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O primeiro caso de HIV foi notificado na Bahia em 1984. Até novembro deste ano, o estado já registrou 27.523 casos, dos quais 63% são do sexo masculino, de acordo com dados da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab). Em entrevista ao Bahia Notícias, a coordenadora de Vigilância e Controle de Agravos da pasta, Maria Aparecida Rodrigues, do total de pessoas com Aids no estado, 70% estão em tratamento. "Existem vários motivos para que as pessoas diagnosticadas não realizem o tratamento, entre eles estão a não aceitação do diagnóstico, medo de sofrer estigma, preconceito ou discriminação. No momento do diagnóstico, as pessoas não têm nenhuma doença e acham que não há necessidade de usarem a medicação", citou.
Entre 2005 e 2016, a Bahia registrou 6.160 mortes de pessoas com Aids, o que em grande parte das vezes está relacionado à ausência de tratamento, que pode ser realizado integralmente via Sistema Único de Saúde (SUS). "O primeiro passo é o diagnóstico. O diagnóstico pode ocorrer na rede pública ou na privada. O SUS oferece esse atendimento gratuito na rede básica de saúde. Com o diagnóstico positivo o usuário deverá ser encaminhado para os Serviços de Atenção Especializada (SAE) que estão distribuídos tanto em Salvador quanto no interior", explicou Maria Aparecida. Ainda assim, a coordenadora ressaltou a necessidade de melhorar o acesso ao tratamento. Leia a entrevista completa! Boletim do Ministério da Saúde mostrou que cerca de 260 mil brasileiros sabem que estão infectados por HIV, mas não realizam o tratamento (veja aqui). Como estão esses números na Bahia?
Na Bahia, em junho, tínhamos aproximadamente 70% das pessoas vivendo com Aids em tratamento. Os serviços estão envidando esforços para trabalharem junto a esses pacientes que não estão em tratamento, visando verificar a razão e tentar sanar as dificuldades para a adesão. O tratamento para HIV/Aids está disponível na rede SUS, assim o acesso é gratuito.
Qual seria o principal motivo para que pacientes com diagnóstico de HIV/Aids não busquem tratamento?
Existem vários motivos para que as pessoas diagnosticadas não realizem o tratamento, entre eles estão a não aceitação do diagnóstico, medo de sofrer estigma, preconceito ou discriminação, no momento do diagnóstico as pessoas não têm nenhuma doença e acham que não há necessidade de usarem a medicação. Em alguns locais, ainda pode existir dificuldade de acesso. O medo de sofrer estigma, preconceito ou discriminação faz com que comunicar o diagnóstico para outras pessoas do convívio social e familiar seja uma decisão difícil, cujo ato, muitas vezes, ainda é evitado e adiado. Nessa perspectiva, pessoas que descobrem a soropositividade veem-se diante de dúvidas e dilemas; se vale a pena, como, quando e para quem comunicar sobre o diagnóstico. O segredo sobre o HIV pode ter impacto negativo na adesão ao tratamento, na medida em que a pessoa receia que terceiros desconfiem de sua soropositividade ao descobrirem que usa determinados remédios, por exemplo. Assim, esconder o diagnóstico pode significar deixar de fazer muitas coisas do próprio tratamento, como exemplo, ir às consultas, fazer exames, pegar os medicamentos e tomá-los nos horários e doses recomendados. Portanto, assumir a condição de pessoa vivendo com HIV/Aids e compartilhar o diagnóstico com pessoas de confiança do convívio sócio familiar, podem favorecer a adesão adequada e o autocuidado.
Como é o processo para realizar tratamento contra HIV? Onde o paciente pode buscar ajuda?
O primeiro passo é o diagnóstico. O diagnóstico pode ocorrer na rede pública ou na privada. O SUS oferece esse atendimento gratuito na rede básica de saúde. Com o diagnóstico positivo o usuário deverá ser encaminhado para os Serviços de Atenção Especializada (SAE) que estão distribuídos tanto em Salvador quanto no interior. Nesse caso, os municípios conhecem a Rede de Referência e faz esse encaminhamento para o SAE de sua abrangência, ou seja, para o serviço mais próximo da residência do usuário. Após o atendimento o tratamento deve ser iniciado imediatamente.
Como está a Bahia no cenário da estratégia 90-90-90? Os números alcançados até agora são satisfatórios?
A Bahia tem até 2020 para atingir a meta 90-90-90 estabelecida. A meta consiste em ter 90% das pessoas com HIV diagnosticadas; deste grupo, 90% seguindo o tratamento; e, dentre as pessoas tratadas, 90% com carga viral indetectável. Ainda não temos com medir o impacto da meta 90-90-90. Assim no contexto da implantação da estratégia (meta) 90-90-90: quanto 90% das pessoas testadas temos um aumento de unidades realizando os testes, ou seja, facilitando o acesso para as pessoas testarem; quanto a 90% destas tratadas e 90% das pessoas tratadas com carga viral indetectável, estamos empreendendo esforços para o alcance das metas; aumentamos o número de serviços assistenciais e de unidade dispensadoras de medicamento. E temos incentivado o trabalho com adesão. Ainda precisamos avançar muito.
