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Governador inaugura Policlínica Regional de Saúde em Eunápolis

  • Redação
  • 10 Jun 2021
  • 16:23h

Unidade vai atender 230 mil moradores de sete municípios | Foto: Fernando Vivas/GOVBA

Dia Nacional da Imunização - Como são feitas as vacinas?

  • Página 1
  • 09 Jun 2021
  • 10:22h

No dia 09 de junho é comemorado o Dia Nacional da Imunização. A data tem como objetivo chamar a atenção para a importância das vacinas, tanto para o indivíduo como para a saúde coletiva. De acordo com o Ministério da Saúde, “manter a vacinação em dia, mesmo na fase adulta, é um dos melhores métodos para evitar doenças e infecções.”

Ao entrarem no organismo, as vacinas fazem com o que o sistema imunológico reaja e produza os anticorpos necessários à defesa contra os agentes, o que torna o corpo imune às doenças causadas por eles.

O professor de Biologia do Colégio Marista Arquidiocesano, localizado em São Paulo (SP), Marcos Muhlpointner, responde a algumas dúvidas frequentes sobre as vacinas, principalmente sobre os imunizantes contra a Covid-19.

 Como é o caminho para pesquisa e descoberta de uma vacina?

A primeira ação é descobrir o causador da doença, que chamamos tecnicamente, de agente etiológico. No caso da Covid-19 é um vírus. Depois disso, são identificadas as proteínas que compõem esse vírus e o seu código genético. Feito isso, de maneira geral, os cientistas vão descobrir as possibilidades de neutralizar essas proteínas ou uma maneira de inativar o código genético dele.

Como as vacinas da Covid-19 ficaram prontas “tão rápido”? O que mudou na Ciência para acontecer essa agilidade? 

Esse foi um tema muito falado na mídia. Os vírus do tipo corona já são estudados há muito tempo e, como eles não são muito diferentes entre si, a tecnologia para estudá-los já estava bem desenvolvida. Isso possibilitou um estudo mais rápido e mais efetivo para a produção e testes dessa nova vacina.

Por que existem vários tipos de vacina (de várias marcas diferentes) para a Covid-19?

Basicamente, as vacinas podem ser feitas com o vírus “vivo”* atenuado, uma espécie de enfraquecimento dele para que ele não cause a doença, mas apenas estimule o corpo a produzir os anticorpos. A outra possibilidade é com o vírus “morto”*, para o nosso corpo desenvolver os mesmos anticorpos.

(* “vivo” e “morto” estão entre aspas, pois os vírus não são considerados seres vivos.)

Algumas vacinas podem ter efeitos colaterais? Por que isso acontece?

Quando o corpo reage produzindo dor ou febre – que são os sintomas mais comuns nas vacinas da Covid-19 – é sinal de que ele identificou a presença do vírus e está reagindo, de maneira positiva, a essa identificação. Alguns desses efeitos são mais fortes como tem acontecido com a AstraZeneca. Isso pode variar entre as pessoas, justamente, porque o corpo reage de modo diferente.

Por que, mesmo depois de vacinadas, as pessoas ainda tem que continuar usando máscaras, álcool gel e fazendo o isolamento social?

A vacina é uma defesa imunológica do nosso corpo. Isso não nos dispensa de termos ações sanitárias, de nos prevenirmos e aos outros. Quando uso a máscara, também estou protegendo quem está próximo de mim, pois posso ser assintomático e não saber que o vírus está no meu organismo. A limpeza das mãos deveria ser algo comum entre nós. Não apenas para esse vírus, mas a higiene delas nos previne de muitas outras doenças. O isolamento tem a intenção de evitar que o vírus circule entre as pessoas enquanto elas não estiverem imunizadas.

A única solução para conter um vírus é a vacina?

Como uma estratégia definitiva sim. No caso da poliomielite, ela foi erradicada nos anos 1980 por causa das campanhas de vacinação em massa que foram feitas no Brasil. Como o vírus da Covid-19 pode ser controlado pelo uso das máscaras, da higiene e do distanciamento – pelo menos nesse momento – essas ações ainda precisam ser tomadas pelas pessoas.

Comissão especial da Câmara aprova texto para uso medicinal da Cannabis

  • Com informações da Agência Câmara de Notícias.
  • 08 Jun 2021
  • 17:10h

Com igualdade em votos a favor e contra, desempate coube ao relator | Foto: Creative Commons

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o texto-base de proposta favorável à legalização do cultivo no Brasil, exclusivamente para fins medicinais, veterinários, científicos e industriais, da Cannabis sativa, planta também usada para produzir maconha. Foram 17 votos favoráveis e 17 contrários, e o desempate coube ao relator, deputado Luciano Ducci (PSB-PR), conforme determina o Regimento Interno. Falta votar destaques que podem alterar o substitutivo de Ducci ao projeto original do deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE) e um apensado.

 

Agência dos EUA aprova remédio contra Alzheimer

  • Agência Brasil
  • 08 Jun 2021
  • 10:51h

É o 1º tratamento que pretende combater causa provável da doença | Foto: Reprodução

Agências reguladoras de medicamentos dos Estados Unidos (EUA) aprovaram o aducanumab, da Biogen Inc, como primeiro tratamento a combater uma causa provável da doença de Alzheimer, apesar de uma polêmica que questiona se os indícios clínicos provam que o remédio funciona.

O aducanumab visa a remover depósitos aderentes de uma proteína chamada beta-amiloide de cérebros de pacientes nos estágios iniciais do Alzheimer para conter seus estragos, que incluem perda de memória e a incapacidade de cuidar de si mesmo.

“Essa é uma boa notícia para pacientes com Alzheimer. Nunca tivemos a aprovação de uma terapia transformadora de uma doença”, disse o doutor Ronald Petersen, especialista em Alzheimer da Clínica Mayo. Mas, ele alertou: “Isso não é uma cura. Espera-se que desacelere o avanço da doença.” E acrescentou: “Acho que é um grande dia. Mas não podemos fazer muitas promessas.”

