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Hamas diz estar pronto para novo ciclo de negociações para trégua em Gaza

  • Por Folhapress
  • 02 Jun 2025
  • 15:16h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O grupo extremista Hamas disse neste domingo (1º) estar "pronto para iniciar imediatamente uma rodada de negociações indiretas" e resolver "pontos de discórdia" para um acordo de cessar-fogo para Gaza. A manifestação ocorreu após os EUA e Israel classificarem a resposta do grupo à nova proposta como "inaceitável".
 

O QUE ACONTECEU
Hamas afirmou buscar um acordo que "garanta alívio para o nosso povo e o fim da catástrofe humanitária". Em comunicado, eles acrescentaram que desejam um cessar-fogo permanente e a completa retirada de tropas israelenses do território palestino.
 

Mesmo após as críticas, grupo não explicou se desistiu da sua proposta apresentada aos EUA. Antes, eles afirmaram que aceitariam a paralisação do conflito em troca do "cessar-fogo permanente". Em resposta, o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, que media o acordo, falou que a sugestão apenas "nos leva para trás" no acordo.
 

"Essa é a única maneira de fecharmos um acordo de cessar-fogo de 60 dias nos próximos dias, no qual metade dos reféns vivos e metade dos mortos retornarão para suas famílias e no qual poderemos ter negociações substanciais de boa-fé nas negociações de proximidade para tentar chegar a um cessar-fogo permanente", disse Steve Witkoff.
 

No sábado, Israel apontou que o Hamas está "apegado" em recusar os acordos. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, reforçou a manifestação do enviado norte-americano sobre o posicionamento do Hamas: "É inaceitável e atrasa o processo".
 

Após a reação dos EUA, Hamas disse que "Washington está adotando a visão israelense". "A posição dos EUA confirma mais uma vez que Washington está pressionando pelo que Tel Aviv deseja, não pelo que é justo para os palestinos", diz a nota do grupo.
 

Neste domingo, ao menos 31 palestinos foram mortos e outros 170 ficaram feridos em um ataque. A ação ocorreu enquanto a população recebia comida em Rafah, no sul de Gaza, informou o Ministério de Saúde local. Autoridades palestinas ligadas ao Hamas e testemunha atribuíram o ataque aos militares israelenses.
 

O QUE DIZ A PROPOSTA DOS EUA
Propostas prevê uma trégua de 60 dias e libertação de 28 dos 58 reféns ainda mantidos em Gaza, sendo 10 vivos e 18 corpos. Das 251 pessoas sequestradas em Israel pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, 57 permanecem detidas em Gaza, sendo que 34 foram declaradas mortas pelo Exército israelense.
 

Em troca, Israel liberaria 1.236 prisioneiros e detidos palestinos. Além disso, entregaria os restos mortais de 180 palestinos mortos e permitiria também a entrada de ajuda humanitária no enclave. O acordo foi apresentado pelo enviado dos EUA. Ele também esteve envolvido em negociações anteriores, que resultaram no último acordo de trégua.
 

Casa Branca informou na sexta-feira que Israel aceitou proposta de cessar-fogo em Gaza apresentada pelos EUA. Na ocasião, o Hamas respondeu, no entanto, que os termos do acordo não atendiam "as exigências" do grupo.

Ucrânia destrói 41 aviões de guerra da Rússia em ataque massivo de drones antes de negociações

  • Por Folhapress
  • 02 Jun 2025
  • 13:12h

Foto: Serviço de Emergência ucraniano via AP

Um dia antes de se reunir novamente com a Rússia para tentar negociar um cessar-fogo, a Ucrânia atacou ao menos cinco bases aéreas do país adversário neste domingo (1º). De acordo com a imprensa local, foram danificados 41 aviões de guerra em regiões tão distantes da frente quanto a Sibéria, em um dos maiores reveses de Moscou em mais de três anos de guerra.
 

A ofensiva ocorreu horas após a Rússia usar 472 drones e 7 mísseis para atacar a Ucrânia durante a noite, segundo Kiev —números que fazem desta ofensiva a maior executada pelo Kremlin desde o início do conflito, em fevereiro de 2022. Pelo menos 12 soldados morreram e mais de 60 ficaram feridos após um projétil atingir um campo de treinamento, segundo o Exército ucraniano.
 

Os ataques evidenciam que as cartas militares dos dois lados se intensificam apesar dos esforços de negociação para encerrar o conflito, uma promessa de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
 

A Rússia, por exemplo, vem aumentando a quantidade de drones lançados contra a Ucrânia em seus bombardeios noturnos —há duas semanas, Moscou lançou 273 dispositivos contra o país vizinho, o que na época já havia superado o então recorde de 267 artefatos russos disparados em fevereiro deste ano.
 

O ataque ucraniano deste domingo, no entanto, foi um dos mais importantes da guerra até aqui. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou ofensivas em cinco regiões, separadas e distantes entre si—Ivanovo, Riazan, Amur, Murmansk e Irkutsk. As defesas aéreas teriam repelido os ataques em todas as regiões, exceto nas últimas duas, segundo a pasta.
 

"Nas regiões de Murmansk e Irkutsk, o lançamento de drones de uma área próxima a aeródromos resultou em incêndios em várias aeronaves", informou o ministério, sem especificar o número de aviões danificados. Segundo a pasta, os incêndios foram extintos e não houve vítimas. Alguns indivíduos envolvidos nos ataques teriam sido detidos.
 

Segundo o governador de Irkutsk, uma das principais divisões administrativas da região, no leste da Rússia, este foi o primeiro ataque do tipo naquela parte da Sibéria.
 

Vídeos e fotos publicados nas redes sociais mostram bombardeiros russos em chamas na base aérea de Belaia, ao norte de Irkutsk. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente as imagens, mas uma autoridade de inteligência ucraniana disse à agência de notícias que o órgão de segurança realizou um grande ataque com drones contra 41 aeronaves militares russas.
 

De acordo com esse funcionário, Kiev escondeu drones carregados de explosivos dentro de pequenos galpões de madeira que foram levados para perto das bases aéreas em caminhões. O teto dos galpões foi levantado por um mecanismo acionado remotamente, permitindo que os dispositivos voassem e iniciassem o ataque.
 

A operação, que recebeu o codinome "Teia de Aranha", de acordo com a autoridade de segurança ucraniana, foi necessária pela distância dos alvos, alguns a mais de 4.000 km da linha de frente ucraniana —distância fora do alcance dos drones ou mísseis balísticos que Kiev possui em seu arsenal.
 

O ataque foi supervisionado pessoalmente pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e pelo chefe da agência de inteligência doméstica, Vasil Maliuk, segundo o mesmo funcionário, que falou sob condição de anonimato. Ele disse ainda que as aeronaves atingidas incluíam bombardeiros Tu-95 e Tu-22, que a Rússia usa para disparar mísseis de longo alcance contra a Ucrânia.
 

Também houve um ataque de drones na região de Murmansk, no norte da Rússia, segundo autoridades locais. A base aérea de Olenia, que abriga aviação estratégica, está localizada nessa região.
 

Neste domingo, Zelenski disse que a operação com drones foi "absolutamente brilhante".
 

"Um resultado absolutamente brilhante. E um resultado alcançado de forma independente pela Ucrânia," escreveu Zelenski no aplicativo de mensagens Telegram, observando que a operação levou mais de um ano e meio para ser preparada.
 

