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Foto: American College of Physicians
O doutor Philipp Köhler, especialista em medicina de emergência, disse que nunca tinha visto um caso como este.Köhler trabalha no Hospital Universitário de Colônia, na Alemanha, onde um paciente chegou sentindo náuseas, vômito e dor de cabeça.Além disso, seu estado de alerta diminuía aos poucos.O homem, de 39 anos cuja identidade não foi revelada, sofre de diabetes, mas nos dias anteriores à ida ao hospital não tinha tomado seus remédios de uso contínuo.De acordo com o relato do caso, publicado nesta semana na revista "Annals of Internal Medicine", o homem foi submetido imediatamente a um tratamento intensivo, onde os testes revelaram que seu sangue tinha "síndrome de hiperviscosidade devido ao nível extremamente alto de triglicérides".Uma das coisas que mais chamou a atenção dos médicos foi a cor do sangue do paciente."Inicialmente, o tom era mais claro que o sangue venoso escuro normal", diz Köhler. "Parecia mais sangue arterial, mas com um brilho branco.""Após a sedimentação, uma parte branca se separou do sangue saudável, que permaneceu na parte inferior (do recipiente)."Köhler disse ao site Live Science que o sangue adquiriu uma "cor leitosa".Os triglicérides são um tipo de gordura que vem de alimentos como a manteiga e óleos, embora níveis elevados possam ter outras causas, como doenças genéticas, obesidade, uso de drogas ou álcool e cigarro em excesso.Em casos como este, os médicos usam uma máquina para retirar a gordura do sangue e, assim, reduzir sua viscosidade.No entanto, a situação deste paciente era tão extrema que os filtros para sugar a gordura entupiram diversas vezes.Os médicos tiveram de agir rapidamente para remover o excesso de gordura, restaurar o pH do sangue e, assim, estabilizar o paciente."Tivemos de procurar alternativas", disse Köhler à BBC Mundo.Assim, ao ver que o procedimento padrão falhou, Köhler e sua equipe recorreram à flebotomia, isto é, extrair o sangue e substituí-lo por sangue de um doador."Não tivemos escolha", diz Köhler. "Precisávamos levar o paciente a um estado em que os procedimentos padrão para remover os lipídios do sangue fossem novamente possíveis".A técnica funcionou e eles conseguiram baixar os níveis de triglicérides do paciente."Até onde sabemos, este é o primeiro caso de hipertrigliceridemia severa que precisou de flebotomia para salvar o paciente depois que o procedimento padrão falhou", diz Köhler.
Remédio — Foto: Unsplash
Um elixir milagroso para curar todos os males? Sim, "tão garantido quanto que o sol derrete o gelo". Esta é uma das promessas de panfletos que circulavam no século 19 e garantiam que certas poções tinham propriedades curativas. No caso de doenças relacionadas a parasitas, a solução era se livrar deles e, para conseguir isso, a pessoa tinha que tomar o elixir. Os efeitos prometidos eram verdadeiramente "mágicos". Um dos panfletos incluía o depoimento de Julie, uma mulher que assegurava ter perdido um membro que, após tomar a poção, "voltara a crescer". O tempo passou e a ciência avançou. As pesquisas mostraram que essas curas "mágicas" não existem. Certo? A questão é que pessoas que se aproveitam da necessidade dos outros sempre existiram - e essa realidade não mudou, apesar do fato de estarmos em 2019. Atualmente, a oferta é vasta: há quem ofereça soluções para perder peso, para cuidar da pele e até para substituir vacinas, só para citar algumas. A diferença no século 21, no entanto, é que essa mensagem sem base científica é propagada e amplificada pela internet. O caso de Britt Marie Hermes ilustra o poder das redes. "Eu era curandeira. Vendia remédios naturais e tratamentos pseudocientíficos. Me identificava como médica naturopata", diz ela. Tudo começou com a experiência infeliz que ela teve com um médico que consultou para cuidar da sua psoríase. Ele a tratou com displicência e ela decidiu buscar alternativas. Na internet, se identificou com o que encontrou. Havia pessoas que estavam na mesma situação e tudo o que ela lia fazia sentido. Havia recomendações relacionadas a práticas saudáveis, como o consumo de produtos orgânicos. Nada controvertido. Por que seria um problema? Muita gente acaba imersa nesse mundo usando o mesmo raciocínio. Tudo parecia tão lógico que ela decidiu se dedicar profissionalmente ao tema. "No começo, eu era ingênua, achava que, se o site fosse bem feito, era confiável", recorda. Mas um dia, seu chefe, que estava tratando uma pessoa com câncer, comentou que usaria um remédio que vinha do exterior, mas não havia chegado. "Certamente o FDA (órgão do governo americano que fiscaliza alimentos e remédios) reteve, mas não tem problema", teria dito. Naquele dia, ela decidiu abandonar o trabalho que vinha fazendo até então. Atualmente, Hermes aproveita o potencial multiplicador da internet e se dedica a combater os "charlatães" que oferecem seus serviços na rede. O objetivo dela é "hackear" esses grupos usando palavras-chave e técnicas de marketing digital para que suas informações apareçam no topo das pesquisas do Google. Ela tem uma vantagem: sabe como esse mundo funciona, então, entende qual é a forma mais eficaz de chegar às vítimas em potencial na rede. Há também aqueles que se dedicam a expor as falhas dos "remédios" que não têm base científica. Este é o caso de Myles Power, químico por formação e youtuber cético nas horas vagas. O canal dele tem 126 mil inscritos e seus vídeos já foram vistos mais de 13 milhões de vezes. "Consegui desmentir as pessoas que dizem que a Aids não existe. Outra coisa é um creme chamado 'pomada negra', quem a promove garante que é capaz de curar o câncer. É uma substância que pode abrir buracos nas pessoas", explica Power. "Mas acho que a pior coisa que está circulando no momento, é a 'solução mineral milagrosa'. Basicamente, é cloro. E é vendida como uma cura para o autismo", diz o químico. Ele afirma que é muito fácil ganhar dinheiro com a venda de "poções mágicas", que são muito populares. "Existem aqueles que têm um problema de saúde e estão com medo porque não querem morrer antes do tempo. Querem se curar e acreditam que assim vão conseguir". Outro elemento que explica o sucesso dos charlatães, particularmente em relação aos grupos que se opõem às vacinas, é o fator emocional. E aqui, novamente, tanto a internet quanto as redes sociais desempenham um papel fundamental. "Se você vê um amigo fazendo referência a um assunto no Facebook, é mais provável que você perceba a informação como confiável e dê uma chance para saber do que se trata", explica Naomi Smith, socióloga digital da Federation University Australia. É assim que o ciclo se forma, os membros do grupo - seja qual for o procedimento, a ideia ou a cura de que estão falando - se reforçam mutuamente. E apesar de verem o tempo passar e que não está funcionando, "a maioria está convencida de que, antes de se sentir melhor, sua condição vai piorar", diz Hermes. Além disso, há um elemento tecnológico que os charlatães têm usado para atingir mais pessoas nas redes sociais: o algoritmo. "Muitos conseguiram enganá-lo. No Facebook, por exemplo, eles começam a compartilhar fotos de gatos, algo terno e adorável. Fazem isso nove vezes e no décimo post, dizem que a Aids não existe e que não é necessário usar camisinha porque não é real", explica Power. "O Facebook pensa nas pessoas que curtiram os nove primeiros posts, e mostra a elas o décimo. Aqueles que veem, clicam. Então, o Facebook começa a mostrar também posts relacionados àqueles que negam a existência da Aids". Assim, as pessoas acabam inseridas em um círculo em que todos estão convencidos de que aquilo é verdade e replicam ideias que não têm base científica. Além disso, elas têm convicção absoluta de que a mensagem é verdadeira. "Se você mexer com a tribo, eles vão te atacar", destaca Power. Embora seja verdade que controlar a estratégia do algoritmo é um desafio, não significa que seja impossível dar visibilidade à ciência na internet. Esse tipo de falsificação existia muito antes da chegada da internet. É um problema social que requer uma solução social.
