Rússia volta a usar mísseis hipersônicos contra a Ucrânia
- AFP
- 21 Mar 2022
- 07:02h

(Foto: Serviço de Emergência do Estado ucraniano/via Reuters)
A situação humanitária continua a piorar nas principais cidades ucranianas sob ataque da Rússia, que anunciou neste domingo (20) que utilizou mísseis hipersônicos pela segunda vez.
“Um grande estoque de combustível foi destruído por mísseis de cruzeiro ‘Kalibr’ disparados do Mar Cáspio, bem como por mísseis balísticos hipersônicos disparados pelo sistema ‘Kinjal’ do espaço aéreo da Crimeia”, informou o ministério russo da Defesa em comunicado.
Este último ataque ocorreu na região de Mykolaiv, disse o ministério, sem especificar a data. O alvo destruído, observou, foi “a principal fonte de abastecimento de combustível para veículos blindados ucranianos” implantados no sul do país.
Esses mísseis pertencem a uma família de novas armas desenvolvidas pela Rússia e que seu presidente, Vladimir Putin, descreve como “invencíveis”.
Em Mariupol, uma cidade estratégica no sudeste da Ucrânia bombardeada há semanas e que sofre com falta de água, gás e eletricidade, as autoridades locais acusaram o exército russo de ter bombardeado no sábado uma escola de arte que servia de abrigo para várias centenas de pessoas, garantindo que muitos civis estavam presos sob os escombros.
“Os ocupantes russos lançaram bombas na escola de arte G12 localizada na margem esquerda de Mariupol, onde 400 habitantes – mulheres, crianças e idosos – haviam se refugiado”, informou a prefeitura da cidade portuária.
“O prédio foi destruído e as pessoas ainda estão sob os escombros. O número de mortos ainda está sendo estabelecido”, acrescentou em um comunicado publicado no Telegram. Esta informação ainda não foi verificada de forma independente.
A situação humanitária em Mariupol, como em outras cidades sitiadas, é terrível.
Um grupo de 19 crianças, a maioria órfãs, está “em grande perigo”, porque seus responsáveis não podem pegá-las devido aos combates, disseram parentes e testemunhas à AFP.
Fazer “algo assim para uma cidade pacífica (…) é um ato de terror que será lembrado mesmo no próximo século”, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em um discurso neste domingo. O cerco de Mariupol “ficará na história pelos crimes de guerra”, declarou.
O bombardeio também danificou severamente a siderúrgica Azovstal, de Mariupol, cujo porto é fundamental para a exportação do aço produzido no leste do país.
“Uma das maiores usinas metalúrgicas da Europa está destruída. As perdas econômicas para a Ucrânia são imensas”, disse a deputada Lesia Vasylenko, que postou um vídeo em sua conta no Twitter mostrando espessas nuvens de fumaça subindo de um complexo industrial.
– “Catástrofe humanitária absoluta” –
No norte do país, o prefeito de Chernihiv, Vladislav Atroshenko, descreveu a situação em sua cidade como uma “catástrofe humanitária absoluta”.
“O fogo de artilharia indiscriminado continua em áreas residenciais, dezenas de civis, crianças e mulheres estão morrendo”, disse ele na televisão. “Não há eletricidade, aquecimento ou água, a infraestrutura da cidade está completamente destruída”.