O Alzheimer é a sexta maior causa de mortes nos EUA. A Agências de Alimentos e Medicamentos (FDA) disse, em seu site, que testes clínicos do tratamento, que será vendido com a marca Aduhelm, mostraram uma redução das placas, que se espera levar a um declínio mais lento dos pacientes.

“Embora os dados do Aduhelm sejam complicados no que diz respeito aos benefícios clínicos, a FDA determinou que existem indícios substanciais de que o Aduhelm reduz as placas de beta-amiloide no cérebro e que é razoavelmente provável que a redução dessas placas leve benefícios importantes aos pacientes”, disse a agência em comunicado. Reportagem adicional de Ankur Banerjee.

Viver sem saber: relatos de uma filha sobre o Alzheimer

  • Com dor, amor e bom humor, emoções que se completam, Mariela Oppitz Sorgetz compartilha aprendizados ao lado da mãe diagnosticada com a doença
  • 03 Jun 2021
  • 18:40h

(Divulgação)

Escrever foi uma das formas encontradas por Mariela Oppitz Sorgetz para aliviar a surpreendente e desafiadora caminhada ao lado da mãe diagnosticada com Alzheimer. Com sensibilidade, empatia e bom humor, a escritora compartilha no livro Viver Sem Saber relatos pessoais de situações que vivenciou e continua vivenciando com dona Anninha.

Narrada em primeira pessoa, a obra publicada pela Luz da Serra Editora reúne anotações escritas por Mariela durante oito anos de luta contra a doença. Quase como um diário e inicialmente sem a ideia de transformar o conteúdo em um livro, a autora descreveu seu novo cotidiano e os sentimentos com o avançar do tempo.

Dividida em três partes, a obra segue a ordem cronológica do processo evolutivo do Alzheimer. Na primeira, o leitor acompanha a etapa leve, os primeiros sinais de que algo estava acontecendo. A fase moderada apresenta outros sintomas que vão além do esquecimento, como a “super sinceridade” da mãe. Na terceira e última parte, a autora narra a severidade da doença, quando aos poucos dona Anninha deixou de falar – fase na qual se encontra atualmente.

Hoje, quando a fase da doença está avançada, sinto muita falta das opiniões dela, pois mesmo que inadequadas, havia interação, olhares comprometedores, gestos e falas, ação e emoção. Havia participação. (Viver Sem Saber, pág. 80)

O principal objetivo da autora com o lançamento de Viver sem Saber vai além de compartilhar vivências e lançar um novo olhar sobre a Doença de Alzheimer. Formada em Relações Públicas, Mariela quer tornar o livro uma contribuição para a causa. Por isso, os valores referentes aos direitos autorais com a venda do livro serão revertidos a ações e instituições dedicadas a cuidar e tratar dos enfermos. O acompanhamento dessa ação pode ser acompanhado pelo site https://www.viversemsaber.com.br/.

Doação de órgãos tem queda de 26% durante a pandemia, mostra levantamento

  • Redação
  • 03 Jun 2021
  • 07:12h

(Foto: Reprodução)

O número de doadores de órgãos caiu 26% no país em 2021 devido à pandemia de Covid-19, mostra um levantamento da Associação Brasileira Transplante Órgãos (ABTO). De acordo com o estudo, os procedimentos mais afetados foram os de pulmão (62%), rim (34%), coração (34%) e fígado (28%). O risco de contaminação e a lotação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) por causa do coronavírus foram as principais razões da queda. Antes da pandemia, a projeção para 2020 era de 20 doadores por milhão de pessoas. A taxa, no entanto, diminuiu para 15 doadores na mesma quantidade, voltando ao patamar de 2017.

Inscrição para exame de revalidação de diploma médico começa nesta segunda-feira (31)

  • Agência Brasil
  • 31 Mai 2021
  • 10:55h

A aplicação das provas será no dia 5 de setembro, em oito capitais brasileiras, entre elas Salvador | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

As inscrições da primeira etapa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) 2021 começam as 18 horas desta segunda-feira (31). Os interessados deverão se inscrever por meio do Sistema Revalida, até 11 de junho.

A aplicação das provas será no dia 5 de setembro, em oito capitais brasileiras, escolhidas considerando o cenário da pandemia de covid-19:  Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio Branco (AC), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Ao se inscrever, o interessado deve indicar a cidade onde deseja realizar o exame.

Etapas

O Revalida tem duas etapas, uma teórica e outra prática, que abordam, de forma interdisciplinar, as cinco grandes áreas da medicina: clínica médica, cirurgia, ginecologia e obstetrícia, pediatria e medicina da família e comunidade (saúde coletiva).

Na primeira etapa, os participantes realizam duas provas escritas: uma objetiva e outra discursiva. A segunda etapa consiste em uma prova de habilidades clínicas. Somente os aprovados na primeira etapa poderão participar da segunda etapa. Se o candidato for reprovado na segunda etapa, ele poderá se reinscrever diretamente nessa fase, nas duas edições consecutivas. Em edições anteriores, era necessário fazer todo o processo desde o início.

Conforme o edital, o participante aprovado na segunda etapa estará apto a prosseguir no processo de revalidação do diploma junto a uma das universidades parceiras. A relação das instituições será disponibilizada no Sistema Revalida e o participante aprovado deverá indicar a universidade em que deseja prosseguir com a revalidação de seu diploma.

Pré-requisito

Para participar, é necessário ser brasileiro ou estrangeiro em situação legal no Brasil, além de ter o diploma de medicina reconhecido pelo Ministério da Educação ou pelo órgão equivalente do país de origem do certificado.

O documento também deve ser autenticado pela autoridade consular brasileira ou pelo processo da Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, promulgado pelo Decreto n.º 8.660, de 29 de janeiro de 2016. Qualquer outra documentação não substitui o diploma exigido para a inscrição.

Histórico

O Revalida é aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) desde 2011 e busca subsidiar a revalidação, no Brasil, do diploma de graduação em medicina expedido no exterior.

As referências do exame são os atendimentos no contexto de atenção primária, ambulatorial, hospitalar, de urgência, de emergência e comunitária, com base na Diretriz Curricular Nacional do Curso de Medicina, nas normativas associadas e na legislação profissional.