Pesquisadores dizem que um homem de Londres parece estar livre do vírus da Aids após um transplante de células tronco. É o segundo caso de sucesso, depois que o "paciente de Berlin", Timothy Ray Brown, foi curado há quase 12 anos.Tais transplantes são perigosos e falharam em outros pacientes. As novas descobertas foram publicadas online nesta segunda-feira (4) pela revista Nature. Os detalhes serão divulgados em uma conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas em Seattle. O paciente de Londres não foi identificado. Ele foi diagnosticado com HIV em 2003. O homem desenvolveu câncer e concordou com um transplante de células-tronco para tratar essa doença em 2016. Seus médicos encontraram um doador com uma mutação genética que confere resistência natural ao HIV. O transplante mudou o sistema imunológico do paciente de Londres, dando a ele a resistência do doador ao HIV, segundo a Associated Press. Publicamente, os cientistas ainda se referem ao caso como uma “remissão de longo termo” e alguns não garantem que o vírus não irá retornar ao organismo do paciente. Mas muitos especialistas chamam de cura, segundo o “New York Times”, com a ressalva de que é difícil saber como definir a palavra quando há apenas duas instâncias conhecidas. Embora afirmem que o transplante não é uma opção viável para o tratamento da Aids, médicos acreditam que o caso do paciente de Londres é um grande avanço. "Isso vai inspirar as pessoas que a cura não é um sonho", disse Annemarie Wensing, virologista do Centro Médico da Universidade de Utrecht, na Holanda, ao “NY Times”. "É alcançável."
Há vacina para proteger contra a meningite meningocócica? Sim. Existem vacinas e são bastante eficazes. Vamos entender melhor.A meningite meningocócica é causada por uma bactéria chamada Neisseria meningitidis que é popularmente conhecida como meningococo. O meningococo tem 12 “tipos” diferentes, conhecidos como sorogrupos que são definidos por letras. Destes, 6 se destacam: A, B, C, W135, X e Y. Para nos proteger contra todos estes sorogrupos, existem hoje 3 vacinas: a que protege contra o meningococo C, contra o meningococo B e outra que nos protege dos ACWY. Nos últimos anos, o meningococo C foi o mais frequente no Brasil. Assim, com base nestes dados, esta vacina está contida no Programa Nacional de Imunização e é gratuitamente distribuída para todas as crianças. A primeira dose deve ser dada aos 3 meses de idade, a segunda aos 5 meses e uma dose de reforço depois de 1 ano de idade. Pode ser dada mais uma dose aos 4 anos. Aos 12-13 anos está indicado outro reforço. As vacinas ACWY e contra o meningococo B estão disponíveis em clínicas de imunização. A vacina ACWY segue o calendário da vacina contra o meningococo C, e a vacina contra o meningococo B deve ser dada em 3 doses ao longo do primeiro ano de vida, com intervalo de 2 meses entre as mesmas. Depois de 1 ano, deve-se fazer uma dose de reforço. Quem não fez as doses antes de 1 ano pode fazer 2 doses, com intervalo de 2 meses entre elas.
IMPORTANTE: os adolescentes são grupo de risco para meningite meningocócica e, por isso, devem receber as vacinas.
A meningite meningocócica se caracteriza pela inespecificidade com que os sintomas acontecem – no começo parece uma gripe com febre, mal-estar, vômitos e dor de cabeça – e pela rapidez com que o quadro evolui, com alto grau de letalidade. Em questão de horas a pessoa acometida pode morrer. Isso é que é o mais preocupante. O contágio pode se dar pelo ar; o que é igualmente relevante, pois basta estar no mesmo ambiente que a pessoa contaminada para ter uma chance de adoecer. Há alguns sinais de alerta para os quais devemos prestar atenção: a febre não necessariamente é alta. Pode ser baixa. Os vômitos em geral são em jato, como se saíssem “com força” do estômago. Dá muita dor de cabeça. As crianças ficam indispostas e sem vontade de fazer nada. Mais importante: podem surgir manchinhas arroxeadas pelo corpo. Este é um dos sinais de alerta mais significativos, pois significa que a doença está se disseminando e causando alteração na coagulação sanguínea. Meningite meningocócica é uma doença rápida e muitas vezes fatal. As vacinas são, de longe a melhor, mais segura e mais eficaz forma de proteção.
Foto: Reprodução/EPTV
O alto consumo de gelo no período do verão e no carnaval deve vir acompanhado por um alerta contra doenças. É o que aponta Renata Araújo, biomédica de Campinas (SP). A especialista garante que, ao utilizar água inapropriada para formar o gelo, o risco da substância servir como abrigo para diversos tipos de bactérias é alto.Renata desmistifica a crença de que as bactérias não sobrevivem às baixas temperaturas quando congeladas. "Os micro-organismos apresentam um mecanismo de defesa muito eficaz. Quando a gente congela estes micro-organismos, a gente paralisa o processo de crescimento. Quando acontece o degelo, pode ocorrer a contaminação", explica. Segundo a biomédica, as patologias mais comuns são as doenças intestinais, viroses, febre e indisposição. "Na dúvida, é melhor evitar. Gelo, só em casa e com os cuidados de higienização", completa. Os cuidados, de acordo com a especialista, precisam começar dentro de casa. Antes de colocar a água no freezer, é necessário lavar as mãos antes de manusear a água e lavar bem as formas onde ficará o gelo.
