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As mortes por câncer de ovário diminuíram em muitos países entre 2002 e 2012 e seguirão caindo pelo menos até 2020, principalmente graças à generalização do uso da pílula anticoncepcional, revela um estudo publicado este mês. Outra explicação plausível pode ser a menor utilização de tratamento hormonal em mulheres na menopausa há uma década, indica o estudo publicado pela revista "Annals of Oncology". Acredita-se que os contraceptivos orais tenham um efeito protetor contra o câncer de ovário, enquanto o tratamento hormonal substitutivo aumentaria o risco. Em seu estudo, os pesquisadores liderados por Carlo La Vecchia, da Universidade de Milão, mostraram que a redução da mortalidade por câncer de ovário foi mais acentuada nos Estados Unidos, onde caiu 16%, na Austrália e na Nova Zelândia, onde caiu 12%.
A mortalidade baixou 10% nos países da União Europeia entre 2002 e 2012, passando de 5,76 mortes por cada 100.000 mulheres a 5,19. Mas a queda variou segundo os países, de 0,6% na Hungria a 28% na Estônia. "As grandes variações da taxa de mortalidade na Europa diminuíram desde os anos 1990 (...) provavelmente devido a uma utilização mais uniforme dos anticoncepcionais orais, assim como por fatores reprodutivos, como a quantidade de filhos por mulher", destacou La Vecchia. Ele reconhece, no entanto, que existem diferenças notáveis entre países como Grã-Bretanha, Suécia ou Dinamarca, por um lado, onde as mulheres começaram a tomar anticoncepcionais a partir dos anos 1960, e os países da Europa Oriental, que o fizeram mais tarde. Outras regiões mostraram tendências menos consistentes. A quantidade de câncer de ovário diminuiu nos países do cone sul da América Latina. Argentina, Chile e Uruguai mostraram uma queda entre 2002 e 2012, mas em Brasil, Colômbia, Cuba, México e Venezuela houve um aumento da mortalidade.
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Termina nesta sexta-feira o prazo para que crianças e adolescentes menores de 15 anos atualizem a caderneta de vacinação através da Campanha Nacional de Multivacinação, que teve início no último dia 19 em todo o país. De acordo com o Ministério da Saúde, foram enviadas a todas as unidades da Federação 26,8 milhões de doses – incluindo 7,6 milhões para a vacinação de rotina de setembro e 19,2 milhões de doses extras para a campanha. O objetivo da ação é combater a ocorrência de doenças imunopreveníveis no país e reduzir os índices de abandono à vacinação – sobretudo entre adolescentes. O público-alvo inclui crianças menores de 5 anos e crianças e adolescentes de 9 anos a 15 anos incompletos. Vale lembrar que em janeiro deste ano o ministério da saúde alterou o esquema de quatro vacinas: poliomielite, HPV, meningocócica C (conjugada) e pneumocócica 10 valente. Em salvador 120 unidades básicas de saúde disponibilizam gratuitamente 14 tipos de vacinas que fazer parte da campanha de Multivacinação.
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Um novo medicamento para o tratamento de pacientes com HIV e Aids entra para a lista de medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde. Trata-se do antirretroviral “dolutegravir”, que será destinado a novos pacientes diagnosticados o vírus e pacientes que apresentam resistência aos medicamentos, tenofovir, lamivudina, e efavirenz já oferecidos atualmente pelo SUS. De acordo com o ministério, o medicamento é um dos melhores para esse tipo de tratamento e foi possível adquirir sem impacto no orçamento. Isso porque a compra foi efetuada com desconto de 70,5%. Os preços caíram de US$ 5,10 para US$ 1,50, declarou a pasta. O orçamento para aquisição de remédios do tipo é de R$ 1,1 bilhão. Segundo o portal G1, a pasta calcula que cerca de 100 mil pacientes iniciem tratamento contra a doença a partir de 2017 usando o novo medicamento. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (28) pelo Ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante coletiva de imprensa.