O que a senhora vê como o principal impedimento, por parte do sistema, para que as pessoas busquem ajuda? O que precisa ser melhorado?
Precisamos falar mais sobre o tema, nisso, incluo os meios de comunicação, colocar a importância da realização do diagnóstico precoce e, se resultado o resultado for positivo, início imediato do tratamento. Dar pauta para falar de prevenção. Precisamos melhorar o acesso, mas é necessário levar em conta que às vezes ter a informação e ter o serviço não é sinônimo de mudança de atitude ou de ação por parte dos sujeitos envolvidos.
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Esudos que abordam os efeitos de longo prazo do hábito de andar ou correr descalço são escassos. Uma nova revisão concluiu que há evidências limitadas da ocorrência de mais problemas nos pés relacionada a esse hábito. Além disso, não há evidência de um risco maior de lesões entre pessoas que têm esse costume, segundo a análise publicada no mês passado na revista "Medicine and Science in Sports and Exercise". "Tendo o grande 'debate sobre andar descalço' em mente, esperávamos mais evidências de efeitos de longo prazo da locomoção sem sapatos", disse o principal autor do estudo, Karsten Hollander, do Instituto da Ciência do Movimento Humano da Universidade de Hamburgo, na Alemanha. Algumas populações, por exemplo na África do Sul, incluem muitas pessoas que têm o hábito de ficar descalças, disse Hollander à Reuters Health. Ele e seus colegas estão atualmente preparando um estudo maior comparando crianças que andam descalças na África do Sul om crianças que andam calçadas na África do Sul e Alemanha para avaliar o desenvolvimento dos pés e a performance motora. Na revisão publicada em novembro, Hollander e sua equipe incluiu 15 estudos que avaliaram mais de 8 mil pessoas comparando dados sobre biomecânica, performance motora e patologias observadas normalmente em pessoas que andam descalças e calçadas.
Foi observado que pessoas que andam descalças tendem a ter pés ligeiramente mais largos do que pessoas calçadas. Os índices de lesões foram similares nos dois grupos. Não houve evidência de que pessoas descalças têm performance motora melhor em longo prazo e houve evidência muito limitada para benefícios à saúde, segundo os autores. O corpo se adapta bem a andar ou andar descalço, segundo Hollander, "mas o corpo precisa de mais tempo para adaptar a essa nova técnica e eu acho que a quantidade de treino e recuperação que um corpo precisa é diferente para cada indivíduo".
Correr descalço
A revisão concluiu que os tipos de lesões observadas em pessoas que correm descalças ou calçadas foram diferentes, mas não há evidência que mostra que uma opção gera mais lesões do que a outra. "Enquanto correr calçado leva a mais lesões na fascia plantar, joelho, quadril e costas, corredores descalços estão mais propensos a ter lesão no tendão de Aquiles e outros tendões na extremidade inferior", disse o autor. "Minha opinião pessoal é que muitas pessoas poderiam se beneficiar de andar descalças", tomando cuidado para evitar riscos, afirmou Hollander. Sapatos minimalistas podem proteger os pés de perigos como cacos de vidro ou pedras. "Mas o importante é que a transição para correr descalço ou com sapatos minimalistas precisa de tempo e alguma adaptação na técnica de corrida."
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Quando comecei a trabalhar em um documentário, no começo de 2016, sobre as bolhas nas redes sociais, sabia pouco sobre este assunto que acabaria se transformando em uma das histórias que definiram este ano. Estava preocupado com as limitações de nossa presença digital em um sentido político e social. Devido a causas alheias à nossa vontade, a maioria de nós transformou nossas redes sociais em bolhas muito limitadas e agradáveis, fazendo com que as pessoas com pontos de vista políticos e sociais muito diferentes dos nossos não apareçam em nossas páginas no Facebook, por exemplo, apesar de, provavelmente, elas viverem ao lado de nossas casas. A culpa é das empresas que criam algoritmos para as redes sociais, cujas modificações estão programadas para nos mostrar o que "gostamos" na internet e coisas com as quais estamos de acordo. Curiosamente tudo isso tem como objetivo nos fazer mais felizes. Depois de conversar com vários especialistas, gurus da web e filósofos futuristas, descobri algumas formas de romper com esta bolha das redes sociais e caminhar para um futuro mais brilhante e, possivelmente, mais real. Veja alguns destes passos abaixo.
