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Após decisão judicial, Salvador vai vacinar profissionais da educação de todas as idades

  • Redação
  • 04 Mai 2021
  • 10:45h

(Foto: Reprodução)

A Prefeitura de Salvador vai iniciar nesta terça-feira (4), a partir de 13h, a vacinação de todos os trabalhadores da educação. A decisão atende determinação da Justiça, publicada nesta segunda (3), para que a gestão municipal faça a imunização dos profissionais, sem limitação de idade, até o ensino médio em um prazo de 48 horas. O juiz Ruy Eduardo de Almeida Britto acatou o pedido feito pelo Instituto de Gestão Pública (IBGP). Até o momento, a prefeitura tem aplicado a vacina para a faixa dos 40 anos ou mais. “Decisão judicial não se questiona, se cumpre. Nós vamos cumprir de imediato e começar hoje mesmo a vacinação. Salvador vai ser a primeira cidade no Brasil a vacinar todos os trabalhadores da educação”, afirma o prefeito Bruno Reis. A prefeitura afirma ter vacinado 80% dos trabalhadores da educação na rede pública e estima que, até esta quarta (5), deve alcançar 100% dos profissionais. A capital baiana iniciou nesta segunda a retomada das aulas semipresenciais. “A gente precisava dar esse passo. O cenário permite isso, estamos com os índices de ocupação de leitos de UTI estabilizados. Salvador vem se destacando em todos os rankings de vacinação do país e agora vamos vacinar 100% dos trabalhadores da educação. Isso reforça o nosso compromisso com a vida e com a educação”, destaca Bruno Reis.

Volta às aulas em Salvador acontece segunda ou não? Sabe-se lá. Deu rolo

  • Levi Vasconcelos
  • 02 Mai 2021
  • 09:12h

Talvez esperar um pouquinho mais caísse bem | Foto: divulgação PMMSJ

O deputado Rogério Correia (PT-MG) já antecipa que é contra. Mas nos debates como os de hoje, a audiência nos meios educacionais é plena, porque as incertezas são gerais.

Em Salvador, Bruno Reis (DEM) marcou a reabertura para segunda-feira (3). A APLB (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia) ameaça com greve; Bruno diz que já vacinou 20 mil trabalhadores em educação do estado e do município. Só faltam 1.300 com idade de 20 a 30 anos. A APLB quer vacinação total, e diz que a Covid mata jovens também.

Perdedores

Convenhamos, a angústia oficial tem a ver. Do início da pandemia para cá, já se vai mais de um ano sem aulas. E os grandes perdedores são os alunos, principalmente os mais pobres, que não têm celular nem tablet para acessar as redes.

O dano pedagógico é enorme. Uma família de carentes, a mãe com quatro filhos, cada um de um pai, o mais velho preso por tráfico de drogas, e um neto, admitia que a escola era muito boa porque, além de pagar o Bolsa Escola, ainda dava ocupação aos meninos.

– O Bolsa Escola eles pagam, e é a salvação. É a nossa única fonte de renda.

Na outra ponta, tem o risco para o time da educação. Talvez esperar um pouquinho mais caísse bem.

Guedes vê 'excessos' no Fies e diz que filho de porteiro foi aprovado com nota zero

  • Fábio Pupo e Thiago Resende | Folhapress
  • 30 Abr 2021
  • 11:43h

(Foto: Reprodução)

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta quinta-feira (29) em entrevista à reportagem que o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e outros programas de cunho social criados na era petista fazem parte de um belíssimo trabalho, e que suas críticas são voltadas ao que chamou de excesso das medidas.

Ele buscou esclarecer suas falas sobre o tema nesta semana dizendo que elas foram distorcidas. Guedes diz que não poderia ser contrário a iniciativas de parcerias com o setor privado na educação porque é um produto desse tipo de política.

"Eu sou um produto da oportunidade de educação. Eu sou de classe média e baixa e a vida inteira recebi bolsa de estudo baseado em performance e desempenho", afirmou.

Segundo Guedes, houve universidades que viraram caça-níqueis ao atrair o máximo possível de alunos na esteira dos recursos liberados pelo programa estudantil. E citou o caso do filho de um porteiro.

"Houve excessos no Fies. É verídico. O porteiro do meu prédio um dia me falou 'doutor Paulo, meu filho fez vestibular para uma faculdade privada, e olha a carta que recebi'. A carta dizia 'parabéns, o senhor foi aprovado com média...' e tinha um espaço. Era uma carta padronizada. E no espaço a média zero. Então claramente houve excessos", disse.

O ministro buscou esclarecer declarações feitas por ele em reunião no começo desta semana, transmitidas pela internet sem que ele soubesse em um vídeo posteriormente deletado pelo governo. As falas sobre o Fies foram relatadas pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta.

Guedes disse na reunião que algumas universidades abriram vagas para todo mundo. "Deram bolsa para quem não tinha a menor capacidade. Não sabia ler, escrever. Botaram todo mundo. Exageraram. Foi de um extremo ao outro", afirmou o ministro na reunião.

Em entrevista, Guedes disse não ser contrário ao conceito do Fies, apesar de manter críticas. Segundo ele, são justamente as parcerias do poder público com o setor privado que vão dar alívio para a demanda social existente no Brasil.

