Morte de ‘Edilson de Samambaia’ causa comoção e revolta nos brumadenses; ‘ele morreu por falta de uma UTI, isso é inaceitável’, declaram
- Brumado Urgente
- 15 Jan 2021
- 07:33h

Edilson Avelar morreu devido à falta de uma UTI para a Covid-19 | Fotocomposição: Brumado Urgente)
Enquanto a Covid-19 em Brumado recebe um tratamento em dessincronia com a realidade, muitas vezes analisada até como uma “gripezinha” pelas autoridades, vários brumadenses vêm perdendo a sua vida, vítimas dessa doença que parou o mundo e promoveu um cenário caótico e, porque não dizer, apocalíptico, pelo menos até o momento em que o imunizante for distribuído à população. Os óbitos que já chegam próximos dos 50 no município, vêm sendo avaliados como meras fatalidades, numa banalização sistemática da vida, tanto que não foram anunciadas, até agora, nenhuma medida de alto impacto, como a compra das vacinas ou mesmo de respiradores, então, tudo indica que estão sentados no “sofá do comodismo”, à espera de um milagre por parte dos governos federal e estadual, sob a égide eterna de que “o cobertor é curto”. Até o final de 2020, os quadros mais graves eram transferidos para UTIs da região, mas o caso do óbito de “Edilson de Samambaia” ocorrido nesta quinta-feira (14) se tornou emblemático e acabou criando um sentimento misto de comoção e revolta. Ele que era um representante legítimo do meio rural, que militava na política há várias décadas, sempre buscando avanços e conquistas para o homem do campo, acabou não resistindo às complicações da doença, vindo a falecer no Centro de Atendimento da Covid-19 (veja aqui), que não tem a mínima logística para os quadros graves. A questão central da grande insatisfação popular foi que ele morreu por falta de uma UTI, o que comprova, indubitavelmente, que a pandemia tomou proporções ainda mais agudas e que tem que ser tratada com a seriedade que merece e não com o desdém habitual que vem sendo notabilizado pela atual gestão municipal. O que se sabe é que a dependência do sistema de regulação é total e que na região não se encontrou um leito em uma UTI para Edilson, tanto que, seu amigo de longas datas, o ex-presidente da Câmara de Vereadores, Léo Vasconcelos, viajou para Salvador para tentar obter uma vaga, mas, infelizmente, não houve tempo, pois a morte foi rápida, já que o pulmão da vítima estava praticamente todo comprometido, ou seja, ele morreu sem poder respirar, asfixiado por um sistema falho que trata a vida humana como se fosse mais um produto na prateleira do supermercado.

Pacientes que têm o quadro agravado, com os pulmões comprometidos, precisam com urgência de uma UTI | Foto: Reprodução
O promoter a ativista cultural, Marcos Antônio Cardoso, o “Kezinha”, subiu o tom ao postar em suas redes sociais a seguinte frase: “Enquanto famílias choram perdendo seus entes queridos, o estulto do prefeito, em entrevista à imprensa local, afirma que em Brumado está tudo sob controle e que a população está fazendo um grande estardalhaço com um monstro invisível”. Assim como esse, vários vêm sendo os relatos, que povoam as redes sociais e criam uma atmosfera, no mínimo desagradável, para o gestor, que, assim como o presidente Jair Bolsonaro faz questão de minimizar os efeitos da pandemia, como se ela fosse produto da mente nervosa de uma imprensa sensacionalista. Os questionamentos como “se o município, que é sede regional de saúde, recebeu verbas, que não foram poucas, para o combate à Covid-19, porque mortes como a de Edilson ainda continuam acontecendo?”, ou “se existia condições de adaptar a UTI do HMPMN para atender os pacientes da Covid-19, porque isso não foi feito? Será que acharam que a doença iria acabar num passe de mágica?”. Segundo o policial rodoviário aposentado, Clidemar Risério Amorim, “a morte de Edilson não pode passar em branco, a população tem que mostrar a sua força e fazer os seus relatos na Ouvidoria do SUS, pois não podemos ficar inertes frente à uma situação tão grave como essa”. Por fim, a indignação é grande, baseada, segundo várias correntes da sociedade, no fato de que nas eleições se vendeu uma imagem de uma saúde maravilhosa que salvava vidas, mas a realidade é totalmente antagônica, com pessoas morrendo por falta de um leito em uma UTI, triste Brasil, triste Brumado.
