BUSCA PELA CATEGORIA "COVID-19"

Cuidados na reabertura: Especialista alerta que bares são 'super propagadores de contágio'

  • Redação
  • 10 Jul 2020
  • 08:23h

(Reprodução)

Comer é uma necessidade básica do ser humano que muitas vezes está associada também ao prazer. Mas em tempos de pandemia, a depender de onde, como e com quem se faça isso, pode se tornar um problema. O alerta parte da infectologista Clarissa Cerqueira. Na semana em que a gestão municipal e o governo da Bahia anunciaram o protocolo de retomada das atividades na capital baiana, a especialista enumerou os riscos e cuidados que as pessoas devem ter em cada uma das três fases.  A atenção maior deve estar nos locais "super propagadores de contágio". Nessa definição estão incluídos principalmente os bares e restaurantes, justamente por causa da comida. A infectologista explica que num momento como o atual, tudo que tem a ver com comida é perigoso, uma vez que para isso as pessoas precisam tirar as máscaras. Barreira física para o vírus, o EPI reduz consideravelmente a chance de contágio e o uso é, além de uma recomendação de profissionais de saúde, lei.  "Os restaurantes e bares, ao contrário de supermercados e farmácias, são locais em que tem que comer, e para comer as pessoas precisam tirar a máscara. Em geral as pessoas não vão sozinhas, vão normalmente para ter contato com outras, o que torna os bares e restaurantes ambientes propícios para transmissão de vírus que é transmitido por contato e gotículas", explicou a infectologista.

 

No protocolo apresentado pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), na última terça-feira (7), a flexibilização de abertura dos bares e restaurantes foi condicionada à taxa de ocupação dos leitos de UTI (saiba mais aqui). Os estabelecimentos, fechados desde março, poderão funcionar desde que essa taxa permaneça por pelos menos cinco dias nos 70%. Quando isso ocorrer, os estabelecimentos terão que mudar o modus operandi e se adequar à nova realidade imposta pela pandemia. Isso inclui, de acordo com a médica, orientações como quantidade de pessoas nos locais, espaçamento entre mesas e entre os clientes, e até os locais em que eles devem colocar as máscaras quando forem comer. "Não dá para colocar em cima da mesa", frisou a infectologista. A especialista considera a contrapartida estabelecida pela gestão de Salvador, que condiciona a reabertura à taxa de ocupação nas UTIs, um "parâmetro interessante". Mas aponta a dificuldade que será enfrentada para chegar à tão desejada fase três, que é a última. "Sempre quando abrir muito, vai faltar leito de UTI", previu a médica. A infectologista reconhece a importância da reabertura das atividades, mas alerta que, mesmo com a flexibilização, as pessoas que saírem de casa têm que ter em mente que estão indo a um ambiente comunitário. "Tem que ter consciência de que uma vez que sai de casa, está se expondo. Por maior cuidado que tome, está exposto", ressaltou Clarissa.  A fase um da reabertura será implementada quando a taxa de ocupação de leitos permanecer menor que 75% por pelo menos cinco dias. Ela se refere a shoppings, centros comerciais e igrejas. Uma vez que não há como garantir que não haverá contágio nesses locais, a infectologista fala de medidas para "minimizar" essa contaminação. São elas o distanciamento das pessoas, nos bancos dos templos por exemplo, e mesmo ao caminhar; o uso de máscaras; e higienizar as mãos sempre que tocar em maçanetas, corrimãos e catracas. Na fase dois, o alerta da infectologista vai, além dos bares e restaurantes, também para os salões de beleza. Ela chama atenção para os serviços em que as pessoas tenham que ficar próximas dos clientes, a exemplo das manicures ou das desingners de sobrancelhas. Nesse tipo de estabelecimento Clarissa recomenda que deve haver restrição de pessoas e uso de máscaras.  A reabertura de parques, teatros, cinemas e casas de espetáculos está prevista na fase três, após a capital atingir taxa de ocupação menor que 60%. A médica vê muita dificuldade em atingir esse patamar, mas ainda assim recomenda atenção e muito cuidado com o espaçamento entre as cadeiras, além do uso máscara. 

