Embaixador do Brasil no Paraguai deve receber nota de repúdio do país vizinho por falas de Lula
- Bahia Notícias
- 30 Jul 2026
- 18:08h

Foto: Reprodução / Agência Brasil
Amanhã (31), José Antonio Marcondes de Carvalho, o embaixador brasileiro em Assunção, capital do Paraguai, deve receber uma nota de repúdio como resposta do país às declarações realizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a guerra contra o Paraguai no final do século 19.
"O governo do presidente Santiago Peña e desta chancelaria sempre defenderão os mais altos interesses do Paraguai em todos os âmbitos", afirmou o ministro das Relações Exteriores da nação vizinha, Rubén Ramírez Lezcano, em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (30).
A declaração feita por Lula aconteceu sexta-feira passada (24), em uma visita à empresa de defesa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP). O presidente disse que as Forças Armadas deveriam estar "bem preparadas e treinadas" devido a "loucos pelo mundo querendo fazer guerra".
"Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", disse o petista. "Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não seria grande coisa, durou cinco anos", continuou o presidente sobre o conflito armado que colocou a Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai) contra a nação vizinha.
"Temos um diálogo permanente e franco com o Brasil. É um aliado estratégico do nosso país, além desse evento lamentável. Temos interesses em comum muito amplos em comércio, em integração física, em investimentos, em questões relacionadas à segurança de nossa região. Toda essa agenda ampla permanece ativa", disse o chanceler a jornalistas.
Antes mesmo disso, a declaração de Lula já havia repercutido no país.
"Lula, você está falando com muita leviandade sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente", afirmou o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, em um comunicado divulgado no domingo (26). "A Guerra da Tríplice Aliança (que começou com a intervenção militar do Brasil no Uruguai) devastou o Paraguai e marcou para sempre o nosso povo."
"Você disse uma vez que iria acabar com a guerra na Ucrânia 'com uma cervejinha'. Hoje, você volta a falar levianamente sobre conflitos armados nas Américas. Se você ficou sem jabuticabas, podemos te mandar algumas", continuou o político, correligionário do presidente paraguaio, o direitista Santiago Peña.
A fala teve uma repercussão negativa na oposição também. No sábado (25), a senadora Esperanza Martínez afirmou que as declarações eram "remanescentes do imperialismo que tentam encobrir uma guerra criminosa e uma política histórica de dominação e abuso da elite brasileira" contra o Paraguai.