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Com a inserção no mercado de trabalho, a utilização de métodos contraceptivos se tornou indispensável na rotina das mulheres, tornando-as donas de seus corpos já que puderam exercer sua sexualidade sem uma possível gravidez indesejada. Desde sua inserção no mercado de trabalho, na década de 1960, no entanto, ela causa diversas dúvidas em relação a segurança e ao uso. Após diversos casos de trombose venosa cerebral serem veiculados na mídia, os métodos contraceptivos - principalmente a pílula anticoncepcional - foram ainda mais questionados por muitas mulheres. Com receio do desenvolvimento de trombose por conta da utilização dos anticoncepcionais orais, algumas até mesmo pararam de ingerir o contraceptivo. Questões importantes, como um possível exame de rotina para rastreamento de trombofilia, a importância da prescrição médica do remédio, além da não existência de anticoncepcional direcionada para homens foram levantadas. A professora da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), Cristina Guazzelli nos explica um pouco mais sobre os benefícios e riscos do anticoncepcional.
Qual é a importância de ir ao médico antes de começar a tomar uma pílula ou de iniciar o uso de um método contraceptivo?
Antes de iniciar qualquer método contraceptivo, o ideal seria se a mulher pudesse ter acesso a um médico para ser apresentada a todas as opções dos métodos existentes. O médico deve explicar e discutir com a paciente a escolha que ela fará. É importante ressaltar que a função do médico é saber se a paciente pode ou não utilizar o método, sempre quem escolhe o método é a paciente.
E quais são os métodos existentes no mercado?
Existem métodos contraceptivos hormonais de curta duração, os hormonais de longa duração, os não-hormonais e o de barreira. O mais utilizado são os métodos hormonais de curta duração, que são a injeção mensal, o anel vaginal e o adesivo anticoncepcional. Os de longa duração podem ser hormonais, como o implante subcutâneo, o DIU de cobre e o SIU hormonal. Além desses, têm os métodos de barreira, como os preservativos [camisinhas] masculinas e femininas e o diafragma. Todos esses métodos, se utilizados de forma correta, apresentam alta eficácia. Só que existem riscos, a chance de falha desses métodos ela acaba sendo de um ou menor do que um caso a cada cada 100 mulheres que usam esse método durante o período de um ano. A taxa de falha da camisinha é de 20 para cada 100 mulheres que usam a camisinha durante o ano e, por isso, a camisinha não é considerada um bom método anticoncepcional. O uso da camisinha é recomendável para todas as mulheres, independente da faixa etária, por conta das doenças sexualmente transmissíveis (DST).
Qual método é o mais utilizado e quais são os benefícios que ele causa?
Os métodos mais utilizados no mundo são os contraceptivos orais combinados (COC), que são as pílulas que possuem dois hormônios em sua fórmula. São diversos benefícios da pílula, como a melhora da cólica menstrual e da tensão pré-menstrual (TPM), melhora o humor, a irritabilidade, a acne, cabelo, oleosidade da pele, melhora a endometriose, reduz em 50% a chance de câncer de ovário e câncer de endométrio e a que eu acredito que seja a principal, que é reduzir o sangramento da paciente. Isso é importante porque mais de 30% da população brasileira tem anemia e a redução do sangramento é uma grande ajuda nesse quesito.
Mesmo com os diversos benefícios do uso da pílula, alguns casos de trombose acontecem e são associados ao uso da pílula. De que forma isso ocorre?
Antes de falar sobre o risco de desenvolver trombose com o uso da pílula, vamos esclarecer qual é o risco de trombose para pacientes que não utilizam. Uma paciente que não faz uso de anticoncepcional e é saudável, temos normalmente 2 a 3 casos em cada 10 mil mulheres. Se a paciente for obesa, ou seja, se o Índice de Massa Corporal (IMC) dela for maior do que 30, o risco de trombose pode ser multiplicado por 4 vezes, ou seja, 8 a 12 casos por cada 10 mil mulheres. Se a paciente for fumante, o risco de trombose aumenta entre 6 a 8 vezes. Uma coisa muito importante e pouco divulgada é o risco de trombose durante o período da gravidez, que é de 6 a 8 vezes maior; no último mês da gravidez e logo após o parto esse risco chega a ser de 20 a 80 vezes maior. Já quando a paciente apenas utiliza a pílula, sem os outros riscos acima, a depender da pílula que ela usa, os números duplicam ou triplicam, ou seja, entre 6 a 9 casos em 10 mil mulheres. O risco irá aumentar se ela tiver alguns fatores de risco, que são os que eu já falei, juntamente com a pílula.
Qual é a cautela que o médico deve ter para prescrever o remédio? Tendo em vista o risco que ele pode causar, não seria mais eficiente se testes de trombose fossem feitos antes da prescrição?