"Esta é a nossa operação de maior alcance." Falando pouco depois, em seu pronunciamento em vídeo noturno, o líder ucraniano destacou que 117 drones foram utilizados no ataque às bases russas. "A Rússia sofreu perdas muito concretas, e de forma justificada," disse.
 

O Ministério da Defesa russo anunciou neste domingo a captura de mais um vilarejo na região de Sumi, no nordeste da Ucrânia, onde avança com tropas em local que pode se transformar em uma nova frente de batalha e domínio russo. Até aqui o avanço é lento, mas cresce dia a dia na área fronteiriça próxima à russa Kursk, onde há poucos meses tropas ucranianas eram repelidas pelo Exército russo.
 

Negociadores ucranianos que estarão nas conversas entre as partes, previstas para ocorrer na manhã desta segunda-feira em Istambul, apresentarão ao lado russo uma proposta de roteiro para alcançar um acordo de paz duradouro, de acordo com uma cópia do documento vista pela agência Reuters.
 

O roteiro proposto começa com um cessar-fogo completo de ao menos 30 dias, seguido pela devolução de todos os prisioneiros mantidos por cada lado da disputa e das crianças ucranianas levadas para território controlado pela Rússia. Depois, há a previsão de uma reunião entre o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski e o russo, Vladimir Putin.
 

Segundo o plano, Moscou e Kiev trabalharão para definir os termos com a participação dos Estados Unidos e da Europa. Autoridades ucranianas disseram no início desta semana que enviaram o plano ao lado russo antes do encontro.
 

Os termos ucranianos, no entanto, são em grande parte os mesmos termos anteriormente apresentados por Kiev, segundo o documento.
 

As diretrizes excluem qualquer restrição à força militar ucraniana após a assinatura de um acordo de paz, qualquer reconhecimento internacional da soberania russa sobre partes da Ucrânia tomadas pelo Kremlin e reparações a Kiev. O documento também afirma que a localização atual da frente de batalha será o ponto de partida para negociações sobre território.
 

Os termos divergem consideravelmente das exigências que a Rússia fez publicamente nas últimas semanas, o que indica que as conversas podem seguir se arrastando.

 

Tarcísio amplia gastos com isenções em ano eleitoral e põe em xeque discurso para se opor a Lula

  • Por Folhapress
  • 02 Jun 2025
  • 11:05h

Foto: Divulgação / Pablo Jacob / Governo de SP

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) projeta aumentar o gasto com benefícios tributários em São Paulo no ano que vem, na contramão da promessa de cortes que fez para reduzir essas despesas.
 

Dados da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), enviada à Alesp (Assembleia Legislativa), apontam que o estado deve abrir mão de R$ 78,5 bilhões em impostos em 2026. Até o ano passado, a estimativa da Secretaria da Fazenda para o mesmo ano era de R$ 70,7 bilhões.
 

A LDO projeta, ainda, uma redução de 0,5% nas receitas totais do estado em 2026, embora preveja aumento da arrecadação de impostos, e uma diminuição menor, de 0,3%, no total de despesas.
 

Em 2024, com o programa São Paulo na Direção Certa, o governo Tarcísio anunciou que os 263 benefícios tributários seriam revistos, com o objetivo de cortar 15% dos gastos e reduzir em R$ 10,3 bilhões a renúncia.
 

O programa é uma das vitrines da gestão. Benefícios tributários são isenções, reduções de alíquotas ou concessões de créditos de ICMS que favorecem setores específicos da economia. Embora afirme que tentará a reeleição, Tarcísio é cotado para concorrer à Presidência.
 

Em eventos voltados ao mercado financeiro, o governador tem apresentado o programa como contraponto ao governo Lula (PT), que enfrenta dificuldades para manter o equilíbrio fiscal.
 

"Tocamos em um tema fundamental, superdifícil, que é a revisão de benefícios tributários. Muitos já não faziam mais sentido, precisavam ser extintos ou redesenhados", disse o governador, em evento promovido pelo Banco Safra, no início do mês.
 

"Conseguimos extinguir um terço dos benefícios que o estado concedia. Isso representa uma redução de 15% nos gastos tributários. Era necessário, porque havia incentivos muito antigos, obsoletos, que já não garantiam competitividade aos setores beneficiados", afirmou.
 

Embora a medida tenha sido elogiada pelo mercado financeiro, no fim do ano passado o plano enfrentou críticas por parte dos setores que perderam os descontos de impostos.
 

O apelido "Taxarcísio" chegou a ser ensaiado por setores como o de bares e restaurantes, cuja alíquota de ICMS praticamente triplicaria (de 3,2% para 12%). Diante das resistências, o governo aceitou negociar e, ao final, dos 263 benefícios revisados, 179 terminaram mantidos, sem alteração, em decretos publicados durante o recesso de fim de ano.
 

Segundo o governo, foram prorrogados benefícios para itens básicos, como arroz, feijão, farinha de mandioca, frutas frescas, produtos hortifrutigranjeiros, café, açúcar, manteiga, pães, bolachas, massas e medicamentos de baixo custo.
 

Na lista de benefícios cortados, o governo elenca o comércio de cavalos puro-sangue, mudas de seringueira, areia e pedra britada, ostras e vieiras, entre outros.
 

Para o tributarista Gabriel Quintanilha, professor convidado da FGV Direito Rio, a prorrogação de parte dos benefícios reduziu o impacto da medida. "Os incentivos cancelados têm impacto pequeno, enquanto os renovados concentram maior volume financeiro", diz.
 

Ele compara o caso dos cavalos puro-sangue, extintos, com os mantidos, como os voltados a materiais para o metrô. "É claro que o metrô precisa de incentivo", afirma. "Mas o volume de transações desse setor é bem maior."
 

O professor destaca que o processo deveria ser mais transparente, com maior participação da sociedade na escolha dos setores que deveriam ser beneficiados, uma vez que as isenções representam impostos que deixam de ser recolhidos e poderiam ser aplicados em áreas essenciais. "Benefícios fiscais só existem onde a tributação é excessiva."
 

A LDO traz os benefícios separados por setores, não por produtos. Há ressalvas técnicas em comparar dados de anos diferentes, pois os valores são baseados em estimativas e, a cada ano, variam as perspectivas de crescimento econômico, arrecadação e inflação.
 

Mesmo assim, auditores fiscais paulistas ouvidos pela reportagem destacam que a comparação dá indícios sobre a abrangência efetiva da medida.
 

No caso do setor agropecuário, a estimativa anterior era de uma renúncia de R$ 403 milhões. A atual é de R$ 1,1 bilhão (aumento de 182%). Nos setores de comércio e reparação de automóveis, que respondem por mais da metade da renúncia fiscal paulista, a comparação entre expectativas cresceu 44%, saltando de R$ 29,2 bilhões para R$ 42 bilhões— uma diferença de R$ 13 bilhões, o equivalente a seis vezes o valor reservado a investimentos na Educação neste ano.
 

No sentido oposto, as renúncias que mais caíram foram nas atividades administrativas (42%), atividades financeiras (52%) e informação e comunicação (96%). A queda, contudo, é compensada pelos setores em que houve aumento.
 

Ao comentar a revisão, a Secretaria da Fazenda e Planejamento afirmou, em nota, que "nenhum dos benefícios renovados foi majorado". Ou seja, não houve aumento nos percentuais de isenção.
 

