BUSCA POR "t"
- Por Folhapress
- 09 Dez 2024
- 15:45h
Foto: Reprodução/CNN
A extrema direita tem crescido na Alemanha e deve ser "normalizada'' nos próximos anos, analisam especialistas. O processo ocorre apesar das cicatrizes do passado nazista e das duras leis antifacistas do país.
O partido alemão de extrema-direita, a AfD (Alternativa para Alemanha), teve ganhos políticos significativos neste ano. Em junho, o foi o segundo mais votado nas eleições do Parlamento Europeu e colocou seus deputados em 15 assentos - um crescimento de quase 50% em relação a 2019.
O partido também ganhou em eleições estaduais. A AfD conquistou 32,8% dos votos no estado da Turíngia, no leste do país. Na Saxônia, estado vizinho e mais populoso, a sigla também se destacou, mas para o CDU (União Democrata-Cristã) de centro-direita.
Criada em 2013, a legenda sempre já foi investigada diversas vezes pela polícia alemã por seus posicionamentos. A AfD é conhecida por colocações extremistas, anti-imigração, anti-União Europeia, nacionalistas e, principalmente, que relativizam o regime nazista.
Na semana passada, por exemplo, a sigla protagonizou uma polêmica após usar um slogan nazista. O grupo do conselho municipal da AfD de Leuna colocou uma coroa de flores com a frase ''para os líderes, o povo e a pátria. Por quê?'' no cemitério da cidade. Ela foi removida após a repercussão.
Partidos de extrema-direita se tornaram populares em toda Europa nos últimos anos, mas o avanço na Alemanha chama atenção. ''O ressurgimento de um regime fascista em um país que iniciou duas guerras mundiais, com passado nazista, evidentemente chama atenção em qualquer circunstância'', entende Kai Enno Lehmann, professor de Relações Internacionais da USP.
"SERÁ NORMALIZADO"
''Em algum momento, a extrema-direita será normalizada'', diz Lehmann. Para o especialista, o processo de normalização da ultradireita já tem ocorrido em muitas nações, como na Itália e na Áustria. Segundo ele, o mesmo deve ocorrer nos próximos cinco anos na Alemanha.
Até o momento, o país tem um "pacto de exclusão" do partido. ''Os partidos tradicionais tentaram excluir completamente a AfD na última década, deixando claro que não teria um governo com eles e nem mesmo alianças, mas isso não adiantou'', argumenta o professor da USP.
Neste ponto, Lehmann avalia que será inevitável formar coalizões no parlamento com a AfD. De acordo com ele, a dificuldade daqui em diante será governar de forma estável, já que as legendas CDU, SPD (Partido Social Democrata) e o partido Verde não terão cadeiras suficientes no parlamento para formar um governo maioritário.
O pesquisador também enxerga possíveis alternativas para este cenário. Lehmann explica que haveria como montar uma coalizão de minoria e buscar maioria de proposta em proposta, de modo mais instável. Outra opção seria obrigar a AfD ''a assumir responsabilidades de governo e mostrar como esse partido é incapaz de abraçá-las''. ''Uma coisa é criticar, outra coisa é governar. É muito mais complexo'', fala.
INSATISFAÇÃO DA POPULAÇÃO JUSTIFICA ASCENÇÃO DA AFD
Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM, analisa que parte das pessoas desaprova os rumos do país. ''Vejo que a AfD já tem um espaço garantido dentro da política alemã, tem uma simpatia sobretudo de eleitores da antiga Alemanha Oriental, que é a população mais insatisfeita com os rumos da política e economia alemã atualmente.''
Eleitores veem na AfD uma saída para as condições atuais. Uebel constata que ''eles não se veem beneficiados por programas sociais e se sentem colocados de lado''. Além disso, esse eleitorado também enxerga a questão migratória, da União Europeia e da integração econômica regional como um ''inimigo do seu bem-estar''.
AfD se vende como uma solução para um ''sistema ineficaz para o cidadão comum'' em meio à crise econômica do país. ''Nos últimos 15 anos, para muitas pessoas o sistema não está funcionando. Não há avanços de qualidade de vida, reformas no sistema social e previdenciário'', fala o professor Lehmann.
"Essa ascensão da extrema-direita na Alemanha é um movimento relacionado aos movimentos globais de aumento da extrema-direita, mas também uma forma de protesto, de manifestação contrária às estruturas políticas, como aconteceu no mundo todo, nos Eua com Trump, na Argentina com Milei e no Brasil com Bolsonaro", disse Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM.
Apesar disso, Uebel diz ainda não ver o partido de extrema-direita ganhando locais estratégicos do país. ''Não o vejo com capacidade de formar maioria no parlamento alemão. Ele não tem uma proeminência nacional que faça com que ganhe o parlamento ou até a presidência do país'', fala.
- Por Folhapress
- 09 Dez 2024
- 13:42h
Foto: Reprodução Redes Sociais
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu neste domingo (8) um cessar-fogo imediato e negociações entre a Ucrânia e a Rússia para acabar com o que chamou de "a loucura" da guerra no Leste europeu.
As declarações de Trump levaram o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e o Kremlin a rapidamente listarem suas condições para uma eventual trégua.
Trump fez seus comentários poucas horas depois de se reunir com Zelenski em Paris, no que foi a primeira conversa presencial entre os dois desde sua vitória nas eleições nos EUA, em novembro.
O republicano prometeu ao longo da campanha buscar uma resolução negociada para o conflito, mas até o momento não forneceu detalhes sobre como pretende fazê-lo.
"Zelenski e a Ucrânia gostariam de fazer um acordo e parar com a loucura", escreveu Trump em sua conta na rede social Truth Social no domingo, acrescentando que Kiev perdeu cerca de 400 mil soldados no conflito. "Deve haver um cessar-fogo imediato e as negociações devem começar."
"Eu conheço bem o Vladimir [Putin, presidente da Rússia]. Este é o momento dele para agir. A China pode ajudar. O mundo está esperando!", acrescentou.
O número de 400 mil soldados ucranianos perdidos na guerra mencionado por Trump foi dado por Zelenski e a princípio inclui tanto os militares mortos (43 mil) quanto os feridos (370 mil).
Em outra afirmação que pode ter consequências para o conflito veiculada também neste domingo, Trump disse à emissora americana NBC que considera deixar a Otan, a aliança militar do Ocidente, caso os EUA não sejam tratados justamente e os demais sócios não paguem suas contas —o republicano defende que integrantes da aliança aumentem seus gastos com defesa desde o seu mandato anterior.
