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Estudo experimental realizado pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, em Ribeirão Preto, aponta que o mosquito Aedes aegypti pode não ser de todo ruim. Pesquisadores encontraram na saliva do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e do zika substâncias anti-inflamatórias, capazes de controlar a imunidade e tratar doenças intestinais, como a colite ulcerativa em roedores. À Folha, a imunologista Cristina Cardoso, orientadora do trabalho, contou que na saliva do mosquito existe um "coquetel de substâncias que ainda estão sendo identificadas. A ideia é extrair essas moléculas específicas, sintetizá-las em laboratório e estudá-las em ensaios clínicos, em humanos. De acordo com a especialista, o trabalho com a saliva do Aedes começou há quatro anos. Primeiro, roedores foram induzidos a desenvolver colite por meio da ingestão de uma droga diluída em água. Assim que os sinais foram manifestados - diarreia, perda de peso e sangramento intestinal -, o tratamento foi iniciado. Os animais receberam a injeção de extrato de glândula saliva por três a quarto dias. Os camundongos apresentaram melhora clínica geral, com redução da inflamação, dos sinais negativos e da produção de substâncias do sistema imune associados à piora clínica.
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Estão suspensas a partir de hoje (4) as venda de 46 planos de saúde. A medida é uma punição da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) devido a reclamações de beneficiários destes planos relativas à cobertura. As principais queixas são negativa de cobertura e demora no atendimento. Os planos suspensos têm juntos 314,3 mil beneficiários, que não serão afetados pela punição. Oito operadoras são responsáveis por esses planos, que serão impedidos de receber novos clientes por pelo menos três meses, até que melhorem a assistência aos atuais beneficiários. Para tomar a medida, a ANS considerou 13.365 reclamações sobre cobertura assistencial recebidas de outubro a dezembro de 2015. Das oito operadoras com planos suspensos neste novo ciclo de monitoramento, quatro já tinham planos em suspensão no período anterior e quatro não constavam da última lista de suspensões. Além da comercialização suspensa, as operadoras que negaram indevidamente cobertura podem receber multa que varia de R$ 80 mil a R$ 100 mil. Paralelamente à suspensão, 33 planos de 16 operadoras poderão voltar a comercializar os produtos que estavam impedidos vender. Isso acontece quanto há comprovada melhoria no atendimento aos beneficiários. A avaliação é feita a cada três meses.
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O Google, empresa multinacional de serviços online e software, anunciou nesta quinta-feira (3) a entrega de um milhão de dólares para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com intuito de frear a expansão do vírus Zika. De acordo com a diretora do setor beneficente do grupo, Jacqueline Fuller, uma equipe de engenheiros, designers e cientistas do Google ajudará o organismo da ONU a criar uma plataforma informática que permita analisar os dados provenientes das múltiplas fontes e prever eventuais epidemias. "Este conjunto de instrumentos foi pensado para dar uma resposta ao zika, mas também poderá ser aplicado a futuras emergências", explicou em entrevista a blog. Ainda segundo Fuller, o valor doado deve permitir lutar contra o Aedes aegypti, vetor do vírus, através do desenvolvimento de diagnósticos, vacinas e políticas de prevenção.
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O surto do vírus zika no Brasil pode ter um novo vetor além do mosquito Aedes aegypti, segundo revelação feita nessa quarta, 2, por pesquisadores do projeto de vetores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz em Pernambuco. De acordo com a cientista Constância Ayres, o vírus foi encontrado ativo na glândula salivar e no intestino do mosquito Culex, o pernilongo comum. “Isso significa que o atual vírus conseguiu escapar de algumas barreiras no mosquito e chegou à glândula salivar”, explicou a pesquisadora durante o workshop A, B, C, D, E do vírus zika. No encontro, ela apresentou resultados preliminares da investigação que levaram à disseminação do vírus para a glândula salivar do mosquito, por onde aconteceria a transmissão da doença para humanos. A conclusão se deu após Constância realizar em laboratório três infecções em aproximadamente 200 mosquitos Culex criados em laboratório em dezembro e em fevereiro. No experimento, a pesquisadora alimentou por sete dias os pernilongos com sangue infectado pelo zika e a conclusão foi que o vírus se manteve ativo.