O objetivo é avaliar as habilidades, as competências e os conhecimentos necessários para o exercício profissional adequado aos princípios e necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com abatimento clandestino de carnes, Bahia tem problema na saúde pública, diz associação

  • Matheus Caldas
  • 26 Mai 2021
  • 09:22h

(Foto: Brumado Urgente Conteúdo)

Maior produtora de rebanhos ovino e caprino do Brasil, a Bahia enfrenta “um grave problema de saúde pública”. Isto porque, segundo Roberis Silva, presidente da Associação Brasileira de Empresas do Agronegócio de Caprinos e Ovinos (Abreaco), 90% da carne destes animais é abatida de maneira clandestina. 

De acordo com o dirigente, o estado segue a mesma média da região Nordeste, que apresenta realidade bem diferente do restante do Brasil - conforme estimativas do presidente, a média nacional é de 15%. Na visão dele, esta é uma realidade cultural fomentada, principalmente, pela negligência das vigilâncias sanitárias municipais, responsáveis por este tipo de fiscalização.

“A carne de caprino e ovino é muito comercializada no interior do Nordeste. Na capital existe, mas no interior é mais forte. É uma carne comercializada nas feiras livre. Com o tempo, a gente evoluiu, mas isso não”, lamenta, em entrevista ao Bahia Notícias.

“Os grandes culpados são as vigilâncias sanitárias dos municípios, principalmente nos grandes produtores e consumidores, como Feira de Santana, Vitória da Conquista, ou até mesmo Salvador. Cidades grandes que trazem do interior, mas sem a devida fiscalização. Já nas cidades pequenas, isso é praticamente usual”, acrescenta.

Por conta disto, Roberis explica que a associação, criada em 2019, vem discutindo com os Ministérios Públicos da Bahia e de Pernambuco, principais produtores da região, para se encontrar uma saída para esta realidade. 

“Estamos propondo a agir com os órgãos para ajudar a encontrar uma solução. Não estamos nos queixando. É questão de saúde pública. Não há negociação quando o assunto é este. Mesmo assim, estamos nos propondo a discutir”, pontua.

O dirigente, que também é veterinário, explica que, com a falta de um abatimento realizado em frigoríficos, as carnes podem estar contaminadas com zoonoses ou outras doenças. “Em plena pandemia, isso é uma oportunidade e tanto para poder alertar os consumidores”, destaca.

VIGILÂNCIA

Segundo o presidente, a legislação para fiscalização de carnes estabelece que órgãos estaduais somente podem realizar a apreensão enquanto os produtos estiverem em trânsito. Caso os itens estejam armazenados, cabe ao município realizar a inspeção. 

Segundo Roberis, por conta da clandestinidade, os frigoríficos trabalham de maneira ociosa. “Nós não queremos só apreender. Nós queremos oferecer soluções. Em breve, vamos discutir com os órgãos de defesa e vigilância para mostrar esses caminhos. Quais são? Trazer parte dos animais para dentro dos frigoríficos. Estes locais operam com ociosidade”, diz, ressaltando que, diante deste quadro, a Abreaco estima que R$ 64 milhões deixem de girar na cadeia produtiva. 

ESTIMATIVAS

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) supõe que, no Brasil, haja cerca de 31 milhões de animais dos rebanhos bovino e ovino. Destes, 20 milhões estão somente no Nordeste - 10 milhões apenas na Bahia.

Ao todo, por ano, são abatidos 3,2 milhões de animais. A Abreaco estima que, por conta dos números registrados no Nordeste, apenas 2% da carne seja abatida de forma legal.

Atualmente, a cidade de Casa Nova, no Sertão do São Francisco, é a maior produtora de carnes bovina e ovina. E, por conta disto, duas cidades apresentam consumo preocupante destes produtos: Juazeiro e Petrolina. “O que acontece no Nordeste é muita interferência política. Acontece alguém ser apadrinhado, ter vistas grossas”, reclama Roberis.

Por que a raiva é uma questão de saúde pública?

  • Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV)
  • 25 Mai 2021
  • 11:11h

(Foto: (CFMV)

Recentemente, casos de raiva no estado do Rio de Janeiro despertaram um alerta sobre essa zoonose, uma doença infecciosa viral que acomete mamíferos, inclusive seres humanos. Ela é causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae e se manifesta por meio de uma encefalite progressiva e aguda, que mata cerca de 40 mil pessoas no mundo, a cada ano, a maioria, na Ásia e na África.

No Brasil, muito por conta do Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR), instituído em 1973, o Brasil alcançou resultados relevantes no controle da raiva urbana. Desde 2004, houve significativa redução dos casos de raiva em cães e gatos, tornando a enfermidade praticamente eliminada dos centros urbanos do país. Consequentemente, caiu também a ocorrência de casos humanos por transmissão dessas espécies.

As ações de vacinação antirrábica canina e felina resultaram em um grande ganho para a saúde pública, permitindo que o país saísse de um cenário anual de mais de 1.200 cães positivos para raiva e taxa de mortalidade de raiva humana por cães de 0,014/100 mil habitantes, em 1999, para nove casos de raiva canina e nenhum registro de raiva humana por cães, em 2018. De acordo com o Ministério da Saúde, 2020 foi o quinto ano consecutivo sem casos de raiva humana por variante canina.

Por isso, os recentes casos noticiados chamaram atenção. Eles ocorreram em dois municípios fluminenses. Em Duque de Caxias, no início do mês, foi confirmada pelo Instituto Municipal de Vigilância Sanitária, Vigilância de Zoonoses e de Inspeção Agropecuária (Ivisa-Rio) a morte por raiva de um cão atacado por um morcego. Em 2020, um caso de raiva humana, em Angra dos Reis, resultou na morte de um menino, mordido por um quiróptero, e que não recebeu a profilaxia adequada. Quando não tratada, a raiva evolui para óbito em quase 100% dos casos e, nos sobreviventes, deixa sequelas gravíssimas.

Segundo dados atualizados em dezembro de 2020, pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), entre 2010 e 2020, foram registrados 39 casos de raiva humana. Já o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que recebe as notificações de raiva animal, informa que, de 2009 a 2019, foram notificados 49.562 casos em nove espécies, como bovinos, equídeos, cães e gatos, entre outros.

