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Homens, evangélicos e eleitores de Bolsonaro concordam mais com decisão dos EUA sobre facções, aponta Datafolha

  • Por André Fleury Moraes | Folhapress
  • 24 Jun 2026
  • 08:23h

Foto: X / @FlavioBolsonaro

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas tem mais apoio no Brasil entre homens, evangélicos e eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022, aponta a mais recente pesquisa Datafolha.

 

Realizado em 17 e 18 de junho, o levantamento ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios do país. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, mas varia dentro dos recortes populacionais. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-09956/2026.
 

A mudança na classificação foi determinada por Donald Trump no final de maio e passou a valer no início de junho a contragosto do governo Lula (PT). No dia seguinte, um comunicado do Palácio do Planalto disse que "a segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada por traidores".
 

Segundo o Datafolha, a maioria dos brasileiros (83%) tomou conhecimento da medida e 59% concordam com o novo critério. Outros 33% discordam, 7% não sabem e 1% não tem opinião a respeito.
 

O público masculino tende a concordar mais com a mudança na classificação do que o feminino. Entre os homens, 53% concordam totalmente e 12%, parcialmente. Já entre as mulheres, os percentuais são de 38% e 16%, respectivamente.
 

Os homens dizem ter mais conhecimento sobre o tema do que as mulheres: 47% deles se dizem bem informados a respeito do assunto contra 25% delas. No recorte por gênero, a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
 

A legislação dos EUA de combate ao terrorismo permite que o país investigue, sancione e eventualmente processe pessoas físicas ou jurídicas mesmo que estejam fora de seu território. O principal efeito prático se dá no aspecto financeiro.
 

Desde que a medida entrou em vigor, os EUA podem punir instituições que considerar omissas no combate às facções ao não barrar clientes com algum tipo de elo com organizações criminosas, ainda que involuntariamente.
 

Como mostrou a Folha, empresas brasileiras passaram a vasculhar dados internos para identificar parceiros com potenciais conexões com alguma das organizações criminosas —sejam clientes, fornecedores ou prestadores de serviço.
 

A mais recente rodada do Datafolha mostra também que o público evangélico (70%) concorda mais com a mudança na condição do PCC e do CV do que o católico (56%).
 

O mesmo cenário ocorre para aqueles que declaram ter votado no ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. Conforme o levantamento, 81% daqueles que optaram por Bolsonaro na última disputa nacional concordam com a iniciativa. Entre os de Lula, 38%.
 

A margem de erro para o voto em 2022 é de 3 a 4 pontos percentuais, para mais ou para menos. Já para o segmento religioso, varia de 3 a 5 pontos percentuais para mais ou para menos.
 

Não há grandes diferenças no recorte por região. Sudeste, Sul e Centro-Oeste empatam dentro da margem de erro, com percentuais de concordância entre 60% e 64%. O menor está no Nordeste, onde 53% dizem concordar com a iniciativa de Trump. No segmento por região, a margem de erro varia de 3 a 6 pontos percentuais.
 

A mudança tem mais apoio entre os mais jovens e os mais escolarizados.
 

Segundo o Datafolha, 65% daqueles que têm entre 16 a 44 anos concordam com a iniciativa. Entre aqueles com ensino superior, o índice é de 64%.
 

A mudança que tornou PCC e CV terroristas do ponto de vista americano vinha sendo ensaiada pelo presidente dos Estados Unidos desde o início do ano.
 

O governo Lula, por outro lado, dizia a interlocutores atuar para evitar ou postergar a medida.
 

Interlocutores do petista diziam a aliados temer a possibilidade de intervenções americanas sobre o Brasil e o potencial desgaste eleitoral, já que o presidente deve buscar a reeleição.
 

O Datafolha também perguntou aos entrevistados se concordam ou discordam de determinadas afirmações sobre o tema.
 

Ao todo, 50% dos brasileiros concordam com a declaração de que "o governo dos Estados Unidos quer combater as facções criminosas no Brasil para ajudar a população brasileira".
 

Outros 47% dizem que o governo dos Estados Unidos está usando as facções criminosas como desculpa para mandar no Brasil (entre as mulheres, 50%, e entre os homens, 44%).
 

O menor percentual geral se dá para aqueles que concordam com a possibilidade de que os EUA "têm o direito de atacar membros de facções criminosas dentro do Brasil sem avisar ao governo brasileiro": segundo a pesquisa, 22% concordam com essa hipótese.
 

Neste último caso, a maior parcela dos que concordam é homem (30%) e declarou voto em Jair Bolsonaro em 2022 (40%). Já os eleitores de Lula que avalizam a ideia de ataque sem aviso prévio somam 8%.
 

A decisão sobre classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas veio dias após uma agenda com o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
 

Flávio teve influência na decisão dos EUA para 54% dos brasileiros, e a maioria (71%) daqueles que vê influência dele no caso declarou ter votado em Lula em 2022.
 

A maioria (57%) acha que a atuação do filho mais velho de Jair foi negativa para o Brasil, enquanto 37% veem aspectos positivos. Outros 3% dizem que a influência do filho mais velho do ex-presidente não foi nem positiva nem negativa e 2% não souberam responder.

Cristiano Ronaldo se torna único jogador da história a marcar gol em seis Copas do Mundo

  • Por Carlos Matos
  • 23 Jun 2026
  • 18:15h

Foto: Reprodução/Instagram (@portugal)

A história segue sendo escrita por Cristiano Ronaldo. Portugal e Uzbequistão vão se enfrentando pela segunda rodada do Grupo K da Copa, na tarde desta terça-feira (23). A seleção das quinas vence, até o momento, por 3 a 0 – com dois gols de Cristiano Ronaldo e um de Nuno Mendes – e o capitão português quebrou uma nova marca ao se tornar o único jogador a marcar ao menos um gol em seis Copas do Mundo diferentes.

 

 

Para os torcedores presentes no NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos, apenas sete minutos foram necessários para assistir Cristiano Ronaldo aproveitar o cruzamento de João Cancelo e balançar as redes. Aos 17’, Nuno Mendes ampliou de falta, e aos 39’, foi a vez de Bruno Fernandes dar assistência para o Robozão fazer seu segundo gol no dia.

 

Com os dois tentos marcados ainda no primeiro tempo, Cristiano Ronaldo chega ao 975º gol de sua carreira, faltando apenas 25 para a lendária marca de 1000 gols. Outro jogador que poderia alcançar o feito de marcar em seis Copas diferentes é o argentino Lionel Messi, mas o atacante passou em branco em 2010.

