Pato Fu lança Não Pare Pra Pensar e continua se reinventando

  • Marcos Casé
  • 09 Dez 2014
  • 14:44h

Lulu Camargo, Ricardo Koctus, Fernanda Takai, John Ulhoa e Glauco Mendes formam o Pato Fu | Cedida pela Perfexx | Divulgação

A mistura do  astral de  Toda Cura Para Todo Mal (2005) e do peso do Ruído Rosa (2001) com todos aqueles  inesperados contrastes emocionais entre letra e melodia estão em Não Pare Pra Pensar,  primeiro álbum de inéditas do Pato Fu desde 2007. Quem conhece a discografia da banda mineira sabe o que isso significa. O grupo voltou a sua normalidade plena, ao se reinventar pela décima vez em 22 anos de carreira. Para os leigos, a melhor definição é que o novo trabalho  é um disco para cima, dançante e com o acento rock em maior evidência. Mais uma mudança na linha sonora e que deixa  de lado o projeto  Música de Brinquedo, com show e disco que renderam muito nos últimos quatro anos. "Tem artista que se acomoda e fica dando às pessoas as mesmas coisas de sempre ou um formato que deu certo. Mesmos os formatos que dão certo no Pato Fu, eles sempre são quebrados numa próxima etapa de trabalho", adianta Fernanda Takai em entrevista por telefone. "Qualquer banda mais oportunista faria o Música de Brinquedo 2 na sequência, seria simples fazer, a gente já tem toda expertise de tocar com os brinquedos. Era eleger mais um monte de música conhecida  e fazer eternamente o dois, o três, o quatro... Não é isso que mantém a banda. O que mantém a saúde da banda mesmo é a gente chegar com uma ideia nova  e ficar feliz e empolgado para  mostrar isso pros fãs", disse.

Mesmo com a boa receptividade dos inúmeros projetos paralelos dos integrantes (o mais famoso é a bem-sucedida carreira solo de Fernanda) nos últimos anos, a banda há tempos estava devendo algo mais com a cara do Pato Fu. O novo disco vem com essa vontade de matar a saudade dos fãs e deles próprios. "A gente  estava sentindo falta disso. Essa volta foi boa para a sanidade mental, tanto da banda quanto dos fãs. Toda vez que a gente sai do palco vê que é uma banda muito legal. Gosto de ter o Pato Fu e a gente não pode desistir do Pato Fu em hora nenhuma", justifica. "Embora os projetos  tenham sido muito bem-recebidos, a gente sabe que a nossa história foi construída em cima do grupo. Eu não  ficaria feliz  saindo da banda e partindo pro meu trabalho solo e daí vem   outra menina e assume os vocais. Eu ia ficar muito mal. Nunca  quis terminar o Pato Fu, só queria experimentar outras coisas, mas a banda taí e a gente toca junto muito, muito feliz", emenda. Não Pare Pra Pensar não extingue os projetos paralelos. Cada um tem liberdade para seguir com as agendas, contanto que não bata com as datas do Pato Fu, que vai começar a turnê nova a partir de março de 2015. Fernanda, inclusive, vem a Salvador no mesmo mês, para mostrar o show de Na Medida do Impossível (terceiro CD fora do grupo) no  Teatro Castro Alves. E foi a incompatibilidade de datas e a impossibilidade de se dedicar mais ao grupo que causou a saída amigável do baterista Xande Tamietti, que estava no grupo desde o Hollywood Rock, em 1996. No lugar dele assume Glauco Mendes (Tianastácia), que trabalhou no mais recente disco de Fernanda. Agora o Pato Fu tem Fernanda (voz e guitarra), John Ulhoa (guitarras, programações, teclados e voz), Ricardo Koctus (baixo e voz), Lulu Camargo (teclados e arranjos orquestrais), além de Glauco. Formação que gravou quase o disco todo, com a exceção da versão de Mesmo Que Seja Eu (de Erasmo Carlos), que foi registrada há três anos e ainda contou com Xande. "Ela foi gravada para um projeto com versões de Erasmo, mas a gente achou que estava na mesma pegada do disco", justifica Fernanda. Produzido por John, que também é o principal letrista do Pato Fu, o disco tem 11 faixas (dez inéditas) compiladas em 42 minutos. O conceito é aberto, mas passa por um sentimento de não deixar um pensamento paralisar as ações. "Quando você pensa demais nas coisas e tem medo, acaba não agindo. Ao mesmo tempo é um recado do tipo 'pense, mas continue andando, vá mais pelo instinto'", explica John Ulhoa, que manda nos vocais de You Have To Outgrow Rock'n Roll e Ninguém Mexe com o Diabo. Se a ideia é continuar em movimento, o disco segue isso à risca. Canções como Cego Para as Cores, Crédito ou Débito, Eu Era Feliz e Um Dia de Sol mostram que o frescor da banda continua sendo o que de melhor o pop brasileiro pode inspirar.