Na mesma entrevista —gravada na sexta-feira (6), portanto antes do encontro com Zelenski em Paris—, Trump disse que provavelmente reduzirá a ajuda americana à Ucrânia na guerra contra a Rússia. "Possivelmente. Sim, provavelmente, com certeza", disse.
O americano, que estava em Paris para a reabertura da catedral de Notre-Dame, esteve com Zelenski no sábado (7) por cerca de uma hora. Junto com eles estava o presidente da França, Emmanuel Macron, o responsável pela realização da rápida reunião de cúpula.
Na ocasião, Trump e Zelenski apertaram as mãos e sorriram, mas não estava claro como a conversa havia transcorrido. Relatos da reunião, do lado francês e ucraniano, disseram apenas que as discussões foram boas e produtivas.
Zelenski reagiu à mensagem de Trump deste domingo dizendo que a paz não é apenas um pedaço de papel e que precisa de garantias.
"Quando falamos sobre uma paz eficaz com a Rússia, devemos, acima de tudo, falar sobre garantias eficazes para a paz. Os ucranianos querem paz mais do que qualquer um", disse ele no X.
"A guerra [não] pode simplesmente terminar com um pedaço de papel e algumas assinaturas. Um cessar-fogo sem garantias pode ser anulado a qualquer momento, como Putin já fez antes", disse, referindo-se aos mal-sucedidos acordos de Minsk, assinados entre 2014 e 2015. "Para garantir que os ucranianos não sofram mais perdas, devemos garantir a confiabilidade da paz e não fechar os olhos para a ocupação", prosseguiu o líder.
A Rússia, por sua vez, convocou uma teleconferência com jornalistas para comentar as falas de Trump deste domingo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que Moscou está aberta a conversas, mas que elas devem ser baseadas nos acordos alcançados em Istambul há dois anos e nas realidades atuais do campo de batalha, onde as forças russas têm avançado em seu ritmo mais rápido desde os primeiros dias da guerra, em 2022.
Putin disse repetidamente que um acordo preliminar alcançado entre negociadores russos e ucranianos nas primeiras semanas da guerra e nas conversas em Istambul, jamais implementado, pode servir como base para futuras negociações.
"Nossa posição sobre a Ucrânia é bem conhecida", disse Peskov.
"As condições para uma interrupção imediata das hostilidades foram apresentadas pelo presidente Putin em seu discurso ao ministério das Relações Exteriores da Rússia em junho deste ano. É importante lembrar que foi a Ucrânia que se recusou e continua se recusando a negociar", afirmou.
Para que um acordo de paz seja alcançado, Putin disse que a Ucrânia não deve aderir à Otan e que a Rússia deve permanecer totalmente no controle de quatro regiões ucranianas que suas tropas ocupam parcialmente no momento.
Peskov observou que Zelenski havia proibido os contatos com a liderança russa por meio de um decreto especial, que, segundo o porta-voz, teria que ser revogado para que as negociações prossigam.
- Por Brumado Urgente
- 09 Dez 2024
- 11:30h
Foto: Reprodução / Achei Sudoeste
Na noite deste domingo (08), por volta das 19h, um motociclista foi atingido por uma carreta na rotatória que liga a BA-262 à BR-030, em Brumado. A vítima, identificada como Marcelo Sena, estava a caminho de seu trabalho no Conjunto Penal de Brumado.
Segundo testemunhas, em relato ao Achei Sudoeste, a carreta trafegava no sentido Tanhaçu-Brumado e, ao passar pela rotatória de acesso à BR-030, no sentido Caetité, colidiu com o motociclista, que seguia pela BA-262 em direção a Aracatu. Apesar dos alertas de outros motoristas que passavam pelo local, o acidente não pôde ser evitado.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) foi acionado e prestou socorro à vítima, que sofreu ferimentos graves e foi encaminhada ao Hospital Municipal de Brumado. O estado de saúde de Marcelo, que também é funcionário do Samu, não foi divulgado.
A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) registrou o acidente e tomou as providências necessárias no local.
- Por Ana Bottalo/Bahia Notícias
- 09 Dez 2024
- 09:09h
Foto: Reprodução / GOVBA
O Brasil continua apresentando sinais de evolução na cobertura vacinal infantil, conforme dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Seis dos 16 imunizantes preconizados para esse público superaram uma taxa de 90% até 1º de outubro deste ano, o que, segundo a pasta, indica que devem manter uma tendência de alta até o fim do ano.
Outros sete imunizantes apresentam até essa data taxa superior a 80%. Somente varicela, tríplice viral D2 e febre amarela estavam na casa dos 70%.
Três vacinas apareciam dentro da meta preconizada: BCG (91,8%), vacina oral da poliomielite (95,6%) e a primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola - 95,7%). Para a primeira, o objetivo é uma cobertura de 90% e para as outras duas, de 95%, número que também é o alvo para a maioria dos imunizantes.
Nísia Trindade, ministra da Saúde, afirma que os aumentos são fruto dos investimentos da pasta na área. "A recuperação das coberturas vacinais foi um pedido do presidente Lula, quando lançamos o Movimento Nacional pela Vacinação, no início de 2023."
Eder Gatti, secretário do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, diz que os dados de cobertura vacinal são proporcionais ao número de doses aplicadas até aquele período, dividido pelo acumulado de nascidos vivos também do período.
Segundo ele, os dados até setembro deste ano, os mais recentes disponíveis, indicam uma tendência de avanço da vacinação infantil e que esse aumento ocorre desde dezembro de 2023.
"Qual é a tendência que estamos vendo? É de ainda mais aumento e foi mais expressivo nas vacinas D1 [primeira dose] tríplice viral e na VOP [vacina oral contra poliomielite] e VIP [vacina injetável contra poliomielite]. A pólio teve um aumento principalmente na primeira dose de VOP e o sarampo foi a primeira dose, embora o segundo reforço também tenha mostrado um aumento", afirma Gatti.
"O fato de o governo ter colocado o PNI [Programa Nacional de Imunização] dentro de um departamento no ministério dá condições de elaborar políticas públicas de forma mais fácil, e os próprios governos estaduais e municipais também aderiram."
Em geral, de acordo com o secretário, a adesão dos municípios à estratégia foi muito positiva, embora não seja homogênea.
Um estudo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), divulgado em abril, apontou a redução de crianças que nunca receberam uma dose contra a poliomielite de 9,5% (243 mil), em 2022, para 6,3% (152,5 mil), em 2023. O indicador havia atingido o patamar mais baixo em 2021, de 71,74%, segundo dados do Tabnet DataSUS.