Confiança dos brasileiros nos EUA despenca e atinge menor nível da história, aponta pesquisa

  • Por Isabela Menon | Folhapress
  • 23 Jun 2026
  • 16:11h

Fotos ilustrativas: Reprodução / Gemini (I.A) / Redes Sociai

Fotos ilustrativas: Reprodução / Gemini (I.A) / Redes SociaisO Brasil está entre os países que registram os menores níveis de confiança de que os Estados Unidos respeitam as liberdades individuais de sua população, segundo pesquisa do Pew Research Center divulgada na manhã desta terça-feira (23).

 

O levantamento aponta também uma deterioração da imagem americana entre os brasileiros e baixa confiança no presidente Donald Trump.
 

Apenas 32% dos brasileiros dizem acreditar que o governo americano respeita as liberdades individuais de seus cidadãos, o menor índice já registrado pelo instituto no país. Em 2013, durante o governo Barack Obama, esse percentual era de 76%.
 

A pesquisa foi realizada de 8 de fevereiro a 13 de maio deste ano e ouviu 42.151 pessoas em 36 países.
 

Os resultados negativos não se restringem ao Brasil. Globalmente, apenas 37% dos entrevistados têm uma visão favorável dos Estados Unidos, enquanto 57% expressam opinião desfavorável. A confiança em Trump é ainda menor: a mediana entre os 36 países pesquisados é de 23%, ante 30% no Brasil.
 

Na América Latina, a avaliação dos Estados Unidos varia significativamente. Enquanto a Colômbia e o Peru mantêm visões majoritariamente positivas do país, Brasil e Argentina aparecem divididos. Já México e Chile registram predominância de opiniões desfavoráveis.
 

O período de coleta ocorreu após um ano marcado por atritos diplomáticos e disputas comerciais entre Brasil e Estados Unidos, mas incluiu também a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca e seu encontro com Trump, em maio, quando a relação bilateral atravessava uma fase relativamente menos turbulenta.
 

Os dados antecedem, porém, episódios recentes de tensão entre Brasília e Washington, como a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos e a investigação comercial que pode resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros.
 

A parcela dos brasileiros com opinião favorável sobre os Estados Unidos caiu de 64% em 2024 para 47% neste ano. Hoje 43% têm uma visão desfavorável do país.
 

Para Richard Wike, diretor de pesquisas de atitudes globais do Pew Research Center, o resultado reflete uma combinação de fatores, entre eles a avaliação do governo Trump, as políticas migratórias americanas e a percepção internacional sobre o funcionamento da democracia nos Estados Unidos.
 

Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele diz que a percepção negativa observada no Brasil acompanha uma tendência global. Em diversos países pesquisados, aumentou a preocupação com a saúde da democracia americana e com a forma como Washington atua no cenário internacional.
 

A avaliação de Donald Trump permanece majoritariamente negativa entre os brasileiros. Apenas 30% afirmam confiar no presidente americano para tomar as decisões corretas em assuntos mundiais, enquanto 64% dizem não confiar nele. O índice representa uma queda em relação ao ano passado, quando a taxa de confiança era de 34%.
 

Apesar disso, a percepção dos brasileiros sobre Trump é menos negativa do que a observada em vários países da Europa Ocidental. Na comparação com outros líderes mundiais, o republicano recebe índices de confiança semelhantes aos registrados para o presidente francês Emmanuel Macron (27%), o presidente ucraniano Volodimir Zelenski (24%) e o líder chinês Xi Jinping (22%).
 

A pesquisa mostra ainda que os brasileiros enxergam os Estados Unidos com crescente desconfiança em relação ao seu papel internacional. Três em cada quatro entrevistados (76%) afirmam acreditar que Washington interfere nos assuntos de outros países. A percepção é ainda mais comum entre jovens de 18 a 29 anos, faixa em que o índice chega a 82%.
 

A deterioração da imagem americana vai além da avaliação do presidente. Apenas 36% dos brasileiros consideram os Estados Unidos um parceiro confiável. Já 43% dizem creer que o governo americano leva em conta os interesses de países como o Brasil ao tomar decisões de política externa, percentual inferior aos 55% registrados em 2023.
 

Também caiu a percepção de que os Estados Unidos contribuem para a paz e a estabilidade global. Em 2023, 64% dos brasileiros compartilhavam essa visão. Hoje, o percentual é de 40%.
 

Segundo o relatório, a perda de confiança nos EUA como parceiro internacional está entre as mudanças mais significativas registradas nos últimos anos. O estudo aponta quedas em diversos países na percepção de que Washington é um aliado confiável, contribui para a estabilidade global e considera os interesses de outras nações ao formular sua política externa.
 

Os brasileiros também desaprovam amplamente as principais iniciativas internacionais do governo Trump. Apenas 25% aprovam sua condução das políticas migratórias, 24% sua atuação em relação ao Irã e 22% sua gestão da guerra entre Rússia e Ucrânia.
 

O relatório destaca ainda que a maior parte das entrevistas foi realizada após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. Segundo análise do instituto, conforme o conflito avançou durante o período de coleta, as opiniões sobre os EUA se tornaram mais negativas em parte dos países pesquisados.
 

A aprovação cai para 19% no caso das tarifas comerciais e para 16% na condução das discussões envolvendo a Groenlândia —o republicano constantemente reafirma o desejo de comprar e anexar o território que pertence à Dinamarca de olho em interesses de segurança nacional, recursos naturais e geopolítica no Ártico.
 

Questionado sobre o resultado mais significativo da pesquisa, Wike destacou justamente a rápida deterioração da confiança internacional nos Estados Unidos como parceiro.
 

"Em muitos países, as pessoas estão perdendo confiança nos Estados Unidos como um parceiro confiável, seja em questões de segurança, econômicas ou diplomáticas", afirmou.

Mendonça cometeu erro crasso ao tratar de delação de Vorcaro com advogados, diz Gilmar

  • Por João Pedro Abdo | Folhapress
  • 23 Jun 2026
  • 14:31h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

 

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta segunda-feira (22) o relator do caso Banco Master na corte, ministro André Mendonça, por ter recebido advogados de defesa de Daniel Vorcaro para discutir a delação do banqueiro.

 

Gilmar chamou a situação de "erro crasso" e citou como um exemplo de excessos na investigação do escândalo financeiro. Segundo ele, é uma "impropriedade" que o julgador participe dessas negociações.
 

"André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. Aqui já há uma impropriedade. Porque a lei não permite que o relator participe ou o juiz participe da delação. O acordo é entre o Ministério Público e o delator. Então, aqui já há algo de erro crasso", disse Gilmar, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
 

Mendonça e Gilmar tiveram uma discussão em sessão da Segunda Turma da corte na semana passada, quando o relator disse que rejeitou uma proposta de delação do banqueiro que considerou seletiva. Na ocasião, o colegiado decidiu negar autorização para prisão domiciliar ao pai de Vorcaro, Henrique, como defendia Gilmar.
 