Apesar de parcial, a pesquisa levanta forte hipótese de o Culex também transmitir o vírus da zika. “Para concluir isso (em definitivo), só falta identificar em campo a espécie de mosquito infectada com o vírus da zika”, ressaltou a bióloga que ingressará com a nova fase da pesquisa, partindo para análise do material de campo que está sendo coletado para chegar a uma conclusão - em seis a oito meses. “Nas casas e onde acontecem registros do vírus estão sendo coletados mosquitos das duas espécies. Trazemos esse material para o laboratório e fazemos os testes moleculares para detectar o vírus nessas espécies. Tendo realizada uma grande quantidade de amostras, poderemos ter uma ideia se o Aedes é o vetor exclusivo, se existem outros vetores e qual a importância de cada um na transmissão”, afirma. A presença do Culex em zonas urbanas do País supera em 20 vezes a incidência do Aedes, conforme os especialistas da Fiocruz. Ele também constituiria uma ameaça maior, por estar disseminado quase em todo o mundo, e por ter facilidade de reprodução em água suja - ao contrário do vetor comum de dengue, zika e chikungunya.
Cautela
Apesar do achado, especialistas dizem que o fato de o Culex ser “infectável” não indica obrigatoriamente que ele possa transmitir zika. “O experimento ainda é muito preliminar”, disse Margareth Capurro, bióloga do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). O assunto também foi discutido nessa quarta nos Estados Unidos. Em debate sobre o combate à zika realizado na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em Washington, o coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, Paulo Buss, afirmou que será preciso pesquisar mais para descobrir se o vírus pode ser transmitido pelo Culex. “A possível transmissão não está descartada, mas ainda precisa ser provada. É uma das questões que ainda não sabemos responder”, ressaltou. “Diversos estudos estão sendo levados adiante e as análises ainda estão sendo reunidas por entomologisatas e outros especialistas”, afirmou Buss.
Balanço
No mesmo evento, a Opas informou que há 134 mil casos suspeitos de zika no continente e 2.765 confirmados. A organização destaca que, pelo fato de 80% das vítimas serem assintomáticas e ainda existir dificuldade de diagnóstico, esses números não representam o surto.
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Um estudo publicado nesta segunda-feira (29) encontrou novas evidências de que o vírus da zika pode estar relacionado a casos de Guillain-Barré. A síndrome afeta o sistema nervoso e pode provocar fraqueza muscular e paralisia – geralmente temporária – dos membros. A possível ligação entre zika e Guillain-Barré já vinha sendo avaliada por especialistas há algum tempo. A pesquisa, liderada pelo Instituto Pasteur de Paris e divulgada na revista científica "The Lancet", avaliou amostras de sangue de 42 pessoas diagnosticadas com Guillain-Barré no Centro Hospitalar da Polinésia Francesa (CHPF) durante o surto de zika que afetou o território do Pacífico Sul entre outubro de 2013 e abril de 2014. Todos os 42 pacientes tiveram amostras de sangue coletadas que passaram por testes sorológicos para verificar a presença de anticorpos contra o vírus da zika. Os resultados mostraram que 41 pacientes, 98% do total, tiveram zika.
