Após retirar útero, baiana faz vaquinha para usar 'barriga solidária' da irmã
- 23 Mar 2019
- 13:08h

Foto: Arquivo pessoal
A baiana Ione Nascimento, de 37 anos, vislumbra o sonho de ser mãe desde que era adolescente. Casada há 10 anos, a eletrotécnica viu o desejo se desfazer ao descobrir um mioma – tumor benigno – na parte externa do útero. A solução veio da casa ao lado: a irmã se ofereceu para ser "barriga solidária" dela.A doença foi descoberta enquanto Ione tentava engravidar. Moradora do bairro do Saboeiro, em Salvador, ela e o marido, Alexandre Nascimento, começaram um tratamento clínico na trajetória em busca de ter o filho."Começamos em uma clínica especialista em reprodução humana, onde ficamos quatro anos. Nosso tão sonhado positivo [para gravidez] não chegava, e nossa aflição só aumentava. Durante esse período gastamos com procedimentos e medicamentos fortes para estimular a reprodução de óvulos. Eu realmente acreditava que esses tratamentos iriam dar certo, porém não tivemos sucesso. Fiz três procedimentos cirúrgicos incluindo a retiradas de pólipos", lembra Ione."Às noites me pegava pensando: 'Será que não vou ter o prazer de carregar meus filhos no colo? De colocar eles na cama? De cuidar quando doentinhos?' E o sonho cada vez mais distante de uma realidade escapava por entre os dedos"Ione conta que chegou a cogitar que o problema de fertilização fosse com o marido. O casal passou por vários exames, mas os resultados eram sempre positivos."Em conversa com algumas amigas, fui indicada a ir a uma nutricionista, pois precisava esgotar todas as possibilidades que tinha. Fiz a consulta e todos os exames. Em um deles houve uma alteração e foi constatada anemia e prolactina [hormônio] alta. A nutricionista me orientou a procurar um mastologista e ginecologista, e assim fiz", conta a eletrotécnica.Ela então marcou consulta com as especialistas, que fizeram diversos exames. Em um deles foi detectado um mioma, um tipo de tumor benigno, que estava no útero."Marquei a ginecologista, cheia de esperanças. Mais uma vez fiz todos os exames que me pediram, quando foi detectado um mioma. A médica sugeriu a retirada do mioma, por conta do tamanho dele. Eu pensava: 'como essa situação não foi detectada antes?'. Durante a cirurgia, descobrimos que ele estava na parte externa do útero, comprometendo a minha saúde. A saída foi a retirada por completo do útero".Sem útero e sem a possibilidade de ter o filho, Ione passou pelo que chama de "momento mais difícil da vida". Em meio ao sofrimento de não poder realizar o sonho de adolescência, ela contou com o apoio de uma das pessoas mais importantes da vida dela: a irmã."Percebi que as minhas esperanças estavam perdidas. Meu mundo desabou, ao ponto de não me sentir mulher mais e não desejo isso a ninguém. Foi quando a minha irmã, diante a todo meu sofrimento, se compadeceu e se ofereceu a fazer o procedimento de “barriga solidária”, disse. "Fiquei emocionada com o gesto. Nosso sonho ainda será realizado, eu poderei carregar e amamentar meu filhinho" A segunda parte da trajetória de Ione e Alexandre em busca do filho começou a partir daí. Depois de fazer orçamentos para o procedimento de fertilização in vitro (FIV), ela se deparou com outra barreira: o preço. "Onde conseguiríamos o valor para realizar o procedimento, já que a fertilização não é barata, e precisaríamos, no mínimo, de três tentativas? Foi aí que descobrimos o site Vakinha. Pensei e repensei mil vezes, antes de decidir lançar a campanha. Eu realmente não sei como conseguir o valor em tão pouco tempo, já que tenho 37 anos", pondera ela. Para fazer a FIV, Ione e Alexandre precisam de R$ 48 mil. Até este sábado (24), o casal havia arrecadado pouco mais de R$ 9.200, que representa cerca de 19,30% do valor total. A campanha deles dois pode ser acessada aqui."Estou contanto com o total apoio de toda a família e amigos. Pude sentir que eles estão acreditando na realização deste sonho e começaram abraçar a causa. Meus amigos criaram um grupo de WhatsApp, chamado “Mulheres Guerreiras”, para ajudar na divulgação [da vaquinha]. Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas disposta a ajudar". Juro que diante de tudo que vejo nas redes de comunicação não imaginava que no mundo ainda existiriam pessoas com tanto amor no coração, me emocionei com várias histórias.