O médico deverá fazer uma anamnese buscando saber o histórico familiar da pessoa e se existem fatores de risco para a paciente: se ela fuma, se ela é obesa, se tem hipertensão, se é diabética, portadoras de enxaqueca, entre outros procedimentos. O fato de um exame não mostrar alterações não significa que o risco não existe. E isso poderia desencadear uma falsa sensação de segurança na paciente. Muitas das vezes nem as pessoas que já tiveram quadro familiar de trombose não apresentam alterações no exame de trombofilia. O importante é você fazer um bom histórico pessoal e familiar e uma boa anamnese dessa paciente.
Qual o procedimento realizado para pacientes que já tiveram trombose na família?
Com pacientes que já tem o histórico familiar ou que até mesmo já desenvolveram trombose, ou prescrevemos outros métodos de anticoncepcional, ou prescrevemos anticoncepcionais “não-combinados”, que são conhecidos como minipílula, que apresentam apenas o hormônio estrogênios em sua fórmula. E por qual motivo não fazemos isso para todas as pacientes? Porque com esses remédios a paciente tem menos controle sobre quando vai menstruar, sobre quando vai ovular, tem mais sangramento irregular e é um método menos seguro de contraceptivo.
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Quem tem gene da obesidade responde tão bem a dieta quanto quem não tem (Foto: Ian Hooton/IHO)
As pessoas portadoras de uma variante do gene FTO (o chamado gene da obesidade), que favorece o acúmulo de gordura, reagem tão bem à dieta e ao exercício quanto aqueles sem ela, segundo um artigo publicado na quarta-feira. Isto significa que as pessoas com a variante, que parece estar ligada a um maior risco de sobrepeso, não estão necessariamente condenadas a permanecer assim, de acordo com uma meta-análise publicada na revista médica "BMJ" "Indivíduos portadores (da variante) respondem igualmente bem à intervenções para a perda de peso à base de dieta, atividade física ou remédios", escreveram os autores do artigo, baseado na revisão de oito estudos envolvendo cerca de 10 mil pessoas. Isto significa que a predisposição genética para a obesidade "pode ser pelo menos parcialmente neutralizada por meio de tais intervenções". Cientistas já haviam demonstrado uma associação entre uma variante do gene FTO e o excesso de gordura corporal, mas pouco se sabe sobre como esse vínculo funciona. As contribuições relativas da genética e do estilo de vida para a epidemia global de obesidade ainda são objeto de discussão.
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O Ministério da Saúde anunciou na terça-feira, 20, a renovação do contrato firmado com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) que permite o recrutamento de profissionais cubanos para participar do programa Mais Médicos. Como antecipou o jornal O Estado de S. Paulo, a renovação inclui um reajuste do valor pago para os profissionais, mas determina que, na maioria dos casos, médicos que já tenham cumprido o período de três anos regressem ao país de origem e deem lugar a outros profissionais, em treinamento em Cuba. O salário dos médicos do programa passará para R$ 11.520, reajuste de 9%. Ao apresentar a renovação do contrato, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que a intenção do governo é reduzir de forma gradual o número de profissionais cubanos e trocá-los por brasileiros. Para ampliar o ritmo da mudança, o governo decidiu permitir que brasileiros formados na Bolívia e no Paraguai participem do Mais Médicos, sem a necessidade de revalidar diploma. Prevista na portaria ministerial 1.369/2013, a restrição não contava da lei original do Mais Médicos, de 2013. Essa barreira havia sido imposta como uma resposta às associações médicas, que alertavam para o risco de haver uma onda de médicos formados em instituições desses dois países que, na avaliação das entidades, apresentavam uma qualidade de ensino médico duvidoso. Questionado, o ministro disse não temer reação de entidades médicas a essa mudança ou a uma redução na qualidade da assistência.
Ele argumentou que profissionais passam por um treinamento antes de serem enviados ao trabalho e, até agora, nunca houve problemas com profissionais vindos desses países. Atualmente, há alguns médicos brasileiros formados na Bolívia e no Paraguai que, graças a ações judiciais, garantiram ingresso no programa.
