poucos minutos depois de o próprio Trump, durante manifestação na capital do país, Washington, insuflar ativistas a se dirigirem até a sede do Legislativo.
- Bahia Notícias
- 22 Nov 2024
- 09:41h
Foto: Divulgação/Petrobras
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou nessa quinta-feira (21) o Plano de Negócios 2025-2029 (PN 2025-29). A previsão é que haja investimentos de US$ 111 bilhões no período, sendo US$ 98 bilhões na Carteira de Projetos em Implantação e US$ 13 bilhões na Carteira de Projetos em Avaliação.
Do valor total de US$ 111 bilhões, a previsão é de que US$ 77 bilhões sejam investidos em exploração e produção, US$ 20 bilhões em refino, transporte e comercialização, US$ 11 bilhões em gás e energias de baixo carbono e US$ 3 bilhões na parte corporativa.
Segundo a companhia, este ano o plano foi dividido em duas partes: o PE 2050, que propõe refletir sobre o futuro do planeta e como a empresa quer ser reconhecida em 2050 e o PN 2025-29, com metas de curto e médio prazo.
O planejamento da Petrobras estima que o fornecimento de energia nesse período passe de 4,3 exajoules (EJ) em 2022 para 6,8 EJ em 2050, o que manteria a companhia como responsável por 31% da oferta primária de energia do Brasil. A Petrobras também tem o objetivo de neutralizar suas emissões operacionais até 2050.
A estatal declara que “concentrará esforços no aproveitamento dessas oportunidades do mercado de óleo e gás, com foco em reposição de reservas, na produção crescente com menor pegada de carbono e na ampliação da oferta de produtos mais sustentáveis e de maior qualidade no seu portfólio”.
- Por Laiz Menezes | Folhapress
- 21 Nov 2024
- 18:20h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Uma pesquisa de opinião pública divulgada nesta quinta-feira (21) mostrou que 29% dos brasileiros têm algum medo com relação às vacinas. Os possíveis efeitos adversos são o principal motivo para o receio da população na hora de se imunizar, segundo o estudo conduzido pelo instituto Ipsos, uma das líderes globais no fornecimento de pesquisas no Brasil.
Das 2.000 pessoas entrevistadas online entre os dias 30 de outubro e 6 de novembro, 74% afirmaram já terem recebido alguma informação falsa sobre a vacinação. Dessas, 41% disseram ter encontrado fake news nas redes sociais.
Quase 30% dos entrevistados, todos acima de 18 anos, já deixaram de se vacinar ou recomendaram que outros não se vacinassem devido a dúvidas sobre segurança e eficácia das vacinas. Outros 10% decidiram não se vacinar por causa de informações recebidas virtualmente ou de amigos e parentes.
Cerca de 10% dos participantes são descrentes em relação às vacinas, sendo mais propensos a acreditar em fake news. Mais da metade desse grupo é composto por pessoas acima de 55 anos, com leve predominância masculina e maior presença nas classes C, D e E.
A pesquisa, encomendada pela biofarmacêutica Takeda e feita com a colaboração da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), buscou entender as percepções sobre dengue e vacinação em geral. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Para o médico infectologista Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), o Brasil passa pelo enfrentamento a hesitação vacinal como um novo fenômeno social.
"Esses hesitantes ou céticos, apesar de serem uma parcela menor da população, fazem muito barulho e ocupam muito espaço nas redes sociais", diz.
Com relação à vacina contra a dengue, disponibilizada pelo Ministério da Saúde às crianças e aos adolescentes de 10 a 14 anos, os resultados da pesquisa da Ipsos mostram que 88% das pessoas veem o imunizante como uma medida eficaz de prevenção à doença.
Outros 35% dos participantes, no entanto, revelaram já ter escutado informações que desencorajam o uso do imunizante com as justificativas de que a vacina teria sido desenvolvida muito rapidamente, que não seria eficaz e que teria efeitos colaterais graves.
Renato Kfouri afirma que os profissionais da saúde ainda não estão preparados para conversar com pessoas que não querem se vacinar, porque não foram preparados para isso. "Temos uma formação para vender a ciência, mas ainda não temos essa escuta empática, tem que ser uma construção para todos nós."
"Qualquer vacina e intervenção têm seus efeitos colaterais, custos e estratégias a serem implantadas, mas estamos sempre buscando um benefício para população quando pensamos em saúde pública, nunca terá mais riscos que benefícios", acrescenta.
De acordo com a Ipsos, a garantia de proteção, segurança e disponibilidade da vacina contra a dengue na rede pública são os principais motivadores para a vacinação. Mídias sociais e influência de amigos e familiares têm menor impacto, mas são relevantes entre parcela dos mais jovens.
O Brasil foi o primeiro país do mundo a disponibilizar vacinas contra a dengue no sistema público de saúde. Produzida pelo laboratório japonês Takeda, o imunizante Qdenga tem as mesmas contraindicações que outras vacinas feitas a partir de vírus vivo, ou seja, não deve ser tomada por gestantes e lactantes e pessoas com imunodeficiência.
Pais com filhos entre 4 e 17 anos foram 43% dos participantes da pesquisa. Embora cautelosos, eles são o público com atitudes mais positivas em relação à vacinação em geral, com o hábito de buscar informações seguras e prestar atenção às campanhas de imunização.
No entanto, esse grupo está mais exposto a fake news, principalmente em redes sociais e canais pessoais como WhatsApp. Por isso, apesar de o conhecimento sobre a gravidade da dengue ser reconhecido pela população, ainda há desafios.
Presidente da SBI, Alberto Chebabo diz que a população opta por não se vacinar porque podem não sentir tanto o efeito positivo da vacinação nos dias atuais, já que os imunizantes foram responsáveis por eliminar os maiores riscos, como no caso da Covid.