Enquanto isso, na população geral, a incidência de zika foi de 36%. O grupo controle, usado para estimar a proporção de casos de zika na população geral, foi composto por 98 pessoas que se consultaram no CHPF por queixas não relacionadas a zika ou Guillain-Barré, das quais 35 apresentaram anticorpos que apontavam para a infecção por zika. Estudos anteriores já tinham apontado para a ocorrência de aumento de casos da síndrome simultaneamente à ocorrência de surtos de zika, porém esta foi a primeira vez que exames sorológicos foram feitos para constatar essa ligação. "Este é o primeiro estudo a avaliar um grande número de pacientes que desenvolveram a síndrome de Guillain-Barré depois de uma infecção pelo vírus da zika e a fornecer evidência de que o vírus da zika pode causar a síndrome de Guillain-Barré", disse o principal autor do estudo, o professor Arnaud Fontanet, do Instituto Pasteur, em Paris. O estudo também buscou identificar se um histórico de dengue poderia contribuir para o desenvolvimento de Guillain-Barré nos pacientes, mas não obteve resultados conclusivos sobre essa questão. Durante o surto de zika na Polinésia Francesa, houve cerca de 32 mil casos suspeitos de zika.
Aumento de casos na América Latina
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quatro estados do Nordeste - Alagoas, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte - tiveram aumento superior a 100% no número de casos da síndrome de Guillain-Barré em 2015. O aumento total na incidência do problema no país foi de 19% em 2015, em relação a outros anos. Ainda segundo a OMS, os casos do distúrbio neurológico aumentaram em cinco países: Além do Brasil, também na Colômbia, El Salvador, Suriname e Venezuela.
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Em sete dias, o número de mortes por suspeita de microcefalia subiu de 11 para 24 na Bahia. A informação foi divulgada pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) na manhã desta terça-feira (1º). Em relação ao boletim divulgado na última semana, foram registrados quatro novos óbitos em Salvador, que ao todo tem sete mortes, e mais um em Camaçari, na região metropolitana, que agora contabiliza dois casos. Além do acréscimo de casos em Salvador e Camaçari, novos municípios passaram a integrar a lista de casos com óbitos:Alagoinhas (1), Barro Preto (1),Cravolândia (1), Crisópolis (1), Cruz das Almas (1), Eunápolis (1), Senhor do Bonfim (1) e Feira de Santana (1). Há sete dias, além de Salvador e Camaçari, já havia registros de mortes em Campo Formoso (1), Esplanada (1), Itabuna (1), Itapetinga (1), Olindina (1), Tanhaçu (1) ePresidente Tancredo Neves (1).
Notificações
Em relação ao último boletim, o número de casos o número de casos suspeitos de microcefalia subiu de 775 para 817 casos. Em todas as situações, os bebês nasceram com perímetro cefálico menor ou igual a 32 centímetros. A Sesab, por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep), disse que 214 casos já foram investigados com a realização de exames de imagem, sendo que desses, 136 foram confirmados e 78 foram descartados.
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Em visita ao Brasil na semana passada, o médico virologista alemão Harald zur Hausen - laureado com o prêmio Nobel de Medicina de 2008 por ter descoberto a relação entre o papilomavírus humano (HPV) e o câncer do colo do útero - defendeu que a vacinação contra HPV se estenda também aos meninos. Hoje, no Brasil, a vacina é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a meninas de 9 a 13 anos de idade, em três doses. “Se vacinássemos somente os meninos, provavelmente preveniríamos mais casos de câncer do colo do útero do que vacinando somente meninas”, disse zur Hausen nesta sexta-feira (26) em entrevista a meios de comunicação no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, onde participou de um evento científico. O virologista contou ainda que ficou desapontado em saber que o Brasil só introduziu a vacina contra HPV no calendário nacional de vacinação em 2014 e considera que o atraso em relação a outros países pode significar que o país deixou de evitar muitos casos de câncer do colo do útero. Segundo o Instituo Nacional de Câncer (Inca), 70% dos casos desse tipo de câncer são provocados pelos dois tipos oncogênicos de HPV que estão incluídos na imunização.
Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista com o cientista:
Descobri, com um pouco de decepção, que o Brasil só começou o programa nacional de vacinação contra HPV em 2014. A vacina foi licenciada em vários países em 2006 e, olhando para as altas taxas de câncer do colo do útero no Brasil, acho uma pena porque ela poderia prevenir um grande número de casos. Quem não recebeu a vacina neste período está mais sujeito à doença e é possível até calcular quantos morreram devido a esse atraso. Hoje temos dados muito bons disponíveis e publicados sobre a quantidade de efeitos colaterais dessa vacinação, particularmente na Austrália onde estudos conduzidos de forma muito cuidadosa mostram que - além dos efeitos que aparecem nas primeiras 24 horas da vacinação, como vermelhidão no local da vacinação e um pouco de dor, o que é comum na maioria das vacinas - há um efeito em cada 100 mil doses aplicadas. Neste caso, é uma alergia contra a proteína presente na vacina, a proteína do HPV. É uma taxa muito menor do que os efeitos colaterais de muitas outras vacinas que damos a crianças pequenas. [A segurança da vacina já foi questionada no Brasil por grupos temendo efeitos colaterais.] É uma das vacinas mais efetivas, porque a conversão da formação dos anticorpos depois da vacinação é quase de 100% nas crianças vacinadas. Se pegar a vacina de hepatite B, que é também muito eficiente, 5% das pessoas não desenvolvem anticorpos contra o vírus. É muito segura, é altamente eficaz e há evidências que previne as lesões precursoras de câncer, ao menos dos tipos de HPV que estão na vacina.
Meninos deveriam ser vacinados contra HPV
Tem um aspecto que, na minha opinião, precisa ser fortemente enfatizado, que é a vacinação de meninos. Primeiro, em todas as sociedades, globalmente, os homens entre 15 e 40 anos de idade têm mais parceiros sexuais do que as mulheres da mesma idade. Eles são os maiores transmissores de HPV devido ao maior número de parceiros sexuais. Outras razões pelas quais eles deveriam ser vacinados é o câncer de faringe, que está acontecendo em um número muito maior em grandes cidades em comparação a áreas rurais. Também o câncer na região anal, que ocorre, em muitos países, muito mais frequentemente em homens do que em mulheres. Há evidências de que - como o mesmo vírus foi encontrado nessas lesões, geralmente o HPV 16 e o HPV 18 - essas doenças também seriam prevenidas pela vacinação. Verrugas genitais, por exemplo, são um problema desagradável para os dois gêneros e a vacinação também está prevenindo, contra elas. Até o fato de que estarão protegendo suas parceiras é uma razão importante para difundir a vacinação para meninos. Eu já disse de modo provocativo, em muitas ocasiões, que se vacinássemos somente os meninos, provavelmente preveniríamos mais casos de câncer do colo do útero do que se vacinássemos somente meninas.
Descoberta da relação entre HPV e câncer do colo do útero
No final dos anos 1960, começamos investigando se vírus herpes simplex tipo 2 estava provocando câncer, mas não encontramos material genético de herpes simplex nas células de câncer de colo do útero. Já tinha visto partículas do HPV no microscópio eletrônico. Suspeitei que este vírus poderia ser mais maligno no colo do útero e levar a câncer. Demorou um tempo até isolar e caracterizar o vírus da verruga genital, que era o HPV 6 e subsequentemente pudemos identificar HPV 11. houve uma decepção inicial porque não encontramos HPV 6 em câncer de colo do útero, Quando descobrimos que o HPV 16 e HPV 18 estavam ligados ao câncer, distribuímos pelo mundo essa informação.
Obstáculos no desenvolvimento da vacina contra HPV
Minha única decepção nesta fase precoce foi que eu contatei muitas empresas na Alemanha e Suíça pedindo financiamento para um programa para desenvolver a vacina de HPV e, quase todas, com uma exceção se recusou. Houve uma empresa na Alemanha que tinha muita experiencia em vacinas ficou interessada. Eles começaram a patrocinar um programa, mas ela pertencia a uma gigante farmacêutica na Alemanha e um dos diretores fez uma análise de marketing. A analise foi muito negativa, eles disseram que não havia mercado para a vacina e que todas as pessoas, incluindo crianças pequenas, já estariam infectadas pelo vírus e teriam já anticorpos, por isso a vacinação não faria sentido. Isso é totalmente errado. O programa foi fechado e isso nos deixou muito frustrados por muito anos. Até que uma empresa americana se interessou e até hoje produz a vacina.