CONTINUE LENDO

Covid-19: Possível vacina é autorizada para novo teste no Brasil

  • 09 Jul 2020
  • 20:05h

Foto: Pixabay

A fase três de testes clínicos para a vacina contra o novo coronavírus Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em pareria com o Instituto Butantan, foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A informação foi anunciada nesta quinta-feira (9) pelo governador de São Paulo (PSDB-SP) João Doria no Twitter. 

A previsão é que a Coronavac comece a ser testada em brasileiros nas próximas semanas. Em entrevista coletiva, o governador revelou que o processo de testagem pode iniciar no dia 20 de julho em São Paulo, Brasília, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A fase vai custar R$ 38 milhões o governo paulista.

A possível vacina vai ser testada em 9 mil voluntários brasileiros em um estudo liderado pelo Instituto Butantan. Os participantes serão apenas profissionais de saúde. As inscrições para o voluntariado poderão ser feitas a partir do dia 13 de julho, por meio de um aplicativo, ainda não lançado. 

Boletim Epidemiológico Covid-19 - Edição 09/07/2020 – Brumado.

  • 09 Jul 2020
  • 19:32h

Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira, 09 de julho de 2020, o município de Brumado registra 247 casos confirmados da Covid-19, o novo coronavírus. O número representa 11,46% do total de 2.155 notificações. Entre os diagnósticos: 0 internação , 3 óbitos, 56 pacientes em tratamento e 188 recuperados. No momento, 44 ainda aguardam resultado laboratorial e 738 já foram descartados.
As notificações suspeitas abrangem pacientes com quadros de síndromes gripais diversas, dentre os quais alguns se encaixam nos critérios para realização do exame RT-PCR ou via teste rápido. Estes últimos estão sendo usados de forma criteriosa, em casos excepcionais, como estratégia para ampliar e tornar mais eficaz o enfrentamento à pandemia no município. 

Importante lembrar que a Secretaria Municipal de Saúde criou um canal de comunicação direto com a população para tirar dúvidas sobre a Covid-19 e atender pessoas que apresentem sintomas característicos. A Central de Informação Covid está disponível de domingo a domingo, de 8h às 20h, através dos telefones: (77) 9.9961-0107; (77) 9.9961-0110; (77) 9.9961-0115; (77) 9.9961-0118; (77) 9.9961-0119; (77) 9.9961-0128; (77) 9.9961-0131e (77) 9.9961-0402. Antes de procurar atendimento, ligue na central e garanta a sua segurança e de todos!

Vilas-Boas lamenta crescimento de casos de Covid-19 após festejos juninos: 'Preocupante'

  • Redação
  • 09 Jul 2020
  • 17:47h

(Foto: Reprodução)

O secretário de saúde do Estado Fábio Vilas-Boas reforçou, na tarde desta quinta-feira (9), que a taxa de crescimento de casos ativos da Covid-19 aumentou drasticamente após os festejos juninos, com destaque negativo para a curva ascendente no interior da Bahia. Em uma publicação no Twitter, o secretário afirmou que os números de casos ativos do novo coronavírus cresceram especialmente no interior. "Muito preocupante", lamentou. Vilas-Boas conta que a Bahia estava chegando no chamado efeito platô (quando a curva de crescimento estabiliza e depois cai) por duas semanas, antes dos números voltarem a aumentar. "É preciso acompanhar de perto esse fenômeno", alerta. O governador Rui Costa já havia lamentado que a estratégia de antecipar o feriado de São João não havia funcionado, já que o objetivo de diminuir as aglomerações durante o festejo não foi atingido.

Coronavírus não está sob controle na maior parte do mundo, diz diretor-geral da OMS

  • Redação
  • 09 Jul 2020
  • 14:39h

Segundo Tedros Adhanom, o número total de casos da doença dobrou nas últimas seis semanas | Foto: Reprodução

O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom, afirmou na manhã desta quinta-feira (9) que o novo coronavírus não está sob controle na maior parte do mundo. “Está piorando. A pandemia ainda está acelerando”, alertou, em coletiva de imprensa, segundo o jornal o Estado de S. Paulo. “O número total de casos dobrou nas últimas seis semanas”, acrescentou Tedros . Segundo dados mais recentes divulgados pela OMS, já são 11,8 milhões de casos em todo o mundo, com mais de 544 mil vidas perdidas. Mesmo assim, Tedros reforçou que alguns países conseguiram conter a escalada da doença tomando medidas de saúde pública “abrangentes”, baseadas em testagem em massa e isolamento. “Não há resposta fácil, Mas alguns países controlaram o vírus. Devemos aprender com suas experiências e seguir seu legado”, afirmou a jornalistas em Genebra, Suíça. A OMS ainda reiterou que fará uma avaliação independente de seu trabalho frente à pandemia.