"A vacinação acabou com várias doenças aqui no Brasil. Não temos mais varíola, sarampo, poliomielite, rubéola. As pessoas não veem mais ninguém doente com essas doenças que matavam tanto anteriormente e isso faz com que se perca o medo", diz.
O infectologista ressalta que as vacinas passam por um protocolo rígido de segurança antes de serem disponibilizadas para uso. Para ele, as pessoas se preocupam com os efeitos adversos porque não veem mais os efeitos que as doenças tinham antes dos imunizantes, mas que nenhum efeito colateral se compara aos sintomas e gravidades de uma doença.
O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde
- Por Daniele Madureira | Folhapress
- 21 Nov 2024
- 16:31h
Foto: Reprodução Adobe Stock
Em mensagem publicada na sua conta oficial no Instagram, o presidente mundial do Carrefour, Alexandre Bompard, afirmou que a rede francesa não vai oferecer nos seus pontos de venda carne produzida em países do Mercosul -aliança comercial formada por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, da qual também participam como países associados Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador.
"Em solidariedade ao mundo agrícola, o Carrefour se compromete a não vender carne do Mercosul", informou o executivo no post, em que trazia a reprodução de uma carta enviada por ele a Arnaud Rosseau, empresário francês, presidente da FNSEA (Federação Nacional dos Sindicatos dos Agricultores).
Procurado pela Folha, o Carrefour Brasil informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que "nada muda nas operações do país" e que a rede continua comprando carne de produtores locais.
Nesta semana, agricultores franceses têm feito protestos contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que veem como ameaça. A França lidera a resistência à assinatura do pacto, que criaria a maior zona de livre-comércio do mundo.
O acordo criaria um mercado comum de 780 milhões de pessoas e um fluxo de comércio de até R$ 274 bilhões em produtos manufaturados e agrícolas.
Durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o país "não está isolado" em sua oposição ao tratado comercial. "Por ter sido negociado há muitas décadas, o texto se baseia em condições prévias que estão desatualizadas", disse o chefe de Estado francês, que lançou a ideia de "repensar a relação com essa sub-região".
Na carta dirigida a Rosseau, Bompard afirma que, em toda a França, podem ser ouvidos "o desespero e a indignação dos agricultores face ao acordo de livre comércio proposto entre União Europeia e Mercosul", que pode não respeitar os limites e se espalhar pelo mercado francês.
"Esperamos inspirar outros atores do setor agroalimentar e dar impulso a um movimento mais amplo de solidariedade, que vá além do setor do varejo, que já lidera a luta a favor da origem francesa da carne que comercializa", afirmou.
"Apelo em particular aos envolvidos na alimentação fora de casa, que representam mais de 30% do consumo de carne na França -mas 60% do que é importado- para aderir ao nosso compromisso. É através da união que poderemos garantir aos produtores franceses que não haverá qualquer possibilidade de evasão", disse.
O Ministério da Agricultura e Pecuária brasileiro divulgou nota nesta quarta-feira (20) em que critica a decisão do Carrefour.
"O posicionamento do Mapa é de não acreditar em um movimento orquestrado por parte de empresas francesas visando dificultar a formalização do acordo", afirmou o ministério.
Vários governos europeus, como os da Espanha e Alemanha, são favoráveis ao acordo, que abriria as portas para maiores exportações de carros, máquinas e produtos farmacêuticos da UE.
O primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz, pediu na cúpula do G20 que o acordo com o Mercosul seja concluído "de uma vez". "Depois de mais de vinte anos [de negociações], precisamos finalizar de uma vez o acordo de livre comércio", defendeu.
Os fazendeiros europeus, por outro lado, listam diversas preocupações, como a quota de carne a ser importada pelo bloco sob uma tarifa básica de 7,5%. Alegam que a competição seria desleal, pois a produção na América do Sul seria mais leniente em termos sanitários, ambientais e sociais.
Uma auditoria da União Europeia, publicada no mês passado, aponta que o Brasil não consegue dar garantias de que sua produção de carne não faz uso de um hormônio de crescimento banido no continente há décadas. A itens desse tipo se somam as considerações ambientais de praxe, bem conhecidas do público brasileiro.
O Ministério da Agricultura afirma que "reitera a qualidade e compromisso da agropecuária brasileira com a legislação e as boas práticas agrícolas, em consonância com as diretrizes internacionais".
- Por Bruna Fantti | Folhapress
- 21 Nov 2024
- 14:26h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
O casal que transportava cerca de R$ 1,5 milhão em cédulas de reais, dólares e euros furtados do Banco do Brasil, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, teve a prisão preventiva decretada após uma audiência de custódia realizada nesta terça-feira (19).
De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o casal, que planejava fugir para o Uruguai, é do Espírito Santo e estava transportando o dinheiro em um Jeep Renegade. Ainda segundo a PRF, o homem é funcionário do banco e furtou o dinheiro da agência em que trabalhava. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do casal.
Os dois foram detidos pela PRF durante uma abordagem em Santa Maria. No veículo, além do dinheiro, também estavam um gato e um cachorro, que foram encaminhados para uma ONG.
Um boletim de ocorrência foi registrado pela gerente da agência bancária, na Polícia Civil do Espírito Santo, após notar o desaparecimento do dinheiro. No documento, ela destacou que o funcionário "não apareceu para trabalhar na presente data [segunda-feira, 18], não atende ao telefone e nem visualiza mensagens no WhatsApp".
Em nota, a PRF afirmou que o dinheiro foi encontrado após "uma inspeção mais aprofundada em que foram encontrados maços de reais, dólares e euros escondidos em malas e junto ao estepe".
Os agentes contabilizaram R$ 763,4 mil, US$ 41,9 mil (R$ 242 mil) e 70,7 mil euros (R$ 429,9 mil).
