Nº de trabalhadores informais e por conta dispara em 2017 e 2018
- 01 Fev 2019
- 10:10h

Foto: Claudio Vieira/Prefeitura SJC
Mesmo com o saldo de criação de vagas de emprego formal voltando ao campo positivo, a soma de pessoas trabalhando por conta própria ou no mercado informal seguiu acima da quantidade de empregados com carteira assinada em 2018. O número de trabalhadores sem carteira assinada cresceu 3,8% (mais 427 mil pessoas) no 4º trimestre de 2018, frente ao ano anterior, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta quinta-feira (31). Por outro lado, a quantidade de pessoas que trabalham com registro caiu 1% na comparação anual. Ao final de 2018, o Brasil tinha 33 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada (sem considerar empregados domésticos). Outras 11,5 milhões estavam atuando sem carteira, e outras 23,8 milhões, por conta própria. Os dados do Instituto Brasileiro Geografia Estatística (IBGE) desde 2012 mostram que o emprego formal foi ultrapassado pela soma entre postos sem carteira e por conta própria pela primeira vez em 2017. Desde então, a diferença só vem crescendo. Se considerados os trabalhadores domésticos, o total de empregados com carteira assinada passou a ser menor que o dos demais trabalhadores em 2015. O economista Sérgio Firpo, professor do Insper, explica que os números refletem a readaptação do mercado de trabalho após as perdas da crise, em meio a um cenário de recuperação mais lento do que o se esperava. “A timidez do crescimento da economia faz com que a gente não tenha o crescimento das vagas formais que a gente gostaria”, comenta o professor, acrescentando que o mercado ainda não conseguiu gerar vagas suficientes para que todos aqueles que perderam seus empregos durante a crise possam retornar ao mercado formal. “Tem vários trabalhadores que gostariam de estar no setor formal e não estão, mas a pessoa tem que se virar. E faz isso aceitando um emprego sem carteira ou tendo que trabalhar por conta própria”, diz Firpo. No entanto, o professor acrescenta que, apesar de se mostrar muitas vezes como alternativa ao desemprego, o crescimento do número de pessoas trabalhando por conta própria (ao contrário do trabalho informal) também pode apontar fatores positivos. “O crescimento de trabalho por conta própria só acontece porque tem alguma demanda. Ninguém vai montar um negócio se não tiver gente disposta a comprar. É um sinal de que a economia está se movimentando, mesmo que o crescimento não venha na velocidade que a gente gostaria.”