1) Desative a seleção automática de notícias
O Facebook mostra uma seção de notícias criada por seus algoritmos. O que se vê nelas é o que estes algoritmos "acreditam" ser o que você quer ver e o que você acha interessante. Frequentemente isto significa que seus amigos ou contatos que pensam de forma diferente de você a respeito de algum assunto nem sempre aparecem na sua timeline do Facebook. Com isso a sua exposição a pontos de vista diferentes fica reduzida. No entanto é possível mudar isso se você configurar o Facebook para ver as histórias na ordem em que foram publicadas ativando a opção "Mais recentes" (em sua página inicial, clique em "notícias" e escolha a opção "mais recentes"). O Facebook adverte que, mesmo que você faça esta mudança, "a sua configuração predeterminada voltará depois". Por isso você precisa refazer esta mudança a cada vez que se conectar. Se optar por esta mudança poderá ver em sua timeline histórias que talvez não signifiquem nada para você, de pessoas que talvez não conheça tão bem e muitas fotos que provavelmente sejam mais uma chateação do que algo bonito para olhar. Mas, pelo menos, terá uma seção de notícias de verdade.
2) Curta tudo
Se você clicar em "curtir" para tudo o que aparece em suas redes sociais, a inteligência artificial que controla os algoritmos ficará sabendo que você gosta de saber de tudo: todos os pontos de vista e todo tipo de política. Isso abre a possibilidade para que as coisas se repitam em sua timeline, inclusive as duas ou mais versões de uma mesma história. Se você incluir mais pontos de vista diferentes em seu perfil, sua informação será mais completa É jeito meio grosseiro de enganar o sistema, mas pelo menos você estará fazendo algo para ter uma visão mais ampla das notícias.
3) Não clique nos links
Existe uma outra opção, mais radical: limite seus cliques apenas aos aniversários e fotos de seus contatos, mantendo tudo o que for relacionado a assuntos políticos e sociais fora de sua timeline (pelo menos temporariamente). Uma vez que você conseguiu converter sua presença digital na coisa mais chata do mundo, então você poderá colocar em prática velhas habilidades como ler cada ponto de vista sobre uma história política, vindos de fontes diferentes e veículos de imprensa diferentes. E, partir do que você conseguir ler, poderá chegar às suas conclusões.
4) Organize e e pregue o evangelho do conteúdo sem filtro
É inútil abandonar o sistema se o resto do mundo continua dentro da "Matrix". As empresas de redes sociais e os algoritmos não são uma força do mal com o objetivo de mudar nossa espécie, são apenas reflexos de nós mesmos. Se mudarmos de coletivamente a forma com que consumimos a informação nas redes sociais, teremos um mundo com mais variedade, mais aberto e mais complexo.
5) Delete sua conta, desconecte e abandone tudo!
Esta opção, para alguns, parece impossível.
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O Ministro da Saúde, Ricardo Barros, declarou nesta quinta-feira (8) ser favorável ao cumprimento da norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbe os aditivos que dão sabor e cheiro aos cigarros. "80% dos fumantes começam a fumar antes dos 18, então, para esse público esses aditivos são atraentes. Isso não é bom para a saúde pública", disse Barros, após reunião do Conselho Nacional de Saúde, segundo a Agência Brasil. Em 2012, a Anvisa estabeleceu norma que dispôs sobre os limites máximos de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono nos cigarros, proibiu o uso de palavras como "light", "suave", "soft", dentre outras e restringiu o uso de substâncias aditivas em cigarros, permitindo somente a utilização dos aditivos indispensáveis ao processo produtivo.
Na prática, estes componentes são responsáveis por dar sabores e cheiros mais agradáveis ao produto, o que, segundo especialistas, atrai principalmente o público jovem para o vício do cigarro. No entanto, a regra nunca esteve em vigor, já que entidades ligadas à indústria do fumo entraram com ação no Supremo Tribunal Federal, que acatou o pedido liminarmente. No final do mês passado, o assunto voltou à pauta do Supremo, mas ainda não tem data para ser votado conclusivamente. Barros afirmou que a proibição de aditivos de cigarros é um assunto prioritário para o Ministério da Saúde. Com a expectativa da votação, o presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa foi ao Supremo Tribunal Federal para "esclarecer os motivos pelos quais a agência quer proibir o uso de substâncias que possuam tão somente a função de mascarar sabores, odores e sensações ruins em cigarros e outros produtos fumígenos, com o objetivo de fazer com que os usuários utilizem cada vez mais estes produtos".
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Aproximadamente 535 milhões de crianças, uma de cada quatro no mundo, vivem em países em conflito, "sem proteção, sem acesso à saúde e educação de qualidade e com problemas de nutrição", segundo denunciou nesta sexta-feira (9) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Este número, considerado "colossal" pelo porta-voz da organização, Cristoph Boulierac, foi publicado em um relatório prévio à celebração do 70° aniversário da criação da entidade. Os países da África Subsaariana acolhem quase três quartas partes – 393 milhões – das crianças ameaçadas por guerras e crise humanitárias de todos os tipos, seguidos pelos estados do Oriente Médio e o norte da África, nos quais residem 12% do total dos menores afetados. A metade das quase 50 milhões de crianças deslocadas foi afastada de suas casas por conflitos, afirma o Unicef, que se referiu com especial preocupação à situação dos menores na Síria, Nigéria, Afeganistão, Iêmen e Sudão do Sul.