Foto: Reprodução/Facebook
Arthur Lula da Silva, de 7 anos, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morreu nesta sexta-feira vítima de meningite meningocócica. Arthur deu entrada no Hospital Bartira, em Santo André, às 7h20 desta sexta-feira com "quadro instável" e morreu às 12h11 "devido ao agravamento do quadro infeccioso", segundo a assessoria da Rede D'Or São Luiz, da qual o hospital faz parte. Arthur era filho de Marlene Araújo Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro de 2017, e do ex-presidente Lula.A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por diversos agentes infecciosos (bactérias, vírus ou fungos).A meningocócica é uma meningite bacteriana e, junto com a pneumocócica, é considerada uma das formas mais graves e preocupantes da doença.Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2018, foram registradas 1.072 ocorrências de doença meningocócica no Brasil e 218 mortes. Em 2017, no mesmo período, foram 1.138 e 266, respectivamente. Em relação à meningite pneumocócica, foram 1.030 ocorrências e 321 mortes em 2017, e 934 e 282 em 2018. As meningites causadas por outras bactérias somaram 2.687 notificações e 339 óbitos em 2017, e 2.568 e 316 em 2018. No caso da viral, o governo registrou 7.924 casos e 107 mortes em 2017. No ano passado, foram 7.873 e 93. Já meningites com outras causas contabilizaram 796 ocorrências e 169 óbitos em 2017, e 624 e 122 em 2018. O ministério disse em nota que, no Brasil, "a meningite é considerada uma doença endêmica, deste modo, casos são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais". O órgão complementou que a incidência da meningite bacteriana é mais comum no período outono-inverno, e da viral, na primavera e no verão.
Foto: Prefeitura de Jundiaí/Divulgação
O Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas (Unicef) alertou nesta quinta-feira (28) para uma alta nos níveis de infecção por sarampo em todo o mundo. Dez países são responsáveis por 74% do aumento dos casos da doença entre 2017 e 2018, com destaque para Ucrânia, Filipinas e Brasil – em primeiro, segundo e terceiro lugar. Em todo o mundo, 98 países reportaram mais casos da doença em 2018 do que em 2017. A Ucrânia, que registrou mais de 35 mil casos no ano passado, já registra 24.042 novas infecções nos dois primeiros meses de 2019. Nas Filipinas ocorre a mesma situação: já são 12.736 casos neste ano, contra 13.192 em 2018. "Esse é um alerta. Temos vacinas seguras, eficientes e baratas contra essa doença tão contagiosa – vacinas que têm salvado quase um milhão de vidas por ano nas duas últimas décadas", afirma Henrietta H. Fore, Diretora-Executiva do Unicef."Esses casos não apareceram da noite para o dia. Assim como os sérios surtos que estamos no momento tiveram início em 2018, a falta de ações hoje trará consequências desastrosas para as crianças amanhã", completou.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou nesta quarta-feira (27) uma nova modalidade de compra de medicamentos de alto custo ou destinados ao tratamento de doenças raras.A pasta passará a adotar o chamado compartilhamento de risco com as indústrias farmacêuticas. Nessa modalidade, o governo só irá pagar pelo medicamento se houver melhora do paciente. O ministro fez o anúncio ao participar de uma sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem ao dia mundial das doenças raras, celebrado no último dia do mês de fevereiro. “Incorpora-se o medicamento, faz-se a seleção dos pacientes objeto daquele medicamento e compartilha-se o risco. Se funcionar, continua o programa. De tempos em tempos, tem que ser reavaliado. Se não funcionar, o laboratório em questão devolve o dinheiro. Então, nós estamos usando pela primeira vez o compartilhamento de risco com essa medicação, que a gente acha que é um marco para o nosso sistema de saúde”, afirmou Mandetta. A aplicação da nova modalidade para compras de remédios será avaliada caso a caso de acordo com o ministro. Os remédios que hoje já são comprados pelo ministério continuam a ser adquiridos pelo modelo anterior. Segundo o ministro, o primeiro remédio a ser adquirido pela nova modalidade será o Spinraza, usado para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença degenerativa de origem genética. A expectativa do ministro é que até o fim de março o medicamento já esteja disponível. O objetivo da nova modalidade, segundo Mandetta, é liberar o fornecimento do medicamento de alto custo, mas, ao mesmo tempo, garantir que não tenham uso desnecessário.
Primeiro medicamento
No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão do Ministério da Saúde, rejeitou o fornecimento do Spinraza pela rede pública por entender que o produto não tinha eficácia comprovada em todos os subtipos da doença, mas apenas em um deles. O ministro explicou que, com a nova modalidade de compra, a ideia é liberar o fornecimento do medicamento, mas o laboratório será responsável por monitorar que apenas os pacientes para os quais há indicação o recebam. "O laboratório não vai querer entregar o medicamento para um subtipo que ele sabe que, eventualmente, não funcione", afirmou. "No modelo anterior, depois que incorporou, cabe ao ministério pagar e não tem nenhum monitoramento [da eficácia]", disse. Segundo o ministro, a nova modalidade a ser adotada pelo Brasil já é aplicada em outros países.
(Foto: Divulgação)
Dois estudos liderados por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), divulgados em fevereiro, apontam que quem se cura da dengue tem chances de se tornar imune à zika e quem escapa da zika pode adquirir também imunidade à dengue. Conforme a instituição, os estudos foram baseados em evidências a partir de coletas realizadas em Salvador, e os resultados foram publicados em revistas científicas internacionais. Zika e dengue são arboviroses transmitidas pelo mosquito aedes aegypti, ambas provocadas por vírus “primos”, do tipo flavivirus. Ambos estudos foram subsidiados por evidências coletadas no bairro do Pau da Lima, na periferia da capital baiana, foco do surto de zika registrado em 2015, e fazem parte do conjunto de pesquisas lideradas pela Ufba e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-BA).
