Maioria acha que data do golpe de 1964 deveria ser desprezada, aponta Datafolha
- Último Segundo
- 06 Abr 2019
- 18:08h

A comemoração da data que marcou o início da ditadura militar no Brasil não é vista com aprovação pela maioria dos brasileiros. Pelo menos é isso que mostrou a pesquisa Datafolha, veiculada neste sábado (6) no jornal “Folha de S.Paulo”.A data do golpe de 1964 , no dia 31 de março, incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro no mês passado, deveria ser desprezada para 57% dos entrevistados, enquanto 36% acredita que merece ser celebrada. Outros 7% não souberam responder ou não quiseram opinar sobre o tema. Participaram da pesquisa 2.086 pessoas de 130 municípios entre terça (2) e quarta-feira (3). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança (que é a chance de a pesquisa retratar a realidade) é de 95%. O assunto se tornou polêmico no último dia 25 de março, quando o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, declarou que Bolsonaro havia determinado ao Ministério da Defesa "comemorações devidas" à data em quartéis. O presidente chegou a afirmar que, na verdade, a ideia era rememorar, e não comemorar o golpe de 1964. Ainda assim, essa foi a primeira vez que tal orientação foi feita desde a criação da pasta, o que levou a Defensoria Pública da União a tentar impedi-la na Justiça. O desprezo à data do golpe tem maior apoio entre os mais jovens, mais escolarizados e mais ricos da população. Entre as pessoas de 16 a 24 anos, 64% são contrários à comemoração da data. A porcentagem chega a 67% entre quem tem ensino superior e a 72% entre os de renda familiar mensal superior a dez salários mínimos. Ainda segundo o Datafolha, foram favoráveis à celebração do golpe 42% das pessoas com mais de 60 anos, 43% dos que têm ensino fundamental e 39% dos que têm renda mensal familiar de até dois salários mínimos.