Em julho deste ano, um novo levantamento do Unicef apontou nova melhora nos indicadores de vacinação infantil no Brasil, com o número de crianças consideradas zero dose (ou seja, aquelas que não receberam nenhuma dose preconizada na infância) de DTP (difteria, tétano e coqueluche) caindo de 687 mil, em 2021, para 103 mil no último ano.
No início de novembro, o Brasil foi recertificado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) pela eliminação de sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita. Desde 2022, o país não registra nenhum caso das doenças.
De acordo com a pasta, a queda na imunização contra catapora ocorreu devido à instabilidade do fornecimento de doses pelas fabricantes desde 2022. Ainda segundo o ministério, já foi realizado um novo contrato com três fornecedores para normalizar a distribuição nos próximos meses.
Em nota publicada em seu site na última semana, a pasta disse estar prevista a entrega de 1 milhão de doses até janeiro de 2025 por meio de uma aquisição internacional. "Além desse contrato, foram compradas 5,5 milhões de doses do Instituto Butantan, com previsão de início de entregas para janeiro de 2025", disse o ministério.
COBERTURA VACINAL NO BRASIL
COBERTURA VACINAL NO BRASIL
Imunizante 2022* 2023** 2024, até 1º/10. Meta
BCG 90,1% 77,5% 91,8% 90%
Hepatite B 82,7% 73,2% 86,9% 95%
Rotavírus humano 76,6% 84,3% 87,2% 90%
Meningococo C 78,6% 82,5% 85,5% 95%
Pentavalente (DTP/Hib/HB) 77,2% 83,7% 87,2% 95%
Pneumocócica 81,5% 86,9% 90,6% 95%
Poliomielite 77,2% 84,7% 86,4% 95%
Febre amarela 60,6% 69,6% 73,8% 95%
Hepatite A 73% 80,7% 83,3% 95%
Pneumocócica (1º ref) 71,5% 80,7% 92,4% 95%
Meningococo C (1º ref) 75,3% 81,4% 91,05% 95%
Poliomielite (1º ref) 67,7% 76,9% 95,6% 95%
Tríplice viral D1 80,7% 86,9% 95,7% 95%
Tríplice viral D2 57,6% 63,6% 78,7% 95%
DTP (1º ref) 67,4% 76,8% 86,1% 95%
Varicela 73,3% 69,9% 71,4% 95%
Fontes: *Tabnet/DataSus; **Ministério da Saúde - Cobertura Vacinal - Residência
CONTINUE LENDO
- Bahia Notícias
- 09 Dez 2024
- 07:20h
Foto: Reprodução / Ralf Vetterle / Pixabay
Os governos do Brasil e do Reino Unido iniciaram uma parceria para promover a descarbonização da indústria, ação considerada essencial para a preservação ambiental. O acordo foi revelado neste domingo (08) pela Agência Brasil após intensas negociações na COP29.
O acordo visa viabilizar a transição para fontes de energia limpa, incluindo minerais estratégicos e hidrogênio de baixo carbono. A cooperação foi formalizada na COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, em novembro, e será discutida novamente na COP30, em Belém no próximo ano.
Segundo Clovis Zapata, economista e representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) no Brasil, um dos maiores desafios para a descarbonização no país é desenvolver modelos de negócios que difundam tecnologias de baixo carbono, sem comprometer o crescimento econômico. Ele destaca que setores como aço, cimento e petroquímicos, cujos processos industriais são mais difíceis de descarbonizar, exigem atenção especial.
A parceria entre os dois países busca atrair investimentos técnicos e financeiros nacionais e internacionais para apoiar projetos e políticas públicas de descarbonização. O Reino Unido, com sua experiência em tecnologias inovadoras e políticas públicas de descarbonização, contribuirá com financiamento climático.
De acordo com Zapata, essa colaboração complementa iniciativas já reconhecidas do Brasil, que se destaca no uso de energias renováveis e biocombustíveis. Ele acredita que a cooperação entre os dois países pode servir como um modelo para outras nações do Sul Global, que enfrentam desafios semelhantes aos do Brasil.
O "Hub de Descarbonização Industrial", já em funcionamento, foi criado para promover projetos e estudos estratégicos, com chamadas públicas abertas pela UNIDO. Além disso, um dos desafios é o descarte de tecnologias usadas para gerar energia limpa, como solar e eólica. O representante da UNIDO ressaltou que, em 2025, o Brasil deverá implementar um projeto de cooperação para melhorar o sistema de tratamento e reciclagem de materiais e metais críticos, com base em práticas já adotadas pelo Reino Unido e pela União Europeia
- Por Folhapress via Bahia Notícias
- 08 Dez 2024
- 14:41h
Foto: Bahia Notícias
Apesar de ter crescido na Argentina sob o governo de Javier Milei e caído no Brasil com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proporção de argentinos pobres é bem menor que a de brasileiros, quando observada por um mesmo parâmetro.
Em 2022, a Argentina tinha 10,9% de pobres, enquanto o Brasil tinha 23,5%, de acordo com cálculos de Marcelo Neri, diretor do FGV Social, que construiu uma série histórica comparando a pobreza nos dois países de 2011 a 2022.
Para fazer a comparação entre os vizinhos, o pesquisador considerou a linha de pobreza equivalente a uma renda mensal abaixo de R$ 666 por pessoa.
A preços de 2023, a série do FGV Social mostra que a proporção de pessoas em situação de pobreza no Brasil era de 31,6% em 2011 (no início do governo de Dilma Rousseff), enquanto a Argentina tinha 9,1% (sob o comando de Cristina Kirchner).
No Brasil, o indicador começou a cair ao longo do primeiro mandato de Dilma, enquanto se manteve praticamente estável no país vizinho.
Com a crise econômica de 2015 e 2016 no Brasil, a pobreza voltou a subir e o mesmo aconteceu na Argentina, já no governo de Mauricio Macri. Seu sucessor, o peronista Alberto Fernández, manteve a trajetória de alta.
Pela série do FGV Social, o ano em que a pobreza nos dois países esteve mais próxima foi 2020, durante a pandemia, quando os efeitos do Auxílio Emergencial derrubaram a pobreza no Brasil para 18,7% (na Argentina, era de 15,4%).
"É a diferença entre a foto e o filme. A Argentina era um país mais rico há alguns anos, mas decaiu. Já no Brasil, embora a pobreza seja maior, ela recuou", diz Neri.
"No Brasil, de 2022 a 2023, a pobreza diminuiu. Em 2024, vai cair novamente, pelo crescimento esperado do PIB [Produto Interno Bruto], mas ainda é preciso aguardar os dados gerais", complementa o pesquisador da Fundação Getulio Vargas.