Testes
Um dos artigos foi publicado na Science, sob o título “Impact of preexisting dengue immunity on Zika virus emergence in a dengue endemic region” (em tradução livre, Impacto da imunidade pré-existente à dengue na emergência do vírus zika numa região endêmica de dengue). O artigo propõe a tendência de imunização contra a zika após a dengue. Integram o grupo internacional e multidisciplinar de autores do artigo os professores Federico Costa – que liderou a pesquisa de campo, base do estudo – e Guilherme Ribeiro, ambos do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), e Mittermayer Reis, da Faculdade de Medicina, além dos doutorandos Nivison Nery Júnior e Daiana De Olivera. O artigo publicado pela Science apontou que amostras de sangue de pacientes que já haviam contraído dengue, coletadas antes do surto da zika, em março de 2015, reagiram positivamente a testes que detectam a presença de anticorpos que protegem contra a zika. Contudo, segundo o professor Federico Costa, essa imunização variou conforme a quantidade de anticorpos contra a dengue encontrados nas amostras. “Quanto mais anticorpos de dengue encontrados, menor a chance de infecção por zika”, afirmou. O estudo traz ainda outros dois dados importantes. Primeiro, confirma incidência de aproximadamente 73% do vírus da zika nas 1.453 amostras colhidas na localidade, com uma variação de 29% a 83% do alcance da doença, a depender da área do bairro. Ou seja, pelo levantamento, é provável que mais de 7 de cada 10 moradores do bairro tenham contraído zika no surto de 2015. E, segundo, confirma que quem se curou da zika adquiriu imunidade contra a doença. Um ano antes, em fevereiro de 2018, o artigo “Does immunity after Zika virus infection cross-protect against dengue? ” (A imunidade após o vírus Zika protege também contra a dengue?), publicado no periódico The Lancet Global Health, havia proposto a tendência inversa, com base nas evidências de que, após o surto de zika, em 2015, houve uma queda significativa na incidência de dengue em Salvador. O autor principal foi Guilherme Ribeiro, da UFba, e ainda o assinavam os professores Mittermayer Reis e Gúbio Soares (ISC). O artigo havia mostrado uma significativa queda de casos de dengue após o surto de zika de 2015. Das 1.937 amostras de pacientes com febre aguda colhidas antes do surto, entre janeiro de 2009 e março de 2015, 484 (25%) eram casos de dengue. Nas 1.334 amostras colhidas após o surto, entre abril de 2015 e maio de 2017, apenas 43 (3%) eram casos de dengue. Ainda conforme o estudo, na análise estendida a dados coletados pela Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, em que se tem um total de 40.904 pacientes cujos testes deram positivo para dengue num período de pouco mais de 8 anos, isto é, de janeiro de 2009 a maio de 2017, verificou-se que, se a incidência da dengue era de 31% da amostra antes do surto de zika de 2015, ela caiu para 8%, após o surto. Segundo o estudo, os dados disponíveis “sugerem que as infecções pelo vírus zika podem induzir imunização cruzada contra o vírus da dengue”, mas os pesquisadores afirmam que ainda é necessário mais estudos para comprovar definitivamente a hipótese.
- Ascom I Sesab
- 23 Fev 2019
- 11:03h
(Foto: Divulgação)
O número de casos de Dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, cresceu 301,4% em 2019, se comparado ao mesmo período de 2018. Até o dia 16 de fevereiro desse ano foram notificados 3.725 casos em 123 municípios. O município de Feira de Santana lidera com 1.520 registros e quatro óbitos. Outros dois óbitos foram confirmados, sendo um em Salvador e outro em Candeias. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) solicita que os municípios realizem mutirões de limpeza, com atividades de vistoria e remoções de focos do vetor nas residências, juntamente com caminhadas de conscientização e distribuição de materiais informativos. O governo da Bahia já distribuiu 7.400 kits para serem utilizados pelos agentes de controle de endemias dos 417 municípios. Com investimento superior a R$ 2,6 milhões, cada kit é composto de 26 itens, como pesca larva, pipetas de vidro, tubos de ensaio, álcool, esponja, lanterna de led recarregável, bacia plástica, dentre outros materiais. “Os agentes de controle de endemias têm um papel fundamental na eliminação de focos do Aedes aegypti, pois na visita aos imóveis, eles eliminam criadouros, orientam moradores e realizam mobilizações”, afirma o secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas. O titular da pasta estadual da Saúde ainda ressalta que “construir uma estratégia agressiva de combate ao mosquito e controle dos agravos é fruto de um esforço conjunto do poder público, empresas e sociedade em geral, visto que mais de 80% dos focos estão dentro das casas”. A distribuição desses kits se configura como um apoio essencial aos municípios, considerando que a maioria tem dificuldades para aquisição de bens e equipamentos, bem como escassez de recursos. “Os materiais e equipamentos adquiridos pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) são todos padronizados pelo Ministério da Saúde”, destaca o secretário. O primeiro sintoma da Dengue é a febre alta, entre 39° e 40°C. Tem início repentino e geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira no corpo. Também pode haver perda de peso, náuseas e vômitos. A população deve procurar a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima. Além do diagnóstico clínico, a equipe de saúde pode utilizar o teste rápido Dengue IgG / IgM da Bahiafarma, que foi o primeiro do gênero desenvolvido por um laboratório público brasileiro a obter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O dispositivo detecta tanto anticorpos para infecções ativas (IgM), quanto para infecções anteriores (IgG), auxiliando no correto tratamento dos casos. Realizado com uma pequena amostra de sangue, o teste fornece o resultado em até 20 minutos. O produto é comercializado para o Ministério da Saúde e distribuído para todo o País.
Carnaval
Nos dias que antecedem a folia momesca, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado está realizando a pulverização de inseticida (UBV) com carros fumacê nos circuitos Dodô e Osmar. O trabalho será iniciado hoje (22) e terá dois ciclos, com intervalo de três dias. Após o Carnaval, a partir do dia 11 de março, também será aplicado o fumacê, com dois ciclos e intervalo de três dias. O objetivo desse trabalho é o controle do mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir doenças como a Dengue, Zika e Chikungunya e que pode também ser vetor para transmissão da febre amarela.
Foto: Arquivo pessoal (via BBC)
O caso da jovem Layane Dias, de 20 anos, que ficou paraplégica após colocar um piercing, é considerado raro pelos especialistas. Ela foi infectada pela bactéria Staphylococcus aureus, que pode causar problemas variados ao atingir a corrente sanguínea. A bactéria entrou no organismo de Layane através de uma infecção no nariz em decorrência do piercing. O G1 ouviu especialistas sobre o caso e eles alertam para os possíveis perigos do procedimento.
- O piercing deve ser colocado em ambiente limpo e estéril e por um profissional
- É preciso ficar atento aos sinais do corpo após o procedimento
- Bactéria é comum na pele e no nariz
- Em caso de infecção, é preciso procurar um médico
- Não pratique a automedicação
A dermatologista Alessandra Romiti, Coordenadora do Departamento de Cosmiatria Dermatológica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que o caso da jovem não é comum. "O que aconteceu com esta paciente é uma complicação mais rara. Pode acontecer que uma infecção local quando não-tratada ou não diagnosticada, ou uma bactéria muito resistente ao tratamento, possa se espalhar através do sangue e causar infecção em outros lugares", explica a dermatologista Alessandra Romiti. Ela diz que, na maioria das vezes, as complicações decorrentes do piercing são no local onde o acessório foi colocado. A mais comum é a inflamação: "Principalmente se ele for colocado no local que tem cartilagem como o nariz e algumas regiões da orelha, onde pode acontecer essa condrite- a inflamação da cartilagem que fica bem vermelho, bem dolorido. Às vezes se resolve com tratamento e em outras é necessário retirar o piercing".