Redução
Com a entrada maior de brasileiros, a estimativa é de que, já em 2017, o número de cubanos no Mais Médicos sofra uma redução. "Fiz um agradecimento formal à colaboração da Opas e de Cuba, mas a intenção é que a prioridade do programa seja dada a brasileiros", disse o ministro. A expectativa é de que até o fim do ano 4 mil cubanos que trabalham no País retornem à ilha. Segundo o representante da Opas no Brasil, Joaquim Molina, cerca de 1 mil profissionais estão sendo treinados para substituir médicos que estão no Brasil. Atualmente, trabalham no País 11 400 cubanos. O Mais Médicos reúne 18.240 profissionais, dos quais 5.274 são brasileiros formados no País. Outros 1.537 obtiveram diploma no exterior.
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Os testes em humanos da vacina contra o vírus da zika, que está em desenvolvimento pelo instituto Butantan, podem ter início em dois meses. Esta é a expectativa do diretor da instituição, Jorge Kalil, que fez o anúncio em um evento nesta segunda-feira (19). O projeto considerado revolucionário por especialistas é resultado de uma parceria entre o Butantan com um instituto americano para a produção de uma vacina de DNA, que usa um pequeno fragmento de DNA produzido sinteticamente em laboratório que codifica uma proteína do vírus da zika e por isso desperta a resposta imunológica contra o vírus no organismo. “É uma tecnologia absolutamente revolucionária, mas a gente sabe que não tem nada de infeccioso e que não causa problemas para a grávida. Porque nós temos que proteger a mulher grávida”, disse Kalil em entrevista ao portal G1. A aprovação dos testes clínicos será discutida ainda essa semana com a Anvisa. “A Anvisa e a Conep (Conselho Nacional de Ética em Pesquisa) estão muito sensibilizadas para a questão, então acho que vai ser uma questão de um ou dois meses para a aprovação”, afirmou o diretor do Instituto Butantan.
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Começa nesta segunda-feira (19) uma campanha nacional de "multivacinação" que incluirá, pela primeira vez, todas as vacinas disponíveis pelo SUS para crianças de até 5 anos e para crianças e adolescentes entre 9 e 15 anos incompletos, incluindo a imunização contra HPV para meninas. O esforço de vacinação vai até o dia 30 de setembro. Para realizar as imunizações, o Ministério da Saúde enviou 19,2 milhões de doses extras das 14 vacinas para os postos de saúde de todo o país. Serão cerca de 36 mil postos fixos de vacinação e 350 mil profissionais de saúde envolvidos nos 12 dias de mobilização.
Veja as 14 vacinas da campanha:
- Hepatite A
- VIP
- Meningocócica C
- Rotavírus
- HPV
- Pneumo 10
- Febre amarela
- Varicela
- Pentavalente
- Tetraviral
- Dupla adulto
- DTP
- Tríplice viral
- VOP (poliomielite)
As doses já estão normalmente disponíveis de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS), em qualquer posto. O objetivo principal da campanha é estimular que os pais levem os filhos para pôr em dia a carteira de vacinação. Segundo Ana Goretti Kalumi, do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal dos adolescentes no Brasil ainda não é adequada, por isso a campanha incluiu essa faixa etária. “Os adolescentes são um público que, diferentemente das crianças pequenas que são levadas pelas mães às unidades de saúde, são muito resistentes a buscar serviços de saúde”, disse a especialista em coletiva de imprensa. A vacinação contra pólio ocorre normalmente no mês de agosto. Este ano, porém, ela foi adiada, segundo o Ministério da Saúde, devido à Olimpíada no Rio, que poderia diminuir a adesão. Contra pólio, devem ser vacinadas crianças entre 6 meses e 5 anos de idade que ainda não tenham completado o esquema vacinal, que consiste em três doses da vacina injetável e mais duas doses de reforço em versão ora, a gotinha. Neste ano, o calendário de vacinações teve mudanças no esquema vacinal contra HPV, pólio, meningite e pneumonia. As alterações foram anunciadas em janeiro. O vídeo da campanha inclui, além do Zé Gotinha, os personagens da “Carreta Furacão”, trenzinho de Ribeirão Preto-SP que faz sucesso na internet.