Hoje, diz, 76% dos alunos de ensino superior estão no sistema privado e atender tamanha demanda via poder público seria muito difícil.

"Não falei que [o Fies] foi um desastre. Eu defendo o voucher para a educação, que é mais importante do que emprestar dinheiro", afirmou.

"Isso é um drama hoje no mundo inteiro, você empresta dinheiro e ali na frente ele não consegue o dinheiro e não consegue pagar. Eu defendo o empréstimo, mas defendo ainda mais ainda o voucher", afirmou.

"Eu disse que houve excessos e esses excessos é que causam o desastre", disse. "Como eles deram R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões, R$ 20 bilhões com esses excessos, ficou insustentável. E de repente cai. Em vez de você fazer algo sustentável, você comete o excesso e depois há um colapso total", afirmou.

Para Guedes, o mesmo movimento aconteceu com outros programas criados no passado. "Isso aconteceu com quase tudo no passado, fizeram esses gastos tão grandes e depois caiu tudo. E nós estamos chegando agora e temos que arrumar, consertar as contas", disse.

Guedes diz ainda que tem uma história baseada em investimentos na educação privada. "Eu criei o Ibmec, eu fundei a Abril Educação quando foi comprada pela Kroton, eu tenho uma história de realizações. E daí falam que eu não quero educação. Eu tenho uma vida na educação", disse.

 

O ministro mencionou outros trechos da reunião, como uma fala sobre pessoas que queriam viver mais de cem anos e buscariam o sistema público de saúde.
 

Segundo ele, não foi uma crítica. Mas uma constatação sobre como lidar com recursos públicos e pensar em alternativas.

Professores da rede particular decidem não retornar às aulas presenciais

  • Anderson Ramos
  • 29 Abr 2021
  • 17:32h

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em assembleia nesta quarta-feira (28) realizada pelo sindicato que representa os professores da rede particular na Bahia (Sinpro), a categoria decidiu pelo não retorno das atividades presencias na próxima segunda-feira (3), data marcada para a reabertura das escolas pela Prefeitura de Salvador. Segundo o sindicato, dos 500 profissionais que participaram da reunião, 98% votaram pela continuidade das aulas remotas, enquanto não houver imunização completa da categoria. “É evidente que todos desejamos e estamos sedentos pelo retorno do ensino presencial. Mas é igualmente evidente que não podemos, em nome disto, aceitar riscos de uma doença que, hoje, mata pessoas de todas as idades, inclusive adolescentes e crianças, e cujas sequelas aos que não morrem são ainda desconhecidas, mas já apontadas”, disse o Sinpro em nota postada nas redes sociais. Para o bahia.ba, o presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe), Jorge Tadeu, garantiu que as atividades presenciais retornam no dia 3. “Em assembléia os professores decidiram como se posicionam. Não se trata de greve porque os dois Sindicatos estão em negociação. As escolas irão abrir em 03 de maio com os alunos e professores”.

'Quem está decretando a greve é o prefeito de Salvador', diz APLB sobre volta às aulas

  • Redação
  • 26 Abr 2021
  • 10:59h

(Foto: Reprodução)

A APLB voltou a falar em greve dos trabalhadores da educação contra a decisão do prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), de retomar as aulas na rede municipal, em regime semipresencial. Segundo a diretora do sindicato, Elza Melo, uma paralisação estadual será feita no próximo dia 3 de maio, dia do retorno às atividades, como “advertência” a Bruno e aos prefeitos que seguirem a deliberação dele. Caso o gestor soteropolitano não volte atrás, a categoria ameaça greve por tempo indeterminado. “Existe a perspectiva de greve. Para a segunda-feira, estamos falando na paralisação de advertência. Se o prefeito não revogar o decreto, nós vamos ter greve. Quem está decretando a greve é o prefeito de Salvador, Bruno Reis”, alertou Elza, em entrevista ao Bahia Notícias. Nesta quarta, o sindicato deve fazer reunião com trabalhadores da rede estadual e dos demais municípios para fixar uma posição unificada contra a volta. A entidade defende que as aulas sejam retomadas apenas quando todos os trabalhadores da educação estiverem vacinados contra a Covid-19. Mas, por enquanto, a imunização está na faixa dos 55 a 59 anos. “Não queremos ser mais uma estatística. Ontem morreu uma vice-diretora de escola. Ela estava em atividade, na distribuição de cestas básicas, tivemos vários trabalhadores de educação que morreram. É uma insensibilidade tamanha”, criticou Elza. Além da vacinação, a categoria cobra que as escolas estejam em condições sanitárias de receber alunos e professores. “Muitas escolas ainda estão sem as condições para isso. A prova disso é que a secretaria municipal está remanejando alunos para outras escolas, até escolas estaduais. Eles [prefeitura] tiveram um ano para organizar as escolas, não fizeram isso, não formaram os professores, não forneceram os instrumentos tecnológicos”, afirmou.