"A suspeita é de que o dinheiro tenha sido furtado de uma agência do Banco do Brasil no Espírito Santo, onde o condutor do veículo trabalha", disse a corporação.
A Polícia Civil de Santa Maria conduzirá as investigações, em colaboração com a Polícia Civil de Vitória, para esclarecer como o crime foi planejado e determinar o momento exato em que o dinheiro foi subtraído.
Em nota, o Banco do Brasil declarou que "a área de segurança identificou o furto, notificou as autoridades policiais e contribuiu com as investigações, que resultaram na localização e prisão do funcionário".
- Por Paola Ferreira Rosa e Gustavo Luiz | Folhaprees
- 21 Nov 2024
- 12:24h
Foto: Agência Brasil
Ao entrar em um estabelecimento, o operador de logística Flávio Caetano Anjos, 25, segura o celular na mão. "Acho que vendo que estou com um aparelho mais caro, talvez tirem essa ideia de que vou roubar algo", afirma o morador do município baiano de Feira de Santana, a 115 quilômetros de Salvador.
Anjos diz que, quando usava o cabelo no estilo black power, sentia diariamente olhares de medo em sua direção. Agora que mantém um corte de cabelo mais curto, ele sente a predominância da desconfiança nos olhares.
Assim como Anjos, a maioria dos pretos no Brasil diz já ter sentido olhares de desconfiança em lojas, restaurantes ou supermercados, segundo pesquisa Datafolha. O número corresponde a 58%. Entre pardos, o percentual é de 40%. Entre os brancos, esse percentual cai para 26%.
No total, 39% dos brasileiros afirmam ter sido vistos com desconfiança nesses ambientes.
A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 7 de novembro de 2024 e tem um nível de confiança de 95%, com margem de erro geral de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Com relação à cor, a margem de erro é de cinco pontos para pretos, de quatro para brancos e de três para pardos. Foram entrevistadas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 113 municípios de todas as regiões do país.
Para Matheus Gato de Jesus, coordenador do Afro-Cebrap e professor de sociologia da Unicamp, a diferença nas respostas de pretos, pardos e brancos tem origem na experiência racial desses grupos.
"A percepção racial entre os negros, sobretudo pessoas pretas, é muito mais aguçada para as experiências. Penso que mais pessoas pretas estão relatando sentir esses olhares porque elas têm uma percepção específica do racismo, que difere dos pardos e dos brancos", afirma.
Com relação à frequência com que percebem esses olhares, pessoas autodeclaradas pretas também se destacaram. Para 29% delas, essas situações acontecem sempre ou às vezes -outros 29% apontam que os casos ocorrem raramente. Entre os entrevistados pardos, 16% apontaram que sentiram olhares de desconfiança sempre ou às vezes.
O índice cai para 10% entre autodeclarados brancos.
De acordo com o pesquisador, o racismo brasileiro impede que negros sejam percebidos como pessoas da classe média e alta. "Ou seja, elas não são vistas como agentes plenamente consumidores. E consumir não é simplesmente ter dinheiro para comprar, é ter o status suficiente para exibir determinadas marcas", afirmou.
Entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, 42% dizem já ter sentido um olhar de desconfiança em lojas, restaurantes ou supermercados, ante 38% na faixa de renda de 2 a 5 salários. O percentual é de 30% entre quem tem renda superior a cinco salários mínimos. Nesse estrato, as margens de erro variam de 3 a 7 pontos para mais ou para menos.
O especialista afirma que, a partir da determinação dos grupos socialmente autorizados a frequentar determinados ambientes, há um processo de constrangimento dos indivíduos tidos como externos. "Boa parte dos brancos que se declaram vigiados, em situação semelhante às dos negros, são pobres", diz.
O levantamento também perguntou aos entrevistados se já passaram por situações em que as pessoas na rua aparentavam estar com medo deles. Entre os pretos, 29% afirmaram que já tiveram a sensação de causar medo enquanto andavam pela rua. Já entre os pardos foram 16%, enquanto apenas 9% dos brancos disseram ter tido essa impressão.
Com relação à frequência, 15% dos pretos dizem passar por isso sempre ou às vezes, frente a 8% dos pardos e 4% dos brancos.
Quando se analisa apenas o recorte de gênero, mais homens (25%) dizem ter sentido que alguém na rua teve medo deles do que mulheres (8%).
De acordo com Jesus, isso acontece porque a representação sobre o corpo negro no espaço público o entende como alguém que pode violar algo. "O corpo negro masculino é visto como um corpo perigoso. O ditado diz que 'preto parado é suspeito, correndo é bandido'. Existe uma conexão entre juízo de beleza e juízo de valor: esse conjunto de representações negativas também se alimenta esteticamente", diz.
Segundo o especialista, as ferramentas usadas para intimidar são a hipervigilância e a truculência, que se dão por meio do uso excessivo de câmeras, perseguição por seguranças e até violência.
Perguntados se já foram seguidos por um segurança em loja ou supermercado, 36% dos entrevistados autodeclarados pretos disseram que já aconteceu (18% sempre ou às vezes). Entre os pardos, foram 21% (7% sempre ou às vezes), enquanto entre os brancos esse número cai para 13% (3% sempre ou às vezes).
De acordo com Sara Eugênnia, advogada especialista em direitos humanos e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO (Ordem dos Advogados do Brasil - Seção de Goiás), casos de discriminação são enquadrados na Lei do Racismo e podem ser denunciados em delegacias, no Ministério Público, na Comissão de Direitos Humanos da OAB e na Defensoria Pública de sua cidade.
Por ser imprescritível, o crime de racismo pode ser denunciado mesmo anos depois de ter acontecido.
"A grande questão que eu vejo é a dificuldade de provar que isso aconteceu. Então, se estiver sendo seguida por um segurança, por exemplo, tente obter provas antes de tomar alguma atitude de enfrentamento. Vale gravar com o celular, conversar com pessoas próximas que podem ser testemunhas, anotar o horário. Tudo isso contribui para que o processo avance", afirma a advogada.