Sobre a previsão de crescimento dos benefícios na LDO, a secretaria defendeu a efetividade da medida e apresentou outros cálculos, com uma projeção de que, sem elas, a renúncia fiscal em 2026 subiria para R$ 88 bilhões —dado que não consta em nenhum documento anterior.
 

A estimativa considera dados de arrecadação e renúncia observados ao longo do ano, após a elaboração da LDO. Segundo a secretaria, o programa fará com que as isenções fiquem equivalentes a 30% da arrecadação. No ano passado, elas representaram 34%.
 

"Se eu não tivesse feito o movimento em dezembro de 2024, com a revisão dos benefícios e a não renovação de 80 deles, eu obrigatoriamente teria que manter aquele universo [anterior de despesas]", disse o secretário-executivo da Fazenda e Planejamento, Rogério Campos, ao apresentar o novo valor.
 

O argumento, contudo, é criticado por parlamentares de oposição ao governo que analisam a LDO. "Os números são claros: as renúncias aumentaram mais que a receita tributária de um ano para o outro. Se houve revisão, ela foi ineficaz", disse o deputado Paulo Fiorilo (PT).

Receita volta a receber declarações do Imposto de Renda 2025 com multa para quem atrasou

  • Por Cristiane Gercina | Folhapress
  • 02 Jun 2025
  • 09:00h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Receita Federal volta a receber declarações do Imposto de Renda 2025 a partir das 8h desta segunda-feira (2). O serviço de recepção do IR foi interrompido no final de semana, após o fim do prazo para entregar o documento, às 23h59 de sexta (30).

O contribuinte que está obrigado a declarar e perdeu o prazo —entre 17 de março e 30 de maio— terá de enviar o IR em atraso e pagar multa. O valor varia de R$ 165,74 a 20% do imposto devido no ano. É o fisco quem determina a penalidade.

A Receita esperava receber 46,2 milhões de declarações, mas o número ficou abaixo, em 43,3 milhões. Do total, mais da metade foram pré-preenchidas (50,3%), 55% dos declarantes usaram o modelo simplificado de tributação e 56,4% têm imposto a restituir.

Para declarar, o contribuinte pode baixar o PGD (Programa Gerador da Declaração) no computador ou optar por fazer a declaração no aplicativo da Receita ou online, no e-CAC (Centro de Atendimento Virtual), em Meu Imposto de Renda.

O cidadão precisa informar todos os ganhos e gastos de 2024, além de bens e direitos em seu nome e de seus dependentes, se houver.

É preciso ainda ficar atento às regras da Receita para não cometer erros que possam levar à malha fina. Quem cai na chamada malha fiscal e tem restituição a receber não consegue acesso ao dinheiro até que corrija da falha.

Já o contribuinte que vai pagar imposto tem mais prejuízo se cair na malha, porque pode ser que o erro cometido gere mais IR a pagar e esse pagamento costuma ser feito com juros e correção. Além disso, é possível ser multado se a Receita entender que o cidadão omitiu informações.

A multa mínima de R$ 165,74 —ou outro valor caso seja definido pelo fisco— será descontada da restituição, no caso de quem tem imposto a receber. Para quem tem IR a pagar, será acrescida e o Darfs (Documentos de Arrecadação de Receitas Federais) serão gerados.

As fichas a serem preenchidas na declaração vão depender do que o contribuinte tem. A principal delas é a de identificação, pois é onde estarão dados básico como nome completo, número do CPF, endereço e ocupação principal. Se houver algum erro ou esquecer de prestar alguma informação, não consegue enviar a declaração.

Para correr menos risco de errar, o cidadão pode optar pela declaração pré-preenchida, que traz os dados pré-preenchidos, como rendimentos recebidos, conta bancárias, informações prestadas no ano anterior e outros, que podem facilitar o envio do IR.
 

É preciso informar se tem dependentes, listá-los na declaração e dizer seu grau de dependência, se filho, enteado, pai, mãe ou avô, por exemplo. A ficha seguinte é a de rendimentos tributáveis recebidos de empresas, como renda de salário ou aposentadoria.
 

Há ainda mais fichas de rendimentos, como as que se referem a valores pagos por pessoas físicas, a de rendimentos isentos e a de rendimentos recebidos acumuladamente.
 

Os gastos com saúde, educação, previdência privada e pensão alimentícia, entre outros que são dedutíveis do IR, vão na ficha "Pagamentos Efetuados" e, contas em banco, investimentos, carros e imóveis devem ser declarados em "Bens e Direitos".
 

Quem declara online ou pelo aplicativo encontra fichas com outros nomes. Além de pequenas diferenças ao informar dados referentes aos imóveis.
 

Depois de preencher todo o IR, é preciso conferir as informações e escolher a melhor tributação, se por deduções legais ou por desconto simplificado. Por fim, o cidadão deve ir em "Verificar pendências" para corrigir o que impede o envio da declaração. Os avisos amarelos não impedem, os vermelhos, sim.
 

Ao estar com tudo correto, o contribuinte deve buscar o botão "Enviar declaração". Caso não tenha preenchidos os dados bancários, eles serão solicitados. Quem escolher receber por Pix e também tiver optado pelo modelo pré-preenchido entra na fila de preferência para ter a restituição.
 

A restituição do IR é paga em cinco lote, de maio a setembro. O primeiro deles já foi liberado, no dia 30 de maio, último dia para declarar o Imposto de Renda 2025 sem pagar multa. Quem teve desconto de imposto em 2024 e não estava obrigado a prestar contas pode entregar a declaração a qualquer tempo e receber a restituição.
 

*
 

VEJA A ORDEM DE PRIORIDADE DA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA 2025
 

1 - Idoso com 80 anos ou mais
 

2 - Idoso com 60 anos ou mais, e pessoa com deficiência e com doença grave
 

3 - Contribuintes cuja maior fonte de renda é o magistério
 

4 - Contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e optaram por receber a restituição por Pix
 

5 - Contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida ou optaram por receber a restituição por Pix
 

6 - Demais contribuintes
 


 

CONFIRA O CALENDÁRIO DA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA 2025
 

Lote - Data de pagamento
 

1º lote - 30 de maio
 

2º lote - 30 de junho
 

3º lote - 31 de julho
 

4º lote - 29 de agosto
 

5º lote - 30 de setembro
 


 

QUAL O VALOR DAS DEDUÇÕES DO IR?
 

Alguns gastos no ano garantem dedução no Imposto de Renda, isso faz com que o cidadão pague menos imposto ou tenha uma restituição maior.
 

- Dedução por dependente: R$ 2.275,08 (valor mensal de R$ 189,59)
 

- Limite anual de despesa por com educação: R$ 3.561,50
 

- Limite anual do desconto simplificado (desconto-padrão): R$ 16.754,34
 

- Para despesas de saúde devidamente comprovadas não há limite de valores
 

- Cota extra de isenção para aposentados e pensionistas a partir de 65 anos: R$ 24.751,74 (12 parcelas de R$ 1.903,98 mais o 13º no mesmo valor)
 


 

QUEM DEVE DECLARAR O IMPOSTO DE RENDA 2025?
 