Isso mostra que a raiva ainda é uma zoonose que deve estar no radar de órgãos de governo, médicos-veterinários e da população em geral. “Faz-se prioritária a orientação de médicos-veterinários para a conscientização do público em geral voltada a aspectos de risco de transmissão de vírus da raiva por mamíferos não tradicionais, as formas de prevenção e ações pós-exposição ao vírus”, alerta Nélio Morais, presidente da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNSPV/CFMV).

Raiva no Brasil

O PNPR foi institucionalizado há quase 50 anos e já listava seis atividades estratégicas para o controle da raiva urbana e a eliminação de casos em humanos.

     • Atendimento das pessoas expostas ao risco de acometimento da doença;

     • Vacinação de cães e gatos;

     • Diagnóstico laboratorial;

     • Vigilância Epidemiológica;

     • Recolhimento de animais;

     • Educação em Saúde.

Apesar de rara em áreas urbanas, a raiva silvestre, sobretudo casos relacionados à transmissão por quirópteros, passou a figurar no cenário epidemiológico nacional como um grande desafio a ser trabalhado em busca de um controle sustentável. O morcego hematófago passou, então, a ser o principal transmissor dessa zoonose ao homem, no Brasil.

Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH), executado pelo Departamento de Saúde Animal (DSA), do Mapa, estabelece suas ações visando ao efetivo controle da ocorrência nos herbívoros, no Brasil, e não à convivência com a doença. Esse objetivo é alcançado por meio da vacinação estratégica de espécies suscetíveis e do controle populacional de seu principal transmissor, o Desmodus rotundus, associados a outras medidas profiláticas e de vigilância.

Estima-se que, em toda a América Latina, a raiva em herbívoros cause prejuízos anuais de centenas de milhões de dólares, devido à morte de milhares de cabeças de gado, além dos gastos indiretos com a vacinação de bovinos e tratamentos pós-exposição (sorovacinação) de pessoas que mantiveram contato com animais suspeitos. A notificação de casos suspeitos ao Serviço Veterinário Oficial é obrigatória.

“Embora não seja considerada uma enfermidade de grande risco pandêmico, é evidente que a raiva deve ser foco de avaliação de risco e prevenção, pois apresenta um elevado risco para a saúde pública. Pesquisas e desenvolvimento nas áreas de vigilância, monitoramento e formas de diagnóstico precoce são necessários. Esforços para entender e encontrar os gatilhos do desenvolvimento do quadro clínico e mitigar as causas de sua ocorrência devem ser encorajadas”, assinala Morais.

O que fazer em casos suspeitos ou confirmados de transmissão?

O gerenciamento atual para alguém exposto ao vírus da raiva é a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), a qual deve ser iniciada o mais precocemente possível. Alguns fatores devem ser considerados para a adoção do esquema profilático adequado, como o tipo de exposição, a localização da agressão, o animal agressor e a condição do animal agressor, dentre outros, conforme orientação do Ministério da Saúde.

Até o momento, a PEP tem taxa de sucesso de quase 100%, quando administrada corretamente, ou seja, logo após a exposição ao vírus. Como resultado, há poucos casos de raiva hoje, no Brasil, enquanto no mundo 95% deles ocorrem na Ásia e na África, onde a atenção médica após a exposição ao vírus ainda permanece como uma lacuna na atenção ao paciente. Isso significa que é possível evitar essa zoonose, desde que seja possível a realização da PEP apropriada.

Prevenção

Os principais cuidados a seguir são: manter em dia a vacinação de animais domésticos; evitar qualquer contato com animais silvestres, em especial morcegos; e prestar atendimentos de profilaxia imediatos, em caso de mordedura, arranhadura ou lambedura de ferimentos, meios pelos quais o vírus é transmitido.

Atualmente, a legislação federal que aprova as normas técnicas para o controle da raiva nos herbívoros no Brasil é a Instrução Normativa (IN) nº 5 do Mapa, de 1º de março de 2002, alterada pela IN nº 41, de 19 de junho de 2020. Várias Unidades da Federação possuem legislação própria que detalha ações específicas, em apoio às normas federais e quanto ao controle do Desmodus rotundus, além de atividades educativas, diagnóstico laboratorial, estímulo à vacinação dos herbívoros domésticos, cadastramento de abrigos e vigilância epidemiológica.

Vale lembrar que a reorganização de um determinado espaço determinará alterações ecológicas em menor ou maior grau, as quais modificam a circulação do agente infeccioso. O estudo de viroses, como a raiva, sua ocorrência, seus determinantes e processo de disseminação está incluído em epidemiologia. Por isso, sua análise deve ser realizada na perspectiva moderna de espaço virtual, e não territorial, e uma aplicabilidade de saúde única.

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Vírus primitivo pode aumentar mortes por coronavírus em UTIs, diz Fiocruz

  • Redação
  • 22 Mai 2021
  • 10:50h

Mecanismos envolvidos com a mortalidade em casos muito graves da doença ainda não são bem conhecidos | Foto: Reprodução

Um vírus primitivo, presente nos humanos há milhares de anos, pode estar sendo ativado pelo coronavírus e provocando aumento de mortes em pacientes graves. A hipótese faz parte de um estudo coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que pode ajudar a compreender por que alguns pacientes graves submetidos à ventilação mecânica conseguem deixar a UTI, enquanto outros não sobrevivem à Covid-19, informa reportagem da Agência Brasil.

Segundo a publicação, a pesquisa indica que a presença do retrovírus endógeno humano da família K (HERV-K) está associada não só ao agravamento da doença como também à mortalidade precoce. De março a dezembro de 2020, o estudo “Ativação do Retrovírus Endógeno Humano K no Trato Respiratório Inferior de Pacientes com Covid-19 Grave Associada à Mortalidade Precoce” acompanhou 25 pessoas em estado crítico que necessitaram de ventilação mecânica. Com idade média de 57 anos, elas estavam internadas no Instituto D’Or e no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer.