Crianças-soldado
O número de crianças que vivem nas 16 áreas sitiadas da Síria, sem acesso a serviços básicos e nem a ajuda humanitária, chega a 500 mil, de acordo com Unicef. No nordeste da Nigéria um milhão de crianças foram obrigadas a fugir dos ataques do grupo terrorista Boko Haram enquanto no Iêmen já são quase 10 milhões afetadas pelo conflito que arrasa o estado da península arábica. No Afeganistão e Sudão do Sul aproximadamente a metade das crianças não recebem educação primária. Por outro lado, a representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a questão das crianças e dos conflitos armados, Leila Zerrougui, denunciou a presença de crianças-soldado nestes cinco países, além de no Sudão, Mali, Líbia, Congo e República Centro-Africana. "Não há dúvidas de que grupos armados ao redor do planeta estão recrutando crianças em suas fileiras de forma forçosa", afirmou. A representante nomeou os grupos jihadistas Estado Islâmico (EI), a frente da Conquista do Levante (antigo Frente al Nusra) e Boko Haram, como alguns dos "atores não estatais" que realizam esta prática. O diplomata se referiu especialmente ao trabalho de radicalização que o EI está realizando nos territórios que ocupa, onde "está recrutando crianças como estratégia de futuro, para preparar uma nova geração que continue com a luta se eles forem derrotados", explicou. Além disso, Zerrougui denunciou que os menores que fogem de zonas de conflitos são frequentemente detidos e capturados por exércitos e milícias já que são percebidos como "ameaças para a segurança" ao invés de "vítimas", sobretudo se forem meninos entre 14 e 20 anos. Estas detenções são frequentes na Nigéria, país no qual, apenas em 2016, cerca de 25 menores cometeram ataques suicidas em nome do Boko Haram.
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O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a Olimpíada do Rio de Janeiro e o game “Pokémon Go” foram os assuntos mais comentados do Facebook no Brasil em 2016, informou a rede social nesta quinta-feira (8). A pauta política dominou as conversas no site de Mark Zuckerberg. Outros dos dez tópicos mais discutidos na rede social foram a Lava-Jato e as eleições dos Estados Unidos. A lista traz ainda a tragédia que derrubou o avião da Chapecoense e as mortes de David Bowie ao 69 anos e de Fidel Castro, aos 90 anos. Outro dos assuntos mais falados é o vírus da zika. O curioso é que, em novembro, a própria rede social admitiu que três dos dez artigos mais compartilhados sobre a epidemia eram falsos. A rede social também liberou vídeos de retrospectiva do ano, em que os usuários poderão ver uma compilação de momentos marcantes publicados por eles ou sobre eles no Facebook. É possível ver esses vídeos no seguinte endereço: facebook.com/yearinreview2016.
Veja abaixo os assuntos mais comentados do ano:
1) Impeachment
2) Jogos Olímpicos de 2016 do Rio de Janeiro
3) Pokémon Go
4) Carnaval
5) Acidente de avião da Associação Chapecoense de Futebol
6) Eleições nos EUA
7) Operação Lava-Jato
8) Zika
9) David Bowie
10) Fidel Castro
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O Ministro da Saúde, Ricardo Barros, visitou, nesta quinta-feira (8), a instalação de três supercomputadores recém-adquiridos pelo ministério para integração e informatização do Sistema Único de Saúde (SUS). Com projetos como o Prontuário Eletrônico, o governo pretende reunir e processar as informações de cada unidade de saúde do país. Os municípios têm até o dia 10 de dezembro para se integrar ao sistema. Até o momento, segundo o ministro, 4400 municípios responderam ao chamado do governo federal. No dia 14 de dezembro, o Ministério irá dovulgar um balanço das cidades e unidades que já aderiram a essa informatização e aquelas que não o fizeram. Será a partir dessas respostas que o governo federal pretende levantar um número de quantas unidades não possuem computadores, quantas não têm conectividade e quantas não contam com pessoal capacitado para trabalhar com o sistema integrado e informatizado. Os supercomputadores já estão instalados, mas os softwares que serão utilizados para implantação desse sistema integrado serão licitados em 2017. A previsão do ministro é de que, em março, o sistema fique pronto para funcionamento, mas a partir daí a efetivação dessa troca de dados dependerá da integração dos municípios no sistema e na sua aplicação em cada cidade.
