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Covid provoca 'pandemia oculta' e deixa 130 mil órfãos no Brasil, indica estudo

  • Ana Estela de Sousa Pinto | Folhapress
  • 21 Jul 2021
  • 15:03h

(Foto: Reprodução)

Ao menos 130.363 crianças brasileiras de até 17 anos ficaram órfãs por causa da Covid-19 entre março do ano passado e o final de abril deste ano, número que contradiz a ideia de que os mais novos são menos afetados pelo coronavírus.

"É uma pandemia oculta", dizem os autores da estimativa, publicada nesta terça (20) na revista científica Lancet. "Essas crianças não identificadas são a consequência trágica esquecida dos milhões de mortos na pandemia."

O número de menores brasileiros que ficaram órfãos multiplica por 180 os cerca de 1.200 óbitos na faixa etária até 19 anos desde o começo da pandemia, segundo o boletim mais recente do Ministério da Saúde.

Colocado em proporção, ele corresponde a uma taxa de 2,4 órfãos para cada mil brasileiros menores de idade, a quarta maior entre 21 países incluídos no estudo. O Peru tem a situação mais grave, com 10,2 órfãos para cada mil menores.

Em termos absolutos, o número do Brasil só não é pior que o do México, que registra pouco mais de 141 mil órfãos, ou 3,5 por mil. Embora o Instituto Nacional dos Direitos das Criança e do Adolescente afirme que contabilizar os órfãos brasileiros é viável por meio das certidões de óbito, não há estatística oficial no país até agora.

"Crianças que perderam pais ou responsáveis na pandemia precisam de apoio governamental urgente ou enfrentarão danos de longo prazo", afirmou Seth Flaxman, pesquisador do departamento de matemática do Imperial College de Londres e de ciência da computação da Universidade de Oxford, no Reino Unido e um dos 16 autores do trabalho.

Coordenado por Susan Willis, do CDC (centro de controle de doenças dos EUA), o estudo já revisado por pares fornece as primeiras estimativas globais de orfandade causada pela pandemia de Covid-19.

Os cientistas calcularam mais de 862 mil crianças órfãs em 21 países, nos quais ocorreram cerca de 77% das mortes globais por Covid-19 até 30 de abril de 2021. Também estimaram que, em termos globais, mais de 1 milhão de menores perderam um dos pais ou seu principal cuidador, principalmente os avós.

A pesquisa inclui a família de forma ampla, porque 38% das crianças do mundo vivem na mesma casa que os avós, porcentagem que chega a 50% na Ásia-Pacífico. Mais vulneráveis à Covid-19, são esses idosos que costumam dar apoio prático, financeiro ou emocional para seus netos.

"No Brasil, 70% das crianças recebem esse apoio financeiro; ainda assim, o Brasil ocupa o segundo lugar mundial em mortes por Covid-19, reduzindo as opções de cuidados por parentes", alerta a pesquisa.

Nos EUA, 40% dos avós que vivem com os netos são os principais cuidadores, e no Reino Unido, 40% dos avós cuidam regularmente dos netos.

Considerando crianças que perderam algum parente responsável por sua criação, mesmo que não o principal, os números sobem para mais de 1,2 milhão nos 21 países analisados e mais de 1,5 milhão na estimativa global.

"Evidências de epidemias anteriores mostram que respostas ineficazes a essas mortes, mesmo quando há um pai ou cuidador sobrevivente, podem levar a resultados psicossociais, neurocognitivos, socioeconômicos e biomédicos deletérios para as crianças", afirma o estudo.

Os cientistas ressalvam que, para os cálculos, presumiram que parentes com 60 anos ou mais que viviam com parentes com menos de 18 anos eram avós e netos, embora o adulto mais velho possa ser um tio ou primo.

"O que aconteceu com meu pai? Cadê minha avó? Quem vai cuidar de mim agora? São as perguntas das crianças que ficam, mas a sociedade também precisa se perguntar como ampará-las da melhor maneira possível. Algum dia chegaremos ao fim da pandemia de Covid -mas seus órfãos ainda existirão por décadas", afirma Flaxman, em artigo publicado nesta quarta.

O cálculo do número de órfãos foi feito com base em números de fertilidade da ONU e estatísticas nacionais sobre mortes por Covid, o que indica que pode ser ainda maior, segundo os pesquisadores, já que há subnotificação nos registros de óbitos.

O trabalho também mostra que as crianças que perderam o pai são pelo menos o dobro das que perderam a mãe -no caso do Brasil, foi mais que o triplo: 88 mil ficaram órfãos de pai, contra 26 mil que perderam a mãe; cerca de 17 mil viram morrer avós responsáveis por sua criação, estima a pesquisa.

Há três destinos possíveis para menores brasileiros que perdem seus responsáveis: o amparo de parentes, a reorganização familiar em que irmãos mais velhos assumem o cuidado dos mais novos ou abrigos e adoção.

"Orfanatos nunca deveriam ser a resposta", diz Flaxman. Ele observa que, de acordo com pesquisas neurocientíficas, institucionalizar crianças prejudica seu desenvolvimento cerebral.