Na quarta-feira (4), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a pobreza e a extrema pobreza no Brasil atingiram os menores níveis de série iniciada em 2012, com as parcelas da população considerada pobre ficando em 27,4%.
Na Argentina de Milei, por sua vez, sob efeito das medidas de ajuste implementadas pelo ultraliberal para domar a inflação, a expectativa do Banco Mundial divulgada em outubro era de uma queda de 3,5% do PIB do país em 2024, e a pobreza irá fechar o ano mais alta.
No primeiro semestre deste ano, de acordo com o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos), da Argentina, a pobreza atingiu 52,9% da população, alta de 11,2 pontos ante o mesmo período de 2023, atingindo o equivalente a 15,7 milhões de pessoas.
Para classificar que um cidadão argentino está abaixo da linha da pobreza, o Indec calcula o rendimento das famílias e o acesso a um conjunto necessidades essenciais —isso inclui alimentos, vestimentas, transporte, saúde e educação.
A pesquisa do instituto argentino acompanha 31 aglomerados urbanos do país.
Os pesquisadores do Indec também apontam que o cenário em que mais da metade da população está em situação de pobreza abrange 4,3 milhões de lares.
As pesquisas dos dois institutos, do Brasil e da Argentina, não são comparáveis. Neri ressalta que as diferenças se dão pela forma de calcular a pobreza. "Tudo depende do termômetro, o que nós tentamos fazer [com a série do FGV Social] foi usar o mesmo medidor para olhar a Argentina e o Brasil."
Fernández, que antecedeu Milei na Presidência, chegou a questionar o cálculo de pobreza feito pelo Indec no fim de sua gestão.
"Não acredito que sejam [na época] 40% de pobres, as pessoas mentem ao responder [aos pesquisadores] para que seus auxílios não sejam retirados", disse o então presidente, uma semana antes de deixar o poder.
Ao assumir a Casa Rosada e aplicar seu plano de ajuste, que conseguiu desacelerar a inflação, mas afetou a atividade econômica e os indicadores sociais, Javier Milei manteve o economista Marco Lavagna no comando do Indec, cargo que ocupa desde 2019.
O atual presidente argentino, no entanto, não poupou o instituto de críticas, tendo questionado de forma recorrente a metodologia aplicada para medir diferentes taxas, como a inflação e o desemprego.
Ao refletir sobre os efeitos sociais do ajuste na Argentina, Neri avalia que a combinação de responsabilidade fiscal e social parece ser o desafio, "o chamado caminho do meio", diz.
- Bahia Notícias
- 08 Dez 2024
- 12:39h
Foto: Arquivo Pessoal
Uma criança de dois anos identificada como Reynan Neves Santana, morreu após cair da motocicleta que estava sendo pilotada pela mãe, na manhã deste sábado (7), na zona rural do município de Itanhém, no sul da Bahia.
De acordo com informações inicias, a mãe da criança, que não teve a identidade divulgada, teria se desequilibrado da motocicleta. Ela também caiu no acidente. Segundo o g1 Bahia, o estado de saúde da vítima não foi detalhado.
O caso está com a 1ª Delegacia Territorial (DT- Teixeira de Freitas), onde o acidente foi registrado. Não há informações sobre velório e sepultamento da criança.
- Por Ranier Bragon, Demétrio Vecchioli e Camila Mattoso | Folhapress
- 08 Dez 2024
- 10:36h
Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE
As eleições de 2024 abrigaram a suspeita de uma fraude envolvendo pequenos e médios municípios de vários estados do país, em um possível esquema até agora pouco visível na lista dos malfeitos eleitorais: a compra de votos em massa por meio da transferência coletiva e ilegal de títulos de eleitores entre uma cidade e outra.
A Folha mapeou nos últimos meses na Justiça Eleitoral e na Polícia Federal prisões, operações e investigações que se espalharam pelo país em decorrência de transferências em bloco de domicílio eleitoral, o que em algumas cidades pode ter sido determinante para a eleição fraudulenta de prefeitos e vereadores.
Dados colhidos pela Folha no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que 82 municípios —a grande parte deles com menos de 10 mil habitantes— viram seu eleitorado crescer entre 20% e 46% só com a transferência de títulos de outras cidades.
Devido a isso, 58 dessas cidades vivem a inusitada situação de terem mais eleitores formais do que a população residente.
Considerando os municípios com aumento de 15% dos eleitores com as transferências de títulos, o número de cidades sobe para 229.
Um caso exemplar ocorreu em Fernão, a 400 km de São Paulo. A pequena cidade tem 1.656 moradores, de acordo com o Censo de 2022, o que inclui crianças e adolescentes que não votam. O eleitorado oficial, porém, é maior do que toda a população, 1.754, graças a um incremento de 17% só com a transferência de títulos.
O candidato Bill, do PL, foi eleito prefeito com diferença de apenas 1 voto em relação ao atual chefe do Executivo, Zé Fodra (PSD). Foram 522 votos a 521.
Bill, cujo nome é Eber Rogério Assis, é alvo do Ministério Público justamente sob a acusação de ter patrocinado de forma fraudulenta a transferência de mais de 60 eleitores de outras cidades para Fernão.
A Promotoria Eleitoral entrou com ação para impedir sua posse e, em 22 de outubro, o juiz Felipe Guinsani suspendeu de forma liminar a diplomação.
Segundo o juiz, o eleito, que é vereador e veterinário da Casa da Agricultura de Fernão, "promoveu uma verdadeira arregimentação de eleitores, proporcionando-lhes facilidades para transferência fraudulenta de títulos eleitorais".
"Isso ocorreu em um município de pequeno porte, com apenas 1.754 eleitores aptos a votar, o que demonstra a potencialidade da conduta para influenciar o resultado das eleições."
A liminar foi cassada dias depois pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo sob o argumento de ser necessário o direito à ampla defesa.
A Folha entrou em contato com a defesa de Bill, mas não houve resposta. Em rede social, ele disse que é alvo de acusações infundadas e injustas.
Outro caso ocorreu em Divino das Laranjeiras, no leste de Minas Gerais. A cidade tem 4.178 habitantes, de acordo com o Censo de 2022, tendo encolhido 15,4% em relação ao levantamento anterior. No caso do eleitorado oficial, porém, ocorreu o inverso: um crescimento de 15,6%, chegando a 4.968 pessoas.
O TRE de Minas Gerais informou que há processos em segredo de Justiça sobre aliciamento de eleitores para a cidade.