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Quando soube da proposta que muda as regras da Previdência, a professora do ensino infantil Vivian Adorno dos Santos, de 35 anos, chegou a pensar em pedir exoneração de um dos cargos que tem na prefeitura. A ideia é trabalhar menos horas por dia para suportar mais anos em sala de aula. “Não dá para trabalhar tanto tempo até se aposentar”, diz. Pelo desgaste da profissão, hoje os professores podem se aposentar mais cedo que outras categorias com a chamadaaposentadoria especial. Quem leciona nos ensinos infantil, fundamental e médio pode pedir o benefício do INSS com 25 anos de contribuição e 50 de idade, para mulheres, e com 30 de contribuição ou 55 de idade, para homens. O professor universitário está fora dessa regra. A proposta de reforma da Previdência enviada pelo governo ao Congresso prevê que os professores passem a se aposentar pela idade mínima de 65 anos e contribuam por pelo menos 25 anos, assim como os outros trabalhadores. Se a reforma valesse hoje, Vivian teria que atingir 40 anos de contribuição para atender à nova regra – 15 anos a mais que o previsto. Ela planejava se aposentar com, no máximo, 55 anos de idade. Numa situação parecida, a professora da rede municipal Fabrícia Santos Amaral, que leciona há 15 anos, diz que não consegue se imaginar em uma sala de aula com 65 anos de idade, devido ao esgotamento da profissão. No ano passado, ela ficou afastada da função por estresse. “A aposentadoria especial do professor não é frescura. É para manter a sanidade mental”, defende Fabrícia. “Não sei o que vou fazer da vida se essa reforma passar, mas considero até largar o magistério.”
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O uso regular de redes sociais contribui para a saúde mental, de acordo com uma pesquisa australiana. O estudo, publicado pela Universidade de Melbourne e pela Universidade de Monash nesta sexta-feira (9), analisou 70 pesquisas que examinaram a relação entre as redes sociais e depressão, ansiedade e bem-estar. Pesquisadores descobriram que as redes sociais muitas vezes se revelaram úteis para conectar as pessoas e fazer com que elas recebam apoio social, além de fornecerem uma fonte única de apoio para indivíduos que têm dificuldade com interações face a face. No entanto, as redes sociais não foram boas para todos, já que algumas pessoas frequentemente se comparavam a outras, afixavam pensamentos negativos ou eram viciadas em redes sociais, correndo maiores riscos de desenvolverem depressão e ansiedade.
Peggy Kern, líder do estudo da Universidade de Melbourne, disse que as pessoas com ansiedade social eram mais propensas a usar passivamente as redes sociais ao invés de se envolver diretamente, enquanto indivíduos com sintomas depressivos eram mais suscetíveis a postar seus pensamentos negativos. "A mídia social fornece não apenas uma janela para os pensamentos e emoções que as pessoas escolhem compartilhar, mas também alguns de seus padrões comportamentais que podem ajudar ou prejudicar a saúde mental", disse Kern em um comunicado na sexta-feira. "Ao compreender as ligações entre as redes sociais e a saúde mental, podemos fazer melhores escolhas sobre como usar de maneira produtiva as redes sociais e promover uma boa saúde mental". Elizabeth Seabrook, pesquisadora da Universidade de Monash, disse que a pesquisa mostra que as mídias sociais poderiam ser usadas no futuro para identificar e prever a presença de depressão e ansiedade social em um usuário. "A continuidade da pesquisa pode ser uma ferramenta poderosa para a identificação precoce do risco da saúde mental," disse Seabrook.
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O governo brasileiro quer estimular empresas norte-americanas a serem concessionárias em projetos de infraestrutura no Brasil, como em aeroportos, rodovias e ferrovias. "Hoje não temos nenhuma empresa americana concessionada em infraestrutura no Brasil. Nosso objetivo é que, a partir desse diálogo, venhamos ter empresas americanas na área de concessão no Brasil", afirmou o ministro Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, que participa nesta quinta-feira (8) da 1ª Reunião Anual Brasil-Estados Unidos sobre Desenvolvimento de Infraestrutura. De acordo com o ministro, atualmente o estoque total de investimentos dos Estados Unidos no Brasil é de US$ 110 bilhões.
"Podemos imaginar que qualquer pequeno percentual disso é um valor extremamente significativo. Não estamos fixando uma meta. Nossa expectativa é que tenhamos uma carteira relevante, em algum tempo, considerando essa base extremamente grande", acrescentou, segundo a Agência Brasil. No evento, serão discutidas a identificação e solução para barreiras que impendem os investimentos. A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde, disse que o evento é uma forma prática de identificar oportunidades. Questionada sobre a possibilidade de mudança de estratégia com a eleição do Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, Liliana disse que levará tempo para o novo governo formar equipe e essa ação é prioridade para o Brasil e o seu país. "O que estamos fazendo gera benefício para os dois países. Gera trabalho aqui e nos Estados Unidos. É uma prioridade para os dois". Ela acrescentou que acompanha o cenário político no Brasil, mas o foco está no trabalho a ser feito.