“A progressão de casos brandos para graves vinha sendo associada à hipoxia, inflamação descontrolada e coagulopatia. Os mecanismos envolvidos com a mortalidade em casos muito graves, no entanto, ainda não são bem conhecidos. Para isso, o estudo buscou compreender o viroma do aspirado traqueal de indivíduos em ventilação mecânica — isto é, os vírus presentes na amostra. Os testes mostraram níveis altos de HERV-K, em comparação com exames de pacientes com casos brandos e de não infectados”, explicou a Fiocruz.

O coordenador do estudo foi Thiago Moreno, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz). “Verificamos o viroma de uma população com uma altíssima gravidade, em que a taxa de mortalidade chega a 80% para ver se algum outro vírus estava coinfectando esse paciente que está debilitado, imunossuprimido. A nossa surpresa foi encontrar esses altos níveis de retrovírus endógeno K. É o tipo de pesquisa que parte de uma abordagem completa não enviesada. Isso dá muita força, muita credibilidade ao achado”, explicou o cientista.

Ancestral

Segundo o estudo, o HERV-K é um retrovírus endógeno, um vírus ancestral que infectou o genoma humano quando humanos e chimpanzés estavam se dissociando na escala evolutiva. Alguns desses elementos genéticos estão presentes nos nossos cromossomos. Muitos ficam silenciosos durante a maior parte da vida, mas parece que, de alguma forma, o Sars-CoV-2 pode ter reativado esse retrovírus ancestral. O índice de morte em pacientes graves de Covid-19 chega a 50% entre os que apresentam altos níveis de HERV-K.

O estudo estabeleceu ainda uma ligação direta: ao infectar em laboratório uma célula de uma pessoa saudável com o Sars-CoV-2, houve um aumento nos níveis do HERV-K. “A gente estabeleceu, de fato, que o Sars-CoV-2 é o gatilho para o aumento desses retrovírus endógenos, para despertar os genes silenciosos”, disse Moreno.

Junto com o aumento dos níveis do HERV-K nos pacientes, os pesquisadores perceberam que fatores de coagulação foram mais consumidos, que ocorreram mais processos inflamatórios e que diminuíram os números de fatores necessários para a sobrevivência de células do sistema imune. Conforme os níveis de HERV-K aumentaram, os números de monócitos inflamados ativados também cresceram. “Esses níveis de HERV-K se correlacionaram com o que se chamou de mortalidade precoce, como menos de 28 dias de internação”, conta Thiago.

Genes silenciosos

A pesquisa é ainda a primeira evidência da presença desse retrovírus no trato respiratório e no plasma de pacientes graves de Covid-19. A presença do HERV-K, que ocorre também em outras doenças, como câncer e esclerose múltipla, pode ser usada como um biomarcador associado à gravidade em casos da doença. Sua detecção precoce poderia reforçar o uso de determinadas estratégias, como o uso de anticoagulantes e anti-inflamatórios.

Mas ainda é difícil saber por que isso ocorre em algumas pessoas e não em outras. “Esse despertar de genes silenciosos é o que pode fazer a diferença das evoluções. Talvez o sinal para o silenciamento de determinados retrovírus endógenos seja mais forte em algumas pessoas do que em outras. Parece estar associada à gravidade essa capacidade do novo coronavírus de mudar o perfil epigenético da célula do hospedeiro, ativando inclusive vírus ancestrais, alguns deles que deveriam estar adormecidos no nosso genoma”, comentou o coordenador do estudo.

Além da Fiocruz, fazem parte da pesquisa cientistas da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer e da empresa MGI Tech.

'Superfungo' da Bahia e relação com Covid são descritos em jornal científico internacional

  • Redação
  • 21 Mai 2021
  • 15:46h

(Reprodução)

Os casos do superfungo fatal, resistente a medicamentos e responsável por infecções hospitalares, 'Candida auris', que foi identificado na UTI de um hospital de Salvador, foram descritos no Journal of Fungi por um grupo de pesquisadores do Laboratório Especial de Micologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O trabalho conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O estudo destaca a relação que a pandemia da Covid-19 criou condições ideais para a emergência da Candida auris. O pesquisador Arnaldo Colombo, que lidera o Laboratório da Unifesp, destaca que diversos fatores tornam os pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 alvos ideais para o superfungo, entre eles a internação prolongada; o uso de sondas vesicais e cateteres para acesso venoso central; uso de corticoides, que suprimem a resposta imune; e antibióticos, que desequilibram a microbiota intestinal.

Em entrevista à Agência Fapesp, Agnaldo ressaltou que vários países estão relatando a emergência da Candida auris no contexto da Covid-19. O cientista ainda fez um alerta para a necessidade de intensificar as ações para controle de infecção hospitalar em todo o país, e também promover o uso racional de medicamentos antimicrobianos nas UTIs. A matéria chama a atenção para o uso da ivermectina.

No mês passado o infectologista Igor Brandão fez um alerta no mesmo sentido, tanto para a associação da pandemia com os casos de infecção fúngica, quanto para as consequências do uso inapropriado de terapias. Já que esses pacientes com Covid-19 acabam tendo aumentadas as chances de infecções por fungo, a auto medicação e a adesão a remédios sem comprovação científica, ou de outros comprovadamente ineficazes, de forma preventiva para a infecção contra o coronavírus podem potencializar ainda mais essas chances.

Desde o fim do ano passado o hospital de Salvador está sendo acompanhado pelo Laboratório Especial de Micologia da Unifesp. Todos os meses, desde dezembro, os pesquisadores recebem amostras da cepa isolada na unidade e testam in vitro a sensibilidade a fármacos antifúngicos.

De acordo com a reportagem da Fapesp, a equipe também monitora a emergência de novos patógenos fúngicos em infecções de corrente sanguínea documentadas em diferentes centros médicos no país.

A agência ressalta que já foram descritas cinco diferentes linhagens de Candida auris no mundo. Segundo Colombo, a que foi isolada em Salvador é mais parecida com a original asiática do que com a encontrada na Venezuela e nos demais países sul-americanos – o que sugere ter havido uma segunda entrada independente do superfungo no continente.