Segundo o estudo, governos precisam ajudar famílias a criar menores que tenham ficado órfãos, para evitar a institucionalização, além de ajudar as crianças afetadas materialmente e emocionalmente. "Covid mata rapidamente, deixando pouco ou nenhum tempo para prepará-las para o luto", observa Flaxman.

No longo prazo, a perda dos cuidadores aumenta o risco de doenças, suicídio, gravidez na adolescência, evasão escolar, violência sexual e vulnerabilidade a exploração econômica, segundo os cientistas.

Para o professor britânico, é preciso agir com urgência e acelerar a vacinação, já que a disseminação de variantes mais contagiosas, como a delta, pode agravar o problema. O risco é especialmente alto na África, continente com alta fertilidade e a menor taxa de vacinação no mundo.

"Trata-se não apenas de salvar vidas, mas de salvar famílias também", diz Flaxman. Até 23% das crianças nos 21 países analisados são criadas por pais solteiros, cuja morte pode ter consequências extremas para as crianças.

No Brasil, três projetos de lei propõem auxílios nacionais a jovens que perderam responsáveis na pandemia: pensão de R$ 1.100 até os 18 anos, um fundo financeiro de amparo e um cadastro para que os órfãos tenham prioridade em programas sociais.

Para os pesquisadores, ações governamentais devem incluir grupos de apoio psicossocial para o luto, terapia comportamental cognitiva com foco no trauma, prevenção da violência sexual e doméstica e apoio psicossocial a famílias sob estresse.

Levantamento da Abrafarma indica que testes positivos caíram para segundo menor patamar do ano

  • Redação
  • 20 Jul 2021
  • 07:09h

Nas farmácias, a Covid-19 foi detectada em cerca de 19% dos exames realizados | Foto: Reprodução

Um levantamento feito pela Abrafarma (Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias) indica que a porcentagem de resultados positivos da Covid-19 em testes rápidos vendidos nas farmácias caiu para o seu segundo menor patamar neste ano.

Entre os dias 5 e 11 de julho, a pesquisa da associação que reúne grandes redes de drogarias constatou que foram cerca de 40,5 mil casos da doença detectados pelos exames, o que representa quase 19% dos testes realizados.

Este índice só é maior do que o registrado no início do ano, na segunda semana de janeiro deste ano. Ainda assim, a pesquisa da Abrafarma revela que a parcela de infectados cresceu em 14 estados ante a última semana de maio, quando houve um pico na procura por testes e no volume de resultados positivos.

E, com as novas variantes do coronavírus, o cenário pode se agravar. Alagoas, Paraíba, Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro estão entre os locais de alta, segundo a coluna Painel, da Folha.

Morre o jovem Lucas Brandão, de apenas 20 anos, por complicações da covid-19

  • *Com informações do Tesouras Notícias
  • 19 Jul 2021
  • 17:43h

(Foto: Reprodução Redes Sociais)

Um jovem de Ibirataia morreu por complicações causadas pelas sequelas da Covid-19. De acordo com o Blog Tesouras Notícias, o falecimento de Lucas Brandão Santos (20), ocorreu na madrugada desta segunda-feira (19), na Fundação Hospitalar de Ibirataia.

Ainda de acordo com o Tesouras Notícias, Lucas havia feito um tratamento de Covid-19, teve alta há aproximadamente 15 dias. Na manhã desse domingo (18), ele chegou a participar dos trabalhos da Missa na Igreja Católica local. Já no período da tarde, passou mal e chegou a cair no banheiro de sua residência, sendo socorrido e encaminhado à Fundação Hospitalar, não resistindo a sua enfermidade.

Segundo as informações, Lucas teve uma embolia pulmonar por conta das sequelas da Covid-19. O corpo está sendo velado em sua residência, no Bairro Massaranduba. O cortejo fúnebre sairá às 14:00h em direção à Igreja Matriz São José, e as 16:00h o corpo seguirá para o cemitério local São João Batista. 

Se Brasil mantiver ritmo atual, terá 70% de vacinados com 2 doses em dezembro

  • Redação
  • 19 Jul 2021
  • 15:36h

(Foto: Reprodução)

Diante do ritmo atual de vacinação no Brasil, especialistas acreditam que o país tem capacidade para imunizar 70% da população com as duas doses da vacina contra a Covid-19 até dezembro. A previsão considera que o país mantenha a média atual de um milhão de doses aplicadas por dia.

Na visão de especialistas ouvidos pela reportagem do Estadão, a taxa é considerada ideal para que a vacina seja capaz de controlar a transmissão do vírus. Mas eles chamam atenção para um fato que pode ser um problema: a imprevisibilidade na entrega de vacinas e a baixa adesão à 2ª dose.

Para alcançar essa cobertura de 70% da população vacinada, é preciso imunizar completamente cerca de 147 milhões de brasileiros.

A matéria traz que, entre compras e doações, o Brasil terá 41 milhões de doses da Janssen, de aplicação única, até o fim do ano - 3,8 milhões já chegaram. Outras 106 milhões de pessoas terão de ser vacinadas no esquema de duas doses. Ao todo, o País deve aplicar 253 milhões de doses para imunizar 70% da população.