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Pesquisadores brasileiros e britânicos conseguiram confirmar a relação de causalidade entre o vírus da Zika e a microcefalia em recém-nascidos e recomendam que as autoridades de saúde em todo mundo se preparem para uma epidemia global de casos de microcefalia e outras complicações ligadas ao vírus. Pedem ainda que o Zika seja oficialmente adicionado a uma lista de infecções que podem ser transmitidas para gestantes e seus bebês, como a toxoplasmose, a rubéola e o herpes. O Zika já foi detectado em 61 países, a maioria deles nas Américas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que em fevereiro declarou a epidemia uma emergência internacional e reiterou o status no último dia 2.
Em abril, a agência de saúde do governo dos Estados Unidos (CDC) já havia anunciado a comprovação de que o vírus da Zika causa microcefalia e outras graves más-formações em bebês, em estudo publicado no New England Journal of Medicine que analisou diversas pesquisas sobre o tema. Agora, a BBC Brasil obteve os resultados preliminares de um inédito estudo de caso-controle, feito a pedido do Ministério da Saúde e que será publicado nesta sexta-feira pela revista médica americana The Lancet. Os cientistas analisaram o nascimento de crianças com microcefalia em oito hospitais públicos de Pernambuco, um dos Estados brasileiros mais afetados pelo surto da doença, e compararam com bebês cuja circunferência craniana estava dentro dos padrões. Os pesquisadores colheram amostras de sangue e fluido cérebro-espinhal dos bebês, além de amostras de sangue das mães dos dos grupos. De 32 casos de bebês nascidos com microcefalia, 24 apresentaram a presença do vírus no organismo das mães (81%), em comparação com 61% das mães do grupo controle (39 de 61). Treze dos 32 bebês nascidos com microcefalia (40%) apresentaram o vírus no sangue ou no fluido cérebro-espinhal, ao passo que nenhum dos bebês do grupo de controle apresentou infecção. Os pesquisadores também analisaram as amostras de sangue das mães para a presença de outras infecções, e uma grande proporção delas teve resultados positivos para dengue e infecções como o citomegalovírus (uma espécie de herpes), a rubéola e a toxoplasmose - esta última também associada à ocorrência de microcefalia. Dos 32 bebês nascidos com microcefalia, 40% tinha o vírus; dos 61 bebês sem microcefalia, nenhum apresentava Zika Mas não houve grande diferença de resultados entre os dois grupos, ou seja, houve pouca alteração na incidência dessas demais doenças. Outro ponto interessante do estudo foi a análise dos cérebros dos bebês com microcefalia. Apenas em sete de 27 casos que foram submetidos a tomografias computadorizadas foi possível identificar anomalias cerebrais nos bebês com perímetro encefálico menor. "Existe uma grande diversidade de casos, e a verificação disso dependerá de um acompanhamento (por estudos posteriores) do desenvolvimento cognitivo desses bebês", explica à BBC Brasil a médica Thália Velho Barreto de Araújo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), uma das autoras do estudo. "Mas é possível que mulheres que se infectem tardiamente (com a Zika) tenham bebês com um dano cerebral menor (e invisível nas tomografias). Só mais pesquisas vão confirmar isso. Barreto explica também que "uma grande proporção de mães de bebês nascidos com ou sem microcefalia tinha sido infectada com o Zika, o que reflete o rápido alastramento do vírus na região. Mas quando comparamos os casos confirmados de infecção em recém-nascidos, descobrimos que mais de 40% dos bebês com microcefalia testaram positivo para o Zika, e nenhum no grupo de controle. A presença de anticorpos para o vírus no líquido cérebro-espinhal indica infecções no sistema nervoso, mas nem todo os casos de microcefalia apresentaram anomalias no cérebro", explic Há a suspeita de que o percentual de infecção congênita possa ser ainda maior. Os pesquisadores explicam que o exame de sangue e fluido cérebro-espinal, o único método vigente de detectção do Zika em recém-nascidos, tem precisão limitada, sobretudo no caso de infecções ocorridas nos primeiros estágios da gravidez. Isso sugere que pode haver casos positivos entre os 19 bebês com diagnóstico negativo, apesar da microcefalia. Segundo os pesquisadores, é improvável que a microcefalia tenha sido causada pela ação de outras infecções como a toxoplasmose porque nem as mães e nem os bebês em questão apresentaram anticorpos específicos dessas mazelas. Os resultados preliminares sugerem que o Zika deveria ser oficialmente adicionado à lista de infecções congênitas como a toxoplasmose e o herpes, por exemplo", explica Thália. O estudo incluiu todos os bebês nascidos em oitos hospitais entre 15 de janeiro e 2 de maio deste ano. Para cada caso de microcefalia, dois casos de controle foram escolhidos - os dois primeiros bebês nascidos sem microcefalia na manhã seguinte em qualquer um dos hospitais. Todos os casos foram agrupados em função da região de nascimento e data esperada do parto. Participaram cientistas da UFPE, da Universidade Estadual de Pernambuco, da Organização Pan-Americana de Saúde e da London School of Hygiene & Tropical Medicine. No total, serão analisados 200 casos de bebês com microcefalia e 400 de bebês sem a má-formação em Pernambuco. "Há um forte consenso científico de que a Zika causa microcefalia, mas os resultados preliminares desse estudo são as peças que faltavam em um quebra-cabeças para provar essa ligação", explica Laura Rodrigues, professora de epidemologia da London School.