Os cientistas também consideram outras possibilidades “talvez tenhamos uma fonte local ambiental para esse agente, visto que nenhum dos pacientes brasileiros apresenta histórico de viagem internacional ou contato familiar com tal histórico”, disse o pesquisador.

‘Empurroterapia’: balconistas de farmácias recebem para empurrar medicamentos aos fregueses

  • Fantástico | Globo
  • 17 Mai 2021
  • 10:44h

Alerta ao consumidor: investigação jornalística revela como o pagamento de comissões a balconistas de farmácias vira uma armadilha para o consumidor | Foto: Reprodução

Farmácia costuma ser sinônimo de cuidado com a saúde, mas o Fantástico descobriu que, em alguns casos, também pode ser outra coisa: uma armadilha. O repórter Giovani Grizotti investigou a "empurroterapia".

Você vai à farmácia e não quer comprar nenhuma vitamina, mas o balconista tenta te convencer. Ou você está na farmácia porque o médico receitou um remédio de marca, o chamado "medicamento de referência". Você não quer levar o genérico, mas o vendedor insiste no genérico. Qual pode ser o motivo?

Um balconista, que aceitou gravar sem mostrar o rosto, explica: “O balconista que entra há pouco tempo em farmácia a primeira coisa que ele aprende: ‘Tu ganha comissão se tu vender esse produto’”.

Já o cliente, que geralmente já está sofrendo com alguma dor, acaba sendo vítima também da ganância, vítima da "empurroterapia".

O que é a "empurroterapia"?

O balconista empurra determinados remédios, determinadas vitaminas, insiste para o cliente comprar produtos mesmo não sendo necessários naquele momento, ou não tendo prescrição médica. O objetivo: ganhar dinheiro, já que o funcionário da farmácia que pratica a "empurroterapia" se beneficia de uma comissão em cima das vendas, um valor fixo, ou uma porcentagem sobre o valor de um produto vendido. E quem paga? Segundo a apuração do Fantástico, laboratórios farmacêuticos. 

Maio Cinza: um alerta para o câncer de cérebro

  • NewsLink
  • 15 Mai 2021
  • 14:38h

Existem fatores, inclusive externos como a exposição à radiação ionizante, que aumentam risco para o desenvolvimento de tumores cerebrais | Foto: Hospital INC

Maio é o mês de conscientização do câncer de cérebro, um tumor potencialmente grave por atingir o órgão responsável pelo controle de todas as funções do nosso corpo. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que no Brasil sejam diagnosticados 11.090 novos casos de câncer cerebral anualmente, sendo 5.870 homens e 5.220 mulheres neste ano. Atualmente, ocupa a décima posição entre os tumores mais frequentes nas mulheres brasileiras e a décima primeira posição entre os homens. Esses números tendem a ser muito maiores se forem considerados, também, os tumores benignos do sistema nervoso central. 

Segundo o médico David Pinheiro Cunha, oncologista e sócio do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, o tumor no cérebro pode ter apresentações variáveis. “É frequente, nos benignos, o paciente permanecer assintomático por um período prolongado, isso porque o tumor cresce lentamente e o cérebro vai se adaptando. Podem ocorrer também sintomas focais, que são dependentes do local em que está localizado o tumor, podendo cursar com perda de força em alguma parte do corpo, alteração na visão, audição, fala e comportamento. Porém, vale ressaltar que as manifestações, na maioria dos casos, são inespecíficas como sonolência, náuseas, vômitos, crise convulsiva ou dor de cabeça”, explica. 

O neurocirurgião Victor Vasconcelos, CEO da Relevance Neurocirurgia, ressalta que, no sistema nervoso, a classificação de tumores benignos ou malignos pode não representar a real ameaça que a presença da lesão causa, uma vez que mesmo tumores benignos são capazes de gerar graves consequências à saúde, caso se localizem em áreas nobres do sistema nervoso. “Existem alguns fatores que aumentam o risco para o desenvolvimento de tumores no cérebro, como a exposição à radiação ionizante, histórico familiar de câncer e doenças genéticas, condições que afetam a imunidade (em pacientes com AIDS ou uso de medicamentos imunossupressores) e presença de outro câncer (em especial melanoma, mama e pulmão). Outras condições são frequentemente estudadas, mas ainda necessitam comprovação quanto ao risco de desenvolverem o câncer cerebral como o uso excessivo de celulares, substâncias tóxicas utilizadas na indústria e agricultura (como arsênio ou chumbo), proximidade com redes de alta tensão, uso de aspartame em adoçantes e a infecção por alguns tipos de vírus”, aponta. 

De acordo com o Dr. David, no que se refere à agressividade, os tumores benignos – que apresentam crescimento lento – podem ser acompanhados por exames de imagem periódicos ou tratados com cirurgia com altíssimas chances de cura. “Já os tumores malignos apresentam crescimento rápido, presença de sintomas e necessitam de tratamentos mais agressivos. Dentre os tumores malignos, o glioblastoma multiforme é o que apresenta menores chances de cura, apesar do avanço do tratamento nos últimos anos”, explica

Com relação à prevenção, o Dr. Victor conta que algumas medidas podem ser tomadas, como evitar a exposição à radiação ionizante e às substâncias tóxicas. “No entanto, alguns fatores de risco não dependem do comportamento do indivíduo, como os relacionados ao histórico familiar e a presença de outras doenças. Diante disso, o papel do diagnóstico precoce se torna uma das principais armas para prevenir o dano da doença. A identificação do quadro numa fase inicial é fundamental para a implementação do correto tratamento, o que pode determinar a capacidade de controle ou até a cura do paciente e reduzir muito a chance de sequelas neurológicas. Até o momento, contudo, não há benefício comprovado de recomendar exames de triagem para pessoas que não apresentem sintomas sugestivos dos tumores cerebrais nem uma das condições de risco supracitadas”, afirma o neurocirurgião.