A três dias da eleição, o Ministério Público ingressou com pedido de anulação da transferência de 38 eleitores. "Os impugnados se envolveram em uma trama ardilosa em que interpostas pessoas, com o nítido propósito de burlar o sistema eleitoral, cooptaram eleitores", escreveu a promotora eleitoral Mariana Cristina Pereira Melo, sem citar o nome do candidato.
Na manhã seguinte, 4 de outubro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sufrágio, afirmando que o esquema envolveu a transferência de cerca de mil títulos. No mesmo dia, a Justiça cancelou o registro de apenas três eleitoras que confessaram a fraude. Os demais puderam votar.
Em Divino, Reinaldo Romualdo dos Santos (MDB) venceu Emanuel Antonio Siqueira (Republicanos) por 268 votos de diferença.
Outro caso ocorreu em Elesbão Veloso, cidade do Piauí que também viu a sua população encolher 6% de 2010 a 2022, mas o eleitorado oficial subir 8% —mais um exemplo no qual o número de eleitores superou o de habitantes.
Em maio, a Justiça cancelou sete transferências de votantes que apresentaram como prova de residência contas de luz falsas.
Em agosto, a PF deflagrou a Operação Águas Rasas devido à suspeita de fraude em 126 transferências de título para a cidade, todas por meio de comprovantes falsos, alguns emitidos pela empresa de água e esgoto do estado. De acordo com a polícia, o suspeito de produzir os documentos era um servidor público e candidato a vereador.
Na cidade, Ronaldo Barbosa (PP) derrotou Dr. Cleriston (PT) por diferença de 712 votos.
O estado com o maior número de cidades que elevaram em mais de 20% o número de pessoas aptas a votar é Goiás. Foram 19, entre elas Guarinos, a campeã em crescimento (46%), e Davinópolis, onde o eleitorado oficial (4.405) é mais do que o dobro do que toda a população contada pelo IBGE.
O TRE de Goiás disse, em nota, que há investigações da Polícia Civil em Aragoiânia e da Polícia Federal em Santo Antonio do Descoberto. Houve ainda pedido de revisão do eleitorado em alguns municípios, mas eles foram negados por falta de indícios de irregularidade.
O órgão afirmou também que a revisão do eleitorado baseado em distorções de natureza estatística (mais eleitores que moradores, por exemplo) é de competência exclusiva do TSE —que foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou.
Além das ações judiciais, eleitores em vários estados foram presos em flagrante tentando transferir o título com documentação falsa. Em Correntina (BA), por exemplo, a juíza eleitoral da região chamou a polícia em abril após duas pessoas supostamente tentarem promover a fraude no cartório eleitoral.
Em novembro, reportagem do Fantástico, da TV Globo, mostrou indícios de que houve mercado ilegal de eleitores em Mangaratiba, balneário do Rio de Janeiro que também ganhou milhares de novos votantes.
Para transferir seu local de votação, o eleitor precisa comprovar vínculo residencial, afetivo, familiar, profissional, comunitário ou de outra natureza com a nova cidade. Quando há a burla, ela geralmente é enquadrada nos artigos 289 e 290 do Código Eleitoral, com penas de 2 a 5 anos de prisão mais multa.
Suspeita de fraude por transferência de eleitores
Qual é a suspeita
A Justiça Federal e a Polícia Federal investigam as transferências em bloco de domicílio eleitoral de votantes de cidades pequenas e médias, o que pode ter sido determinante para a eleição de prefeitos e vereadores.
Exemplos investigados
Em Fernão, a 400 km de São Paulo, o candidato Bill (PL) foi eleito prefeito com diferença de apenas 1 voto em relação a Zé Fodra (PSD): 522 votos a 521. O eleitorado oficial da cidade cresceu 17% só com a transferência de títulos, o que fez com que o número de eleitores aptos fosse maior do que o total de moradores.
Outro caso ocorreu em Divino das Laranjeiras, no sul de Minas Gerais. A cidade tem 4.178 habitantes, segundo o Censo de 2022, tendo encolhido 15,4% em relação ao levantamento anterior de 2010. No caso do eleitorado oficial, porém, ocorreu o inverso: um crescimento de 15,6% em relação à eleição anterior, chegando a 4.968 pessoas.
Como seria a fraude
Para transferir seu local de votação, o eleitor precisa comprovar vínculo residencial, afetivo, familiar, profissional ou comunitário com a nova cidade. Segundo as investigações, há indícios de uso de contas de luz, água e esgoto como comprovantes de residência falsos emitidos por servidores públicos.
CONTINUE LENDO
- Por Rogério Pagnan e Francisco Lima Neto | Folhapress
- 08 Dez 2024
- 08:03h
Foto: Reprodução
A Justiça decidiu soltar dois homens apontados pela Polícia Militar de São Paulo como suspeitos de terem participado do ataque a Antônio Vinicius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), no aeroporto de Guarulhos, em 8 de novembro.
A defesa deles afirma que policiais da Rota (tropa de elite da PM, conhecida pela alta letalidade) teriam plantado munições para tentar incriminar a dupla.
Em audiência de custódia neste sábado (7), a juíza Juliana Pitteli da Guia decidiu que a prisão em flagrante dos dois homens foi ilegal e por isso, ordenou que eles fossem soltos.
Marcos Henrique Soares, 22, e seu tio, Allan Pereira Soares, 44, foram presos na tarde desta sexta-feira (6), em São Paulo por policiais da Rota. Os agentes afirmaram que a dupla estava com munições de fuzil em um carro e em uma moto.
Advogado dos dois, Eduardo Kuntz diz que a munição foi plantada pelos policiais. "Eu não considero [que as munições foram plantadas], estou afirmando que isso aconteceu. Infelizmente, são os fatos", afirmou ele.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) comemorou a prisão em uma postagem no X (ex-Twitter) na sexta. Ele não se manifestou neste sábado sobre a denúncia contra os policiais da Rota feita pelo advogado ou sobre a decisão da Justiça de soltar a dupla. A gestão afirma que a investigação do ataque ao aeroporto segue em andamento.
A ocorrência na qual Allan e Marcos foram presos aconteceu na rua Romualdo de Souza Brito, na Vila Curuçá, zona leste de São Paulo. Câmeras de segurança gravaram parte da ação.
Nas imagens, é possível ver quando agentes da Rota chegaram ao local e mexeram em um veículo que está estacionado em frente a uma casa.
Na sequência, Allan apareceu e se apresentou como dono do carro. Segundo ele, o veículo estava com problemas, e por isso, ficava destrancado.