Outras infecções ligadas ao câncer
21% dos cânceres estão ligados a infecções, e não são apenas por vírus: dois terços são por vírus, mas um terço são bactérias e 1% por infecções parasitas. Considero a descoberta de novos cânceres ligados a infecções como uma questão muito importante. É algo em que trabalhamos há algum tempo em câncer de mama e câncer de cólon. Ao menos estudando cuidadosamente a epidemiologia desses dois tipos de câncer, parece que há ligações potenciais com eventos de infecção e parece, de acordo com nossa hipótese inicial, que há uma ligação com o consumo de alimentos específicos como carne e leite. Particularmente, de acordo com os estudos, a carne é provavelmente o fator principal ara o câncer de cólon e o leite parece ser um fator em câncer de mama. Concentramos esforços em isolar agentes no gado, no leite do supermercado e em laticínios como iogurte e creme de leite. Há razões para suspeitar que os vírus de gado podem ter um papel nesses cânceres.
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O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (29), que está fazendo, desde o dia 22 de fevereiro, um mapeamento das condições de atendimento de bebês nascidos com microcefalia no Brasil.
O serviço consiste em telefonar aos familiares de cada criança com suspeita de microcefalia notificada nos últimos meses para verificar quais exames já foram realizados e quais faltam realizar, que tipo de acompanhamento o bebê está tendo nas redes de atenção básica e especializada e se já teve início a estimulação precoce e a reabilitação. Entre os exames previstos para o bebê com suspeita de microcefalia estão os de ultrassonografia e tomografia, além dos testes do pezinho, orelhinha e olhinho. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo do novo serviço é obter um panorama de como está a assistência a essas crianças para poder organizar os fluxos de atendimento e oferecer apoio aos estados e municípios.
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A população foi considerada a principal responsável pela proliferação do Aedes aegypti por 74,7% dos entrevistados ouvidos na 130ª Pesquisa Confederação Nacional do Transporte (CNT/MDA), divulgada nesta quarta-feira (24). Outros 7,4% acreditam que as prefeituras são culpadas, enquanto 6,2% culpam o governo federal e 1%, os governos estaduais. De acordo com informações da Agência Brasil, a maioria dos entrevistados (88%) disse ter medo de contrair dengue, zika ou chikungunya, doenças transmitidas pelo mosquito. Para se proteger, 85,2% afirmaram ter adotado alguma medida ou modificado hábitos. Entre as principais medidas adotadas para evitar contrair alguma doença transmitida pelo mosquito, estão o combate a focos em casa (93,2%), uso regular de repelente (30,6%), evitar locais de grandes aglomerações (2,8%) e o adiamento de viagens a locais com mais casos das doenças (1,2%). Nesta pergunta, os entrevistados puderam escolher múltiplas respostas. Mais da metade dos entrevistados (55,6%) disse que conhece alguém que contraiu dengue, zika ou chikungunya nos últimos seis meses e 64,2% tiveram o domicílio visitado por agente de saúde nos útimos seis meses para procurar possíveis focos de proliferação do Aedes aegypti. No total, foram entrevistadas 2.002 pessoas de 137 municípios de 25 unidades da Federação entre 18 e 21 de fevereiro.