"Falaram na minha cara isso. Eu disse: 'Não faço questão de delação, agora, delação seletiva comigo não'", afirmou o ministro. Logo depois, no entanto, ele disse que foi apresentada a ele a primeira proposta de delação de Vorcaro, mas ele não quis "acessá-la".
 

Posteriormente, na entrevista, Gilmar criticou a negociação do acordo e reiterou que a lei estabelece que o relator não deve ter "papel decisivo na condução da delação".
 

"Vimos nesse caso Vorcaro passar por regimes diferentes de prisão. Ficou três dias ou quatro dias em um presídio de segurança máxima. Segundo dizem os advogados, até com luz acesa todo o tempo. É bom isso? Esse tipo de prática é bom? Ou isso tem nome?"
 

As tentativas da defesa de Daniel Vorcaro em firmar um acordo de delação premiada têm sido sucessivamente negadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e pela Polícia Federal, por considerar que não há elementos novos na colaboração.
 

Na entrevista, Gilmar elencou pontos que considera sensíveis no caso Master: vazamentos de informações, prisão de familiares e a morte de Luiz Phillipi Mourão, apelidado de Sicário.
 

Sicário integrava o núcleo conhecido como "A Turma", que servia para monitorar e pressionar pessoas consideradas adversárias do banqueiro ou ligadas às apurações sobre o banco. Ele se enforcou na cela da Superintendência da PF de Minas Gerais em 4 de março, logo após ser preso durante operação, e teve a morte confirmada dois dias depois.
 

O ministro comparou o caso Master à Lava Jato, operação da qual é crítico.
 

"Na Lava Jato, a gente começou como voto vencido e terminou como voto vencedor", disse ao lembrar que, à época da operação afirmava que o tribunal teria "um encontro marcado com as prisões alongadas de Curitiba".
 

O ministro chamou a operação de "maior escândalo judicial do mundo".

 

Defesa de ex-presidente do BRB pede liberdade provisória ao STF e critica PGR por travamento de delação

  • Bahia Notícias
  • 23 Jun 2026
  • 08:50h

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de liberdade provisória, argumentando que o executivo, preso preventivamente desde abril, tenta colaborar com as investigações sem obter sucesso nas negociações com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O advogado Davi Tangerino encaminhou a petição ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

 

Na manifestação, Tangerino relata que cobrou formalmente da PGR, no início de junho, uma posição sobre a intenção de seu cliente de firmar um acordo de delação premiada, mas não obteve resposta. De acordo com as informações do O Globo, Paulo Henrique Costa, conhecido como PH Costa, sequer chegou a assinar um acordo de confidencialidade com o Ministério Público Federal (MPF), etapa inicial das tratativas, diferentemente do que ocorreu com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

 

A avaliação interna do MPF é de que, assim como no caso de Vorcaro, o conteúdo que o ex-presidente do BRB se propõe a revelar não traria informações adicionais ao que a investigação já apurou, além de não incluir confissão dos crimes. Embora nos bastidores a negativa do MPF seja considerada certa, a defesa afirma que ainda não recebeu qualquer sinalização oficial e que o ex-dirigente permanece detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha.

 

Costa tentou se antecipar à Justiça e redigiu parte dos anexos de sua eventual proposta de delação diretamente da cadeia, antes mesmo de obter o sinal verde do MPF. Nesse período, Vorcaro teve duas propostas de colaboração rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela PGR.

 

O pedido para revogar a prisão preventiva, formalizado no último dia 12, destaca que as tentativas de negociar a colaboração com o MPF tiveram início em 19 de abril, com uma reunião formal ocorrida em 28 de maio, mas sem avanço por parte da PGR. O advogado também ressalta que Costa nunca foi interrogado desde que se tornou alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado.

 

Na petição, a defesa compara a situação de Paulo Henrique Costa à de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master. O documento foi protocolado antes da nona etapa da Compliance Zero, realizada na última quinta-feira (18), que mirou o empresário e o líder do governo Lula no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA). Lima não foi alvo de pedido de prisão, apenas de busca e apreensão, mas já era monitorado por tornozeleira eletrônica desde o ano passado.

 

“Não se pode deixar de registrar que investigados com efetivo potencial de continuidade delitiva, a exemplo de Augusto Lima, seguem soltos”, escreveu Tangerino.

 

Segundo o O Globo, as críticas mostram o clima de tensão entre as equipes de defesa do chamado "caso Master" e os investigadores, que teve como ápice a rejeição das propostas de delação de Vorcaro. Caso o pedido de liberdade provisória não seja atendido por Mendonça, o advogado solicita como alternativa a concessão de prisão domiciliar.

 

Na petição, a defesa sustenta que não há elementos novos que justifiquem a manutenção da prisão. Tangerino classificou como "leviana e assustadora" a posição da PGR, que apontou "indícios de continuidade de práticas delitivas" ao concordar com a prisão de PH Costa. O advogado alega ainda que as condutas atribuídas ao ex-presidente do BRB se referem ao período em que ele exercia o cargo, do qual foi afastado pela Justiça em novembro e posteriormente demitido.

 

“Não há rigorosamente nada que se apure no inquérito que diga respeito a qualquer atuação após o afastamento do requerente do BRB”, argumenta o advogado.

 

Na decisão que autorizou a prisão preventiva, o ministro André Mendonça afirmou que PH Costa foi "peça essencial" na compra de títulos podres do Master, cuja contrapartida seria o pagamento de seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146 milhões. Ao Supremo, Tangerino afirma que o ex-dirigente nunca foi dono dos apartamentos e que as mensagens trocadas com Vorcaro para escolher as unidades que lhes interessavam eram de 2024, período anterior à imposição de medidas cautelares contra ele. Esse é um dos pontos que a defesa sustenta na proposta de delação, mas que não convence nem a PF nem a PGR.

 

Em um dos diálogos mencionados, Costa chega a dizer ao dono do Master que eles estavam "construindo uma vida juntos". Segundo a decisão de Mendonça que determinou a prisão de PH Costa, após a instauração de uma apuração do MPF sobre as fraudes nas carteiras de crédito adquiridas do Master pelo banco de Brasília, Vorcaro teria orientado o advogado Daniel Monteiro a "travasse tudo e não realizasse mais nenhum pagamento e nem prosseguisse com a formalização registral das transações então acordadas com Paulo Henrique". Monteiro é apontado pela investigação como operador do desvio de recursos do Master e do pagamento de propina para políticos e autoridades. Até aquele momento, os pagamentos feitos somavam R$ 74 milhões, conforme a decisão de Mendonça.