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Retirada da Presidência da República por um processo de impeachment concluído em 31 de agosto deste ano, a ex-presidente Dilma Rousseff foi escolhida como uma das mulheres do ano pelo jornal britânica Financial Times. Na mesma lista, aparecem também a primeira-ministra britânica Theresa May; a ex-candidata a presidente dos EUA, Hillary Clinton; a ginasta Simone Biles; a cantora americana Beyoncé, entre outras. A publicação descreveu a petista como alguém com mais talentos de “tecnocrata nerd” do que para política nata. "Ela nunca está mais feliz do que quando discute os detalhes íntimos do Orçamento federal, com auxílio de PowerPoint", caracterizou o correspondente do "Financial Times" no Brasil, Joe Leahy. Ao jornal, a ex-presidente afirmou que não pretende mais disputar cargos eletivos, mas continuará “politicamente ativa”. "Rousseff deve ainda estar chocada com a reviravolta em sua fortuna –inversão que correspondeu à de sua nação, que em poucos ano passou de milagre econômico a desapontamento", afirmou o jornal sobre o impeachment. A publicação britânica ainda caracterizou o processo de afastamento como julgamento político e apontou que a “verdadeira razão” para sua saída do poder foi a “queda da popularidade em meio a uma recessão crescente e a uma investigação de corrupção na estatal Petrobras".
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A Proposta de reforma da Previdência apresentada nesta semana pelo governo federal prevê uma regra de transição para homens acima de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos. A regra permite que essas pessoas se aposentem em um prazo intermediário entre a regra atual e a nova proposta. Para o cálculo do benefício, no entanto, valerá a regra nova mesmo para quem está na fase de transição, de acordo com a Secretaria de Previdência. Simulações feitas por especialistas consultados pelo G1 mostram que a maioria das pessoas que estão na regra de transição receberá um benefício menor quando se aposentar (veja exemplos abaixo). A nova regra ainda será submetida à avaliação do Congresso Nacional antes de entrar em vigor. Pela regra atual, o valor do benefício é calculado a partir de uma média de 80% dos salários maiores do contribuinte. A nova regra prevê um cálculo pela média simples de todos os salários. A partir dessa média, será aplicado 51% mais 1% para cada ano de contribuição, conforme a tabela abaixo.
Segundo a advogada Jane Berwager, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), na prática, a regra de transição irá impor valores de aposentadorias menores do que os que seriam conquistados pela regra atual. “Não consigo enxergar um caso em que seja mais vantajosa [a regra de transição]. O valor vai ficar sempre muito abaixo. Integral nunca mais”, critica. Em simulações com especialistas, a reportagem do G1 encontrou apenas uma situação em que o benefício seria maior na regra nova - para pessoas que se aposentam precocemente por tempo de contribuição. Nesses casos, o valor do benefício sofre um desconto elevado pelo fator previdenciário na regra atual, o que pode tornar a conta mais interessante para a aposentadoria após o pagamento do pedágio da regra de transição, explica o economista Fábio Klein, da consultoria Tendências. Essas pessoas, no entanto, estão perto de se aposentar com o aposentadoria integral, possibilidade que é adiada por muitos anos na regra nova. As regras para o acesso à aposentadoria integral endureceram na proposta do governo e valem para os mais velhos que ainda não se aposentaram. Veja a tabela abaixo.
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O Ministério Público Federal em Brasília (MPF-DF) informou nesta sexta-feira (9) que denunciou à Justiça o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o filho dele Luiz Cláudio Lula da Silva pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia foi presentada no âmbito da Operação Zelotes. De acordo com o MPF, a denúncia foi feita após as investigações apontarem indícios de envolvimento do petista e de seu filho, além de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni – que também foram denunciados – em negociações apontadas pelos investigadores como irregulares e que levaram à compra de 36 caças do modelo Gripen pelo governo brasileiro. Também há indícios de irregularidades na prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio de uma Medida Provisória. O Instituto Lula informou por telefone que não tem conhecimento da denúncia e que os advogados do ex-presidente responderão assim que souberem do teor da acusação.