Mulher segura o anel vaginal testado pelo estudo Aspire (Foto: International Partnership for Microbicides/Divulgação)
Um anel vaginal contendo um novo microbicida reduz em cerca de 30% o risco médio de infecção com o vírus da HIV nas mulheres - é o que mostram os resultados de dois testes clínicos publicados na segunda-feira (22) na revista científica "New England Journal of Medicine". Estes anéis, inspirados nos utilizados para a contracepção ou tratamentos hormonais, contêm o antiviral experimental dapirivina, que se espalha gradualmente. Eles devem ser trocados a cada mês. O uso destes anéis apresenta um interesse particular para as mulheres dos países em desenvolvimento, onde as taxas de infecção por HIV são elevadas, e onde as mulheres têm mais dificuldade para convencer o parceiro a usar o preservativo, explicou a microbiologista Zeda Rosenberg, que comanda o centro International Partnership for Microbicides (IPM), ao apresentar o resultado dos estudos. Ao todo, 4.588 mulheres HIV-negativas com idades entre 18 e 45 anos do Malawi, da África do Sul, de Uganda e do Zimbábue participaram dos dois testes clínicos de fase 3 chamados "The Ring" e "Aspire", entre 2012 e 2015. As mulheres que usaram o anel vaginal reduziram o risco de infecção pelo vírus da Aids de 27% a 31% comparativamente àquelas que usaram um placebo, afirmou o IPM.
Mais eficaz em mulheres mais velhas
E os anéis se mostraram claramente mais eficazes nas mulheres com mais de 25 anos, entre as quais reduziram o risco de infecção em 61% no estudo Aspire e em 37% no estudo The Ring. Esta diferença se explica pelo fato de que as mulheres mais velhas usam estes anéis mais frequentemente, notam os pesquisadores. "Estes resultados dão uma nova esperança a inúmeras mulheres com alto risco de infecção que precisavam de mais opções para se proteger de maneira eficaz contra o HIV", ressaltou Rosenberg. "As mulheres precisavam de um método discreto que agisse durante um longo período para se proteger contra o hiv, além de ser um método que elas possam controlar e desejam utilizar", estimou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos, que financiou o teste Aspire. Os resultados dos dois testes foram apresentados na conferência sobre os retrovírus e as infecções oportunistas (CROI) que ocorre esta semana em Boston (Massachusetts). Cerca de 37 milhões de pessoas vivem com o hiv no mundo, dentre as quais mais da metade são mulheres - segundo o Instituto Nacional da Saúde (NIH) americano.
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O "stentrode", implante cerebral criado por cientistas australianos (Foto: Reuters/Universidade de Melbourne)
Computadores, cadeiras de roda e próteses controladas pelo pensamento podem estar disponíveis dentro de uma década, afirmam cientistas australianos que criaram uma nova tecnologia. Os cientistas planejam conduzir testes em humanos no ano que vem com um implante que pode captar e transmitir sinais cerebrais. A dispositivo, do tamanho de um palito de fósforo, já foi testado em animais, implantado em vasos sanguíneos próximos ao cérebro. O produto foi batizado de stentrode, porque é essencialmente um stent (uma malha microscópica em forma de tubo) com eletrodos (terminações metálicas que captam eletricidade). A ideia é usar os sinais elétricos que o dispositivo capta para convertê-los em informações que possam ser usadas para controlar algo como um braço biônico, afirmam os cientistas. "A grande inovação é que agora nós temos um dispositivo de interface cérebro-computador minimamente invasivo que possivelmente é prático para uso no longo prazo", afirma Terry O'Brien, chefe do Departamento de Medicina e Neurologia da Universidade de Melbourne (Austrália), que desenvolveu o stentrode.