Pneumologista dá orientações para início das aulas semipresenciais na Bahia

  • Redação
  • 19 Jul 2021
  • 09:18h

Aulas retornam de forma escalonada no dia 26 de julho, na Bahia | Foto: Reprodução

Após o governador Rui Costa anunciar o início das aulas semipresenciais na Bahia, a partir de 26 de julho, pais e escolas devem seguir algumas orientações importantes para aumentar a segurança de alunos e professores, e evitar o aumento da transmissão da Covid-19.

De acordo com a pneumologista, Dra. Larissa Voss, entre as principais orientações para o retorno, está o reforço dos cuidados de distanciamento e respeito aos protocolos, mesmo fora do convívio escolar.

“É importante que as famílias tenham responsabilidade diante da situação de volta às aulas e sigam os protocolos de segurança, evitando aglomerações, usando máscaras e fazendo higienização das mãos”, apontou a especialista.

Para o retorno, a pneumologista recomenda também que portas e janelas permaneçam abertas, e que seja mantido o distanciamento de pelo menos um metro entre os alunos, dentro e fora da sala, além do escalonamento dos horários de chegada e saída dos estudantes, e o intervalo entre as turmas, limitando o contato próximo entre eles.

“O uso de máscara é importante para o bloqueio da transmissão da doença e no contexto das aulas, é recomendado levar mais de uma máscara para a escola, realizando a troca a cada três ou quatro horas, porém se ela estiver úmida ou suja antes desse período, deve ser trocada”, aconselha.

Já em atividades em que seja necessário tirar a máscara, como o momento do lanche, Dra. Larissa orienta para que as refeições sejam realizadas nas salas de aula, em vez de utilizar o refeitório ou escalonar o uso do refeitório. “Se o refeitório for utilizado, ele deve ser devidamente higienizado entre a troca das turmas, mantendo o distanciamento mínimo de um metro entre os estudantes”, apontou.

A especialista também ressaltou que, em casos de alunos ou professores que apresentem qualquer sintoma respiratório, o indicado é não se dirigir à escola, porque os sintomas de gripe, resfriado, rinite e Covid-19 são muito parecidos, o que dificulta a distinção entre eles.

“É uma medida de segurança, então é importante que as crianças estejam sob observação, e caso existam sintomas, elas devem ser levadas ao médico. Além disso, não se deve levar crianças sintomáticas à escola”, ressalta.

Novos estudos ajudam a entender o impacto do novo coronavírus no cérebro humano

  • Redação
  • 19 Jul 2021
  • 08:38h

Seminário virtual organizado pela Fapesp reuniu pesquisadores do Brasil e da Alemanha para debater o tema | Imagem: Reprodução

Dias depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar a pandemia pelo novo coronavírus, em março de 2020, um estudo com pacientes na Itália já relatava a perda do olfato e do paladar como um dos sintomas de Covid-19. Em abril do mesmo ano, foi publicado o primeiro estudo sobre o impacto neurológico da doença, com centenas de pessoas.

Desde então, investigações sobre as consequências do coronavírus no cérebro têm sido realizadas, abordando desde os efeitos observados na fase aguda até as possíveis sequelas neurológicas – relatadas por cerca de 30% dos pacientes que se recuperaram.

“A Covid-19 foi inicialmente descrita como uma infecção viral do trato respiratório, mas rapidamente fomos aprendendo que o cérebro é um dos vários órgãos afetados. Mas alguns aspectos da doença ainda permanecem obscuros. O impacto no cérebro não está completamente entendido. É muito importante estimular a troca de conhecimento e de experiências entre pesquisadores de todo o mundo”, disse Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fapesp, na abertura do seminário on-line “What does Covid-19 have to do with the brain?”, realizado em 7 de julho. O evento, que reuniu cientistas do Brasil e da Alemanha, integra a série Fapesp Covid-19 Research Webinars, organizada com apoio do Global Research Council (GRC).

O caminho do vírus

Um dos estudos apresentados no seminário, conduzido na Charité Medicine University Berlin (Alemanha), demonstrou que o novo coronavírus utiliza a mucosa olfatória como porta de entrada para o cérebro. “Isso se dá devido à proximidade anatômica entre as células da mucosa, os vasos sanguíneos e as células nervosas na área. Uma vez instalado na mucosa olfatória, o vírus parece usar conexões neuroanatômicas, como o nervo olfatório, para chegar até o cérebro”, afirmou Helena Radbruch, que analisou amostras da mucosa olfatória e de outras quatro regiões do cérebro de 33 pacientes que tiveram a forma grave da doença e morreram.

A equipe de Radbruch acompanhou outros 180 pacientes desde a fase aguda da doença até meses após a recuperação. “A boa notícia, sobretudo para quem teve Covid-19, é que o vírus não permanece por muito tempo no cérebro. Verificamos que somente em alguns pacientes o SARS-CoV-2 atinge esse órgão e, três semanas após a fase aguda, ele já não está mais lá”, contou.

Radbruch estudou também como o sistema imunológico responde à infecção pelo novo coronavírus. Além de encontrar evidências de células imunológicas ativadas no cérebro e na mucosa olfatória, foi possível detectar as assinaturas imunológicas dessas células no fluido cerebral. Em alguns dos casos estudados, os pesquisadores também encontraram danos no tecido causados por acidente vascular cerebral – um resultado da obstrução de vasos sanguíneos.