- Bahia Notícias
- 21 Nov 2024
- 10:20h
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
Uma bebê de nove meses morreu em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, após contrair coqueluche. Este foi o primeiro óbito registrado pela doença no estado nos últimos cinco anos. A morte ocorreu no dia 12 de novembro.
De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), a criança não havia tomado nenhuma vacina do calendário de imunização. Durante a internação, ela também foi diagnosticada com Covid-19, Rinovírus e Adenovírus.
A Sesab informou que, em 2024, foram registrados 18 casos de coqueluche no estado, sendo 14 em mulheres. Os pacientes tinham idades que variaram de 1 mês a 32 anos, com 46% dos casos envolvendo crianças com menos de 1 ano. A bebê de Teixeira de Freitas fazia parte desse grupo de maior incidência.
A coqueluche, também conhecida como tosse comprida, é uma doença bacteriana que pode ser prevenida com vacinação. A Sesab reforçou a importância de manter o calendário vacinal em dia, especialmente entre crianças pequenas.
- Ação em parceria com a Defesa Civil da Bahia visa reforçar a prontidão e segurança das comunidades próximas ao Rio do Antônio
- ASCOM: RHI Magnesita I Eliana Fonseca
- 21 Nov 2024
- 09:40h
Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente
A RHI Magnesita, em parceria com a Defesa Civil do Estado da Bahia, órgãos públicos e comunidades próximas ao Rio do Antônio, realizará no dia 30 de novembro, às 8h, em Brumado, o simulado do Plano de Ação de Emergência para Barragem de Água de Catiboaba.
Essa ação preventiva da companhia visa reforçar a cultura de prontidão e avaliar a eficácia das ações para atuação em uma eventual emergência. Para além de cumprir a lei e estar em conformidade com todas as normas que regulamentam o setor, a RHI Magnesita reforça o seu compromisso com a segurança e trabalha de forma proativa, juntamente com os órgãos competentes, na gestão de segurança de suas barragens. A empresa destaca ainda que a barragem está em condições estáveis e com todas as exigências estruturais em conformidade com a lei.
A Barragem de Água Catiboaba está inserida no Rio do Antônio e vem sendo usada desde 1970 para armazenamento de água. Com o simulado, a RHI Magnesita vai orientar os moradores de áreas próximas às Zonas de Autossalvamento (ZAS) sobre as práticas corretas durante uma eventual emergência. A ação é importante para que todos conheçam os protocolos e estejam informados sobre a segurança.
“A realização do simulado de emergência é uma iniciativa crucial para a segurança das comunidades ao redor do Rio do Antônio. Esse exercício não só orienta os moradores sobre as práticas corretas em situações de emergência, mas também fortalece a colaboração entre órgãos públicos e a população local. Ao familiarizar todos com os protocolos de segurança, garantimos que estejam preparados e informados, promovendo um ambiente mais seguro para todos”, diz Carlos Eduardo Rodrigues Souza, Gerente de Meio Ambiente.
Na fase preparatória ao Simulado, a RHI Magnesita entrará em contato com as comunidades para realização de uma reunião no dia 23 de novembro, na unidade de Catiboaba, em Brumado. No encontro, a equipe técnica de meio ambiente da empresa vai tirar dúvidas e fazer os alinhamentos prévios de como ocorrerá a simulação.
No dia e horário estabelecidos para o simulado, veículos com alta capacidade sonora passarão pelos locais de influência para que os moradores se direcionem ao ponto de encontro mais próximo. Nesse local, uma equipe da RHI Magnesita dará todas as orientações aos moradores.
Sobre a RHI Magnesita
A RHI Magnesita é o fornecedor líder global de produtos, sistemas e soluções refratárias de alta qualidade que são essenciais para processos de alta temperatura, superiores a 1.200°C, em uma ampla variedade de indústrias, incluindo aço, cimento, metais não ferrosos e vidro. Com uma cadeia de valor verticalmente integrada, de matérias-primas a produtos refratários e soluções totalmente baseadas em desempenho, a RHI Magnesita atende clientes em todo o mundo, com cerca de 20.000 funcionários em 47 unidades de produção, 9 unidades de reciclagem e mais de 70 escritórios de vendas. A RHI Magnesita pretende alavancar sua liderança em termos de receita, escala, portfólio de produtos e presença geográfica diversificada para atingir estrategicamente os países e regiões que se beneficiam de perspectivas de crescimento econômico mais dinâmico.
O Grupo está listado na categoria Equity Shares (Commercial Companies) ("ESCC") da Lista Oficial da Bolsa de Valores de Londres (símbolo: RHIM) e é um constituinte do índice FTSE 250, com uma listagem secundária na Bolsa de Valores de Viena (Wiener Börse). Para obter mais informações, acesse: www.rhimagnesita.com
- Por Marianna Holanda | Guilherme Botacini | Folhapress
- 21 Nov 2024
- 08:14h
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
O presidente chinês, Xi Jinping, deu ao presidente Lula (PT) de presente um pedaço da rocha lunar, durante jantar no Itamaraty na noite desta quarta-feira (20).
É praxe a troca de presentes entre chefes de Estado em cerimônias como esta. Xi chegou ao Brasil para o G20 no Rio de Janeiro, e hoje foi recebido por Lula em visita oficial a Brasília. O presidente brasileiro, por sua vez, presenteou o homólogo chinês com cerâmica Marajoara.
Segundo integrantes do governo, um dos presentes do chinês ao brasileiro foi um pedaço da rocha colhida no programa espacial chinês. Em junho, pela primeira vez na história, a China foi à face oculta da Lua, o hemisfério lunar jamais visto da Terra, e trouxe amostras de volta à Terra. O episódio levou o nome de missão Chang'e 6.