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Operadoras de planos de saúde querem que a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) aumente de 7 para até 30 dias úteis o prazo mínimo para agendamento de consultas médicas. O setor fala em falta de especialistas no interior do país e reclama do valor das multas aplicadas em caso de atraso. Hoje, as operadoras precisam marcar consultas com médico pediatra, ginecologista, obstetra, clínico ou cirurgião geral em, no máximo, 7 dias úteis. Para as demais especialidades, o prazo é de 14 dias. No caso de procedimentos de alta complexidade, o agendamento precisa ser feito em 21 dias. A Abramge (http://www.abramge.com.br/portal/index.php/pt-BR/) (Associação Brasileira de Planos de Saúde) sustenta que os prazos estão fora dos padrões internacionais. A entidade afirma ter feito pesquisas em outros países e chegado à conclusão de que os períodos máximos para atendimento só existem no Brasil. As informações são do repórter do UOL Guilherme MoraesSegundo um levantamento da associação, consultas com especialistas nos Estados Unidos ocorrem, em média, de 15 a 27 dias.
No Brasil, o limite é de 14 dias. Já as cirurgias eletivas –quando o procedimento não é emergencial– precisam ser agendadas em até 21 dias no Brasil. No Reino Unido, de acordo com a Abramge, 41,7% dos pacientes aguardam mais de 3 meses para os mesmos procedimentos. Em Portugal, o percentual dos que esperam por esse mesmo prazo chega a 58,1%. A Proteste (https://www.proteste.org.br/) (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) avalia que essa comparação não é válida porque, no Brasil, o modelo de atendimento mais utilizado é o da medicina de grupo. Nesse sistema, as operadoras prestam serviços de saúde por meio de um hospital próprio ou credenciado –tudo a um preço fixo mensal. ''Isso não acontece em outros países do mundo'', afirma a coordenadora-institucional da Proteste, Maria Inês Dolci. Para Dolci, os prazos definidos pela ANS que estão em vigor atualmente são razoáveis. ''O consumidor contrata um plano para complementar o atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde). Não é lógico que ele tenha que esperar'', diz. ''Se as operadoras oferecem um contrato, têm que ter a capacidade de cumpri-lo.'' Segundo o diretor-executivo da Abramge, Antonio Carlos Abbatepaolo, a associação fez um pleito oficial à ANS, em 2014, no sentido de flexibilizar os prazos. Não obteve resposta e o assunto acabou adormecido. Agora, a associação diz ter retomado as conversas. O objetivo é fazer com que os prazos se aproximem do que é praticado em outros países –em torno de 30 dias para os procedimentos mais simples, segundo a Abramge.
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Médicos estrangeiros que atuam no “Programa Mais Médicos” poderão ter contratos renovados por mais três anos. Isso porque o presidente Michel Temer sancionou a lei que prorroga a dispensa de diploma para médicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior. Aprovada no fim de agosto na Câmara dos Deputados e no Senado, a legislação estende por mais três anos o prazo no âmbito do programa Mais Médicos. De acordo com o texto, publicado no diário Oficial da União desta terça-feira (13), profissionais intercambistas que atuam no programa continuarão dispensados da validação dos diplomas de medicina e mantém o direito ao visto temporário para morar e trabalhar no país.