“A presença do vírus nas células nervosas da mucosa olfatória parece explicar os sintomas neurológicos, como a perda de olfato e paladar, não tão rara assim entre pacientes com Covid-19”, disse.

No Brasil, pesquisadores do Instituto D’Or e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conduziram uma série de experimentos e concluíram que, além da mucosa olfatória, existem diferentes formas de o vírus atingir o cérebro. Uma delas se daria conforme a doença vai progredindo para diferentes órgãos e a inflamação sistêmica a torna ainda mais grave, o que facilitaria a entrada do vírus no cérebro.

“Infelizmente, identificamos em uma autópsia uma infecção viral grave no plexo coroide, uma estrutura do sistema nervoso central protegida pela barreira hematoencefálica. Essa região do cérebro concentra grandes quantidades de ACE2, que é a proteína à qual o vírus se conecta para invadir o organismo, também encontrada em abundância nos pulmões”, ressaltou Marilia Zaluar Guimarães, pesquisadora da UFRJ e do Instituto D’Or.

Tratava-se de um caso raro, um bebê de um ano, que já sofria com encefalopatia e que não sobreviveu à Covid-19. A autópsia revelou que havia vírus no pulmão, coração, córtex cerebral e também na região cerebral do plexo coroide. “A infecção pelo SARS-CoV-2 causou pneumonia, meningite e danos em múltiplos órgãos devido à trombose, entre eles rins, pulmão, cérebro, coração e pâncreas”, relatou.

Com a comprovação de que o novo coronavírus era capaz de romper a barreira hematoencefálica e se infiltrar em regiões do cérebro, a equipe de pesquisadores começou a realizar estudos em organoides – modelos simplificados de órgãos produzidos por meio de engenharia genética. Os minicérebros cultivados in vitro pelo grupo foram desenvolvidos na época da epidemia de zika.

Para isso, os pesquisadores utilizam células-tronco pluripotentes induzidas (células da pele ou do sangue reprogramadas para retornar a um estágio de pluripotência semelhante ao de células-tronco), que recebem estímulos para se diferenciar em células nervosas, como astrócitos e neurônios.

“É um modelo simplificado do cérebro humano, mas com uma variedade celular que permite acompanhar o funcionamento da infecção causada pelo novo coronavírus. Com isso, conseguimos provar que, embora o SARS-CoV-2 provoque dano no cérebro, ele não consegue se replicar lá. Descobrimos também que a infecção causa a redução de células neuroprogenitoras, mas não afeta a capacidade de proliferação dessas células. O que é curioso”, sublinhou.

A pesquisadora destaca, no entanto, que em estudos semelhantes ao dela, que usaram quantidades maiores de vírus para infectar os minicérebros, observou-se replicação viral. Segundo a cientista, isso ajudaria a entender a variação de gravidade, sintomas e sequelas neurológicas deixados pela COVID-19 .

Zaluar e Radbruch concordam que, embora o vírus seja eliminado do cérebro algumas semanas após o fim da fase aguda da doença, ocorre um aumento das citocinas (moléculas indutoras de inflamação) no local – uma provável explicação para os diversos problemas neurológicos do pós-COVID.

Células da glia

Outra pesquisa apresentada no evento foi conduzida por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP) com apoio da Fapesp. O grupo acompanhou 81 indivíduos que testaram positivo para COVID-19 e não precisaram ser hospitalizados. Mais de 50 dias após o diagnóstico, os voluntários ainda apresentavam alterações na estrutura do córtex cerebral associadas a regiões do trato olfatório.

Entre os pesquisados, 28% desenvolveram algum grau de ansiedade, 20% de depressão, 28% tiveram perda de memória e 34% relataram perda de funções cognitivas. Os pesquisadores também avaliaram amostras de tecido cerebral de 26 pacientes que morreram após contrair a Covid-19 – em todas elas a presença do vírus foi confirmada. Em cinco amostras também foram encontradas alterações que sugerem ter ocorrido prejuízo ao sistema nervoso central.

“Já se tinha conhecimento sobre sintomas neurológicos, como perda de olfato e paladar. Com os nossos estudos, conseguimos mostrar, pela primeira vez, que o vírus infecta e se replica nos astrócitos – as células mais numerosas do sistema nervoso central e essenciais para a manutenção dos neurônios”, disse Marcelo Mori, professor do Instituto de Biologia da Unicamp.

Pesquisadores da plataforma científica Pasteur-USP mostraram outro ponto interessante da relação entre cérebro e Covid-19. Alterações metabólicas em células da glia infectadas (astrócitos e outros tipos celulares que atuam na sustentação e na nutrição dos neurônios) podem estar relacionadas não apenas com o impacto da doença no cérebro na fase aguda da doença, como também nas sequelas neurológicas prolongadas, relatadas por alguns pacientes.

“Estudos realizados em animais mostraram que o novo coronavírus pode infectar células da glia. Uma vez instalado, o vírus é capaz de se replicar, produzir novas cópias virais e induzir mudanças estruturais que afetam o metabolismo celular”, disse Jean Pierre Peron, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e coordenador de um projeto sobre o tema apoiado pela Fapesp.