Ex-ministro Geddel Vieira testa positivo para covid-19 em presídio da Bahia

  • Correio Brazilense
  • 09 Jul 2020
  • 10:19h

(Foto: Reprodução)

Em um teste rápido, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, 61 anos, foi diagnosticado como positivo para a infecção por covid-19. As informações foram dadas pelo advogado do ex-ministro ao portal G1 nesta quarta-feira (8/7).  Geddel cumpre pena no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador, pela condenação no caso do bunker dos R$ 51 milhões. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap), Geddel tem apenas sintomas leves e já fez um exame de contraprova. Ainda de acordo com a secretaria, ele segue isolado de outros detentos.

Em reunião com Ministro da Saúde, Bahia assegura mais de R$ 43 milhões em recursos federais para o coronavírus

  • Redação
  • 09 Jul 2020
  • 07:58h

(Foto: Divulgação)

O secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, conseguiu nesta quarta-feira (8), em Brasília, que o Ministério da Saúde ampliasse em R$ 43 milhões, o custeio de serviços já em funcionamento no estado, como as UTIs Covid de hospitais na capital e no interior. Na reunião com o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello e os principais secretários do ministério, também ficou assegurado o envio de novos ventiladores pulmonares e até 500 mil kits de amplificação do RT-PCR, o que corresponde a mais de 70% do custo do exame molecular para Covid19. De acordo com o secretário, “o Ministério permitirá ainda que os recursos das emendas parlamentares da bancada da Bahia sejam utilizados para comprar equipamentos para montar hospitais, bem como enviarão medicamentos anestésicos para pacientes entubados, que estão escassos em todo o Brasil”, afirma Vilas-Boas. Os leitos de Terapia Intensiva que serão habilitados pelo Ministério da Saúde estão localizados nos municípios de Salvador, Feira de Santana, Jequié e Ilhéus. São unidades de referência para o tratamento de pacientes graves com o diagnóstico de coronavírus: Hospital de Campanha Arena Fonte Nova, Hospital Espanhol, Instituto Couto Maia, Hospital Geral Ernesto Simões Filho, Prohope, Hospital Estadual da Criança, Hospital Costa do Cacau e Hospital Geral Prado Valadares. Também foram realizadas reuniões com os secretários Luiz Duarte (Atenção Especializada à Saúde) e Arnaldo Medeiros (Vigilância em Saúde) ambos do Ministério da Saúde. Os deputados federais Jonga Bacelar e Paulo Magalhães acompanharam as agendas em Brasília.

Boletim Epidemiológico da Covid-19 desta quanta-feira (08)

  • Ascom | PMB
  • 08 Jul 2020
  • 21:49h

(Divulgação: SESAU)

Boletim Epidemiológico Covid-19 - Edição 08/07/2020 – Brumado.
Nesta quarta-feira 08 de julho de 2020, o município de Brumado registra 234 casos confirmados da Covid-19, o novo coronavírus. O número representa 11% do total de 2.127 notificações. Entre os diagnósticos: 0 internação , 3 óbitos, 50 pacientes em tratamento e 181 recuperados. No momento, 34 ainda aguardam resultado laboratorial e 725 já foram descartados. As notificações suspeitas abrangem pacientes com quadros de síndromes gripais diversas, dentre os quais alguns se encaixam nos critérios para realização do exame RT-PCR ou via teste rápido. Estes últimos estão sendo usados de forma criteriosa, em casos excepcionais, como estratégia para ampliar e tornar mais eficaz o enfrentamento à pandemia no município. 