A bactéria que "viaja" pelo sangue
A bactéria Staphylococcus aureus é frequentemente encontrada na pele e no nariz de pessoa saudáveis, segundo a neurologista Letizia Goncalves Borges, do Hospital Sírio Libanês. "Ela é comum, mas pode causar infecções graves quando está em grande quantidade ou quando ela se dissemina pelo sangue. Mas infecções que se disseminam para outras áreas do corpo são extremamente raras e nem sempre dá para comprovar qual foi a causa da infecção. Na maioria das vezes, a bactéria causa infecção no local", explica.A infectologista Thais Guimarães, Presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Central do HC-FMUSP, explica que qualquer infecção pode cair na corrente sanguínea- infecção de garganta, na pele, urinária- e se espalhar para outros órgãos. Mas não são todas as bactérias que fazem isso. Algumas particularmente têm como mecanismo se espalhar em outros órgãos. A Staphylococcus aureus é uma dessas. Para ela, o caso de Layane foi uma fatalidade, mas os piercings colocados em regiões de mucosa como nariz e boca devem ter cuidados redobrados. "Quando um piercing é colocado na pele, em qualquer região, ele é menos perigoso do que quando é colocado em uma área de mucosa, que é o tecido que fica dentro do nariz. Ou na língua, que também é uma mucosa. Elas já têm uma maior prevalência de bactérias do que a pele. Então piercing nesses locais têm mais chance de infeccionar", diz Thais Guimarães, infectologista do HC-FMUSP.
- Bahia Notícias
- 13 Fev 2019
- 19:01h
(Foto: Reprodução)
Comunicado da Organização Mundial da Saúde (OMS), emitido nesta quarta-feira (13), recomenda que estrangeiros se vacinem contra febre amarela antes de visitar áreas de risco de contaminação pelo vírus. Há 20 estados brasileiros e o Distrito Federal na lista, incluindo a Bahia.De acordo com o documento, a vacina deve ser dada ao menos 10 dias antes da viagem. É necessário que os viajantes levem consigo os certificados internacionais de vacinação. As unidades federativas brasileiras incluídas no alerta são: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Tocantins, Santa Catarina e São Paulo. Entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, foram registrados 36 casos de febre amarela em 11 cidades do Brasil. A maioria dos casos foi registrado em São Paulo.
Foto: Arquivo pessoal (via BBC)
No início de julho do ano passado, Layane Dias comemorava o estágio que acabara de conquistar e planejava uma viagem em família no mês seguinte. Para a jovem, na época com 20 anos, era o início de uma nova fase.Ela afirma que jamais imaginaria que estava prestes a passar pelo período que considera o mais complicado de sua vida. Dias antes de iniciar o estágio, Layane começou a sentir dores frequentes pelo corpo. Para ter forças para trabalhar, a jovem teve de recorrer a medicamentos. No entanto, cada vez mais debilitada, teve de abandonar o estágio. O quadro de saúde dela foi piorando até que, semanas depois, a estudante perdeu os movimentos da perna. A situação tornou-se ainda mais difícil e a jovem deixou de sentir parte do próprio corpo. "Dos seios para baixo, não conseguia sentir mais nada", diz à BBC News Brasil. Segundo Layane, o neurocirurgião que a acompanhou apontou que a bactéria Staphylococcus aureus — que pode causar mazelas em diferentes níveis ao atingir a corrente sanguínea — entrou no organismo da jovem por meio de uma infecção no nariz e a deixou paraplégica. "O médico me perguntou se eu tive alguma espinha na região do nariz ou algo assim, porque essa bactéria, comumente, é desenvolvida nas fossas nasais. Foi então que contei que havia colocado um piercing no lado esquerdo do nariz, no mês anterior", relata a jovem. "Quando contei isso, ele me disse: o piercing foi a entrada da bactéria em seu corpo. Ouvir isso me deixou em choque", conta.
O piercing
Layane sempre se considerou uma jovem vaidosa. Além de estudante de Recursos Humanos, também fazia alguns trabalhos como modelo fotográfica. Ela revela que sempre gostou de piercings. "Já tinha colocado na parte direita do nariz por três vezes", comenta. Em junho passado, a estudante mudou o lado do piercing. "Foi a primeira vez em que coloquei na parte esquerda do nariz. Também foi a primeira vez em que saiu sangue durante o procedimento para colocar o piercing." No início de julho, segundo Layane, surgiu uma bola vermelha na ponta do nariz, semelhante a uma espinha. "Eu achava que era apenas uma espinha, mas ela me causou febre. Como pensei que não fosse nada relevante, cuidei em casa mesmo, com pomadas. Em uma semana, ela sumiu." A dermatologista Alessandra Romiti ressalta que as complicações decorrentes do piercing, comumente, acontecem apenas na área do corpo em que o objeto é colocado. "Há casos como inflamações ou infecções locais. Por isso, é fundamental que o estabelecimento obedeça às normas de higiene adequadas. O material utilizado tem que estar esterilizado, o piercing tem que estar limpo e a pele precisa ser muito bem higienizada", diz. "Depois, o paciente precisa manter o lugar limpo para evitar o risco de haver qualquer tipo de contaminação", acrescenta. Segundo a médica, complicações graves são consideradas extremamente raras. Na sexta-feira que antecedeu o início do estágio da estudante, ela foi a uma festa com as amigas, em Brasília, onde mora. "Dançamos muito. Foi uma noite muito legal", relata. No dia seguinte, a jovem acordou com intensa dor nas costas. "Não dei muita atenção, porque achei que fosse uma dor muscular normal, por conta da noite anterior." "Tomei um remédio, mas a dor não passou. Continuou intensa. No dia seguinte, um domingo, as dores continuaram e estavam ainda mais fortes. A minha mãe me levou a uma farmácia, onde tomei um coquetel de injeções e a dor sumiu. Fiquei aliviada", narra. Na segunda-feira, ela iniciou o estágio. "Fui muito animada, mas no período da noite as dores voltaram. Tomei medicamentos e elas diminuíram. Na terça, a situação foi igual. Na quarta, as dores ficaram ainda mais fortes", diz. As dores eram nas costas e no pescoço. Como as dores não cessavam, a jovem foi ao médico. "Fizeram um raio-X, que não apontou nada. O médico me disse que não havia nada nas minhas costas. Mas mesmo assim, aquelas dores não passavam de jeito nenhum." A estudante conta que na quinta-feira foi a um posto de saúde, após o estágio, e foi avaliada por uma médica. "Ela me atendeu e disse que os músculos das minhas costas estavam inchados. Ela fez uma massagem em mim, me passou uma injeção e voltei pra casa. Consegui dormir." Na manhã seguinte, a jovem passou a sentir que as pernas estavam enfraquecidas. "Tive que tomar banho com a ajuda da minha mãe", diz. Naquele dia, ela foi com a mãe em uma igreja. "Quando voltei, a dor estava insuportável. Deitei e dormi. Quando acordei, naquela tarde, não senti mais as minhas pernas."