Foram feitas na USP análises para verificar alterações na expressão de proteínas das células infectadas (proteômica) e também mudanças no metabolismo (metabolômica). “Encontramos uma série de alterações na expressão das proteínas, principalmente nas envolvidas com o metabolismo do carbono e glicose. Não por acaso, essas vias de sinalização estão relacionadas com doenças neurológicas, como Huntington, esclerose lateral amiotrófica e depressão de longa duração”, contou Peron.

A análise de metabolômica mostrou que as células da glia infectadas apresentam uma hiperativação metabólica nas vias glicolíticas (responsáveis por quebrar a molécula de glicose nos tecidos). Além disso, a mitocôndria dessas células teve suas funções intensificadas. “É provável que a alteração na expressão das proteínas envolvidas com o metabolismo do carbono tenha alguma relação com as mudanças no metabolismo celular”, avaliou.

Segundo Peron, especula-se que a alteração na expressão da enzima glutaminase esteja relacionada com a necessidade do vírus de se replicar. A enzima é de extrema importância para as células da glia, pois 90% das sinapses do nosso cérebro são glutaminérgicas, ou seja, mediadas por esse neurotransmissor. “Tanto que, quando a glutaminase é bloqueada, ocorre a redução de citocinas inflamatórias [redução da inflamação]”, explicou. Por Maria Fernanda Ziegler, da Agência Fapesp.

Aumento da vacinação complica testes de novos imunizantes contra a Covid

  • Anna Virginia Balloussier | Folhapress
  • 18 Jul 2021
  • 15:28h

(Foto: Reprodução)

"Há uma janela ideal para testar novas vacinas, e ela já está fechando. Não é ético, quando você já tem vacinas aprovadas no mercado, conduzir um teste clínico controlado por placebo. Você estaria deixando de vacinar uma parte da população dando placebo a ela".

Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência e pesquisadora da USP. "Todas as vacinas já disponíveis no mercado seguiram o mesmo expediente para poder chegar aos braços brasileiros: recrutar voluntários para três fases distintas do estudo clínico que prova se um novo imunizante é, afinal, eficaz para combater a Covid-19. E a nova leva de imunizantes, como fica?"

Antes, descolar essas pessoas era mais fácil, já que não faltavam mãos levantadas para uma possível blindagem contra a Covid, que desde março de 2020 fez mais de 540 mil vítimas só no Brasil.

Agora que a vacinação avança no país, quem vai trocar o certo pelo duvidoso, abrindo mão de um imunizante já aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser cobaia de um novo? Daí a necessidade de optar por métodos mais complicados, segundo especialistas ouvidos pela Folha.

Numa manhã de julho, cerca de 15 pessoas aguardavam na sala de espera de uma clínica no Rio de Janeiro para anunciar a saída dos testes de um imunizante desenvolvido pela Medicago/GSK que usa planta como matéria-prima.

Brain Ward, médico-chefe da canadense Medicago, diz estar satisfeito com o número de inscritos para a terceira fase, mais de 10 mil, mas não comenta as debandandas.

Um médico brasileiro que atendia voluntários disse que os desistentes vinham aos borbotões. Justificavam-se dizendo que a hora de se vacinar pelo SUS (Sistema Único de Saúde) chegou antes do esperado e não valia a pena pagar para ver se o novo imunizante terá a eficácia comprovada.

Há, ainda, o medo de ter tomado o placebo administrado em metade dos voluntários. A tática faz parte do estudo duplo-cego, que compara um grupo que de fato recebeu a dose com outro que não (quem tomou placebo ganhará a vacina de verdade, mas num segundo momento).

A cena resume um problema que as novas vacinas enfrentarão daqui em diante: verificar sua serventia numa população cada vez mais vacinada contra o vírus. A Butanvac, desenvolvida pelo Instituto Butantan sob a promessa de ser a primeira fórmula brasileira contra a Covid-19, está nesse pacote.

Na semana passada, a Anvisa deu sinal verde para o começo dos ensaios clínicos. A fase 1, para averiguar segurança e dosagem ideal, contará com 418 voluntários, nenhum deles previamente imunizado com outra vacina.

O Butantan estima que todo o estudo dure ao menos 17 semanas (pouco mais de quatro meses). A Butanvac seguirá um princípio chamado de não inferioridade, quando se põe à prova seu desempenho em comparação ao dos que já estão sendo aplicados na população.

Dimas Covas, diretor do instituto, prevê que próximas fases superem os 5.000 voluntários, o que inclui não vacinados e que não foram expostos ao vírus, vacinados (independente do imunizante) e pessoas que tiveram Covid-19.

Os participantes dos ciclos finais, de acordo com Covas, poderão ter recebido qualquer dose já ofertada no Brasil: Coronavac, AstraZeneca, Pfizer ou Janssen. Numa metade será dada nova dose da Coronavac, na outra, a Butanvac. Mede-se, então, se houve algum incremento imunológico. "Tem que avaliar sempre a resposta imune de forma comparativa", ele diz à Folha.