Reabertura de igrejas geram novos focos de contaminação por Covid-19 nos EUA

  • Redação
  • 08 Jul 2020
  • 19:28h

(Foto: Reprodução)

Semanas após o presidente norte-americano Donald Trump ordenar a reabertura de igrejas nos Estados Unidos, surtos de coronavírus estão surgindo nos templos em todo o país onde os cultos foram retomados. Os estabelecimentos religiosos são um dos primeiros que serão reabertos durante o plano de transição para o fim da quarentena em Salvador, conforme anunciaram o prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa nesta terça-feira (7)  Uma reportagem do New York Times narrou que o vírus se infiltrou nos cultos e encontros em Colorado e Missouri,  em igrejas que reabriram com o uso máscaras e respeito ao distanciamento social, assim como naquelas que pregaram contra os bloqueios e se recusaram a atender a novos limites ao número de fiéis. Pastores e suas famílias testaram positivo pra Covid-19, assim como os arrumadores da igreja, os recepcionistas da porta da frente e centenas de frequentadores. No estado norte-americano do Texas, cerca de 50 pessoas contraíram o vírus depois que um pastor disse aos congregantes que eles poderiam se abraçar novamente. Mais de novos 650 casos de coronavírus foram descobertos próximos a 40 igrejas e eventos religiosos nos Estados Unidos desde o início da pandemia.

Gandu: Lockdown é prorrogado em cidade com maior incidência de Covid-19 na BA

  • Redação
  • 08 Jul 2020
  • 16:20h

(Foto: Brumado Urgente Conteúdo)

Município com a maior incidência de novo coronavírus no estado [2.293 por 100 mil], Gandu terá lockdown [fechamento] prorrogado até o domingo (11). A medida visa conter a escalada da Covid-19. Até esta quarta-feira (8), a cidade – que tem 32 mil habitantes [IBGE, 2019] – tem 743 infectados e 14 óbitos em decorrência do coronavírus. Pelo decreto, as entradas da cidade se manterão fechadas. O acesso só é permitido para ambulâncias e veículos que transportem pessoas com necessidade comprovada. Neste caso, os moradores terão de apresentar documento. No período também estão vetados a atividade comercial formal e informal, o que inclui ambulantes e feirantes. Já as atividades consideradas essenciais, como supermercados, bares, restaurantes, açougues, fornecimento de água e gás, podem funcionar das 6h às 19h. 

Lençóis: N° de casos de Covid-19 pula de 1 para 23 em três dias; prefeito foi infectado

  • Redação
  • 08 Jul 2020
  • 15:47h

(Foto: Divulgação)

Lençóis, na Chapada Diamantina – sem casos de coronavírus até o último domingo (5) – chegou a 21 infectados nesta quarta-feira (8). Entre os casos confirmados está o prefeito Marcos Airton, a secretária de Administração, Giovana Aguiar, o secretário de Meio Ambiente, Andres Iglesias, além de assessores e servidores municipais. Segundo o G1, os infectados disseram que estão sem sintomas e que cumprem quarentena em isolamento domiciliar. Conforme a prefeitura, a suspeita é que o contágio que atingiu o prefeito e secretários ocorreu após um servidor ser infectado. Com a confirmação dos casos, a prefeitura testou todos os funcionários e o prédio foi higienizado para evitar outras ocorrências relacionadas ao coronavírus. A gestão também informou que tem testado pessoas que tiveram contato com quem teve o diagnóstico confirmado. Com a confirmação dos casos, Lençóis também teve o transporte suspenso pelo governo do estado.

Em reunião com ‘homem de confiança do Ministro’, Herzem diz que leitos para COVID-19 cancelados pelo Estado serão devolvidos a cidade

  • BRF
  • 08 Jul 2020
  • 14:57h

(Foto: Reprodução)

O Prefeito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão, está em Brasília cumprindo agenda. O gestor não conseguiu a audiência com o Ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, mas, segundo o gestor, na manhã desta quarta-feira (08) ele esteve reunido com o ‘homem de confiança’ do chefe da pasta, conhecido como ‘Cascavel’. O gestor anunciou que os leitos de tratamento para COVID-19 cancelados pelo Estado e que estavam disponíveis no Hospital IBR serão devolvidos a cidade, segundo garantiu o Governo Federal.

Por quê a Ásia se tornou o epicentro de diferentes doenças?

  • Rodrigo Sillva
  • 08 Jul 2020
  • 14:36h

(Foto: Reprodução)

Há um alerta por parte das autoridades de saúde e meio ambiente do mundo inteiro de que a pandemia da COVID-19 não será a última e que, a sociedade deve se preparar para as próximas doenças infecciosas emergentes que estão por aparecer nos próximos anos.

Mas, nesse momento, surge o seguinte questionamento: por que boa parte das doenças pandêmicas dos últimos anos tiveram sua origem na Ásia?