O jantar no Itamaraty em homenagem a Xi Jinping teve mais gente do que é costumeiro em eventos como este no salão do palácio do Ministério de Relações Exteriores. A organização teve de colocar mesas fora do salão, o que é incomum. Relatos dão conta de cerca de 200 pessoas, entre integrantes do primeiro escalão, de empresas privadas e públicas.
Ele foi recepcionado ao chegar por Lula e pelos presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), num gesto que reflete a importância que o governo quis imprimir para o evento.
De acordo com um ministro de Lula, Xi foi tietado pelos presentes. Empresários e parlamentares pediam para tirar foto com o líder chinês e com Lula durante o jantar, que começou pontualmente às 18h30 e terminou duas horas depois.
O cerimonial teve de ficar pedindo para os presentes retornarem aos seus lugares para poderem continuar servindo o jantar.
A China é maior parceiro comercial do Brasil. A delegação chinesa trouxe empresários para firmar acordos com o governo brasileiro, como SpaceSail, concorrente de satélites da SpaceX de Elon Musk.
Além disso, o país é um dos grandes compradores de proteína animal brasileira. Estiveram presentes empresários como Wesley Batista, da J&F, e Marcos Molina, da Mafirg. Além deles, o vice-presidente de assuntos corporativos e institucionais da Vale, Alexandre D'Ambrosio, e Luiza Trajano, presidente do conselho administrativo da Magazine Luiza.
Segundo relatos, a conversa girou em torno da relação entre os dois países. Um executivo disse à Folha, reservadamente, que este é o melhor momento das relações comerciais, mesmo diante do aumento de tensões entre a China e os Estados Unidos, após a eleição de Donald Trump.
Da parte do governo, participaram a grande maioria dos ministros, como Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Renan Filho (Transportes) e Anielle Franco (Igualdade Racial).
Também estiveram presentes a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também acompanhou tanto o jantar, quanto as reuniões e o almoço no Palácio da Alvorada.
O jantar era em homenagem aos chineses, mas a culinária era brasileira. De entrada, havia dadinho de rabada e bolinho de carne de sol. Os convidados também puderam comer pato laqueado e moqueca de banana, e de sobremesa, sorvete de côco com cajuzinho.
A viagem de Xi Jinping teve segurança redobrada. As reuniões bilateral e ampliada e a assinatura de atos ocorreram no Palácio da Alvorada, mais cedo, a pedido dos chineses, segundo relatos.
A recepção a governantes ocorrida pela manhã no Alvorada é incomum. O palácio é de mais difícil acesso, distante de outros prédios. Além disso, sua delegação fechou um hotel que fica à beira do Lago Paranoá e a 1 km do Alvorada. Além disso, os acessos de imprensa foram mais restritos.
Quando chegou, foi recebido pelo presidente e a primeira-dama, Janja, por uma cerimônia com militares, conhecida como revista à tropa. Mas também teve uma apresentação de uma banda Ibrachina Music Project, e de uma soprano. Segundo integrantes do governo, a música escolhida, chamada My Homeland, fez sucesso na China.
- Por Beatriz Santos/Bahia Notícias
- 20 Nov 2024
- 14:26h
Foto: Mauricia da Matta / Bahia Notícias
Após o empate entre Brasil e Uruguai por 1 a 1, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, válido pela 12ª rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, na última terça-feira (19), o nome do único gol brasileiro, Gerson, comentou sobre a fala do companheiro Raphinha depois do apito final. O camisa 11 afirmou que a Seleção “jogou pra car***", e foi criticado nas redes sociais.
“Futebol é assim. A torcida sempre quer vencer, assim como nós. Criamos muito e, infelizmente, tomamos um gol ali. Continuamos jogando o nosso futebol, sempre para frente. Conseguimos empatar e continuamos tentando, mas infelizmente não saiu o gol”, disse Gerson.
Além disso, o jogador do Flamengo afirmou que ainda trocaria seu primeiro gol feito com a Amarelinha, pela vitória sobre os Uruguaios.
“Fico muito feliz pelo gol. Trocaria a vitória pelo gol, mas, é seguir. Dar continuidade nos clubes para, quando voltar para a Seleção colocar ela no lugar que tem que estar”, finalizou.
Essa foi a última partida da Seleção Brasileira em 2024. Com o resultado, a Seleção Brasileira fecha o ano na 5ª colocação das Eliminatórias, com 18 pontos, atrás de Argentina, Uruguai, Equador e Colômbia.
- Foto: Marcelo Casall Jr / Agência Brasil
- 20 Nov 2024
- 12:24h
Sete em cada dez pessoas negras já passaram por algum constrangimento por causa de preconceito ou discriminação racial. O dado é de pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Locomotiva e pela plataforma QuestionPro, entre os dias 4 e 13 de novembro.
Os sentimentos de discriminação e preconceito foram vividos em diversas situações cotidianas e são admitidos inclusive por brancos. Conforme a pesquisa, a expectativa de experimentar episódios embaraçosos pode tolher a liberdade de circulação e o bem-estar de parcela majoritária dos brasileiros.
Os negros, que totalizam pretos e pardos, representam 55,5% da população brasileira – 112,7 milhões de pessoas em um universo 212,6 milhões. De acordo com o Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20,6 milhões (10,2%) se autodeclaram “pretos” e 92,1 milhões (45,3%), “pardos”.
O levantamento do Instituto Locomotiva revela que 39% das pessoas negras declararam que não correm para pegar transporte coletivo com medo de serem interpeladas. Também por causa de algum temor, 36% dos negros já deixaram de pedir informações à polícia nas ruas.