Enem 2026: prazo para pagar taxa de inscrição termina nesta segunda

  • Bahia Notícias
  • 22 Jun 2026
  • 12:13h

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Os candidatos que se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) têm até esta segunda-feira (22) para pagar a taxa de inscrição e garantir a participação na prova. O valor é de R$ 85 e pode ser pago por boleto, Pix, cartão de crédito e débito em conta corrente ou poupança, dependendo da instituição financeira.


Para fazer o pagamento, o estudante deve gerar a GRU Cobrança pela Página do Participante.
 

Neste ano,  as provas serão realizadas nos dias 8 e 15 de novembro.

 

A taxa é obrigatória para todos os candidatos que não conseguiram a gratuidade. Tem direito a isenção:

  • Matriculados no 3ª série do ensino médio em escola pública em 2026;
  • Aqueles que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou como bolsistas integrais em escola privada e que possuam renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa;
  • Pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, pertencentes a famílias de baixa renda e com registro no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal);
  • Participantes do programa Pé-de-Meia. 

Brumado perde Dona Ana, uma das moradoras mais antigas do bairro Ginásio Industrial

  • Brumado Urgente
  • 22 Jun 2026
  • 10:28h

Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente

Faleceu na noite deste domingo (21), no Hospital Municipal Professor Magalhães Neto, em Brumado, Ana Donatila da Silva Lima, carinhosamente conhecida como “Dona Ana”, uma das moradoras mais antigas e respeitadas do bairro Ginásio Industrial. Aos 89 anos, ela deixa um legado marcado pela dedicação à família, pelo trabalho e pelos valores que transmitiu às gerações que ajudou a formar.

 

Mulher guerreira e batalhadora, Dona Ana criou seus filhos e filhas pautando a educação nos princípios da dignidade, do respeito ao próximo, do carinho e da honestidade. Grande parte dessa missão foi desempenhada praticamente sozinha, já que seu esposo trabalhava como caminhoneiro e passava a maior parte do tempo viajando pelas estradas do Brasil. Com firmeza nas decisões, mas sem jamais perder a ternura, tornou-se o alicerce de sua família.

 

Além dos filhos, também assumiu a criação de um neto, após a filha mudar-se para São Paulo em busca de trabalho. Esse neto é hoje o advogado Igor Lima, por quem tinha um carinho especial, assim como por seu filho caçula, o enfermeiro Geraldo Lima. Ambos eram considerados seus “xodós”, embora Dona Ana jamais deixasse de demonstrar amor e atenção aos demais filhos, filhas, netos, bisnetos e tataranetos. Sua dedicação à família era admirável e evidenciava a devoção de uma mãe e matriarca por toda a sua descendência.

 

Conhecida pelo espírito alegre e pela disposição contagiante, Dona Ana fazia questão de participar das celebrações familiares, especialmente de seu aniversário. Embora tenha nascido em 18 de agosto de 1936, ela escolheu comemorar a data em 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, santa de sua devoção. Nessa ocasião, reunia a numerosa família em torno da matriarca, contando piadas, relatando causos, dançando e demonstrando toda a felicidade por estar cercada daqueles que amava. Era comum vê-la com as mãos erguidas aos céus, agradecendo a Deus por mais um ano de vida.

 

Autodidata, Dona Ana aprendeu a tocar sanfona e violão de ouvido. Segundo ela, participou da animação de diversas festas familiares ao lado do pai. Sempre que recordava esse período de sua vida, emocionava-se profundamente, evidenciando que seu maior patrimônio sempre foi a família.

O velório acontece em sua residência, localizada na Rua Coronel Fidelcino Santos, nº 137, no bairro Ginásio Industrial. O sepultamento está marcado para esta segunda-feira (22), às 17h, no Cemitério Jardim Santa Inês.

 

Neste momento de dor e despedida, o Brumado Urgente manifesta seus mais sinceros sentimentos a todos os familiares e amigos. A homenagem também é estendida pelo editor deste veículo, que, mesmo não sendo neto consanguíneo de Dona Ana, era por ela considerado como um verdadeiro neto. Sua memória permanecerá viva no coração de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com sua alegria, generosidade e amor incondicional pela família.

Petróleo abre em alta após Irã anunciar fechamento de Hormuz

  • Por Maeli Prado via Bahia Notícias
  • 22 Jun 2026
  • 10:17h

Foto: Ilustrativa / Petrobras

Os preços do petróleo abriram as negociações deste domingo (21) em alta, um dia após o Irã anunciar que fechou novamente o estreito de Hormuz ao tráfego de embarcações.
 

Às 19h15, os contratos futuros do barril Brent, referência internacional, eram cotados a US$ 81, alta de 1,3% em relação ao fechamento de sexta-feira (19).
 

Apesar do anúncio, milhões de barris de petróleo passaram pelo estreito de Hormuz neste fim de semana, mesmo depois de o Irã afirmar ter fechado a via marítima novamente, segundo informações da agência Bloomberg.
 

Segundo a Guarda Revolucionária do Irã e o comando militar do país, a passagem de navios será interrompida por violações do acordo de cessar-fogo firmado com os Estados Unidos e Israel.
 

Em comunicado, a Guarda orientou as embarcações a evitar o caminho marítimo sob risco de comprometerem sua segurança. Os iranianos citaram os ataques israelenses ao Líbano, que deixaram 20 mortos no sul do país, como estopim para a medida em Hormuz.
 

Na semana passada, o petróleo havia encerrado a segunda semana consecutiva de queda de preços, com os investidores avaliando as perspectivas de uma trégua entre Estados Unidos e Irã. O barril Brent teve queda semanal de 7,96%, superando a desvalorização de 6,19% da semana anterior. A commodity encerrou a sessão cotada a US$ 80,38.
 

Durante a semana, o barril chegou a cair a US$ 76,64 na quinta-feira (18), menor valor desde 2 de março -o primeiro dia de negociação após o início da guerra no Irã- quando atingiu US$ 75,75.
 

O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que se o acordo permanecer no papel, o fornecimento de energia do Oriente Médio vai continuar interrompido.
 

Apesar do anúncio de Teerã, os EUA afirmam que a passagem está aberta. Segundo o Exército americano, 55 embarcações navegaram pelo estreito neste sábado (20), levando 17 milhões de barris de petróleo.
 