Há muitas especulações quanto a isso, entretanto, os pesquisadores acreditam que esse seja um problema multifatorial.

A região asiática tem algumas peculiaridades que favorecem fortemente o surgimento de novas doenças. A primeira delas é a explosão populacional e a migração dessa população da zona rural para os grandes centros urbanos e, essa rápida urbanização proporciona uma interação física muito maior entre as pessoas favorecendo o contágio e disseminação de microrganismos como, por exemplo, o Coronavírus.

Ainda, quando a urbanização é feita de maneira não planejada, ocorre a destruição de áreas verdes e, consequentemente, a destruição dos habitats de animais silvestres favorecendo a aproximação desses animais (alguns deles podendo ser hospedeiros de vírus desconhecidos) com os animais domésticos e os seres humanos, o que também pode favorecer a dispersão das doenças zoonóticas – doenças transmitidas por animais aos seres humanos.

Vale ressaltar que regiões tropicais, como é o caso do leste asiático, por terem grande biodiversidade também carregam o ônus de terem (em maior grau) a presença de microrganismos totalmente desconhecidos para o ser humano e, o fato de nunca termos tido contato com eles, implica em não termos imunidade desenvolvida para combatê-los.

Durante a explosão do Coronavírus na cidade de Wuhan, na China, foi levantada outra questão muito importante dentro do contexto das zoonoses: o tráfico e consumo de animais silvestres que, diga-se de passagem, não é privilégio somente dessa região do planeta. No caso asiático, atrelado ao consumo de iguarias está a questão da medicina tradicional chinesa (MTC) que utiliza partes de diversos animais visando a produção de remédios para a cura de diferentes doenças.

Aqui, não pretendo fazer juízo de valores éticos ou culturais, mas apenas apresentar fatos. Um estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong mostrou que a primeira linha de tratamento de boa parte da população asiática é por meio da MTC que oferece tratamentos mais baratos para inúmeras doenças. No entanto, quando essas terapias não surtem efeitos para determinadas infecções mais graves e com alto potencial de disseminação, a população procura a medicina ocidental. Esse precioso tempo dispensado dificulta os tratamentos medicamentosos e favorece a proliferação dos vírus, por exemplo.

Seguindo essa linha de raciocínio, nessa região o comércio de compra e venda de animais domésticos vivos para consumo (suínos, e aves, principalmente) é muito grande contribuindo ainda mais a interação entre humanos-animais e, por consequência, a infecção por diferentes patógenos.

Muitos países asiáticos ainda têm um problema muito importante em relação à higiene de locais públicos e também em relação censura de informações o que certamente dificulta as autoridades de saúde a buscarem formas seguras de interromper o ciclo dessas doenças.

Apesar de tudo isso, vale ressaltar que o fato da rápida dispersão dessas enfermidades está relacionado muito mais aos processos de globalização que favorecem o deslocamento de pessoas, animais e objetos infectados para diferentes partes do mundo em curto espaço de tempo, do que propriamente à alguma região específica do planeta. Isso implica dizer que a situação apresentada não é privilégio de chineses ou asiáticos, mas do modo de vida em que a população do planeta se encontra.

Todo Cuidado é Pouco: Ainda não há evidências de que quem contraiu a doença não se contamina novamente

  • Mariana Tokarnia | Agência Brasil
  • 08 Jul 2020
  • 12:11h

(Foto: Reprodução)

O Brasil têm, de acordo com dados do Ministério da Saúde, quase 1 milhão de recuperados da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Para alguns, o fato de já ter tido a doença é motivo para relaxar e não seguir à risca as recomendações para evitar o contágio. Para outros, a rotina de cuidados não mudou e inclusive ficou maior. Segundo especialistas, não há evidências científicas de que quem contraiu a covid-19 não vá se contaminar de novo. Além disso, por ser uma doença nova, os efeitos do vírus a médio e longo prazo não são totalmente conhecidos. Quem teve a infecção pode ainda apresentar eventuais complicações. “Eu estou bem mais medroso, mais receoso. Se eu lavava minha mão antes, agora lavo duas vezes mais. Higienizo as coisas que trago da rua. O cuidado aumentou depois que passei pela doença e sei como é”, conta o farmacêutico Marcus Túlio Batista, 27 anos. Ele começou a sentir os sintomas no dia 14 de junho. Teve dor de garganta, perda de olfato e paladar, indisposição e dores no corpo.