Primeira parcela do ‘Bolsa Presença’ será paga em 24 de abril para alunos da rede estadual

  • 22 Abr 2021
  • 14:19h

Benefício será pago em seis parcelas de R$ 150; objetivo é incentivar a permanência escolar | Foto: Paula Fróes/ GOVBA

A primeira das seis parcelas do programa ‘Bolsa Presença’ será paga no dia 24 de abril, conforme anunciou o governador Rui Costa (PT) durante o ‘Papo Correria’, na noite desta terça-feira (20). O programa ajuda financeiramente famílias com filhos matriculados na rede estadual, que vivem em condição de vulnerabilidade socioeconômica. Cada parcela do benefício será de R$ 150 e o recurso será creditado em novo cartão Alelo que será entregue aos estudantes. De acordo com Rui, a expectativa é que o programa atinja 300 mil famílias e estimule os jovens a permanecerem nas escolas. A previsão é que o investimento seja de R$ 231 milhões.

Governo autoriza aulas semipresenciais em 19 cidades baianas

  • Redação
  • 19 Abr 2021
  • 17:20h

(Foto: Reprodução)

As atividades estão permitidas nas unidades de ensino públicas e particulares nos municípios listados, em que a taxa de ocupação de leitos de UTI se mantenha, por cinco dias consecutivos, igual ou inferior a 75%.  As cidades com as atividades liberadas são: Caém, Caldeirão Grande, Capim Grosso, Jacobina, Mairi, Miguel Calmon, Mirangaba, Morro do Chapéu, Ourolândia, Piritiba, Quixabeira, São José do Jacuípe, Saúde, Serrolândia, Tapiramutá, Umburanas, Várzea da Roça, Várzea do Poço e Várzea Nova.  De acordo com o novo decreto publicado, a realização das atividades letivas semipresenciais fica condicionada à ocupação máxima de 50% da capacidade de cada sala de aula e ao atendimento dos protocolos sanitários estabelecidos. No restante do estado, continuam suspensas, até 26 de abril, as aulas presenciais nas unidades de ensino, públicas e particulares.

Câmara planeja votar projeto que determina reabertura de escolas

  • Redação
  • 18 Abr 2021
  • 09:14h

Sessão está marcada para a quinta-feira (22), na qual serão apreciadas antes duas medidas provisórias | Foto: Reprodução

Líderes partidários pretendem colocar em pauta na próxima semana o projeto de lei 5595/20, que determina a reabertura de escolas. A matéria inclui a educação como atividade essencial, não podendo ser paralisada durante a pandemia. A sessão está marcada para a quinta-feira (22). O PL é proposto pelas deputadas Paula Belmonte (Cidadania-DF) e Adriana Ventura (Novo-SP). Na segunda e terça-feira (19 e 20) haverá sessão conjunta do Congresso Nacional e a quarta-feira (21) é feriado nacional. Na quinta, antes do PL 5595, serão apreciadas as Medidas Provisórias 1016 e 1017, que tratam de renegociações de dívidas nos fundos constitucionais FNO, FNE e FCO e de debêntures do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam) e do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor). O 1º vice-presidente, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), declarou que poderá ser votada ainda a proposta (PL 4952/20) que prorroga os efeitos da Lei Aldir Blanc.

Prazo de matricula na rede estadual de ensino da Bahia termina nessa quarta-feira (14)

  • B61
  • 12 Abr 2021
  • 11:11h

(Foto: Reprodução)

A Secretaria de Educação da Bahia (SEC-BA) divulgou o cronograma de matrícula para a rede estadual de ensino. Para quem já estava matriculado em 2020, a renovação será automática, sem que os estudantes, pais ou responsáveis tenham que ir à unidade escolar. Para os demais, a matrícula pode ser feita pelo site sacdigital.ba.gov.br ou pelo aplicativo SAC Digital, entre os dias 22 de março e 14 de abril. Os alunos que pretendem mudar de escola podem solicitar a transferência em qualquer unidade da rede estadual por meio de agendamento prévio. A SEC destaca que novos alunos devem apresentar alguns documentos para efetivação da matrícula, também em data a ser agendada com a escola: Histórico Escolar e original e cópia de identidade ou certidão de registro civil, CPF, comprovante de residência, carteira de vacina, identidade e CPF da mãe. O cronograma completo está disponível no Portal da Educação. 

MP-BA pede suspensão de aulas presenciais em Mata de São João

  • Redação
  • 01 Abr 2021
  • 09:53h

Foto: Divulgação

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) pediu à Justiça que determine, em caráter de urgência, a medida que permite o retorno das aulas presenciais em Mata de São João. A promotora de Justiça Andréa Lemos Fontoura ingressou com a ação nesta quarta-feira (31) contra o decreto municipal 529/2021 do Município e pediu a manutenção do fechamento das instituições de ensino. Outro pedido feito pela promotora é para que o Município se abstenha de adotar medidas de flexibilização das regras de distanciamento social e das restrições à abertura das escolas, sem amparo em estudo técnico-científico e em dissonância com as diretrizes estaduais. Antes de ingressar com o pedido, o MP-BA cobrou dados técnicos que  fundamentaram a edição do decreto, determinando a retomada das aulas presenciais nas escolas públicas municipais de Mata de São João. “Pode-se concluir, dessa forma, que a medida adotada não tem amparo em estudo analítico, em dados técnicos ou em projeções de autoridades públicas de saúde que demonstrem a viabilidade do ato, estando na contramão de todas as recomendações sanitárias, que se dirigem no sentido da tomada de medidas preventivas por parte do Poder Público para prevenir a proliferação do coronavírus”, afirmou a promotora.

