Baianos dizem que há exagero na Operação Lava Jato
- 04 Ago 2015
- 08:32h

(Foto: Reprodução)
As declarações feitas pelo advogado tributarista Ives Gandra da Silva em entrevista exclusiva à Tribuna da Bahia, publicada na edição de ontem, sobre a presidente Dilma Rousseff, a crise política e econômica apontada pela oposição no Brasil e a possibilidade futura de impeachment, dividiram as opiniões dos presidentes do PMDB e do PT na Bahia, Geddel Vieira Lima e Everaldo Anunciação, respectivamente. No entanto, ambos concordaram em um quesito apontado pelo professor: há um exagero por parte da Operação Lava Jato na realização das prisões preventivas. Na entrevista, Ives Gandra afirmou que a Operação não está garantindo a imagem e a honra das pessoas e estaria exercendo pressão psicológica para forçar a delação premiada. “O certo é que, a meu ver, do ponto de vista jurídico, estamos tendo uma violação à Constituição, com tortura psicológica em relação aos presos. Isso não desmerece o trabalho da Polícia Federal e do juiz Sérgio Moro, mas eu vejo que esses abusos podem vir a prejudicar decisões no futuro”, avaliou o professor de diversas universidades de São Paulo.
Para o presidente do PMDB na Bahia e ex-ministro do governo Lula, o mais grave é que as prisões se eternizem e se transformem na antecipação de uma condenação. “Isso é grave num regime de direito. Concordo com Gandra que a delação premiada é positiva, mas é um equívoco se feita de forma com pressão psicológica. Mas vejo que o brasileiro está aplaudindo porque passou anos vendo a impunidade”, disse. O presidente estadual do PT, por sua vez, acrescentou: “Acho um absurdo prender pessoas que poderiam estar prestando depoimento sem criar essa cena. O juiz está prendendo para colocar todos num ambiente de constrangimento e forçar a delação premiada. È uma ferramente antidemocrática. Ele (o juiz Sérgio Moro) está agindo como um ditador”. À Tribuna, o professor Ives Gandra afirmou que a corrupção nos últimos anos cresceu de forma muito acelerada e que Dilma deixou o país numa crise que trará graves consequências, como desemprego, inflação e queda do PIB. Para ele, Dilma cortou na carne da sociedade com o pacote de ajustes fiscais, quando deveria ter cortado na máquina administrativa. “Ela (Dilma) fez tudo da política errônea no momento que assumiu. Acreditou que não se precisaria investir em tecnologia, em consumo, mas acreditou no aumento da máquina administrativa e de ministérios. Tornou a federação maior do que o PIB. Estamos pagando um preço de inflação e queda do PIB porque não se investiu”, destacou. Everaldo Anunciação considerou que a afirmação de Gandra segue a linha do “olhar de caos da oposição brasileira” e disse que antes de fazer a crítica, é preciso comparar os índices da economia hoje com os do passado. Segundo ele, os índices atuais estão num patamar de conforto maior do que em 2002. “A fala de cortar na máquina é mais política do que econômica. O custeio com os ministérios não tem esse impacto. A oposição prega isso, mas no Congresso não aprova o que deveria ser aprovado, que é a reforma tributária. O problema é que o PSDB, o DEM e muitos da oposição defendem o grande capital com o discurso de desenvolvimento, mas para viabilizar ajustes e melhor economia para eles”, alfinetou. Para Geddel Vieira Lima, o PT “tem essa mania de ficar debruçado em índices de FHC. E isso já passou. O grande legado de FHC foi o controle da inflação”. “Os indicadores são terríveis e há a falta de esperança, de saúde... e uma presidente que não inspira confiança em ninguém. Eu olho para frente”, disse. Geddel é a favor do corte na máquina administrativa, conforme a presidente Dilma já admitiu a possibilidade. “O PMDB tem dito que uma das saídas para resgatar a credibilidade é diminuindo esse número de ministérios e de cargos comissionados. Essa barganha, verdadeira galinha gorda de cargos, que está sendo feita pelo PT e que infelizmente alguns setores do meu partido participam”.