Os policiais afirmaram então que munições de fuzis estavam dentro do carro e perguntaram a Allan onde estaria Marcos. Na sequência, ele ligou para o sobrinho, que cinco minutos depois chegou no local, de moto.
Sem revistar a moto, os policiais prenderam Allan e Marcos em flagrante pelo porte das munições, que são do mesmo tipo utilizadas na morte de Gritzbah no aeroporto.
Ao chegarem na sede do DHPP (Departamento de Homicídio de Proteção à Pessoa) para onde tio e sobrinho foram levados, os policiais da Rota afirmaram que revistaram a moto no caminho e que acharam munições de fuzil sob o banco.
Na audiência de custódia deste sábado, a juíza afirmou que não há nada que ligue os dois ao crime no aeroporto. Ela destacou que as buscas nos veículos só poderiam acontecer com autorização do proprietário ou com mandado de busca, o que não ocorreu. Para ela, o flagrante foi ilegal e irregular.
Segundo a Folha apurou, a Polícia Civil suspeita que o irmão de Marcos, Matheus Soares Brito, ajudou na fuga de Kauê do Amaral Coelho, 29, identificado como o olheiro que teria dado o sinal aos atiradores de dentro do aeroporto.
Ele já tinha um mandado de prisão expedido e seria alvo de uma operação da Polícia Civil, que acabou atravessada pela ação dos agentes da Rota, que teriam confundido os dois irmãos.
Matheus foi preso na madrugada deste sábado. Kuntz, que também é seu advogado, afirma que ele não tem relação com o ataque no aeroporto.
Matheus deve passar por audiência de custódia neste domingo (8) para analisar a legalidade da prisão.
De acordo com o Kuntz, Marcos é bacharel em direito e aguarda a segunda fase do exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Ele trabalha como estagiário em um escritório de direito empresarial.
"Mesmo com uma vida simples e humilde, é o primeiro da família a completar ensino superior."
Questionada, a SSP afirmou que a força-tarefa criada para investigar o crime segue em diligências.
"Entre a tarde de sexta-feira e a madrugada de sábado a polícia deteve três suspeitos de envolvimento no caso, que foram para o DHPP para serem ouvidos. Houve a apreensão de munições e aparelhos de celular, que serão periciados", afirmou a nota.
Segundo a pasta, as investigações seguem sob sigilo. "As corregedorias das duas instituições acompanham as investigações para que todas as medidas pertinentes sejam adotadas, reiterando o compromisso e respeito às leis, à transparência e à imparcialidade", completou a secretaria.
- Por Lucas Lacerda e Paulo Eduardo Dias | Folhapress
- 07 Dez 2024
- 16:38h
Foto: Divulgação / PM-SP
De 1.293 ações policiais que terminaram com morte na capital paulista de 2015 a 2020, apenas 122 chegaram a virar denúncia na Justiça. As condenações foram 20, uma parcela de 1,5% do total.
É o que mostra uma pesquisa inédita com dados desses procedimentos no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. De 1.224 inquéritos policiais, inquéritos policiais militares e ações penais de competência do Júri concluídos até 29 de maio deste ano, 1.102 haviam sido arquivados.
Outros 69 ainda estavam em andamento na época da análise, sendo que, desses, 46 estavam em segredo de Justiça e poderiam já ter sido arquivados. Os dados foram reunidos por Débora Nachmanowicz, advogada criminalista e pesquisadora, e apresentados em sua dissertação de mestrado na USP.
Das 20 condenações, quatro são referentes a uma mesma pessoa, o ex-PM Eduardo Alexandre Miquelino, preso em 2015, que responde a dez ações penais, no total.
Embora capte um retrato de seis anos de investigações, em sua maioria arquivadas, a pesquisa trata do perfil de jurados que decidem, ao fim dos processos, se os policiais serão condenados ou absolvidos pelas mortes.
Embora não tenha feito uma análise qualitativa de todos os inquéritos arquivados, Débora diz que muitos dos casos são entendidos como legítima defesa pela falta de outros indícios. "É aquilo que a gente ouve bastante, da versão policial. E tem só a versão policial, não há outros elementos que possam afastar essa versão."
Para ela, a pesquisa ajudou a acrescentar mais nuances à atuação de órgãos de controle externo como o Ministério Público. "A princípio, não seria algo como o Ministério Público simplesmente sendo conivente. Acho que dá para afastar um pouco dessa visão, apesar de haver sim promotores que são coniventes com violência e que fazem manifestações bastante pesadas a respeito das situações de confronto."
A pesquisadora também vê o crescimento de um argumento, em meio à difusão de vídeos que flagram ações de violência policial, de legítima defesa do tipo putativa, ou seja, quando o agente imagina estar em uma situação de risco.
"Os advogados usam para dizer que eles [os agentes] acreditavam que existia uma situação de ameaça iminente contra eles ou contra terceiros, então agiram como se fosse uma situação de legítima defesa." Isso vale, por exemplo, para contestar vídeos e justificar que, do ponto de vista do policial, havia perigo iminente.
A pesquisadora defende mais controle judicial das sessões de júri. Um exemplo é a ampla presença de policiais nas salas, que, como ela apurou em questionários, podem constranger os jurados ou fazê-los se sentir expostos e sob risco de identificação ou de retaliações. Apesar disso, Débora descarta correlações diretas do fator com a absolvição ou a condenação.
Essa presença tende a ser maior e mais frequente em casos com margem para a argumentação de legítima defesa. Já situações como a do soldado Luan Felipe Alves Pereira, 29, preso por ter jogado um homem de uma ponte, têm outro tratamento.
"Até o [secretário da Segurança Guilherme] Derrite entendeu que não dá para defender. É o tipo de caso para ser usado de exemplo. ‘Olha como a gente é rígido com quem age fora dos procedimentos'."
Informações obtidas pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que os dois últimos anos têm registrado patamares menores de entrada de policiais no Presídio Militar Romão Gomes, onde estão presos preventivamente, inclusive, Pereira e o soldado Vinicius de Lima Britto, preso na noite de quinta-feira (5) após matar um homem negro com 11 tiros pelas costas.
Dennis Pacheco, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que "mais de 90% dos casos de letalidade policial são arquivados pela promotoria do Ministério Público, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro", segundo um estudo da entidade.
Para ele, a maior parte do problema está na apuração conduzida pela Polícia Civil, que tende a registrar as ocorrências de forma a favorecer as versões dos policiais e prejudicando o resto do processo, e também no arquivamento, ainda que haja indícios, pelas promotorias.