- Quem recebeu rendimentos tributáveis —como salário e aposentadoria— a partir de R$ 33.888
 

- Cidadão que recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como rendimento de poupança ou FGTS) acima de R$ 200 mil
 

- Contribuinte que teve ganho de capital (ou seja, lucro) na alienação (transferência de propriedade) de bens ou direitos sujeitos à incidência do imposto; é o caso, por exemplo, da venda de imóvel com valor maior do que o pago na compra
 

- Contribuinte com isenção do IR sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguida de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias
 

- Quem realizou vendas na Bolsa de Valores que, no total, superaram R$ 40 mil, inclusive se isentas. E quem obteve lucro com a venda de ações, sujeito à incidência do imposto. Valores até R$ 20 mil são isentos
 

- Cidadão que tinha, em 31 de dezembro, posse ou propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, acima de R$ 800 mil
 

- Contribuinte que obteve receita bruta na atividade rural em valor superior a R$ 169.440 ou quer compensar prejuízos de anos anteriores ou do próprio ano-calendário
 

- Quem passou a morar no Brasil em 2024 e encontrava-se nessa condição em 31 de dezembro
 

- Contribuinte que optou por declarar bens, direitos e obrigações detidos por offshores
 

- Titular de trust e demais contratos regidos por lei estrangeira
 

- Quem optou por atualizar o valor de imóveis com o pagamento de imposto menor instituído em dezembro de 2024
 

- Contribuinte que obteve rendimentos em capital aplicado no exterior em aplicações financeiras ou lucros e dividendos de entidades controladas
 

Brumado: Vereadores Alípio “Porrada” e Vanderlei “Boca” são bem avaliados em pesquisa da Dataqualy

  • Brumado Urgente
  • 02 Jun 2025
  • 07:11h

Foto: Reprodução

Os vereadores da base aliada ao prefeito Fabrício Abrantes (AVANTE), foram bem avaliados conforme pesquisa da empresa Dataqualy. De acordo com informações obtidas pela Redação do Brumado Urgente, Alípio “Porrada” (PP) e Vanderlei “Boca” (AVANTE), respectivamente, foram ao mais bem avaliados pela população entre os 15 vereadores da Câmara Municipal de Brumado.

A pesquisa de opinião pública que foi realizada entre os dias 10 a 14 de maio deste ano, reflete as primeiras impressões de uma Câmara Municipal que passou por um processo de renovação na última eleição. 


Os Edis Alípio e Vanderlei, têm em seu DNA, uma forma austera de fazer política, onde as visitas as suas bases eleitorais são feitas dia a dia. Seja ouvindo a população, seja acompanhando e fiscalizando obras por todo o município, os dois vereadores não param, nem mesmo aos finais de semana, fazendo um trabalho intenso e vigoroso em todos os rincões do município.


A pesquisa foi realizada com 407 entrevistas presenciais e estruturadas, com base em dados do IBGE e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A margem de erro é de 4,8 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Avião de Rionegro e Solimões sai da pista após falha em decolagem no interior de SP

  • Bahia Notícias
  • 01 Jun 2025
  • 16:05h

Um avião que transportava a dupla sertaneja Rionegro e Solimões sofreu um incidente na tarde desta sexta-feira (30), durante a decolagem em Franca, interior de São Paulo. Um dos pneus estourou e a aeronave saiu da pista, parando em uma área de vegetação próxima ao aeroporto.

 

Segundo a assessoria, o voo seguia para Alto Paraíso (GO) e transportava os cantores, assessores e dois pilotos. O problema ocorreu por volta das 15h20. “Graças a Deus, todos os ocupantes estão bem e não houve feridos”, informou a equipe da dupla.

 

Por conta do ocorrido, o show que aconteceria nesta noite em Teresina de Goiás foi adiado. Uma nova data será divulgada em breve. A dupla agradeceu o apoio do público, da equipe e dos parceiros pela compreensão.

Contra IOF, cúpula da Câmara quer rever pisos de saúde e educação e limitar dedução médica no IR

  • Por Adriana Fernandes | Folhapress
  • 01 Jun 2025
  • 14:03h

Foto: Reprodução

O cardápio de medidas em estudo pela cúpula da Câmara dos Deputados para substituir a alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) inclui a desvinculação dos pisos de saúde e educação, limitar as deduções do Imposto de Renda de despesas médicas e uma maior taxação das fintechs, além das bets.
 

De acordo com interlocutores, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avalia que o impasse gerado pelo aumento do IOF sobre crédito, câmbio e seguro para arrecadar R$ 61,5 bilhões em 2025-2026 gerou o ambiente necessário para avançar na agenda de recuperação das contas públicas e garantia da sustentabilidade do arcabouço, a regra fiscal aprovada em 2023.
 

Embora sejam medidas consideradas impopulares, a avaliação é que será politicamente mais difícil esperar para agir na véspera das eleições do ano que vem. A constatação é que o quadro das contas públicas tornará ingovernável o país a partir de 2027, independentemente de quem ganhar as eleições para a Presidência da República.
 

A lista do presidente da Câmara inclui também um corte de isenções fiscais a serem ainda definidas e a aprovação da reforma administrativa. Essa última medida é vista como uma agenda com efeito no médio prazo, mas necessária.
 

A ideia é fazer um mix de medidas, que possam ser percebidas como estruturantes e permanentes para enfrentar problemas como o crescimento, por exemplo, das despesas com BPC (Benefício de Prestação Continuada) e dos precatórios (sentenças judiciais).
 

O rebaixamento da perspectiva do rating soberano do Brasil de positiva para estável pela agência de classificação de risco Moody's Ratings intensificou a necessidade de aprovar novas medidas. Para justificar o recuo, a agência citou o aumento expressivo do custo da dívida pública, a rigidez das despesas públicas e o ritmo mais lento que o esperado na construção de credibilidade da política fiscal, apesar do cumprimento das metas fiscais.
 

Algumas das medidas incluídas na lista já chegaram a ser discutidas pelos ministérios da Fazenda e Planejamento, mas não receberam sinal verde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas discussões internas do governo. É o caso dos pisos de saúde e educação e da limitação das despesas médicas. A mudança nos pisos seria um primeiro passo para outras desvinculações na tentativa de tornar o Orçamento da União menos engessado, na avaliação de aliados de Motta.
 

Os pisos de saúde e educação estão previstos na Constituição. O primeiro equivale a 15% da RCL (receita corrente líquida), enquanto o segundo representa 18% da RLI (receita líquida de impostos).
 

O governo Lula já indicou no PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2025, enviado ao Congresso em abril passado, que faltará verba no Orçamento para cumprir os pisos em 2027, em mais um indício do risco de insustentabilidade do arcabouço fiscal e de apagão nas políticas públicas.
 

O presidente da Câmara não descarta a possibilidade de enfrentar um cenário de corte de emendas parlamentares, uma vez que sem a arrecadação do IOF o governo teria que cortar R$ 12 bilhões de emendas. Essa ponto é visto com descrença por integrantes do governo.
 

A reforma administrativa com viés fiscal também sofre resistências dentro do governo e dos partidos de esquerda. Eles não querem associar a reforma de Estado a um pacote de ajuste fiscal de corte de despesas. No caso fintechs, há a leitura do presidente da Câmara de que essas empresas têm uma tributação mais baixa do que os bancos tradicionais.
 

As discussões de medidas ganharam espaço após o Congresso dar um prazo de 10 dias para o governo apresentar uma alternativa ao decreto do IOF e evitar a sua derrubada por meio da votação de um decreto legislativo. Pelos cálculos de lideranças, a Câmara tem perto de 400 votos para derrubar o decreto do IOF.
 

Motta avisou a integrantes do governo que uma tentativa de judicialização do decreto do IOF iria piorar muito o ambiente na Casa. Ele também já sinalizou a aliados que o Brasil não pode perder essa janela de oportunidade de fazer as mudanças em razão também do cenário internacional mais tenso.
 