“Quando você pega, vê que a doença vai além do físico. Eu acho que talvez o emocional seja até muito mais abalado”, diz e complementa: “Eu moro sozinho em Brasília. Minha família é de outro estado. Isso me causou bastante impacto porque além do isolamento, você tem medo de como vai evoluir, não sabe como o seu corpo vai lidar com isso. Eu fiquei bastante ansioso”, conta.

Na casa da artista plástica e produtora cultural Leticia Tandeta, 59 anos, no Rio de Janeiro, quase todos foram infectados em meados de maio. Ela, o marido, o filho e o irmão. “Ficamos praticamente todos doentes ao mesmo tempo. A sorte foi que todos tivemos sintomas brandos, ninguém teve falta de ar ou uma febre absurdamente alta”, diz. A única que não adoeceu foi a mãe de Leticia, que tem 93 anos. A família tomou o cuidado de isolá-la e de separar tudo que era usado por ela.

“Hoje é estranho porque não sabemos se estamos imunizados ou não”, diz Leticia. “Os médicos dizem que provavelmente temos algum tipo de imunização, talvez de um mês, dois meses, três”. Por causa das incertezas, ela diz que a família continua tomando cuidados como sair de casa o mínimo possível, apenas quando necessário, usando sempre máscara. Já ter contraído a doença, no entanto, traz um certo tipo de relaxamento: “Não é que a gente relaxe nos cuidados, mas há um certo relaxamento interno sim”.

De acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, mesmo quem já teve a doença deve continuar tomando cuidado. “Não temos certeza, por enquanto, de que quem teve covid-19 uma vez não terá novamente. É importante que quem já teve a doença continue se prevenindo. Continue com as medidas preventivas, usando máscaras, higienizando as mãos e evitando aglomeração”.

As pessoas que já foram infectadas, de acordo com Weissmann, assim como as demais, podem ajudar a propagar o vírus caso não tomem os devidos cuidados. “Mesmo a pessoa que não estiver infectada, se ela puser a mão em um lugar contaminado, ela pode carregar o vírus. Por isso é importante estar sempre higienizando as mãos, lavando com água e sabão ou com álcool 70%”, orienta.

Síndrome da Fadiga Crônica

Em março, a psicóloga Joanna Franco, 37 anos, teve dores no corpo, tosse seca, dor de cabeça, febre alta, dificuldade de respirar, perda de olfato e paladar, diarreia e vômito. Na época que recebeu o diagnóstico clínico de covid-19, o Brasil começava a adotar medidas de isolamento social. Morando sozinha em Niterói, ela cumpriu todas as regras de quarentena e de isolamento social. Os sintomas passaram. Para garantir que não transmitiria o vírus para ninguém, ela ainda permaneceu em isolamento por cerca de 40 dias. Foi então que percebeu que não estava totalmente recuperada, estava muito cansada. “Vinha um cansaço, parecendo que eu tinha subido ladeiras, uma sensação de que isso nunca ia acabar, que não ia sair de mim. Fiquei bem prostrada”.

Quase três meses depois, ela diz que se sente melhor, que está conseguindo retomar uma rotina de exercícios físicos, que antes eram impossíveis. Depois de passar pelo que passou, ela redobrou todos os cuidados que já vinha tendo. “Depois de ter passado, não quero vivenciar isso de novo e não quero que outras pessoas vivenciem”, diz.

O cansaço que Joanna sentiu após se recuperar da doença pode ter sido a chamada Síndrome da Fadiga Crônica, que tem sido relatada por pessoas que foram contaminadas pela covid-19, segundo o neurologista, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gabriel de Freitas. O principal sintoma é o cansaço, mas pode haver alteração na pressão, na frequência cardíaca e insônia. “O que predomina é a fadiga, o cansaço. A pessoa não consegue trabalhar, não consegue voltar à atividade”, afirma.

A síndrome não é exclusiva do novo coronavírus, mas ocorre também por causa de outros vírus. Ela pode durar até cerca de um ano, é mais frequente em mulheres entre 40 e 50 anos e que tiveram covid-19 pelo menos de forma moderada. Mas, de acordo com Freitas, ainda há muitas dúvidas pelo fato de ser uma doença recente. Para o tratamento, geralmente é recomendada psicoterapia, atividades físicas, antivirais e antidepressivos.

