Eleições em meio à pandemia: a única coisa certa é a incerteza

  • Levi Vasconcelos
  • 09 Jun 2020
  • 14:40h

Calendário está mantido. Mas só 'se não houver riscos para a população'.. | Fotocomposição: Brumado Urgente)

Ao autorizar a realização de convenções partidárias entre 20 de julho e 5 de agosto por videoconferência, só fez de novo uma coisa: o uso da internet para encontros virtuais, o que antes era algo festivo, com discursos, palmas, beijos e abraços. O calendário é o mesmo para as eleições em 4 de outubro.

Os prefeitos esperneiam. Eures Ribeiro (PSD), prefeito de Bom Jesus da Lapa, que já é reeleito, grita pelos colegas:

— É uma questão de bom senso. Não há condições de se disputar eleições numa circunstância dessas.

Barroso

Se numa ponta o sentimento é esse, na outra, a de cima, de concreto há uma PEC tramitando no Congresso propondo o adiamento das eleições para 6 de dezembro o primeiro turno, e 20 o segundo. Para além disso, o ministro Luís Barroso, agora presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), intransigente opositor da tese de prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores, diz que as eleições acontecerão, mas faz uma ressalva emblemática:

— Se não houver risco para a saúde da população.

A questão: e se houver? Ou melhor, se a pandemia não tiver em declínio como preveem as autoridades?

Barroso trata o assunto com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AC), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas com reservas.

Coisas da Covid. Noutros tempos, São João em ano eleitoral ganhava o tempero político. Agora, tudo é incerteza.

Chance zero

Aliás, Rui Costa diz que festanças como Carnaval só voltarão a acontecer quando a Covid virar uma gripezinha. Isso só será possível depois que os cientistas descobrirem uma vacina e ela seja produzida em escala para o mundo todo. Por enquanto, o coronavírus é um assassino poderoso.

Rui Costa já descartou:

—Não dá para imaginar show com 50 mil, 30 mil pessoas, como a gente costuma ver. Não é possível o poder público autorizar isso, em nenhum lugar do mundo.

Ocorre que o carnaval de 2021 é organizado e vendido em 2020. Algumas empresas já preparam a devolução. Se assim o é, bom pensar saídas, como a do vereador Cláudio Tinoco (DEM), ex-secretário de turismo em Salvador: Carnaval em outubro.

— Que tal? Sei lá, mas é uma ideia a se pensar.