A paraplegia
Ainda naquela sexta-feira, Layane foi carregada às pressas ao hospital. "O médico pediu exames de sangue e de urina. Eu já não conseguia fazer minhas necessidades e tive de colocar uma sonda. Quando saiu o resultado do exame, apontou que eu estava com uma infecção no sangue." "O médico começou a furar a minha perna e eu, realmente, não estava sentindo nada. Como era um caso grave, fui transferida para o Instituto Hospital de Base, aqui em Brasília", relata. Ela narra que as dores se intensificaram. "Os médicos não conseguiam ter um diagnóstico exato. Suspeitaram de câncer ou síndrome de Guillain-Barré", diz. Na madrugada daquele domingo, 22 de julho, ela se recorda que as dores ficaram insuportáveis. "Eu estava deitada em uma maca, sem me mexer, cheia de furos, tomando soro e várias medicações. Minha mãe estava sentada em uma cadeira ao lado. Eu pedi pra ela: 'desculpa, mas aplica alguma coisa, porque eu preciso morrer. Não aguento mais'. E a minha mãe respondeu que não aplicaria nada, porque eu iria aguentar aquilo tudo", relembra. "Para aliviar as dores, começaram a me dar morfina por um período. Isso me alucinava muito e um médico pediu para suspender", conta. Layane passou por uma ressonância magnética, que apontou que havia 500 mililitros de pus comprimindo três vértebras da medula espinhal dela. Ela teve de passar por uma cirurgia de urgência, para a retirada do líquido. Responsável pela cirurgia da jovem, o neurocirurgião Oswaldo Ribeiro Marquez explica que, apesar de raro, é possível que um piercing deixe uma pessoa paraplégica. "Essa situação pode acontecer quando há alguma complicação em decorrência do piercing", pontua o profissional, que afirma nunca ter visto situação parecida desde que iniciou a carreira na medicina, há cerca de 15 anos. Segundo o médico, as complicações com o piercing ocorrem quando o objeto abre caminho para infecções. "A disseminação de qualquer infecção cutânea costuma ser hematogênica - quando é transmitida pela corrente sanguínea. Por exemplo, se a bactéria está na ponta do nariz, ela pode evoluir, pegar o nariz inteiro, cair na corrente sanguínea e parar em outro canto do corpo", esclarece. "A paciente fez um procedimento cutâneo, que gerou uma infecção, que pode ter feito a disseminação da bactéria para a corrente sanguínea. Como ela não tinha infecção na coluna anteriormente, é muito provável que tenha sido causada por uma bactéria que estava em seu sangue", acrescenta. Marquez avalia que é "bem provável e plausível" que Layane tenha ficado paraplégica em decorrência do piercing. Porém, ressalta que somente estudos genéticos podem garantir que a paraplegia da jovem foi motivada unicamente por complicações oriundas da inserção do objeto no nariz.
'Espero que ele se preocupe mais com os clientes'
A cirurgia de Layane teve o objetivo de retirar o pus que comprimia a medula da jovem. "Esse procedimento evitou a progressão da paraplegia, que poderia subir. O pus poderia causar uma infecção que poderia até levar à morte. Com a retirada do líquido, a medula dela foi descomprimida e evitou que o quadro da paciente piorasse", explica Marquez. "O procedimento foi um sucesso. Voltei para a Unidade de Tratamento Intensivo de recuperação e estava tudo tranquilo. Já não sentia mais aquela dor insuportável", comenta Layane. A estudante conta que somente depois do procedimento cirúrgico descobriu sobre a causa dos problemas de saúde que a afetaram. "O médico que me acompanhou desde o início me explicou sobre a bactéria e como o piercing pode ter me afetado. Isso tudo foi desenvolvido por uma perfuração errada. Por isso sangrou quando coloquei o piercing. Outro fator que complicou foi a má higienização do objeto", diz. A estudante não planeja tomar nenhuma medida contra o profissional responsável por colocar o piercing. "Eu optei por não falar sobre ele, porque isso não me fará voltar a andar. Espero que a minha situação faça com que ele se preocupe mais com a saúde dos clientes a partir de agora", declara a jovem, que revela que já havia colocado um piercing com o mesmo profissional anteriormente. "No de antes, não tive nenhum problema."
A vida na cadeira de rodas
Por dois meses, Layane permaneceu internada para se recuperar. No hospital, soube que é incerta a possibilidade de voltar a andar. "Dois dias depois da cirurgia, o médico me disse que eu continuaria sem sentir as minhas pernas", relata. Hoje, ela faz acompanhamento com uma psicóloga e sessões de fisioterapia. A descoberta de que permaneceria na cadeira de rodas foi um dos momentos mais difíceis para a jovem. "Eu fiquei arrasada. A princípio, foi uma situação muito triste", conta. Para Marquez, há possibilidade de Layane retomar os movimentos das pernas. Porém, segundo o neurocirurgião, ainda é prematuro fazer uma avaliação. "A medicina tem avançado nesse aspecto e há estudos que apontam sobre essa possibilidade. Por isso, não podemos negar que ela retomará os movimentos das pernas, assim como não podemos garantir isso", pondera. Apesar do choque inicial, Layane aprendeu a lidar com a atual fase da vida. "Conheci outros jovens cadeirantes e vi que posso ser feliz assim. Hoje faço exercícios e até jogo basquete e handebol", conta. Em setembro, ela voltou para casa, onde vive com a mãe e a avó. "Minha vida se tornou completamente diferente. Mas fiquei feliz, porque já não estava no hospital. Consegui ver todos os amigos que não puderam ir ao hospital. Recebi muitas visitas e isso me fez muito bem." Um dos momentos mais importantes para a jovem, na nova fase da vida, foi o aniversário, em novembro. "Comecei a organizar a festa, mas dois dias antes, quase desisti, porque pensei que não me sentiria bonita para a comemoração", relembra. "Essa festa foi muito importante para mim. Depois de quase desistir dela, decidi comemorar, apesar de tudo. Na data, consegui me sentir linda pela primeira vez, depois de tudo o que aconteceu. Recuperei a minha autoestima. Foi um dia muito feliz." No fim de janeiro, Layane relatou a sua história em seu perfil no Instagram. "Foi a primeira vez em que contei abertamente que um piercing me deixou paraplégica", diz. Ela publicou as fotos que tirou desde a data em que colocou o objeto. "Eu registrei tudo, porque minha mãe enviava aquelas imagens para a minha avó", explica. A publicação da jovem viralizou e ela conseguiu mais de 20 mil seguidores em poucos dias. "Muitas pessoas ficaram assustadas com a minha história e vieram me procurar para prestar solidariedade." Ela ressalta que não quer que sua história desestimule as pessoas que queiram colocar um piercing. "O que quero é que tenham mais cuidado. As pessoas precisam conhecer muito bem o local onde vão fazer. Além disso, os profissionais precisam ser extremamente cuidadosos e ter muito cuidado na higienização dos itens", diz.