O método atual para acessar sinais cerebrais precisos requer cirurgias complexas com abertura do crânio e se torna menos eficiente após alguns meses. O stentrode é menos invasivo porque pode ser inserido por uma veia no pescoço do paciente e posicionado em um vaso sanguíneo perto do cérebro. O teste em animais foi feito para averiguar a capacidade do stentrode de captar sinais neurais, não para convertê-los em sinais eletrônicos para movimentar membros biônicos, que já são tecnologia estabelecida. Ganesh Naik, professor da Universidade de Tecnologia de Sydney, não envolvido no projeto, afirma que nem sempre testes em animais se traduzem em sucesso nos experimentos com humanos. "Se isso funcionar como deve em testes com humanos, será um avanço extraordinário", disse. Outros potenciais usos para o stentrode incluem o monitoramento de sinais cerebrais de pessoas com epilepsia para antecipar a ocorrência de uma convulsão. Caso tenha sucesso, o dispositivo também pode permitir a um paciente se comunicar por computador, afirma Clive May, professor do Instituto Florey de Neurociências e Saúde Mental, que trabalha no projeto. "As pessoas teriam de ser treinadas a pensar os pensamentos certos para fazer isso funcionar, assim como se aprende a tocar música", afirmou. "É algo que é preciso aprender, mas uma vez feito, se torna natural." Além Universidade de Melbourne e do Instituto Florey, o Hospital Real de Melbourne também participa do projeto que desenvolve o stentrode. Os recursos usados no projeto foram fornecidos pelo Governo da Austrália e pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, que ajuda tecnologias que possa vir a ajudar veteranos de guerra paraplégicos.
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Em visita ao Pernambuco, Estado com o maior número de casos de microcefalia, a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, afirmou nesta quarta-feira, 24, que as evidências da associação entre o zika e a malformação estão "mais, mais e mais fortes", apesar de "ainda não totalmente claras". Em pronunciamento a autoridades, médicos e imprensa em Recife, Margaret Chan salientou que o Brasil "não está sozinho" e que tem "força e determinação" para erradicar o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus. Vestindo a camiseta da campanha Zika Zero, do governo federal, presente recebido ontem da presidente Dilma Rousseff, a diretora elogiou a "tomada de liderança" do País no compartilhamento de informações com a OMS, algo que está "baseando ações contra a zika em todo o mundo". Para ela, o vírus é misterioso e cheio de truques: "Por isso, muitas perguntas ainda estão sem respostas."
Antes da fala, Margaret Chan se reuniu com as médicas Ana e Vanessa van der Linden, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) - pioneiras em identificar o surto de microcefalia em Recife -, e assistiu, tomando nota de tudo, a apresentações sobre o panorama da má-formação em Pernambuco. "O vírus da zika tem consequências devastadoras para as grávidas. Fico feliz em ver que estão sendo desenvolvidos novos protocolos para cuidar de bebês com anomalias neurológicas", disse a diretora. Ela reforçou o discurso de que, enquanto não há "vacinas ou diagnósticos confiáveis para entender os efeitos da infecção por zika na primeira etapa da gestação", eliminar o mosquito deve ser "a linha de frente da estratégia de defesa". "O mosquito é inteligente: vai achar jeitos de atacar as pessoas. Não tenho medo dele, mas temos que tomar precauções, pois não se trata de tarefa fácil", disse.
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Máquina está em testes na capital de MS (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)
Além do combate mecânico ao Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e febre chikungunya, o governo do Estado, por meio da Controladoria Estadual de Vetores, estuda equipamentos que funcionam como uma armadilha para a fêmea do mosquito. Nesta segunda-feira (22), equipes discutem o local de teste de uma das máquinas, que funciona com uma substância presente no suor humano. “Ela funciona a base de ácido láctico, expelido nas nossas glândulas sudoríparas. A fêmea é atraída pelo próprio feromônio do organismo. É uma máquina ecologicamente correta, utilizada nos Estados Unidos e com muitos casos de sucesso. No Brasil, já foi utilizada na Ilha Caras e em locais como Valinhos, Campinas, Recife, Maceió e outros estados”, afirmou ao G1 a consultora de soluções tecnológicas Gracita Santos Barbosa.
