Importação de gás natural rende mais benefícios para a BA

  • 20 Out 2015
  • 11:01h

Cavalcanti explica o uso de gás natural no estado

A Bahia, que praticamente sempre foi autossuficiente na produção e consumo de gás natural, importou somente este ano, até agosto, 1,7 milhão de toneladas do produto. O aumento foi de 504,9% em relação ao mesmo período em 2014, quando foram iniciadas as importações do gás no estado. A importação do produto pelo estado permite um incremento na  arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)", explica o secretário estadual de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti. "O produto que sequer constava, antes, na pauta baiana de importações, hoje ocupa a segunda posição no ranking dos itens mais importados pelo estado, ficando atrás apenas da nafta usada pela indústria petroquímica", frisa Artur Souza Cruz,  coordenador de comércio exterior da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

Os dados foram constatados pelo relatório de acompanhamento de comércio exterior, feito regularmente pela autarquia que integra a estrutura da Secretaria de Planejamento do Estado. A  alta do custo da energia hidroelétrica, forçando às indústrias brasileiras a usarem mais as termelétricas movidas a gás natural, e a entrada em operação, desde o ano passado, do terminal de regaseificação da Petrobras, na Baía de Todos-os- Santos, são os motivos apontados para a mudança radical na pauta baiana de importações.

Porta de entrada

O secretário de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti, explica, entretanto, que as importações de gás natural na Bahia não têm relação direta com o aumento do consumo no estado, como parte dos planos de expansão da Bahiagás, concessionária responsável pela distribuição do produto no estado. "Mesmo considerando o crescimento da atuação da Bahiagás, o que é um avanço para a Bahia, o que ocorreu de fato é que a Petrobras passou a usar o nosso estado como uma de suas portas de entrada, para todo o país, do gás liquefeito importado, por exemplo, dos Emirados Árabes e países da Europa", informou ele, que também preside o Conselho de  Administração da Bahiagás. Cavalcanti  diz ainda que, diante da alta concorrência do gás de xisto usado pelos Estados Unidos, os preços internacionais do gás natural liquefeito estão mais baratos, tornando a importação vantajosa na maioria dos casos, mesmo com a valorização do dólar frente ao real. "A Petrobrás importa o gás na forma líquida e regaseifica no terminal baiano, depois transporta o produto por dutos para outras regiões do país". De acordo com o secretário, até mesmo o gasoduto de integração sudeste-nordeste (Gasene), no sul do estado, que a princípio abasteceria a Bahia com gás produzido pela Petrobras no Sudeste, já está sendo usado para fazer o transporte, em sentido inverso, do produto importado. Só o terminal, na Baía de Todos-os-Santos, processa 8,5 milhões m³/dia de gás natural.