O método da não inferioridade, basicamente, atesta se a novidade farmacêutica "é pelo menos tão boa quanto a [oferta] que você já tem", resume Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência e pesquisadora da USP. "Se usarmos a Coronavac como grupo-controle da Butanvac, teríamos que mostrar que a Butanvac protege tanto quanto a Coronavac."

A microbiologista aponta que esse tipo de teste demora mais e é mais caro, porque é preciso recrutar mais gente neste novo contexto: vírus circulando menos com uma população mais protegida contra ele. "Estaremos comparando dois grupos de pessoas vacinadas, portanto precisamos de mais voluntários para conseguir atingir um número de eventos [pessoas doentes] que tenha significância estatística."

É o que tem para hoje, porque "há uma janela ideal para testar novas vacinas, e ela já está fechando", já que grande parte da população no Brasil já estará ao menos parcialmente imunizada. "Não é ético, quando você já tem vacinas aprovadas no mercado, conduzir um teste clínico controlado por placebo. Você estaria deixando de vacinar uma parte da população dando placebo."

"Todo mundo que é potencial candidato já está recebendo a vacinação tradicional", diz o infectologista Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP e colunista da Folha.

Veja o caso de São Paulo. Já em agosto, o estado pretende começar a vacinar adolescentes. No melhor cenário, os estudos do Butantan chegariam ao fim em novembro.

Uma dificuldade para novos estudos clínicos é compor um grupo homogêneo, afirma Kallás. Alguns dos dados que, segundo o infectologista, deveriam ser considerados: o voluntário tomou uma dose ou duas? De qual imunizante, já que eles têm eficácia diferente? E quando? A pessoa tem 90, 50 ou 30 anos? É homem ou mulher? Já contraiu Covid-19, antes ou depois de vacinado? Tem comorbidade?

Para o virologista Maurício Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, num cenário em que a maioria da população está imunizada, é mais complicado fazer um ensaio clínico decente para um novo fármaco.

Uma alternativa é usar o que especialistas chamam de correlato de proteção. Seriam exames que estabelecem um patamar para o corpo conseguir se defender da infecção. "Você precisa ter X unidades de anticorpos medidos pelo teste y para estar protegido, por exemplo", diz Nogueira.

Acontece que não faz nem um ano que o primeiro braço foi espetado com uma fórmula anti-Covid no mundo, então tudo é muito recente para termos esses dados de forma precisa, concordam todos os especialistas com quem a Folha conversou. Internacionalmente, ainda não há um acordo entre cientistas sobre qual seria esse correlato.

"O fato de não ter consenso científico não significa nada", diz o diretor do Butantan. Segundo Covas, todos têm dúvidas sobre como testar a segunda onda de vacinas, mas os estudos precisam continuar. "Não existem respostas prontas."

Disseminação avança e RJ confirma 23º caso da variante Delta da Covid-19

  • Redação
  • 18 Jul 2021
  • 09:43h

(Foto: Reprodução)

A cidade do Rio de Janeiro possui 23 casos da variante Delta da Covid-19 confirmados até a tarde deste sábado (17). A informação foi dada pelo secretário municipal da Saúde, Daniel Soranz, em entrevista à CNN Brasil. 

O gestor reforçou que há transmissão local naquela capital, alertando que não há relação de proximidade entre os casos já efetivados. Nesta sexta-feira (16), o total de casos confirmados era apenas sete, fato que revela um crescimento rápido da disseminação da cepa. A variante Delta é originária da Índia e preocupa autoridades por apresentar maior velocidade de transmissão e de agravamento do quadro clínico.

Apesar do avanço na disseminação, o secretário descartou a possibilidade de retomar restrições mais severas neste momento. “Não faz sentido aumentar as restrições por conta da variante. A agente sabe que ela não ultrapassar as barreiras de proteção das vacinas que utilizamos hoje para casos graves e óbitos, mas acende um alerta”, disse. 

Alerta em Conquista: Santa Casa anuncia desistência de contrato de todos os leitos Covid-19 com Prefeitura

  • BRF
  • 17 Jul 2021
  • 09:37h

(Foto: Reprodução)

A Santa Casa de Misericórdia de Vitória da Conquista enviou ofício para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informando que não tem interesse em manter o contrato de leitos Covid-19 com o município. No documento, datado de 6 de julho. a instituição de saúde alega dificuldades técnicas, operacionais e financeiras para manutenção do contrato, que vence no dia 23 deste mês.

O aviso da Santa Casa acendeu a luz vermelha na SMS, já que a administração municipal já admitiu que não tem recursos suficientes para qualquer aumento, tendo, inclusive, reduzido o contrato de leitos clínicos de 40 para 20, no mês passado.

Atualmente, o Governo Federal assume somente o contrato de UTI e desde maio cabe ao Município custear os leitos clínicos contratados junto à Santa Casa.

Durante toda a vigência do contrato a Santa Casa recebeu R$ 14.801.200,00 pela internação de pacientes com Covid-19, em leitos clínicos e UTI. Deste total, R$ 7.219.840 2021 foram pagos este ano.