A falta de punição, diz Dennis, estimula uma expectativa de que a polícia aja de forma violenta, o que ocorre principalmente contra pessoas negras. "Quando essa trajetória encontra um governador que usa a violência policial como plataforma político-eleitoral, o resultado é esse cenário trágico, revoltante, lamentável de extrema brutalidade policial que a gente."
- Bahia Notícias
- 07 Dez 2024
- 14:33h
Foto: CNA/ Wenderson Araujo/Trilux
Em 1985, a área ocupada por plantação de soja era de 4,4 milhões de hectares e, em 2023, já chegava a quase 40 milhões de hectares, que correspondem ao tamanho do Paraguai e a 14% de toda a área de agropecuária do Brasil. Nos primeiros anos de análise, de 1985 a 2008, eram 18 milhões de hectares, sendo que um terço (30%) consumiu áreas de vegetação nativa (5,7 milhões de hectares) e 5 milhões de hectares (26%) resultaram de um processo de conversão do solo de pastagem para soja.
No segundo período de análise, os números referentes à expansão da soja mudaram. De 2009 a 2023, o grão se ampliava por mais 17 milhões de hectares, dos quais 6,1 milhões de hectares (36%) eram provenientes de conversão de pastagem e 2,8 milhões de hectares (15%) eram anteriormente espaços com vegetação nativa. As informações são da Agência Brasil.
Os dados constam de um dos recentes levantamentos feitos pela rede MapBiomas, divulgado nesta sexta-feira (6). Os especialistas responsáveis pela interpretação do que foi coletado em mapeamentos apontam que, de 1985 a 2023, a área ocupada por culturas temporárias, como é o caso da soja, além da cana-de-açúcar, do arroz e do algodão, aumentou 3,3 vezes, passando de 18 milhões para 60 milhões de hectares.
No ano passado, o bioma onde a soja mais avançou foi o Cerrado (19,3 milhões de hectares). Em seguida vêm a Mata Atlântica (10,3 milhões de hectares) e a Amazônia (5,9 milhões de hectares). Os pesquisadores do MapBiomas ressaltam que o Pampa é o bioma que apresentou maior área proporcional em relação ao seu território, com mais de um quinto (21%) preenchido pela monocultura da soja (4 milhões de hectares).
Eliseu Weber, um dos pesquisadores de agricultura do MapBiomas comenta que a soja é preferência, em relação à criação de gado, porque dá resultados mais rapidamente. Nisso reside o elemento econômico que justifica aos empresários a aposta nas commodities. "Além disso, há um componente político, que é a inexistência de ações de conservação dessas fisionomias que são tão raras no Brasil. O Pampa é 2,5% do país e dois terços dele já se foram", afirma.
O novo relatório do MapBiomas também indica que as pastagens cobrem aproximadamente 164 milhões de hectares, equivalentes a 60% da área de agropecuária do país. A quantidade de hectares de hoje resulta de crescimento de 79% em relação aos 92 milhões de hectares de 1985.
Como observam os pesquisadores, a pastagem é atualmente o principal uso antrópico do território brasileiro. Antrópico é um termo que serve para designar algo que foi modificado pela ação do ser humano. Um total de 59 milhões de hectares (36%) das pastagens brasileiras ficam na Amazônia, bioma que já perdeu 14% de sua área para esse fim.
No Cerrado, foram contabilizados 51 milhões de hectares (31%), onde as pastagens são 26% do bioma. Somados, a Amazônia e o Cerrado foram os biomas de escolha para instalação de dois terços (67%) das pastagens brasileiras.
Os biomas com maior área proporcional de pastagem são Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, com 23 milhões de hectares (27% do bioma), 51 milhões de hectares (26% do bioma) e 29 milhões de hectares (26% do bioma), respectivamente. O MapBiomas destaca que a maioria (84%) dos pontos de pastagem da Mata Atlântica existe há mais de 30 anos. No caso do Cerrado, 72% das áreas de pastagem usadas até hoje foram abertas há mais de 20 anos.
- Bahia Notícias
- 07 Dez 2024
- 12:32h
Foto: Reprodução / Blog do Anderson
Uma sequência de acidentes, nesta sexta-feira (6), deixou ao menos duas pessoas mortas em duas rodovias que passam por Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. Ambos os casos foram divulgados pelo Blog do Anderson, parceiro do Bahia Notícias. O primeiro acidente ocorreu na BA-263, no trecho que liga Vitória da Conquista ao município de Itapetinga. A colisão envolvendo um táxi levou a morte de um dos motoristas.
O segundo acidente ocorreu na rodovia BR-116, no sudoeste baiano, e deixou ao menos uma vítima, em Vitória da Conquista, na noite de sexta-feira (6). A colisão entre um carro e uma moto aconteceu nas proximidades do Distrito de José Gonçalves, zona rural de Conquista.
No caso da BA-263, a Companhia Independente de Polícia Rodoviária e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados para prestar socorro e registrar o caso. Na BR-116, foram chamadas a Polícia Rodoviária Federal, concessionária ViaBahia, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o Departamento de Polícia Técnica (DPT).
- Por Catia Seabra e Renato Machado | Folhapress
- 07 Dez 2024
- 10:28h
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
Aliados do presidente Lula (PT) afirmam que ele aguarda a definição sobre o calendário e o processo de sucessão dentro de seu partido para começar as mudanças no primeiro escalão do governo.
A reforma ministerial então deve começar "em casa", com uma troca de cadeiras nas pastas ocupadas por petistas.
Nesta sexta-feira (6), ao participar de maneira virtual da sessão de encerramento de seminário organizado pelo PT em Brasília, Lula disse que "há um erro do governo na questão da comunicação". "Sou obrigado a fazer as correções necessárias", afirmou.
Interlocutores do presidente dizem que a fala foi a senha para o início do processo de mudanças. Nos bastidores, aliados apontam que o publicitário Sidônio Palmeira deve assumir a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), em substituição ao atual ministro petista Paulo Pimenta.
No seminário, Lula também chegou a criticar ele próprio, por não estar conversando mais com veículos de imprensa. "Eu quero dizer para vocês que há um erro um equívoco meu na comunicação. O [secretário de Audiovisual, Ricardo] Stuckert costuma dizer 'presidente, o senhor é o maior comunicador do nosso partido, o senhor tem que falar mais'. E a verdade é que eu não tenho organizado as entrevistas coletivas, elas não têm sido organizadas."
O atual chefe da Secom é visto como próximo ao presidente e tem a simpatia da primeira-dama Janja. Ele poderia migrar para a Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Márcio Macêdo, que pode ser o novo tesoureiro do PT.
