'Abuso': menina que engravidou aos 12 anos após ser estuprada pelo pai entrega bebê para adoção

  • EPTV2
  • 08 Fev 2023
  • 09:10h

Foto: Reprodução EPTV

Uma menina que foi estuprada pelo próprio pai e engravidou aos 12 anos entregou o bebê para adoção, em São Carlos (SP), quatro meses após dar à luz. O criminoso, que também é acusado de matar a mãe dela, continua foragido.

O caso foi noticiado pelo g1 São Carlos e Araraquara em novembro de 2021 e faz parte da série de reportagens multimídia do EPTV2 e do g1 chamada "Abuso" — que tem como base o livro da jornalista e apresentadora Ana Paula Araújo e aborda a violência contra mulheres e crianças a partir de experiências de pessoas da área de cobertura da emissora.

Violência em família

 

A garota, hoje com 13 anos, foi violentada no ambiente que deveria estar protegida, dentro de casa pelo próprio pai. O homem é acusado de matar a mãe da menor. Mesmo assim, ela e um irmão acabaram indo morar com ele.

“Eu fui morar em uma kitnet mais ele. Aí acabou que eu estava dormindo e acordei com um peso em cima de mim”, contou.

 

“Ele matou a minha mãe de paulada. Aí eu achei que ele ia me tratar diferente, não ia fazer isso comigo. Igual um pai trata a sua filha com amor e carinho, eu achei que ele ia fazer isso, mas eu vi errado.”

A vítima não sabe dizer quantas vezes foi abusada. “Ah, muitas vezes, eu não sei quantas, mas foram muitas. Tinha uma vez que ele abusou de mim a noite toda. Aí abusou de mim da noite até no outro dia de manhã”, contou.

“É muito cruel porque é naquele ambiente em que a criança deveria se sentir mais protegida, onde ela deveria ser cuidada. E por que a gente vê isso acontecer? Porque, na maioria dos casos, a gente convenciona chamar de pedofilia o abuso contra crianças e adolescentes. Só que a pedofilia é um distúrbio psiquiátrico, que poucos abusadores têm. O que acontece na maioria dos casos é que os abusadores de crianças e adolescentes escolhem aquela vítima que é mais fraca, mais fácil de dominar, de chantagear, de ameaçar, que está dentro de casa, num ambiente onde ele acha que vai ser mais seguro para ele cometer aquele crime”, afirmou Ana Paula Araújo.

Do aborto para a adoção

A menina pensou em fazer um aborto - procedimento permitido pela legislação brasileira em casos nos quais a gravidez é resultante de violência sexual -, mas depois desistiu.

“No começo sim, eu queria tirar. Só que depois que fez o primeiro ultrassom, que eu ouvi o choro dos bebês no hospital, eu não quis mais abortar. Eu falei que ia direto, com a gestação até o final”, disse.

Com uma gestação de risco, ela passou por uma cesariana e, após quatro meses e meio após dar à luz, a bebê foi entregue para adoção por decisão da própria vítima.

“Eu quero que ela seja feliz, que ela tenha uma vida boa, que ela estude e seja alguém na vida”, afirmou.

 

Resgatada

 

A garota foi resgatada dos abusos do pai por uma conhecida da família, quando ela já estava com quatro meses de gravidez.

“[Quando eu descobri] Eu desacreditei, eu desacreditei. Eu falei: ‘cara, eu não acredito que um pai tem a coragem de fazer isso com uma filha e a filha caçula dele. Quem deveria proteger, é quem abusa. Um ano abusando dela’, contou a mulher.

Hoje, ela tem a guarda da menor e espera que o estuprador pague pelo crime.