*
 

VEJA O CARDÁPIO DE MEDIDAS EM DISCUSSÃO NA CÂMARA:
 

- Desvinculações de piso de saúde e educação
 

- Limitação das deduções de despesas médicas no IR
 

- Revisão de incentivos tributários
 

- Aumento da tributação das bets
 

- Maior taxação das fintechs
 

- Reforma administrativa

"Hoje o Bahia joga contra qualquer time", afirma Rogério Ceni após triunfo sobre o São Paulo

  • Por Bia Jesus I Bahia Notícias
  • 01 Jun 2025
  • 12:14h

Foto: Maurícia da Matta / Bahia Notícias

Em noite inspirada de Willian José, o Bahia venceu o São Paulo por 2 a 1 neste sábado (31), na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, e voltou ao G-6 do Campeonato Brasileiro. Autor dos dois gols da equipe, o atacante foi o grande destaque da partida, que também marcou a primeira vitória do técnico Rogério Ceni sobre o clube onde é ídolo como treinador.

 

Na entrevista coletiva após o jogo, Ceni elogiou o desempenho do time, especialmente na primeira etapa, apesar da ausência de gols nos 45 minutos iniciais.

 

"Um jogo bem jogado, o primeiro tempo excepcional, muito bem jogado. No segundo tempo a gente fez os gols, depois veio o pênalti que deixou o time um pouco nervoso. É onde o São Paulo começa a chegar", analisou.

 

O treinador também comentou sobre a estratégia adotada nas substituições e o desgaste físico de alguns jogadores. “Everton cansou, e entrou Michel para fazer a função dele. Ademir voltando de lesão, Caio cansou um pouco. [...] A ideia era manter a característica do jogo, com mais força física.”

 

Rogério ainda destacou a atuação de Willian José, que foi decisivo não apenas pelos gols, mas também por sua movimentação tática.

 

"Ele jogou muito bem. Não só pelos gols. Hoje ele saiu mais da área porque o São Paulo tentou fazer uma marcação individual. [...] Acho que ele foi muito bem no jogo, claro que os gols também contam muito. Hoje teve uma qualidade técnica diferenciada", afirmou.

 

Ao final da coletiva, Ceni voltou a lamentar a eliminação na Libertadores, mas reforçou a evolução do Bahia e a competitividade da equipe no cenário nacional.

 

"É frustrante para nós também, era palpável a possibilidade de estar nas oitavas. Eu queria ser campeão da Libertadores, campeão de tudo, mas é preciso entender que tudo tem seu tempo, é um processo [...] Hoje o Bahia joga contra qualquer time, nem sempre ganha, mas está ali competindo. Todos querem o Bahia campeão, eu também quero. Se não for comigo, vai ser com o próximo. Tomara que não demore", concluiu.

 

O próximo compromisso do Bahia será nesta quarta-feira (4), contra o Confiança, em jogo atrasado da quinta rodada da Copa do Nordeste. A partida será realizada no Estádio Batistão, em Aracaju, às 19h.

PF apreende semissubmersível no Pará que transportaria drogas à Europa

  • Por Folhapress via Bahia Notícias
  • 01 Jun 2025
  • 09:56h

Foto: Divulgação

Uma ação conjunta da Polícia Federal com a Marinha do Brasil e a FAB (Força Aérea Brasileira) apreendeu hoje um semissubmersível no Pará que seria utilizado para o transporte de cocaína para a Europa.
 

Operação ocorreu na Ilha do Marajó. Segundo a PF, essa é a primeira vez que uma embarcação desse tipo é apreendida pela corporação, o que coloca a polícia em alerta para a evolução das estratégias usadas em crimes.
 

Embarcação similar tinha sido encontrada em Portugal. A ação de hoje decorre de investigações relacionadas à apreensão de um submersível parecido nas águas do país em março. Apuração da polícia indica que os dois equipamentos foram fabricados na mesma região do Pará com a finalidade de viabilizar o tráfico de entorpecentes pelo Atlântico.
 

Apreensão contou com ajuda internacional. As forças brasileiras identificaram e localizaram a embarcação por meio da troca de informações de inteligência, com colaboração da Polícia Nacional da Espanha, da Polícia Judiciária de Portugal e da Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos. As entidades vêm atuando com a Polícia Federal para enfrentar organizações criminosas transnacionais envolvidas no tráfico internacional de drogas.
 

Diferença entre submarino e submersível
 

Apesar das semelhanças, um submarino é autônomo. Ele tem a capacidade de ficar mais tempo submerso e pode fazer viagens de meses apenas com alguns breves retornos à superfície para captar ar. Ele também é maior e se move mais rapidamente, cobrindo grandes distâncias, com algum tipo de gerador de energia a bordo —os mais potentes são nucleares.
 

Submersível não é autônomo. Ele depende de um navio, com sistemas de navegação para orientar sua viagem remotamente e de uma plataforma de apoio, submersa a cerca de dez metros, para conseguir descer até o local e retornar à superfície.

Câmara e Senado mantêm cargos obsoletos com salários de até R$ 32 mil

  • Por Luany Galdeano | Folhapress
  • 01 Jun 2025
  • 08:07h

Foto: Divulgação

Ao menos 224 servidores do Senado e da Câmara dos Deputados ocupam cargos obsoletos, como operador de máquinas e agente de encadernação, com salários de até R$ 32 mil –cifra similar ao que ganha um auditor da Receita Federal.
 

Do total de servidores em cargos obsoletos, 92% entraram no Legislativo há mais de 25 anos, em uma época em que concursos públicos com direito à estabilidade eram o padrão para ingressar no setor. Com isso, funções que hoje são de terceirizados ou temporários, como condutor de veículos, foram ocupadas por profissionais concursados.
 

Essas carreiras já entraram em processo de extinção e, portanto, os cargos vagos não terão novos servidores e serão encerrados ou redistribuídos para outras áreas.
 

Mas, enquanto isso não ocorre, esses profissionais permanecem atuando com direito à estabilidade. É o caso dos operadores de máquinas, carreira que entrou em processo de extinção em 2004 após resolução da Câmara, mas que ainda conta com 83 servidores –parte deles com salários de R$ 23 mil. Os dados são do portal da transparência da Câmara e do Senado.
 

Em nota, a Câmara dos Deputados afirma que funcionários efetivos de cargos em extinção podem ser lotados em qualquer unidade administrativa e, por isso, não necessariamente desempenham atividades nominais da carreira.
 

A Câmara diz ainda que na última resolução, de 2023, criou atribuições comuns a todos os cargos, incluindo elaboração de relatórios e exercício de atividades relacionadas à gestão de pessoas.
 

Já no Senado, há sete carreiras em processo de extinção, mas que ainda são ocupadas por servidores, incluindo técnico de edificações e auxiliar de processo industrial gráfico. No caso desta última, embora seja uma função de nível auxiliar, há profissionais com salários de R$ 25 mil.
 

Entre os cargos que serão extintos, há os de profissionais da saúde, incluindo técnico em radiologia e nutricionista, ambos com renda média de R$ 24 mil. O Senado afirma, em nota, que os cargos são extintos para dar maior eficiência à administração do órgão. Os servidores continuam exercendo as mesmas atribuições, segundo a instituição, e seus salários estão de acordo com o padrão da carreira.
 