Acordo entre MPF e Prefeitura garante R$ 37,6 mi para educação

  • Redação
  • 31 Mar 2021
  • 17:00h

Recursos do Fundef haviam sido bloqueados a partir de ação que deve ser extinta com o cumprimento do acordo | Foto: Reprodução

Um acordo firmado entre o Ministério Público Federal (MPF) e a Prefeitura de Bom Jesus da Lapa garantiu a aplicação de R$ 37.665.874,60 em precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) integralmente na Educação. O acordo foi homologado pela Justiça Federal no dia 25 de março. De acordo com o MPF, o cumprimento do acordo deve tornar extinta a ação civil pública nº 0002437-36.2016.4.01.3315, ajuizada em 2016 pelo órgão para que o município aplicasse os precatórios exclusivamente na educação municipal. A partir desta ação, a Justiça, acolhendo pedido liminar do MPF, havia determinado o bloqueio dos R$ 34,8 milhões existentes em contas municipais. Após o bloqueio, a gestão municipal propôs restituir gradualmente os R$18,6 milhões que já haviam sido utilizados em áreas diversas, para que os recursos fossem desbloqueados e não houvesse prejuízo ao funcionamento da educação na cidade. Com o município interessado em resolver a situação, o MPF apresentou proposta de acordo, que foi discutida e ajustada em reunião de conciliação com o procurador da República, Robert Rigobert Lucht, o prefeito de Bom Jesus da lapa, Fábio Nunes Dias; o secretário de Administração, Victor Hugo Souza Batista; e o procurador do Município, Lúcio Pereira Cardoso, além da juíza Federal Roseli de Queiros Batista Ribeiro, que homologou o acordo.

Comitê pode liberar vacinação para trabalhadores da educação na próxima semana

  • Redação
  • 31 Mar 2021
  • 16:22h

(Foto: Brumado Urgente Conteúdo)

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), estimou nesta quarta-feira (31) que a Comissão Intergestora Bipartite (CIB) pode aprovar, em reunião na próxima semana, o início da vacinação de trabalhadores da educação contra a Covid-19, em todo o estado. Formada pelo secretário estadual e por secretários municipais da Saúde, a CIB é responsável por decidir parâmetros para aplicação do imunizante. "A depender da quantidade de doses que chegue, dá para incluir os trabalhadores da educação em nossa cidade. A CIB deve aprovar isso na semana que vem, e eu defendo isso", afirmou Bruno Reis em entrevista coletiva durante agenda oficial nesta manhã. Nesta terça (30), a comissão aprovou a vacinação de forças de segurança e salvamento, como policiais federais, militares, civis, bombeiros e guardas municipais com mais de 50 anos de idades. Na capital baiana, este público começou a ser imunizado já nesta quarta, assim como os idosos com 64 anos ou mais nascidos entre 31 de março de 1956 e 30 de setembro de 1956. 

No Brasil, chance de filho repetir baixa escolaridade do pai é o dobro dos EUA

  • Érica Fraga e Fernanda Brigatti | Folhapress
  • 29 Mar 2021
  • 07:27h

(Foto: Reprodução)

A chance de um filho repetir a baixa escolaridade de sua família no Brasil é o dobro da probabilidade de que isso ocorra nos EUA. Em média, quase 6 em cada 10 brasileiros (58,3%) cujos pais não tinham o ensino médio completo em 2014 --último ano para o qual há dados-- também pararam de estudar antes de concluir esse ciclo. Entre os americanos, esse percentual cai à metade, para 29,2%. Já a média na OCDE, grupo que reúne quase quatro dezenas de nações ricas e emergentes, era de 33,4%. Se o filho brasileiro pertencer a grupos populacionais menos favorecidos, a distância é ainda maior. Entre o estrato 20% mais pobre da população brasileira, 80,8% dos filhos cujos pais (palavra empregada, no estudo, como plural de pai) não tinham o ensino médio completo repetiram esse desfecho educacional. No grupo dos 20% mais ricos do país, esse percentual era de 32,6%, um pouco abaixo da média da OCDE.

O contraste entre brancos e negros brasileiros também é significativo. Entre os filhos de pais pretos e pardos que não terminaram o ensino médio, 64% não avançaram além disso. Nas famílias brancas, essa proporção era de 51,6%.

Esse conjunto de dados é parte de um estudo inédito do Imds (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social), que situou as transformações educacionais ocorridas entre gerações brasileiras em um amplo contexto internacional.

"O fato de que há grande desigualdade educacional [no Brasil] decorrente da incapacidade da sociedade de fazer avançar os filhos dos mais pobres (os menos escolarizados de suas respectivas gerações)", ressalta um trecho da pesquisa.

A mobilidade educacional ainda baixa entre os nascidos em famílias menos favorecidas ajuda a perpetuar a alta disparidade de renda no país.

"São dois problemas distintos, que andam juntos", afirma outra parte do estudo, cujo título é "Mobilidade Intergeracional de Educação: Comparações Internacionais".

O trabalho mostra que, desde a década de 1940, ocorreram ganhos expressivos de escolaridade no Brasil. Mas também revela que enormes barreiras persistem.

"Essa pesquisa avança em relação a estudos anteriores porque mostra tanto uma fotografia atual quanto um filme do que ocorreu em sucessivas gerações", diz o economista Paulo Tafner, diretor-presidente do Imds.

