Abstenção cai em 80% dos municípios, com queda maior nas grandes cidades

  • Por Vitor Antonio, Italo Nogueira e Marcela Canavarro | Folhapress
  • 28 Out 2026
  • 18:14h

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No último domingo, 4.442 municípios registraram queda na abstenção em relação ao primeiro turno, o que significou um aumento de quase 3 milhões de eleitores que decidiram sair de casa para votar. Tanto Lula (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) devem ter pego fatias desses votos, bem como de adversários e de brancos e nulos do primeiro turno.

 

Em todo o país, 79,7% dos municípios tiveram queda na abstenção no segundo turno. Das 102 cidades com mais de 200 mil eleitores, houve queda em 90%.
 

Nesse conjunto de grandes cidades, o petista cresceu, em média, 5,7 pontos percentuais. Já no total das cidades do Brasil com redução de abstenção, Flávio venceu na maioria, mas Lula ampliou sua participação em 4,3 pontos percentuais, em média, em relação à primeira rodada.
 

A campanha do petista se mobilizou para angariar eleitores ausentes. Entre os 10,4 milhões de votos que ele teve a mais em relação à primeira rodada, apenas uma parte vem da abstenção. Ainda que Lula tivesse alcançado todos os eleitores que decidiram votar só no segundo turno, o número seria inferior à vantagem final que abriu sobre Flávio, de 4,4 milhões.
 

No quadro geral do país, o petista ampliou a margem de votos ou diminuiu a desvantagem sobre o candidato do PL em 97% dos municípios, como mostrou a Folha de S.Paulo.
 

Já Flávio Bolsonaro perdeu votos nominais em alguns locais em que o comparecimento de eleitores aumentou. Esse cenário é mais nítido na região Norte, onde estão 88% dos 25 municípios com maiores quedas de votos no candidato do PL entre aquelas que reduziram a abstenção. As outras cidades com baixas contundentes de votos em Flávio ficam no Sudeste (8%) e no Nordeste (4%).
 

No total de cidades onde a abstenção caiu, o candidato do PL obteve a maioria dos votos em 2.379, enquanto Lula atraiu novos eleitores em 2.250 delas. O petista recebeu a maioria dos votos em apenas 171, ou 3,85% do total de municípios que registraram queda nas ausências de eleitores.
 

Grandes cidades como Camaçari e Salvador, ambas na Bahia, tiveram queda de 4,82 e 4,37 pontos percentuais, respectivamente. A capital baiana registrou restrição à circulação de eleitores por falta de transporte e o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do estado chegou a decretar a prisão do secretário municipal de Transportes, Pablo Souza, no domingo (25), mas a ordem foi revogada.
 

A cidade de Tacuru (407 km de Campo Grande) teve a maior queda proporcional na abstenção. Lá, os eleitores ausentes passaram de 33,4% para 24,4% e a margem de vantagem de Lula se ampliou em 4,31 pontos percentuais.
 

Narandiba (605 km de São Paulo) registrou a segunda maior queda relativa na abstenção no país (de 19,87% para 11,73%), e Lula diminuiu sua diferença para Flávio em 5,88 pontos percentuais, mesmo com a vitória do filho de Jair Bolsonaro.
 

Lauro de Freitas (região metropolitana de Salvador) também teve problemas com transporte público. Mesmo assim, a ausência caiu de 22,9% para 17,3% (5,6 pontos percentuais), deixando a cidade no 24º lugar de queda de ausentes.
 

O aumento da abstenção foi mais percebido na região Norte. Itaubal (80 km de Macapá), por exemplo, aumentou a ausência de eleitores de 17,19% no primeiro turno para 41,01% no segundo. Cutias (106 km de Macapá) registrou movimento semelhante, com alta de 17,60% para 40,36%. Nos dois turnos, Lula venceu nestas cidades.
 

Entre os municípios com mais de 200 mil habitantes, Macapá, um dos locais em que Lula conseguiu a virada sobre Flávio, aumentou em 5,96 pontos percentuais o total de eleitores ausentes.
 

Abrigando cidades que tiveram forte aumento na abstenção e maior redução nos votos nominais para Flávio Bolsonaro, a região Norte teve um saldo final de 14,1 mil novos eleitores para o candidato do PL, com incremento de votos apenas no Pará e em Rondônia.
 

Mesmo assim, Lula venceu no Norte com uma diferença aproximada de 1.000 votos, macrorregião onde havia perdido no primeiro turno. O presidente conquistou 474 mil novos eleitores na região no último domingo –só no Pará, foram mais de 263 mil votos extras.