"Cargos como radiologista ou nutricionista não precisam de uma estrutura no Estado e podem ser prestados de forma terceirizada ou contratada. Foram criados no passado, por necessidade da época, mas vão se perpetuando ao longo do tempo", afirma Bruno Carazza, professor associado da FDC (Fundação Dom Cabral).
 

O professor diz que a existência de carreiras ultrapassadas é um problema que existe em toda a administração pública, já que a estrutura de cargos no setor demora a se adaptar às mudanças tecnológicas.
 

No Executivo, por exemplo, pelo menos 10 mil servidores ocupam funções obsoletas, como datilógrafo e operador de telex, segundo dados do painel estatístico de pessoal do governo federal.
 

Mesmo em processo de extinção, esses servidores conseguem manter salários elevados e outros benefícios, ainda que não exerçam funções comissionadas.
 

"No Legislativo, o problema é equiparar atribuições que sejam muito diferentes entre si na mesma tabela remuneratória", afirma Vera Monteiro, professora de direito administrativo da FGV (Fundação Getulio Vargas) e conselheira da República.org, instituição voltada à gestão de pessoas no setor público.
 

No Senado, por exemplo, há ao menos um assistente de plenário e portaria, função de nível técnico em processo de extinção, com salário de R$ 32 mil. A cifra é igual ou superior ao que recebem policiais legislativos federais e técnicos em administração, ambas do mesmo nível.
 

Servidores do Legislativo têm uma média salarial elevada devido ao poder de articulação e a proximidade com tomadores de decisão, assim como ocorre no Judiciário e com a elite do Executivo, de acordo com Bruno Carazza, da FDC.
 

"Toda a tramitação dos projetos, questões orçamentárias e o próprio dia a dia [dos parlamentares] depende dessas carreiras, então elas conseguem barganhar uma estrutura salarial diferenciada."
 

Segundo Vera Monteiro, da FGV, flexibilizar as formas de contratação no setor público é uma forma de evitar a manutenção de carreiras que podem chegar a ser obsoletas. Adotar o regime celetista, por exemplo, permitiria dispensar profissionais em funções que já não estão de acordo com as demandas do governo.
 

"A gestão é pouco flexível, o que importa para o ônus relacionado à previdência pública e para a dificuldade da demissão no caso de atividades que não necessariamente demandam um vínculo permanente.

Governo vai pedir à China que reconheça Brasil como país livre de febre aftosa

  • Por André Borges | Folhapress
  • 31 Mai 2025
  • 14:44h

Foto: Divulgação / Ministério da Agricultura

O governo brasileiro, por meio do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), pretende pedir às autoridades chinesas o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa, sem vacinação. Isso significa que o território nacional conseguiu eliminar a circulação do vírus da febre aftosa de forma eficaz, que não precisa mais aplicar vacinas para manter a doença sob controle.

Na quinta-feira (29), o Brasil foi declarado livre de febre aftosa, sem vacinação, pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal). É essa a decisão que, nesta sexta-feira (30), mobilizou a embaixada do Brasil em Pequim, para sugerir um pedido formal à Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) e ao Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.

Atualmente, o governo chinês mantém algumas barreiras sanitárias regionais à carne bovina brasileira, o que impede a retomada plena das exportações nacionais. A situação é diferente da carne do frango, que, desde 16 de maio, teve as exportações suspensas em todo o país e assim permanece, até que o Brasil comprove que está livre da gripe aviária.

O governo brasileiro já havia recebido uma missão técnica chinesa em março de 2024, com o objetivo de verificar os controles sanitários do país em relação à carne bovina. Apesar de a visita ter sido avaliada como positiva, a autoridade aduaneira chinesa pediu, em setembro do ano passado, algumas "informações adicionais", o que contrariou o entendimento anterior, que reconhecia não haver mais pendências do lado brasileiro.

Em abril deste ano, o governo brasileiro enviou mais informações técnicas à China, com detalhes sobre os programas de erradicação e vigilância da febre aftosa. Ainda assim, nenhuma decisão foi tomada até o momento.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne bovina, atrás dos Estados Unidos, e líder nas exportações. No ano passado, foram colocados 2,9 milhões de toneladas no mercado externo, com receitas de US$ 12,9 bilhões, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

A China foi o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil em 2024, com 41,5% do volume total exportado. No total, foram exportadas 1,33 milhão de toneladas de carne bovina brasileira para o mercado chinês, uma alta de 9,8% no volume em relação a 2023, segundo dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Já a exportação de carne de frango do Brasil, maior exportador mundial, passou a cair 1,5% em maio no acumulado até a quarta semana do mês, após o país registrar seu primeiro caso de gripe aviária em granja comercial, o que resultou em embargos diversos de importantes importadores.

Na última quinta-feira (22), o país entrou em período decisivo de 28 dias para se autodeclarar livre de gripe aviária, caso nenhum outro caso seja registrado, após um trabalho de desinfecção da granja onde um primeiro caso em criação comercial no país foi detectado.

O governo brasileiro já espera, do governo chinês, uma flexibilização do embargo ao frango, saindo da restrição nacional para a regional, limitada ao Rio Grande do Sul ou ao município gaúcho de Montenegro, onde o surto em uma granja comercial foi confirmado.

A diplomacia nacional também passou a negociar com a União Europeia a regionalização do embargo às exportações de frango brasileiro. Desde o início da crise da gripe aviária, em 16 de maio, o bloco que envolve 27 países paralisou as importações de todo território nacional, conforme protocolo que o Brasil mantém com a região. A situação, que inclui quase 20 países de outras regiões, permanece inalterada desde então.

 

Motta vai pedir a Lula que suspenda já alta de IOF de operações de risco sacado

  • Por Adriana Fernandes | Folhapress
  • 31 Mai 2025
  • 12:43h

Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vai pedir ao presidente Luiz Inácio Lula (PT) que o governo suspenda o início da cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações conhecidas como risco sacado.
 

A suspensão valeria até o governo apresentar ao Congresso uma alternativa ao decreto de alta do imposto no prazo de dez dias. Esse prazo foi dado pela cúpula do Legislativo para não colocar em votação o projeto de derrubada do decreto do IOF.
 

Motta pretende falar com Lula, neste fim de semana, porque a alta do IOF para as operações de risco sacado entram em vigor no dia primeiro de junho, de acordo com interlocutores do presidente da Câmara.
 

Nesse tipo de operação, o fornecedor antecipa o valor que tem a receber. A empresa que compra (o "sacado") assume a responsabilidade de pagar o valor ao banco no prazo combinado. O risco sacado é uma alternativa para empresas que querem facilitar o pagamento aos fornecedores e também para os fornecedores que precisam de dinheiro mais rápido.
 

É uma das medidas mais polêmicas do decreto elaborado pelo Ministério da Fazenda. Antes do decreto, não havia cobrança do IOF nesses operações. Com a mudança, o teto da alíquota chegará a 3,95%. Representantes dos setores mais afetados pelo cobrança do IOF calculam uma elevação de 56,79% no custo efetivo de taxa de juros nesse tipo de operação, que costuma ter prazo de 60 dias.
 

Essa linha funciona com um canal de liquidez para os fornecedores de empresas do varejo, óleo e gás, alimentos, mineração, agronegócio, celulose, farmacêutico, automóveis e e siderurgia. A expectativa de arrecadação é de R$ 8 bilhões só com a cobrança do risco sacado --um mercado de crédito de R$ 120 bilhões a R$ 130 bilhões.
 