De acordo com a Bloomberg, cinco supernavios-tanque carregados de petróleo, com uma capacidade de transporte combinada de 8 milhões de barris, puderam ser vistos entrando ou navegando dentro do estreito no sábado e no domingo, por meio de uma rota que margeia a costa de Omã, antes de "ficarem no escuro" (desligarem os rastreadores).
 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que o governo americano pode cobrar um pedágio de passagem no estreito se não houver acordo com o Irã nas negociações de paz em curso.
 

O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, afirmou em entrevista à Fox News nesta manhã que não há evidências de que o tráfego em Hormuz tenha sido interrompido pelo Irã.
 

Vance chegou neste domingo à Suíça para as tratativas com o Irã a respeito do acordo que poderá colocar fim à guerra no Oriente Médio.
 

Antes do voo para a Europa, Vance disse a jornalistas que esperava ter avanços na questão nuclear e no tema do cessar-fogo no Líbano, sobre os quais as conversas estariam centradas.

Candidato do PL é o mais votado em Roraima, mas TRE diz não poder declará-lo eleito

  • Por Catarina Scortecci | Folhapress
  • 22 Jun 2026
  • 08:29h

Foto: Leo Costa / SEMUC

O ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique Brandão Machado (PL) foi o nome mais votado para o cargo de governador de Roraima na eleição suplementar realizada neste domingo (21), com 60,87% dos votos. Mas a posse na cadeira é incerta e o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Roraima ainda não proclamou o vencedor da eleição.

 

"Como houve candidato com votação nula sub judice, cuja votação nominal ultrapassou 50% da votação, a legislação eleitoral impede a proclamação do resultado até a decisão final das instâncias superiores", comunicou o TRE.
 

Arthur Henrique concorreu ao pleito com sua candidatura sub judice. Isso porque um recurso contra o indeferimento do seu registro para a disputa ainda não teve desfecho no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
 

Mesmo com a indefinição, ele foi às ruas comemorar o resultado da votação ao lado de eleitores. Em uma rede social, escreveu que "a vontade do povo prevaleceu".
 

A apuração terminou por volta das 21h30 no horário de Brasília (20h30, no horário local). Neste domingo, 384.582 eleitores de Roraima estavam aptos para votar neste domingo.
 

O bolsonarista Arthur Henrique obteve 160.004 votos. Já Soldado Sampaio (Republicanos), que é o atual governador interino de Roraima e, antes disso, presidente da Assembleia Legislativa, ganhou 93.897 votos (35,72%). Em terceiro lugar, ficou a candidata do PT, a socióloga Nelita Frank, que obteve 8.948 votos (3,40%).
 

Já que a proclamação definitiva do resultado da eleição depende da conclusão do julgamento envolvendo Arthur Henrique nos tribunais em Brasília, a corte regional também afirmou que Soldado Sampaio segue no cargo de governador interinamente.
 

Segundo o TRE, dez urnas eletrônicas precisaram ser substituídas. O número representa 0,67% das 1.483 urnas utilizadas em todo o Estado. A corte regional informou não ter registrado ocorrências graves ao longo do dia.
 

O imbróglio em torno da candidatura de Arthur Henrique começou quando o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou uma resolução do TRE de Roraima e assinou uma liminar entendendo que os prazos de desincompatibilização dos candidatos deveriam ser os mesmos de uma eleição comum, de três a seis meses antes da data do pleito, dependendo do cargo que a pessoa ocupa.
 

Já os prazos estabelecidos pelo TRE eram outros, considerando que se tratava de uma eleição atípica. No caso de Arthur Henrique, a data em que ele deixou o cargo de prefeito de Boa Vista atendia à regra regional, mas descumpria o prazo de desincompatibilização apontado pelo STF.
 

A liminar de Dino já foi confirmada, por maioria de votos, na Primeira Turma do STF, mas a campanha de Arthur Henrique ainda espera levar o caso ao plenário da corte.
 

O pleito suplementar em Roraima acontece por determinação do TSE, que no final de abril cassou o mandato do então governador Edilson Damião (União Brasil) e tornou o ex-governador Antonio Denarium (PP) inelegível.
 

Eleito vice-governador em 2022, Damião ocupava a principal cadeira do Executivo na época da decisão do TSE . Ele substituia Denarium, que havia renunciado ao cargo no mês anterior com a pretensão de concorrer ao Senado este ano. A dupla foi condenada pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico no pleito de 2022.
 

Denarium apoiou o nome de Arthur Henrique para o mandato-tampão. Já o pré-candidato do PL ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro, divulgou vídeos em apoio ao ex-prefeito de Boa Vista. No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Jair Bolsonaro (PL) obteve 76,08% dos votos em Roraima, contra 23,92% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
 

Além da disputa pelo governo de Roraima, também houve eleição suplementar neste domingo para as prefeituras de Reginópolis (SP), Tuiuti (SP), Joviânia (GO), Amparo da Serra (MG) e Bonito de Minas (MG).
 

ENTENDA A ELEIÇÃO SUPLEMENTAR EM RORAÍMA
 

Entenda a eleição suplementar em Roraima
 

27 de março – Governador de Roraima eleito em 2022, Antonio Denarium (PP) renuncia ao mandato para concorrer ao Senado e o seu vice, Edilson Damião (União Brasil), assume a principal cadeira do Executivo
 

28 de abril – Tribunal Superior Eleitoral confirma decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima e condena Denarium e Damião por abuso de poder econômico e político na campanha de 2022. Damião perde o mandato e Denarium fica inelegível
 

30 de abril – Por conta da decisão do TSE, o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Soldado Sampaio (Republicanos), assume interinamente o Governo de Roraima até a conclusão de uma eleição suplementar. Soldado Sampaio é um dos candidatos ao mandato-tampão
 

03 de maio – TRE-RR divulga resolução em que estabelece regras para a eleição suplementar, marcada para 21 de junho. Um dos artigos define que, nos casos de necessária desincompatibilização, os candidatos devem se afastar do cargo nas 24 horas subsequentes à convenção partidária
 

25 de maio – TRE divulga plano de propaganda no rádio e na televisão com os três nomes que se habilitaram para a disputa: Antonia Pedrosa (PT), da coligação Roraima da Esperança (PT, PCdoB, PV e Psol-Rede); Arthur Henrique (PL); e Soldado Sampaio (Republicanos), da coligação Roraima Segue em Frente (Republicanos, PDT, MDB, Podemos, PSD e PSDB-Cidadania)
 

27 de maio – Uma decisão liminar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, derruba trecho da resolução do TRE e define que os prazos de desincompatibilização devem ser os mesmos de uma eleição comum, ou seja, os candidatos devem deixar seus postos faltando de três a seis meses da data da eleição (a variação no tempo depende do cargo que ocupa e do cargo que pretende ocupar)
 