O trabalho é dividido em duas partes. A primeira é a fotografia do passado recente mencionada por Tafner. Nesse caso, o estudo se refere à população entre 24 e 65 anos.

A partir da análise de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da OCDE, os pesquisadores apresentam um retrato da escolaridade alcançada pelos filhos adultos em relação à de seus pais.

Foram feitas comparações tanto dos resultados da média do Brasil em relação ao desempenho das nações da OCDE quanto entre diferentes grupos populacionais brasileiros, em recortes de raça, renda e gênero.

A segunda parte teve como foco dados do Banco Mundial que o Imds computou para analisar o progresso educacional ao longo das gerações nascidas entre 1940 e 1980, em mais de cem países.

O filme resultante dessa análise revela que o progresso já conhecido do Brasil em termos absolutos --no que se refere à escolaridade média da população-- também foi marcante no contexto internacional.

Oito em cada dez brasileiros nascidos na década de 1980 estudaram mais do que seus pais. Entre 51 nações de renda média alta --grupo ao qual o Brasil pertence--, a relação é de seis em cada dez pessoas.

Essa análise --que excluiu os filhos cujos pais tinham concluído o ensino superior-- pode capturar avanços mais sutis de escolaridade, já que os dados do Banco Mundial incluem cinco níveis de estudo, ante três no caso dos números da OCDE.

"O aumento rápido da mobilidade educacional do Brasil, principalmente, a partir dos anos 1960, é bastante surpreendente", afirma Tafner.

O pesquisador explica, porém, que esse progresso, puxado pela conquista do ciclo básico educacional, não foi acompanhado por um avanço significativo na aquisição do diploma universitário.

A parcela dos brasileiros nascidos na década de 1980 que, hoje, têm o ensino médio completo é 66,6%, quase o triplo dos 23,4% registrados entre seus pais. Quando a mesma comparação é feita com o ensino superior, essas fatias caem para, respectivamente, 26% e 11%.

Além disso, entre a população de baixa renda, mesmo os pais que conquistaram um diploma universitário têm grande dificuldade em "transmitir" essa herança positiva para seus filhos.

Entre os 20% mais pobres do país, apenas 27,7% dos filhos cujos pais tinham ensino superior, em 2014, atingiram essa mesma escolaridade. Na população 20% mais rica, a fatia dos filhos que, como seus pais, possuíam curso universitário era de 81,5%.

"Isso mostra que há uma enorme fragilidade dos brasileiros mais pobres, cujas conquistas podem ser, facilmente, perdidas", diz o economista Fernando Veloso, do Ibre e da EPGE, centros que fazem parte da FGV-Rio.

De acordo com Tafner, o acesso da população mais vulnerável ao ensino superior ocorre, muitas vezes, via cursos menos valorizados no mercado de trabalho. "Esses pais terão menos renda para garantir a educação de seus filhos do que aqueles que seguiram carreiras com maior remuneração", afirma o economista.

A pedagoga Catarina de Almeida, da UnB (Universidade de Brasília), ressalta que, com a adoção da política nacional de cotas com critérios raciais e de renda nas universidades públicas, em 2012, a fatia de brasileiros de estratos menos favorecidos com ensino superior tende a seguir aumentando.

"É uma oportunidade que não existia quando eu, que sou negra, ingressei na universidade, em meados dos anos 1990", afirma a pesquisadora.

Almeida conta que foi a primeira pessoa de sua numerosa família a concluir o ensino superior e, até hoje, é a única que tem mestrado e doutorado entre seus parentes.

"Meus pais eram analfabetos. Minha mãe teve 15 filhos, dos quais 4 morreram. Apenas quatro irmãos e eu concluímos o ensino superior, outros não terminaram nem o ensino fundamental."

Segundo ela, embora as cotas nas universidades tenham sido um passo crucial, elas precisam ser complementadas por outras medidas, hoje, inviabilizadas pelo limite à expansão dos gastos públicos.

"A cota é uma política de entrada. Faltam políticas que garantam a permanência, na universidade, desses jovens. Eles enfrentam dificuldades, que vão da baixa renda familiar a uma base escolar anterior mais fraca."

Dificuldades financeiras como as mencionadas por Almeida foram o principal motivo que impediu José Ilton Santos Dantas, 18, a ingressar na faculdade após concluir o ensino médio.

"Quase fiz, mas estava sem dinheiro", afirma.

Caçula entre seis filhos, Dantas ainda estudou dois anos a mais do que os pais, que chegaram apenas ao primeiro ano do ensino médio. Um de seus irmãos, conta, chegou a começar o ensino superior. O curso, porém, precisou ser trancado.

A prioridade na casa em que vivem hoje, em Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo, é conseguir emprego e ajudar no aluguel e demais contas da casa.

"Meu pai faleceu em 2018. Por isso estou procurando serviço. Sem ele, todo o mundo precisa ajudar no aluguel", diz. "Fiz muitos bicos de ajudante de pedreiro, mas o serviço terminou. Agora quero pegar o que aparecer."

O objetivo de ajudar jovens como Dantas é o que leva Allan Greicon, 28, a dividir seu tempo entre o trabalho na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo de São Paulo e a coordenação do cursinho pré-vestibular popular Emancipa Jardim Jaqueline.