O presidente da IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo), Jorge Gonçalves Filho, disse à Folha de S.Paulo temer pelo tamanho do impacto na medida na próxima segunda-feira nesse mercado. "É uma dificuldade muito grande, toda a parte operacional, a parte financeira, está todo mundo muito preocupado", afirmou.
 

Segundo ele, os fornecedores contam muito com essas operações no negócio do varejo. "Ele consegue uma boa condição comercial para o custo do produto que vai ser vendido e um prazo de 30 dias, 60 dias", destacou. Para ele, a alta acabará tendo um reflexo no preço do produto que ele oferece para o varejista, que será obrigado a repassar no custo da venda.
 

"Considerando que o risco sacado é uma operação que é renovada várias vezes durante o ano, dependendo do prazo médio, o custo adicional do recurso poderá variar de 40% até superar os 100% em um ano. É um aumento proibitivo no custo do crédito, algo que sufoca mais ainda o caixa das empresas, além do atual nível elevado da Selic."
 

No anúncio da medida, o governo apresentou a justificativa de que a cobrança do IOF nas operações de risco sacado visavam garantir isonomia e justiça fiscal, evitando distorções no sistema. Integrantes do Ministério da Fazenda falam em fechamento de brechas tributárias, que permitiram, por exemplo, o uso dessas operações pelas Lojas Americanas.
 

A empresa deixou de fora essas operações do seu balanço. A prática foi revelada após o escândalo das Americanas. A fraude, descoberta em janeiro de 2023, envolveu a manipulação de dados financeiros para mascarar uma dívida bilionária e foi atribuída a uma antiga diretoria da companhia.
 

Mas avaliação de que se trata de um caso de fraude e não de brecha tem sido colocada na mesa nas conversas de representantes dos setores afetados pela medida com as lideranças partidárias, de acordo com pessoas a par das negociações ouvidas pela Folha de S.Paulo.
 

Outra preocupação é com o aumento do IOF para o crédito das empresas. O custo efetivo das taxas de juros das operações de crédito de capital de giro de curto prazo terão um aumento em média entre 14,5% e 39% com a elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), de acordo com cálculos entregues ao governo e às lideranças do Congresso Nacional pelas entidades dos setores afetados pela medida.
 

Numa operação de empréstimo de 30 dias, o custo da operação terá uma variação anual de 8,32 pontos percentuais na taxa de juros. Para essas empresas, é como se a taxa Selic tivesse subido dos atuais 14,75% para 23,97% de um dia para o outro. Nos empréstimos de 120 dias, o aumento do custo é de 3,20 pontos porcentuais.
 

Os dados foram apresentados para sustentar a avaliação de que o impacto da medida será muito pesado, já que o IOF incide sobre cada operação. Por exemplo, se uma empresa renovar a cada 30 dias a linha de crédito, haverá nova incidência do IOF sobre o total da operação.
 

O argumento levado aos parlamentares e a integrantes do Ministério da Fazenda é que o choque da alíquota do IOF afetará toda a economia brasileira.
 

Num financiamento de capital de giro, por exemplo, com o novo IOF uma operação de R$ 100 mil com prazo de quatro meses o custo irá para 27,40% ao ano, contra 23,68% antes da nova alíquota baixada no dia 22 de maio em decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
 

Um salto de R$ 1.065,61 (14,5%), passando de R$ 7.341,21 para R$ 8.406,83. Caso a empresa renove o empréstimo ao longo do ano, o custo anual aumentará R$ 3.196,84.
 

Os cálculos foram feitos com base na taxa média desses empréstimos divulgada pelo Banco Central referente a março deste ano. Os empréstimos de capital de giro são uma modalidade muito comum usada pelas empresas.
 

Após a edição do decreto, as grandes confederações e associações das empresas do setor produtivo divulgaram um manifesto pedindo ao Congresso para derrubar a medida. O presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, entregou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, propostas alternativas ao decreto do IOF.
 

IMPACTO DO AUMENTO DO IOF NO CRÉDITO PARA AS EMPRESAS
 

Linha de capital de giro de curto prazo (120 dias)
 

Custo do IOF antes da mudança: 0,38% + 0,0041% ao dia ou 0,49% = 0,87%
 

Custo do IOF após a mudança: 0,95% +0,0082% ao dia ou 0,99% = 194%
 

Aumento da alíquota de 122%= 1,07 ponto percentual

Governo cria 'sala de enfrentamento' para evitar caos com estiagem, mas não define orçamento

  • Por André Borges | Folhapress
  • 31 Mai 2025
  • 10:40h

Foto: Emanuel Cavalcante/Divulgação Embrapa Amapá

O governo federal criou uma "sala de enfrentamento da estiagem da Amazônia Legal e Pantanal" para lidar com a nova temporada de seca, que tem início na maior parte do país.
 

O objetivo é articular, com a participação de diversos ministérios e órgãos públicos, ações que evitem o caos que a falta d’água causou em grande parte das regiões Norte e Centro-Oeste em 2024. O orçamento para lidar com essas medidas emergenciais, porém, ainda é uma incógnita.
 

A Casa Civil da Presidência, que atua como a gestora desse grupo, não dá informações sobre gastos previstos com as medidas. O MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional) afirma que não há "um valor pré-definido".
 

A dimensão dos estragos que a seca tem causado ao meio ambiente e à vida de milhares de pessoas, no entanto, já foi apurado, além da reincidência desses casos em diversos municípios do país, uma situação que, segundo especialistas em ações socioambientais, poderia levar a projetos de prevenção, em vez de reação a esses problemas.
 

A reportagem teve acesso a um levantamento sobre diversas frentes de assistência humanitária emergencial que tiveram de ser adotadas em 2024 por diversas pastas, período que, conforme dados do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), registrou a seca mais extensa do país desde 1950, afetando cerca de 58% do território nacional, o equivalente a aproximadamente 5 milhões de km².
 

No ano passado, os gastos do MIDR com cestas de alimentos enviadas a regiões necessitadas chegaram a R$ 99,9 milhões, contra R$ 68,6 milhões em 2023. Entre os dois anos, o número de municípios atendidos saltou de 94 para 145 cidades. Em 83 delas, o problema foi recorrente.
 

A distribuição de água potável, que em 2023 chegou a 81 municípios, subiu para 135 localidades no ano passado. Os gastos saíram de R$ 26,2 milhões para R$ 33,3 milhões em 2024. A recorrência foi confirmada em 71 municípios.
 

Na logística, incluindo medidas de distribuição de combustíveis e transporte, o número de 86 municípios chegou a 132 no ano passado, mantendo um gasto médio de R$ 20 milhões por ano com essas ações. Em 70 municípios, o problema se repetiu entre os dois anos.
 

No caso do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), os gastos com cestas básicas emergenciais saltaram de R$ 15,3 milhões em 2023 para R$ 72 milhões no ano passado.
 

No total, as medidas tomadas pelos ministérios custaram R$ 363,5 milhões nos últimos dois anos. Invariavelmente, esses recursos dependeram de repasses extraordinários, por não estarem previstos antecipadamente no orçamento federal.
 

"O governo tem tomado medidas para enfrentar os problemas, mas essa dependência de repasses extraordinários não permite a antecipação. Então, ficamos aguardando o pior acontecer, quando deveria haver, no planejamento formal, uma previsão de valores", diz Fábio Ishisaki, assessor de políticas públicas do Observatório do Clima.
 