A máquina, nesta fase inicial, fica em testes na capital sul-mato-grossense por um mês. “Ela tem uma circunferência de quatro quilômetros e pode ser colocada em campos de futebol, shows, escolas e outros locais de grande aglomeração. Recentemente tivemos casos de atletas picados enquanto aguardavam no banco de espera e o público aqui na cidade. Com a máquina, isso não ocorreria”, explicou Barbosa. Ainda conforme a consultora, a máquina funciona com baixíssimo custo. “Ela captura as fêmeas do mosquito, funcionando apenas com quatro pilhas médicas alcalinas e um botijão de gás, sem dano algum para o ser humano. O equipamento não vai solucionar se a população não colaborar, mas já é de grande valia para evitar a proliferação”, comentou. Em quatro semanas, Barbosa diz que o equipamento promete a extinção das fêmeas. “Há 15 anos nós estudamos estas soluções e agora a intenção é baratear ao máximo o custo para Mato Grosso do Sul. Funciona realmente como uma armadilha para o mosquito, com inúmeros exemplos de sucesso”, disse. O coordenador estadual de controle de vetores, Mauro Lúcio Rosário, explicou que qualquer município ou empresa de grande porte pode ter a máquina, após os devidos testes. “Vamos analisar nesta tarde onde ela será instalada e, a partir daí, ela será monitorada diariamente. A intenção é verificar a microárea com os três últimos resultados de infestação”, ressaltou. O projeto-piloto será instalado, a princípio, no bairro Cabreúva, com grande incidência do mosquito. A manutenção, ainda de acordo com o coordenador, será feita por agentes de saúde. Outra máquina, com uma lâmpada de LED, também está sendo analisada para o combate ao mosquito. A flying insect têm o raio de 100 metros de diâmetro.
Incidência
Em Mato Grosso do Sul sobre para 51 o número de municípios com alta incidência de dengue, conforme o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) no dia 17 de janeiro. Dois Irmãos do Buriti lidera os municípios com alta incidência – mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes. Campo Grande está em 13º lugar do ‘grupo vermelho’. Neste ano já foram confirmadas duas mortes por causa da doença na capital sul-mato-grossense. Dos 79 municípios, 21 estão na ala da média incidência – de 100 a 300 casos para cada 100 mil habitantes. No ‘grupo amarelo’, aparecem Nova Andradina e Aquidauana, com um e dois casos de dengue com sinal de alarme, respectivamente. Além de Anastácio, Corumbá e Bataguassu que registraram tiveram confirmações da doença.
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Foto: Agência Estado
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) divulgou nesta terça-feira (23) que investiga 14 novos casos de transmissão do Zika Vírus. De acordo com a CNN, o órgão informou que a maioria dos casos envolvem mulheres grávidas, apesar de não especificar quantos. Dois dos casos teriam como única possibilidade de contágio a relação sexual com parceiros que exibiam os sintomas após estarem em áreas infectadas. O CDC não informou onde as mulheres infectadas residem porque o risco afeta “todas as mulheres dos EUA”. “Os novos registros sugerem que a transmissão sexual pode ser um meio de transmissão mais provável do que o considerado anteriormente”, avaliou o órgão. “Nós ficamos um pouco surpresos com o número de casos suspeitos que nós recebemos”, confessou a gerente do CDC, Jennifer MCQuiston.
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O governo brasileiro propôs nesta terça-feira (23) uma parceria com a Argentina para apresentação de um projeto conjunto de pesquisa sobre o Zika à União Europeia. Em março, o bloco europeu lançará um edital para financiar, com até 10 milhões de euros, investigações científicas sobre o vírus. "A ideia é disputarmos juntos esse edital", afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, após encontro com seu par argentino, Lino Barañao, em Buenos Aires. Em entrevista à Agência Brasil, Pansera destacou o recente avanço dos cientistas brasileiros, que identificaram a proteína responsável pela diferença entre o vírus da dengue e o vírus Zika. No entanto, o ministro acredita que "não é algo que um país pode resolver sozinho". "É preciso a colaboração de cientistas do mundo inteiro e os argentinos têm interesse e experiência nessa área", acrescentou. Em outra parceria, os argentinos também participarão da construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) – um reator nuclear, que será usado na produção de biofármacos, atualmente importados do Canadá. "O Canadá vai sair desse mercado ate 2022 e o governo brasileiro decidiu começar a fabricar esses produtos, que pesam na nossa balança comercial", explicou Pansera.