Covid-19: Dois estudos no Brasil analisam necessidade de 3ª dose de vacina

  • Redação
  • 15 Jul 2021
  • 11:42h

(Foto: CNN)

São dois os estudos que analisam a necessidade de uma terceira dose ou dose de reforço para as vacinas contra Covid-19 que estão autorizados e em andamento no Brasil. Um está sendo conduzido pela farmacêutica Pfizer e o outro pela Astrazeneca.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Aanvisa) publicou nota, nesta quarta-feira (14), em que esclarece que, até o momento, não há estudos conclusivos sobre a necessidade de uma terceira dose. “Até esta data, a Agência recebeu dois pedidos de autorização para pesquisa clínica que buscam investigar os efeitos de uma dose adicional do imunizante contra a Covid-19”, destacou.  

Desde o mês passado a Pfizer investiga os efeitos, a segurança e o benefício de uma dose de reforço da sua vacina contra a Covid-19. Neste estudo, a dose de reforço do imunizante da Pfizer será aplicada em pessoas que tomaram as duas doses completas da vacina há pelo menos seis meses.  

O estudo da Pfizer foi autorizado pela Anvisa em 18 de junho.  

O segundo estudo é do laboratório AstraZeneca, que foi autorizado nesta semana e que os testes serão realizados na Bahia e mais cinco estados. A farmacêutica desenvolveu uma nova versão da vacina que já está em uso no país, com o objetivo de fornecer imunidade contra a variante Beta, identificada inicialmente na África do Sul.

Um dos braços do estudo prevê que uma dose da nova versão da vacina (AZD 2816) será aplicada em pessoas que foram vacinadas com duas doses da versão atual da AstraZeneca ou duas doses de uma vacina de RNA mensageiro (RNAm) contra Covid-19. Nesse caso, o estudo prevê que essa dose adicional será aplicada em pessoas cujo exame e monitoramento não identificam a produção de anticorpos capazes de atuar contra o novo coronavírus.

Nota de esclarecimento | Secretaria Municipal de Saúde de Brumado

  • Ascom | PMB
  • 14 Jul 2021
  • 08:21h

(Divulgação PMB)

Comunicamos a todos que o número de WhatsApp divulgado para distribuição de senhas de vacinação contra o covid-19 apresentou um erro inesperado. Utilizaremos um novo número (77 99872-7025) para continuar as solicitações. 

Espero a compreensão de todos!
Quem ja conseguiu gerar uma senha, não precisa gerar novamente.

Rui promete vacinar até outubro toda a população baiana acima de 18 anos

  • Rayllanna Lima
  • 14 Jul 2021
  • 08:02h

Estratégia, contudo, só será possível após liberação da Sputnik V; Estado adquiriu 10 milhões de doses do imunizante | Foto: Reprodução

Após a liberação da vacina Sputnik V, produzida na Rússia, o governador Rui Costa (PT) tem como meta vacinar até outubro toda a população baiana com idade acima de 18 anos.

O Estado adquiriu 10 milhões da vacina por meio de consórcio com o Fundo Soberano Russo, mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou inicialmente apenas 300 mil doses sob cumprimento de 28 critérios.

Com a chegada desse lote reduzido, prevista para os próximos 15 dias, o governo da Bahia vai vacinar 100% do público-alvo de cinco ou seis cidades que ficam próximas à Salvador.

“Isso para ter efeito rápido de demonstração para comprovar a eficácia da vacina. Liberando as 10 milhões de doses, seria possível imunizar 5 milhões de baianos. Com a Sputnik V, posso avaliar que em outubro estaríamos com 100% do público-alvo vacinado”, disse o governador, em entrevista ao Jornal da Manhã, da TV Bahia.

‘Não acredito que seja possível’, diz Vilas-Boas sobre réveillon

  • Redação
  • 12 Jul 2021
  • 11:30h

Secretário de Saúde ressalta que a realização de grandes festas vai depender da velocidade da vacinação | Foto: Reprodução

O secretário de Saúde Fábio Vilas-Boas acredita que são poucas as chances de ter réveillon na Bahia. Em entrevista para o jornal A Tarde, o secretário disse que a realização de festas de grande porte vai depender do ritmo da vacinação.

“Réveillon eu particularmente não acredito que seja possível. Vai depender muito da velocidade da vacinação. A gente tem visto o Ministério avançar e recuar várias vezes, a gente não tem um cronograma, um calendário vacinal confiável”, afirmou Vilas-Boas.

Já sobre o carnaval, o secretário voltou a pregar cautela. “Eu acho que o carnaval ainda é cedo para se tomar uma decisão […] Talvez só 60 dias antes vamos ter condições claras de definir alguma coisa sobre o réveillon e o carnaval”, opinou.