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De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), do mês de julho para o mês de agosto deste ano, o número de beneficiários de planos de saúde aumentou 0,7% no país. Mesmo em meio a crise econômica que o país enfrenta, foram contabilizados 48.347.967 consumidores em planos médico-hospitalares, um aumento de 32.148 beneficiários em relação ao mês anterior, e 22.287.604 em planos exclusivamente odontológicos, mostrando um crescimento de 243.221 em relação a julho. Segundo a ANS os planos empresariais são os mais atrativos para os consumidores. No entanto, o número de planos individuais, coletivos e por adesão são menores. A adesão a planos de assistência médica pelas empresas subiu de 32.015.245, em julho, para 32.100.247, em agosto.
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Após estudos apontarem que o zika vírus permanece por um período longo no organismo de quem foi atingido pela doença, uma nova orientação assinada em conjunto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde determina que o sangue de doadores seja testado para A nota, porém, não determina doadores de sangue passem por triagem clínica para zika e chikungunya. A determinação não garante que o sangue dos doadores seja testado para as doenças, mas que os bancos de sangue deverão perguntar se o doador teve sintomas ou diagnóstico anterior de uma das doenças. A recomendação se baseia no fato de que existem evidências de que o vírus da zika pode ser transmitido por transfusão de sangue, apesar de a principal forma de transmissão ser a picada do mosquito infectado. Sobre a chikungunya, não existirem evidências de transmissão por transfusão, mas não é possível determinar ainda a segurança do procedimento. A partir de agora, os candidatos a doar sangue que já foram diagnosticados clinica ou laboratorialmente com zika ou chikungunya não poderão doar por um período de 30 dias após a recuperação completa. Já aqueles que tiveram contato sexual sem proteção, com alguém diagnosticado com zika nos últimos 90 dias deverão esperar ao menos 30 dias após o último contato sexual para doarem sangue.
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O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (13), o lançamento da Campanha Nacional de Multivacinação. Além da vacinação contra poliomielite, que ocorre todos os anos, a campanha incluirá, pela primeira vez, todas as vacinas disponíveis pelo SUS para crianças de até 5 anos e para crianças e adolescentes entre 9 e 15 anos incompletos, incluindo a imunização contra HPV para meninas. Segundo Ana Goretti Kalumi, do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal dos adolescentes no Brasil ainda não é adequada, por isso a campanha incluiu essa faixa etária. “Os adolescentes são um público que, diferentemente das crianças pequenas que são levadas pelas mães às unidades de saúde, são muito resistentes a buscar serviços de saúde”, disse a especialista em coletiva de imprensa. A campanha começará na próxima segunda-feira (19) e vai até o dia 30 de setembro. O dia de mobilização nacional está marcado para o dia 24 de setembro, um sábado. A vacinação contra pólio ocorre normalmente no mês de agosto.
Este ano, porém, ela foi adiada, segundo o Ministério da Saúde, devido à Olimpíada no Rio, que poderia diminuir a adesão. O objetivo principal é estimular que os pais levem os filhos para por em dia a carteira de vacinação. Contra pólio, devem ser vacinadas crianças entre 6 meses e 5 anos de idade que ainda não tenham completado o esquema vacinal, que consiste em três doses da vacina injetável e mais duas doses de reforço em versão ora, a gotinha. Este ano, o calendário de vacinações teve mudanças no esquema vacinal contra HPV, pólio, meningite e pneumonia. As alterações foram anunciadas em janeiro. O vídeo da campanha inclui, além do Zé Gotinha, os personagens da “Carreta Furacão”, trenzinho de Ribeirão Preto-SP que faz sucesso na internet.Vacinar adolescentes é desafio
Segundo a médica Mônica Levi, presidente da Comissão Técnica para revisão dos calendários vacinais e consensos da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a cobertura vacinal de crianças mais velhas e adolescentes ainda é um desafio a ser superado. “Temos um programa nacional de vacinação de muito sucesso, mas algumas vacinas do adolescente acabam esquecidas”, diz. Um dos casos de baixa adesão é a vacina contra HPV para meninas, que tem o objetivo de prevenir câncer de colo de útero. Mônica lembra que a vacinação contra HPV teve sucesso na aplicação da primeira dose, mas informações divulgadas erroneamente sobre supostos efeitos colaterais da vacina, que posteriormente foram descartados, prejudicaram a campanha. Quando entrou no programa nacional de imunizações, a vacina contra HPV chegou a ter 92,3% de adesão, entre 2014 e 2015. Porém, até março deste ano, apenas 69,5% das meninas de 9 a 11 anos tinham tomado a primeira dose da vacina. Quanto à segunda dose, a adesão foi ainda pior: só 43,73% do público-alvo foi atingido.
