Docente é denunciada após citar Bolsonaro em prova de história
- O Tempo
- 24 Out 2019
- 13:41h

(Foto: Reprodução / Redes sociais)
Uma prova de história aplicada aos alunos do nono ano do ensino fundamental da Escola Municipal Sócrates Mariani Bittencourt, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, incomodou pais de alunos por trazer charges e trechos de reportagens a respeito de posições polêmicas do presidente da República, Jair Bolsonaro. A reclamação chegou ao deputado Estadual Bruno Engler (PSL), que encaminhou um ofício ao diretor da unidade pedindo que a conduta da professora que aplicou o teste seja apurada e que medidas cabíveis sejam tomadas. A denúncia acontece dias após ser aprovado, em primeiro turno na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o projeto Escola Sem Partido, que prevê a proibição de que professores emitam opinião sobre política e religião no ambiente escolar. Recentemente, uma prova foi anulada no Colégio Loyola, na capital, por trazer um artigo com críticas a Bolsonaro. No caso denunciado pelo parlamentar, a docente Adriene Gomes apresenta aplicou uma prova em março com duas charges e uma matéria do jornal “O Globo”, publicada em 7 de julho do ano passado, quando Jair Bolsonaro era candidato à presidência da República. O texto traz falas dele sobre a ditadura militar, o Estatuto do Desarmamento e a privatização dos setores de energia e petróleo. A educadora propõe que os alunos produzam um texto dissertativo que relacione o conceito de “pós-verdade” com a negação do golpe de 1964. De acordo com Adriene, um dos alunos escreveu uma receita de bolo de chocolate no espaço dedicado à resposta e os país dele foram chamados para conversar no colégio. “Trabalhei dois temas atuais, o conceito de fake news e pós-verdade. A prova não foi diferente de outras que trabalhei na escola”, afirmou Adriene, em um vídeo publicado nas redes sociais. O deputado Bruno Engler disse que diversos país o procuraram para denunciar a conduta da professora. “Eles estavam consternados que a professora não estava usando a prova para ensinar, mas para doutrinar. Os conteúdos não atacavam somente o presidente, mas os eleitores dele como se fossem idiotas. Na condição de deputado, tenho que zelar pela educação isenta”, destaca Engler. A docente diz que vai processar o parlamentar. “Estamos vivendo em uma ditadura em que os governantes não entendem o verdadeiro valor da educação pública. O deputado não sabe sua função no legislativo. Deveria estar preocupado com o bem-estar da população”, completou Adriene.