"Nesta sistemática, é preciso que um município peça que seja reconhecida a sua situação de emergência ou calamidade pública, para que isso seja, então, declarado, e só depois o repasse é feito."
 

O MIDR declarou que, apesar de não contar com um orçamento prévio, está em andamento a elaboração de um "plano de enfrentamento" à estiagem, sob coordenação da Casa Civil, que pretende mapear as possíveis demandas e volumes das populações afetadas.
 

"Cabe ressaltar que a ação federal dependerá da magnitude do evento e da capacidade de resposta dos municípios e estados afetados, uma vez que os nossos recursos são de natureza complementar", afirmou a pasta.
 

A Casa Civil informou que, em reunião realizada no dia 20 de maio, foi apresentado o plano de enfrentamento à estiagem que vai "mapear as possíveis demandas, de forma coordenada entre as agências federais, sobretudo para emprego de pronta resposta às populações afetadas pelo evento adverso, em complementação aos recursos disponibilizados pelos entes federados, de modo a garantir inexistência de sobreposição de atividades e lacunas nos atendimentos".
 

Para Alessandro Cardoso, assessora política do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), o fato de o governo recorrer a recursos extraordinários para bancar essas ações deve-se, também, a uma estratégia financeira, dado que pedidos emergenciais não entram nos limites dos gastos públicos, já estrangulados pelo ajuste fiscal da União.
 

"Dada a situação fiscal e as amarras do arcabouço fiscal, essa acaba sendo uma forma de responder a esses eventos extremos, por meio desses créditos extraordinários. Pode não ser o cenário ideal, mas vemos que o governo tem buscado saídas para lidar com essas situações sem deixar a população desassistida."
 

As chuvas do verão, que chegaram ao fim em março, não foram suficientes para recuperar o estoque hídrico do solo, afirma o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Com o solo maltratado nos últimos dois anos pelas secas e incêndios florestais, que têm atingido com mais frequência os biomas amazônia, cerrado e o pantanal, a umidade insuficiente pode acarretar novos problemas na época de estiagem, piorando a seca, que foi recorde no país em 2024.
 

Entre dezembro de 2024 e fevereiro deste ano, o déficit de precipitações em relação à média, na porção mais ao norte do pantanal, norte de Mato Grosso, Rondônia, parte leste do Acre e sudoeste do Pará, foi de 200 mm, quando a média climatológica do período é 500 mm e 700 mm.

Pesquisa revela que 86% dos brasileiros discordam do aumento do IOF promovido pelo governo Lula

  • Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
  • 31 Mai 2025
  • 08:38h

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Dois dias depois de os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), darem um ultimato ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para cancelar o decreto que elevou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Realtime Big Data revelou que numerosa maioria dos brasileiros é contra o aumento.

Segundo a pesquisa Big Data apresentada nesta sexta-feira (30), nada menos que 86% dos entrevistados disseram discordar da medida do governo Lula, e apenas 7% manifestaram-se a favor da medida (outros 7% não responderam. Além disso, a pesquisa mostrou que para 91% dos brasileiros, esse tipo de aumento de imposto deveria ser comunicado com antecedência clara à população.

O levantamento revelou que 79% dos entrevistados já ouviram falar sobre o aumento do IOF fixado pela equipe econômica do governo, sendo que apenas 21% não tomaram conhecimento sobre o anúncio. Entre os que disseram saber a respeito da elevação das alíquotas do IOF, 72% têm a opinião de que o aumento prejudica as camadas mais baixas da população. 

A esse mesmo questionamento do instituto, 15% dos entrevistados disseram que são “os brasileiros mais ricos” os mais prejudicados com o aumento do imposto. Outros 9% consideram que é “a classe média” a maior prejudicada e 4% não souberam ou não quiseram responder.

O Realtime Big Data também consultou os entrevistados se o aumento do IOF os faria “repensar em pegar empréstimos, parcelar compras ou fazer operações financeiras nos próximos meses”. Para essa questão, 68% responderam que “não”, enquanto 27% disseram que “sim” e 5% não responderam.

A margem de erro da pesquisa Realtime Big Data é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. No total, mil pessoas foram ouvidas entre os dias 28 e 29 de maio, em todas as regiões do país.

Lula traz estabilidade até emocional para o país e investimentos têm acontecido apesar dos juros, diz Haddad

  • Por Catarina Scortecci e Thiago Facchini | Folhapress
  • 30 Mai 2025
  • 16:06h

Foto: Marcelo Camargo / EBC

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (29) que os investimentos no país têm acontecido apesar dos juros altos e que isso acontece porque o governo Lula traz estabilidade política.
 

Haddad discursou durante cerimônia de retomada das operações do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, ao lado do presidente.
 

O ministro, que vem enfrentando uma crise em meio ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), também disse que o governo Lula encontrou as contas públicas "em frangalhos", em referência ao governo anterior, de Jair Bolsonaro.
 

"Olham para a taxa de juro e perguntam por que a pessoa está investindo. E o que está acontecendo é que o juro pode estar alto, mas o empresário que pensa o longo prazo não está olhando para o juro alto hoje. Ele está olhando para taxa de retorno do investimento dele ao longo do tempo", iniciou o ministro.
 

Haddad afirmou que a questão política de um país é "muito mais importante do que as pessoas imaginam" e que "as pessoas de fora prestam atenção se as pessoas estão conversando para encontrar um caminho para o país".
 

"Se os poderes da República não estão conversando entre si, o Judiciário, o Legislativo, o Executivo, as coisas vão mal. Se o presidente não trata adequadamente prefeitos e governadores as coisas não vão bem", disse o ministro.
 

O evento desta quinta ficou marcado pela ausência do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
 

"O presidente Lula traz uma estabilidade para o país até emocional, pela maneira como ele trata o povo, pela maneira como ele respeita as pessoas. Eu já vi inúmeras vezes um governador ou um prefeito fazer uma desfeita e vi esse mesmo governador e esse mesmo prefeito ser recebido de braços abertos em Brasília, porque o presidente respeita o povo do estado do governador", disse Haddad.
 

"Independentemente da visão ideológica do governador, ele sabe que aquela pessoa foi eleita enquanto representante do seu estado e vai ser recebido com a mesma generosidade que um parceiro nosso", continuou ele.
 

O ministro chamou o governo anterior de distópico e acrescentou que hoje "estamos em outro patamar civilizatório".
 

O porto de Itajaí está sob gestão do governo federal desde janeiro deste ano. Já as operações no local são conduzidas pela JBS Terminais, via contrato de concessão temporária.
 

O porto era administrado pelo município de Itajaí, mas a movimentação de contêineres foi praticamente interrompida no final de 2022, dando início a um debate sobre qual modelo de concessão deveria ser adotado. A discussão se estendeu até final do ano passado, quando o governo Lula optou por assumir a administração do porto.
 

A federalização gerou protestos por parte de Jorginho Mello e do prefeito Robison Coelho, ambos do PL. A decisão do governo federal chegou a ser barrada pela Justiça, mas autorizada posteriormente.
 

A gestão petista anunciou nesta quinta investimentos de R$ 844 milhões em modernização e ampliação da capacidade do porto, incluindo a dragagem do canal do rio Itajaí-Açu (R$ 90 milhões).
 

O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), anunciou ainda que o governo federal vai encaminhar uma medida provisória para criar a Autoridade Portuária de Itajaí. Atualmente, o porto itajaiense está sob gestão do Porto de Santos.