Nascido e criado em Itapevi, na periferia da Grande São Paulo, Greicon atribui sua conquista do diploma da graduação em relações internacionais na USP (Universidade de São Paulo) à dedicação e ao estímulo constantes que recebeu da mãe, a cozinheira Val Macedo.

"Meu pai morreu quando eu tinha seis anos, deixando para minha mãe apenas contas a pagar", diz ele, que é assessor técnico na área de gestão de programas de educação profissional do governo paulista.

Segundo Greicon, embora não tenha completado o ensino fundamental, sua mãe sempre acreditou na importância da educação e trabalhou, de forma dura e incansável, para permitir que ele e seu irmão mais velho se dedicassem apenas aos estudos.

"Ela não tinha tempo de nos acompanhar, de ir a reuniões da escola, mas ligava para os professores para se informar sobre nosso desempenho", afirma ele.

Além do apoio da mãe, Greicon sempre se inspirou no irmão mais velho, que ingressou um ano antes do que ele na Universidade de São Paulo, onde cursou jornalismo. Os dois fizeram cursinho pré-vestibular popular para reforçar sua base educacional.

Greicon concorda com a professora Catarina, da UnB, que o Brasil precisa de políticas educacionais complementares às existentes, hoje, para garantir que jovens de baixa renda tenham mais chances de ir além da escolaridade de seus pais.

"Os cursinhos populares são importantes, em primeiro lugar, porque levam os estudantes a sonhar com a universidade, porque esse não é um sonho óbvio para um jovem de baixa renda", diz.

Além disso, ressalta, as famílias precisam ter renda para atingir um nível de bem-estar suficiente para que seus filhos possam, de fato, se dedicar aos estudos.

"É muito difícil estudar com fome", diz Greicon.

Às barreiras já existentes ao avanço educacional dos brasileiros menos favorecidos se somam, agora, outras criadas pela pandemia do coronavírus.

"Os alunos de baixa renda têm sido prejudicados pela falta de protocolos nacionais, que deveriam ter sido adotados havia muito tempo pelo Ministério da Educação", diz Veloso, da FGV.

"O descalabro que vemos na saúde, nesta crise, ocorre também na educação", afirma o pesquisador.

Segundo especialistas, as perdas decorrentes do acesso precário de alunos pobres à educação na pandemia poderão ser permanentes e levar até a um retrocesso na escolaridade da geração jovem atual em relação à de seus pais.

Veloso ressalta que o quadro é agravado pela piora das perspectivas futuras de trabalho para a população menos escolarizada, em meio à aceleração de uma tendência, anterior à crise, de substituição da mão de obra menos qualificada por tecnologias cada vez mais avançadas.

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O futuro será de aulas online, o governo precisa melhorar o nível do ensino EAD

  • MF Press Global
  • 28 Mar 2021
  • 10:25h

Mais de 100 países fecharam suas escolas para tentar conter a propagação do coronavírus. De acordo com a Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), cerca de 800 milhões de crianças e adolescentes estão sendo afetadas pelo isolamento. Isso significa a metade dos estudantes do mundo. Educador, Dr. Italu Colares mostra como diante dessa situação o futuro será marcado pelas aulas online cada vez mais frequentes.

A pandemia chegou ao Brasil há um ano. De lá para cá, o mundo web se tornou fonte para estudo, trabalho, manter os relacionamentos pessoais e se entreter quando não se pode sair de casa. Porém, com o fechamento das escolas, o ensino a distância (EAD) foi a forma indicada para minimizar o impacto negativo da pandemia sobre a educação.

Dando um mergulho na história das universidades, o professor especialista em educação eletrônica, Dr. Italu Colares, lembra que “é importante observar que, desde a criação das primeiras universidades, nos séculos XII e XIII, na idade média, como a Universidade de Bolonha, criada em 1190, a Universidade de Oxford, fundada em 1914, e a Universidade de Paris criada em 1215, esta instituição social vem tentando conquistar sua autonomia, primeiramente, diante do poder da Igreja, pois a universidade Medieval se estruturou fundamentalmente como uma corporação sob o controle da Igreja”, explica.

Porém, a partir do século XV, com a emergência dos Estados nacionais, a universidade passou a ser controlada pelo poder do Estado. “A reforma protestante cinde a dinâmica da instituição, rompendo com o monopólio da Igreja, mas a reação da contra reforma teve uma forte influência, sobretudo na península Ibérica e em suas colônias”, detalha o acadêmico.

Alguns anos depois, recorda Dr. Italu, “a universidade iluminista foi sacudida pela revolução de 1789, anti-universitária por excelência, pois condenou a instituição universitária como sendo um aparato do regime antigo, colocando em seu lugar escolas profissionais de ensino superior. Da França e da Prússia surgiram, no início do século XIX, as primeiras modernas e laicas: a napoleônica, para formar quadros para o Estado, a de Berlim, com ênfase na integração entre o ensino e a pesquisa”.

Por isso, ressalta Dr. Italu, a universidade desde os seus primórdios, enquanto instituição, “vem buscando conquistar tal autonomia, sendo que a história da universidade se confunde com a sua luta pela conquista da autonomia acadêmica, didática e administrativa”.

