Alckmin diz que Brasil usará reciprocidade em 'momento adequado' após novas tarifas dos EUA

  • Por Marcos Hermanson e Nathalia Garcia | Folhapress
  • 17 Jul 2026
  • 10:15h

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) descreveu nesta quinta-feira (16) o tarifaço imposto ao Brasil pelos Estados Unidos como medida "injusta e descabida" e disse que o governo saberá usar a Lei de Reciprocidade, que permite retaliar barreiras comerciais injustas, no momento adequado.

 

"Os argumentos levantados na Seção 301 partem de uma base totalmente falsa, não tem a menor justificativa", disse Alckmin a jornalistas, citando os argumentos mobilizados pela Casa Branca para justificar mais uma tarifa de 25% contra o Brasil.
 

"Nós temos a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, que o governo, no momento adequado, saberá como implementar", afirmou o pessebista. Como adiantou a Folha de S. Paulo, o governo já estudava aplicar as medidas previstas na lei na véspera do anúncio americano.
 

Alckmin também aproveitou a oportunidade para espetar a oposição, fazendo uma referência indireta à família Bolsonaro. "Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o presidente, o governo do presidente Lula, trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro, quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia", disse.
 

Também presente na entrevista a jornalistas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, descreveu a nova rodada de tarifas como um ato de "interferência externa indevida" utilizado pela oposição como muleta eleitoral. Ele prometeu que o governo vai reforçar o plano Brasil Soberano, que oferece crédito a exportadores afetados pelo tarifaço, após ouvir os setores prejudicados pelas medidas.
 

O governo calcula que a medida anunciada pelo governo Trump vá afetar 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos e colocar em risco cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões) em mercadorias exportadas, considerando dados de 2024.