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- Uol Notícias
- 12 Set 2016
- 17:00h
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Oito de cada dez bebês nascidos com microcefalia e outras alterações cerebrais ligadas ao vírus da zikaoutras alterações cerebrais ligadas ao vírus da zika são filhos de mulheres negras (pretas e pardas, pela nomenclatura oficial), de acordo com dados do Ministério da Saúde. No Nordeste, região com maior incidência, o percentual mais alto é do Ceará –93,9% das mães de bebês com máformação ligada ao zika são negras. Pelo Censo 2010 do IBGE, pretos e pardos somam 66,4% da população do Estado. No país, representam pouco mais de metade. Os números foram obtidos pela Folha via Lei de Acesso à Informação e se referem a 44,2% das 8.703 notificações feitas pelos Estados ao governo federal até 23 de julho –na maioria, o quesito cor/raça não foi preenchido. Essa subnotificação desrespeita tanto o Estatuto da Igualdade Racial quanto a portaria 992 do Ministério da Saúde, que determinam a coleta e análise de dados desagregados por raça, cor e etnia. Estado com mais casos de microcefalia, Pernambuco é também o que mais falhou em fornecer dados sobre raça e cor: apenas três notificações, segundo o ministério.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde de Pernambuco alegou que foi o primeiro Estado a implantar a notificação obrigatória, em outubro do ano passado, e que nesse momento inicial a prioridade foi "compilar informações clínicas" sobre a microcefalia. A secretaria disse que, a partir de 1° de agosto, passou a informar raça/cor ao governo federal. Enviou um levantamento próprio, no qual 75% das mães cadastradas na vigilância socioassistencial são negras. Pelo IBGE, 58,2% dos pernambucanos se autodeclararam pretos e pardos. 49,9% das mulheres brasileiras são negras (pretas e pardas) 8.703* casos notificados (sem validação) de bebês com máformação em decorrência do zika *Dados de 23.jul.2016; AM, AP, PE, RO, RR e SC não foram incluídos por causa da baixa notificação de raça ou do número reduzido de casos **Números foram fornecidos pelo Estado de PE e não entram nos dados nacionais RAÇA E MICROCEFALIA Maioria das mães que tiveram bebês com a máformação por causa da zika é negra (em %)Médica negra e militante da ONG Criola, voltada à saúde, Jurema Werneck afirma que os dados, "infelizmente, não são inesperados". "Há uma tragédia ambiental por trás da alta proliferação de mosquitos infectados com zika. A falta de saneamento, de coleta adequada de lixo, de acesso a água encanada ocorrem nas comunidades negras", afirmou. A médica carioca disse que a desigualdade racial entre mulheres negras e brancas se reflete também no acesso ao aborto, que, apesar de proibido para casos de microcefalia, é mais seguro e acessível para a classe média, predominantemente branca. "O Estado diz: você não pode abortar. Mas também diz que os seus filhos são problema seu", disse Werneck, em alusão aos serviços públicos precários no Nordeste voltados a bebês com microcefalia. Ela critica as falhas na compilação e divulgação dos dados. "Quando o governo não diz que as mulheres negras estão padecendo mais, se desresponsabiliza de fazer políticas dirigidas a esse grupo. Faz uma afirmativa genérica e pode continuar dizendo na TV que é preciso matar mosquito, e não cuidar dessas mulheres. Isso é puro racismo.
DESIGUALDADE
Estudiosa do zika, a antropóloga Debora Diniz, da Universidade Nacional de Brasília, afirma que os números indicam que, mesmo entre as mulheres nordestinas pobres, são as negras que sofrem proporcionalmente mais com os efeitos da epidemia. Diniz, que lançou o livro "Zika: do Sertão Nordestino à Ameaça Global", diz que a alta incidência de másformações ligadas ao zika em famílias negras contribui para ampliar o fosso da desigualdade. "O cuidado de uma criança com múltiplas dependências precisa de um Estado social forte. Na ausência disso, ainda mais no Nordeste e nas zonas rurais, você faz uma imposição importante nas mulheres de serem cuidadoras." O resultado é que muitas mães tiveram de deixar seus empregos para cuidar dos filhos, o que "amplifica formas de fragilização da vida
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