Além disso, o educador lembra que as faculdades e universidades se moldaram conforme as instituições de ensino do século XIV, “mesmo com as diversas mídias digitais acessíveis para os nichos empresariais e educacionais, essas permanecem neste mesmo modelo retrógrado. A verdade é que as instituições de ensino aplicaram essas diversas mídias e tecnologias a esse modelo. O modelo retrógrado nunca saiu do bojo das universidades”.

“O EaD veio como um artigo de luxo sem que o anterior fosse substituído. O mais interessante disso é que a cada dia que passa surgem programas acadêmicos que exigem cada vez menos dos estudantes. Um exemplo disso são os sequenciais superiores amparados pela LDB. Isso prejudica também a qualidade dos nossos futuros profissionais que cada vez estudam menos”, lamenta Dr. Italu.

Diante dessa situação, o educador se entristece, pois acredita que “tais programas criarão profissionais cada vez menos qualificados para o mercado. Enquanto isso, mesmo as universidades que no fundo demonizam o EaD, por meio de sua publicidade a divulgam para aumentarem seus rendimentos”.

Por outro lado, Dr. Italu destaca que o preconceito em relação ao ensino a distância (EaD) tem diminuído de forma considerável nos últimos anos. “Apoiando-se na dificuldade de levar o conhecimento às regiões mais afastadas do país, instituições conceituadas aderiram a esse modelo de ensino e passaram a oferecer cursos dessa natureza, realizados total ou parcialmente a distância”.

Em meio a uma sociedade cada vez mais interconectada por redes de tecnologia digital, cursos não presenciais são criados e difundidos rapidamente por meio da internet, rompendo uma das principais barreiras do EAD realizado por meio de veículos como correio, rádio ou televisão, segundo o educador: a completa falta de interatividade no processo. “Exemplos comuns dessa tecnologia são os sistemas de videoconferência nos quais sinais de áudio e vídeo, são transmitidos via satélite ou por meio de uma rede de computadores. O canal de comunicação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Interlab ), estabelecido entre os participantes, possibilita ver e ouvir simultaneamente uns aos outros, em tempo real e de forma interativa”.

Assim, ele conta que ferramentas dessa natureza são muito utilizadas em cursos não presenciais. “O aumento da interatividade na relação professor-aluno (ou aluno-aluno) pode contribuir com a busca de soluções para um dos grandes desafios de pesquisadores ligados ao EaD – aumentar a sensação de presença dos envolvidos no processo”.

A História do EaD no Mundo

O local: a cidade de Boston, nos Estados Unidos. O ano: 1728. Se você estivesse por lá, folheando o jornal da cidade, teria se deparado com um anúncio inusitado. O professor Caleb Phillips oferecia um curso de Taquigrafia (uma técnica para escrever à mão de forma rápida, usando códigos e abreviações) para alunos em todo o país, com materiais enviados semanalmente pelo correio. Este foi o primeiro registro de um curso a distância.

Mais de cem anos depois, em 1833, na Suécia, a universidade da cidade de Lund oferecia um curso de composição por correspondência. Em 1840, na Inglaterra, começava um curso também de Taquigrafia de passagens bíblicas, em que o professor Isaac Pitman incentivava os alunos a escreverem postais com textos abreviados.

E se hoje podemos aprender uma nova língua conversando com professores pela internet, é interessante saber que as experiências pioneiras neste campo surgiram em 1856, na Alemanha. Ou seja, já era possível aprender outro idioma usando a metodologia do EaD a mais de 160 anos.

A partir do século XIX, o EaD começou a ser utilizado em vários outros países como solução para que pessoas que viviam distantes de instituições de ensino pudessem aprender. Além de novos cursos nos Estados Unidos, Suécia e Alemanha, surgiram também iniciativas na França, na antiga União Soviética, Japão, Austrália, Noruega, África do Sul, Argentina, Espanha e muitos outros países.

O especialista em educação eletrônica, Dr. Italu Colares, aproveita este contexto histórico e enfatiza que “no começo, os cursos EAD eram voltados para aperfeiçoamento profissional ou ofereciam conteúdo complementar da formação universitária. Com o passar do tempo, foi se tornando possível fazer até uma graduação completa a distância”.

Um ponto interessante é que o EAD sempre acompanha a evolução das tecnologias de comunicação. Se uma sala de aula presencial hoje é muito semelhante à de 200 anos atrás, não se pode dizer o mesmo do EAD. Veja como o formato tem evoluído, de acordo com a análise de Dr. Italu:

- Até os anos 1910 havia cursos por correspondência baseados em materiais impressos. A partir da década de 1910, o uso de slides e audiovisuais como materiais adicionais, passou a ser recorrente.

- Nas décadas de 1910 até 1940, período que compreendeu as duas grandes guerras mundiais, o rádio foi utilizado para transmitir conteúdos.

Na década de 1950, com a invenção da TV, começaram também as primeiras experiências de telecursos. A partir de 1970 as tecnologias deste período foram as TVs via satélite e a cabo, que também foram usadas para transmissão de conteúdo. E, por fim, na década de 1990 iniciaram dos cursos por computador (via CD-ROM) e depois pela internet.

A História do EAD no Brasil

Quem vê atualmente as pessoas aprendendo através do Ensino a Distância (EAD) em seus notebooks, tablets e celulares pode não ter ideia do quanto este campo mudou desde a sua criação. No começo da história do EAD o foco estava nos cursos profissionalizantes, hoje essa modalidade está disponível para todos os níveis de escolaridade, desde o ensino fundamental até a pós-graduação. 