Foto: Reprodução/Unsplash
Decidida a realizar o sonho de ser mãe, Luciana (nome fictício), de 37 anos, procurou uma clínica de reprodução humana assistida (RHA) no final de 2017. Solteira, ela precisou recorrer aos bancos de sêmen. Seu médico lhe indicou dois, um brasileiro e um americano."Primeiro, fui atrás do nacional, mas, quando vi que só tinha meia dúzia de doadores, desisti. O estrangeiro oferecia uma quantidade infinitamente maior e também muito mais informações sobre cada um", afirma Luciana, grávida de 25 semanas de um menino. O casal Julia, de 35 anos, e Daniela, de 39 anos (nomes fictícios), foi pelo mesmo caminho - e pelos mesmos motivos. "Optamos pelo banco estrangeiro porque ele tinha dados detalhados sobre o doador, inclusive fotos. Para mim, era importante encontrar um com características parecidas às da minha esposa, até pensando na criança, em facilitar a vida dela ao se identificar com as duas mães", diz Daniela, grávida de 29 semanas de uma menina. E tem muito mais gente apostando no material estrangeiro. De 2011 a 2017, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a importação de 1,95 mil amostras seminais (sêmen). Em 2017, de acordo com o 2º Relatório de Dados de Importação de Células e Tecidos Germinativos para Uso em Reprodução Humana Assistida, produzido pelo órgão, o índice foi recorde: 860 amostras, um aumento de 97% em relação ao ano anterior, quando foram trazidas 436. Elas vieram das empresas americanas Fairfax Cryobank, Seattle Sperm Bank e Califórnia Cryobank. A maioria, 72%, destinou-se aos Bancos de Células e Tecidos Germinativos (BCTGs) da região Sudeste do país - só São Paulo recebeu 479 -, 13% foram para o Sul, 8%, para o Nordeste e 6%, para o Centro-Oeste. "Entre as razões para este crescimento, está a ampliação da divulgação dos bancos internacionais no país, sendo que as clínicas de reprodução humana assistida passaram a ofertá-los cada vez mais para seus clientes", diz Renata Miranda Parca, gerente substituta da Gerência de Sangue, Tecidos, Células e Órgãos (GSTCO) da Anvisa. Fora isso, diz a especialista, os pacientes têm feito esta opção por conta do aumento no número de bancos nacionais com acesso aos serviços de outros países e a instalação no Brasil de representantes das empresas estrangeiras, o que facilita todo o processo. Ainda existem poucos bancos de sêmen no país, o que, na maioria das vezes, gera dificuldade para achar amostras com as características pretendidas pelos futuros pais. Em contrapartida, a oferta de doadores no exterior conta com uma ampla disponibilidade de acesso às suas características físicas, intelectuais e psicológicas - é possível até ver fotos de infância e escutar suas vozes.
Demanda por sêmen é maior do que a oferta no Brasil
O que também pesa na decisão é a qualidade do sêmen. Apesar de ser obrigatória por aqui a realização de exames para detectar possíveis doenças, como as infectocontagiosas e as genéticas, empresas estrangeiras oferecem uma variedade maior de testes, com dados sobre a família do doador e, inclusive, relatos de doenças preexistentes. Para Márcio Coslovsky, especialista em reprodução humana há mais de 20 anos e sócio-diretor da Clínica Primordia, no Rio de Janeiro, o aumento da importação de sêmen se explica ainda pela regulamentação brasileira ser mais restritiva. "Além das informações no Brasil serem limitadas, a demanda de receptores é bem superior à oferta, sobretudo porque não é permitido nenhum tipo de pagamento aos doadores, como ocorre em outros países. Há alguns voluntários que doam, mas é um número limitado, e o anonimato não permite saber muito sobre eles", aponta o médico, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE). Ele comenta que, em sua clínica, de cada dez pacientes, sete escolhem os bancos estrangeiros, mesmo diante do preço três vezes mais alto: enquanto o valor médio da amostra nacional é de R$ 1.500 - para custeio dos exames realizados pelo doador, do armazenamento e do transporte do sêmen, entre outros serviços -, lá fora, é de R$ 4.500.
Importação de células reprodutivas femininas também aumentou
A última edição do relatório elaborado pela Anvisa inclui, pela primeira vez, informações sobre importação de oócitos (células reprodutivas femininas). Em 2017, foram 321 amostras, aumento de 1.359% em relação ao total dos anos de 2015 e 2016, período em que apenas 22 vieram do exterior. De 2011 a 2017, foram 357. Como explica a gerente da Anvisa, a alta procura se deve especialmente à ausência de bancos de oócitos congelados para doação no Brasil e pelo aumento do número de mulheres com idade avançada procurando a reprodução assistida. "Há pouco tempo, as grandes empresas internacionais encontraram aqui um mercado com bastante potencial para a comercialização deste tipo de material. A tendência agora é de mais crescimento na importação, até mais do que a de sêmen", completa. Em 2017, as células reprodutivas femininas foram importadas do Fairfax Egg Bank (Estados Unidos), do Ovobank (Espanha e Grécia) e do Intersono (Ucrânia). Os representantes no Brasil foram VIDA Centro de Fertilidade (Rio de Janeiro), Fertipráxis (Rio de Janeiro), Fertivitro (São Paulo), Huntington (São Paulo), Pró-Criar (Minas Gerais) e SAAB (Paraná). Neste caso, 100% delas foram enviadas para BCTGs da região Sudeste, tendo o Estado do Rio de Janeiro como principal destino (199).