Contatado pelo G1, o advogado de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, Roberto Podval, afirmou que a denúncia tem motivação política, visando atingir o ex-presidente Lula. “Não vi absolutamente nada que levasse a qualquer irregularidade na compra dos caças. [...] Isso é factoide, criado por quem tem interesse em processar o ex-presidente Lula. Para chegar nele, tem que passar pelos Marcondes. Lamento que as acusações, denúncias, feita sem seriedade. Qualquer um chega à conclusão que não há elemento”, disse. O advogado confirma que a companhia sueca Saab, que vendeu os caças ao governo brasileiro, contratou o escritório do casal, mas somente para representa-la no Brasil, sem qualquer crime.Segundo o MPF, os crimes foram praticados entre 2013 e 2015, quando Lula já era ex-presidente. O Ministério Público afirma que ele integrou um esquema que visava beneficiar empresas automotivas, clientes da Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia LTDA (M&M). De acordo com as investigações, o ex-presidente prometia interferir junto ao governo federal para beneficiar as empresas. Em troca, o casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, donos da M&M, teriam repassado ao filho de Lula pouco mais de R$ 2,5 milhões. Veja abaixo por quais crimes cada um dos quatro envolvidos foram denunciados:
- Luiz Inácio Lula da Silva – tráfico de influência (três vezes), lavagem de dinheiro (nove vezes), organização criminosa;
- Luis Cláudio Lula da Silva – lavagem de dinheiro (nove vezes) e organização criminosa;
- Mauro Marcondes – tráfico de influência (três vezes), lavagem de dinheiro (nove vezes), organização criminosa e evasão de divisas (uma vez);
- Cristina Mautoni – tráfico de influência ( três vezes), lavagem de dinheiro ( nove vezes), organização criminosa e evasão de divisas (três vezes).
O MPF diz na denúncia ter encontrado indícios da existência de “uma relação triangular” entre os investigados formada por clientes da M&M (que aceitaram pagar cifras milionárias por acreditar na promessa de que poderiam obter vantagens do governo federal"; pelos intermediários (Mauro Marcondes, Cristina Mautoni e Lula); e pelo agente público que poderia tomar as decisões que beneficiariam os primeiros (a então presidente da República Dilma Roussef). Durante as investigações, porém, não foram encontrados indícios de que Dilma tivesse conhecimento do esquema criminoso.
Compra de caças
Em 2014, o governo brasileiro comprou 36 caças da empresa sueca Saab destinados à Força Aérea Brasileira (FAB) por US$ 5,4 bilhões, após mais de uma década de negociações entre o governo e outras duas concorrentes: a americana Boeing, que segundo o MPF era a empresa preferida da então presidente Dilma Rousseff para firmar o negócio, e a francesa Dassault, que chegou a ser anunciada por Lula como a vencedora da licitação em 2009.De acordo com o MPF, durante as investigações, documentos e depoimentos colhidos apontam que o processo de compra dos aviões tornou-se mais político do que técnico e contou com a interferência de Lula em favor da empresa sueca. A denúncia afirma ainda que a empresa sueca, que fechou o contrato de venda dos caças, tinha um contrato indireto com a M&M e que, em agosto de 2012, passou a trabalhar diretamente com os brasileiros. As investigações realizadas por integrantes da força tarefa da Operação Zelotes revelaram que, ao todo, a M&M recebeu da SAAB € 1,84 milhão, sendo € 744 mil apenas entre 2011 e 2015, para viabilizar o negócio. De acordo com o MPF, o reforço nos pagamentos está, segundo os investigadores, no fato de os lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni terem convencido os suecos que possuíam proximidade com Lula e que a empresa sueca poderia contar com a influência do ex-presidente junto ao governo para assegurar uma vitória na disputa. “Assim, argumentos técnicos e indicadores de eficiência tornaram-se meros detalhes diante das jactadas proximidade e amizade a agentes públicos federais”, afirma a denúncia. O MPF diz ter enviado à Justiça documentos que "não deixam dúvida" quanto à estratégia adotada pela M&M para convencer os parceiros da SAAB que poderia contar com o prestígio do ex-presidente para interferir na decisão governamental. O MPF afirma ainda que, em dezembro de 2013, houve uma reunião de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff com o líder do Partido Sindical Democrata e futuro primeiro-ministro da Suécia, Stefan Lofven. A reunião foi intermediada, segundo o MPF, pela M&M junto ao Instituto Lula. Lofven, segundo a denúncia, defendia a escolha do modelo fabricado pela SAAB. Nove dias após a reunião, o governo brasileiro anunciou a decisão de comprar de 36 caças do modelo Grippen.
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Exame de raio-x mostra caneta cravada em olho de criança (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no AP)
Um exame de raio-x feito na menina de 1 ano e 11 meses, que teve o olho esquerdo perfurado acidentalmente por um caneta, mostra a profundidade que o objeto atingiu na cabeça da criança, ficando próximo ao globo ocular. A paciente passou por cirurgia na quarta-feira (7) e permanece internada no Hospital de Clínicas Alberto Limas (HCAL), em Macapá. O objeto atingiu uma região próxima do globo ocular da menina, entretanto, a possibilidade de cegueira foi descartada pelos oftalmologistas. Por outro lado, demais sequelas na visão podem ser avaliadas somente após a recuperação. Para o Conselho Tutelar de Macapá, que acompanha o caso, a imagem do exame impressiona. "Foi assustador para a família ver essa imagem e vamos encaminhá-los para o psicólogos, para orientar os pais sobre isso. Graças a Deus deu tudo certo, mas vamos conversar para que isso não aconteça mais", disse o conselheiro Marcio Barreto.