O constrangimento pode ser também frequente no comércio: 46% das pessoas negras deixaram de entrar em lojas de marca para evitar embaraços. O mesmo aconteceu com 36% que não pediram ajuda a vendedores ou atendentes, com 32% que preferiram não ir a agências bancárias e com 31% que deixaram de ir a supermercados.
SAÚDE MENTAL
Tais situações podem causar desgaste emocional e psicológico: 73% dos negros entrevistados na pesquisa afirmaram que cenas vivenciadas de preconceitos e discriminação afetam a saúde mental.
Do total de pessoas entrevistadas, 68% afirmaram conhecer alguém que já sofreu constrangimento por ser negro. Entre os brancos, 36% admitem a possibilidade de terem sido preconceituosas contra negros, ainda que sem intenção.
Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, os dados apurados indicam “a necessidade urgente de políticas públicas e iniciativas sociais que ofereçam suporte emocional e psicológico adequado, além de medidas concretas para combater o racismo em suas diversas formas”.
Em nota, Meirelles diz que os números mostram de forma explícita que a desigualdade racial é uma realidade percebida por praticamente todos os brasileiros. "Essa constatação reforça a urgência de políticas públicas e ações efetivas para romper as barreiras estruturais que perpetuam essas desigualdades e limitam as oportunidades para milhões de pessoas negras no Brasil.”
A pesquisa feita na primeira quinzena deste mês tem representatividade nacional e colheu opiniões de 1.185 pessoas com 18 anos ou mais, que responderam diretamente a um questionário digital. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.
- Por Victoria Azevedo | Folhapress
- 20 Nov 2024
- 10:19h
Foto: Antonio Cruz / EBC
A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (19) o projeto de lei que prorroga a lei de cotas para negros em concursos públicos.
A proposta aprovada pelos deputados mantém a premissa da legislação atual ao reservar parte das vagas para negros, mas aumenta o percentual dos atuais 20% para 30%. Outra mudança significativa foi a inclusão expressa de indígenas e quilombolas entre os beneficiados.
Nesta terça, foram 241 votos favoráveis e 94 contrários, além de duas abstenções. Orientaram contra os partidos PL e Novo, assim como minoria e oposição.
Governistas pressionavam pela conclusão da votação ainda nesta terça para que houvesse tempo de o presidente Lula (PT) sancionar a norma nesta quarta-feira (20), data em que é celebrado nacionalmente o Dia da Consciência Negra.
Mas, diante da resistência de parlamentares da oposição, a relatora teve de alterar o texto no plenário e, dessa forma, a proposta voltará para análise no Senado.
Entre as mudanças que foram feitas ao texto está a diminuição de 10 para 5 anos na obrigatoriedade para uma nova avaliação da política de cotas. Essa revisão será feita pelo Executivo. Além disso, foi retirado do projeto o procedimento de confirmação complementar à autodeclaração dos candidatos.
A norma diz que na hipótese de denúncias de fraude ou má-fé na autodeclaração, o órgão ou entidade responsável pelo certame "instaurará procedimento administrativo para averiguação dos fatos, respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa".
Nesses casos, se for concluído que houve ocorrência de fraude, o candidato será eliminado do concurso, caso o certame ainda esteja em andamento, ou terá anulada sua admissão ao cargo ou emprego público, "sem prejuízo de outras sanções cabíveis", caso já tenha sido nomeado.
Além disso, o Ministério Público poderá apurar eventual ocorrência de ilícito penal e a Advocacia-Geral da União poderá apurar a necessidade de ressarcimento ao erário.
O projeto foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado em maio deste ano e enviado diretamente à Câmara. Os deputados aprovaram o requerimento de urgência do projeto na semana passada, acelerando a sua tramitação na Casa.
A política de cotas em concursos públicos expirava no início de junho —dez anos depois da lei em vigor, aprovada em 2014 por iniciativa do governo Dilma Rousseff (PT). Diante desse prazo, o STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria no dia 13 daquele mês para prorrogar a validade dessas cotas até o momento de aprovação pelo Congresso Nacional e da sanção presidencial das novas regras.
Parlamentares da oposição criticaram a proposta ao longo da discussão do texto. "Sou a favor de cotas sociais. Esse projeto é um retrocesso e vai segregar a população e dividir o povo brasileiro", afirmou o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB).
"A oposição não tem como concordar com um projeto desses. Não tem que dividir, levar em consideração quem é preto e quem não é preto", disse Helio Lopes (PL-RJ).
A deputada Carol Dartora (PT-PR), relatora do projeto de lei, agradeceu no púlpito ao trabalho das ministras Anielle Franco (Igualdade Racial), Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Esther Dweck (Gestão), além de movimentos sociais que "lutam diariamente por inclusão e direitos".
Em seu parecer, ela afirma que o projeto é uma "oportunidade de reparação histórica pelas injustiças sofridas pela população negra, indígena e quilombola".
A relatora também diz que a presença de maior pluralidade "fortalece o funcionamento da máquina pública, ao incorporar perspectivas diversas e qualificadas".
- Por Ana Clara Pires I Bahia Notícias
- 20 Nov 2024
- 08:46h
Foto: Biblioteca Nacional
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a Bahia é o estado com a maior população negra do Brasil, com 80,2% dos habitantes se autodeclarando pretos ou pardos. Essa significativa representatividade ressalta o papel histórico e cultural da população negra no estado, que é também um importante cenário de debates sobre racismo e políticas de igualdade. No entanto, essa realidade também expõe os desafios contínuos no enfrentamento da desigualdade social e na luta contra a discriminação.
Apesar deste dado, apenas 77 prefeitos eleitos no estado apresentam propostas específicas voltadas para a promoção da igualdade racial, segundo levantamento feito pelo Bahia Notícias. Esse número representa uma discrepância significativa entre a composição racial da população e a prioridade dada às políticas públicas para enfrentar o racismo estrutural e promover a inclusão social.