Casais heterossexuais e mulheres solteiras são os que mais solicitam o serviço
Outros dados interessantes mostrados no documento da Anvisa são referentes às características dos doadores e o perfil dos futuros pais. Nas importações em 2017, as amostras seminais foram obtidas de 323 doadores e, as de oócitos, de 47 doadoras. Quando se trata de sêmen, as escolhas predominantes foram por ascendência caucasiana (cor de pele branca, 91%), olhos azuis (45%) e cabelos castanhos (67%). Em relação aos oócitos, a ascendência de maior destaque foi, novamente, a caucasiana (88%), com olhos e cabelos castanhos (49% e 65%). Esta questão tem gerado polêmica. "Alguns grupos dizem que a opção por estes padrões são baseadas em racismo ou eugenia, mas não acredito nisso. As pessoas que atendo buscam no doador traços físicos parecidos com os de suas próprias famílias ou então o que acham mais bonito", afirma Hitomi Nakagawa, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). Pelo relatório da Anvisa, em 2017, os casais heterossexuais foram os principais solicitantes das amostras de sêmen importado (42%), seguidos por mulheres solteiras (38%), que desejam obter uma gestação independente, e casais homoafetivos (20%). Todas as amostras de óvulos foram destinadas a casais heterossexuais.
Como é processo de importação de células reprodutivas
Como explica a Anvisa, o procedimento para importar células e tecidos germinativos (sêmen, oócitos e embriões) "deve acontecer conforme o disposto no Capítulo XXIII, Seções I e IV, da RDC/Anvisa n° 81, de 5 de novembro de 2008, sendo que o importador é o responsável pelo cumprimento das normas legais, incluindo as medidas, as formalidades e as exigências". Para solicitar a anuência, o estabelecimento (neste caso, exclusivamente o BCTG brasileiro) ou o seu representante, na figura de importador - ambos pessoas jurídicas -, precisa enviar à agência, via e-mail institucional, uma série de documentos (a lista está disponível no site). Após análise de cada caso individualmente, o que pode levar até cinco dias úteis, é concedida ou não a autorização. Já o tempo estimado para a chegada das amostras no país é de cerca de 40 dias. Por conta do aumento na importação de sêmen e oócitos, a Anvisa está revisando a RDC n° 81, que dispõe sobre o Regulamento Técnico de bens e produtos importados para fins de vigilância sanitária. "Em 2008, quando essa regulamentação foi elaborada, a situação era bem diferente. Os pedidos de importação eram esporádicos e feitos basicamente por pessoas que tinham sêmen ou óvulo congelado em outros países e queriam trazê-los para o Brasil", diz Renata Miranda Parca, da GSTCO. "Agora, com todas as mudanças pelas quais estamos passando, pretendemos aprimorar as ferramentas fiscalizatórias vigentes e os mecanismos de avaliação da qualidade dos bancos de células e tecidos germinativos internacionais, em parceria com as Agências Reguladoras locais." Além disso, junto com o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina, a Anvisa estuda estratégias para controlar as gestações oriundas de um mesmo doador e aprimorar a rastreabilidade dos nascimentos de indivíduos por RHA. A expectativa é de que as alterações sejam anunciadas ainda este ano.
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Classificadas como tortura por muitos que sofrem delas, as dores de cabeça são causadas, em geral, por dois motivos principais, segundo explica à BBC a médica britânica Anne MacGregor, cuja especialidade é justamente a cefaleia. "Na maioria das vezes, elas se devem à tensão acumulada nos músculos ao redor da cabeça", diz. "Ou a mudanças na química do cérebro, que decodifica isso na forma de dor." Tal atividade química no cérebro faz com que algumas pessoas sintam uma dor muito profunda e intensa, as temidas cefaleias. Como há diferentes tipos de dores de cabeça, eles exigem intervenções e medicações distintas. A BBC preparou um informativo, com base em informações fornecidas por MacGregor e pelo NHS, o serviço de saúde pública britânico:
Tensional
São as dores mais comuns, que geralmente vêm na forma de uma dor constante em ambos os lados da cabeça – como se tivéssemos um elástico apertado em volta dela. Essas dores costumam durar de 30 minutos a várias horas (ou, excepcionalmente, vários dias). Os fatores desencadeantes costumam ser a desidratação, o estresse, a má postura, a falta de sono, a tensão muscular no rosto e a irregularidade no horário das refeições. Mudanças no estilo de vida costumam ajudar a reduzir duração e frequência - por exemplo, com um bom padrão de sono e de alimentação e bastante ingestão de água.
Em 'cachos'
É um tipo mais raro – e extremamente doloroso – de cefaleia. É chamado assim porque a dor surge em cachos ou ataques agrupados durante um período contínuo que pode durar até três meses. Geralmente acomete os pacientes em uma determinada época do ano (quase sempre a mesma), e depois há um período de remissão, em que as crises desaparecem. Medicamentos comuns como ibuprofeno e paracetamol não costumam ser de grande ajuda nesse tipo de cefaleia. É o caso de consultar um médico, que pode recomendar tratamentos mais específicos e fortes.
Enxaqueca
As enxaquecas são menos comuns que as dores de cabeça tensionais, mas muito dolorosas e com potencial de interferir nas atividades diárias dos pacientes. Chegam a causar náusea, vômito e uma forte sensibilidade a luz e barulho. O normal é que durem algumas horas, mas às vezes elas podem se prolongar por vários dias. Para aliviá-la (ou evitá-la), há remédios que dispensam receita médica. Mas, se a dor for muito persistente, recomenda-se recorrer a um médico de confiança para avaliar a necessidade de medicação mais forte.
Hormonal
As mulheres costumam ser mais acometidas por esse tipo de dor, que se deve geralmente a mudanças nos níveis hormonais e está associado ao ciclo menstrual. Alguns métodos contraceptivos, a menopausa e a gravidez costumam trazer consigo dores de cabeça dessa categoria. Controlar os níveis de estresse, manter um padrão regular de sono e não pular nenhuma refeição podem ajudar a reduzir essas dores.
Farmacológico
Algumas dores de cabeça são efeitos colaterais do uso de alguns tipos de medicamento. Ou até mesmo do uso excessivo de analgésicos. A dor costuma recuar algumas semanas depois de o paciente ter terminado de tomar o medicamento responsável pela dor.
Recomendações gerais para evitar e aliviar as dores de cabeça
Para tentar evitar qualquer tipo de dor de cabeça, o NHS (o serviço de saúde pública britânico) dá os seguintes conselhos:
- Manter-se hidratado com bastante água
- Descansar, principalmente em momentos em que você sentir sintomas de gripe ou falta de energia
- Dentro do possível, evitar situações de estresse
- Praticar esportes, uma vez que exercícios físicos têm um efeito positivo no nosso bem-estar geral
- Ingerir analgésicos se a dor for persistente ou muito intensa. Os mais comuns são paracetamol ou ibuprofeno
- Evitar o álcool, que pode piorar os sintomas
- Não pular refeições, para manter estáveis os níveis de insulina do corpo
- Não forçar a vista: evite passar muito tempo diante de telas
- Não dormir demais, algo que pode intensificar a dor