02 de junho – Com base na decisão do STF, o TRE indefere o registro de duas candidaturas, de Arthur Henrique e de Antonia Pedrosa. O primeiro tinha renunciado ao mandato de prefeito de Boa Vista em 2 de abril, cogitando disputar a eleição geral de outubro. A segunda se afastou do cargo de professora da rede estadual em 16 de maio. Ou seja, ambos não atendiam ao prazo de desincompatibilização de 3 meses antes da data da eleição (21 de junho)
 

03 de junho – A coligação encabeçada pelo PT opta por trocar a candidata para se manter na disputa. No lugar de Antonia Pedrosa, entra a socióloga Nelita Frank (PT). Já o PL opta por recorrer da decisão e insistir na candidatura de Arthur Henrique, que agora se torna candidato sub judice
 

19 de junho – Em sessão virtual, os ministros da Primeira Turma do STF confirmam a liminar de Dino. Houve apenas um voto divergente, da ministra Cármen Lúcia. Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin seguiram o relator. A expectativa da defesa de Arthur Henrique é levar o caso ao plenário da corte.

Ministério da Justiça pediu devolução de policiais cedidos ao gabinete de André Mendonça, afirmam colunistas

  • Bahia Notícias
  • 20 Jun 2026
  • 12:30h

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O Ministério da Justiça enviou ofícios ao Judiciário solicitando a devolução de policiais federais cedidos para auxiliar magistrados. A informação foi publicada pelos jornalistas Roseann Kennedy e Aguirre Talento, do Estadão. Segundo a reportagem, a medida atinge diretamente a equipe do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável por conduzir investigações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no Banco Master.

 

Os documentos foram assinados na última quarta-feira (17) pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges. Nos bastidores do Judiciário e da Polícia Federal, a iniciativa é interpretada como uma possível retaliação do governo federal, já que as duas investigações conduzidas por Mendonça avançaram sobre pessoas próximas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

A apuração sobre os desvios no INSS citou Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. Já a investigação envolvendo o Banco Master resultou, nesta semana, em uma operação contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

 

Um dos nomes que podem ser afetados pela medida é o do delegado da Polícia Federal Thiago Marcantonio Ferreira, que integra a equipe de assessoria de André Mendonça desde o ano passado. Segundo a publicação, integrantes da PF avaliam que o governo optou por uma medida mais ampla porque não poderia determinar a retirada de apenas um integrante do gabinete do ministro.

 

Ademar Borges afirmou que a iniciativa faz parte de uma diretriz presidencial voltada ao fortalecimento do combate ao crime organizado. Segundo ele, cerca de 100 pedidos de retorno foram enviados a mais de 50 órgãos da administração pública federal, estadual e municipal. “O processo de retorno dos policiais federais, rodoviários federais e policiais penais, seguindo a diretriz presidencial amplamente divulgada, para reforço e valorização das atividades finalísticas e de combate ao crime organizado teve início no fim de abril e continua em curso”, afirmou ao Estadão.

 

Em abril, o presidente Lula já havia defendido publicamente o retorno dos delegados cedidos. “Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretários de Estado”, declarou à época.

Justiça limita cachês de bandas contratadas para São João de Anagé após ação do MPBA

  • Bahia Notícias
  • 20 Jun 2026
  • 10:25h

Reprodução/Google Street View

A Justiça atendeu a um pedido do Ministério Público da Bahia (MPBA) e determinou que a Prefeitura de Anagé não efetue, neste São João, pagamentos às bandas Magníficos e Cacau com Leite acima dos valores de referência calculados com base na média dos contratos firmados pelos artistas em 2025, corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

 

A decisão foi proferida nesta quinta-feira (19) em ação civil pública movida pelo promotor de Justiça Leandro Carvalho Duca Aguiar. O processo questiona os valores contratados para as apresentações no "Arraiá do Gaviões", programado para ocorrer entre os dias 21 e 23 de junho.

 

Segundo o MPBA, a Banda Magníficos foi contratada por R$ 413 mil e a Banda Cacau com Leite por R$ 160 mil. No entendimento do órgão, os valores ultrapassam os parâmetros considerados razoáveis pela Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada pelo Ministério Público da Bahia, Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA).

 

Além de limitar os pagamentos, a Justiça determinou que o município deposite em juízo, no prazo de 24 horas, R$ 107.711,42, referentes à diferença entre os valores contratados e os considerados compatíveis. Desse total, R$ 80.443,73 correspondem ao contrato da Banda Magníficos e R$ 27.267,69 ao da Banda Cacau com Leite.

 

De acordo com a ação, as justificativas apresentadas pela administração municipal não demonstraram fatos novos ou aumento de notoriedade dos artistas que justificassem os reajustes. A decisão também levou em conta a situação de emergência decretada em Anagé devido à estiagem prolongada que afeta a população rural.

Petróleo cai pela segunda semana consecutiva com acordo entre EUA e Irã em foco

  • Por Folhapress via Bahia Notícias
  • 20 Jun 2026
  • 08:22h

Imagem Ilustrativa: Divulgação / Petrobras

O petróleo encerrou nesta sexta-feira (19) a segunda semana consecutiva de queda de preços, com os investidores avaliando as perspectivas de uma trégua entre Estados Unidos e Irã, após o cancelamento das negociações e a intensificação dos ataques de Israel no Líbano.

 

O barril Brent, referência global, teve queda semanal de 7,96%, superando a desvalorização de 6,19% da semana anterior. No pregão do dia, houve alta de 0,66%, e a commodity encerrou a sessão cotada a US$ 80,38.
 

Durante a semana, o Brent chegou a cair a US$ 76,64 na quinta-feira (18), menor valor desde 2 de março -o primeiro dia de negociação após o início da guerra no Irã- quando atingiu US$ 75,75.
 

Após os novos ataques no Líbano ameaçarem os avanços das negociações de paz no Oriente Médio, Israel e Hezbollah concordaram com um cessar-fogo nesta sexta. A trégua foi confirmada pelas duas nações à agência Reuters.
 

As negociações entre EUA e Irã na Suíça, no entanto, já haviam sido canceladas. A Casa Branca não deu uma razão detalhada para o adiamento, mas disse em um comunicado na noite de quinta que a logística das negociações "nunca foi simples ou previsível".
 

A situação aumentou a incerteza quanto às perspectivas de uma trégua duradoura. O conflito no Líbano pode pesar nas negociações porque encerrar os combates na região é uma condição para o acordo mais amplo entre EUA e Irã.
 

"Isso deixa à mostra o caminho difícil que temos pela frente para alcançar uma retomada plena e ininterrupta do fluxo de petróleo pelo estreito [de Hormuz]", afirmou Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates. "Sem dúvida, as notícias sobre o acordo de cessar-fogo prolongado continuarão a moldar o sentimento do mercado".
 