Então, quando devo me preocupar com uma dor de cabeça? “A cefaleia, conhecida como dor de cabeça, é o sintoma mais comum do câncer de cérebro, acontecendo em 33 a 71% dos casos.  Porém, nem todo quadro de cefaleia é sugestivo de tumor cerebral; se for um sintoma diário e persistente ao longo de dias, com intensidade crescente e mais comum à noite ou ao acordar, é um sinal de alerta. Deve também ser sempre investigada quando acompanhada de sinais e sintomas, como vômitos recorrentes, crises epilépticas, sonolência excessiva, confusão mental, deficiência gradual da movimentação ou da sensibilidade de alguma parte do corpo e dificuldades de fala e da visão”, explica o oncologista Dr. David. 

Equipe completa e tecnologia: boa chance de cura

A boa notícia é que a maioria dos tumores cerebrais podem ser curados. É importante que o tratamento seja individualizado e realizado por uma equipe completa composta por neurocirurgião, oncologista, radioterapeuta, patologista e radiologista. “De uma forma geral, a cirurgia é o principal tratamento. Atualmente, diversas tecnologias foram incorporadas na neurocirurgia, como monitorização intra-operatória e métodos minimamente invasivos, possibilitando a diminuição do risco de sequelas no ato cirúrgico. A associação de radioterapia e quimioterapia geralmente é necessária nos tumores mais agressivos, considerados de alto grau. No entanto, em outros casos, o tumor pode não ser eliminado completamente e o paciente pode ter que conviver com o tumor. O acompanhamento nesses casos deve visar sempre minimizar os sintomas causados pela lesão, a fim de promover a melhor qualidade de vida possível”, afirma o neurocirurgião.

Ambos profissionais reafirmam que, apesar dos avanços nas técnicas de tratamento, o diagnóstico precoce ainda é a principal arma para aumentar as chances de cura e reduzir as sequelas. “Por isso, a importância do Maio Cinza, que tem como objetivo conscientizar a todos sobres os sintomas que devem ser investigados. Mesmo durante o período de pandemia, importante lembrar que a COVID-19 não é a única vilã!”, finaliza Dr. David.

David Pinheiro Cunha é oncologista com residência em Oncologia Clínica pela Unicamp. Graduado em medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC Campinas) e residência em Clínica Médica pela PUC Campinas. Possui título de especialista em Oncologia Clínica pela Associação Médica Brasileira – AMB/SBOC. Realizou observership no serviço de Oncologia em Northwestern Medicine Developmental Therapeutics Institute, Chicago, Illinois, EUA. É membro da Diretoria Científica da disciplina de cancerologia da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC). É membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). É sócio do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia e atua na Oncologia do Radium Instituto de Oncologia, do Hospital Santa Teresa e do Hospital Madre Theodora.

Victor Vasconcelos é neurocirurgião oncológico do Radium Instituto de Oncologia, Centro Infantil Boldrini e do Grupo Relevance Neurocirurgia. Coordenador do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital e Maternidade Madre Theodora e de equipe do Hospital e Maternidade Santa Teresa.  Formação: neurocirurgião e Mestre pela Unicamp. Especialização em Neuro-oncologia pelo Hospital Sírio Libanês. Fellow em Neuro-oncologia Johns Hopkins Hospital (Maryland – EUA) e em Cirurgia endoscópica mimimamente invasiva de crânio pela Ohio StateUniversity (OHIO – EUA). Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Dia Mundial do Lúpus conscientiza população sobre doença crônica

  • Agência Brasil
  • 10 Mai 2021
  • 10:49h

Objetivo é incentivar diagnóstico precoce e controle da doença | Foto: Divulgação/Central Press

A jornalista Tássia Di Carvalho só descobriu que tinha lúpus em 2012. No final do ano anterior, após uma noite de grande estresse, ela acordou com o rosto totalmente inchado. “Não consegui nem andar. Fui me arrastando até chegar ao banheiro para ver o meu rosto. Meus olhos estavam inchados”.

Tássia ligou para o marido e ele a levou para o pronto-socorro, onde os médicos julgaram se tratar de alergia a algum alimento ingerido. Receitaram corticoides e ela desinchou. Dois dias depois, voltou a inchar. Mais corticoides. “Ficaram nessa brincadeira cerca de dois meses. Aí, me mandaram para a Santa Casa, porque ficaram com medo da quantidade de corticoides que eu estava tomando”. Além disso, foi levantada a possibilidade de se tratar de uma doença crônica.

Na Santa Casa, Tássia teve que recorrer à assistência social para poder ser atendida com urgência e não ter que aguardar durante meses para agendar uma consulta. Somente ali, após exames, a jornalista descobriu que tinha lúpus. Chegou a perder todo o cabelo, sofreu episódios sem conseguir andar, fez quimioterapia por cinco anos. Ficou com perda de visão e teve lesões cutâneas. Hoje, se trata com hidroxicloroquina.

Fatores

Esta segunda-feira (10) é o Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus, que faz parte da campanha mundial de conscientização “Maio Roxo”, cujo objetivo é incentivar o diagnóstico precoce e controle da doença. O presidente da Comissão Científica de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Edgard Reis, disse à Agência Brasil que não existe um fator único para o aparecimento do lúpus.

Ele resulta de uma junção de fatores genéticos, ambientais (radiação ultravioleta) e hormonais (estrógeno) que atuam sobre o sistema autoimune. “Ou seja, o próprio indivíduo começa a produzir anticorpos, células, moléculas que vão atacar o próprio organismo. Em vez de atacar vírus e bactérias, acabam por atacar o próprio organismo também”, afirmou Reis.

O lúpus é um doença reumática, crônica, que afeta principalmente mulheres entre 15 e 45 anos de idade, período compreendido, em geral, após a primeira menstruação e a pré-menopausa. Como se trata de uma doença crônica, não tem cura.

“Mas tem um bom controle”, advertiu o médico. Com o uso de medicamentos adequados, o paciente tem uma vida praticamente normal, completou. “Não existe um remédio que vai estabelecer uma cura específica, ao contrário do que ocorre com a pneumonia, por exemplo”. Admitiu, por outro lado, que após a menopausa, existe tendência de melhor controle do lúpus, caso essa seja uma doença menos agressiva.