Porém, alguns pontos permanecem intactos de lá para cá, reforça o especialista: “Um deles é a separação física e temporal entre o professor e seus estudantes, que caracteriza o EAD. Outro é seu potencial de levar formação para pessoas que estão longe das universidades”.

No Brasil, o EAD surgiu com cursos de qualificação profissional. “O registro mais remoto data de 1904, com um anúncio nos classificados do Jornal do Brasil de um curso de datilografia (para usar máquinas de escrever) por correspondência”, conta o professor.

Um detalhe que ele observa é que, na década de 1920, o Brasil já contava com os primeiros cursos transmitidos pelas ondas do rádio, a novidade tecnológica da época. “Os estudantes utilizavam material impresso para aprender Português, Francês e temas relacionados à radiodifusão”, define.

Nas décadas de 1940 e 1950 começaram os cursos mais formais, sobre temas profissionalizantes, liderados pelo Instituto Monitor, depois pelo Instituto Universal Brasileiro e pela Universidade do Ar, patrocinada pelo Senac e pelo Sesc. “Até hoje algumas dessas instituições permanecem ligadas à formação profissional através de cursos à distância”, completa Dr. Italu.

Por outro lado, nas décadas de 1960 e 1970 surgem várias iniciativas de EAD em projetos para ampliar o acesso à educação, promover o letramento e a inclusão social de adultos. Com o passar do tempo, os cursos agregaram outros níveis de ensino, como o fundamental completo. E no final da década de 1970 começou em Brasília a primeira experiência de EAD nos cursos superiores. “Nesse período, muitos brasileiros já acompanhavam os telecursos, transmitidos pela TV. Esse modelo de EAD convivia com os formatos antigos, como o material impresso e o rádio, uma característica que se mantém até a década de 1990. Em meados da década, as instituições passam a utilizar a internet para publicar conteúdos e promover interações”, sintetiza o educador.

Foi nesse período que várias universidades formalizaram suas iniciativas EAD, até culminar com a criação, em 1996, da Secretaria de Educação a Distância (SEED), do Ministério da Educação (MEC). “Naquele mesmo ano o EAD no Brasil passou a contar com uma legislação abrangente que hoje garante, por exemplo, a validade de diplomas emitidos pelos cursos nesta modalidade”, destaca Dr. Italu Colares.

 

O EaD hoje no Brasil

Atualmente o EaD é uma modalidade consolidada no Brasil. São mais de 1.800 cursos, desde o ensino fundamental até a pós-graduação, que atendem quase quatro milhões de pessoas. As tecnologias baseadas na internet permitem a implantação de diferentes modelos de EAD, como por exemplo:

– Cursos predominantemente a distância, com encontros presenciais obrigatórios.

– Cursos semipresenciais, que promovem encontros semanais.

– Disciplinas a distância de cursos de graduação presenciais.

Neste início de terceira década do século XXI, em que a pandemia obrigou a esta mudança nos hábitos, Dr. Italu reforça que “a tendência é que a experiência de aprendizagem seja cada vez mais híbrida. Ou seja, uma pessoa pode fazer um curso presencial e ter uma carga horária de atividades a distância. Um estudante EAD pode passar por uma experiência tão rica de contato com seus professores e colegas que acaba prevalecendo a sensação de presença e proximidade no processo de ensino e aprendizagem”, finaliza.

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Escola de Juazeiro (BA) recebe doação de computadores da VLI

  • Ascom | VLI
  • 26 Mar 2021
  • 10:28h

Entrega faz parte da parceria firmada entre empresa e município, iniciada com a reforma da antiga estação ferroviária municipal, que abriga a nova Escola do Saber | Foto: ascom VLI

Promover o desenvolvimento social e preservar a história ao criar novos espaços para que as gerações atuais possam conhecer a memória ferroviária. Estes são os pilares fundamentais que norteiam a parceria da VLI, controladora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), com o município de Juazeiro, na Bahia. Na última terça-feira (23), a empresa, por intermédio do supervisor de Operações, Clauber Rodrigues Nascimento, entregou cinco computadores desktop à Secretaria Municipal de Educação. Os dispositivos serão utilizados por crianças e jovens matriculados na Escola do Saber, instituição que funciona no edifício da estação de Juazeiro, também reformada com apoio da VLI. “É motivo de orgulho para a VLI mais uma vez contribuir com a educação. Esta parceria reflete os valores da empresa, nosso elo com a comunidade e objetiva auxiliar na formação destes jovens cidadãos”, afirma Maria Clara Fernandes, gerente de Responsabilidade Social da VLI. A sede da Escola do Saber de Juazeiro foi reformada e entregue à Secretaria de Educação municipal por intermédio do programa Estação de Memórias. A iniciativa consiste em uma reforma geral, adequando sistemas elétrico e hidrossanitário às normas vigentes, troca de piso, telhado etc. Os projetos são desenvolvidos junto ao poder público, que também participa do alinhamento sobre como recuperar a funcionalidade da edificação para a sociedade depois que o imóvel for cedido. Nos últimos anos, a companhia destinou mais de R$ 10 milhões para reformar estações, ajudando a preservar a história ferroviária.