Analistas esperam que o acordo libere mais de 85 milhões de barris de petróleo retidos no golfo Pérsico para os mercados globais. O acordo também inclui o fim das sanções dos EUA ao petróleo iraniano, o que aumentaria ainda mais a oferta.
 

Cerca de 20% da oferta global de petróleo e GNL (gás natural liquefeito) passa pelo estreito de Hormuz, mas a recuperação dos fluxos e da produção após o acordo entre os EUA e o Irã pode levar vários meses.
 

O Citi afirmou que seu cenário base, com 60% de probabilidade, prevê uma normalização sustentada nos fluxos, com os mercados de petróleo entrando em superávit e os preços apresentando tendência de queda nos próximos seis a 12 meses, para cerca de US$ 60 a US$ 65 por barril até o primeiro trimestre de 2027.
 

O Commerzbank afirmou que a oferta de petróleo deve se recuperar gradualmente, reduzindo sua previsão para o Brent de US$ 85 para US$ 80 por barril até o final do ano, embora espere que os preços permaneçam acima dos níveis pré-guerra durante a maior parte do próximo ano.
 

Os campos petrolíferos do Iraque estão prontos para retomar a produção, e a produção voltará gradualmente ao normal, restaurando os níveis anteriores, afirmou o ministro do Petróleo, Basim Mohammed.
 

No que diz respeito à demanda, a demanda mundial subirá de 105,1 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) em 2025 para 113,3 milhões de bpd em 2030, informou a Opep em seu "World Oil Outlook 2026".
 

No entanto, Israel continua sua guerra contra o Hezbollah no Líbano, levantando dúvidas sobre se o acordo de paz entre os EUA e o Irã se manterá.

STF anula absolvição de empresário acusado de estuprar Mariana Ferrer, e caso será reiniciado em SC

  • Por Luísa Martins e Ana Pompeu | Folhapress
  • 19 Jun 2026
  • 16:24h

Foto: Divulgação

 

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, por unanimidade, anular a sentença que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro contra a influenciadora Mariana Ferrer, devido aos constrangimentos sofridos pela jovem durante audiência de instrução do processo. Com a decisão, o caso será reiniciado na primeira instância, em Santa Catarina (SC).

 

O relator, ministro Alexandre de Moraes, afirmou não ter dúvidas de que Mariana foi humilhada pelo então advogado do réu —sem que houvesse interferência do promotor ou do juiz para interromper o abuso— e que isso contaminou a produção de provas e, consequentemente, a elaboração do convencimento do magistrado.
 

Os ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin seguiram o relator.
 

O ministro André Mendonça não participou da sessão por problemas de saúde. Já o ministro Cristiano Zanin se declarou impedido de votar no mérito, pois advogou para pessoas que foram processadas pelo promotor e pelo magistrado após críticas às suas posturas no episódio.
 

O plenário analisou o caso específico da influenciadora, mas fixou uma tese de repercussão geral para servir de parâmetro a todos os tribunais do Brasil. Como ponto central da decisão, ficou definido que, em processos sobre crimes sexuais, são nulas as provas obtidas mediante desrespeito aos direitos fundamentais da vítima, notadamente sua dignidade, honra, intimidade e integridade psicológicas.
 

Os juízes, promotores, advogados ou defensores públicos que violarem essa norma estão, a partir de agora, obrigatoriamente sujeitos a apuração disciplinar, civil e criminal.
 

As audiências em casos de crimes sexuais também precisarão ser gravadas, mediante concordância da vítima. A tese também estabelece que não serão anuladas sentenças amparadas em provas independentes ao depoimento da vítima.
 

Em audiência realizada em 2020, a defesa de Aranha tentou descredibilizar Mariana mostrando fotos do período em que ela trabalhou como modelo, sugerindo que as imagens mostravam a jovem em "posições ginecológicas".
 

O advogado também disse que "jamais teria uma filha do nível" dela e interrompeu seu depoimento diversas vezes, afirmando que seu choro era "dissimulado e falso".
 

Moraes disse que o juiz deu uma sentença baseada em provas nulas, pois Mariana teve o seu depoimento cerceado —sendo que as jurisprudências do STF e do STJ (Superior Tribunal de Justiça) são pacíficas no sentido de que a palavra da vítima tem grande relevância em investigações sobre violência sexual.
 

"Se cada vez que a vítima falava ela era humilhada pelo advogado, não houve depoimento lícito da vítima. Se uma das provas mais importantes é o depoimento da vítima, temos aqui um problema. Não tenho nenhuma dúvida de que a audiência é nula, pois a prova do depoimento foi obtida em desrespeito total aos direitos fundamentais da vítima", afirmou o relator.
 

Segundo o ministro, houve conduta omissiva por parte do juiz do caso e do integrante do Ministério Público, que não agiram para reprimir a prática abusiva, o que comprometeu a integridade do processo.
 

Ao acompanhar o voto do relator, Toffoli sugeriu que o prazo de prescrição fosse suspenso, para que o empresário não pudesse ser favorecido por uma circunstância de ilegalidade que a sua própria defesa provocou. Porém, os ministros optaram por deixar esse ponto de fora da tese final, já que ainda faltam cinco anos para a prescrição do caso Mariana Ferrer.
 

Única mulher da composição do STF, Cármen afirmou considerar que as condutas foram dolosamente voltadas à fragilização da vítima, em desrespeito à dignidade da pessoa humana. "Não foi um descontrole eventual, não foi uma palavra, foi a reiterada prática de descrédito, de desvalor, que continuava e continuava e se repetia."
 

"[O advogado dizia] 'Pare de chorar', até porque homem não chora, quem chora são as mulherzinhas, é o 'mimimi' dessas mulheres, e é assim que é ainda hoje. E, por isso, quando a vítima naquele momento chora, há também uma desqualificação do choro. Quando a mulher chora, isso é motivo de deboche, de brincadeira. Nós, mulheres, temos o direito de chorar, como todo ser humano teria que ter o direito de chorar", continuou a magistrada.
 

Fux disse que "o que houve foi a realização de uma audiência em contrariedade aos dispositivos constitucionais", e que isso leva à anulação desse ato e à necessidade de devolver os autos à instância de origem.
 

O caso chegou ao Supremo pela defesa da influenciadora, que afirma ter sido tratada com sarcasmo, ironia, ofensas, humilhações e insinuações sexuais "do mais baixo nível" por parte do advogado de Aranha, sem que houvesse qualquer intervenção por parte do juiz, do promotor de Justiça ou do defensor público, presentes na audiência.
 