Pacientes com lúpus têm mais chance de ter aumento de peso, mais risco de ter obesidade e síndrome metabólica, quando ocorre aumento da pressão, diabetes, problemas de colesterol, o que oferece mais risco cardiovascular. “Se você já tem uma doença crônica, autoimune, que já tem mais risco cardiovascular, outra doença, como a obesidade, é muito ruim, porque aumenta o risco de eventos e pode atrapalhar o controle do lúpus”, disse o presidente da Comissão Científica do Lúpus da SBR.

Mulheres

Embora o maior número de pessoas com lúpus seja de mulheres, Edgard Reis afirmou que isso não quer dizer que a doença não aconteça em crianças ou em idosos, só que aparece em uma relação menor e em uma proporção também menor entre homens e mulheres. No Brasil, a estimativa é que existam 65 mil pessoas com lúpus, a maioria mulheres.

Em Natal (RN), por exemplo, estudo realizado mostrou que a incidência de casos novos é de 8,7 pessoas para cada 100 mil habitantes por ano. Segundo Edgard Reis, a incidência de casos maior em Natal do que em alguns países pode ser explicada pela influência da radiação ultravioleta nessa cidade, que é banhada pelo sol ao longo de todo o ano.

Doença inflamatória, o lúpus pode afetar vários órgãos e tecidos, como pele, articulações, pulmão, coração, rins e cérebro. Quando acomete apenas a pele é chamado de lúpus cutâneo; quando, além da pele, atinge outros órgãos e tecidos, é chamado de lúpus eritematoso sistêmico (LES).

Entre as lesões cutâneas, as mais comuns são as manchas vermelhas nas áreas da pele expostas ao sol, como rosto, orelha e o colo. Uma de suas principais características é uma mancha avermelhada nas maçãs do rosto e dorso do nariz, denominada lesão em asa de borboleta, porque seu contorno lembra uma borboleta. Esse animal acabou sendo símbolo do lúpus. Essas mancham pioram com a exposição ao sol.

Sintomas

No início, alguns sintomas podem ser inespecíficos, como cansaço, desânimo, febre diária baixa, emagrecimento, inapetência, alterações de humor, dor nas articulações e no corpo. Reis lembrou que alguns pacientes podem ter problema no pulmão, como tosse, falta de ar; às vezes alterações renais como diminuição da urina; manifestações do sistema nervoso que são mais raras, como quadros de convulsão e até mesmo de alterações psiquiátricas. “Depende muito de paciente para paciente”.

Edgard Reis destacou que o Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus, ou Dia Mundial do Lúpus, é importante não só para a prevenção da doença, mas para a conscientização. “Porque não é uma doença que é bem divulgada na mídia. Então, é importante para que as pessoas entendam que ela existe, quais os principais sintomas, visando à realização de um diagnóstico precoce da doença, para melhora do tratamento e do desfecho a longo prazo. Essa conscientização é importante também para que os parentes do doente entendam do que se trata.

O lúpus não é contagioso. Não é uma doença infecciosa, mas do sistema imune. “Não pega de pessoa para pessoa, não é transmissível”. Quando há suspeita clínica, pode ser pedido ao paciente que faça exames gerais, entre eles hemograma completo, exame de urina para saber se tem alterações nos rins, e alguns anticorpos. ”Em alguns casos, quando se faz necessário, podem ser feitos alguns exames de imagem, radiografia, tomografia, ecocardiograma, ou mesmo análise dos tecidos, com biópsia da pele e do rim”. O tratamento visa a diminuir a progressão do quadro, reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Rui entrega 10 novos leitos de UTI em Bom Jesus da Lapa

  • Redação
  • 02 Mai 2021
  • 11:11h

(Foto: Hailton Pereira)

O governador Rui Costa visitou o município de Bom Jesus da Lapa, neste sábado (1), para inaugurar a ampliação do Hospital Municipal Carmela Dutra. Foram entregues 10 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que receberam um investimento de mais de R$ 3,8 milhões. Os novos leitos já começam a receber pacientes na próxima segunda-feira (3) e, inicialmente, serão voltados para o atendimento de pacientes diagnosticados com a covid-19.

“No Dia do Trabalho, um sábado, eu não podia estar fazendo outra coisa senão trabalhando. São 10 leitos de UTI adulto, que já começam a funcionar na segunda-feira, atendendo, neste momento de crise, pacientes com covid-19. Estamos finalizando mais 10 leitos de UTI neonatal. E, em breve, também teremos a policlínica regional em Santa Maria da Vitória e vamos começar a ampliação do hospital de Ibotirama. Estamos colocando o tratamento de câncer e de cardiologia em Barreiras. Abrimos 20 leitos de UTI no hospital de Barra. Enfim, estamos promovendo uma transformação em toda a região oeste”, afirmou Rui.

Além da implantação dos leitos de UTI neonatal, as intervenções no Hospital Municipal Carmela Dutra contemplam a construção de um Centro de Imagem. O governador também visitou a nova Unidade de Imagem, que recebe recursos do Governo do Estado. Esses investimentos na área de saúde em Bom Jesus da Lapa envolvem investimentos da ordem de R$ 7 milhões.

Infraestrutura

Em Bom Jesus da Lapa, Rui ainda visitou as instalações do novo Colégio da Polícia Militar (CPM), que estão em fase de conclusão, e finalizou a agenda com visita às obras do novo aeroporto. “Bom Jesus da Lapa é um grande destino turístico vinculado à questão religiosa e é um compromisso nosso materializar esse novo aeroporto. Também estamos iniciando a obra de um colégio estadual, onde vamos aplicar R$ 7 milhões para fazer um complexo poliesportivo”, acrescentou.

O secretário de Infraestrutura do Estado, Marcus Cavalcanti, destacou a importância do aeroporto para a região. “Estamos fazendo a vistoria no início da pavimentação da pista de mais de 1,600 metros de extensão e 30 metros de largura. Estamos contratando agora, em maio, a construção do terminal de passageiros. Com o acesso até a BA-161, é um investimento de R$ 30 milhões, permitindo o desenvolvimento da aviação comercial na região e a expansão do turismo religioso. Devemos concluir essas obras no fim do ano, e o aeroporto estará operacional no início do ano de 2022”.