A espera pelo procedimento durou mais de 24 horas, por não ser considerado uma emergência pela direção da unidade de saúde. O acidente com a criança ocorreu na manhã do dia anterior. Segundo o conselheiro, a criança permanece em observação e a previsão é que tenha alta no sábado (9). O pai da menina, que preferiu não se identificar, informou que o acidente ocorreu quando criança brincava na casa onde mora com a família em Santana, a 17 quilômetros da capital. Ela teria tropeçado com o objeto na mão, que a atingiu no rosto. O Conselho Tutelar foi acionado após a criança esperar por duas horas o primeiro atendimento médico no corredor do Hospital de Emergências (HE) de Macapá, logo após o acidente. De acordo com a diretora do Hospital da Criança, Zoraima Maramalde, não existiu demora no atendimento. Ela informou que após ser constatado que a criança não corria risco de morte, foi realizada a transferência para outro hospital, o HCAL, onde foi verificado se o objeto comprometia ou não o sistema neurológico e, em seguida, marcada a cirurgia para a tarde de terça-feira.
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(Foto: Reprodução)
Relatores da Organização das Nações Unidas (ONU) criticam a PEC 55, que cria um limite para ao aumento dos gastos públicos, e alertam que a medida viola direitos humanos. Os especialistas ainda questionam a decisão do governo de Michel Temer de "congelar o gasto social no Brasil por 20 anos". Na avaliação do relator especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alston, a medida é "inteiramente incompatível com as obrigações de direitos humanos do Brasil". Sua posição foi apoiada pela relatora para Educação, Boly Barry. Num comunicado publicado em Genebra, o representante da ONU alerta que o "efeito principal e inevitável da proposta de emenda constitucional elaborada para forçar um congelamento orçamentário como demonstração de prudência fiscal será o prejuízo aos mais pobres nas próximas décadas". A emenda, conhecida como PEC 55, pode ser votada pelo Senado na próxima terça-feira, dia 13 de dezembro. "Se adotada, essa emenda bloqueará gastos em níveis inadequados e rapidamente decrescentes na saúde, educação e segurança social, portanto, colocando toda uma geração futura em risco de receber uma proteção social muito abaixo dos níveis atuais", alertou. Alston pede, por meio da carta aberta, que o governo realize um debate público para, antes de sua votação, avaliar o impacto que a medida teria para "os setores mais pobres da sociedade e que identifique outras alternativas para atingir os objetivos de austeridade". Há cerca de uma década, o relator especial criticou duramente o comportamento da polícia brasileira, levando o Itamaraty sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a criticá-lo. Agora, seu alvo são os gastos sociais.
"Uma coisa é certa", disse Alston. "É completamente inapropriado congelar somente o gasto social e atar as mãos de todos os próximos governos por outras duas décadas. Se essa emenda for adotada, colocará o Brasil em uma categoria única em matéria de retrocesso social", insistiu. No comunicado, o relator alerta que a proposta é feita por um governo que "chegou ao poder depois de um impeachment e que, portanto, jamais apresentou seu programa a um eleitorado". "Isso levanta ainda maiores preocupações sobre a proposta de amarrar as mãos de futuros governantes", diz. Alston admite que o Brasil "sofre sua mais grave recessão em décadas, com níveis de desemprego que quase dobraram desde o início de 2015". Mas o relator alerta que a PEC 55 "terá um impacto severo sobre os mais pobres". "Essa é uma medida radical, desprovida de toda nuance e compaixão", disse. "Vai atingir com mais força os brasileiros mais pobres e mais vulneráveis, aumentando os níveis de desigualdade em uma sociedade já extremamente desigual e, definitivamente, assinala que para o Brasil os direitos sociais terão muito baixa prioridade nos próximos vinte anos". Alston chega a alertar que a proposta "evidentemente viola as obrigações do Brasil de acordo com o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais que o pais ratificou em 1992, que veda a adoção de "medidas deliberadamente regressivas" a não ser que não exista nenhuma outra alternativa e que uma profunda consideração seja dada de modo a garantir que as medidas adotadas sejam necessárias e proporcionais". Alston elogiou o combate à pobreza nos últimos anos no Brasil. "Essas políticas contribuíram substancialmente para reduzir os níveis de pobreza e desigualdade no país. Seria um erro histórico atrasar o relógio nesse momento," disse ele. Mas aponta que "mostrar prudência econômica e fiscal e respeitar as normas internacionais de direitos humanos não são objetivos mutuamente excludentes, já que ambos focam na importância de desenhar medidas cuidadosamente de forma a evitar ao máximo o impacto negativo sobre as pessoas".
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