Apenas 46 municípios, citam diretamente o combate ao racismo. Entre as propostas estão a criação de “políticas voltadas a igualdade racial”. “Implementar políticas públicas inclusivas para garantir a representação e os direitos da população LGBT e grupos raciais minoritários em todas as ações, programas e projetos da gestão municipal; estabelecer mecanismos para combater o racismo institucional em todos os níveis de governo”, propõe Débora Regis, prefeita eleita em Lauro de Freitas, por exemplo.
Em 17 planos, os líderes eleitos propõe ações para enfrenar o racismo estrutural. Entre estas cidades estão, Salvador, Mairi, Alagoinhas, Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Camaçari, Maragogipe, Lauro de Freitas, Mansidão, entre outras. Em seu plano de governo, o prefeito reeleito da capital, Bruno Reis (União Brasil), se propõe a “Implementar o Programa Anti Racismo desde a primeira infância”.
Já em Camaçari, o prefeito eleito Caetano (PT) sugere a “criação de política homofobia, pública de combate a racismo, machismo, intolerância religiosa e toda forma de discriminação à vida humana”.
Nos planos de governo, o termo “Igualdade Racial” foi repetido mais vezes que “racismo”. Em Brumado, o prefeito eleito, Fabrício Abrantes (Avante), planeja criar “Política Municipal de Promoção da Igualdade Racial" para alavancar ações em prol da igualdade através da criação do Conselho Municipal da Igualdade Racial.
Em Paratinga, as propostas do prefeito eleito, Tom (PT), associam a promoção de igualdade racial a ações culturais. O prefeito se propõe a implementar “ações culturais e de políticas de inclusão e valorização da diversidade racial” e a “tornar oficial a parceria nas ações da Secretaria de Cultura e da Igualdade Racial com a Secretaria de Educação, envolvendo alunos, professores, diretores e dirigentes educacionais nas ações culturais do município”.
- Por Alexa Salomão, Pedro Lovisi e Nicola Pamplona | Folhapress
- 19 Nov 2024
- 16:20h
Foto: Divulgação Aneel
O governo federal usou o segundo apagão prolongado em São Paulo, que ocorreu em outubro, em campanha contra as agências reguladoras. O discurso de desqualificação, no entanto, vem acompanhado de um desmonte operacional promovido pelo Executivo, incluindo restrições orçamentárias e de pessoal, que dificultam o trabalho dos órgãos.
O principal alvo é a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), mas a ANM (Agência Nacional de Mineração) e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), sob o guarda-chuva do MME (Ministério de Minas e Energia), também sofreram desmonte.
Nos três casos, a restrição de recursos cresceu sob o terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que vem comprometendo atividades básicas, como a fiscalização. Todas têm fontes próprias de receita para custear as operações, mas parte significativa dos recursos é retida.
A Aneel, por exemplo, tem direito aos recursos da Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica (TFSEE), imposta a todo o setor elétrico -geradores, transmissores e distribuidores. Só neste ano, a agência prevê arrecadar R$ 1,2 bilhão, mas as despesas obrigatórias e discricionárias devem somar R$ 350 milhões. Ou seja, R$ 865 milhões (72%, em valores arredondados) não serão direcionados para a agência.
A legislação que trata sobre a TFSEE não fixa a fatia exata que a Aneel deve receber da arrecadação. Mas levantamento feito pelo órgão mostra que a discrepância entre a arrecadação e as despesas da agência nunca foi tão grande quanto no atual governo.
Com menos dinheiro, o trabalho diário ficou comprometido. Houve, por exemplo, redução do atendimento ao público. O call center da agência, que antes operava das 6h20 à meia-noite, passou a atender das 8h às 20h. A verba da fiscalização caiu 50%, indo do valor original de R$ 33,60 milhões para R$ 16,55 milhões.
Foram afetados também os pagamentos de convênios com agências estaduais que fazem a fiscalização local, entre eles o da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), responsável por acompanhar a Enel SP.
A situação também é complicada na ANM, agência responsável por fiscalizar as operações das mineradoras, tanto em relação à segurança de barragens, como as que provocaram as tragédias de Mariana e Brumadinho, quanto ao pagamento de impostos.
A legislação prevê que 7% da arrecadação dos royalties da mineração (chamado de Cfem) devem ir para a agência, mas historicamente o valor repassado não fica acima de 1,5%. No governo atual, porém, o máximo até agora foi de 0,6% -o menor repasse desde 2018, primeiro ano após a criação da agência.
Em 2023, a ANM deveria receber R$ 483 milhões dos royalties, mas menos de R$ 15 milhões foram para a conta da agência. A Folha de S.Paulo teve acesso a um documento assinado em setembro por um superintende da agência constatando que visitas ordinárias de técnicos da ANM a barragens em Minas Gerais foram adiadas para os meses seguintes devido a um contingenciamento de R$ 500 mil na superintendência de segurança de barragens de mineração.
"A ANM já foi criada natimorta, porque o governo faz esses contingenciamentos desde quando ela nasceu e isso potencializa os riscos que vêm da mineração. Nós não temos dúvida nenhuma que as tragédias de Mariana e Brumadinho são reflexos de uma agência que não exerce o seu papel, assim como o que aconteceu com a Braskem", diz Waldir Salvador, consultor da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil.
Em nota a ANM disse ter reservado orçamento mínimo para eventuais vistorias emergenciais que possam demandar a equipe nos próximos meses e que se dedica às fiscalizações remotas. "As ferramentas de acompanhamento remoto permitem ações em curtíssimo prazo pela equipe de fiscalização da ANM", afirmou.
Já a ANP é custeada por parcela dos bônus de assinatura de áreas exploratórias, da participação especial paga por campos de grande produção e pela taxa pela retenção de áreas para exploração de petróleo. Embora essas receitas tenham crescido desde sua criação, o montante de recursos liberados vem caindo.