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) puniu o magistrado Rudson Marcos, do TJ (Tribunal de Justiça) de Santa Catarina, com advertência —a sanção disciplinar mais branda.
 

O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) arquivou o PAD (processo administrativo disciplinar) contra o promotor Thiago Carriço de Oliveira. O advogado de Aranha na ocasião, Claudio Gastão Rosa Filho, não sofreu punição.
 

Mariana acusa Aranha de tê-la dopado e estuprado em uma festa no Café de La Musique, em Florianópolis (SC), em 2018. Ele foi absolvido tanto em primeira quanto em segunda instância. Com a decisão do STF, o processo vai ser reiniciado.
 

Após a conclusão do julgamento, a advogada do empresário, Dora Cavalcanti, afirmou à reportagem que a anulação da audiência pelo STF decorreu não do comportamento do réu, mas da atuação dos profissionais do sistema de Justiça.
 

"André Aranha aguarda serenamente a renovação do ato processual, reafirmando, uma vez mais, sua inocência, já refletida nas provas periciais, técnicas e testemunhais anteriormente produzidas", disse ela.
 

Em novembro do ano passado, a lei originada da repercussão do caso completou quatro anos em vigor. O texto leva o nome da ativista e foi criado para proteger a integridade de vítimas de crimes sexuais durante audiências, proibindo práticas de revitimização —ou seja, de repetição da violência sofrida. Atualmente, a influenciadora é assessora da presidência do STM (Superior Tribunal Militar).

 

Arraiá da Escola Artinfância lota salão da AABB em Brumado

  • Tradição, cultura e emoção marcaram mais uma grande festa junina da educação brumadense
  • Brumado Urgente
  • 19 Jun 2026
  • 14:19h

Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente

O São João da Bahia é uma das manifestações culturais mais importantes do país, reunindo música, dança, gastronomia típica e tradições que atravessam gerações. Durante o mês de junho, cidades de todas as regiões do estado se transformam em verdadeiros arraiais, celebrando a cultura nordestina com alegria, cores e muito forró.

Em Brumado, a tradição ganhou ainda mais brilho com a realização do Arraiá da Escola Artinfância, que lotou o salão da AABB. O evento reuniu alunos, familiares, professores e convidados em uma noite repleta de emoção e encantamento. Cada apresentação foi cuidadosamente preparada pelas professoras, que se dedicaram aos ensaios e à valorização das tradições juninas junto às crianças.

No palco, os estudantes deram um verdadeiro espetáculo. Vestidos a caráter, eles apresentaram quadrilhas, coreografias temáticas e números culturais que arrancaram aplausos do público. O envolvimento das famílias também foi um dos grandes destaques da festa, demonstrando a parceria entre escola e comunidade na construção de momentos especiais para o desenvolvimento e a formação dos alunos.

Ao final do evento, a diretora Célia Regina agradeceu a presença e o apoio de todos que contribuíram para o sucesso da celebração. Em sua mensagem, ela destacou a dedicação do corpo docente, o empenho dos colaboradores, a confiança dos pais e responsáveis, além do entusiasmo dos alunos, verdadeiros protagonistas da noite. “Nossa gratidão a cada família, amigo, professor e colaborador que esteve conosco. O carinho, a participação e a união de todos fizeram deste Arraiá um momento inesquecível, fortalecendo os laços da nossa comunidade escolar e celebrando com alegria a riqueza da cultura nordestina”, afirmou a diretora.


Justiça aceita denúncia e Deolane vira ré sob acusação de lavar dinheiro do PCC

  • Por Rogério Gentile e Bárbara Sá | Folhapress
  • 19 Jun 2026
  • 12:32h

Foto: Reprodução / Record

A Justiça paulista aceitou a denúncia contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra sob acusação de lavar dinheiro para a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

 

Com isso, Deolane, que está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado, passa a ser ré no processo e terá dez dias para apresentar resposta à acusação.
 

Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, principal chefe da facção criminosa, o irmão dele, Alejandro Herbas Camacho Júnior, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema, também passaram a ser réus na ação, de acordo com a decisão judicial da 3ª Vara de Presidente Venceslau.
 

A denúncia é desdobramento da Operação Vérnix, realizada a partir de suspeitas de que uma transportadora de fachada era usada para lavar dinheiro do PCC. A operação resultou na prisão de Deolane e de Everton de Souza.
 

Também foram denunciados Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, que estão foragidos.
 

A defesa de Deolane Bezerra afirmou nesta quinta-feira (18) que o recebimento da denúncia não representa qualquer conclusão sobre os fatos investigados. Em nota, os advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes disseram que a medida é apenas uma etapa inicial do processo e que a influenciadora irá se defender das acusações na Justiça.
 

Os advogados sustentam que Deolane é inocente e não possui qualquer vínculo com organizações criminosas. Também afirmam que os rendimentos da influenciadora possuem origem lícita e foram regularmente declarados aos órgãos competentes.
 

O advogado Bruno Ferullo -que defende Marcola, seu irmão e os dois sobrinhos- afirmou, também em nota em nota divulgada nesta quinta, que contestará as acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro atribuídas aos denunciados.
 

Segundo o advogado, Marcola e Alejandro Camacho estão custodiados em presídios federais de segurança máxima desde fevereiro de 2019 e submetidos a rígidas restrições de contato e comunicação. A defesa sustenta que essa condição "torna inviável qualquer participação nos fatos investigados" e demonstraria um equívoco da acusação.
 

A nota também nega as acusações formuladas contra Leonardo e Paloma Camacho. De acordo com Ferullo, o simples vínculo familiar entre os denunciados não pode ser interpretado como prova de envolvimento em atividades criminosas. A defesa afirma ser "inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude".
 

Após a prisão de Deolane, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, disse à reportagem que há uma relação direta e íntima entre Deolane e a família de Marcola.
 

Segundo ele, Deolane teria fornecido contas para a lavagem de dinheiro do grupo criminoso, o que é negado por sua defesa. Um dos indícios de atividade criminosa, segundo ele, seria um aumento repentino do patrimônio dela, com ganhos superiores a R$ 140 milhões de 2020 a 2022.
 

"Ela tem relação direta com a família Camacho, além de relação de amizade íntima com integrantes, como Paloma e Alexandro, filhos de Marcolinha [Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola] também indiciados", diz.
 

O promotor disse considerar que está praticamente comprovada a incompatibilidade entre as atividades profissionais de Deolane e seus ganhos financeiros.
 

Após ser presa, Deolane chorou durante a audiência de custódia ao afirmar que foi presa no exercício da advocacia.
 

"Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente", afirmou.
 

Ela não informou na audiência quem seria o seu cliente.