Grupo causa polêmica ao unir rotina religiosa e encenação militar

  • 15 Mar 2015
  • 12:21h

(Foto: Reprodução/Facebook)

É uma guerra. Jovens rapazes usando verde e preto marcham e fazem saudações militares. Do alto de um tablado, o comandante pergunta: "Gladiadores, o que é que vocês querem?". A resposta vem, em uníssono, num coral de vozes: "Altar, altar, altar!". Não é uma guerra. Não estamos na Síria, nem no Iraque. A cena se passa entre as paredes de um templo - que pode ser o Templo de Salomão, em São Paulo, ou qualquer sede da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). O comandante da tropa não tem nada que lembre uma patente militar... Pelo contrário. Sua autoridade é, no máximo, religiosa. E ele atende por "bispo" ou "pastor". Os soldados também recebem outro nome: são os Gladiadores do Altar (GA). Membros da Iurd, os gladiadores são participantes de um novo projeto da instituição, que começou em janeiro deste ano e, segundo a igreja, tenta ajudar rapazes que querem fazer trabalho missionário. Se você nunca ouviu falar deles, talvez queira dar uma olhada em alguns vídeos que caíram na internet nas últimas duas semanas. Foi bem aí que os gladiadores saíram do interior da igreja para dar o ar da graça no noticiário nacional. A apresentação de um grupo de GA em Fortaleza, no Ceará, foi o estopim para o frisson. Nas redes sociais, só se falava disso. Teve até político se pronunciando. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) classificou as imagens como "chocantes" e disse que o fundamentalismo cristão ameaça liberdades individuais. "Não é por que tem a palavra 'cristão' na expressão que o fundamentalismo cristão deixa de ser perigoso e não fará o que já faz o fundamentalismo islâmico", postou, no Instagram. Em Salvador, a Casa de Oxumarê divulgou uma carta aberta pedindo que as autoridades brasileiras investiguem os GA. "Caso seja constatada a incitação ao ódio e à violência física, psicológica e moral, pedimos que seja minucioso e criterioso na aplicação da lei", diz o texto.