A reserva de contingência da agência, cujos recursos são utilizados para abertura de possíveis créditos adicionais e não podem ser usados pela agência, vem crescendo em relação à receita do órgão -no ano passado, essa fatia representou 84% do valor previsto pela lei orçamentária.
Sem recursos, a agência reduziu em julho a abrangência de sua pesquisa de preços dos combustíveis, que apoia investigações sobre cartéis e abuso de poder econômico. Em outubro, suspendeu o programa de monitoramento da qualidade dos combustíveis no país, que identifica fraudes e adulterações.
"Essa situação deixa as agências numa insegurança muito grande, precisando cortar coisas que são fundamentais", diz o presidente da Abar (Associação Brasileira de Agências Reguladoras), Vinícius Benevides.
"As agências precisam contratar consultorias para estudos, investir em softwares, inteligência artificial, equipamentos para fiscalizar setores que têm recursos. O regulador não pode ficar para trás daquele ente que ele regula", acrescenta.
O dinheiro que não é repassado às agências é usado pelo governo para custear demais despesas da União e cumprir a meta fiscal estabelecida junto ao Congresso no ano anterior.
O Ministério do Planejamento disse em nota que "receitas arrecadas em um exercício e não utilizadas, constituem superávit financeiro apurado no Balanço Patrimonial da União". No caso da Aneel, informou, o superávit acumulado é de R$ 1,6 bilhão; já o da ANM é de R$ 3,5 bi. O Ministério da Fazenda não informou para qual área ou projeto do governo foram alocados os recursos oriundos da TFSEE e da Cfem.
A consultora tributária Roseane Seabra aponta que o governo adota essa estratégia a partir de uma norma que permite a União gastar livremente 30% do que arrecada com tributos. "Com isso, o governo pode utilizar essa fatia de uma forma discricionária, então não é uma pedalada fiscal", diz.
"Essa medida não é ilegal, mas é ruim, porque impede que a agência cumpra o seu papel", acrescenta o presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, Luiz Eduardo Barata.
O economista Marcos Mendes, especialista em contas públicas, diz que a discussão não pode ser simplista. O contingenciamento se faz sobre despesa discricionária, como investimento e manutenção, não sobre a despesa obrigatória, como de pessoal. Restrição orçamentária pode estrangular a capacidade operacional, e de fato não deveria ocorrer. Mas ele lembra que excessos de recursos poderiam levar a um padrão perdulário de gastos, igualmente ruim.
Mendes afirma que o correto seria monitorar e revisar as necessidades orçamentárias, até para não penalizar a sociedade com cobranças por taxas acima do desnecessário. O que ele considera nevrálgico é a restrição de capital humano.
"O problema seria o estrangulamento por não haver dotação orçamentária suficiente para contratar gente, porque nem o Congresso, nem Executivo gostam das agências -para as forças políticas, não é bom ter agências fortes", diz o economista.
Fabio Rosa, presidente do Sinagências, sindicato que representa os funcionários das agências reguladoras, também aponta para a falta de profissionais, além de má gestão dos diretores indicados pela classe política. "É necessário olhar não só o orçamento público, mas também a execução que órgão faz; e nesses caos as áreas mais prejudicados são de fiscalização", diz.
A Aneel, por exemplo, opera com um déficit de 248 servidores, uma defasagem de quase 30% do efetivo em relação ao previso em lei. Os concursos em 2019 e 2024 não foram suficientes para cobrir a lacuna. Só neste ano, a agência já perdeu 19 servidores que migraram para carreiras que oferecem mais retorno e ascensão.
Na Aneel, falta até diretor. Há uma vaga no colegiado desde maio de 2024 a espera de indicação, o que vem comprometendo até as votações do colegiado.
No caso da ANM, análise do TCU (Tribunal de Contas da União) apontou que os sistemas eletrônicos da agência estão obsoletos e há apenas cinco servidores e um coordenador responsáveis pela fiscalização do pagamento de royalties em todo o país.
Já a ANP registrou neste ano 638 servidores efetivos, o menor número desde 2013.
Questionado sobre os impactos dos cortes das agências, o MME disse apenas que o assunto diz respeito ao Ministério do Planejamento.
O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, lembra que as agência formam um pilar básico de sustentação do setor, oferecendo governança e segurança regulatória, mas que o governo e o Congresso têm promovido mudanças traumáticas, sem nenhum planejamento.
"Medidas que alteram profundamente a estrutura do setor de energia aparecem de manhã no Congresso, entram em regime de urgência na hora da almoço e viram lei antes do jantar", afirma Sales. "Estamos presenciando uma espiral nunca antes de vista de ataques aos organismos do setor, especialmente às agências, levando a uma desgovernança institucional que compromete a prestação de serviços básicos e a atração de investimentos."
- Bahia Notícias
- 19 Nov 2024
- 14:25h
Foto: Divulgação/SSP
Um suspeito de participar da trama que executou Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), fugiu da Polícia Civil de São Paulo em uma operação, na manhã desta terça-feira (19), que almejava cumprir um mandado de prisão.
O alvo da operação policial é suspeito de ser um dos olheiros do crime organizado no atentado contra o delator do PCC, no dia 8 de novembro.
A Polícia acredita que o homem esteja no Rio de Janeiro e tenha escapado em função do vazamento do mandado de prisão, que inicialmente estava previsto para a próxima quinta-feira (21) e foi antecipado.
Os integrantes do PCC envolvidos no crime teriam recebido um sinal de dentro do aeroporto para o momento adequado de ação, segundo informações da investigação obtidas pela Folha de São Paulo.
"A ação levou sete segundos. Foi planejada, ensaiada e sincronizada com o sinal de alguém dentro do saguão", explicou a delegada Ivalda Aleixo, titular do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo, mas os materiais apreendidos estão em sigilo.