“Essa síndrome traz uma angústia muito grande para as pessoas porque fadiga não é um sintoma mensurável. Não se consegue mensurar por exame. Muitas vezes é mal compreendido”.

Gabriel diz que a pandemia pode ser mais complexa do que se pensa e defende que todos os cuidados possíveis sejam adotados. “Parece que não é estar recuperado e ponto final. Talvez essas pessoas tenham mais sintomas. A Síndrome da Fadiga Crônica pode ser apenas um deles. Acho que a gente não tem essa informação. É possível que existam complicações a médio e a longo prazo. O que alguns autores colocam é que as medidas de isolamento social são importantes não só para evitar a morte. A gente tem que levar em consideração e colocar nessa equação as complicações a médio e longo prazos”.

 Além de lidar com os sintomas da covid-19 e com as consequências da doença, muitas pessoas estão lidando com sintomas de ansiedade, de acordo com a psicóloga da equipe de coordenação de saúde do trabalhador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marta Montenegro. “A covid-19 é uma doença muito nova, recente, um vírus cujas informações foram se construindo nesse processo de pandemia. Os próprios profissionais de saúde estavam tentando entender as formas de cuidado e isso deixa as pessoas muito inseguras. O ser humano se sente mais seguro se tiver previsibilidade do que vai acontecer. Essa incerteza sobre formas de contaminação, se pode ou não se contaminar de novo, deixa as pessoas vulneráveis”, explica.

De acordo com a psicóloga, buscar informações confiáveis ajuda a lidar melhor com a pandemia. “Buscar informação válida, de fontes confiáveis. Isso alivia sintomas emocionais. Às vezes, as pessoas estão em casa recebendo informações que nem sempre são as melhores e acabam ficando muito confusas. Depois de três meses, acham que só estão protegidas dessa forma. Isso acaba gerando um medo de sair de casa. No outro extremo, há pessoas saindo como se não tivessem o vírus, em um processo de negação por dificuldade de lidar com a situação. São dois extremos. Existe o vírus. É necessário manter medidas de biossegurança, mas isso não pode paralisar as pessoas”, acrescenta.

CONTINUE LENDO

Rui Costa se reúne com 90 prefeitos para traçar estratégias contra vírus no interior

  • Rayllanna Lima
  • 08 Jul 2020
  • 11:20h

Governador da Bahia agendou reuniões virtuais com 30 gestores por dia, sendo 15 pela manhã e 15 pela tarde, até sexta-feira | Foto: Brumado Urgente

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), cumpre uma intensa agenda de reuniões com prefeitos do interior do estado nesta semana. Até sexta-feira (10), ele pretende se reunir, por meio de conferência eletrônica, com 90 gestores. Em visita ao município de Saubara nesta quarta-feira (8), onde entregou a recuperação de mais de 27 km da nova BA-878, Rui informou que ainda nesta manhã vai se reunir com 15 prefeitos. Ao longo da tarde, se reúne com outros 15 para ajustar as ações de combate ao novo coronavírus, que provoca a Covid-19. “Até sexta vamos reunir com noventa prefeitos, trinta a cada dia. O objetivo é alinhar as medidas de contenção do coronavírus. Tenho buscado diálogo e entendimento com prefeitos. O Brasil escolheu uma péssima estratégia, de conflito, de menosprezar o vírus. E, infelizmente, já estamos no segundo lugar em número de mortes e contaminados”, disse o governador. Ele sinalizou estar disposto ao diálogo com prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins (MDB), mas reforçou que ações só serão adotadas em cidades baianas quanto Estado e Município estiverem em total alinhamento. O governador tem demonstrado preocupação com Feira, que tem apresentado altas taxas de contaminação após ter passado por flexibilização de atividades econômicas. “Não podemos aumentar o desgaste, portanto tomei a decisão que só implementa alguma ação se houver comum acordo entre Estado e Município. Se não houver, a gente não implementa. Tenho buscado fazer acordo, tenho evitado e vou evitar qualquer tipo de polêmica com Município, desviando a atenção dos doentes da pandemia para ficar em debates outros quaisquer. Tendo acordo, a gente anuncia. Não tendo, vamos fazendo o que é possível fazer”, afirmou.