Encontrado morto em casa, Albergaria tinha quadro de depressão
- Alexandro Mota, Graciela Alvarez e Naiana Ribeiro
- 04 Jul 2015
- 15:06h
Sempre que descrevia a Bahia, o antropólogo e historiador Roberto Albergaria de Oliveira conseguia unir descontração e um tom apocalíptico. Ontem, a região onde vivia na Cidade Baixa amanheceu cinza, pesarosa e com um cenário que seria propício para suas análises, que eram sempre seguidas de gargalhadas fartas. Porém, a semana terminou sem o seu riso na casa do bairro da Boa Viagem, onde foi encontrado morto por amigos.Aos 61 anos, Albergaria era professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e ganhou popularidade por suas participações como comentarista de assuntos do cotidiano baiano na Rádio Metrópole, onde atuou por 15 anos. Ontem, quando o diretor de Tecnologia da rádio, Marcos Meira, resolveu fazer uma visita ao antropólogo, por volta das 13h30, pediu para o vizinho e amigo Sérgio Macedo para que o acompanhasse. Sérgio foi quem teve com ele pela última vez ainda com vida. “Ontem (anteontem) de noite estava com ele e conversamos sobre diversas coisas. Me despedi e disse que traria almoço para ele no outro dia”, contou Sérgio, que o considerava como “seu filho mais velho” – mesmo sendo mais novo - e, inclusive, o levava para todos os lugares e tinha a chave de sua casa. Os dois se depararam com o corpo do historiador caído de bruços. “Depois de 20 anos de amizade, ainda não caiu a ficha. Quando cair, vai ser difícil”, disse Macedo. “Ele era hipertenso e tomava remédios. O que importa é que ele morreu íntegro e tinha uma cabeça muito boa. Era muito brincalhão e gozador. Mesmo sendo meu amigo, era um chato de galocha. Ele não dizia na cara, cuspia”, acrescentou o amigo. “Cê tá entendendo?!”, diria Albergaria aqui para dar uma pausa no raciocínio, como costumeiramente fazia.