Pimenta foi pego de surpresa com as críticas de Lula e houve quem as interpretassem como uma "demissão pública".
Lula já vinha sinalizando que pretendia reforçar a comunicação do governo, trazendo Sidônio para trabalhar mais próximo a ele. Aliados de Pimenta, por sua vez, minimizavam os rumores.
Ele se licenciou do cargo em maio para se tornar secretário extraordinário para a reconstrução do Rio Grande do Sul, estado atingido por inundações. Em seu lugar, assumiu interinamente Laércio Portela, que foi elogiado dentro do governo.
Também aumentou a expectativa para que a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, venha a assumir o Ministério do Desenvolvimento Social, hoje comandado pelo ex-governador do Piauí e senador licenciado pelo partido, Wellington Dias.
Mas a mudança depende da posição de Gleisi sobre abreviar seu mandato como presidente do PT. O diretório nacional do partido se reúne neste sábado (7) para definir o calendário e o formato do processo eleitoral para escolher os próximos dirigentes do partido. A eleição está prevista para julho de 2025.
Dirigentes do partido afirmam ser possível que Gleisi deixe a presidência e antecipe o processo eleitoral interno para assumir um cargo no governo, deixando assim para outro quadro a responsabilidade pela transição. Citam, por exemplo, o senador Humberto Costa (PT-PE).
Caso decida ficar até o fim do seu mandato, ficaria inviabilizada a entrada de Gleisi no governo. Isso porque ela assumiria apenas no segundo semestre de 2025 e precisaria deixar o cargo no primeiro do ano seguinte, para poder disputar as eleições.
Petistas dizem que Gleisi resiste às mudanças, mas, se decidir ir para o Desenvolvimento Social, responsável por programas sociais como o Bolsa Família, a dança das cadeiras dentro do partido poderia ser maior.
Senador licenciado, Wellington assumiria a liderança do governo no Congresso ou no Senado, funções hoje exercidas, respectivamente, por Randolfe Rodrigues (AP) e Jaques Wagner (BA).
A área de comunicação é alvo de críticas de aliados desde o primeiro ano do governo Lula 3.
Além de ser citado para assumir a Secom, uma possibilidade discutida seria Sidônio Palmeira atuar como um colaborador mais próximo, em moldes parecidos com a atuação passada de Duda Mendonça e João Santana, como informou a colunista Mônica Bergamo.
A mudança iniciada "dentro de casa" seria seguida de uma reforma dedicada à acomodação de partidos aliados, tendo como baliza o resultado das eleições municipais, contemplando PSD, MDB e União Brasil.
O governo enfrentou na última semana uma rebelião da bancada do PSD na Câmara dos Deputados, que inicialmente se recusou a assinar requerimento de urgência para as medidas do pacote de contenção de gastos. Os líderes da bancada chegaram a se reunir com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).
Integrantes do PSD afirmam que é insustentável a bancada contar apenas com o Ministério da Pesca e Aquicultura, com André de Paula.
Outra possível mudança envolvendo um quadro do PT seria na articulação política, atualmente comandada por Alexandre Padilha (Relações Institucionais). Discute-se ceder o posto para um nome do bloco centrão, para melhorar a interlocução com o Congresso.
Uma possibilidade seria deslocar Silvio Costa Filho (Republicanos), atualmente ministro dos Portos e Aeroportos.
Procurado pela reportagem, Sidônio afirmou não ter recebido qualquer convite para a Secom, embora a aposta em seu nome tenha ganhado força nesta semana. Segundo aliados de Lula, sua participação na produção do pronunciamento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o credenciou para o cargo.
Coordenador da campanha de Lula à Presidência, Sidônio tem sido um conselheiro do presidente. Ao lado de Gleisi, foi um dos que defenderam a inclusão de taxação de super-ricos no anúncio do pacote de medidas para contenção de gastos, sob o argumento de que todos deveriam colaborar com o esforço, não só os pobres.
CONTINUE LENDO
- Bahia Notícias
- 07 Dez 2024
- 08:36h
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Uma pesquisa realizada pela CAUSE, em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA e PiniOn aponta que a palavra do ano de 2024, segundo a maioria dos brasileiros, é “ansiedade”. O termo desbancou outras palavras como “resiliência” e “inteligência artificial”.
A escolha da palavra do ano passou por um processo de duas etapas. Primeiro, um grupo de especialistas em comunicação e ciências sociais definiu cinco palavras que capturam as dinâmicas e preocupações do ano.
Em seguida, as palavras foram submetidas a uma pesquisa quantitativa com amostra representativa da população, a partir de dados do Censo 2022 do IBGE, que consultou 1.538 brasileiros de todas as regiões do país.
O termo liderou o levantamento com 22% das menções, seguido por “resiliência” (21%), “inteligência artificial” (20%), “incerteza” (20%) e “extremismo (4%).
SAÚDE MENTAL
Para a CEO do Instituo de Pesquisa IDEIA, Cila Schulman, “a ansiedade no brasil em 2024 não é apenas uma questão individual”. Para ela, a condição “está ligada a um contexto social mais amplo”, representado pelas “pressões do cotidiano moderno, o impacto das redes sociais e o ritmo acelerado das mudanças”. Tudo isso, segundo ela, gera “um ambiente de sobrecarga emocional e mental.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas no mundo, com 9,3%. Sintomas de ansiedade são: Náusea, vômito, diarreia, falta de ar, engasgo, sudorese, palpitações e frequência cardíaca acelerada, tensão muscular e aperto no peito.
- Brumado Urgente
- 06 Dez 2024
- 18:54h
Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente
Foi realizado na noite de ontem (05), a 1ª Cantata de Natal da Escola Artinfância na Câmara de Vereadores de Brumado. A Câmara Municipal ficou completamente lotada de pais, amigos e demais familiares dos alunos que foram para prestigiar o evento.
As apresentações evidenciaram o mais puro espírito natalino, onde foram partilhadas canções que remeteram emoções genuínas do natal, onde, buscou-se transmitir sentimentos de partilha, empatia com o próximo, gratidão, e, sem se esquecer do mais importante de todos, o nascimento do menino Jesus que veio para nos salvar.
A cantata de Natal fechou o ano letivo da Escola Artinfância com chave de ouro, proporcionado a todos que foram assisti as apresentações, um belo espetáculo. Célia Regina, uma das diretoras da escola agradeceu a todos os presentes por mais um ano, e ressaltou a importância deste tipo de evento para formação de cidadãos mais conscientes e capazes de realizar grandes transformações no seio da sociedade.