Ainda sobre o carnaval, Vilas-Boas descorda da sugestão do secretário de Saúde de Salvador Leo Prates, em priorizar a festa de forma indoor, ou seja, em ambientes fechados. “A última coisa que a gente quer é um carnaval entre quatro paredes, num salão. O contágio vai ser muito maior. Se tiver que ter carnaval, tem que ser na rua mesmo, ao ar livre, ventilado, sem camarote do lado do mar para que o vento da praia venha e espalhe, dilua o número de partículas virais. Um carnaval tem que partir desse princípio básico de ser num lugar extremamente ventilado e com poucas pessoas por metro quadrado. Jamais indoor”, pontuou

Variante Delta preocupa e recusa de vacinas pode aumentar disseminação do vírus no Brasil e no mundo

  • Medicina Sanar
  • 09 Jul 2021
  • 18:06h

Desinformação e questões políticas atrasam o seguimento da vacinação nos EUA e dá sinais de preocupação também entre os brasileiros |

A meta do governo americano era vacinar 70% da população até o dia 4 de julho e o não cumprimento gera ainda mais preocupação quando se vê o crescimento de casos pela variante Delta no país. Estimativa-se que ela seja a responsável pelo maior número de casos por lá e, no Brasil, os primeiros casos foram observados há cerca de 30 dias e já foram registradas duas mortes. Nesta semana, a variante indiana do Coronavírus foi identificada pela 1ª vez em um paciente da cidade de São Paulo.

Se nos EUA uma parte considerável da população ainda não escolheu se vacinar, seja por desinformação ou por questões políticas, no Brasil a disponibilidade de vacinas ainda é o principal problema, mas há também o medo que a descrença nos imunizantes prejudique a cifra mágica de 70% de vacinados, considerada necessária para se atingir a proteção da população. Para o pneumologista do HC-FMUSP e professor de pós-graduação da Sanar, Felipe Marques, esses pensamentos são arriscados e podem trazer consequências graves. “Não se vacinar ou ficar escolhendo vacina é uma decisão que afeta a todos, cada dia perdido é mais uma chance das variantes se fortalecerem e o Brasil não pode permitir que aconteça uma terceira onda”, explica o especialista.

Nas redes sociais e nas filas dos postos de vacinação, é comum ouvirmos relatos de pessoas que estão tentando “escolher a vacina” na hora de se imunizar. “É importante lembrar que todas as vacinas aplicadas aqui tem eficácia acima de 50%, que é o recomendado pela Organização Mundial de Saúde”, destaca o médico e professor. Sobre as pessoas que estão optando por não se vacinar esperando uma vacina que consideram “melhor”, a opinião do especialista é bem direta. “Adiar o recebimento da primeira dose significa se manter exposto, inclusive a variantes mais graves, sem nenhum tipo de proteção adicional, portanto é uma péssima escolha, além de não haver coerência científica ou racional”, finaliza.

Cidades tomam medidas contra “sommelier de vacina”

Diante dos casos cada vez mais comuns de negativas de vacina pelas pessoas, algumas prefeituras têm tomado medidas intensas. No twitter, o prefeito de Recife, João Campos, informou que quem se recusar a receber o imunizante será bloqueado. “Vacina boa é vacina no braço. Quem se recusar a receber o imunizante contra covid-19 no centro de vacinação terá o agendamento bloqueado por 60 dias. Cada pessoa vacinada ajuda a salvar muitas vidas. É inaceitável atrasar o processo coletivo por querer escolher marca”, explicou a autoridade municipal. Já em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, quem se recusa a tomar a vacina na tentativa de escolher uma farmacêutica, tem que assinar um termo de responsabilidade e é colocado automaticamente no fim da fila. A medida gerou ótimos resultados e o número de recusas caiu drasticamente, saindo de 222 para 20 por dia. Também no twitter, o prefeito Orlando Morando comentou a iniciativa: “Aqui em São Bernardo é assim: vacinar é um direito seu, ninguém faz nada obrigado. Mas também é um direito nosso te colocar no fim da fila, porque a vacina está disponível, você não vai tomar porque não quer. Escolher vacina nós não vamos permitir”.

Após Bruno Reis falar em retorno de shows, Rui prega cautela: ‘Tem que ir com cuidado

  • Redação
  • 09 Jul 2021
  • 11:45h

"Não adianta voltar e suspender de novo, aí é pior pra todo mundo", disse o governador | Foto: Reprodução

Após o prefeito de Salvador Bruno Reis afirmar que estuda a retomada de shows em Salvador para agosto, o governador Rui Costa preferiu apostar na cautela para que uma nova onda da Covid-19 não corra risco de acontecer.

“Estou muito preocupado, além da educação, com o turismo e com os eventos. Nós temos que ser cautelosos porque do mesmo jeito que estou sendo cauteloso em relação às aulas, não adianta voltar [eventos] e suspender de novo, aí é pior pra todo mundo”, disse o governador durante entrevista coletiva em Ribeira do Pombal na manhã desta sexta-feira.

“Em relação à educação, vou monitorar até semana que vem e se os números continuarem caindo, vamos anunciar o retorno das aulas e logo em seguida, se continuarem caindo a gente vai anunciar o retorno progressivo de eventos com até 100 ou 200 pessoas e ir progredindo de acordo com a queda da doença. Tem que ir com cuidado pra não ser rápido demais e acabar prejudicando ainda mais o setor. Se a gente vai com rapidez acelerada daqui a pouco vai ter que cancelar tudo e ficar mais seis meses parado”, argumentou Rui.

No próximo dia 29 a prefeitura da capital baiana pretende realizar um evento-teste com público de 500 pessoas com a exigência de que estejam vacinas com a segunda dose e passar por teste 48 horas antes do evento.